sexta-feira, 27 de março de 2020

Das boas sugestões para passar estes tempos de recolhimento... - I

Se há coisa que a COVID-19 nos trouxe, e em bom, foi um proliferar de boas iniciativas, de empresas a reinventarem-se, de instituições a abrirem as suas portas virtualmente, de gente criativa a fazer coisas giras. E tem sido maravilhoso assistir a isso!

Hoje, partilho convosco uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II, que começou a disponibilizar online algumas das suas peças.


Hoje, às 21h, "estreia" a peça Sopro, do incrível Tiago Rodrigues, com a quase igualmente incrível Isabel Abreu.

aqui falei desta peça duas vezes, e o facto de estar a falar dela uma terceira, diz tudo sobre o que eu penso desta peça.

Deixo aqui um excerto, que não deixa de ser curioso, nesta altura que atravessamos.

Não morrer. Sobretudo, não morrer. Ficar na vida. Face à ideia da morte, confirmar que estávamos certos de todas as vezes que dissemos que as coisas fundamentais da vida são invisíveis. Estávamos certos até mesmo quando duvidávamos do que dizíamos, porque duvidamos sempre do que dizemos e sabemos que o silêncio entre cada palavra que proferimos não se chama silêncio, o seu nome é dúvida. - Tiago Rodrigues, em Sopro

Vemo-nos lá?

quinta-feira, 26 de março de 2020

Do estado deste blogue ou dos pontos de situação...

Tirando os últimos dias, este blogue esteve a modos que ao abandono nos últimos meses, com menos posts do que o habitual, e com a larga maioria a resumir-se à foto do dia e uma qualquer breve consideração.

Houve várias vezes em que eu pensei em voltar a escrever. Também houve várias vezes em que eu quis escrever e não pude. Mas, na maior parte dos dias, a verdade é que no meio do caos dos dias, dos meus enjoos, e da minha inércia, não me apeteceu escrever. Eu até tinha mil e uma ideias na minha cabeça, eu até ia escrevendo noutros sítios, mas não me apetecia escrever aqui.

Talvez isso mude, daqui em diante. Talvez.

Não sem antes fazer aqui um pequeno disclaimer

Este blogue já leva mais de 10 anos de existência (caramba! estou velha!).

Em 10 anos de blogue, já aqui se falou: de casamento; de divórcio; de corações partidos; de relações falhadas; de relações que pareciam felizes e que, veio-se a ver, não eram; da alegria; de viagens; de concertos; de arte; de museus; de vida; de morte; de compras; de roupas; de cosmética; de animais em geral e de gatos em particular; de comida e restaurantes e receitas; de teatro; de terapia, psicólogos e psiquiatras; de bailado; de política, até!; de dois mestrados e outras formações diversas; de maleitas de saúde; de famílias; de medos e divagações; dos maiores disparates; dos meus gostos e ódios; e, muito nos últimos tempos, de corridas. 

Este blogue cresceu comigo, evoluiu comigo, acompanhou-me. A pessoa que sou hoje, não é a mesma que o começou em 2009. E ainda bem. Os temas por aqui falados foram sendo do mais variado possível e foram, obviamente, reflectindo também o que se passava na minha vida.

Confesso que nem sempre percebo muito bem por que raio continua a haver gente desse lado depois de tantos anos, e menos ainda percebo os números de visitas, face ao número de comentadores e de visitantes habituais que eu sei que estão desse lado. Ao fim destes anos todos, ainda me assusta um pouco não saber ao certo quem me lê, mas tento que isso não me condicione (muito) no que escrevo.

Ainda assim, nos últimos anos tenho escrito mais sobre corridas (eu! a pequena lontra!...), e isso trouxe até aqui muito boa gente que acabou a fazer parte da minha vida real também. E isso, não tem preço! Não foi só por causa das corridas, mas este blogue já me trouxe muita gente e isso é mesmo muito bom! A sério.

Posto isto, e chegando, finalmente, ao dito disclaimer: considerando que eu deixei de correr (por tempo indeterminado) e que estou grávida (por tempo mais ou menos determinado - ou assim espero eu!), é provável que a temática aqui no blogue mude nos próximos meses. Isto não vai virar um blogue de maternidade, tal como nunca virou um blogue de corridas. Vai continuar a ser o meu blogue, a falar de tudo e mais alguma coisa, mais disparate, menos disparate.

No meio disto tudo, a única coisa que importa mesmo é que eu volte a ter vontade de escrever. Muito. Seja lá sobre que tema for!



#staysafe #euficoemcasa

quarta-feira, 25 de março de 2020

Das dúvidas que me inquietam...

Imaginem que tudo isto acabava daqui a um mês (que não vai acabar, mas faz de conta)...

Qual seria a primeira coisa que fariam?

terça-feira, 24 de março de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 84


O Snow está em isolamento há, precisamente, 4 anos, desde o dia em que eu o tirei da rua. E, surpreendentemente, não se queixa e lida muito bem com isso. 

Vamos todos ser mais como o Snow? 

Da COVID-19 e de tudo o que se diz por aí...

Em tempos de guerra, que é de guerra que falamos, todos têm uma opinião a dar e uma palavra a dizer. Multiplicam-se os treinadores de bancada, os comentadores políticos, os opinadores natos.

É natural, é legítimo, era previsível, até.

Fecham-nos em casa, dia após dia, e todos nós temos qualquer coisa a dizer.

Eu também. Eu também tenho a minha opinião. Não creio que valha a pena expô-la aqui, por muitos e variados motivos, mas, sobretudo, porque tenho sérias dúvidas que vá acrescentar alguma coisa a tudo o que por aí se diz.

Estou preocupada, sim. Receosa, também.

Acho que não estamos a fazer o suficiente. Os números de hoje parecem (sublinho o parecem) positivos, mas a céptica em mim tem dificuldade em acreditar que estes números reflictam a verdadeira realidade do nosso país, porque acho que não estamos a testar o suficiente. Dizia a OMS que a única maneira de parar isto era, e passo a citar, testar, testar, testar. E nós estamos a testar só assim mais ou menos, em contenção, que é melhor dizer às pessoas que vão para casa e fiquem quietinhas, do que, de facto, confirmar se estão ou não infectadas. Até podemos ficar bem na fotografia durante uns dias, com uns números bonitos para apresentar, mas isto não vai durar para sempre.

A pessimista em mim acha que, mais uma vez, estamos a tapar o sol com uma peneira, e vamos acabar todos com um escaldão. O que não deixará de ser curioso: escaldões em tempos de gripe. Mas isto é só a pessimista em mim.

E eu, para quem não queria dizer nada, já disse em demasia. 

Fiquem em casa, fiquem seguros, protejam-se e protejam os outros.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 80


O Facebook lembrou-me hoje que foi há precisamente 4 anos que fiz a minha primeira meia-maratona.


Passaram 4 anos, estou com mais 10 quilos em cima, e já não corro.

A juntar a isso, estamos (quase) todos fechados em casa, com saudades dos tempos em que dávamos como garantida a possibilidade de pegarmos nos ténis e irmos. Porque correr é isso: é pegar nos ténis e ir.

E as saudades que eu tenho de pegar nos ténis e ir?...

terça-feira, 17 de março de 2020

Da COVID-19, que me fez voltar a escrever - haja alguma coisa positiva no meio disto...

Li por aí que, tal como houve um mundo antes e depois do 9/11, também haverá um mundo antes e depois da COVID-19.

Não tenho dúvidas disso.

Para a maioria das pessoas da minha geração, e de outras mais jovens, que nunca passámos por guerras, privações de liberdade, ou qualquer outra calamidade com impacto directo no nosso país que não a crise económica de 2008, tudo isto é novo. Mesmo para muitas outras pessoas de muitas outras gerações, tudo isto é novo.

Nunca nos tinha sido pedido que ficássemos em casa. Desconhecíamos o conceito de "isolamento social". Beijinhos e abraços eram o dia-a-dia das nossas vidas. Ir à rua, ao supermercado, ao café, eram actos banais que fazíamos sem pensar.

Agora, tudo isso acabou. Ou, pelo menos, acabou para a generalidade das pessoas com dois dedos de testa que já percebeu que isto não é uma brincadeira. Para as pessoas que já perceberam que temos tudo para ser uma Itália, mas que a nossa economia não suportará se nós nos tornarmos uma Itália. Na verdade, de que importará a economia, se uma boa parte de nós não estiver cá para contar a história?...

Choca-me, irrita-me, frustra-me. Nunca, tanto como agora, me cansaram as pessoas. É em períodos de crise que vemos o pior das pessoas: o egoísmo, a falta de civismo, a burrice, a inconsciência, a leviandade dos comportamentos, a falta de respeito pelo próximo.

Mas é também em períodos de crise que vemos o melhor das pessoas: a solidariedade, a disponibilidade para emprestar casas, para ir às compras, para fazer companhia à distância de um telefonema.

No fim de tudo isto, e certa de que o fim ainda está longe, sei que vamos todos ser diferentes. Quero acreditar que seremos melhores. Que daremos mais valor às pequenas coisas. Que teremos mais vontade de estar com os nossos mais vezes. Que iremos aproveitar as pequenas liberdades que hoje tomamos como garantidas.

Ou então vamos todos acabar mortos, porque entre a COVID-19, as bulhas no supermercado por um rolo de papel higiénico, e a falta de capacidade para viver em modo Big Brother durante 24 horas por dia, não vai sobrar ninguém.

Gostava que fosse a primeira opção, mas não ponho as minhas mãos no fogo que não seja a segunda.

Agora, como nunca, nunca fez tanto sentido: cá estaremos, sentados, à espera para ver.

domingo, 1 de março de 2020

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 59


Brandenburger Tor


Ou de como eu estava com uma birra descomunal ainda não eram 10 da manhã e só me apetecia chorar baba e ranho, porque estava cansada, com sono, desconfortável e a achar que o Mundo inteiro estava contra mim. 

Ah!... As maravilhas da maternidade... 

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...