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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Da Gravidez... - XVII (ou da [in]fertilidade...)

Uma pessoa passa a vida a ouvir histórias de pessoas que engravidam sem querer, que engravidam só por respirar, que engravidam à primeira, e mais um sem fim de coisas que nos fazem acreditar que engravidar é fácil. Uma pessoa fica a achar que é só fazer o amor e puff... Fez-se o bebé! (só para quem se lembra do anúncio do Chocapic).

Depois uma pessoa depara-se com a realidade, que é bem diferente do que vemos nos filmes e ouvimos nas histórias, e percebe que engravidar pode não ser assim tão fácil.

Numa outra vida, eu já tinha tentado engravidar durante um ano, pelo que já sabia que não era fácil.

Desta vez, com mais uma cirurgia pelo meio e mais uns aninhos em cima, eu sabia que ia continuar a não ser fácil. Mas quis fazer diferente. E a melhor forma de fazer diferente, é informarmo-nos. E eu informei-me. Muito.

Antes de mais nada, tive de esperar que passasse o tempo necessário após a minha cirurgia. Depois disso, e de termos a certeza de que era isto que queríamos e que estava na altura certa (se é que isso existe!...), fiz os exames habituais para ter a certeza que estava tudo bem, e comecei a tomar a suplementação recomendada.

Depois disso, fui então informar-me. Comecei pelo trabalho da Patrícia Lemos, com o seu Círculo Perfeito. Vasculhei o seu site de uma ponta à outra, devorei o seu ebook, li tudo o que tinha no Instagram. E eu aprendi. Aprendi tanto, tanto, tanto sobre mim e sobre o meu corpo, que fiquei a achar que passara 35 anos da minha vida completamente a leste do que se passava em mim. Sem fundamentalismos nem extremismos, mas a verdade é que somos muito mal preparados para estas questões do auto-conhecimento e da fertilidade. Acho que todas as mulheres deviam ler o ebook dela e perder um bocadinho de tempo a pensar sobre este tema, que não tem nada a ver com querer engravidar. 

Ainda me choca a quantidade de mulheres que oiço dizer que tomam a pílula para regular o período, ou que usam aplicações para ver o dia da ovulação (que, curiosamente, calha sempre no meio do ciclo...). Não critico, não condeno, não censuro. Eu também era assim. Mas, depois, informei-me. E agora sinto-me um bocadinho no dever de informar e espalhar a palavra pelas pessoas à minha volta.

Nesta luta para perceber melhor o meu corpo e o meu sistema reprodutor, também comprei a bíblia da fertilidade feminina: o livro Taking Charge of Your Fertility. Mais uma vez, não se trata apenas de conseguir engravidar. Trata-se, acima de tudo, de entender o nosso corpo, saber percebê-lo, conhecê-lo e ler os seus sinais.

Em ambos os casos, é abordado o Método Natural de Fertilidade (Fertility Awareness Method), que é um método que ajuda a engravidar, evitar uma gravidez e, acima de tudo, a conhecer o nosso ciclo e detectar eventuais problemas (as hormonas que produzimos dizem muito mais sobre nós do que poderíamos imaginar). Foi assim que eu comecei a olhar para mim e para o meu ciclo com outros olhos, a estar atenta aos sinais, a fazer o registo da minha temperatura basal, a olhar para gráficos e curvas. Aqui sim, existem aplicações que podem ser úteis, desde que devidamente alimentadas com a informação necessária (a informação é mesmo tudo e, sem ela, não há milagres).

Foram meses de descoberta, de aprendizagem, sempre com um sentimento de choque em relação ao quão mal andei a tratar o meu corpo durante tantos anos!... Não percebo como é que não há mais informação e mais atenção a um tema tão importante, e andamos a encher as adolescentes, e futuras mulheres, de pílulas, só porque sim e porque é mais prático.

No meu caso, mesmo assim, a coisa não foi tão rápida como gostaria, e em Setembro passado tive uma consulta na MAC. Nessa consulta, e perante o meu historial e a minha idade, a obstetra decidiu encaminhar-me para a Consulta de Apoio à Fertilidade. Ainda me lembro do que me custou subir as escadas até esse departamento, o ar pesado que lá senti, e a quase vergonha ao dizer que estava ali para me inscrever naquelas consultas. Deram-me um monte de papéis para preencher com dados meus e dele, pediram-me para aguardar uns minutos que pareceram horas, e fizeram uma primeira consulta de triagem. Aí, disseram-me logo: os tempos de espera para a primeira consulta eram de cerca de um ano.

Como se não bastasse o que custa uma pessoa andar a tentar e, mês após mês, não conseguir, ainda tem de esperar um ano por uma consulta de especialidade, numa especialidade que, só por si, luta contra o tempo. Triste país o nosso, no que toca à saúde!...

Apesar de tudo, do choque do encaminhamento para esta consulta, do choque do tempo de espera, do abanão que levei, ao fim de uns dias eu consegui mentalizar-me que isto não era uma sentença de morte. Que era apenas uma recomendação da médica, uma forma de "pouparmos" tempo se eu não conseguisse entretanto, porque os tempos de espera eram mesmo absurdos. Apesar de tudo, eu tentei não desanimar, continuei a cuidar do meu corpo, continuámos a tentar.

No ciclo seguinte, engravidei. 

Nove meses depois, no mesmo dia em que eu soube que ia fazer uma cesariana, no preciso instante em que saía dessa consulta, toca o meu telemóvel e eu vejo no ecrã: MAC. Era para marcarem a primeira consulta.

Coincidências ou curiosidades da vida. Nem sei...

Isto tudo para dizer: informem-se, leiam, aprendam, conheçam o vosso corpo e os sinais que ele vos dá. Não se deixem levar (e frustrar) pela história dos ciclos de 28 dias e a ovulação ao 14º dia. Esqueçam aplicações com algoritmos fraquinhos que dão o mesmo resultado a toda a gente, quando toda a gente é diferente. Seja para engravidar, para evitar uma gravidez, ou só para saber se está tudo bem: oiçam o vosso corpo.


E, com este post, encerro (por ora) o tema da gravidez. Talvez se me lembrar de mais alguma coisa, volte a ele, mas acho que isto já se arrasta há demasiado tempo, já nem eu tenho paciência para mim, e acho que acabamos em bom. Seguem-se 137 posts sobre a aventura que é a maternidade e o pós-gravidez, pois claro.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Da ilustração que faltou no post anterior...


Os exemplos são mais do que muitos, mas cruzei-me agora mesmo com esta publicação no Facebook e achei tão apropriada ao post anterior, que não resisti... 

Da Gravidez... - XII (ou da Toxoplasmose...)

Um dos temas que causa muito debate e troca de opiniões durante a gravidez é a toxoplasmose. O nível de desinformação é chocante, e o alarmismo é elevado.

Calhou que eu não sou imune à toxoplasmose. Eu tinha esperança de ser e poder ter uma gravidez sem me preocupar com esse tema, mas não sou.

Assim, investiguei muito sobre a gravidez e a toxoplasmose. Li artigos, pesquisei, informei-me. Informação é poder e fiquei com a clara sensação de que ainda não há informação suficiente sobre a gravidez e a toxoplasmose, o que leva à proliferação de mitos e crenças tontas. Talvez seja um tema que não renda muito dinheiro, e ninguém se dedica muito a estudá-lo, apesar de ter encontrado um artigo que referia estar em estudo uma vacina para a toxoplasmose... 

O único estudo que encontrei que referia a taxa de prevalência da toxoplasmose na gravidez em Portugal, falava numa taxa de 1,04%, mas era um estudo antigo. Ainda assim, este é uma taxa bastante baixa, o que não significa que este tema não mereça preocupação, uma vez que apesar da baixa probabilidade, o impacto de contrair toxoplasmose durante a gravidez, pode ser muito elevado, e ninguém quer isso.

Além das confusões habituais que se multiplicam nos famosos grupos de mães no Facebook, em que a toxoplasmose é associada a coisas como marisco, e em que há quem ache boa ideia excluir completamente da alimentação coisas como alface, tomate e frutas que não se possam descascar, há o eterno drama à volta dos gatos, que mexe com o meu sistema nervoso.

Sim, em 2020 ainda há quem use a toxoplasmose como desculpa para se ver livre dos gatos, durante a gravidez. Não sei se por ignorância ou por conveniência, mas é assustador.

Vamos lá ver...

Não vou entrar aqui em explicações demasiado técnicas e perdoem qualquer incorrecção, que não sou minimamente da área mas, basicamente, para um gato poder espalhar toxoplasmose por aí, ele tem de ter ingerido carne de animais infectados com toxoplasmose (ratos ou pássaros, por exemplo). Só assim, o gato contrai o parasita e expele os seus "ovos" nas suas fezes, coisa que acontece durante cerca de 14 dias e apenas uma vez durante toda a existência do gato (em gatos saudáveis, pelo menos). Para que uma grávida contraia toxoplasmose, a grávida tem de ingerir esses "ovos". Ou seja, precisa de comer essas fezes contaminadas ou andar a mexer-lhes com as mãos e levá-las à boca sem as lavar. Aqui entra também a questão dos cuidados com frutas e legumes frescos, que devem ser bem lavados, porque pode dar-se o caso de um gato que tenha o parasita durante aqueles exactos 14 dias ter feito as suas fezes em cima da maçã ou alface que vamos comer. Escrito assim, parece-me meio ridículo, mas talvez o problema seja só meu. 

Voltemos aos gatos de casa. No caso do meu Snow, que está comigo há 4 anos, que não tem contacto com outros animais, que não tem acesso ao exterior (ele bem queria), que não come carnes cruas (ele bem queria), digamos que a probabilidade de ele poder ter o parasita da toxoplasmose é assim a modos que nula... E, mesmo que o tivesse, seria por um período muito limitado no tempo. E, ainda assim, eu tinha de ingerir os ditos "ovos"... Assim, a probabilidade de eu poder contrair toxoplasmose graças a ele, é assim a modos que menos que nula... 

Eu sei que, saindo do contexto de cidade, há muita gente que tem gatos que andam na rua. Também sei que há muitos artigos estrangeiros, em que as realidades são bem diferentes, uma vez que em países como o UK o normal é os gatos entrarem e saírem de casa a toda a hora. Nesses casos, a preocupação deve ser diferente. Mas precisamos de ter a capacidade de pensar na nossa situação específica e no nosso caso.

E, no meu caso, não seria pelo Snow que eu iria contrair toxoplasmose. Ainda assim, o louco mais louco do que eu, a partir de certa altura, insistiu em ser ele a limpar a casota. Por mais que eu lhe tentasse explicar que não havia problema, ele quis fazer essa tarefa. E eu, obviamente, também não me queixei, não é verdade?

Posto isto: parai de crucificar os gatos por causa da toxoplasmose, e preocupem-se mais com as carnes mal passadas e as saladas e frutas fora de casa. Mas também não entrem em paranóia e não excluam da alimentação alguns alimentos que são tão importantes e saudáveis... Bom senso e informação nunca são demais... E deixem os gatos em paz!

sábado, 16 de maio de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 137 (ou do medo do que aí vem...)


Ele correu. Eu caminhei. Ao final da tarde, perto da hora de jantar, num Parque das Nações demasiado cheio, que me assustou e deixou preocupada. 

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista. 

Mas fiquei em choque com o que vi. Fiquei arrependida de ter ido. Encurtei o meu percurso e, mesmo de máscara, esforcei-me por me afastar sempre o mais possível de quem se cruzava comigo. Mas senti-me a maluquinha. Porque mais ninguém parecia preocupado com isso. Raras foram as pessoas que vi de máscara (não é obrigatório, eu sei). Muitas foram as pessoas que passaram coladas a mim (entre ciclistas e corredores que me ultrapassaram, perdi a conta). Vi grupos de mais de 10 pessoas a fazer piqueniques. Vi os dois skate parks, ambos completamente vedados com grades, cheios de miúdos e graúdos. Fiquei na dúvida se as grades estariam ali para impedir a Covid de entrar, protegendo quem se encontrava lá dentro.

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista. 

Mas também fiquei em choque com as imagens de um Primeiro-Ministro a passear no Chiado, a jogar ao põe e tira a máscara. A dar o pior exemplo possível. A dizer às pessoas que saiam de casa e vão às compras, quando horas antes tinha dito que continua a existir dever de recolhimento.

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista.

Mas tenho medo do que aí vem. Muito medo. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Do Serviço Nacional de Saúde...

Importa começar por dizer que eu sou uma acérrima defensora do Serviço Nacional de Saúde. SNS, para os amigos.

Já aqui falei deste tema noutras ocasiões, e acho que é das coisas mais importantes que temos e que deve ser preservado e valorizado. 

Ultimamente, lemos e ouvimos cada vez mais notícias sobre a degradação do SNS, sobre as greves, sobre as faltas de pessoal, sobre a degradação das condições e sobre a dificuldade no acesso àquele que é um direito básico e consagrado na nossa Constituição. 

Em Setembro, no espaço de poucos dias, tive experiências completamente opostas no SNS. 

Como já por aqui contei, no dia do casamento da minha irmã, eu ainda dei um salto às urgências pela manhã. Fiz o que achei melhor na altura: liguei para a Saúde 24 (um serviço que merece todas as minhas vénias e aplausos), falei com uma enfermeira amorosa que me fez mil e uma perguntas, e que me disse que o melhor mesmo era ir às urgências, verificar se tinha o dedo partido ou não. 

E lá fui eu, para o hospital da minha área de residência. Entre entrar, ir à recepção, passar pela triagem, fazer um raio-x, ter a consulta com o médico, e ir novamente à recepção, demorei menos de 30 minutos. Menos de 30 minutos. Sim, era Sábado de manhã, estávamos em Setembro e estava um belo dia de praia. Mas foram 30 minutos para uma situação que era tudo menos urgente.

Além do espanto com a rapidez do atendimento, ainda fiz figura de tola, porque fui perguntar quanto e onde é que se pagava. Porque não paguei nada. Nada de nada. Nem sequer o parque de estacionamento, cujo ticket me validaram na recepção.

Parece que por ter sido encaminhada pela Saúde 24, estava isenta da taxa moderadora. Felizmente, não vou vezes suficientes às urgências para saber disto. Mas parece que é mesmo assim. 

E esta situação deixou-me perplexa e a pensar sobre o assunto.

Dias depois, numa consulta num dos maiores hospitais do país na sua área de actuação, fui encaminhada pela minha médica para uma consulta dentro do mesmo hospital, mas de uma área específica. Fui inscrever-me nessa consulta e disseram-me que o tempo de espera médio para a primeira consulta é de um ano. Um ano. Numa especialidade em que, por definição, estamos a lutar contra o tempo.

E esta situação deixou-me perplexa e a pensar sobre o assunto.

Eu não sei se concordo com o facto de não ter pago nada, ou de pagar uma ninharia, quando vou às urgências ou a uma consulta no SNS. A sério. Não me faz muito sentido usufruir de um serviço e não pagar por ele. Porque eu posso pagar por ele.

Acho que a saúde deve ser gratuita para quem, de facto, não a pode pagar. Acho que o Estado social deve intervir quando é necessário. Mas também acho que deve ser equilibrado e sustentável. E não me parece que o seja, nem de longe nem de perto.

Eu sei que há muito quem não concorde. Há quem ache que, como pagamos impostos, devemos ter direito a tudo e mais alguma coisa. Eu, sinceramente, não tenho uma opinião fechada sobre isso. Mas acho que não é justo que eu não pague nada, e que alguém com dificuldades tenha de pagar a taxa moderadora de umas urgências. Não sei. Talvez criar escalões? Inventam tanta coisa, inventem também uma forma de ajudar quem realmente precisa, mas sem fazer do SNS um buraco sem fundo de dívidas. 

Sim, todos os meses o Estado recebe umas centenas de euros à minha conta, entre o que eu desconto e a minha entidade empregadora desconta. Mas desconfio que isso não seja suficiente para pagar o que eu usufruo em saúde, em polícia, em estradas, em escolas, em mil e uma coisas. E muito menos será suficiente para pagar a minha reforma um dia. 

Se eu posso pagar, eu acho que devia pagar. Quanto mais não seja, porque se houvesse mais gente a pagar, ou se os preços fossem adaptados às possibilidades de cada um (como nos jardins-escola, por exemplo), talvez houvesse dinheiro para mais médicos. Talvez se o sistema fosse mais equilibrado e sustentável, os tempos de espera reduzissem.

Sim. Eu preferia pagar 20 euros da taxa moderadora, mais 10 ou 15 ou 20 ou o que fosse do raio-x que fiz. Preferia pagar o parque de estacionamento. Preferia pagar. A sério que preferia. E talvez assim eu não tivesse de esperar um ano por uma consulta de especialidade. 

Mas, lamentavelmente, não há essa opção. O SNS continua a definhar. E eu vou continuar a ver o tempo a passar.

Se me podia virar para o privado? Podia. Mas sempre achei que, para o que realmente importa, é no SNS que devemos estar. Porque é lá que estão os maiores especialistas, os tratamentos mais avançados, os melhores equipamentos. Ou estavam. Que agora já nem sei.

Uma última nota, em jeito de curiosidade: o hospital onde vou esperar um ano por uma consulta, é de gestão pública, o hospital onde demorei 30 minutos nas urgências, é uma PPP. Vale o que vale. Ou então não vale nada.

Só sei que nada sei. Que estou confusa e perdida. E preocupada. Muito preocupada. Porque se nos falha a saúde e a educação (que está pelas ruas da amargura), não sei que país será este... 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Das eleições...

Acho que nunca acompanhei tanto umas eleições como estas. Nem sei bem por que motivo, mas talvez por estar, de facto, preocupada com o que aí vem nos próximos anos. Algo me diz que não será nada de bom... Mas talvez seja apenas eu a ser pessimista.

A verdade é que li artigos e programas eleitorais, assisti a debates mais sérios e assisti ao "Gente Que Não Sabe Estar" (mais relevante do que se possa imaginar, e a única altura em que dou audiência à TVI), tentei informar-me o mais possível, apesar de o meu voto já estar relativamente decidido há bastante tempo.

Por curiosidade, experimentei uma daquelas "Bússolas Eleitorais", que não me deu novidade nenhuma.

E Domingo lá fui votar. Porque não via outra opção que não essa.

Estas eleições (ou os seus resultados) surpreenderam-me a vários níveis. Alguns mais óbvios, outros menos.

A abstenção continua a surpreender-me. E vai surpreender-me sempre. Não entendo. A sério que não entendo quem tem a possibilidade de ir votar, de mostrar a sua opinião, de expressar o seu desejo, e opta por não o fazer. Quem opta por se desresponsabilizar do que se passa no país. Não entendo. Não é por mal. E se houver por aí alguém que me queira tentar explicar, a caixa de comentários ou a de email estão à disposição. Porque eu gostava de conseguir perceber.

A vitória do PS não me surpreendeu. Obviamente, não me surpreendeu. Preocupou-me, mas não me surpreendeu.

O que também me surpreendeu foram os três novos partidos com assento parlamentar! Escusado será dizer que o facto de o Chega ter conseguido um deputado me surpreendeu e preocupou. Que país é este que quer um partido destes no Governo? Mais uma vez, aceito quem me explique... Já a eleição de um deputado do Iniciativa Liberal e uma deputada do Livre, a que se juntam mais deputados do PAN, é algo que vejo com muito bons olhos. Ainda que a deputada do PSN por Setúbal saiba menos do programa eleitoral deles do que eu, mas é o que temos... 

Precisamos de mais diversidade no parlamento. Precisamos de novas ideias, de sangue novo. Independentemente de concordar com muito ou pouco do que cada um destes partidos defende, acho que é bom que o poder não esteja tão concentrado nos dois do costume. Há muitos países por essa Europa fora em que os dois maiores partidos têm menos poder, estando o mesmo mais distribuído por partidos mais pequenos, o que acaba por resultar.

Estou curiosa para ver o que aí vem. Já há quem diga para se reservarem as suites do Ritz para os amigos da Troika voltarem... Espero que não, mas acredito que seja uma possibilidade. 

Espero mesmo estar enganada. Espero mesmo que estas novas presenças em São Bento consigam abanar as águas, por pouco que seja. Espero que este país se endireite, e possamos ter a qualidade de vida que merecemos. Ou será que não merecemos? É que olhando para a taxa de abstenção, tenho as minhas dúvidas...

sábado, 22 de junho de 2019

Da animação que é viver com um daltónico... - III

Enquanto corria pela Serra Amarela fora, lembrei-me do meu daltónico preferido. Lembrei-me de uma prova anterior em que ele se tinha queixado da dificuldade em identificar as fitas marcadoras do seu percurso, por causa da sua côr. Já não me lembrava ao certo qual era a côr que tinha gerado confusão, mas pensei para mim que esperava que tudo estivesse a correr bem com aquelas fitas, pois, para mim, o percurso parecia-me extremamente bem marcado (ocorreu-me mesmo que podia até haver quem achasse que estava exageradamente marcado, porque há sempre quem goste de criticar só porque sim).

Pois que não. Se lhe perguntarem, ele não achou o percurso nada bem marcado, teve várias vezes dificuldades em saber por onde seguir, e houve inclusivamente uma situação em que só se conseguiu orientar porque passou por ele um atleta em modo muito acelerado, que, sem a mínima hesitação, seguiu caminho, mostrando-lhe por onde devia ir.

Este é um dos momentos em que ser daltónico não é só uma coisa gira, com a qual eu posso gozar por aqui e por aí. Ser daltónico também é... [inserir música de fundo dramática] Uma questão de vida ou de morte! Ou quase, vá...Pode ser, de facto, uma questão de segurança. Não imagino o desespero dele em algumas situações, mas pelo que me contou, a coisa não foi fácil... E eu fico aflita por ele! Porque nunca passei por isso e não imagino o que seja.

Claro que lhe disse que podia enviar um email à organização, de forma simpática e cordial, a explicar a situação. Porque acredito, piamente, que quem escolhe as cores das fitas para fazer marcações de percursos em prova, não se lembre sequer deste pequeno pormenor. Se não fosse ter um daltónico ao lado, eu jamais me lembraria!... Só quando convivemos com as situações é que elas ganham relevância para nós. Mas também acredito que, em sendo sensibilizadas para esta questão, algumas organizações pudessem optar por fitas de outras cores, porque não lhes faria grande diferença.

Pelos vistos, as fitas alaranjadas confundem-se muito no meio da folhagem. Quer-me parecer que ele vê tudo entre o verde e o castanho, mas a verdade é que não sei ao certo, porque discutir cores com um daltónico é assim a modos que discutir física quântica (para mim, talvez não para ele). Ainda há dias lhe perguntei o que achava da minha cor nova de verniz, e depois de ele me dizer que era gira, perguntei-lhe se sabia que cor era. Não sabia. Claro que não sabia. 

Entretanto, fui investigar um pouco sobre o tema (viva o Google!). Parece que existem vários tipos de daltonismo, e o mais comum é mesmo o que gera confusão entre os verdes e os vermelhos. Encontrei estas imagens:


Quero acreditar que isto possa estar um pouco exagerado, ou que possa representar uma situação de extremos. Não quero acreditar que o meu daltónico vê mesmo o mundo assim, porque isso seria demasiado triste e deprimente... Mas fica explicado porque é que as fitas laranjas não funcionam para ele!... Imaginem andar no meio daquele verde todo e daquela folhagem toda, à procura de fitas alaranjadas?...

Acho que vou deixar de gozar com ele por ser daltónico!... Ou talvez não.

domingo, 26 de maio de 2019

Do dia de hoje...

Eu gostava de vir aqui escrever o relato do Almonda, enquanto ainda está fresco e as emoções estão à flor da pele (para o bem e para o mal).

Mas não consigo. 

Estou demasiado chocada com os valores da abstenção. Talvez não devesse, não é verdade? Mas estou. Porque, às vezes, tenho fé nas pessoas e acredito que as coisas podem mudar. Mas não mudam.

Continuamos um país de gente indiferente, com pouco ou nenhum sentido cívico, que não aproveita as oportunidades que tem para manifestar as suas opiniões, mas que adora criticar tudo e todos, de preferência, nas redes sociais.

Isto cansa-me. Deprime-me. Envergonha-me. Custa-me que, nisto como noutras coisas, não me reveja no meu país. Mas a verdade é essa.

E, pasmem-se, enquanto continuarmos assim, vão lá continuar os mesmos de sempre, a fazer o mesmo de sempre. E esta, hein? 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Da pressão que nos colocam(os)...

Há dias dei comigo a pensar sobre estas novas correntes que nos dizem que não nos podemos contentar com nada menos do que a perfeição, que temos de lutar pelo que merecemos, que temos de querer sempre mais e melhor, e afins. Tenho tido muito tempo livre, eu sei.

Mas a verdade é que, ainda que ache isto tudo muito bonito, acho que tudo isto não faz mais do que criar pessoas permanentemente insatisfeitas, que nunca valorizam o que têm, que estão sempre a pensar se não poderiam ter mais e melhor.

Claro que devemos lutar pelo que nos faz felizes. Mas vamos todos despedir-nos dos nossos empregos se não nos fizerem felizes? Não, não vamos. Porque não há empregos perfeitos. Há uns melhores, há outros piores. E podemos, e devemos, procurar os melhores, mas devemos também saber aceitar quando já temos um bom emprego (e isso significa coisas diferentes para pessoas diferentes) e não estar permanentemente à procura de um melhor, achando sempre que o que temos não é suficiente.

E falei de empregos como podia ter falado de casas, de relações, de corpos, de qualquer outra coisa.

Como é que nos tornámos nesta sociedade obcecada com a perfeição? Às tantas, nem sei se somos obcecados com a perfeição. Porque, para isso, era preciso que soubéssemos o que é a perfeição e, na maioria dos casos, acho que nem isso sabemos. Somos, isso sim, obcecados pelo mais, pelo melhor. Temos uma dificuldade tremenda em simplesmente aceitar o que de bom temos, respirar fundo, e ser feliz.

É certo que há uma linha muito ténue que separa esta última realidade do conformismo. Não acredito que devamos ser conformistas. Mas acredito, muito, que temos de encontrar essa linha. Temos de aprender a lutar pelo que nos faz felizes, mas depois temos de aceitar e dar valor ao que temos, ao invés de nos sentirmos sempre infelizes a pensar que podíamos ter ainda melhor.

Nem todos acordamos super felizes por ir para o trabalho  que adoramos, nem todos temos corpos perfeitos, nem todos temos relações fáceis e descomplicadas, nem todos temos as contas recheadas, nem todos acordamos felizes todos os dias. E então?

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Das coisas que eu faço para me entreter... Ou do estado do recrutamento em Portugal...

Isto de estar de baixa deixa-me com muito tempo livre e tenho de me entreter, claro está.

Acabei de responder a este anúncio de emprego.

Depois de me apresentar, de descrever a minha experiência profissional, de referir todas as minhas competências e conhecimentos técnicos, que correspondem a tudo o que pedem, acabei com: Como compreenderá, com toda esta experiência e conhecimentos, não sou elegível para um estágio profissional do IEFP, mas desejo-lhe o maior sucesso a encontrar quem seja!

Foi mais forte do que eu. Lamento.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Das coisas que mexem comigo...

A injustiça.

A injustiça é algo que mexe profundamente comigo. A injustiça, nas suas mais diversas formas e feitios, é algo que me tira do sério.

E, na semana que passou, foram profundamente injustos comigo. E isso é coisa para me deixar fora de mim e me fazer tomar decisões drásticas.

Lamentavelmente, neste exacto momento da minha vida, não me posso dar ao luxo de decisões particularmente drásticas, pelo que não tive outra opção senão respirar fundo, sorrir e acenar. Mas as coisas hão-de acalmar, eu hei-de recuperar, a vida retomará a sua normalidade, e eu hei-de de arranjar forças para, à minha maneira, me revoltar contra essas injustiças.

Por ora, resta-me continuar nesta espera pela cirurgia que está prestes a acontecer, ao mesmo tempo que me debato entre querer que ela, de facto, aconteça ou que seja adiada, mais uma vez.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Das coisas que eu oiço pela manhã...

Fui há pouco fazer a prova do vestido que vou levar ao casamento de Sábado. Vamos ignorar o facto de, a 3 dias do casamento, eu não ter o vestido pronto porque a costureira se esqueceu dele. 

Foquemo-nos no essencial: a prova de há pouco. Pois que uma das coisas que eu queria ver resolvida no vestido era o facto de se ver o soutien junto à axila. É o que dá ser pequena e ter sempre tecido de sobra nas alças e nos ombros. Pois que, pelos vistos, a solução é fácil e eu é que não percebo nada do assunto: basta vestir o cai-cai ao contrário e o problema fica resolvido.

Ela disse-me isto. Repetidas vezes. Muito convicta. E eu, com pouca vontade de ter discussões profundas sobre a utilização de soutiens antes das nove da manhã, sorri e acenei.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Dos meus pedidos ao São Pedro...

Caro São Pedro, 

Eu sei que nesta altura deves receber imensos pedidos de imensa gente. Mas, confesso, tenho alguma esperança que tantos pedidos te façam reconsiderar o que tens estado a fazer.

Estamos em Junho. Na próxima semana há um feriado. E eu, como tem sido habitual nos últimos anos, tenho férias marcadas. Como talvez te recordes, ou não, porque certamente tens mais em que pensar, eu costumo ir para Lagos nesta altura. E, regra geral, está um tempo espectacular e eu consigo fazer uma semana de praia óptima que me permite acabar com esta cor de lula e entrar no Verão com um tom de pele mais simpático e condizente com as cores da estação. 

Este ano isso não vai acontecer. E não vai acontecer por dois motivos, sendo que um deles tu não controlas, é certo. Este ano eu não vou de férias para Lagos. E ainda bem. Porque com este tempo miserável, se eu fosse para Lagos, ia morrer de tédio. Fizeste-me essa gracinha quando lá estive em Abril e eu não me queixei porque tinha um treino de 25km para fazer. Mas agora já não tenho treinos para fazer. Nenhuns.

O que eu tenho para fazer é ir ao Porto este fim-de-semana. E não só vou ao Porto, como vou ao Primavera. O Primavera é um festival de música no Parque da Cidade. Ao ar livre, portanto. Eu não sei se tu costumas ir a festivais de música. Eu não, mas agora  aparecem-me com bilhetes em casa e obrigam-me a ir a estas coisas e eu lá faço o sacrifício. Mas, dizia eu, talvez não saibas mas festivais de música e mau tempo não combinam. É chato, como diria alguém.

Além disso, eu gostava muito de, já que não vou para Lagos, ir à praia segunda e terça feira aqui em Lisboa. E, não querendo parecer esquisitinha, mais uma vez, praia e mau tempo não combinam. Ou bronzeado e mau tempo não combinam, vá.

Convenhamos que este tempo não é normal para esta altura. Estamos em pleno mês de Junho e, esta manhã, foi num acto de rebeldia pura que eu me recusei a vestir collants. Ainda estive com elas na mão, acreditas? Mas depois achei que vestir collants em Junho era um ultraje. E vim de vestido e perna ao léu. Se tiver frio porque estão 16°, paciência. Mas Junho não combina com collants (ou meias de vidro ou lá como se chamam).

Para não abusar da tua boa vontade, nem sequer te peço bom tempo para Londres. Até porque ambos sabemos que isso é impossível, não é verdade?

Mas pensa nisto. Com carinho. Eu e milhões de pessoas agradecemos. 

sábado, 19 de maio de 2018

Do Estrela Grande Trail 2018... - II

Pois que está feito.

Eu sabia que não ia ser uma prova tão feliz como a do ano passado. Era difícil, para não dizer, impossível.

Ainda assim, não esperava que fosse tão menos feliz!...

Lição número 1 nesta luta Pessoas VS Serra da Estrela: a Serra ganha sempre. Não vale a pena.

Lição número 2: ir fazer uma prova na Serra da Estrela sem treinar, é disparate. Para não dizer, pura burrice. 

Lição número 3: nunca, mas nunca, subestimar a Serra. Mesmo que seja uma prova curta. Mesmo que seja uma prova que já conhecemos. Mesmo que nos achemos "os maiores e que vamos lá e fazemos aquilo na boa". Não. Não fazemos.

Ou melhor, fazemos. Mas em sofrimento. E pagar para sofrer, ainda que seja uma opção perfeitamente válida porque cada um sabe de si, não é bem o que eu quero para mim.

Depois deste momento pedagógico para referência futura, e porque eu acredito que é importante aprendermos com os erros (e se eu hoje aprendi!), passemos ao que interessa.


Acordámos às seis e um quarto, com esta vista da janela do quarto do hotel nas Penhas da Saúde, e com o fresco dos seis graus a fazer-se sentir. O hotel, a muito custo, preparou um saco com um pequeno-almoço improvisado. Valeu-nos termos vindo prevenidos de casa. Sim, eu vim de Lisboa com panquecas e iogurtes e fruta e frutos secos e tudo e tudo e tudo.

Saímos para Manteigas e às oito foi a partida dos loucos (o meu e os outros), que iam para os 49km. Restavam-me duas horas até à minha prova!... Fui beber um chá, fui à casa-de-banho, descobri um tasco com wi-fi, vi e revi o percurso e o material, e lá chegou a minha hora.


Estas partidas são sempre relativamente calmas: éramos perto de cem atletas, o que é muito pouco. Mas o entusiasmo era muito e até eu começava a entrar no espírito. Dez em ponto e lá fomos. A prova começa com um quilómetro a descer, e depois é praticamente sempre a subir até aos 9km (com umas partes planas ou ligeiramente a descer lá pelo meio, mas coisa pouca).


Aproveitei para ir tirando fotos. Muitas fotos. Conseguem ver o coração da montanha?

A prova corria relativamente bem, eu ia a fazer o ritmo que desejava (ligeiramente abaixo do do ano passado), e claro que me sentia cansada. Mas ia gerindo. Sem muita pressão, e sabendo que a primeira parte da prova era para ser feita mais a caminhar do que a correr. Acabei por perder algum tempo nesta fase porque a dada altura me aproximo de uma rapariga que estava com uma senhora e não parecia muito bem. E não estava. Deve ter tido uma quebra de tensão, e acabou deitada no chão, de pernas para o ar, com outra corredora a dar-lhe isotónico e eu a dar-lhe uma goma, para ver se a coisa melhorava. Eventualmente, acabou por melhorar.

Estava muito, muito calor. Houve alturas em que não tínhamos qualquer sombra e estava muito quente, de facto. A Serra engana, também nisto. Porque achamos que aquilo é fresco e, na verdade, não é tanto assim... É muito fácil distrairmo-nos e não bebermos água suficiente, por exemplo. E depois acontecem estas coisas... Que, para mim, são assustadoras e são uma das coisas que me preocupa sempre no trail. Há momentos em que estamos em sítios em que, se nos acontecer alguma coisa, vai demorar até que nos possam ir buscar!... Daí que as exigências com os materiais obrigatórios possam parecer chatas, mas podem mesmo fazer toda a diferença!...


Lá continuei a correr e esta parte foi já depois do abastecimento, no Poço do Inferno, naquela que é a pior subida de toda a prova. Na foto não dá para perceber bem, mas esta subida era bem dura e difícil, pelo meio de rochas, em modo escalada e sem ter onde pôr os pés. Um dos problemas de ser baixinha revela-se no trail: a ginástica que eu faço quando tenho de subir estes "degraus" gigantes...


E aqui começa a descida, já com Manteigas ao fundo. Se no ano passado eu adorei a descida, porque fui sempre sozinha e levezinha por ali a baixo, qual cabra do monte a saltitar de rocha em rocha, este ano a descida foi particularmente difícil. Ao ponto de eu ter feito algumas partes a caminhar. Esta parte do percurso é chata porque o solo é praticamente sempre irregular, com pedras grandes e pedras pequenas soltas, e obrigam a uma grande concentração para vermos bem onde pomos os pés. Isso e obrigam a uma grande ginástica nos tornozelos. E o meu tornozelo direito não gostou dessa ginástica. E eu tive dores. Muitas. E depois a coxa esquerda juntou-se à festa. E eu tive dores. Muitas. E percebi que estava a fazer um tempo miserável em relação ao ano passado. E entre as dores e a desmoralização com o tempo que estava a fazer, foram uns últimos quilómetros difíceis.


Mais eis que volto a entrar em Manteigas. Faço aquela subida final maravilhosa. E dou comigo na passadeira amarela, com o pórtico à minha frente.

Na lateral do corredor final, algumas pessoas batem palmas e incentivam, o speaker pede um esforço final para acabar a correr e um sorriso, eu correspondo, o fotógrafo prepara a objectiva, eu passo o pórtico vermelho da Prozis, já só faltam uns metros para o pórtico final, e eis que sou ultrapassada por uma atleta, que se mete à minha frente de braços abertos e acaba a prova primeiro do que eu.

E eu fiquei parva, sem reacção. Eu sei, se calhar, sou eu que ando demasiado sensível. Eu sei, o problema sou eu, não ela. Mas confesso que mexeu comigo e me deixou com um sentimento triste em relação à prova e ao seu final. Esta atleta esteve o tempo todo atrás de mim, excepto quando foi o abastecimento, porque eu parei mais tempo do que ela. Nem duzentos metros depois do abastecimento, eu ultrapassei-a e fui sempre à frente dela. Sempre. Talvez com a minha lentidão na descida ela se tivesse começado a aproximar, e na subida final em Manteigas, eu apercebi-me que ela vinha atrás de mim. Mas atrás, sempre atrás.

Eu jamais seria capaz de ultrapassar uma atleta que fez a prova toda à minha frente, a três metros da meta!... Que gozo é que isso dá?...

Eu sei. O problema é meu. Eu é que estou errada. Ela tinha todo o direito de fazer o que bem entendesse e acabar a prova como bem queria. Eu sei. Estou a escrever a quente e um dia vou arrepender-me.

Mas fiquei triste. Pronto. Deve ser mesmo por andar sensível. Ignoremos.


Ainda está para nascer um pórtico mais bonito do que este! Gosto mesmo dele e não resisti a tirar-lhe mais uma foto, ainda que não tenha tido vontade alguma de tirar uma foto a mim mesma depois da prova.



Deixo-vos o gráfico para verem como é uma prova gira!...

Então e o resultado? Francamente pior do que em 2017, claro está. Acabei com o tempo oficial de 2h29m16s. Curiosamente, fiquei pouco pior classificada do que no ano passado em termos gerais: 44º da geral (o ano passado tinha ficado em 41º), 13º dos femininos (o ano passado tinha ficado em 11º), só piorei muito no escalão, em que passei de 4º para 8º...

Claro que isto não interessa nada, que o que interessa mesmo é participar e chegar ao fim, e yada yada yada... Digo eu a mim mesma para me convencer.

A prova foi todo um misto de emoções. Por um lado, o meu lado racional a dizer-me que eu não tinha treinado nada (lembrei-me hoje que o meu último treino de trail foi... em Janeiro!) e era impossível fazer melhor do que no ano passado. Por outro, o meu lado emocional, a querer que eu me superasse.

No fim de contas... Isto não interessa mesmo nada e agora vou para Manteigas outra vez, esperar pelo louco, e aproveitar o resto do fim-de-semana, que bem preciso. Segunda-feira vai ser um dia importante e eu quero esquecer-me disso até lá!...

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Das coisas que eu oiço...

Cansam-me as pessoas. As mentalidades. A sociedade actual. O acharmos que podemos tudo. O acharmos que temos direito a tudo.

Há dias, a propósito de uma conversa sobre os atrasos no Serviço Nacional de Saúde, ouvi alguém dizer que no privado era igual, mas que era pior porque se pagava. A mesma pessoa dizia também que, recentemente, tinha chegado 15 ou 20 minutos atrasada a uma consulta e que tinha sido chamada à atenção por isso. E estava muito ofendida por estar a pagar para ser atendida assim. E achava-se coberta de razão.

Eu fiquei calada, que a conversa não era comigo. Mas caiu-me mal o almoço, confesso, e não pude ficar indiferente.

Se há coisa que me aborrece profundamente é que me desrespeitem, desrespeitando o meu tempo. Eu tenho, em média, cinco a seis reuniões por semana. Se em cada uma delas houver um atraso de 20 minutos, posso perder até duas horas da minha semana. E duas horas da minha semana são demasiado valiosas para que eu as desperdice à espera de alguém.

Da mesma forma, não gosto de deixar os outros à espera. Chego a horas às minhas reuniões. Não me atraso para as minhas consultas, sejam elas no público ou no privado. Evito ao máximo atrasar-me nos compromissos pessoais. Claro que há excepções, há imprevistos, mas são isso mesmo: excepções e imprevistos. Não são a regra. E fazem-me sentir mal e levam-me a pedir desculpa e a justificar-me. Porque do outro lado estão pessoas. Pessoas como eu. Pessoas com agendas, com o seu tempo contado, com mil e uma coisas para fazer, que não incluem estar à minha espera.

Custa assim tanto ter um pouco mais de respeito pelo outro, como gostamos que tenham por nós?

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Da capacidade infinita que algumas pessoas têm de nos surpreender...

Do princípio ao fim, tu conseguiste surpreender-me. Muito. Imenso. Vezes sem conta. Com coisas boas. Com coisas menos boas. E, mesmo depois do fim, continuaste a fazê-lo. 

A última coisa com que me conseguiste surpreender foi teres-me "desamigado" no Facebook. Confesso que foi o momento cómico do meu dia. Nunca pensei. Mesmo. Muito menos, ao fim deste tempo todo. Mas, naturalmente, é só mais uma das tuas coisas que eu não vou tentar perceber.

Não deixa de ser curioso que os meus três últimos exs me tenham "desamigado"/bloqueado no Facebook. Nos três casos, foram eles que fizeram asneira. Nos três casos, poderia ser eu a ter todos os motivos para os bloquear. Mas não. Nos três casos, foram eles que o fizeram.

Também nunca vou perceber. Sobretudo, porque perante esta amostra, eu não fico muito bem na fotografia: claramente, há algo de muito errado com a minha pessoa...

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Do ovo que este Mundo é...

Existem cerca de 630 000 empresas em Portugal e cerca de 160 000 em Lisboa.

Um colega envia-me um contacto de uma empresa com quem eu devia reunir. Reforço: 160 000 empresas em Lisboa. E não é que ele me sugere a empresa onde o ex é consultor?!...

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Das relações familiares...

Não falo com a minha mãe há quatro anos e meio. Resolveu pedir-me amizade no Facebook e enviar-me uma mensagem.

Há coisas fantásticas, não há?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Das coisas que eu adoro...

Numa sexta-feira já particularmente caótica, com mil e uma coisas para fazer e apenas oito horas disponíveis, adoro que a minha chefe me diga: "Olha eu tinha agora uma reunião mas não vou poder ir porque blá blá blá whiskas saquetas. Podes ir tu por mim?".

Tão bom.





Só que não.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Das eleições...

Que país é este em que mais de metade da população não vai votar?...

É o mesmo das greves e das manifestações por tudo e por nada? 

É o mesmo em que toda a gente se queixa das condições de vida?


Mas faz algum sentido isto?

Temos o que merecemos, é o que é.


No meu caso, até fiquei satisfeita com os resultados. Mas cansa-me ver tanta gente a refilar o tempo todo e depois termos esta taxa de abstenção.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...