Mostrar mensagens com a etiqueta Das coisas que me chocam. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Das coisas que me chocam. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Da animação que é viver com um daltónico... - IV

Ainda a propósito do post anterior desta saga, sobre a Serra Amarela Sky Marathon e a forma como os daltónicos vêem o Mundo, não podia não partilhar por aqui o desenvolvimento do tema.

Deixo aqui novamente a imagem que usei para ilustrar o mesmo na altura:


Depois de publicar o post, decidi mostrar esta imagem ao meu daltónico preferido. Perguntei-lhe o que é que achava daquelas imagens e o que é que via ali. Ele, claro, ficou meio desconfiado, demorou algum tempo a responder, talvez com receio que fosse alguma coisa para eu gozar com ele (como se eu fizesse tal coisa!), mas ao fim de algum tempo lá começou a dizer o que achava. E o que ele achava era que as imagens eram estranhas. Que a da esquerda parecia ter sido toda editada, que as cores não estavam bem, estavam muito saturadas e que as frutas não eram nada assim. Tentei insistir. E ele a dizer-me o mesmo, que na da direita é que estavam bem, que na da esquerda as bananas, os ananases e os maracujás estavam com cores que não eram reais.

Eu dei-lhe um abraço e um beijinho. Expliquei-lhe a imagem, mostrei-lhe onde a tinha ido buscar (por insistência dele), e calei-me sobre o assunto.

Confirma-se: não deve ser fácil ser daltónico.

Falei-lhe sobre os óculos para daltónicos, e ele não quer. Falei-lhe sobre enviar um email à organização da prova, apenas a explicar a situação, e ele não só não quer como não me deixa a mim enviar.

Resta-me ir partilhando por aqui algumas peripécias e não deixá-lo nunca-jamais-never-ever comprar bananas!

sábado, 22 de junho de 2019

Da animação que é viver com um daltónico... - III

Enquanto corria pela Serra Amarela fora, lembrei-me do meu daltónico preferido. Lembrei-me de uma prova anterior em que ele se tinha queixado da dificuldade em identificar as fitas marcadoras do seu percurso, por causa da sua côr. Já não me lembrava ao certo qual era a côr que tinha gerado confusão, mas pensei para mim que esperava que tudo estivesse a correr bem com aquelas fitas, pois, para mim, o percurso parecia-me extremamente bem marcado (ocorreu-me mesmo que podia até haver quem achasse que estava exageradamente marcado, porque há sempre quem goste de criticar só porque sim).

Pois que não. Se lhe perguntarem, ele não achou o percurso nada bem marcado, teve várias vezes dificuldades em saber por onde seguir, e houve inclusivamente uma situação em que só se conseguiu orientar porque passou por ele um atleta em modo muito acelerado, que, sem a mínima hesitação, seguiu caminho, mostrando-lhe por onde devia ir.

Este é um dos momentos em que ser daltónico não é só uma coisa gira, com a qual eu posso gozar por aqui e por aí. Ser daltónico também é... [inserir música de fundo dramática] Uma questão de vida ou de morte! Ou quase, vá...Pode ser, de facto, uma questão de segurança. Não imagino o desespero dele em algumas situações, mas pelo que me contou, a coisa não foi fácil... E eu fico aflita por ele! Porque nunca passei por isso e não imagino o que seja.

Claro que lhe disse que podia enviar um email à organização, de forma simpática e cordial, a explicar a situação. Porque acredito, piamente, que quem escolhe as cores das fitas para fazer marcações de percursos em prova, não se lembre sequer deste pequeno pormenor. Se não fosse ter um daltónico ao lado, eu jamais me lembraria!... Só quando convivemos com as situações é que elas ganham relevância para nós. Mas também acredito que, em sendo sensibilizadas para esta questão, algumas organizações pudessem optar por fitas de outras cores, porque não lhes faria grande diferença.

Pelos vistos, as fitas alaranjadas confundem-se muito no meio da folhagem. Quer-me parecer que ele vê tudo entre o verde e o castanho, mas a verdade é que não sei ao certo, porque discutir cores com um daltónico é assim a modos que discutir física quântica (para mim, talvez não para ele). Ainda há dias lhe perguntei o que achava da minha cor nova de verniz, e depois de ele me dizer que era gira, perguntei-lhe se sabia que cor era. Não sabia. Claro que não sabia. 

Entretanto, fui investigar um pouco sobre o tema (viva o Google!). Parece que existem vários tipos de daltonismo, e o mais comum é mesmo o que gera confusão entre os verdes e os vermelhos. Encontrei estas imagens:


Quero acreditar que isto possa estar um pouco exagerado, ou que possa representar uma situação de extremos. Não quero acreditar que o meu daltónico vê mesmo o mundo assim, porque isso seria demasiado triste e deprimente... Mas fica explicado porque é que as fitas laranjas não funcionam para ele!... Imaginem andar no meio daquele verde todo e daquela folhagem toda, à procura de fitas alaranjadas?...

Acho que vou deixar de gozar com ele por ser daltónico!... Ou talvez não.

domingo, 26 de maio de 2019

Do dia de hoje...

Eu gostava de vir aqui escrever o relato do Almonda, enquanto ainda está fresco e as emoções estão à flor da pele (para o bem e para o mal).

Mas não consigo. 

Estou demasiado chocada com os valores da abstenção. Talvez não devesse, não é verdade? Mas estou. Porque, às vezes, tenho fé nas pessoas e acredito que as coisas podem mudar. Mas não mudam.

Continuamos um país de gente indiferente, com pouco ou nenhum sentido cívico, que não aproveita as oportunidades que tem para manifestar as suas opiniões, mas que adora criticar tudo e todos, de preferência, nas redes sociais.

Isto cansa-me. Deprime-me. Envergonha-me. Custa-me que, nisto como noutras coisas, não me reveja no meu país. Mas a verdade é essa.

E, pasmem-se, enquanto continuarmos assim, vão lá continuar os mesmos de sempre, a fazer o mesmo de sempre. E esta, hein? 

terça-feira, 5 de março de 2019

Das coisas que vamos aprendendo ao longo da vida...

Um dia destes fui almoçar com dois colegas de trabalho. Nada de extraordinário. Trago almoço de casa em 90% dos dias, mas na véspera tinha chegado a casa demasiado tarde, tive preguiça e não levei marmita. Um colega veio perguntar quem não tinha almoço, eu juntei-me a ele, e ainda se juntou mais um. E fomos.

E a dada altura, não pude deixar de me lembrar de uma situação na minha vida em que alguém, com quem partilhava a vida, me disse qualquer coisa como: "Se algum dia fores almoçar com algum colega teu, tu tens de me avisar. Imagina que alguém vos vê juntos e depois me vem perguntar e eu não sei? Já imaginaste a vergonha e a figura que eu faço?".

True story. Em pleno século XXI.



Eu já fui muito burra. Mas gosto muito de acreditar que estou melhor.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Da outra face da Internet...

Li recentemente uma entrevista que me chocou. Chocou-me na medida em que me chocam todos os banhos de realidade que a vida me vai dando. Eu vivo na bolha do meu mundo cor-de-rosa, da nossa sociedade justa e equilibrada, deste país tranquilo e seguro. Mas o Mundo é incrivelmente diferente daquilo que é o meu Mundo. E o Mundo choca-me. Muito. Muitas vezes.

Esta entrevista fala sobre o outro lado da Internet e das redes sociais. Do Facebook, mais especificamente. Da realidade que não vemos. Da crueldade da figura humana. Fala de terrorismo, de pedofilia, de violações, de homicídios e suicídios em directo. Fala de realidades tão distantes das nossas, que nos esquecemos delas. Mas que existem. Todos os dias. A toda a hora. Porque o ser humano é capaz das coisas mais incríveis, mas também é capaz dos actos mais bárbaros. 

Se tiverem curiosidade, leiam a entrevista aqui

sábado, 13 de outubro de 2018

Das lições que uma chávena de chá nos pode dar...


Este vídeo já tem uns anos, mas voltou a circular agora pelos motivos que se sabem. E é genial de tão simples que é. Parece óbvio, não é? Se a pessoa não quer chá, não a obriguem a beber chá! Simples, assim. Só que para algumas pessoas (e não apenas para alguns homens), isto parece complicado de perceber. Quanto mais não seja, que esta polémica toda sirva para pôr mais algumas pessoas a pensar sobre isto, a falar sobre isto, a perceber que existem limites e que a vontade própria tem de ter sempre a última palavra.



#MeToo

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Das coisas que mexem comigo...

A injustiça.

A injustiça é algo que mexe profundamente comigo. A injustiça, nas suas mais diversas formas e feitios, é algo que me tira do sério.

E, na semana que passou, foram profundamente injustos comigo. E isso é coisa para me deixar fora de mim e me fazer tomar decisões drásticas.

Lamentavelmente, neste exacto momento da minha vida, não me posso dar ao luxo de decisões particularmente drásticas, pelo que não tive outra opção senão respirar fundo, sorrir e acenar. Mas as coisas hão-de acalmar, eu hei-de recuperar, a vida retomará a sua normalidade, e eu hei-de de arranjar forças para, à minha maneira, me revoltar contra essas injustiças.

Por ora, resta-me continuar nesta espera pela cirurgia que está prestes a acontecer, ao mesmo tempo que me debato entre querer que ela, de facto, aconteça ou que seja adiada, mais uma vez.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Das coisas que me fazem rir...

Sexta-feira à tarde, estava eu descansadinha no trabalho a sonhar com o fim-de-semana, quando vejo aparecer no WhatsApp Web uma nova janela. Uma nova janela com o nome do ex-ex, com quem não falava há um ano.

Respirei fundo, continuei a trabalhar, e passados uns minutos fui ver o que me esperava. E o que me esperava? Aquela mensagem fruto da estratégia muito básica e primitiva, de seu nome "deixa cá fingir que me enganei no destinatário". Dizia olá e perguntava se eu ia ao Marquês no Sábado.

Ignorei. Voltei a respirar fundo e continuei a trabalhar, com um rol de palavrões a correrem-me o cérebro.

A segunda parte desta estratégia genial não tardou. Novas mensagens. A pedir desculpa, que não era para mim, que foi engano, aproveitando para perguntar se estava tudo bem e para mandar um beijo. Assim: um beijo. Toda a gente sabe que nestas coisas da comunicação por vias digitais as despedidas podem ser sempre analisadas e dissecadas: temos um beijinho, beijinhos, bjs, bj, beijo, e muitas outras variações - cada qual com seu grau de importância e significado, dependendo do remetente, obviamente. A escolha de "um beijo", não é aleatória.

Mas... Não respondi. Obviamente, não respondi. Podia ter respondido e teria aqui muitas mais coisas giras para contar e para me rir. Mas não respondi. Se respondesse, possivelmente seria a insultá-lo e a pedir-lhe o dinheiro da multa que tive de pagar por culpa dele, que é coisa demasiado recente, que me irrita profundamente e que calhou numa altura em que não dava mesmo jeito nenhum.

Mas... Não respondi. Ensinou-me a vida que, coisas destas, não merecem resposta. Mas... Sempre dão para rir!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Do que me passa pela cabeça depois de mais um dia de Web Summit...

"If you're not pissed, what is fucking wrong with you?!" - Dave McClure @ Central Stage  WebSummit


Foi com esta e outras frases de indignação e desilusão que Dave McClure pôs uma Meo Arena cheia de pé e a aplaudir.

Entre muitas outras coisas, hoje vi serem levantadas algumas questões importantes e foi lançado um repto a todos os empreendedores e pessoas ligadas à comunicação e aos media ali presentes: pensem no que andam a fazer e assumam a responsabilidade que têm.

Estas eleições não são só importantes para os EUA. São importantes para o Mundo. São importantes para todos nós. Estas eleições mudaram o Mundo e o papel dos meios de comunicação e das redes sociais, bem como o seu impacto.

De quem é a responsabilidade do que vemos acontecer? Qual é o futuro da comunicação? E da democracia? Hoje ouvi alguém (naquele mesmo central stage) a questionar a possibilidade de existir um regulador que controlasse toda a comunicação. Sim, há quem ache que isso é uma solução. Talvez seja melhor pararmos todos para pensar nisto. Caminhamos para uma nova ditadura? Para o fim da democracia? Para a necessidade de voltar a controlar o que se comunica e como?

Todos devemos parar para pensar nisto mas, sobretudo, quem trabalha nestas áreas e pode causar impacto no Mundo. Que Mundo estamos a construir e qual é o limite?

Por outro lado, muitos dos que ouvi bradarem #jesuischarlie, são os que hoje chamam burros e ignorantes aos americanos que exerceram o seu direito de voto. Goste-se, ou não, os americanos votaram em quem quiseram. Eu também não votei na esquerda, e não chamei nomes a quem o fez.

Vamos usar a liberdade que temos, o privilégio que temos no acesso à comunicação, e vamos fazer do Mundo um lugar melhor?

Vamos usar mais as redes sociais para partilhar coisas boas, casos de sucesso, bons exemplos, e menos para instigar ódios, racismos e violências? Vamos criticar menos e aplaudir mais? E nas próximas eleições, vamos todos votar? Vamos exercer o nosso direito (e dever) de voto?

Não quero ser pessimista, dramática ou derrotista, mas gostava mesmo que, nesta era que hoje começa, todos parássemos para pensar um bocadinho no que andamos aqui a fazer e quais os limites da nossa liberdade e da nossa responsabilidade.

sábado, 13 de agosto de 2016

Do ingénua que eu sou...

Ontem passei pelo Conde Redondo às três da manhã e fiquei chocada com o que vi.

Sim, eu sei. Sim, toda a gente sabe.

Mas eu sou princesa, sempre vivi na bolha do meu mundo cor-de-rosa e nunca lá tinha passado àquela hora.

Mas fazem-me bem estes choques de realidade. Este recordar-me do que é a natureza humana e da merda que a vida pode ser, fora do meu reino encantado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Dos desafios de escrita – Day 10 – Reflections...

[Read something (hint: just read one thing, don't get lost in the internet spiral) and respond to it. We spend so much time consuming information without reacting fully to it. Set a timer for 5 minutes. Search for an interesting read. Select the piece (quickly!). Read it. And react, completely, to a piece you find on the internet.]


Infelizmente, aquilo que mais ocupa a internet hoje (a nível nacional, pelo menos), é o flagelo dos incêndios que arrasam o país.

É impossível ficar indiferente. O nosso país está, mais uma vez, a ser destruído pelo fogo. Pelo fogo. Essa força imparável da natureza. Pelo fogo. Acidental ou intencional. O fogo que consome os nossos recursos naturais, que destrói as nossas casas, que acaba com vidas humanas e animais.

De cada vez que vou espreitar as notícias, fico arrepiada e de lágrimas nos olhos. Não consigo imaginar o desespero de quem vê tudo o que tem ser destruído, não consigo imaginar o pânico, a angústia. Ou, talvez (só talvez), consiga.

Há onze anos atrás (parece noutra vida...), estava na Pampilhosa da Serra quando o concelho assistiu ao maior incêndio de sempre naquela zona. Começou como uma coisa pequena, foi crescendo, foi-se alastrando, tornou-se incontrolável e arrasou toda aquela zona. 

Eu nunca tinha assistido a um incêndio, nunca tinha ouvido aquele ruído ensurdecedor, que se ouve mesmo à distância, nunca tinha visto o que é estar a quilómetros do fogo mas ver tudo ficar coberto de cinzas, nunca tinha cheirado aquele cheiro (que ainda ontem me arrepiou quando saí de casa de manhã e o senti novamente), nunca tinha tido a verdadeira noção do que é um incêndio a sério. Só estando lá. Tudo o que tinha visto na televisão não me tinha preparado para a realidade.

Fomos vendo o fogo alastrar-se, dia após dia, sem dar sossego noite após noite, fomos dar leite, água e comida aos bombeiros de todo o país que ali estavam. Fomos vendo o fogo aproximar-se de onde estávamos, sempre sem querer acreditar que se aproximaria demasiado. Achávamos impossível porque estávamos demasiado longe. Mas o incêndio não parou e chegou o momento em que a Protecção Civil mandou evacuar a aldeia onde estávamos. Chegou o momento em que pegámos nos nossos bens, regámos terrenos, paredes e casas, e partimos sem saber o que íamos encontrar quando regressássemos. 

Aquela não era a minha aldeia, mas partilhei a dor dos que estavam comigo e que a conheciam desde sempre. Parece que foi ontem. O largar tudo, o pegar no carro, o olhar para trás na última curva para uma última imagem daquela que era uma das aldeias mais bonitas que já conheci, com  a sua meia-dúzia de casas e o seu ribeiro perdido no vale.

Regressámos no dia seguinte para ver uma aldeia arrasada pelo fogo: o verde tornou-se negro. Não havia árvores, flores, relva. Só o negro. E o cheiro. E a cinza. E a fuligem. 

Durante os anos em que voltei àquela casa, senti sempre aquele cheiro. Mas durante os anos em que voltei àquela aldeia, fui vendo o verde voltar a ganhar terreno. Fui vendo as árvores voltarem a nascer, fui vendo as hortas a serem plantadas, fui vendo as flores voltarem a florir.

Porque o fogo destrói muito. Mas não destrói tudo. O fogo não destrói a nossa força e a nossa capacidade de nos voltarmos a erguer e de reconstruirmos o que foi destruído. O fogo não destrói a solidariedade a que temos assistido. O fogo não destrói a nossa vontade de ajudar quem mais precisa. E por isso, só por isso, tenho a certeza que quando estes fogos acabarem, vamos todos voltar a reconstruir o que for preciso. Porque o fogo não nos destrói a nós.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Dos murros no estômago... - II

Comecei o meu dia feliz e contente: custou-me acordar porque ontem me deitei tarde por bons motivos, vesti uma roupa que me faz sentir bem, comi umas panquecas maravilhosas, havia imensos lugares para estacionar ao pé da estação de comboios, o dia de trabalho previa-se calmo e os planos para o fim do dia eram maravilhosos.

E depois recebo uma SMS. Deste amigo. A dizer que a mãe faleceu esta noite. E eu vinha no comboio e fiquei sem ar. Fiquei, literalmente, a olhar para o telemóvel de boca aberta. Fiquei de lágrimas nos olhos. E, de repente, pus toda a minha vida em perspectiva.

Não imagino o que é alguém com a minha idade perder o pai e a mãe em três meses e meio. Não imagino sequer o que é perder um deles. Os dois então, custa-me só tentar imaginar... O que é que se diz nestas alturas? Que vida é esta? O que será ter de lidar com isto e ultrapassar algo assim?... Não imagino...

E isto fez-me pensar, mais uma vez, no quão privilegiada sou. No quão grata devo ser e estar todos os dias. No valor que devo dar às minhas pessoas enquanto cá andam. Porque, quando elas deixarem de cá andar, o que vai ficar mesmo são os bons momentos, as memórias, as coisas boas.

Hoje vou, mais uma vez, lembrar-me que as minhoquices com que perdemos tempo e nos chateamos, são isso mesmo: minhoquices.

A p*ta da vida é tão curta, caramba... Vamos vivê-la, sim?


terça-feira, 17 de maio de 2016

Dos murros no estômago...

Ontem assisti, pela primeira vez, ao programa "E se fosse consigo?".

E percebi agora por que motivo se tem falado tanto dele!...

Não sei se foi por ter sido este tema em concreto, mas a verdade é que o programa mexeu muito comigo.

A violência doméstica, física ou psicológica, é ainda um tema tabu. Todos nós conhecemos quem sofra ou já tenha sofrido de uma ou ambas.

E todos nós nem sonhamos a quantidade de pessoas à nossa volta que sofrem/sofreram de uma ou ambas.

Porque quem é vítima de violência doméstica... Quem é que assume que é? A quem é que conta que é? Quem é que acredita? Quem é que imagina o que se passa entre quatro paredes?

Quantas e quantas histórias já ouvimos, das quais só tivemos conhecimento quando as coisas ultrapassaram todos os limites?

Falta mais apoio, falta que se fale mais nisto, falta que todos nós saibamos o que é violência. Sobretudo, a violência emocional. Aquela que não é tão clara. Tão óbvia. Aquela em que ficamos na dúvida se é preocupação excessiva, se é violência.

Um dos exemplos que mais mexeu comigo foi quando uma das vítimas contou o que lhe acontecera certa vez, quando o namorado lhe disse que se não tinha nada a esconder, não tinha problemas nenhuns em mostrar-lhe o telemóvel, dar-lhe as passwords, etc. Sim, eu já passei por isso. E fiquei sem resposta. Porque eu não tinha nada a esconder, e se não tinha nada a esconder, só tinha que mostrar tudo. E assim fiz. A chantagem psicológica e a pressão emocional podem ser tremendas. E cedemos. Cedemos uma e outra vez. Em coisas pequenas, em coisas maiores.

Conheço, infelizmente, mais alguns casos deste género. Considero-me uma pessoa inteligente, informada, com educação, com acesso a tudo e mais alguma coisa. E nos outros casos que conheço, o cenário é idêntico.

E é isto que é assustador. É que existam pessoas (mulheres e homens) que se sujeitam a esta violência, sem saberem ao certo ao que se estão a sujeitar.

É assustador, sobretudo, em idades mais jovens. Muitos adolescentes, muitos jovens, acham que estas coisas são normais. Que fazem parte de uma relação.

E cabe-nos a todos nós ensinar-lhes o que é uma relação normal, o que é o respeito, a dignidade, a privacidade, o direito ao espaço e à vida de cada um. Cabe-nos a todos nós passar cada vez mais a mensagem do que é o amor, do que é aceitável numa relação, de qual é o ponto de não retorno. Cabe-nos a todos nós não fechar os olhos e não olhar para lado, da próxima vez que virmos ou ouvirmos uma história destas.

Para que menos mulheres e homens passem por isto no futuro!...

sábado, 14 de novembro de 2015

Do dia de hoje... Da noite de ontem...

Este não seria, à partida, um dia fácil para mim. Nem a noite, nem o dia.

Os atentados em Paris, não ajudaram.

Não sou pessoa de me emocionar facilmente. Não me comovo com tudo e mais alguma coisa.

Mas acordei de manhã e passei os olhos pelo Facebook e percebi que algo de muito errado se passava. Liguei a SIC Notícias e vi imagens que me deixaram em choque. Comecei a ver a imprensa mundial online e foi inevitável. Como? Porquê? Que Mundo é este?

Já não sei se choro pelas imagens que fui vendo ao longo do dia se pelos meus males. 

O que sei, o que retiro de tudo isto e do dia de hoje, é que a vida é demasiado curta. É demasiado imprevisível. Vivemos num Mundo louco. Hoje estamos aqui e amanhã podemos não estar. Estamos à mercê de um bando de doidos. Não podemos nunca saber o amanhã. E, por isso, resta-nos viver a vida. Aproveitá-la. Não perder tempo com o que e com quem não interessa.

A vida é demasiado frágil para que a desperdicemos. A vida é demasiado incerta para que a vivamos com dúvidas, incertezas, medos, mágoas.

Por Paris, pelo Mundo, por mim. Quero viver. Quero ser feliz. E quero fazer por isso.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Das coisas que me inquietam...

Digam-me lá, anda mesmo tudo maluco ou isto sempre foi assim e nós não tínhamos era tanta noção porque não existiam Facebooks e afins?

Que raio de Mundo é este em que vivemos? A sério? Não se aguenta tanto disparate, tanta violência, tanta desgraça. 

Pifou tudo de vez?


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Do que nos faz mal...

Faz-nos mal ouvir notícias.

Hoje já ouvi o nosso PM dizer desapontador e ouvi agora na SIC Notícias que Moscovo é um país...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Das coisas que me chocam...

O Jamie Oliver teve a brilhante ideia de partilhar uma receita de Bacalhau à Brás no seu site e na sua página do Facebook.

É a receita dele. Não é igual à minha. Que, certamente, não é igual à da minha avó ou da minha vizinha. Raramente encontramos duas pessoas a fazer o mesmo prato da mesma maneira. No que toca ao bacalhau então, as receitas são às centenas. Se em Portugal não há duas receitas iguais, entre Portugal e o Reino Unido, há todo um oceano de diferenças (literalmente!).

Não tardou muito para começarem a chover comentários de portugueses. De portugueses muito ofendidos e especialistas da culinária, que se prontificaram a ensinar o Jamie a cozinhar, com direito a fotografias, desenhos e receitas traduzidas via Google Translator.

Já não é a primeira vez que vejo uma situação destas. A outra, se não estou em erro, foi com a Nigella Lawson. Tentou fazer um prato português e caíram-lhe em cima centenas de comentários ofensivos.

Desta vez, até a Rádio Comercial se juntou à festa, o que me faz ainda mais confusão.

A sério? A sério que somos assim tão pequeninos? Não somos capazes de ficar felizes por grandes chefs mundialmente conhecidos se lembrarem que existimos e divulgarem a nossa culinária, a nossa cultura e, em última análise, o nosso país?

Não creio que a receita do Jamie seja assim tão ofensiva nem tão diferente da nossa típica receita de Bacalhau à Brás.

E, sinceramente, envergonha-me ver centenas de portugueses a atacá-lo por ter ousado tentar fazer um prato português.

Que país é este em que vivemos?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Das coisas que continuam a fazer-me confusão...

Seria de esperar que eu já estivesse imune a certas e determinadas coisas. Mas não.

Continua a fazer-me uma confusão tremenda que, perante o cenário económico actual, perante os níveis de desemprego, perante a crise de que tanto se fala, continuem a existir tantas pessoas que não querem trabalhar.

Não querem. Ponto.

E estas pessoas dividem-se em duas categorias:
- as que estão empregadas mas que não valorizam minimamente o emprego que têm, que não se esforçam, que fazem menos que o mínimo exigível e não estão nem aí;

- as que estão desempregadas mas não se preocupam em arranjar emprego, são esquisitas com os empregos, não aceitam menos que X ou Y, não querem fazer o mínimo esforço por um trabalho e um ordenado ao fim do mês.

A crise mudou muita coisa. Mudou algumas pessoas. Mudou algumas mentalidades. Mas há ainda um longo, tão longo, caminho a percorrer...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Da educação no nosso país...

Digam o que quiserem. Que os professores são uns pobres de Cristo. Que não têm condições. Que têm cada vez mais alunos. Que as escolas caem aos bocados. Que os cortes são mais que muitos. Digam o que quiserem e eu aceito.

Mas na prova de avaliação que lhes foi feita houve 63% que deram erros ortográficos na elaboração de um texto (dados do Público). Sessenta e três por cento dos professores avaliados nesta prova não sabem escrever português correctamente.

Assim sendo, quem é que me explica que são estes os professores que queremos para os nossos filhos/irmãos/primos/vizinhos? 


Um dois três, diga lá outra vez...

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...