terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Da Blue Monday que afinal é Tuesday...

Hoje fui-me um bocadinho abaixo. Só um bocadinho. Mas aquele bocadinho suficiente para ficar de coração apertado e lágrimas nos olhos.

Estou cansada da Covid. Dos casos, dos números, dos medos, das inseguranças.

A Isabel está na sua terceira semana de creche e são muitos os emails que já recebemos a falar sobre o tema. Hoje, recebemos mais um. A creche que escolhemos tem sido irrepreensível na forma como partilha a informação, como nos coloca a par de tudo, como nos tenta sossegar. Mas, hoje, fui-me um bocadinho abaixo. Só um bocadinho.

A nossa miúda passou 6 meses fechada em casa. Foram 6 meses no nosso colo, no nosso ninho, na nossa bolha de protecção. Fechámo-la, isolámo-la, protegemo-la. Talvez tenhamos exagerado. Talvez tenhamos roçado a paranóia. Mas é a nossa filha e só temos esta. Se isso fez com que mal visse a família e os amigos? Fez. Se nos custou? Custou. Mas fizemos o que fez sentido para nós, nestes tempos estranhos que vivemos.

E agora? Agora ela está entregue a estranhos, exposta a riscos, enquanto vivemos a maior pandemia dos tempos modernos. Agora já não está no nosso colo, no nosso ninho, na nossa bolha de protecção. A nossa miúda está na sua terceira semana de creche, mas só hoje é que me caiu a ficha. E custa. Horrores. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Das formas que temos de baixar os braços...

 

Hoje cancelei a subscrição da newsletter da Easyjet.



(ando a limpar a minha vida, a minha casa, e a minha alma, estendendo esta limpeza à poluição visual que recebo no digital - já cancelei as subscrições de várias marcas de roupa [no seguimento da decisão de um 2021 mais sustentável], e agora cancelei esta, resignando-me à ideia de que não voltarei a voar tão cedo)

domingo, 3 de janeiro de 2021

Da São Silvestre de Lisboa 2020...

São Silvestre de Lisboa

Foi há uma semana que fiz a São Silvestre de Lisboa 2020, em versão virtual.

A São Silvestre de Lisboa é, como já devo ter dito por aqui, a minha prova de estrada preferida. É aquela que nunca falhei desde 2015, quando foi a minha primeira prova de estrada de 10km. Mesmo o ano passado, já grávida, fiz questão de ir fazê-la, em ritmo caracol, tendo sido a última prova que fiz, antes de a Isabel nascer. Fazia-me ainda mais sentido fazê-la este ano, sendo a primeira prova que fiz, depois de a Isabel nascer.

E assim, lá fui eu. 

Contexto: eu só recomecei a correr no início de Novembro, tendo parado logo de seguida, e recomeçado 3 semanas depois. Dizia o meu Strava que eu tinha corrido apenas 6 vezes, e o treino mais longo que tinha feito, tinha sido de 6km. 

As minhas expectativas para estes 10km eram, portanto, muito baixas. No mínimo, era um disparate pôr-me a fazer 10km com tão pouco treino, depois de uma paragem de 11 meses, com uma gravidez e uma cesariana pelo meio. Mas disparates é o meu nome do meio. E o pior que podia acontecer, era eu ter de me arrastar e caminhar nos últimos metros ou quilómetros ou o que fosse. Era um disparate, mas controlado.

Domingo, às 10h30 da manhã, lá estava eu, no sítio do costume: um Parque das Nações demasiado cheio para o meu gosto, mas com a temperatura certa e sem vento. 

Decidi começar logo pela parte chata do percurso, sem grande ânimo ou entusiasmo, e foi com surpresa que comecei a cruzar-me com outros atletas em prova. Caramba, as saudades que eu tinha de ouvir um "Força!", ou um "Boa prova!". Foi tão, tão bom! Lá fui eu, quilómetro após quilómetro, a ver o tempo passar. Tinha um objectivo em mente: fazer melhor do que em 2019 (o que não seria difícil, dado que tinha feito 1h15).

Claro que, com a minha falta de preparação, ia eu nos 4km, quando comecei a pensar que talvez não fosse má ideia fazer só 5km. Comecei a arranjar mil e uma justificações na minha cabeça, para justificar a minha desistência. Mas, ao mesmo tempo, sabia que isso não fazia sentido nenhum. Sabia que, nem que fosse a caminhar, eu tinha de fazer aqueles 10km. Era o mínimo que eu podia fazer por mim.

Nova estratégia, já antes utilizada: alternar 200 metros a caminhar, com 800 metros a correr. Quando o relógio marcou 5km, eu encostei, caminhei 200 metros e voltei a correr. Fiz o mesmo aos 6km e aos 7km. Mas, quando o relógio marcou os 8km, eu pensei para mim que só faltavam 2km, e que, fosse a que ritmo fosse, havia de fazê-los a correr. Caramba! Era o esforço final, eram só mais 2km, só mais 13 minutos, só mais 3 músicas (eu meço o meu tempo em várias medidas, consoante o estado de espírito).

E lá fui eu. E fiz os 10km em 1h07. Se eu duvidava que conseguisse fazer os 10km, fazê-los neste tempo foi absolutamente incrível. E a sensação quando parei o relógio foi avassaladora e fez-me lembrar por que motivo eu gosto de correr. Já não me lembrava, sabem? Já não sabia o que era esta sensação de desafio superado e de dever cumprido. Num ano tão estranho e tão atípico, eu voltei a sentir-me viva e voltei para casa de sorriso parvo no rosto.

Consegui. Num ano em que sinto que não consigo nada, eu consegui fazer aqueles 10km, praticamente sempre a correr, e num tempo que não me envergonha. Consegui. E a sensação não tem preço.

Que 2021 nos traga as provas de volta, que eu preciso muito disto!...

sábado, 2 de janeiro de 2021

Dos presentes de Natal e dos objectivos para 2021...


Este Natal, pedi apenas 2 presentes. Um deles, foi esta camisola do Armazém das Malhas

O Armazém das Malhas é um pequeno grande negócio familiar, com uma produção responsável e sustentável, que usa matérias primas escolhidas a dedo, pela sua qualidade e pela sua origem. Produzem, de forma artesanal, e em Portugal, peças intemporais e feitas para durar, em colecções de pequena escala. Têm como missão "Sensibilizar para um consumo consciente". 

E um dos meus objectivos para 2021 é, precisamente, o consumo consciente. É reduzir ao mínimo indispensável a compra de roupa, calçado e acessórios. É optar pela slow fashion. É comprar apenas o que for mesmo necessário e, ao fazê-lo, optar por marcas como esta. Marcas nacionais, que se preocupam com o impacto da sua produção, que lutam também por um mundo mais sustentável.

Baby steps, a caminho de um mundo melhor.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Dos 6 meses da Isabel...


Seis meses de Isabel.

Meio ano. Uma metade de um ano. Já passou meio ano desde que a Isabel chegou a este mundo, e virou as nossas vidas de cabeça para baixo. Seis meses que voaram, respeitando o cliché que toda a gente nos repetiu até à exaustão: aproveitem, que passa depressa. E passou. Passou tão depressa que ela, não tarda, vai para a creche. Vai ser do Mundo, a minha filha. Vai deixar de ser minha e do Pai, para ser de quem a agarrar. Cresceu tanto nestes 6 meses. A última novidade foi ter conseguido rebolar sozinha. Claro que a gracinha aconteceu enquanto eu estava a trabalhar. Claro. Vai ser sempre assim, não vai? A partir de agora, vou ter de me habituar à ideia de poder perder muito do que acontece na vida dela. Chama-se crescimento, dizem. Independência, autonomia, vida para além da minha. Ela vai crescer e eu nem sempre vou lá estar. Mas vou lá estar sempre, quando ela quiser repetir as gracinhas. O rebolar, o agarrar os pés, os ruídos novos que todas as semanas explora com a boca. Agora aprendeu a imitar um toiro enraivecido. Do alto dos seus seis meses, faz um misto de rosnar com zurrar, e põe um ar de fazer chorar as pedras da calçada... De riso. Continua uma bem disposta. Ri-se que nem uma perdida. Por tudo, e por nada. Ri-se cada vez mais para o gato quando ele passa por ela. Passou aí uma fase muito crítica nas noites, mas parece estar ligeiramente melhor. Resta saber por quanto tempo. Vai começar a comer nos próximos dias. Fez um sucesso tremendo no Natal. Como faz sempre, aliás, nas raras vezes em que está com outras pessoas. É uma bebé Covid. Estranha barulhos e confusões. Mas distribui sorrisos e ninguém lhe resiste. Gostava que ela tivesse estado com mais pessoas este Natal, que tivesse andado em mais colos, em mais casas. Mas um dia vou contar-lhe o quão estranho foi o seu primeiro Natal. Hoje, para celebrar os seis meses, fui dar com ela a chuchar no dedo... Do pé. Acho que ela o fez apenas para calar as más-línguas que dizem que ela é gordinha. Pode ser gordinha, mas agilidade não lhe falta e vá de comer os pés. Outras más-línguas talvez digam que ela passa fome e, por isso, come os pés. Mas, olhando para aquelas bochechas, ninguém acredita. A minha filha faz hoje seis meses. Caramba. Seis meses. E eu que ainda não consigo olhar para mim como mãe. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Das coisas que a pandemia nos roubou...

Esta manhã, enquanto trabalhava, calhou em estar a passar uma música dos The National. E eu emocionei-me. Foi a segunda vez que isto aconteceu, em cerca de uma semana. Emocionei-me com algo tão simples como uma música dos The National (pouco importa qual).

A última vez que vimos os The National ao vivo foi há um ano e uns dias, no Campo Pequeno. Lembro-me de sair do escritório a correr, ir buscá-lo ao aeroporto (no tempo em que era normal as pessoas viajarem em trabalho), e irmos directos para o Campo Pequeno, onde comemos qualquer coisa num instante, e nos sentámos naquelas cadeiras estupidamente desconfortáveis.

O concerto começou e esquecemos o desconforto. O concerto começou e eu deixei-me levar pelas músicas. Com uma mão na tua mão e a outra na barriga (que ainda nem existia), eu quis guardar aquele momento para sempre. Fomos felizes, ali. Nós e a nossa sementinha, que ainda era segredo para a maioria das pessoas. Não me lembro, mas é provável que tenha chorado. Pelo menos, podia culpar as hormonas. Sei que gostei muito do concerto. Só podia, aliás.

Hoje, ao ouvir aquela música, voltei a esse concerto. E não pude deixar de me emocionar, ao pensar que não sei quando voltaremos, verdadeiramente, a um concerto. A pandemia tem-me levado tanta coisa boa, e a cultura é uma delas. Não sei quando voltaremos aos concertos, aos teatros, ao cinema. Não sei. E eu sei que eles continuam a existir. Eu é que não sei quando serei capaz de lá voltar. A pandemia levou-me a cultura e deixou-me o medo. E isso é uma grandíssima merda. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Dos 5 meses da Isabel...

 

Cinco meses de Isabel.

No último mês a grande descoberta da Isabel foram os pés e as pernas. Se antes já não parava quieta com eles, agora passa tempos infinitos com eles no ar. E tenta apanhá-los e agarrá-los. Mudar a fralda tornou-se um desafio muito mais interessante, claro. Quer ver tudo o que a rodeia e distrai-se facilmente, mesmo quando está a comer. Olha para o Snow e ri-se. Ele, continua a ignorá-la, mas já encostou o nariz ao dela. Já quase se aguenta sentada. Tentamos que ela rebole, mas os presuntos que tem no lugar das pernas, não ajudam. Continua a adorar o banho e ri-se quando percebe que a vou levar para ele. Curiosamente, ri-se ainda mais quando a tiramos da água. Também berra, quando lhe dá para isso. E agora tem-lhe dado para isso a meio da noite. Compensa na fofura durante o dia. Toda ela é bochechas e ninguém lhe resiste. Ri-se muito, já disse? É um pequeno génio e já abre a boca e deita a língua de fora quando chega a hora de lhe dar as gotas da Vitamina D. Continua a não gostar da chucha, e nós continuamos a insistir para que ela goste. Continua a portar-se lindamente na Ergobaby. Gosta de passear e de ir de cabeça no ar, a ver o céu, as árvores, os pássaros, e o que quer que seja que lhe apareça à frente. Dizem que é igual a mim, mas eu acho-a demasiado bonita para ser igual a mim. Olha fascinada para a forma como a comida desaparece na nossa boca. Não tarda, está ela a comer também. Cinco meses. Como? Não sei.


(quinze dias de atraso... diz muito sobre os últimos tempos...)

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 336



Não tenho cozinhado tanto quanto gostaria. Pergunto-me, diversas vezes, o que raio é que eu fazia com o meu tempo, antes de a Isabel nascer. Nada, aposto. Eu não fazia nada. É a única explicação que encontro. 

Hoje acordámos mais tarde que o habitual (a noite foi má e "obriguei" a Isabel a dormir mais um bocadinho de manhã). Fiz panquecas para o pequeno almoço. Fomos para a expo. Eu corri, enquanto ele caminhou com ela. Eu peguei nela, voltei para casa, e ele fez o treino dele e voltou a correr para casa. Tomei banho e fiz o almoço. Almoçámos. A Isabel fez a sesta. Eu arrumei a cozinha e fiz estas bolachas. Pelo meio, trocar fraldas, dar de mamar, brincar e palrar. Recebi uma notícia menos boa que me deixou a pensar. Falei com o meu Pai. Ainda fiz sopa. Estivemos a fazer testes para a sessão fotográfica de Natal. Demos banho e deitámos a Isabel. Jantámos. A Isabel acordou e eu voltei a adormecê-la. Comemos bolachas e chocolates da árvore de Natal. Vegetámos. Eu escrevo este post. Não tarda, vou dormir que amanhã é dia de trabalho.

E dizia eu antes que não tinha tempo... 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Da polémica das provas virtuais pagas...

Por essas redes sociais fora, têm-se visto todo o tipo de comentários e críticas às organizações de provas, que estão a cobrar por provas virtuais.

A mais recente polémica estalou hoje, com a abertura das inscrições para a São Silvestre de Lisboa.

Vamos lá ver... 

Ninguém é obrigado a inscrever-se em prova nenhuma, certo? Também ninguém é obrigado a pagar, se não o quiser fazer, certo? E não é porque umas organizações fizeram provas gratuitas, que todas têm de o fazer. Até porque muitas há que recebem apoios e fundos das autarquias para o fazerem, por exemplo. 

Eu já estou inscrita para a São Silvestre de Lisboa. Porquê? Porque faço questão de fazer aquela que é a prova mais especial para mim, ainda que este ano seja apenas de forma virtual. Porque faço questão de ficar com a t-shirt da prova, para juntar às 5 que já tenho. Porque faço questão de apoiar a HMS, que é, no que toca a provas de estrada, a que considero a melhor organização que existe. Em última análise, já estou inscrita porque me apetece.

Quem não quer pagar, não se inscreve e não paga. 

Para mim, faz sentido inscrever-me e pagar. E acho que também devia fazer para todas as pessoas que gostam de fazer provas (que não são todas as pessoas que gostam de correr, naturalmente).

Estamos a atravessar um período único, uma situação extraordinária, uma pandemia como nenhum de nós já tinha visto. Tudo isto, terá consequências devastadoras para a nossa economia. Já está a ter, aliás. São raros os sectores que não vão sofrer com isto. São raros os sectores onde não existiram ou existirão despedimentos.

Eu gosto de ir a provas de corrida. E quero que elas continuem a existir. E eu gosto (muito) da São Silvestre de Lisboa. Se a minha inscrição puder contribuir um bocadinho que seja para que a HMS ultrapasse tudo isto e continue a organizar a São Silvestre de Lisboa, e todas as outras provas que organiza, então aqueles 9€ foram muito bem gastos.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 329

Introdução ao Passeio Marítimo de Oeiras.

[fui mostrar-lhe o sítio onde comecei a correr, onde mais corri, onde fiz o meu primeiro quilómetro sem parar, onde treinei horas a fio, onde organizei treinos de grupo, onde ri, onde chorei, onde fui feliz, onde sofri, o sítio onde vou sempre querer voltar, uma e outra vez]

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...