quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 346



The National - Campo Pequeno

Porque nem só de corridas se faz a nossa história. Faz-se também de concertos. Muitos concertos. Muitas memórias. Memórias que guardo em mim e às quais volto de quando em vez. Guardo os sorrisos, guardo as mãos dadas e os dedos entrelaçados, guardo os abraços, guardo os beijos na testa que noutra altura não suportaria, guardo as lágrimas que deixo escapar quando me sinto estupidamente grata por saber que tenho na vida aquilo que mais importa. Aquilo que verdadeiramente importa.

Se não se ama alguém que não ouve a mesma canção, o que dizer de alguém com quem já ouvimos a mesma canção tantas e tantas vezes?... 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 345


Estou sozinha com o gato. Ele está na minha capital europeia preferida, mais uma vez. Desde que me traga mais chás e chocolates, talvez o perdoe por não me levar com ele. Hoje tiraram-me da frente do nariz uma das cenourinhas que me davam o alento que me tem faltado neste final de ano. Arrancaram-na, a frio e a seco, sem dó nem piedade. Tudo bem. Eu arranjo forma de lidar com isso. Tenho outras cenouras à frente do nariz e outros sítios onde ir buscar forças. Entretanto, afogo as mágoas nesta caixa de ovos moles, vinda directamente de Aveiro. Já fui ao ginásio, por isso, eu posso.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 343


A foto não é de hoje. É de Sábado. Cheguei a casa ao fim do dia, completamente de rastos, depois de um dia de limpezas, compras e... Visitas a stands de automóveis. Programas super interessantes, portanto. 

Senhor Snow, talvez sentindo-se mais fresco do que o habitual, anda particularmente lapa, e achou por bem dormir uma pequena sesta comigo, nestes preparos. 

domingo, 8 de dezembro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 342




38º Troféu de Oeiras - Grande Prémio De Atletismo da Cruz Quebrada 

Foi a quarta vez que fiz esta prova. Foi com esta prova que me estreei no Troféu de Oeiras e nesta equipa, em 2016. Em 2016, éramos meia dúzia. Meninas? Éramos duas. Hoje, éramos mais de trinta. Os que estão na foto e muitos outros. Hoje, trouxemos muitas medalhas e mais uma taça para casa. E depois fomos para a sede da equipa. Fomos almoçar. Comer, beber e conviver. Porque correr também é isso. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da minha capacidade incrível para suster a respiração...

Estamos a dia 4 de dezembro. O mês do Natal. O último mês do ano.

E o que é que eu fiz no que ao Natal diz respeito? Montei a árvore de Natal. Literalmente. Montei a árvore, com os seus muitos e variados ramos porque talvez tenhamos comprado uma árvore demasiado grande mas não faz mal porque eu gosto dela assim. Montei-a e deixei ali no seu esplendor verde. E também deixei no seu esplendor as caixas com todas as decorações, que vieram da arrecadação e que estão pousadas no hall de entrada, para gáudio de pequeno Snow.

Portanto... A pessoa que vibra com o Natal. A pessoa que adora o Natal. A pessoa que se perde em decorações e planos. A pessoa que planeia tudo com uma antecedência, por vezes, considerada (de forma injusta) exagerada. 

Essa pessoa, este ano virou Mr. Scrooge e não quer saber do Natal.

Não quero. Não me apetece. Não tenho vontade. Não tenho, sequer, planos definidos. Não sei onde vou passar nem o dia 24 nem o dia 25. Não só porque não depende só de mim, mas porque mesmo quando o que não depende de mim estiver resolvido, eu vou ser forçada a tomar uma decisão que não me apetece ter de tomar.

Não consigo pensar no Natal. Presentes? Nem vê-los. Certo é que deixei de dar presentes nos últimos dois anos. Limito-me a comprar algumas coisas para os sobrinhos, e tudo o resto vai corrido a pequenas oferendas comestíveis que saem da minha cozinha. Prefiro pegar no dinheiro e doar a instituições que realmente precisam. Mas nem isso eu ainda fiz este ano!.... Nem pensei nos presentes dos sobrinhos (e tinha sido tão inteligente aproveitar a Black Friday para isso....), nem pensei no que vou fazer para oferecer, nem escolhi as instituições que vou apoiar.

Não consigo pensar no Natal.

Tenho demasiado em que pensar. Tenho a minha vida em suspenso. Estou assim a modos que a conter a respiração, semana após semana, à espero da altura em que vou poder respirar de alívio. Se é que vou poder respirar de alívio. Não sei. Não sei nada.

Se pudesse, avançasse no tempo até ao final do ano. Até ao momento em que terei certezas (ou, assim o espero...). Adormecia agora e só acordava daqui a umas semanas, com a minha vida em ordem e o futuro traçado a régua e esquadro (como eu tanto gosto). Mas não! Porque a vida não é desenhada a régua e esquadro e, mais uma vez, fez questão de me mostrar isso mesmo.

Tinha aqui escrito, em Outubro, que estava deprimida com o final do ano, e com o facto de não ter cumprido dois dos três objectivos que tinha definido para 2019. Pois que a vida resolveu pôr-me a cenourinha à frente do nariz e, apesar de ser certo que já não vão acontecer em 2019, talvez, só talvez, se concretizem em 2020. Com muitos medos e dúvidas, com muitas incertezas, com decisões tremendas para tomar, com coisas que não dependem de mim. Mas pode ser que 2020 seja o ano. Pode ser. 

Assim a vida queira colaborar comigo e queira dar-me um final de ano feliz e sereno. Ou só feliz, que sereno duvido que seja. Mas que eu possa voltar a respirar. Já não era mau.




(Prometo que tudo isto um dia fará sentido. Não sei é quando. Obrigada a quem estranhou a ausência e se preocupou.)

sábado, 16 de novembro de 2019

Dos Trilhos de Casainhos 2019...

Domingo. 10 de Novembro. 10h45. Casainhos.


O curioso dos Trilhos de Casainhos começa logo na hora de início. Quem é que começa uma prova às 10h45? Estamos habituados a provas que começam às 8h, às 9h, às 10h em tempo frio. Mas às 10h45? A resposta é fácil: quem começa uma prova às 10h45, é quem tem um almoço para servir ao meio-dia. Pelo menos, é esta a minha teoria pessoal para explicar a hora de início desta prova.

Claro que a malta agradece, que sempre temos uma folga nos domingos em que acordamos de madrugada para ir correr. Assim, e como a prova até era perto de casa, demo-nos ao luxo de nos levantar perto das 9h... Contrariando tudo o que dizem as boas práticas do running e dessas coisas de gente croma.

Levantar, tomar o pequeno-almoço do costume (mais ou menos, que eu não consegui comer tudo, e começam logo aqui as minhas desculpas para a falta de energia duas horas depois), vestir, usar e abusar do Nok, lavar a cara e os dentes, ir à casa de banho 4 vezes (true story...), preparar a mochila (eram só 15km mas uma pessoa sabe lá se não cai por uma ribanceira abaixo e não precisa da manta térmica, ou de água, ou de uma barra energética, ou de lenços de papel, ou de uma notinha de 5 euros...), e sair de casa, em direcção a Casainhos.


Esta é uma prova humilde. E digo humilde com um tom que é tudo menos pejorativo. É humilde porque é o que diz que é. É pequena, não tem um percurso pretensioso daqueles que são mais exigentes do que seria razoável só para fazer figura, não tem grandes alaridos comerciais, tem dois abastecimentos (um de água e um com comida, que incluía bolo de chocolate - eu sou uma vendida, e qualquer prova que meta chocolate, por mim está óptima!), e tem um almoço no final. Não há cá grandes confusões, não há chips, não há escalões. A malta vai ali para correr, para aproveitar os trilhos, para se divertir, para conviver, para viver a festa que uma prova de trail pode ser. Leiam o Filipe Torres, que já tem o cartão de cliente frequente da prova e pode falar com muito mais conhecimento de causa do que eu.

Quando eu ainda mal abria os olhos por causa do Sol... Que foi de pouca dura!

Para mim, foi a estreia nos Trilhos de Casainhos. E gostei. Gostei mesmo. Gostei dos trilhos, do percurso, daquelas duas subidas infinitas em que só me apetecia dizer palavrões e roguei pragas à minha vida e me arrependi de me ter inscrito.


Tive a sorte de ter o meu louco mais louco do que eu comigo. Ele decidiu fazer a prova comigo, coisa que já não acontecia para aí desde o meu primeiro trail de sempre (o muito abençoado II Trilhos de Belas, no longínquo ano de 2017). Caramba! Agora que escrevo isto é que percebo que nem 3 anos de trails tenho... Sou mesmo uma jovem nestas andanças!... Já ganhava era juízo, mas bom... Dizia eu que tive a sorte de o ter comigo. E ele foi incansável. Não me chateou, não me pressionou, não refilou comigo. Foi ali, a morrer de tédio, a aturar o meu ritmo de lontra, e a empurrar o meu rabo nas subidas mais inclinadas (literalmente!). Foi bom este regresso aos trilhos a dois. Já tinha saudades! Dos trilhos, e de correr com ele.


A prova em si fez-se bem. Eu, já se sabe, não tenho treinado, pelo que fui em modo passeio. E foi um belo passeio! Tive a sensação que havia muito "trânsito" em muitas zonas, porque deixámo-nos ficar para trás no grupo dos lentos, e depois não era fácil fazer ultrapassagens, mas como eu não estava propriamente com pressa, fomo-nos deixando ir. Acho que dispensava a chuva, mas um bocadinho de lama sempre faz bem à pele... Só queria acabar a prova abaixo das 2h30 e consegui, por isso, cheguei ao fim feliz e contente com a minha prestação.

Depois da prova, esperava-nos o almoço. E aqui fica a minha única nota menos positiva: estivemos 1h15 na fila para o almoço. Com frio e chuva à mistura, em pé, depois de termos feito uma prova. Não sei o que se terá passado, já sei que não é costume ser assim, mas, para mim, não foi uma apresentação muito boa. O que é pena. Porque, e fica mais uma nota positiva, tinham uma feijoada vegan que estava bem boa e merecia ter sido apreciada com mais calma e mais ânimo!


Eu dificilmente estarei lá para o ano, mas acho que quem ainda não experimentou, devia experimentar! Não há muitos trails destes tão perto de Lisboa. Quando começarem a ouvir falar na edição de 2020 dos Trilhos de Casainhos, apressem-se, que as inscrições são (muito) limitadas!

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Do fim-de-semana no Porto...

Eu sei que faz amanhã duas semanas que fomos ao Porto. Também sei que já aconteceram mil e uma coisas nos entretantos. Mas não queria deixar de deixar aqui este registo.

O fim-de-semana no Porto foi... Cheio. Cheio de comida. Cheio de chuva. Cheio de gente boa. Cheio de memórias.

Fomos para o Porto na quinta-feira a meio da manhã, e ainda parámos pelo caminho para almoçar com os sogros.

Já quase a chegar ao Porto, demos conta de que o carro já devia ter ido à inspecção há uns dias... Estávamos sem inspecção, a chegar ao Porto, a entrar num fim-de-semana prolongado. Que disparate. Tenho carro há 15 anos e nunca deixei passar uma inspecção. Nunca. O meu pequeno cérebro não anda bem e isto é só mais um reflexo disso mesmo... Mas... Graças às novas tecnologias, num instante marquei inspecção na Controlauto mais próxima, e foi assim que demos connosco em Gaia, debaixo de uma chuva tremenda, a fazer a inspecção ao carro. 


Passou sem anotações e nem disseram nada por já estar uns dias fora do prazo. Ufa!...

Lá seguimos para o Porto. Tínhamos marcado um apartamento na Alfândega, onde fomos pousar as tralhas, descansar um pouco, e seguimos em busca de um sítio para jantar. Pois. Como se fosse fácil. Não foi. Eram 21h20 quando começámos a comer, depois de várias tentativas. O concerto dos Ornatos começava às 22h. Foi uma pequena correria, mas chegámos a tempo.


O que dizer do concerto? Não sei bem por onde começar... São os Ornatos Violeta, não é verdade? Nunca os tinha visto ao vivo e superaram todas as expectativas. Tocaram muitos dos clássicos, tocaram outras menos conhecidas. O público começou meio amorfo, mas lá ganhou ritmo e aquela sala (incrível, já agora) encheu-de e aqueceu-se. Foi muito, muito bom! Acima de tudo, o que eu vou recordar é a energia deles em palco, é a entrega, a emoção, o gozo que estavam a ter no que estavam a fazer. Eles pareciam mesmo felizes por estar ali, e isso é contagiante. Foi um grande concerto e ainda bem que pudemos estar presentes!

No dia seguinte, sexta-feira, começámos a manhã no Diplomata. Chegámos antes de abrir, e ainda bem! O tempo todo em que lá estivemos, houve sempre fila à porta... E vale a pena! Atendimento super simpático e comida deliciosa!


Seguiu-se um passeio pelas ruas do Porto... Estava a chover, por isso, andar na rua não era o que mais nos apetecia e lá decidimos que era desta que íamos à Lello. E fomos! 


E sim, é linda, maravilhosa e espectacular. Mas uma pessoa está imenso tempo na fila (à chuva, lembram-se?), e depois lá dentro é todo um caos e mal nos conseguimos mexer, quanto mais aproveitar o que quer que seja... Claro que aproveitámos os 5€ do bilhete para trazer um livro para cada um, o que sempre melhora a experiência.



Ainda a recuperar do pequeno-almoço, chegámos ao Lado B, para almoçar com a Fabiana! E o bom que foi pôr a conversa em dia! Talvez um dia voltemos a correr juntas mas, por agora, já deu para matar saudades. Quanto ao Lado B, acabamos por lá ir sempre porque é dos poucos sítios que tem francesinha vegetariana (e é bem boa!).


O almoço prolongou-se até às quatro da tarde e acabámos por adiar o lanche que já tínhamos marcado em Matosinhos. Fomos ao Terrárea, e eu tive a sensatez de me ficar por um chá. Já alguém, pediu uma fatia da banoffee, que eu fiz o sacrifício de provar, só para concluir que era mesmo boa! 


O sítio é super giro, vegan, e está ligado a uma loja de plantas e decoração com muita pinta. Fiquei com vontade de lá voltar para um almoço super saudável!

Depois do lanche, e porque já era hora de jantar, decidimos ficar mesmo por Matosinhos, onde fizemos a refeição mais saudável de todas: caldo verde e lulas grelhadas, na grande tasca que é o Rei da Sardinha Assada


Nem comemos sobremesa (apenas e só para irmos comer belgas de chocolate para o apartamento... Glicogénio, já ouviram falar?).

Sábado começámos o dia no Hungry Biker Cafe, outro sítio da moda, com pequenos-almoços mais ou menos decadentes, frequentando essencialmente por turistas, mas com um espaço muito engraçado e comida muito boa!



Demos um passeio pelo centro do Porto, fizemos a Rua das Flores, descemos até à Ribeira, e fomos andando junto ao rio, até à Alfândega, para irmos ver a feira da Maratona e levantar os dorsais. 

Um dia hei-de fazer o Caminho e passar por aqui... 




Pouco depois de entrar na feira, encontrámos o João Lima, a Isa e o Vítor. Mais um bocado, encontramos a Sofia e o André, com quem íamos almoçar. Mais outro bocado, encontramos o Perneta-Mor e a sua Pikinita. Só celebridades naquela feira! Lá levantámos os dorsais, demos uma volta, e eu quase perdi a cabeça e comprei o corta-vento da New Balance da Maratona de Sevilha de 2019. Estava a 20 euros e é cor de rosa e é lindo de morrer. Mas achei que era parvo ter uma coisa de uma prova que não fiz, e não comprei nada... 

Próxima paragem? Almoço na Casad'oro. Que sitio giro! Mesmo junto à Ponte da Arrábida. Mesmo em cima do rio! A vista, apesar do tempo horrível e da chuva, era muito bonita, e as pizzas eram gigantes e muito boas! Recomendo! 


Não deixa de ser curioso os amigos que fazemos neste mundo. Só conheço a Sofia e o André deste mundo da blogoesfera e das corridas, e já tínhamos estado juntos em Lisboa, depois em Aveiro, e agora no Porto.

Depois do almoço fomos para o apartamento descansar. Claro. Passar os dias a comer cansa imenso!

Ao final da tarde, partimos em direcção a Santa Maria da Feira, para um jantar muito particular. Mais um jantar com pessoas que conheci através deste blogue. Que sortuda que eu sou, não é verdade? Fomos muito bem recebidos na casa do Perneta e da Pikinita, e pude confirmar que o Perneta não só cozinha mesmo, como cozinha muito bem! A conversa não parou um segundo, com histórias e mais histórias, partilhas de experiências e sonhos. Como na manhã seguinte havia prova (ou pseudo-prova, no meu caso), não podíamos deitar demasiado tarde, para tentar descansar, se não fosse isso, acho que ainda lá estávamos na conversa...

Domingo. Dia da Maratona para muitos bravos campeões, dia de passeio no Parque para mim. 

Estive até à última da hora com muitas dúvidas sobre a participação nos 15km da Family Race. Não tenho treinado grande coisa, o tempo estava mauzito, e eu sabia que não queria (nem podia) arriscar nenhum disparate. Não foi uma decisão fácil, mas acabei por tomar a decisão consciente: ia fazer apenas 6 ou 7km, apenas e só se me estivesse a sentir bem. O objectivo mesmo era participar da festa que é uma Maratona, e tentar dar algum apoio a quem por lá andava.


Foi com este espírito que alinhei na partida desta prova. Despedi-me do meu louco, que ia fazer os seus 15km também em ritmo de passeio (duas semanas depois da Maratona de Lisboa, e durante as quais passou 90% do tempo constipado e entupido...). 

Felizmente, logo nas primeiras centenas de metros, encontrei o João Lima. Perguntei-lhe se estava bem e ele respondeu-me com um redondo "NÃO!". Juro que me assustei um bocadinho e resolvi remeter-me ao silêncio!... Decidi ir ali a chateá-lo, repetindo o que fizemos em Aveiro, e achei que talvez ele precisasse de se distrair. Sempre na conversa, sempre tranquilos, os metros foram passando, e eu comecei a ver um João mais animado. Também vimos a Isa e o Vítor, que iam próximos de nós, e muitas outras caras conhecidas. 

Foto da Organização que já devem ter visto por aí

Foi assim que chegámos à placa dos 6km. Era o meu limite. Custou-me horrores não seguir em frente, deixar ali o João (não que ele precisasse de mim para alguma coisa, que já ia bem melhor!), não seguir naquela festa. Estava a sentir-me bem melhor do que esperava, mas obriguei-me a ter juízo. Voltei para trás, ainda encontrei o Perneta-Mor e as meninas das Women Runners Portugal, e fui plantar-me junto à Anémona, a bater palmas e a incentivar todos os que já voltavam para trás em direcção ao Porto. Passado um bocado passou o meu louco, depois o João, que vinha com a Isa e o Vítor, e ainda corri uns metros com eles. Despedi-me, certa de que ainda os voltaria a ver, e de que eles iam acabar mais uma Maratona.

Passei para o outro lado da estrada e fiquei, mais uma vez, a aplaudir aqueles campeões todos que entravam na fase final dos 15km. Quando passou o meu louco, ele insistiu para que eu fosse com ele, e lá fui eu. Fizemos os últimos 500 metros juntos e cortámos a meta juntos (coisa que já não fazíamos há uma eternidade...). Claro que não contou, porque eu não fiz verdadeiramente a prova, e em consciência não me senti muito bem a cortar aquela meta assim, mas espero que me tenham desclassificado por não ter passado nos pontos de controlo e, convenhamos, com aquele tempo, não roubei nenhum prémio a ninguém... Ainda assim, não o devia ter feito e também aí devia ter tido mais juízo. Para a próxima, não me deixo levar pelas emoções.

Era hora de regressarmos ao apartamento, tomar banho e fazer o check-out. Tínhamos uma missão importante: ir para a rua, dar apoio aos maratonistas!

O nosso apartamento ficava em pleno percurso da Maratona, pelo que ainda vi alguns atletas a passar pela janela, e depois optámos por ficar mesmo ali a apoiar quem passava. Não que tivéssemos grande opção, dado que não seria fácil tirar dali o carro...

Levei os meus cartazes à sua segunda Maratona e lá me pus na beira do passeio, a incentivar quem passava. O louco, que consegue ser ainda mais bicho do mato do que eu!, ao princípio estava meio amorfo e envergonhado, mas a verdade é que nem ele conseguiu ficar indiferente e já batia palmas, já gritava palavras de incentivo, já se metia com as pessoas e ria com elas. É mesmo impossível ficar indiferente ao que vemos ali!

Foto da Isa no nosso "cheering point"

O meu cartaz preferido voltou a fazer sucesso, e muita gente reagia muito bem, vinha bater no cartaz, ria-se, dizia que era mesmo aquilo que precisava, e ainda havia os corajosos que largavam num sprint depois de bater no cartaz (como no jogo!). Foi muito, muito bom, saber que ajudámos a animar um bocadinho os 42km daqueles que naquele Domingo se desafiaram e superaram! Muito respeito por todos os que se metem a fazer uma Maratona!

A Isa e o Vítor ao km 34

Claro que esperámos para ver a Isa e o Vítor, primeiro, e o João, depois. Estávamos ao quilómetro 34 e eu sabia que, quem chega ali, chega ao fim. E eles chegaram! Obviamente, chegaram! E eu fiquei muito feliz por eles! Quando for grande, quero correr assim!

A nós, restava-nos encontrar um sítio para almoçar, voltar para tirar o carro (já depois de terem aberto as estradas), e regressar a Lisboa.

Acabo como comecei. Foi um fim-de-semana cheio. Cheio de comida. Cheio de chuva. Cheio de gente boa. Cheio de memórias.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...