Mostrar mensagens com a etiqueta Covid-19. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Covid-19. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de março de 2021

Do teu ar sereno nos meus braços e da vida que não sei viver...

Há pouco, emocionei-me enquanto embalava a Isabel nos meus braços e a via adormecer.

Costumo adormecê-la no berço, durante o dia, mas hoje quis que ela adormecesse ao meu colo, enquanto eu a embalava e eu cantarolava para ela. Talvez pela consciência de que, um dia, estes momentos deixarão de existir. Ao vê-la fechar os olhos e deixar-se ir, senti os olhos encherem-se de lágrimas.

Estamos, desde quinta-feira, em isolamento profilático, por ela ter sido considerada contacto de alto risco. Estou tranquila em relação a isso, plenamente consciente de que a probabilidade de ela ter sido contaminada com Covid-19 é muito baixa.

Mas, ao mesmo tempo, não deixo de me sentir frustrada e angustiada com tudo isto. Estamos fechados em casa há um ano (excepção feita para duas semanas no Algarve). Estamos estupidamente isolados e confinados. Estamos a viver a experiência da parentalidade sozinhos, sem apoio, sem partilha, sem a celebração que este momento devia ser. Protegemo-nos, e a ela, o mais que podemos, e, com isso, afastamo-la dos nossos e de quem lhe quer bem. Tudo o que temos feito, é por acharmos que é o mais correcto. Mas, depois, bastam 4 dias na creche, para ela ser exposta e considerada contacto de alto risco por contacto directo com um infectado. E eu, que sempre vivi bem com as minhas decisões no último ano, não deixo de me questionar. Ao vê-la adormecer nos meus braços, ao deliciar-me com os seus contornos perfeitos e o seu ar sereno, não deixo de me perguntar se fará sentido continuar a privá-la do mundo, e a privar o mundo dela. Se a deixamos ir para a creche, com o resultado que está à vista, não faria sentido deixá-la estar com as nossas pessoas?... Ao mesmo tempo, a racionalidade em mim, pergunta-se se não será esse o pensamento errado que levou ao estado em que estamos de achar que "já que me exponho para ir trabalhar, então também não faz mal se me expuser para ir jantar fora, e estar com os amigos, e estar com a família...". O facto de ela ir à creche, deverá justificar que a resguardemos ainda mais, para minimizar riscos, ou deverá ser carta branca, em jeito de "perdido por cem, perdido por mil", para aproveitarmos a vida e vivermos esta experiência um pouco mais como ela deveria ser vivida?...

Não consigo chegar a nenhuma conclusão. Vivo dividida entre fazer o que acho correcto, não só porque o nosso governo o diz, mas porque a minha consciência assim o diz, e fazer o que vejo os outros fazerem, em actos que me fazem questionar o meu excesso de zelo.

De uma coisa não tenho dúvidas: o impacto social desta pandemia é absolutamente avassalador. Quem acha que vamos ter uma grande crise económica, devia preocupar-se igualmente com a forma como todos vamos sair disto em termos psicológicos, nos nossos afectos, nos nossos medos e ansiedades.

domingo, 7 de março de 2021

Dos pensamentos que me ocupam às cinco da manhã...

Não sei se tenho mais saudades das coisas que a Covid me tirou, se das coisas que a maternidade me tirou. Dadas as circunstâncias actuais, ambas confundem-se e é difícil identificar quais são quais. Pouco importa, na verdade.

Mas tenho saudades. Tenho saudades de restaurantes. De esplanadas. De ficar na praia até ao pôr do sol. De ir à Davvero comer um gelado. De ir a um concerto ou a um espectáculo. Tenho saudades das minhas pessoas. De estarmos juntos só porque sim. De respirarmos o mesmo ar sem medo do que daí pode vir. De nos abraçarmos. Eu, que nem sou de abraços. Porra. Tenho saudades de um abraço. Tenho saudades de tudo ser simples e fácil. De ir a algum lado, ser apenas ir a algum lado. Sem medos, sem paranóias, sem máscaras e sem desinfectantes. Tenho saudades de almoços de horas. De visitas inesperadas. De dias sem planos e sem horários. De dormir até tarde. De dormir, no geral. De me sentir leve e feliz. Tenho saudades da vida que tinha e que sei que nunca voltará. Com ou sem covid. Tenho saudades de correr nos trilhos. Das provas. A dois ou em equipa. Da sensação boa que vinha no final, que fazia esquecer o cansaço e eventuais maleitas. Tenho saudades de viajar. Daquela excitação boa que surgia sempre que entrava num avião, fosse qual fosse o destino. Ou num carro, pouco importa. Tenho saudades de Lagos. Dos percebes. Dos gelados. De Porto de Mós e do Zavial. Da pizzaria debaixo do prédio. Da mini varanda que aqui não temos. Tenho saudades dos pés descalços e dos chinelos. Do não ter pressa. Das caminhadas na marginal e nos passadiços. Tenho saudades de tanta coisa a que antes não dava o valor suficiente. Tanta.

É pena, é mesmo pena, que na maior parte dos casos, só demos valor às coisas quando deixamos de as ter. Seja por culpa da covid, seja por culpa da maternidade. 

Se tudo isto não servir para mais nada, que sirva para que eu aprenda a dar valor às pequenas coisas. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Da Blue Monday que afinal é Tuesday...

Hoje fui-me um bocadinho abaixo. Só um bocadinho. Mas aquele bocadinho suficiente para ficar de coração apertado e lágrimas nos olhos.

Estou cansada da Covid. Dos casos, dos números, dos medos, das inseguranças.

A Isabel está na sua terceira semana de creche e são muitos os emails que já recebemos a falar sobre o tema. Hoje, recebemos mais um. A creche que escolhemos tem sido irrepreensível na forma como partilha a informação, como nos coloca a par de tudo, como nos tenta sossegar. Mas, hoje, fui-me um bocadinho abaixo. Só um bocadinho.

A nossa miúda passou 6 meses fechada em casa. Foram 6 meses no nosso colo, no nosso ninho, na nossa bolha de protecção. Fechámo-la, isolámo-la, protegemo-la. Talvez tenhamos exagerado. Talvez tenhamos roçado a paranóia. Mas é a nossa filha e só temos esta. Se isso fez com que mal visse a família e os amigos? Fez. Se nos custou? Custou. Mas fizemos o que fez sentido para nós, nestes tempos estranhos que vivemos.

E agora? Agora ela está entregue a estranhos, exposta a riscos, enquanto vivemos a maior pandemia dos tempos modernos. Agora já não está no nosso colo, no nosso ninho, na nossa bolha de protecção. A nossa miúda está na sua terceira semana de creche, mas só hoje é que me caiu a ficha. E custa. Horrores. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Das formas que temos de baixar os braços...

 

Hoje cancelei a subscrição da newsletter da Easyjet.



(ando a limpar a minha vida, a minha casa, e a minha alma, estendendo esta limpeza à poluição visual que recebo no digital - já cancelei as subscrições de várias marcas de roupa [no seguimento da decisão de um 2021 mais sustentável], e agora cancelei esta, resignando-me à ideia de que não voltarei a voar tão cedo)

domingo, 3 de janeiro de 2021

Da São Silvestre de Lisboa 2020...

São Silvestre de Lisboa

Foi há uma semana que fiz a São Silvestre de Lisboa 2020, em versão virtual.

A São Silvestre de Lisboa é, como já devo ter dito por aqui, a minha prova de estrada preferida. É aquela que nunca falhei desde 2015, quando foi a minha primeira prova de estrada de 10km. Mesmo o ano passado, já grávida, fiz questão de ir fazê-la, em ritmo caracol, tendo sido a última prova que fiz, antes de a Isabel nascer. Fazia-me ainda mais sentido fazê-la este ano, sendo a primeira prova que fiz, depois de a Isabel nascer.

E assim, lá fui eu. 

Contexto: eu só recomecei a correr no início de Novembro, tendo parado logo de seguida, e recomeçado 3 semanas depois. Dizia o meu Strava que eu tinha corrido apenas 6 vezes, e o treino mais longo que tinha feito, tinha sido de 6km. 

As minhas expectativas para estes 10km eram, portanto, muito baixas. No mínimo, era um disparate pôr-me a fazer 10km com tão pouco treino, depois de uma paragem de 11 meses, com uma gravidez e uma cesariana pelo meio. Mas disparates é o meu nome do meio. E o pior que podia acontecer, era eu ter de me arrastar e caminhar nos últimos metros ou quilómetros ou o que fosse. Era um disparate, mas controlado.

Domingo, às 10h30 da manhã, lá estava eu, no sítio do costume: um Parque das Nações demasiado cheio para o meu gosto, mas com a temperatura certa e sem vento. 

Decidi começar logo pela parte chata do percurso, sem grande ânimo ou entusiasmo, e foi com surpresa que comecei a cruzar-me com outros atletas em prova. Caramba, as saudades que eu tinha de ouvir um "Força!", ou um "Boa prova!". Foi tão, tão bom! Lá fui eu, quilómetro após quilómetro, a ver o tempo passar. Tinha um objectivo em mente: fazer melhor do que em 2019 (o que não seria difícil, dado que tinha feito 1h15).

Claro que, com a minha falta de preparação, ia eu nos 4km, quando comecei a pensar que talvez não fosse má ideia fazer só 5km. Comecei a arranjar mil e uma justificações na minha cabeça, para justificar a minha desistência. Mas, ao mesmo tempo, sabia que isso não fazia sentido nenhum. Sabia que, nem que fosse a caminhar, eu tinha de fazer aqueles 10km. Era o mínimo que eu podia fazer por mim.

Nova estratégia, já antes utilizada: alternar 200 metros a caminhar, com 800 metros a correr. Quando o relógio marcou 5km, eu encostei, caminhei 200 metros e voltei a correr. Fiz o mesmo aos 6km e aos 7km. Mas, quando o relógio marcou os 8km, eu pensei para mim que só faltavam 2km, e que, fosse a que ritmo fosse, havia de fazê-los a correr. Caramba! Era o esforço final, eram só mais 2km, só mais 13 minutos, só mais 3 músicas (eu meço o meu tempo em várias medidas, consoante o estado de espírito).

E lá fui eu. E fiz os 10km em 1h07. Se eu duvidava que conseguisse fazer os 10km, fazê-los neste tempo foi absolutamente incrível. E a sensação quando parei o relógio foi avassaladora e fez-me lembrar por que motivo eu gosto de correr. Já não me lembrava, sabem? Já não sabia o que era esta sensação de desafio superado e de dever cumprido. Num ano tão estranho e tão atípico, eu voltei a sentir-me viva e voltei para casa de sorriso parvo no rosto.

Consegui. Num ano em que sinto que não consigo nada, eu consegui fazer aqueles 10km, praticamente sempre a correr, e num tempo que não me envergonha. Consegui. E a sensação não tem preço.

Que 2021 nos traga as provas de volta, que eu preciso muito disto!...

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Das coisas que a pandemia nos roubou...

Esta manhã, enquanto trabalhava, calhou em estar a passar uma música dos The National. E eu emocionei-me. Foi a segunda vez que isto aconteceu, em cerca de uma semana. Emocionei-me com algo tão simples como uma música dos The National (pouco importa qual).

A última vez que vimos os The National ao vivo foi há um ano e uns dias, no Campo Pequeno. Lembro-me de sair do escritório a correr, ir buscá-lo ao aeroporto (no tempo em que era normal as pessoas viajarem em trabalho), e irmos directos para o Campo Pequeno, onde comemos qualquer coisa num instante, e nos sentámos naquelas cadeiras estupidamente desconfortáveis.

O concerto começou e esquecemos o desconforto. O concerto começou e eu deixei-me levar pelas músicas. Com uma mão na tua mão e a outra na barriga (que ainda nem existia), eu quis guardar aquele momento para sempre. Fomos felizes, ali. Nós e a nossa sementinha, que ainda era segredo para a maioria das pessoas. Não me lembro, mas é provável que tenha chorado. Pelo menos, podia culpar as hormonas. Sei que gostei muito do concerto. Só podia, aliás.

Hoje, ao ouvir aquela música, voltei a esse concerto. E não pude deixar de me emocionar, ao pensar que não sei quando voltaremos, verdadeiramente, a um concerto. A pandemia tem-me levado tanta coisa boa, e a cultura é uma delas. Não sei quando voltaremos aos concertos, aos teatros, ao cinema. Não sei. E eu sei que eles continuam a existir. Eu é que não sei quando serei capaz de lá voltar. A pandemia levou-me a cultura e deixou-me o medo. E isso é uma grandíssima merda. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Dos altos muito altos e dos baixos muito baixos desta vida...

 


Há dois anos estávamos em Nova Iorque, naquela que foi uma das viagens das nossas vidas.


Há um ano estávamos no Porto, a viver dias muito felizes, a gozar um segredo que ainda era só nosso.

Este ano, estamos fechados em casa há 9 meses, num confinamento sem fim à vista. Um confinamento que nos consome, que nos suga as energias positivas, que nos arrasta numa espiral de desespero.

Tenho muita curiosidade em saber como vai ser o fim de tudo isto. Já nem me pergunto o quando, porque já sei que essa resposta não existe. Mas o como. Como é que vamos voltar à normalidade? Como é que vamos voltar a dar beijinhos e abraços? Como é que a nossa sanidade mental vai recuperar? Como é que eu vou ser capaz de voltar a uma sala de espectáculos? Como? Como? Como?... Parece uma realidade ainda tão distante e impossível, que eu não consigo sequer imaginá-la.

Tenho demasiado medo do impacto que esta pandemia teve em mim. Não me revejo na pessoa que sou agora. Não me revejo nestes medos e paranóias. Não me revejo na ansiedade que certas idas ao exterior me provocam. Nos raros momentos de lucidez que vou tendo, sei que, talvez, esteja a exagerar. Mas, depois, assisto às notícias, leio relatos, vejo o caos no SNS, vejo os números a aumentar, e fico a perguntar-me se estarei mesmo a exagerar. Porque também não me revejo nos comportamentos à minha volta. Porque também não me revejo nas teorias da conspiração. Porque também não me revejo em quem acha que está tudo bem e continua com a sua vida social habitual. Não consigo. Não sou capaz.

Sanidade mental procura-se.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 308 (ou do não-Natal 2020)

 


Eu sempre fui A pessoa do Natal. Pelo menos, para as pessoas que me rodeiam, e que acham sempre que eu sou a mais apressada (prefiro despachada) e histérica (prefiro entusiasmada), com esta época do ano e seus afazeres. 

E sim, eu sei que ainda agora estamos no início de Novembro. Mas à velocidade a que 2020 está a passar, corremos o risco de esta noite fechar os olhos para ir dormir, e amanhã acordar com a lareira cheia dos presentes que o Pai Natal deixou. Correm vocês, diga-se. Que eu não só não tenho lareira, como tenho uma rica filha que não permite que isso de só acordar no dia seguinte aconteça. Eu estou safa.

Assim sendo, enquanto o Natal não chega, eu vou pensando sobre ele. 

Ninguém sabe em que moldes vai decorrer o Natal este ano. Vamos estar todos confinados outra vez? Vão ser proibidas as deslocações? Fica cada um em sua e fazemos o jantar da Consoada via Zoom? 

Não sei. Ninguém sabe.
 
Eu gostava muito que este ano pudesse haver Natal. Natal em família, com convívio, com abraços, com gargalhadas, com comida até mais não, com partilha e união. 

Infelizmente, nem no mais fundo do meu ser, eu consigo encontrar esperança de que isso venha a acontecer. 

Ainda que o Natal possa ser uma época propícia a milagres, este ano, acho que não há milagre que nos valha. Tínhamos de ter todos muito juízo nas próximas semanas (que não temos), para que os números voltassem a baixar drasticamente e pudéssemos recuperar alguma normalidade. Mas isso não vai acontecer. E, um dia, eu vou contar à Isabel que o primeiro Natal dela foi passado em casa, a quatro, com as bolas de Natal mais pirosas de sempre. 

domingo, 27 de setembro de 2020

Da Corrida (virtual) do Tejo...

Não podendo eu correr (ainda), tenho passado um bocado ao lado das provas virtuais. Mas a Corrida do Tejo captou a minha atenção... Tinha o desafio tradicional dos 10km a correr, mas depois oferecia uma série de outras opções, para fazer a distância em vários dias e a correr ou caminhar. E, a juntar a isto, tinha uma t-shirt bem gira. Quando dei por mim, estava inscrita, com a Isabel inscrita por arrasto.

A prova tinha de ser feita esta semana e eu optei por fazer duas vezes 5km. Ainda não tinha feito 5km a caminhar vez nenhuma, mas foi um bom incentivo para fazer um bocadinho mais do que faço habitualmente.

Fiz a primeira parte na quinta-feira.

E fiz a segunda parte hoje. 

Em ambos os dias estive na zona da expo, junto ao rio, para fazer jus ao nome da prova. Hoje fui equipada a rigor, com a t-shirt da prova e o dorsal.


Voltei a cometer o erro de deixar que fosse ele a tratar das inscrições, e o resultado está à vista. Um dia vou ter de explicar à Isabel por que motivo o primeiro dorsal dela diz "gremlin". Ou posso mandá-la falar com o Pai, simplesmente. 

Disparates à parte, foi bom voltar a calçar os ténis com um objectivo, um propósito, um gosto muito suave a prova e desafio. 

As saudades de correr são cada vez mais, e das provas idem. Dá para saltarmos já para daqui a uns meses, quando isto normalizar?... 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Da Maratona de Valência...

É oficial. A Maratona de Valência foi cancelada.

Nada que nos surpreenda, não é verdade? Toda a gente já sabia que este seria o desfecho mais provável mas a optimista em mim (que a há!), continuava com uma muito pequena esperança de que a prova se mantivesse, que a Covid-19 desaparecesse como que por artes mágicas, e que em Dezembro fôssemos fazer a nossa primeira viagem em família. Quis a vida, ou a Covid-19, que assim não fosse.

Ainda não conferenciámos com a restante família que também ia, mas não creio que a viagem vá acontecer. Houve uma altura em que eu achava que sim: mesmo sem prova, a viagem estava paga, pelo que íamos lá passear na mesma. Com a actual escalada de casos, e com a previsão do que vem aí com a chegada do Inverno, eu já mudei de ideias e não me vejo a ir para Espanha nos próximos tempos. O que é pena.

Pontos positivos: pode ser que lá vamos em 2021 e eu já possa fazer a prova (só tenho de arranjar babysitter para ficar com a miúda), e já andamos a ver possibilidades de alteração dos bilhetes, para ir fazer outra coisa gira, noutro sítio, nos primeiros meses de 2021. Se bem que seja impossível fazer planos nesta altura, mas uma pessoa sempre pode ir sonhando...

A propósito, ou não (que não tem nada a ver), um dia destes apanhámos na televisão uma reportagem sobre o campeonato mundial de Trail, em que falavam da última edição do MIUT. Tinha muitas e variadas imagens da prova, dos atletas, do percurso, e eu fiquei de boca aberta a olhar para aquilo. Já percebi por que motivo há alguns malucos que lá voltam, ano após ano... Eu sei que a Madeira é bonita, eu sei que a prova é incrível, mas ver aqueles vídeos dos percursos da prova, deixou-me mesmo maravilhada e com vontade de lá ir um dia...

Voltamos ao mesmo: uma pessoa sempre pode ir sonhando...

terça-feira, 21 de julho de 2020

Dos tempos estranhos que vivemos e que levam a posts inusitados neste blogue...

Hoje entrei num centro comercial.

Este blogue faz este mês 11 anos e jamais me passou pela cabeça que um dia iria escrever um post para dizer "hoje entrei num centro comercial".

Mas a verdade é que, dadas as circunstâncias, o facto de eu hoje ter entrado num centro comercial, é algo a assinalar.

Estou em casa desde o início de Março e, desde então, não voltei a ir às compras, ao supermercado, a centros comerciais. Tenho usado e abusado das compras online (coisa que já fazia antes), e vivo feliz assim. As minhas saídas resumiram-se, basicamente, a saídas por motivos médicos (diz que tive uma filha entretanto, e esse tipo de coisas...), ou saídas para caminhar.

Hoje, no entanto, como tinha de comprar uns óculos, acabei por ser mesmo obrigada a voltar a entrar num espaço desses.

E foi estranho. Muito estranho. Para quem continuou a andar na rua e a fazer compras, esta nova realidade foi-se entranhando aos poucos. Foi-se tornando normal. Para mim, que estive quase 4 meses em casa, foi um choque. Senti-me quase que a visitar um país novo. Mas, afinal, estava só no Vasco da Gama.

Ainda não tinha contactado verdadeiramente com este novo mundo em que toda a gente anda de máscara, em que as lojas têm uma entrada e uma saída, em que em toda a parte vemos dispensadores de desinfectante.

E foi estranho. Muito estranho. Tive algum receio, confesso. Não me senti completamente confortável e não me imagino a ir às compras tão cedo, confesso. Se, por um lado, sei que temos de nos adaptar e habituar a esta nova realidade, por outro, ainda não me sinto preparada para isso.

Esta pandemia mexeu connosco de formas que vão muito para além do que poderíamos imaginar... E estar a criar um pequeno ser neste contexto, é ainda mais assustador. Temo pela minha sanidade mental mas, sobretudo, temo pelo impacto que isso terá nela.

Só o tempo nos trará respostas...

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Da Gravidez... - VIII (ou de como é estar grávida em tempos de Covid-19...)

Por muitas e variadas razões, esta gravidez está a ser tremendamente diferente daquilo que eu tinha idealizado. Mas a culpa foi minha que idealizei o que quer que fosse. Já devia saber que não valia a pena!...

A Covid-19 não veio ajudar, obviamente.

Se, por um lado, provocou um acréscimo de ansiedade - mais uma variável que não controlamos, numa fase em que já há tanta coisa que não controlamos, por outro lado, veio obrigar a uma série de adaptações a uma nova realidade.

Eu vim para casa no dia 4 de Março. A minha obstetra, pessoa sensata, quis pôr-me logo de baixa, porque, prevendo o que aí vinha, não me queria a andar de transportes e a trabalhar em pleno Chiado. Eu, pessoa igualmente sensata, achei que daria em louca se entrasse de baixa tão cedo, e combinei com a minha entidade patronal que iria para casa, sim, mas que ficaria em teletrabalho até ser possível. Duas semanas depois, o país seguia o meu exemplo e entrávamos em estado de emergência... Copiões!

Eu passei estes últimos quase 4 meses em isolamento e confinamento. E não, nunca me passou pela cabeça que a minha gravidez pudesse ser assim!...

Acho que, lamentavelmente, isto condicionou muito a minha experiência da gravidez. O isolamento, o não ter as minhas pessoas à minha volta, o stress e a ansiedade que cada ida à rua provocavam... Nada disto ajudou a que a minha experiência fosse muito positiva. Eu não me senti particularmente bonita, porque também não me arranjava particularmente, para passar os dias fechada em casa. Eu não tive aquela sensação de ser particularmente acarinhada ou mimada pelas pessoas à minha volta, porque não havia pessoas à minha volta (fisicamente, vá). Eu não me senti resplandecente, a exibir a minha barriga por aí, porque 90% das vezes que saí de casa, foi para ir ao médico.

Eu não andei a passear, a fazer as minhas caminhadas, a combinar almoços e jantares com família e amigos, nas compras a preparar tudo para a chegada da bebé... Não andei a fazer tudo aquilo que tinha pensado, e que achei que poderia fazer para gozar o final da gravidez como ele merece ser gozado.

A juntar a tudo isto, a realidade que algumas grávidas e mães sofreram ainda mais do que eu (se tiveram os bebés nos primeiros tempos de pandemia): o Pai foi excluído do processo, a determinada altura. Ele deixou de poder acompanhar os exames e as consultas. E isto foi estranho. Tive a sensatez de escolher para ter ao meu lado alguém que sempre quis fazer parte do processo, que sempre quis ir às consultas, aos exames, que sempre quis estar tão informado como eu. Mas quis a Covid-19 que isso lhe fosse negado, a partir de meados de Março. E, ainda que compreensível, é triste.

Por último, a Covid-19 condicionou o acompanhamento e a escolha do sítio onde a nossa filha vai nascer. Já por aqui defendi diversas vezes o SNS, e desde o início que disse que queria que o parto fosse num hospital público. Porque acredito que o SNS tem um excelente serviço, tem excelentes profissionais, e é para lá que devemos ir, sempre que precisamos ou em caso de urgência. Lamentavelmente, em determinadas especialidades, e no caso específico da pandemia que estamos a viver, a resposta do SNS não é a mais satisfatória. E sim, a nossa filha vai nascer num hospital privado, contra tudo o que que queria, contra tudo aquilo em que eu acredito, contra tudo o que eu defendo. E porquê? Porque o SNS continua a excluir o Pai do processo. As coisas vão mudando, semana a semana, mas a maioria dos hospitais públicos ainda não deixa o Pai assistir ao parto, e os que deixam é por períodos muito limitados de tempo. A maioria, não permite que o Pai volte a visitar a mãe e o bebé, após o nascimento. Mãe e bebé ficam sós, até ao momento da alta. E, desculpem, mas isto não me faz qualquer sentido. Com Covid ou sem Covid, eu acho que este é um momento que deve ser vivido a três, e acho que o Pai tem de lá estar. Comigo, com a nossa filha, a cumprir o seu papel, que é tão importante como o meu. Percebo (em parte) as limitações impostas pelo SNS, percebo que se resguardem profissionais de saúde e pacientes, e percebo que se queiram minimizar os riscos. Mas, em tendo outra opção, eu opto por não me sujeitar a algo que não me faz sentido. Não foi uma decisão fácil, foi uma decisão muito ponderada, tomada a dois, mas que representa aquilo que, para nós, faz sentido, e que achamos que é o melhor para nós, e para a nossa filha.

Acho que esta pandemia nos vai deixar marcas a todos, miúdos e graúdos, e que está a ter um impacto muito maior do que imaginamos no que somos e no nosso bem-estar. A médio prazo, veremos... Para já, sei que teremos muitas histórias para contar à nossa filha, sobre como foi estar grávida dela e vê-la nascer, numa altura tão particular como esta!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Da Gravidez... - VI (ou dos testes e exames diversos...)

Ao longo da gravidez, são muitos e variados os testes e exames que fazemos. Alguns são obrigatórios, mas alguns são opcionais.

Nunca tive grande problema com médicos, nem exames, nem agulhas, e sempre encarei tudo com alguma tranquilidade, perante a inevitabilidade da sua existência.

Já perante os não inevitáveis, surgiram algumas dúvidas.

Por já ter 35 anos (e ter feito os 36, entretanto), levantou-se a questão de fazer, ou não, a amniocentese. Foi nesta fase que começámos a ser seguidos por uma obstetra no privado, porque achámos que a médica de saúde não nos podia dar o acompanhamento e esclarecimento suficientes, em temas mais complexos e sensíveis. E foi também nesta altura que se deu um dos momentos em que percebi que, a partir do momento em que engravidamos, o nosso corpo deixa de ser apenas nosso. Falámos com a obstetra, que recomendou o teste Harmony e não a amniocentese. Sem surpresas, claro. E eu acabei por fazê-lo. Mais por vontade dele do que minha, confesso. Mas a minha vida deixou de ser só minha, a partir do momento em que comecei a carregar em mim a nossa filha.

Outro dos exames mais afamados que se faz durante a gravidez é a Prova de Tolerância à Glicose Oral, que consiste em tirar sangue em jejum, beber um "xarope" muito açucarado, e depois tirar sangue outra vez, ao fim de 1 e 2 horas, para ver como o corpo processa a glicose. A maior parte das pessoas diz horrores deste exame. Que custa, que é horrível, que dá vómitos. Eu ia preparada para o pior. Pois que, chegada a hora, pedi que me dessem o sabor a limão e em versão fresca, e bebi aquilo tudo quase de uma vez. Quando acabei, juro que a única coisa que me ocorreu foi: quem acha que isto é horrível, nunca provou certos géis da Prozis. A sério! Não é assim tão mau, e não custa assim tanto.

Claro que, depois disto, achava-me a maior, porque não me tinha custado nada. O pior estava para vir... Tive uma quebra de tensão brutal, e acabei deitada nas cadeiras da sala de espera, com toda a gente que entrava na clínica a olhar para mim... As figuras que uma pessoa faz!... Eventualmente, fiquei melhor, fiz as duas colheitas de sangue, fui tomar um bom pequeno-almoço e voltei para casa. Eu sou pessoa que precisa de comer, e as análises em jejum e eu nunca nos demos muito bem... Curiosamente, essa foi a última vez que tomei o pequeno-almoço fora de casa, estávamos nós no início de Março.

Mas... Não fiquei por aqui, no que a quebras de tensão diz respeito... Quando fiz a primeira CTG (há umas semanas), estava toda entusiasmada, porque ia estar a ouvir o coração da bebé e a ver as contracções do meu útero. O entusiasmo durou uns bons 3 minutos, depois do exame começar. Comecei com os calores, comecei a sentir-me enjoada, comecei a sentir-me tonta. Chamei o enfermeiro, que foi impecável, e rapidamente me deitou e pôs de lado, deu-me água, ofereceu-me um rebuçado, e tratou de me medir a tensão (que tinha medido antes de começar o exame e estava óptima). Estive lá cerca de 40 minutos, com a tensão a ser medida muitas e diversas vezes, e cheguei ao incrível valor de 65/38... Já tinha dois enfermeiros e uma médica à minha volta. Eventualmente, fiquei melhor. Aqui, acho que o problema foi o calor que estava na sala de exames e o raio da máscara que estava a usar. Esta treta da Covid-19 tem estas implicâncias, e obriga a que nos adaptemos a toda uma nova realidade. E sim, em ambientes quentes, custa respirar com a máscara. E eu achei que me ficava ali... A bebé? Estava óptima, na sua vidinha, a dar os seus pontapés.

Nesta fase, no que a exames diz respeito, falta-me apenas uma CTG (já fiz mais duas, entretanto, e sobrevivi sem quebras de tensão!), e falta-me fazer o exame da Covid... Se a princesa não se lembrar de nascer mais cedo!...

Houve alturas em que entre consultas, exames e análises, senti que precisava de toda uma agenda, só para o seguimento da gravidez... Mas a verdade é que cada exame, cada análise, cada ecografia, nos tranquiliza um bocadinho mais, na ansiedade constante que é saber se este pequeno ser que habita em nós, estará bem de saúde.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Da Gravidez... - I

Esta gravidez está longe de ser o que tinha imaginado, mas isso leva-nos novamente à lição nº 1 da maternidade, já por aqui referida: nada será como tinhas planeado.

Estou em casa faz hoje, precisamente, 3 meses. As saídas têm sido diminutas, e nos primeiros tempos foram apenas e só por motivos médicos (consultas, exames, passeios pelas urgências...). Nas últimas semanas, como disse por aqui, comecei a fazer algumas caminhadas, que representam muitas vezes o ponto alto do meu dia.

Há perto de 2 semanas, num Domingo, eu pedi-lhe por tudo para sairmos de casa e espairecermos. Queria ir a Sintra, à Lagoa Azul, tirar algumas fotografias enquanto ainda estou grávida, e que não fossem selfies em frente ao espelho.

E fomos. Claro que o meu receio de nos cruzarmos com muita gente era tanto, que chegámos lá e já só tivemos (literalmente) 5 minutos de sol. Mas, ao menos, também não tivemos praticamente pessoas!

Como a máquina é boa, e o fotógrafo habilidoso, das 111 fotografias que tirámos (true story!), depois de devidamente editadas por mim (que percebo imenso do assunto), ainda consegui aproveitar umas quantas, que não podia deixar de partilhar aqui.

Eu não sou particularmente fotogénica, eu não adoro tirar fotografias, eu tenho zero jeito para poses, muito menos neste estado de pequena baleia. Mas... Até gostei de algumas! E é, de facto, um momento único nas nossas vidas, que merecia ficar devidamente registado!









Ainda gostava de tirar mais algumas fotografias antes de a gravidez chegar ao fim, e, de preferência, perto do mar, mas tendo em conta as enchentes que têm estado nas praias, acho que não vai acontecer... Pelo menos, a descendente já fez a sua primeira introdução a Sintra, para saber o que a espera quando estiver cá fora!

terça-feira, 19 de maio de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 140


Foi um dia particularmente difícil, cá por coisas minhas. 

Ao final da tarde, ele pegou em mim e fomos dar uma volta a pé aqui pelo bairro. Andei por sítios por onde nunca tinha andado. Curioso, não? Estamos tão perto da Expo, que acabamos por ir sempre para lá. 

Comprámos pão e bolos, numa pastelaria nova que descobrimos. 

Estivemos a espreitar uma das creches que queremos ir visitar. 

Num momento de loucura, tirei a máscara e ele fotografou-me. 90% das fotografias de grávida que tenho, são selfies que tiro a mim mesma em frente ao espelho, quase sempre despenteada e com roupa de andar por casa. Hoje quis que fosse diferente. 

No meio disto tudo, cheguei ao fim do dia a sentir-me melhor. Porque, em tempos de isolamento, toda e qualquer pequena coisa, pode fazer uma diferença tremenda no nosso estado de espírito. 

sábado, 16 de maio de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 137 (ou do medo do que aí vem...)


Ele correu. Eu caminhei. Ao final da tarde, perto da hora de jantar, num Parque das Nações demasiado cheio, que me assustou e deixou preocupada. 

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista. 

Mas fiquei em choque com o que vi. Fiquei arrependida de ter ido. Encurtei o meu percurso e, mesmo de máscara, esforcei-me por me afastar sempre o mais possível de quem se cruzava comigo. Mas senti-me a maluquinha. Porque mais ninguém parecia preocupado com isso. Raras foram as pessoas que vi de máscara (não é obrigatório, eu sei). Muitas foram as pessoas que passaram coladas a mim (entre ciclistas e corredores que me ultrapassaram, perdi a conta). Vi grupos de mais de 10 pessoas a fazer piqueniques. Vi os dois skate parks, ambos completamente vedados com grades, cheios de miúdos e graúdos. Fiquei na dúvida se as grades estariam ali para impedir a Covid de entrar, protegendo quem se encontrava lá dentro.

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista. 

Mas também fiquei em choque com as imagens de um Primeiro-Ministro a passear no Chiado, a jogar ao põe e tira a máscara. A dar o pior exemplo possível. A dizer às pessoas que saiam de casa e vão às compras, quando horas antes tinha dito que continua a existir dever de recolhimento.

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista.

Mas tenho medo do que aí vem. Muito medo. 

Dos tantos planos para depois...

No Sábado passado, quando acordei, tinha um email da TAP a informar de uma alteração na minha reserva para Valência em Dezembro. Por momentos, achei que o mundo tinha ensandecido de vez, e que já estavam a cancelar os vôos com 7 meses de avanço. Pois que não. Era só uma alteração de horário. Menos mal.

Entre os muitos planos que tínhamos (e temos) para este ano, Valência é só um deles. A diferença é que Valência continua em cima da mesa, até ordem em contrário. Será a primeira viagem com a nossa descendente, será uma viagem em família, e será a estreia do meu irmão numa Maratona. A ideia surgiu no final do ano passado, e logo tratámos de marcar os vôos e o alojamento. Longe de imaginar o que aí vinha... Ainda assim, tentamos manter algum espírito positivo, e queremos acreditar que talvez, só talvez, a prova se mantenha, se não houver uma nova crise com a Covid-19, mal entremos no tempo frio e no Inverno.

Mas Valência é só um dos muitos planos que tínhamos para depois...

Era suposto estarmos hoje em Portalegre. Era suposto ele estar a esta hora a estrear-se numa prova de 3 dígitos. Era para isso que ele andava a treinar, quando tudo isto começou. Também era suposto ele ter ido ao Marão. E era ainda suposto termos ido ao Trilho dos Pernetas, para onde íamos arrastar mais 6 elementos da família. 

Como ele, tantos e tantos atletas tinham objectivos para esta altura. Tantos e tantos atletas andavam a treinar, a esforçar-se, a superar-se. Mas agora não há provas... Nem saberemos quando voltará a haver... É ingrato, pode ser frustrante, pode ser profundamente desanimador e deixar um sentimento de injustiça tremendo. São só corridas, dirão alguns. Não são. São sonhos e objectivos. E custa-me ver que ele andava a treinar imenso, estava em excelente forma, estava motivado e entusiasmado, e todos os planos ficaram mesmo para depois.

Por outro lado, temos assistido a desafios incríveis que mobilizam dezenas e centenas de atletas, mesmo que virtualmente e à distância. Temos assistido a provas e treinos em casa com distâncias absurdas. Temos visto atletas a reinventarem-se e a encontrarem força e motivação nos sítios mais improváveis. Temos, também, visto muita gente a encontrar na corrida a melhor forma de manter alguma sanidade mental, nestes tempos tão incertos.

Resta-nos (e incluo-me neste pacote mesmo não estando a treinar) tentar ir buscar algum ânimo não sei bem onde, tentar encontrar forças para continuar a treinar mesmo sem objectivos à vista, não baixar os braços e olhar em frente, acreditando que, mais tarde ou mais cedo, as provas vão voltar. Mesmo que em moldes diferentes, mesmo que com dinâmicas estranhas, mesmo que com muitas e variadas adaptações e restrições. As provas hão-de voltar. Talvez demorem uns meses. Talvez estejam à espera que eu possa voltar a correr, para voltarem comigo. Talvez a culpa disto tudo seja minha, que decidi obrigar o mundo a ser solidário com a minha gravidez e a minha impossibilidade de correr. Talvez. Mas o certo é que não vamos parar e as provas hão-de voltar. Com ou sem Covid-19.

domingo, 10 de maio de 2020

Do Troféu de Oeiras - Prova da Outurela...


Hoje seria dia de mais uma prova do 38º Troféu de Oeiras. Desta vez, seria a prova da Outurela, organizada pela minha equipa, a AM 18 de Maio.

Naturalmente, não houve prova. Ainda assim, desafiámos os nossos atletas a vestirem as camisolas da equipa e a fazerem a distância que fariam, se houvesse prova, num local e hora à sua escolha. Sempre em segurança e sem ajuntamentos!

E foi assim que esta manhã dei por mim a caminhar na Expo, a fazer os 4.300 metros que a minha prova teria (para quem não sabe, no Troféu de Oeiras as distâncias das provas variam consoante os escalões). O louco mais louco do que eu tinha saído de casa a correr, e fez o equivalente à prova dele (8.500 metros) e à minha, e encontrámo-nos no final, para eu lhe dar boleia no regresso.

Foi bom voltar a vestir a camisola da equipa! Mas foi bom, sobretudo, ver a adesão que este desafio teve, e a forma como cada um à sua maneira e ao seu ritmo, voltou a vestir a camisola e fez a sua prova, desafiando-se.

A mim, soube-me lindamente! Comecei há cerca de 2 semanas a fazer algumas caminhadas curtas, por indicação da minha médica, e sempre com máscara e em horários e zonas com pouca gente. Tenho vindo a aumentar a distância a pouco e pouco, porque a verdade é que me custa, depois de tanto tempo parada. O máximo que tinha feito tinham sido 3,5km, e hoje nem dei pelo tempo a passar enquanto fiz os 4,3km! Fiquei cansada, mas aquele cansaço bom, de quem voltou a mexer-se, e hoje, com um propósito muito especial.

Sei que ainda vai demorar muito, muito tempo até voltarmos às corridas (eu, por razões óbvias...). E custa-me pensar nisso. Não vale a pena especular, nem tentar fazer previsões... Mas gosto de tentar manter algum optimismo e pensar que, mais tarde ou mais cedo, isto vai passar e vamos voltar a correr todos juntos. Em equipa. Como devia ser.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

De uma nova tentativa de regresso...

Depois deste post, seria de esperar que este blogue retomasse um certo ritmo de publicações... Era o que eu esperava, pelo menos.

E juro-vos que é raro o dia em que eu não penso "É hoje! É hoje que volto a escrever!". Mas não é. Nunca é. E os dias passam-se, correm uns atrás dos outros, já passou quase um mês e meio desde aquele post, e eu continuei sem escrever.

Hoje, isso muda. Esperemos que não seja algo isolado, que se eu só voltar a escrever daqui a um mês e meio, em calhando, a criança já nasceu, e já sabemos que depois de ela nascer, devo escrever ainda menos... Vamos, então, tentar aproveitar as próximas semanas para pôr em palavras tudo o que me passou pela cabeça nos últimos meses.

São tempos estranhos, estes. Tenho a sensação de que os dias passam a voar e eu não os aproveito. Incrível, a canseira que é preparar uma casa e uma vida, para um novo ser que vem a caminho. Na minha ingenuidade, achei que teria imenso tempo para tudo, que iria ler imenso, que ia ver todas as séries e documentários. Na realidade, acho que fiz cerca de um quinto do que gostaria de ter feito. Mas tudo bem.

Para as próximas semanas, só peço que possamos voltar um pouco à normalidade. Seja lá qual for essa normalidade. O "novo normal", de que tanto falam os entendidos na televisão. Não sei o que isso é, mas hei-de descobrir nos próximos tempos. Nos entretantos, prometo que vou tentar aproveitar o tempo, para voltar a escrever.

Vamos lá!

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...