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sexta-feira, 27 de março de 2020

Das boas sugestões para passar estes tempos de recolhimento... - I

Se há coisa que a COVID-19 nos trouxe, e em bom, foi um proliferar de boas iniciativas, de empresas a reinventarem-se, de instituições a abrirem as suas portas virtualmente, de gente criativa a fazer coisas giras. E tem sido maravilhoso assistir a isso!

Hoje, partilho convosco uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II, que começou a disponibilizar online algumas das suas peças.


Hoje, às 21h, "estreia" a peça Sopro, do incrível Tiago Rodrigues, com a quase igualmente incrível Isabel Abreu.

aqui falei desta peça duas vezes, e o facto de estar a falar dela uma terceira, diz tudo sobre o que eu penso desta peça.

Deixo aqui um excerto, que não deixa de ser curioso, nesta altura que atravessamos.

Não morrer. Sobretudo, não morrer. Ficar na vida. Face à ideia da morte, confirmar que estávamos certos de todas as vezes que dissemos que as coisas fundamentais da vida são invisíveis. Estávamos certos até mesmo quando duvidávamos do que dizíamos, porque duvidamos sempre do que dizemos e sabemos que o silêncio entre cada palavra que proferimos não se chama silêncio, o seu nome é dúvida. - Tiago Rodrigues, em Sopro

Vemo-nos lá?

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Da Bondade e da Cobardia...



Este Sábado fui ao Dona Maria assistir à peça A matança ritual de Gorge Mastromas, um texto de Dennis Kelly, encenado pelo Tiago Guedes.

Esta peça conta-nos a história de um homem, Gorge Mastromas, e as voltas que a sua vida deu. Não querendo revelar demasiado sobre a mesma, posso dizer que fiquei a pensar nisto que é a nossa vida, nas decisões que tomamos, no certo e no errado, no que é melhor ou pior para nós.

Bondade ou cobardia? 

Em quantas das nossas decisões somos bons, porque somos bondosos, ou porque somos, simplesmente, cobardes?

Bondade ou... Cobardia? 

E de que nos adianta sermos bondosos? A vida é mesmo dos espertos? Fazermos sempre o que é correcto, leva-nos a algum lado? E quando deixamos de fazer sempre o que é o correcto, entramos num caminho sem retorno?

Bondade ou cobardia?

Aceitamos o que a vida nos dá porque é assim que deus quer, ou porque nos falta a coragem para fazer diferente? 

Bondade ou cobardia? 

Eu gosto de acreditar que sou bondosa. Mas, às vezes, talvez seja mesmo só cobarde. E vocês?

Enquanto pensam sobre isso, ide ver. Está em cena até dia 28 de Junho. Vale pelo cenário, pela evocação do teatro clássico, pela forma como a história nos é contada, pelo jogo de personagens que entram e saem de cena, pelo texto, pela forma como mexe connosco ao tocar em pontos com os quais tão facilmente nos identificamos. E, claro, pelas interpretações. Do Bruno Nogueira à Rita Cabaço (que já tinha visto em "Actores"). Ide ver.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Dos sítios onde eu vou... - VII

Andei a semana toda que passou a querer vir escrever sobre o meu fim-de-semana. Passou-se a semana, passou-se mais um fim-de-semana, passou-se praticamente mais uma semana inteira, e eu sem escrever.


Agora tenho dois fins-de-semana sobre os quais escrever. Porque quero escrever sobre eles. Porque foram bons. Muito bons. E eu quero deixá-los registados para memória futura.

No fim-de-semana anterior, fiz um treino semi-longo no sábado de manhã (já referido), e à noite, mesmo cheia de dores nos pés em cada passo que dava, fui ao teatro e jantar fora.

E precisamos de falar sobre a minha ida ao teatro. 

Eu já não ia ao teatro há demasiado tempo. Depois de alguns anos em que o teatro fez parte da minha vida, eu tornei-me muito esquisitinha e agora só entro numa sala de espectáculos se souber que vale a pena. E no Sábado valeu a pena. Valeu muito a pena!

Claro que era, à partida, uma aposta segura. Era (mais) uma peça do Tiago Rodrigues. Eu não tenho nenhuma paixão platónica pelo Tiago Rodrigues. Juro. Já tive dois Tiagos na minha vida, e os dois eram Rodrigues. Já chega de Tiagos Rodrigues. Mas não chega de peças deste Tiago Rodrigues. E desconfio que não vai chegar nunca.

Um outro Fim para a Menina Júlia ©Filipe Ferreira 2019

Fui então assistir a "Um outro fim para a Menina Júlia". E gostei tanto! A peça pega no clássico do Strindberg e conta a mesma história com um final diferente. Um final em que a Menina Júlia não se suicida e em que a sua vida se desenrola da forma que o Tiago Rodrigues imaginou que se teria desenrolado. Assim, à partida, pode não parecer nada de extraordinário. Pegar numa história e reescrevê-la à sua maneira não tem nada de mais. O Correio da Manhã faz isso todos os dias. Mas o Tiago Rodrigues não fez apenas isso. Como sempre, fez algo incrivelmente bem feito, que nos surpreende, que nos prende, que nos envolve e nos transporta para aquela história.

A meio da peça, dei comigo a pensar no privilégio que é poder assistir a teatro. Sobretudo, numa sala tão pequena como a Sala Estúdio do Dona Maria. Estava na segunda fila e tinha os actores a poucos metros de mim. Numa era em que passamos todos horas colados na Netflix, a beleza e a magistralidade do teatro e dos actores que estão ali, em palco, a representar para nós ao vivo e a cores, torna-se ainda mais avassaladora.

Gostei muito da peça e tenho a certeza de que, com outros actores, seria ainda melhor. Mas, até nisso, o Tiago Rodrigues é especial. Fez esta peça com "a prata da casa" e com dois estagiários. Com o Tiago Rodrigues o Dona Maria deixou de ter só grandes produções para grandes vedetas (melhores ou piores actores), e passou a ter também peças igualmente boas (ou melhores, até), em que os actores residentes do teatro (melhores ou piores actores) não ficam apenas remetidos aos papéis secundários e de menor importância. E é, também, por isso, que o Tiago Rodrigues é o melhor director artístico dos nossos tempos. 

Eu sei que já é um bocadinho em cima da hora mas têm até Domingo para ir ver. Acreditem que não se vão arrepender. Com sorte, ainda bebem um copo de vinho e comem um bocado de presunto.

Update: devido ao sucesso da peça, certamente graças a este post, a peça vai estar em cena novamente de 3 de Abril a 23 de Maio. Acreditem, vale a pena. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Das sugestões que eu faço ao Mundo...

Imagem do site do Teatro Nacional D. Maria II

Não morrer. Sobretudo, não morrer. Ficar na vida. Face à ideia da morte, confirmar que estávamos certos de todas as vezes que dissemos que as coisas fundamentais da vida são invisíveis. Estávamos certos até mesmo quando duvidávamos do que dizíamos, porque duvidamos sempre do que dizemos e sabemos que o silêncio entre cada palavra que proferimos não se chama silêncio, o seu nome é dúvida. - Tiago Rodrigues, em Sopro


Em Novembro passado, falei aqui de Sopro. Uma peça muito especial, muito bem conseguida, da qual gostei muito, pela homenagem que presta a todos os invisíveis do teatro e não só. Depois de ter estado esgotada, depois de muitos e merecidos reconhecimentos, depois de ter andado por outras palcos, a peça regressa ao TNDMII em Janeiro e eu recomendo que, se gostam um bocadinho que seja de teatro, vão ver. E eu sei que ainda falta muito para Janeiro, mas, acreditem, os bilhetes vão esgotar. E podem sempre pensar já neles como um presente de Natal para alguém especial. Podem saber mais aqui.



Ah! Se precisarem de mais um argumento para ir assistir a esta peça, eu deixo-o aqui: trocaram alguns dos actores que acompanham a Cristina Vidal em palco (mas não a Beatriz Brás nem a Isabel Abreu, naturalmente), e temos agora o Romeu Costa. De nada.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Dos sítios onde eu vou... - IV

MACBETH

A semana passada fui assistir à estreia de Macbeth, no Teatro Nacional D. Maria II. E não, não é do Tiago Rodrigues. É do Nuno Carinhas, o que faz toda a diferença.

É um clássico. Um clássico reinventado numa encenação pouco clássica, mas um clássico.

As minhas expectativas não eram particularmente elevadas. Estava curiosa em relação ao João Reis e pouco mais. Como tal, também não saíram defraudadas.

É uma peça a que fui assistir, essencialmente, porque nunca tinha visto esta obra em palco e porque, com o cunho do São João, sabia que a qualidade era garantida.

E cumpriu com o que eu esperava. É um bom espectáculo, com bons actores, com uma encenação bem conseguida apesar de pouco convencional, com figurinos também pouco consensuais, mas, no geral, é uma peça bem conseguida e com pormenores interessantes.

Se gostam deste tipo de teatro, vão ver. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Dos sítios onde eu vou... - II


Ontem fui ao Teatro Nacional D. Maria II. Ver o quê? A peça Sopro. De quem? Do Tiago Rodrigues. Só podia, claro. Nas últimas seis vezes em que fui ao teatro, em três fui ver peças dele. Detecto aqui um padrão talvez não muito saudável mas, fazer o quê? Gosto dele e do trabalho dele, e hei-de continuar a ir ver tudo quanto possa dele.

O que dizer de Sopro? Bom, começar por referir que as expectativas estavam muito altas. Demasiado, até. Toda a gente dizia maravilhas da peça, houve mesmo quem dissesse que era o melhor trabalho dele, as críticas eram incríveis. 

Já todos sabemos o que acontece com as expectativas: saem muitas vezes defraudadas. Não é por mal. Elas não têm culpa, coitadas. Mas é o que acontece.

E foi o que aconteceu. Se eu gostei da peça? Gostei. Gostei muito, até. Mas não é o melhor trabalho dele. Não é aquela peça que me deixe de boca aberta, como outras deixaram. É uma peça muito boa, é uma homenagem lindíssima à Cristina Vidal (figura quase invisível com quem tantas vezes me cruzei nos bastidores), e, diria mesmo, uma homenagem a todos os invisíveis do teatro (e não só). É uma viagem pelo tempo, é uma peça cheia de detalhes deliciosos e notas humorísticas, como é hábito no Tiago Rodrigues, é uma peça na qual os momentos de tensão estão muito bem conseguidos, é uma peça com uma Isabel Abreu brilhante, como sempre, é uma peça com uma surpresa (para mim) com o nome de Beatriz Brás, é uma peça muito bem conseguida, no geral.

Mas eu, na minha opinião muito minha, não achei uma peça extraordinária. E, do Tiago Rodrigues, eu não espero nunca menos do que algo extraordinário!

O problema sou eu, não é a peça.

Ide ver, se ainda forem a tempo!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Das coisas que me surpreendem...

Depois de anos a trabalhar na área, e a assistir a espectáculos diversos várias vezes por semana, tornei-me muito selectiva na hora de escolher um espectáculo para ir ver de livre vontade e, mais ainda, na hora de gastar dinheiro num bilhete.

Na passada sexta-feira, contrariamente ao que é habitual, fui assistir a um espectáculo apenas com base na sugestão de um antigo colega e amigo. Estive até à hora de comprar os bilhetes indecisa entre a peça que vi e outra, mas acabei por seguir o conselho que me deram. E que bem que fiz!


Foto: Filipe Ferreira

Fui assistir a Tiranossauro Rex, no Teatro Nacional D. Maria II. E, apesar de já ter uma ideia do que se ia passar, a peça conseguiu surpreender-me, e muito, e não ser nada do que estava à espera. E mexeu comigo. E fez-me rir. E quase me fez chorar (e eu não sou pessoa de me emocionar facilmente). E gostei. Gostei tanto. Gosto sempre de ver bom teatro, bem feito. Gosto sempre de ver coisas novas, diferentes, refrescantes, que quebram o convencional e aquilo que esperamos.

Se puderem, vão ver. Está em cena até 27 de Março e os bilhetes custam apenas e só 8€.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Das fofoquices da silly season...

Ontem vi o Pedro Gil, o Gonçalo Waddington e o Tónan Quito a almoçar, com ar de quem estava a conspirar alguma coisa.

Não sei o que vai sair dali, mas eu vou querer ir ver!...

domingo, 24 de julho de 2016

Do melhor que se faz em Portugal...

Já aqui falei anteriormente no Tiago Rodrigues. Não me apetece ir procurar os links, mas basta seguirem a etiqueta "Do Teatro".

O Tiago Rodrigues (além de partilhar o nome de dois exs meus) é genial. E eu não sou de chamar genial a qualquer um. Mas na sexta-feira, enquanto assistia a mais uma peça dele, com ele em cena, eu só pensava: Este gajo é genial!*

A peça que fui ver foi o By Heart, no Dona Maria. Eu dizia-vos para irem ver, mas já não vão a tempo. A peça só esteve 4 dias em cena e esteve sempre esgotada. Sabem o quão raro é uma peça de teatro estar esgotada em Portugal? Se não sabem, eu digo-vos: é mesmo raro.

Mas a peça era tão, mas tão boa!... Caramba! Acabou o espectáculo e eu só me apetecia ir dar-lhe beijinhos e abraços e dizer-lhe que é o maior. Porque é.

Em By Heart, o Tiago Rodrigues escreve o texto, encena e ainda está em palco. Nesta peça, ele convida 10 pessoas a juntarem-se a ele em palco para, com ele, aprenderem um poema. Ao longo da peça, ele vai contando a história da sua avó, enquanto faz uma viagem pelo tempo e pela literatura, e vai ensinando o poema que escolheu àquelas dez pessoas.

É um espectáculo de improviso, em muita coisa, em que ele tem de gerir tudo o que pode acontecer com aquelas 10 pessoas em palco. É um espectáculo de uma proximidade imensa entre quem assiste e quem está em cena, em que há risos e gargalhadas, em que há perguntas e respostas, em que há também um momento final de tensão brutalmente conseguido, que me deixou sem ar, de lágrimas nos olhos.

Tenho a certeza que a peça há-de estar em cena novamente, mais tarde ou mais cedo, algures neste país. Se puderem, vão ver. Eu irei, certamente.




* Sim, eu digo gajo. Perdoai.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Dos fins-de-semana... - II

Depois da descrição detalhada do outro fim-de-semana, faria sentido descrever também este...

Sexta-feira passei o dia em formação (voltarei a este tema mais tarde), e saí mais tarde do que gostaria e já não consegui ir correr. Fui ao velório da mãe do meu amigo, mostrar algum apoio e dizer-lhe que estou aqui, porque, infelizmente, não há muito mais que possa fazer...

O Sábado começou com mais um treino na praia. Eu não ganho nada com isso, mas se alguém quiser saber mais, vejam aqui. Há treinos pagos e treinos gratuitos. E, com os treinos gratuitos, não há mesmo desculpa para não se fazer exercício!... Posso dizer que o ambiente é óptimo e os treinos são muito giros. Como extra: ainda se bronzeiam enquanto treinam!

E o Sábado continuou com alguma moleza e algum passeio... E acabou com um jantar na Madragoa. Eu não tenho experiência nenhuma de viver em bairros típicos, por isso, deliciei-me com aquela vida de bairro, aquele espírito de toda a gente se conhece, as portas sempre abertas, o pegarmos nos bancos e cadeiras depois de jantar e virmos para a rua beber o café e conversar, e por ali ficar até às duas da manhã. E o calor que esteve nesta noite?...

O Domingo foi de preguiça e de teatro. Voltei ao D. Maria para assistir ao Romeu e Julieta, do Rui Horta. É um misto de teatro com bailado, com música tocada ao vivo. Foi bom rever alguns bailarinos da CNB, foi bom voltar a ver teatro (e o Pedro Gil!...), foi bom voltar a estar naquela sala. Se tiverem oportunidade, vão ver. Não é um espectáculo fácil, nem óbvio. É contemporâneo. É uma interpretação muito própria do Rui Horta de uma das maiores obras de sempre. Mas vale a pena.

E o fim-de-semana acabou comigo a tentar correr... Tentar. Porque fiz 6kms e depois não aguentei as tonturas... Eu, definitivamente, não fui feita para o calor!... 

Acho que nunca senti tanto o que sinto agora: ando a aproveitar, ando a viver. E é tão bom!...

sábado, 16 de abril de 2016

Do teatro...

Resultado de imagem para a conquista do polo sul

Ontem fui ao teatro. Fui ao São Luiz ver a nova peça da Beatriz Batarda: A Conquista do Pólo Sul.

O que dizer desta peça? Em primeiro lugar, que não é uma peça fácil. Não é uma peça óbvia e é uma peça pesada, ainda que nem sempre pareça.

Eu fui para o teatro com as expectativas muito em baixo, fruto do que já me tinham dito, por um lado, e de saber que, por já ter visto dezenas e dezenas de peças, sou (também nisto) bastante exigente com o que vejo, por outro.

Nos primeiros vinte, trinta minutos, estava muito céptica. Não conhecia o texto e a peça é bastante insana. Ao princípio, não estava gostar por aí além e começava a arrepender-me de ter ido (sendo que tinha estado a semana toda a tentar decidir se valeria a pena...). Parecia-me tudo demasiado surreal, demasiado conceptual, demasiado complexo. Mas, com o passar do tempo, com o desenrolar da acção, a insanidade do texto e daquelas personagens conquistou-me completamente.

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Sim, o texto e as personagens são complexos. Mas é isso que acaba por prender. Os actores fazem um trabalho brutal. Literalmente. É impossível ficar indiferente àquelas representações, àqueles desesperos que se misturam com momentos insanos de fuga à realidade. Eu tenho uma certa paixão pelo Bruno Nogueira (desde que o vi no Azul Longe nas Colinas, também da Beatriz Batarda), e talvez não seja muito objectiva mas... Que interpretação!... 

Se gostam deste género de teatro e tiverem oportunidade... Vão ver!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Dos regressos aos sítios onde já fomos felizes...

Este fim-de-semana foi também de regressos. Neste caso, de regresso ao teatro.

Depois de muitos anos a trabalhar nesta área, a verdade é que, desde que deixei esse trabalho, não tinha voltado a entrar numa sala de espectáculos.

E, para me fazer voltar, tinha de ser mesmo algo muito especial. E foi.

O que me levou ao Teatro Nacional D. Maria II no Sábado à noite foi a peça Bovary, do Tiago Rodrigues. E gostei tanto, tanto, tanto!

Sempre disse que o Tiago Rodrigues era um dos meus encenadores preferidos. Ainda não vi muita coisa dele, mas tudo o que vi adorei.

E é bom, é mesmo bom ter alguém assim no teatro português contemporâneo. Precisamos de mais gente assim!

Voltando a Bovary, o texto está genial. Não é a versão tradicional deste clássico da literatura moderna. De todo. É toda uma reinvenção que nos conta a história do livro, mas de uma perspectiva muito diferente. A juntar ao texto brilhante, os actores escolhidos a dedo. Sou fã assumida da Isabel Abreu, desde que a vi em Blackbird, e, por isso, já esperava um grande desempenho dela. Também gostei muito de (re)ver o Gonçalo Waddington, ainda que saiba que é um actor menos consensual. A grande surpresa foi mesmo o Pedro Gil, de quem não esperava grande coisa, confesso, e faz um papel extraordinário e muito bem conseguido.

Foi uma peça que deu para rir, para pensar, para (quase) chorar. Tenho pena que já não esteja em cena, caso contrário, dizia-vos que não perdessem!...


Isto tudo para dizer que, às vezes, só às vezes, é bom voltar aos sítios onde já fomos felizes.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

sábado, 14 de abril de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Do (nosso ) Teatro...



Está em cena, e estará até ao final do mês, no Teatro Nacional D. Maria II, a peça Quem tem medo de Virginia Wolf?. Para quem gosta de teatro e ainda não viu, ide ver.

Gosto muito do texto, por si só. E gosto do cenário (descobri nos últimos anos uma paixão por bons cenários). Mas gosto, sobretudo, dos actores. 

É uma peça exigente. São cerca de três horas, com apenas quatro actores em palco. Quatro actores que choram e riem. Que passam de um extremo ao outro em menos de nada. É uma peça pesada, complexa, com um humor negro fabuloso e muita coisa dita nas entrelinhas. Não é uma peça fácil, mas eles estão à altura.

Eu sou suspeita, porque gosto mesmo muito do Virgílio Castelo e já aqui o disse, mas ele está genial. Genial mesmo. Ele encarna perfeitamente o papel, consegue mudar facilmente de registo quando é preciso, e a personagem prende-nos completamente.

Quem está muito bem também, e que eu desconhecia em teatro, é a Sandra Faleiro. A verdade é que o papel a isso se presta também, mas o certo é que choramos a rir com muitas das falas, mas também nos encolhemos no lugar nos momentos mais dramáticos e de maior tensão.

Em relação à Maria João Luís, não tenho grande coisa a dizer, simplesmente por não conhecer bem o trabalho dela e por não achar que ela esteja tão excepcional como o Virgílio e a Sandra. E do Romeu Costa só posso dizer que achei uma escolha curiosa, que foi um salto enorme para a carreira dele mas... Ainda lhe falta qualquer coisa!... Creio que gostei mais dele nos Tambores na Noite.


Em suma: gostei e recomendo. Mesmo. Mesmo. Mesmo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Do nosso meio artístico - outras considerações...

O problema do nosso, já referido, pequeno meio artístico é, repito, que facilmente vemos caras repetidas nos sítios que frequentamos.

O segundo problema é que os actores do nosso pequeno meio artístico também frequentam esses mesmos sítios.

E porque é que isto é um problema? Porque há actores que entendem por bem andar como vieram ao mundo em palco. E pulam, e saltam, e dançam, e correm, com tudo ali a abanar.

E porque é que isto é um problema? Porque num espaço de uma semana eu cruzei-me, em situações distintas, com três actores que vi nesses preparos. Eu dispensava, a sério que sim. É que uma pessoa olha para eles e pensa "Eu conheço esta cara". E depois pensa melhor e pensa "Não, eu conheço esta cara, este corpo, este rabo, este tudo... Não o conhecia era vestido."

Era dispensável... A sério. Ainda para mais, três numa semana. Ando a ser seguida e não sei.




* Sim MSG, são esses mesmo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Das coisas com que me deparo...

Para quem é apreciador das artes de palco, e do teatro mais especificamente, digam-me lá se pode haver coisa pior do que uma actriz a mastigar pastilha elástica de boca aberta enquanto representa?

E não, não fazia parte da caracterização da personagem.

E sim, é assim que, para mim, qualquer actor perde a hipótese de alguma vez ter a etiqueta de bom actor.

Há pequenos detalhes que fazem MESMO toda a diferença.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...