Mostrar mensagens com a etiqueta Da Isabel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Da Isabel. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Dos 20 meses da Isabel...


Vinte meses de Isabel.

A caminho dos dois anos. Já muito longe de ser um bebé, e cada vez mais uma mini-pessoinha, com personalidade e vontades próprias. É uma autêntica gralha, já deixei de contar as palavras que diz há muito tempo, porque diz e repete tudo o que ouve. Já começou a fazer frases e é muito expressiva nas suas vontades. Esteve doente. Com Covid, com otites, com mão-pé-boca, com gastroenterites várias. Mas é uma miúda saudável e somos uns sortudos. Dá abraços, manda beijinhos e diz "xau" da maneira mais amorosa possível. Adora amendoins e chama-lhes "ruchis" (não me peçam para explicar...). Tirando quando está doente, já dorme melhor e mais. Mas as sestas em casa continuam miseráveis. E está tudo bem. Adora o baloiço e o escorrega, que sobe a trepar. Fica orgulhosa quando consegue fazer alguma coisa e o seu ar de satisfação não tem preço. Gosta do mar e da praia. O meu nome ganhou um novo significado quando ela repete sem fim "mãe 'nês". Pede peixe e batatas de manhã, e anda a embirrar com a carne. Continua a gostar muito de livros, e pede para lermos uns atrás dos outros. Já sabe partes de alguns de cor, e faz-me rir à gargalhada quando antecipa o que eu vou dizer. Deixou de mamar. E está tudo bem. Come a sopa toda sozinha e diz "já 'tá". Continua a adorar o gato e esgota-lhe a paciência. Já andou de avião, fez a sua primeira viagem internacional e portou-se lindamente. Tem um clube de fãs no nosso prédio, que ficam à janela para vê-la sair ou chegar. Continua simpática e bem-disposta. E eu continuo sem saber a quem ela sai. Começou a andar tarde, mas agora ninguém a pára. Gosta de pegar num pano e limpar, não só a mesa dela mas todas as superfícies que lhe aparecem à frente. Gosta de pôr os óculos de sol e ir a correr ver-se ao espelho. Tem um fascínio por escadas. Já diz o seu próprio nome e quase que canta e dança quando o faz. É mesmo uma miúda fácil e nós somos mesmo uns sortudos, não sei se já disse.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Das fotografias que dão alegria... - Day 3

 


Isabelinha vive a sua primeira paixão não correspondida. Dá-lhe turras, beijinhos, festinhas, ri-se perdidamente só de o ver. 
Ele? Ignora-a, finge que ela não existe e foge dela quando se farta. 
A vida é dura desde cedo.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Do 1º ano da Isabel...


Um ano de Isabel.

12 meses. Uma volta completa ao Sol. Um ano inteiro. O primeiro de muitos, espera-se. É inevitável não fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Foi um primeiro ano atípico, patrocinado pela Covid-19. Não foi nada do que tinha imaginado, e tem sido um longo trabalho fazer esta gestão de expectativas. Foi um ano de mais recolhimento do que gostaria. Foi um ano de isolamento, de falta de apoio, sem aldeia à nossa volta para criar a Isabel.

A Isabel continua igual a si mesma. A distribuir sorrisos e beijinhos. A fazer sucesso na creche. Sempre bem-disposta. Gatinha pela casa fora e não dá descanso ao gato. Ele, por seu lado, já faz questão de se deitar perto dela, quando ela está no chão da sala a brincar. Tolera as palmadas dela com mais paciência do que eu poderia imaginar. Ela continua a adorar comer. É só dizer banana e os olhos dela iluminam-se. Comeu o seu primeiro pêssego à dentada e não se atrapalhou. Diverte-se a chupar o esparguete, já comeu percebes e adora beber água. Fica a olhar para nós quando estamos a comer e em breve vamos ter guerras por causa disso. Não gosta de usar chapéu nem óculos de sol. Voltámos à praia e divertiu-se a encher as mãos de areia, apenas para as esfregar e sacudir a seguir. Não ficou fã da água fria do mar e eu entendo-a. As noites continuam uma incógnita. Já dorme algumas seguidas, mas dorme pouco, e acorda sempre cedo. Continua no limite mínimo de horas de sono para a idade dela. Percebe muitas das palavras que dizemos, mas só diz de forma mais ou menos intencional papá e gato. Mamã aplica-se a tudo, de forma mais ou menos aleatória. O pai ensinou-a a deitar a língua de fora. Teve a sua primeira gastroenterite. Foi ao Oceanário no dia de aniversário e voltámos à Quinta Pedagógica dos Olivais. Adora cerejas e framboesas. Fez a primeira birra para ficar na creche. Aponta para tudo e fala lá na língua dela. Já percebeu que nos derrete e faz as suas gracinhas. Teima em ser ela mesma a lavar os seus dentes. E já tem mais dois a nascer. Está longe de começar a andar e está tudo bem. 12 meses de Isabel. Que venham muitos, muitos, muitos mais.



Nota: a Isabel fez um ano a 25 de Junho. Mas o mês que passou foi estupidamente longo e duro, e, apesar de já ter o texto escrito há algum tempo, faltou a vontade de aqui vir escrever. E teria tanto para dizer!... Talvez um dia.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Dos 11 meses da Isabel...


Onze meses de Isabel. 

Onze. Só falta um para os doze. O último mês trouxe a grande novidade de um dos marcos do seu desenvolvimento: já gatinha. Ninguém a pára e acabou-se o sossego. O nosso e o do gato. Que ela continua a adorar. Já foi arranhada, claro. Continua na creche e não houve mais sustos com covid-19. Espalha charme e sorrisos e já tem um clube de fãs. Ainda não perdeu as bochechas, mas já esticou um bocadinho. Adora comer. Sopa, fruta, peixe, carne, legumes, panquecas. O que seja. Dêem-lhe comida e os olhos dela brilham. Consta que começa a guinchar mal vê as cadeiras de refeição na creche. Ainda não fala, mas já procura com o olhar quando lhe perguntamos pela mãe, pelo pai, pelo gato ou pela bola. Gosta de partilhar. Eu peço-lhe para dar a banana à mamã e ela nem hesita em enfiar-ma na boca. E ri-se perdidamente com isso. Continua bem disposta. E boa onda. E simpática. Continuo sem saber a quem sai. Passámos o nosso primeiro fim de semana fora de casa e portou-se lindamente. Não estranhou a cama, não estranhou comer no restaurante, não estranhou nada. É uma santa. Ou não fosse Isabel. Estabilizou nos seis dentes há já umas semanas. Nunca nos deu nenhum susto de saúde. Imita-nos a piscar os olhos e nós rimos perdidamente. Diz adeus. Manda beijinhos. Imita-me a suspirar e ri-se. Também bate palmas. Atira coisas para o chão e fica a olhar para elas, a tentar perceber isso da gravidade. Já não berra desalmadamente na maior parte do tempo das viagens de carro e até já aconteceu adormecer sozinha. Já tem o seu primeiro fato de banho mas ainda não o usou. Já quase percebeu o conceito de dar abraços e derrete corações quando encosta a cabeça no nosso peito. As noites estão incrivelmente melhores. Mesmo quando ela acorda às cinco e meia e entende que não precisa de dormir mais. As sestas continuam de trinta minutos. Tem potencial para ser uma autêntica gralha. Adora o reco reco e foi maravilhoso ver a evolução dela até ela perceber como ele toca. Já é menos careca e não tem o cabelo tão escuro como o da a mãe. Ainda hoje dei comigo a olhar para ela e a perguntar-me como era possível eu ter feito algo tão incrível. 

Onze meses de Isabel. Não é cliché, passa mesmo a voar. 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Dos 9 meses da Isabel...

 


Nove meses de Isabel.

Nove. Já viveu tantos meses no mundo, como em mim. A partir de agora, será sempre mais do mundo do que minha. Se é que algum dia foi minha. Continua a adorar comer e já provou de tudo um pouco. Morre de medo da Alexa. Distribui sorrisos por onde passa. Já só acorda 1 ou 2 vezes por noite, mas entende que o dia começa às seis e meia da manhã. Continua preguiçosa para gatinhar, mas lá vai rastejando. Já tem 5 dentes, desalinhados e com um buraco entre eles, com um sorriso que, só por si, dá vontade de rir. Continua a rir-se perdidamente quando vê o Snow e já levou a primeira arranhadela. Continuou a rir-se perdidamente depois disso. Gosta de fazer barulho com as mãos, a bater na mesa, nas paredes, onde calhar. Também gosta de bater com os brinquedos uns nos outros, para os ouvir. Quando nos escondemos para fazer "cucu", estica-se toda para ver onde estamos. Fomos a uma pediatra nova e gostámos. Andou a devorar laranjas que trouxemos dos avós. Começou a comer o segundo prato, e comeu tudo, obviamente. Foi visitar os primos e estava deslumbrada, ao olhar para eles, a vê-los tocar piano e a contarem-lhe histórias. Descobriu o iogurte e despacha um em menos de nada. Faz as caretas mais cómicas e eu acumulo centenas e centenas de fotografias. Provou limão e não se queixou. Regressou à creche, apenas para voltar para casa ao fim de 4 dias. Fez a sua primeira viagem de carro sem berrar e até adormeceu sozinha. Ainda olho para ela e me pergunto como é que é possível. Não sei. Nunca saberei.


(com 15 dias de atraso, mas está tudo bem...)

domingo, 21 de março de 2021

Do teu ar sereno nos meus braços e da vida que não sei viver...

Há pouco, emocionei-me enquanto embalava a Isabel nos meus braços e a via adormecer.

Costumo adormecê-la no berço, durante o dia, mas hoje quis que ela adormecesse ao meu colo, enquanto eu a embalava e eu cantarolava para ela. Talvez pela consciência de que, um dia, estes momentos deixarão de existir. Ao vê-la fechar os olhos e deixar-se ir, senti os olhos encherem-se de lágrimas.

Estamos, desde quinta-feira, em isolamento profilático, por ela ter sido considerada contacto de alto risco. Estou tranquila em relação a isso, plenamente consciente de que a probabilidade de ela ter sido contaminada com Covid-19 é muito baixa.

Mas, ao mesmo tempo, não deixo de me sentir frustrada e angustiada com tudo isto. Estamos fechados em casa há um ano (excepção feita para duas semanas no Algarve). Estamos estupidamente isolados e confinados. Estamos a viver a experiência da parentalidade sozinhos, sem apoio, sem partilha, sem a celebração que este momento devia ser. Protegemo-nos, e a ela, o mais que podemos, e, com isso, afastamo-la dos nossos e de quem lhe quer bem. Tudo o que temos feito, é por acharmos que é o mais correcto. Mas, depois, bastam 4 dias na creche, para ela ser exposta e considerada contacto de alto risco por contacto directo com um infectado. E eu, que sempre vivi bem com as minhas decisões no último ano, não deixo de me questionar. Ao vê-la adormecer nos meus braços, ao deliciar-me com os seus contornos perfeitos e o seu ar sereno, não deixo de me perguntar se fará sentido continuar a privá-la do mundo, e a privar o mundo dela. Se a deixamos ir para a creche, com o resultado que está à vista, não faria sentido deixá-la estar com as nossas pessoas?... Ao mesmo tempo, a racionalidade em mim, pergunta-se se não será esse o pensamento errado que levou ao estado em que estamos de achar que "já que me exponho para ir trabalhar, então também não faz mal se me expuser para ir jantar fora, e estar com os amigos, e estar com a família...". O facto de ela ir à creche, deverá justificar que a resguardemos ainda mais, para minimizar riscos, ou deverá ser carta branca, em jeito de "perdido por cem, perdido por mil", para aproveitarmos a vida e vivermos esta experiência um pouco mais como ela deveria ser vivida?...

Não consigo chegar a nenhuma conclusão. Vivo dividida entre fazer o que acho correcto, não só porque o nosso governo o diz, mas porque a minha consciência assim o diz, e fazer o que vejo os outros fazerem, em actos que me fazem questionar o meu excesso de zelo.

De uma coisa não tenho dúvidas: o impacto social desta pandemia é absolutamente avassalador. Quem acha que vamos ter uma grande crise económica, devia preocupar-se igualmente com a forma como todos vamos sair disto em termos psicológicos, nos nossos afectos, nos nossos medos e ansiedades.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Dos 8 meses da Isabel...

Oito meses de Isabel.

Dois terços de um ano. Que voaram. Ela está cada vez mais pessoinha. Um bebé, mas pessoinha. Já tem 3 dentes, 2 em baixo e 1 em cima, completamente desalinhado dos outros, o que lhe dá um ar particularmente delicioso. Continua a comer lindamente. Adora manga, abacaxi e kiwi. Mas também descobriu que adora brócolos. Também continua apaixonada pelo gato, e já lhe arrancou umas boas doses de pêlo. Ele, por sua vez, continua a ignorá-la. Fala, fala, fala. E bem alto. E continua a rir-se. Muito. Até a comer, ela se ri muito. Aliás, se há momento em que é evidente que ela é feliz, é quando come. Ou quando o pai lhe faz tropelias e ela dá as maiores gargalhadas. É preguiçosa e está longe de começar a gatinhar. Sai ao pai e já tem uma obsessão por comandos. Dormiu a primeira noite toda seguida. Mas foi, claramente, por engano. Tivemos direito a umas noites a acordar a cada hora ou a cada meia hora. Maravilhoso, portanto. Descobriu as sestas de 20 minutos. Desconfio que esteja farta de estar em casa a aturar-me todo o santo dia. Continua a gostar das nossas caminhadas e faz as suas sestas na Ergobaby. Adora o elefante de peluche que recebeu de presente da empresa do pai e ri-se perdidamente só de o ver. Está extremamente sensível a barulhos estranhos e atira-se para trás a chorar quando isso acontece. Já se magoou, claro. Começa a mostrar os primeiros sinais de vontade própria. Gosta de abanar as maracas e ouvir o seu barulho. Deixou a shantala e começou a tomar banho numa banheira maior. Chorou muito nos primeiros dias, mas já percebeu que tem mais água e espaço para chapinhar. Olha deslumbrada para o mundo e já quer ver e mexer em tudo. Continua bochechuda, mas está a ficar mais comprida. É bem disposta e ri-se muito para as raras pessoas com quem se cruza. Berra desalmadamente quando entende que não quer dormir. Mesmo que sejam duas da manhã. Continua a chuchar no dedo e a recusar a chupeta. Eu sou suspeita, mas acho que está cada dia mais bonita. E eu, cada dia mais derretida.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Do parto da Isabel...

O parto da Isabel não foi nada do que eu queria, sonhara ou idealizara. Em parte, já sabia que assim seria, desde que ficou decidido que seria cesariana. Mas, ainda assim, foi muito diferente do que esperava.

Não consigo dizer que foi o momento mais bonito da minha vida. Se bem que também não consigo dizer qual foi o momento mais bonito da minha vida. O problema está em mim, certamente. 

Quando penso no nascimento de um bebé, no acto de trazer um novo ser humano a este mundo, penso em algo muito carnal, muito animal, muito natural. Penso no regresso aos nossos instintos mais básicos e ao que faz de nós aquilo que somos. Penso na vida a gerar vida. Penso no milagre da natureza. 

Ora, numa cesariana não há nada disso. Uma cesariana é um procedimento cirúrgico. Numa cesariana não há nada de animal, de instinto, de vida a gerar vida. Numa cesariana há alguém inerte deitado numa mesa de operações, há muitos e variados profissionais de saúde em redor, há uma barriga que é cortada e de onde é extraído, contra a sua vontade, um pequeno ser. Não consigo ver grande beleza nisto. O problema está em mim, certamente. 

Achei o procedimento frio. Senti-me meio perdida naquele bloco operatório, até o Pai se ter juntado a mim. Foram minutos que pareceram horas. Tive medo. Senti-me ansiosa. Achei que tudo podia correr mal. Senti-me impotente e inútil, incapaz de trazer a minha filha ao mundo. 

Foi estranho sentir tudo. Sentir o frio do desinfectante a ser esfregado na minha barriga. Não senti o corte, mas senti a pele a ser afastada, a barriga como que esventrada, os movimentos dentro de mim, tudo demasiado real. Sem dor, mas sentindo perfeitamente o que se passava. Foi rápido. Muito rápido. 

Em poucos minutos, o choro da nossa filha. Da nossa Isabel. Nesse momento, já tinham baixado o campo cirúrgico e o Pai pode vê-la vir ao mundo. Eu, só podia ouvi-la. E que bem que ela se fez ouvir! Guardo na memória aqueles primeiros gritos. Vi, depois, as primeiras imagens que o Pai fez questão de captar. A nossa filha no mundo, gritando desalmadamente, mostrando a garra que traz consigo.

Quando ma mostraram, não pude não chorar. No meio de toda aquela estranheza, as lágrimas caíram, ao ver a nossa filha pela primeira vez. Era real. Ela estava ali, junto a nós, a iniciar a sua longa jornada, nesta viagem que é a vida. E nós, ali, a iniciar a nossa longa jornada, nesta viagem que é a parentalidade. 

Senti-me assoberbada por tudo. Custou-me não poder reagir, não lhe poder pegar, mal a conseguir ver. Parecia tudo demasiado surreal e eu continuava a sentir-me mais num procedimento cirúrgico do que naquele que se queria que fosse o momento mais bonito da minha vida. 

Eventualmente, levaram-na. E ele foi com ela. E eu fiquei ali, sozinha e perdida, no meio de estranhos, a ser suturada. Acho que só quando cheguei ao recobro e os reencontrei aos dois, é que respirei de alívio e me caiu a ficha. Só quando ficámos ali os três, em namoro completo, com ela junto a mim, comigo a querer examinar cada centímetro do corpo dela mas sem me conseguir mexer, é que eu percebi o que estava a acontecer. 

Eventualmente, ficámos só as duas. A conhecer-nos. A reconhecer-nos. A cheirarmo-nos mutuamente. A ver ao vivo o que imaginámos durante meses a fio. Não sei quanto a ela, mas eu, o que senti, é que era tudo infinitamente melhor do que eu poderia ter imaginado. 

O parto da Isabel não foi uma experiência bonita, ou memorável, ou o melhor momento da minha vida. Mas o que é que isso importa, com tudo o que virá depois?... 



[Texto escrito a 9 de Julho, duas semanas depois de a Isabel nascer. Não o publiquei na altura, por ter sido escrito a quente. Mas, hoje, o sentimento não melhorou. Sobretudo, porque tenho agora a certeza de que fui sujeita a uma cesariana desnecessariamente. Talvez um dia eu ultrapasse isto. Talvez eu tenha outro filho e o parto que idealizei. Ou talvez não. Mas teremos sempre a terapia, não é verdade? Foquemo-nos na última frase e em tudo o que já veio e o que ainda está para vir.]

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Dos 7 meses da Isabel...

 

Sete meses de Isabel.

Este foi, sem dúvida, o mês em que mais aconteceu. Foi o mês em que a Isabel começou a comer. E que bem que ela come. Também foi o mês em que começou a creche. Apenas para voltar para casa, ao fim de três semanas. Ficou conhecida por ser bem disposta e tagarela. Já se senta muito bem. Já rebola e "desrebola". Apareceram os primeiros dentes e está ainda mais deliciosa. Fica tão feliz com água como com banana, com sopa ou com papas. Continua a rir-se muito. E já estica as mãos para chegar ao gato, que lhe dá umas lambidelas de quando em vez. Começou a dormir no quarto dela, deixando os pais indecisos entre a culpa de a abandonar e o alívio de recuperarem o seu canto. Nasceu para comer, e, toda ela é sorrisos, quando o assunto é comida. Faz umas mini-micro sestas, para desespero de quem está em teletrabalho. Gosta de ver bater palmas e estalar os dedos. Ri-se para si mesma, ao espelho. Gosta de estar à janela. Gosta de cenoura. Continua a levar os pés à boca, sempre que pode. Não gosta da textura dos brócolos e parece ter nojo de lhes tocar. Não tenho termo de comparação, mas ela ri-se mesmo muito, já disse? Gosta quando lemos para ela e gosta de morder os livros. Gosta de morder tudo, na verdade. Continua a falar imenso, seja dia ou noite. Hoje riu-se como nunca, a comer papa de espelta pela primeira vez. Aninha a cabeça no meu ombro e derrete-me ainda mais. Quer explorar tudo, tocar em tudo, agarrar tudo. Já rasteja um bocadinho e foge do tapete de actividades, se não estamos atentos. É uma bebé bem disposta e boa onda. Não sei a quem sai. No meio desta pandemia, estamos a conseguir criar uma bebé sociável e tranquila. Não me perguntem como. Mas, apesar de terrivelmente dura, tem sido uma viagem incrível.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Da Blue Monday que afinal é Tuesday...

Hoje fui-me um bocadinho abaixo. Só um bocadinho. Mas aquele bocadinho suficiente para ficar de coração apertado e lágrimas nos olhos.

Estou cansada da Covid. Dos casos, dos números, dos medos, das inseguranças.

A Isabel está na sua terceira semana de creche e são muitos os emails que já recebemos a falar sobre o tema. Hoje, recebemos mais um. A creche que escolhemos tem sido irrepreensível na forma como partilha a informação, como nos coloca a par de tudo, como nos tenta sossegar. Mas, hoje, fui-me um bocadinho abaixo. Só um bocadinho.

A nossa miúda passou 6 meses fechada em casa. Foram 6 meses no nosso colo, no nosso ninho, na nossa bolha de protecção. Fechámo-la, isolámo-la, protegemo-la. Talvez tenhamos exagerado. Talvez tenhamos roçado a paranóia. Mas é a nossa filha e só temos esta. Se isso fez com que mal visse a família e os amigos? Fez. Se nos custou? Custou. Mas fizemos o que fez sentido para nós, nestes tempos estranhos que vivemos.

E agora? Agora ela está entregue a estranhos, exposta a riscos, enquanto vivemos a maior pandemia dos tempos modernos. Agora já não está no nosso colo, no nosso ninho, na nossa bolha de protecção. A nossa miúda está na sua terceira semana de creche, mas só hoje é que me caiu a ficha. E custa. Horrores. 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Dos 6 meses da Isabel...


Seis meses de Isabel.

Meio ano. Uma metade de um ano. Já passou meio ano desde que a Isabel chegou a este mundo, e virou as nossas vidas de cabeça para baixo. Seis meses que voaram, respeitando o cliché que toda a gente nos repetiu até à exaustão: aproveitem, que passa depressa. E passou. Passou tão depressa que ela, não tarda, vai para a creche. Vai ser do Mundo, a minha filha. Vai deixar de ser minha e do Pai, para ser de quem a agarrar. Cresceu tanto nestes 6 meses. A última novidade foi ter conseguido rebolar sozinha. Claro que a gracinha aconteceu enquanto eu estava a trabalhar. Claro. Vai ser sempre assim, não vai? A partir de agora, vou ter de me habituar à ideia de poder perder muito do que acontece na vida dela. Chama-se crescimento, dizem. Independência, autonomia, vida para além da minha. Ela vai crescer e eu nem sempre vou lá estar. Mas vou lá estar sempre, quando ela quiser repetir as gracinhas. O rebolar, o agarrar os pés, os ruídos novos que todas as semanas explora com a boca. Agora aprendeu a imitar um toiro enraivecido. Do alto dos seus seis meses, faz um misto de rosnar com zurrar, e põe um ar de fazer chorar as pedras da calçada... De riso. Continua uma bem disposta. Ri-se que nem uma perdida. Por tudo, e por nada. Ri-se cada vez mais para o gato quando ele passa por ela. Passou aí uma fase muito crítica nas noites, mas parece estar ligeiramente melhor. Resta saber por quanto tempo. Vai começar a comer nos próximos dias. Fez um sucesso tremendo no Natal. Como faz sempre, aliás, nas raras vezes em que está com outras pessoas. É uma bebé Covid. Estranha barulhos e confusões. Mas distribui sorrisos e ninguém lhe resiste. Gostava que ela tivesse estado com mais pessoas este Natal, que tivesse andado em mais colos, em mais casas. Mas um dia vou contar-lhe o quão estranho foi o seu primeiro Natal. Hoje, para celebrar os seis meses, fui dar com ela a chuchar no dedo... Do pé. Acho que ela o fez apenas para calar as más-línguas que dizem que ela é gordinha. Pode ser gordinha, mas agilidade não lhe falta e vá de comer os pés. Outras más-línguas talvez digam que ela passa fome e, por isso, come os pés. Mas, olhando para aquelas bochechas, ninguém acredita. A minha filha faz hoje seis meses. Caramba. Seis meses. E eu que ainda não consigo olhar para mim como mãe. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Dos 5 meses da Isabel...

 

Cinco meses de Isabel.

No último mês a grande descoberta da Isabel foram os pés e as pernas. Se antes já não parava quieta com eles, agora passa tempos infinitos com eles no ar. E tenta apanhá-los e agarrá-los. Mudar a fralda tornou-se um desafio muito mais interessante, claro. Quer ver tudo o que a rodeia e distrai-se facilmente, mesmo quando está a comer. Olha para o Snow e ri-se. Ele, continua a ignorá-la, mas já encostou o nariz ao dela. Já quase se aguenta sentada. Tentamos que ela rebole, mas os presuntos que tem no lugar das pernas, não ajudam. Continua a adorar o banho e ri-se quando percebe que a vou levar para ele. Curiosamente, ri-se ainda mais quando a tiramos da água. Também berra, quando lhe dá para isso. E agora tem-lhe dado para isso a meio da noite. Compensa na fofura durante o dia. Toda ela é bochechas e ninguém lhe resiste. Ri-se muito, já disse? É um pequeno génio e já abre a boca e deita a língua de fora quando chega a hora de lhe dar as gotas da Vitamina D. Continua a não gostar da chucha, e nós continuamos a insistir para que ela goste. Continua a portar-se lindamente na Ergobaby. Gosta de passear e de ir de cabeça no ar, a ver o céu, as árvores, os pássaros, e o que quer que seja que lhe apareça à frente. Dizem que é igual a mim, mas eu acho-a demasiado bonita para ser igual a mim. Olha fascinada para a forma como a comida desaparece na nossa boca. Não tarda, está ela a comer também. Cinco meses. Como? Não sei.


(quinze dias de atraso... diz muito sobre os últimos tempos...)

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 336



Não tenho cozinhado tanto quanto gostaria. Pergunto-me, diversas vezes, o que raio é que eu fazia com o meu tempo, antes de a Isabel nascer. Nada, aposto. Eu não fazia nada. É a única explicação que encontro. 

Hoje acordámos mais tarde que o habitual (a noite foi má e "obriguei" a Isabel a dormir mais um bocadinho de manhã). Fiz panquecas para o pequeno almoço. Fomos para a expo. Eu corri, enquanto ele caminhou com ela. Eu peguei nela, voltei para casa, e ele fez o treino dele e voltou a correr para casa. Tomei banho e fiz o almoço. Almoçámos. A Isabel fez a sesta. Eu arrumei a cozinha e fiz estas bolachas. Pelo meio, trocar fraldas, dar de mamar, brincar e palrar. Recebi uma notícia menos boa que me deixou a pensar. Falei com o meu Pai. Ainda fiz sopa. Estivemos a fazer testes para a sessão fotográfica de Natal. Demos banho e deitámos a Isabel. Jantámos. A Isabel acordou e eu voltei a adormecê-la. Comemos bolachas e chocolates da árvore de Natal. Vegetámos. Eu escrevo este post. Não tarda, vou dormir que amanhã é dia de trabalho.

E dizia eu antes que não tinha tempo... 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 329

Introdução ao Passeio Marítimo de Oeiras.

[fui mostrar-lhe o sítio onde comecei a correr, onde mais corri, onde fiz o meu primeiro quilómetro sem parar, onde treinei horas a fio, onde organizei treinos de grupo, onde ri, onde chorei, onde fui feliz, onde sofri, o sítio onde vou sempre querer voltar, uma e outra vez]

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Do meu nível de senilidade... Ou do meu quase regresso ao trabalho...

Hoje tinha pensado vir aqui escrever um post super inspirado sobre o facto de faltar, precisamente, uma semana para regressar ao trabalho.

A meio da manhã, o louco mais louco do que eu, veio ter comigo ao quarto da bebé e pergunta-me:

- Quando é que tu voltas ao trabalho mesmo?

- Daqui a precisamente uma semana...

- Então mas não era quarta-feira?

- Oh... Pois é... Eu pensava que era quinta e que ainda faltava uma semana. Já me deprimiste para o resto do dia... - e lá fiquei eu a pensar com os meus botões, que já não faltava uma semana inteira.

Pois não. Falta menos de uma semana para eu regressar ao trabalho. Como?! Não sei.

Também não sei o que andei a fazer nos últimos quatro meses e meio. Também não sei onde foi parar o tempo. Também não sei como é que, de repente, estamos a chegar ao fim de Novembro e deste ano memorável. 

Não sei se foi da pandemia, se foi de mim e da minha inércia, mas tenho a clara sensação de que não fiz nada este ano. Nada. Eu sei que gerei, trouxe ao mundo e cuidei de um pequeno ser. Mas foi só isso. "Só". Sim, eu estou ciente da grandeza do que fiz. Mas... Sabe-me a pouco. Este ano não viajámos. Não convivemos. Não estivemos com as nossas pessoas. Não fomos a concertos. Não experimentámos restaurantes novos. Não fomos a provas. Estamos a pouco mais de um mês do final do ano, e eu vivo sentimentos agridoces: 2020 foi o ano em que veio ao mundo a nossa maior obra, mas foi também o ano em que toda a nossa existência esteve em suspenso.

É também com sentimentos agridoces que regresso ao trabalho. Precisamente devido a este sentimento de inutilidade no que a este ano diz respeito, tenho uma necessidade tremenda de voltar a trabalhar e sentir-me útil. Ao mesmo tempo, assusta-me pensar que está a chegar ao fim uma altura que nunca se irá repetir: o poder estar 100% dedicada à Isabel. Em breve, muito em breve, a Isabel deixa de ser apenas nossa e passa a ser do mundo. E isso tem tanto de incrível como de assustador. Caramba, que ainda ontem ela nasceu, e não tarda está na escola!... 

domingo, 25 de outubro de 2020

Dos 4 meses da Isabel...


Quatro meses de Isabel.

Quatro meses de descoberta, de crescimento, de deslumbramento. Os avanços são, nesta fase, gigantes. A nossa mini-pessoinha está cada vez mais crescida. Já dá gargalhadas, e derrete-nos completamente. Continua tagarela. Cada vez mais. Aprendeu a guinchar e usa e abusa da sua voz para chamar a atenção. Continua a não gostar da chucha. Decidiu deixar de gostar de andar de carro, e berra desalmadamente. Faz mini-micro sestas. Todas as noites me brinda com um jogo incrível: nunca saber quantas horas vou conseguir dormir, porque as noites dela são, ainda, completamente aleatórias. Adora a girafa Sophie, que rói com afinco. Está cada vez mais desperta para o mundo que a rodeia. Já percebeu que o Snow existe e já olha para ele. Ele continua a desprezá-la, excepção feita a uma ou outra cheiradela. Ponho-a a ouvir muita música, e gosto, sobretudo, de a pôr a ouvir coisas como Patrick Watson e The National, apenas para lhe dizer que os ouviu ao vivo quando ainda estava na barriga da mãe. Sobrevive, sabe deus como, a ouvir-me cantar para ela. Adormeço-a a cantar-lhe Silence 4 e Jeff Buckley. Danço com e para ela. Encho-a de beijos e ela enche-me de baba. Continua a chuchar no dedo. Não é por ser minha filha, mas está cada dia mais bonita. A nossa gordinha. Que nos arrebatou. Definitivamente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 295


Por aqui, já começámos a estimular o gosto pela leitura. Neste caso, com um livro que não tem nada para ler, mas cujas folhas a Isabel já procurou agarrar e tocar. Se sair à mãe e ao pai, vai passar a vida com a cabeça enfiada no meio dos livros, pelo que bem pode começar já... 

domingo, 18 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 292

 


O passeio de hoje foi até à Caparica. O dia amanheceu cheio de nevoeiro, e custou a crer quando, à meio da tarde, saímos de casa e percebemos o calor que estava. Quando falei em irmos à praia, ele deve ter achado que eu estava louca, mas acho que o venci pelo cansaço e lá concordou. 

E que bem que soube!... As praias com pouquíssima gente, um fim de tarde espectacular, e uma caminhada à beira-mar, com a Isabel a aproveitar para fazer a sua sesta.

A minha paranóia com a Covid continua (cada vez mais) elevada, e conseguir encontrar sítios onde me sinta em segurança, pode ser um desafio... Mas este passeio pela praia fez maravilhas pela minha sanidade mental.

Boa semana, Mundo! 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 283 (ou de como Monsanto é sempre Monsanto...)

Um dos últimos sítios onde fomos antes de a Isabel nascer, foi Monsanto. Não cheguei a pôr aqui as fotografias desse dia, mas talvez venha a pôr, se um dia me derem as saudades do meu estado de pequeno cachalote.

Um dos primeiros sítios onde fomos depois de a Isabel nascer, foi Monsanto. 

E um dos sítios onde fomos esta semana, foi Monsanto. 


Pegámos em nós, numa manta, nas 137 tralhas da Isabel, passámos numa hamburgueria que queríamos experimentar, escolhemos a melhor oliveira, e sentámo-nos a fazer um piquenique à sombra, com aquela vista incrível que só Monsanto nos dá.


Depois das três mil e quinhentas calorias ingeridas no almoço, fomos dar uma volta a pé, aproveitando o nosso carrinho todo o terreno. A Isabel dormiu, e nós respirámos fundo, para aproveitar aquele cheiro único dos pinheiros.
 

O luxo que é termos algo assim em plena cidade de Lisboa, não tem preço...

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 280


Hoje fomos apresentar-lhe a Gulbenkian. Ainda é cedo para que ela se delicie com os patos e patinhos, mas eu fiz a festa por ela. 

Andar pelos jardins da Gulbenkian é fazer uma viagem no tempo. Passei muito tempo naqueles jardins a estudar (e não só), e perdi a conta às vezes que visitei ambos os museus. 

Ficou a vontade de lá voltar, daqui a uns tempos, para que a Isabel já possa usufruir de tudo o que ali há. 

 

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...