terça-feira, 19 de junho de 2018

Das formas estranhas que o Universo tem de se equilibrar...

Voltei de férias com mais 2 ou 3 quilos e com a certeza de precisar de fazer dieta, queira eu caber no vestido mais giro no casamento que tenho daqui a 3 semanas.

Pois que ontem fui arrancar um dente do siso e estou a dieta forçada.

Obrigada, Universo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Do Porto...

O Porto vai ser sempre a nossa cidade. A cidade onde não nos cansamos de voltar. Onde há sempre mais e mais coisas por descobrir.

Desta vez, o planeamento foi zero. Mas nem por isso correu pior ou gostámos menos.



Sexta-feira chegámos tarde e acabámos por jantar no BOP, uma excelente descoberta, onde me deliciei com um Mac n' Cheese. É um espaço muito giro e que, pelos vistos, também tem pequenos-almoços que me pareceram interessantes. Tem também uma boa oferta de cervejas artesanais! 

No dia seguinte, depois de aproveitarmos o pequeno-almoço do alojamento, seguimos para um passeio a pé. Descemos a Rua de Santa Catarina, passámos nos Aliados e continuámos a descer até à Ribeira, perdidos entre becos e ruelas.



Se um dia me quiserem oferecer um presente e não souberem o quê, estes senhores têm excelentes opções. Ia perdendo a cabeça!... São dezenas e dezenas de fotografias, impressas em diversos formatos, com edição limitada e com preços para todos os tipos de bolsos.



Ainda não foi desta que fui à Lello... Estava uma fila gigante e não me apetecia gastar cinco euros. Talvez um dia...






Como eu já estava farta de andar a pé (como sempre), exigi uma paragem num sítio que já se tornou obrigatório: a Azeitoneira do Porto. Se querem um sítio onde beber um Porto (ou outra coisa qualquer), petiscar uns queijos ou umas azeitonas, com uma vista maravilhosa em plena Ribeira, é aqui. Preços perfeitamente aceitáveis e atendimento sempre impecável. Vim de lá apaixonada por mais um vinho do Porto (um branco da Rozès, neste caso).


Seguiu-se a longa caminhada sempre a subir até ao restaurante do almoço: Taberna de Santo António. Valeu a caminhada e valeu a espera!... Comida tradicional portuguesa, para entrada os melhores rissóis que já comi (o de polvo era maravilhoso!), atendimento muito bom (apesar de o restaurante estar cheio e sempre com gente à porta à espera...), e muito barato. Saí de lá a rebolar e, como chovia imenso, recusei-me a ir a pé para o hotel... Lá fomos de Uber e seguiu-se uma pequena sesta.


Depois da sesta, e de termos desistido de ir para o Primavera às quatro, como era o plano inicial, porque chovia imenso, fomos a outra paragem obrigatória: Apartamento Café. As panquecas são maravilhosas, e os crepes não lhes ficam atrás!


Depois de uma paragem estratégica para comprar o meu lindo impermeável e um chapéu de chuva gigante, lá chegámos ao Primavera. Não parava de chover, mas estava imensa gente e o ambiente estava muito animado!


Fomos vendo algumas outras coisas, mas o foco mesmo era o concerto de Nick Cave & The Bad Seeds. Conseguimos ir para lá cedo, e ficar relativamente à frente. E foi tão bom! Mas choveu tanto! Mas foi tão bom! Mas choveu tanto! Mas foi tão bom!... Foi incrível viver aquele que foi um concerto único, no meio daquele mar de gente, que não desanimou nem um bocadinho, mesmo quando chovia torrencialmente (e se choveu!...). Ele é muito bom em palco, interagiu imenso, e gostei mesmo muito. Acabei o concerto com os olhos todos borrados do rimmel. Em parte, por causa da chuva, e em parte porque não aguentei no Into My Arms...

Acabámos por ver mais dois concertos (The War on Drugs e Mogwai), e acabámos por desistir. Estava demasiado frio e estávamos demasiado desconfortáveis. Foi mesmo pena que este ano não tenha dado para aproveitar grande coisa!...


No Domingo, a muito custo, lá consegui fazer vingar a minha excelente ideia de que ir ao Sea Life Porto era espectacular, porque continuava a chover sem parar!... Eu tenho sempre mixed feelings em relação a estes espaços. Por um lado, acho que os animais estão bem é na natureza, no mundinho deles, com o mínimo de intervenção humana possível. Por outro, sei que estes espaços têm um papel importantíssimo na educação e sensibilização para a importância de preservarmos o planeta e as espécies que por cá andam...


Aproveitei para fazer alguns amigos novos, como esta pequena grande tartaruga que lá andava.


E depois perdi-me nas raias. Eu podia passar horas ali a olhar para elas. Acho-as animais fascinantes.



Tirei dezenas e dezenas de fotografias mas, feliz ou infelizmente, o meu telemóvel não tirou grandes fotografias, pelo que só partilho algumas.



Ainda estive um certo tempo ali sentada no chão a olhar para elas, indiferente às criancinhas histéricas à minha volta, a deliciar-me, simplesmente. Até que... Percebi que alguém já estava meio farto de ali estar!... Não percebo como!...



Seguiu-se um almoço espectacular em Matosinhos. Fomos ao Rei da Sardinha Assada. Aquilo é tasca. Mesmo tasca. Mas comi aquelas que foram, provavelmente, as melhores lulas grelhadas da minha vida!... E as sardinhas também não estavam más, não fosse essa a especialidade da casa. Mas as lulas!... E o pudim no final!... 

Devo ter engordado sei lá quantos quilos!... Aquela gente do norte trata-se mesmo bem!... E eu sou sempre feliz no Porto!... Tão feliz!



domingo, 10 de junho de 2018

Do NOS Primavera Sound...


Meses e meses a escolher o melhor outfit para levar a um evento desta magnitude e acabo nesta figura, com um look by... Loja do Chinês! 


(foram os cinco euros mais bem gastos dos últimos tempos e sem isto não teria aguentado o dilúvio que foi...) 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Dos meus pedidos ao mundo em geral...

Então e dicas super hiper mega fabulosas para Londres?

É a minha quarta vez lá, mas é a primeira dele, pelo que nos vamos dividir entre alguns clássicos e alguns dos meus favoritos. Mas...

O que é que não podemos mesmo perder, já que ele não deve aceitar a minha sugestão de passar quatro dias entre a National Gallery, a Tate Britain, a Wallace Colection e o Victoria & Albert?

Sítios onde comer onde não paguemos dez libras por uma sandes de queijo com uma azeitona?

Tesouros escondidos onde não estão mil turistas a degladiar-se pela melhor fotografia?

Qualquer outra informação que considerem relevante, como onde encontrar os esquilos mais fofinhos e peludos?

Grata.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Dos meus pedidos ao São Pedro...

Caro São Pedro, 

Eu sei que nesta altura deves receber imensos pedidos de imensa gente. Mas, confesso, tenho alguma esperança que tantos pedidos te façam reconsiderar o que tens estado a fazer.

Estamos em Junho. Na próxima semana há um feriado. E eu, como tem sido habitual nos últimos anos, tenho férias marcadas. Como talvez te recordes, ou não, porque certamente tens mais em que pensar, eu costumo ir para Lagos nesta altura. E, regra geral, está um tempo espectacular e eu consigo fazer uma semana de praia óptima que me permite acabar com esta cor de lula e entrar no Verão com um tom de pele mais simpático e condizente com as cores da estação. 

Este ano isso não vai acontecer. E não vai acontecer por dois motivos, sendo que um deles tu não controlas, é certo. Este ano eu não vou de férias para Lagos. E ainda bem. Porque com este tempo miserável, se eu fosse para Lagos, ia morrer de tédio. Fizeste-me essa gracinha quando lá estive em Abril e eu não me queixei porque tinha um treino de 25km para fazer. Mas agora já não tenho treinos para fazer. Nenhuns.

O que eu tenho para fazer é ir ao Porto este fim-de-semana. E não só vou ao Porto, como vou ao Primavera. O Primavera é um festival de música no Parque da Cidade. Ao ar livre, portanto. Eu não sei se tu costumas ir a festivais de música. Eu não, mas agora  aparecem-me com bilhetes em casa e obrigam-me a ir a estas coisas e eu lá faço o sacrifício. Mas, dizia eu, talvez não saibas mas festivais de música e mau tempo não combinam. É chato, como diria alguém.

Além disso, eu gostava muito de, já que não vou para Lagos, ir à praia segunda e terça feira aqui em Lisboa. E, não querendo parecer esquisitinha, mais uma vez, praia e mau tempo não combinam. Ou bronzeado e mau tempo não combinam, vá.

Convenhamos que este tempo não é normal para esta altura. Estamos em pleno mês de Junho e, esta manhã, foi num acto de rebeldia pura que eu me recusei a vestir collants. Ainda estive com elas na mão, acreditas? Mas depois achei que vestir collants em Junho era um ultraje. E vim de vestido e perna ao léu. Se tiver frio porque estão 16°, paciência. Mas Junho não combina com collants (ou meias de vidro ou lá como se chamam).

Para não abusar da tua boa vontade, nem sequer te peço bom tempo para Londres. Até porque ambos sabemos que isso é impossível, não é verdade?

Mas pensa nisto. Com carinho. Eu e milhões de pessoas agradecemos. 

domingo, 3 de junho de 2018

De Madrid...

Agora que já disse (quase) tudo o que havia a dizer sobre a Maratona de Madrid, resta falar sobre a cidade.

E eu gostei tanto de Madrid! Achei Madrid uma cidade "fácil". E com isto quero dizer que é uma cidade onde é fácil sentirmo-nos bem, confortáveis, seguros, em casa. Não é uma cidade demasiado grande e tem muita vida, pelo que é fácil que nos encante.

Alugámos um apartamento perto da meta da Maratona (que era no Paseo del Prado), em pleno bairro Lavapíés. Este é um bairro muito peculiar. Podem ler mais aqui mas é, em resumo, um bairro com uma grande mescla de culturas e nacionalidades (diz esse artigo que moram ali pessoas de mais de 80 nacionalidades diferentes), um bairro muito "alternativo", com muitas galerias de arte, com muitos restaurantes de todos os tipos de comida, com muitos bares e esplanadas, com muita agitação social, com muita animação. É um bairro diferente, mas foi uma experiência gira. E, tirando lá uma certa praça à noite que não estava muito bem frequentada, nunca nos sentimos inseguros.

Chegámos Sábado pela hora de almoço (depois de muitas e variadas peripécias e atrasos - obrigada, TAP), e, como já contei, andámos pela feira e depois fomos descansar. Saímos só para jantar, num restaurante italiano ali perto, e regressámos ao apartamento.

Domingo não fizemos nada. Quero dizer, fizemos quase 43km pelas ruas de Madrid. Mas o que é isso? Nada, pois claro. Depois disso ficámos pelo apartamento, porque tínhamos comprado umas cervejas e umas tapas, para podermos descansar. Saímos para jantar ali perto, num tailandês muito giro e com comida muito boa.


Cerveja Tailandesa

Segunda-feira era dia de recuperação activa, obviamente. Começámos o dia com uma free tour. Eu não sei se já aqui falei sobre as free tours, e se já o fiz, perdoai a repetição, mas a idade não dá para mais. As free tours são a coisa mais espectacular que alguém inventou. Já fiz em Praga, Bruges, Ghent e, agora, Madrid. São visitas guiadas, com grupos de tamanho variável (são os que aparecerem, basicamente), que podem ser em diferentes idiomas, e em que durante cerca de duas horas percorremos a cidade onde estamos, com alguém que realmente a conhece, que nos mostra os pontos principais, que conta umas histórias engraçadas, e que dá boas dicas sobre onde comer e fazer compras, por exemplo. Tudo depende do guia, claro, mas tenho tido excelentes experiências! No final, cada um paga o que quiser. Literalmente. É uma excelente forma de ficarmos com uma visão global da cidade (muito útil, sobretudo, quando temos pouco tempo num sítio).


Em frente ao Palácio Real


A Ursa mais famosa de Madrid!


No mercado de San Miguel



Depois disto, foi almoçar, e seguiu-se um passeio pelo Retiro. Eu achei que um passeio de barco no lago do Retiro era uma excelente forma de poder descansar durante 45 minutos... Mas o certo é que, quando dei por mim, estava a remar. Se já me doíam as pernas e os pés, assim ficaram a doer-me também os braços, que eu sou pela igualdade de direitos.




Confesso que ainda dormi uma pequena sesta num banco de madeira, enquanto o louco mais louco que eu se divertia a tirar fotos aos patos e a todo o tipo de pássaros que lá andavam. Apesar de já lá ter estado há uns anos, não tinha noção de o Retiro ser tão grande e fiquei mesmo fascinada e apaixonada por este jardim, onde havia imensa gente espalhada pela relva a fazer aquilo que os espanhóis melhor sabem: viver a vida.


Neste dia ainda fomos ao Museo Reina Sofia, aproveitar o facto de ao final do dia não se pagar a entrada. Fizemos uma visita rápida, mas deu para ver as obras principais. O Guernica, Senhores! O Guernica!... Sinto-me sempre esmagada quando estou perante obras destas... Não foi excepção.

E assim se passou o dia, com dores, claro, mas a tentar aproveitar alguma coisa. Neste dia jantámos num vegetariano muito bom, com uma decoração muito gira e óptimo ambiente. Aliás, comer bem em Madrid não é difícil! Difícil é escolher!





No dia seguinte, dia 2 pós-Maratona, alguém levou o conceito de recuperação activa demasiado à letra e, como se não bastassem as três horas no Prado (mais 45 minutos em pé na fila para entrar), obrigou-me a fazer quilómetros e quilómetros por Madrid. Mas mesmo! Para alguém que estava cheia de dores e que não conseguia descer escadas (diz que há um vídeo muito giro de mim a tentar descer escadas no Prado, mas só divulgo se pagarem muito bem), isto foi muito violento. A dada altura, estava mesmo saturada e comecei a ficar rabugenta!... Mas o homem estava feliz e queria ver mais isto e mais isto e aquilo é já ali e agora só mais isto e estamos perto daquilo e vamos só ver mais uma coisa... A sorte dele foi que eu não tinha levado o relógio e não tinha bem noção dos quilómetros, mas foram horas e horas a caminhar... E eu, sem dizer nada. Mas o dia acabou com ele a reconhecer que talvez, só talvez, se tivesse entusiasmado um bocadinho... A verdade é que percorremos imensos sítios e bairros de Madrid, vimos tudo e mais alguma coisa, e almoçámos no Mercado San Antón (já tínhamos estado no de San Miguel na véspera, e este é bem menos turístico e confuso).


Sobremesa divinal no Mercado de San Antón

Como se não bastasse, este dia ainda incluiu... O concerto dos Arcade Fire! Já há meses que o louco mais louco que eu tinha comprado bilhetes para vê-los em Lisboa, mas entretanto percebemos que a viagem coincidia com essa data, e ele acabou por vendê-los. No dia da Maratona, já no apartamento, achei por bem comentar que durante a prova tinha visto um cartaz a anunciar que eles iam estar em Madrid no dia 24. Escusado será dizer que ele não fez mais nada enquanto não arranjou bilhetes!... E lá fomos nós. O concerto foi, de facto, incrível! Tenho pena de ter estado tão cansada mas foi mesmo muito bom e até eu, que não conheço particularmente bem a banda nem sou grande fã, achei que deram um grande espectáculo, muito bem conseguido, com imensa interacção com o público, e muito divertido. Acabou por ser mais uma experiência engraçada desta viagem!

Outra coisa gira em Madrid foi termos andado algumas vezes de eCooltra. Aliás, pouco andámos de metro. Andámos imenso a pé e, em alguns trajectos mais longos, optámos por esta opção. E foi bem giro andar a passear pela cidade de mota! (eu, que durante anos a fio me recusei a andar de mota, agora digo uma coisa destas...)

Chegou enfim o dia da partida. Ainda demos uma volta de manhã, almoçámos no Mercado de La Paz, e seguimos para o aeroporto.



Gostei mesmo da cidade e recomendo a quem não conheça! Eu já lá tinha estado duas vezes, mas sempre por pouco tempo, e desta vez pude realmente ficar a conhecer Madrid. E vale mesmo a pena!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Da Maratona de Madrid... - VIII

Este é o último post sobre este tema. Acho. Mas nunca se sabe...


Depois do relato, depois de falar da prova em si, falta escrever sobre mim na prova. 

Claro que, tudo o que eu escrevo aqui, é muito pessoal, é totalmente empírico, e eu não sou exactamente muito experiente no tema para poder falar muito sobre o mesmo. Longe de mim querer achar que posso estar para aqui a falar de Maratonas como se fosse muito entendida! Só acho que, precisamente por isso, e até para minha referência futura, pode ser interessante partilhar a minha experiência de alguém que olha para isto de forma muito simples e terra-a-terra, apenas com base no que viveu e aprendeu. Também sei que, dado o tempo que eu demorei a concluir a Maratona de Madrid, talvez o que eu aqui digo não seja muito legítimo. Não é o mesmo fazer uma Maratona em três horas ou em cinco. Talvez não faça sentido eu falar na gestão da alimentação que fiz durante a prova, porque, de facto, eu fiz mais um passeio por Madrid do que uma prova, mas foi o meu passeio e quero falar sobre ele. O mesmo quanto à preparação antes... Ou quanto às cãibras, que não tive. Talvez se eu corresse o tempo todo e depressa, tivesse tido. Talvez correndo ao meu ritmo, seja impossível tê-las. Não sei. Mas posso partilhar o que fiz para evitar que as tivesse, caso fosse possível tê-las quando se correr a ritmo de tartaruga.

Mas avancemos.

A decisão de ir a Madrid surgiu no seguimento do fracasso que foi a tentativa de ir ao Porto. Quando, em Setembro ou Outubro do ano passado, decidi desistir de tentar estrear-me na Maratona do Porto, naquela que foi uma decisão dura e difícil, a primeira coisa que o louco mais louco que eu fez foi procurar outras opções em que eu me pudesse estrear. Ainda pensei em fazer outra até ao final do ano, mas acabei por ficar desmoralizada e sem vontade. Sevilha também foi considerada. Mas implicava treinar muito durante o Inverno, e eu conheço-me. Por outro lado, no final do ano começou a surgir a possibilidade de eu vir a ser obrigada a parar durante uns tempos e começaram a surgir também outros planos de futuro. Com isto, eu sabia que ou fazia já uma Maratona, ou talvez nunca a fizesse. A pouco e pouco, surgiu Madrid em cima da mesa. Era perto, era barato, calhava junto ao 25 de Abril, o que permitia fazer umas mini-férias, nenhum de nós conhecia bem a cidade, já estaria um tempo mais simpático, tinha imenso tempo para treinar, ... E foi assim que, no Natal, o meu presente para ele foi a inscrição na prova. Consequentemente, inscrevi-me a mim também, mesmo sem ter a certeza se poderia fazer a prova.

E foi a partir da inscrição, que eu comecei a treinar. Criei um plano de treinos no My Asics, a que já tinha recorrido noutras ocasiões e sempre gostei muito. As projecções muito optimistas diziam que eu havia de fazer a prova em 4h26. Desde o princípio, sabia que isso era impossível.

Foram quase 4 meses de treinos. Treinos pouco consistentes, pouco regulares, muito incertos. Devia treinar 4 vezes por semana. Acho que isso não aconteceu mais do que uma ou duas vezes. Regra geral, treinei 3 vezes por semana. Houve semanas em que treinei 2, houve semanas em que treinei 1. Não sou a pessoa mais disciplinada e focada do mundo. Nunca serei. Pelo meio, houve uma mudança de casa e muita coisa a acontecer na minha vida pessoal, na minha saúde, e nas pessoas à minha volta. Sei que devia ter treinado mais, mas sei que fiz o possível, enquanto tentava aguentar-me em pé e ter vida para além da corrida (isso existe?).

Em jeito de preparação, fiz o Fim da Europa, fiz o Peninha Sky Race e fiz a Meia de Cascais, em três semanas seguidas. Parecendo que não, acabou por ser um bom arranque para os treinos. Depois disso, fiz um treino de 22km e dois de 25km. Não fiz treinos verdadeiramente longos. E isso deixou-me em pânico para o dia da prova. Há muitas e variadas teorias sobre esta questão. Eu, que não percebo nada disto, acho que os treinos mais longos são importantes, sobretudo, a nível psicológico. Não sei se as nossas pernas sabem bem se corremos 25, 30 ou 35km. Mas a nossa cabeça sabe perfeitamente e pode cobrar-nos isso. Na semana antes da prova, pelos motivos que se sabe, fiz apenas dois treinos de 5km. Levei o conceito de tapering ao extremo. E parece que até nem foi má ideia.

Um mês antes da prova, e por causa das minhas amigas bolhas, comecei a pôr creme anti-bolhas. Em quantidades monstruosas. Todos os dias. Duas, três, quatro vezes por dia. De manhã depois do banho, ao fim da tarde antes dos treinos, depois do banho a seguir aos treinos, antes de dormir. Tornou-se o meu ritual religiosamente cumprido. E foi a única coisa que, de facto, teve algum efeito. Claro que fiquei com bolhas durante a Maratona. Mas nada que se compare com a bolha de sangue que fiz no primeiro treino de 25km. Na verdade, e é certo que já se passou algum tempo, mas não tenho grande memória de as bolhas me terem incomodado muito durante a Maratona (ao contrário do que aconteceu em Cascais, por exemplo). Tive mais dores depois, com muitas dificuldades em calçar-me nos dias seguintes, do que propriamente na prova. E também nunca tive os pés tão hidratados! Fica a dica, para quem sofra do mesmo mal.

Uma semana antes da prova, comecei a tomar Magnesona diariamente. Torço um pouco o nariz a suplementos da moda e aquelas coisas que a malta super fit toma. Mas a Magnesona vende-se na farmácia e é dada, por exemplo, às grávidas, e é, de facto, muito eficaz na redução das cãibras. Mal não faz, de certeza. E o que é certo é que não tive uma única! Se foi por correr devagar ou foi por causa disto, nunca saberemos...

Já se sabe que os dias antes da prova não foram o ideal em termos de alimentação e descanso. Mas tentei, dentro do possível, ir bebendo muita água, e no Sábado privilegiei os hidratos de carbono ao almoço (pasta party!) e ao jantar (italiano). O pequeno-almoço antes da Maratona foi o do costume: papas de aveia com leite de soja, mel e frutos secos, acompanhadas de chá verde. Antes da prova, comi uma banana e bebi mais água. 

Durante a prova, tomei 3 ou 4 géis (já não me lembro ao certo), e acho que 2 gomas (acho que já disse que sou fã destas). Nos abastecimentos, que eram bastantes, fui apanhando alguns pedaços de banana, mas poucos, que não me apetecia muito e o que eu queria mesmo era laranjas, que não havia... Quando havia isotónico e água, o que fazia era pegar numa garrafa de água e num copo de isotónico. Bebia logo o isotónico e depois ia bebendo pequenos golos de água. Umas das minhas maiores preocupações era com a desidratação, sobretudo, porque estava bastante calor. Fui-me obrigando a beber água, a pouco e pouco, e ia molhando a cabeça, a cara e os braços. O objectivo era beber uma garrafa de água entre cada abastecimento. Nem sempre o fiz, mas quase. E não, não tive de parar mais nenhuma vez para ir à casa-de-banho (tirando aquela logo ao início). Aliás, só muitas horas e algumas cervejas depois da prova é que voltei a ir à casa-de-banho. Desculpem estes pormenores, mas é mesmo incrível o impacto que uma coisa destas tem no nosso corpo!...

Psicologicamente, a prova foi toda uma montanha-russa. Houve vários momentos em que me perguntei por que raio estava ali. Houve várias alturas em que achei que aquilo não era para mim. Mas nunca, em momento algum, pensei seriamente em desistir. Mesmo no meio de todas as inseguranças, eu sabia que havia de cortar aquela meta, custasse o que custasse. Eu pensava em tudo o que tinha passado para chegar ali, eu pensava em tudo o que estar ali representava, eu pensava nas pessoas todas que tinha a torcer por mim, e eu sabia que tinha de acabar a prova. E acabei. Ainda não sei bem como, mas acabei.

Outra coisa que eu achei, e perdoem-me os que discordam, é que fazer a Maratona não custa assim tanto!... Fazer a Maratona é chegar e correr. Sim, eu sei que demorei quase 5 horas e que isso me tira alguma moral para falar mas é mesmo isto que eu sinto... O que custa são os meses e meses de treino, é o acordar cedo, é o ter de abdicar de jantaradas, é o estar sempre a condicionar a vida à volta do plano de treinos, é o estar preocupada com a alimentação, é a pressão tremenda de ter de treinar, são as dores e as recuperações... É isso que custa. É isso que nos faz vacilar. No dia? No dia é calçar os ténis e correr! No dia, é tentar absorver tudo o que está a acontecer para conseguirmos guardar em nós todas as memórias daquela experiência única! No dia é aproveitar e ser feliz! Só isso!

E como é que eu me sinto quase um mês e meio depois da Maratona? Sinto que não fiz uma Maratona. É verdade. E poupem-me as palmadinhas nas costas. Eu fui educada com base na premissa "nothing is good enough", pelo que, ter demorado quase 5 horas e ter feito uma parte do percurso a caminhar, não me permite reconhecer-me o direito de me sentir verdadeiramente maratonista. Eu fiz a Maratona, sim, e eu fiz o melhor que podia, sim, e custou-me muito, sim, e esforcei-me muito, sim, e foi um feito do caraças dadas as circunstâncias, sim. Mas talvez tenha de voltar a fazer uma a sério um dia, para a coisa me saber a sério. Não me batam, por favor!... Não consigo explicar melhor o que sinto, e sei que vou ser mal interpretada, mas entendam isto como mais um dos muitos disparates que eu por aqui digo. É um sentimento estranho. Eu fiz a Maratona, mas sinto que não me posso pôr ao mesmo nível de tantas pessoas que conheço (e que não conheço) que são Maratonistas a sério... É estranho, mesmo. Mas é o que eu acho!...

Por último, esta prova só foi possível porque tenho à minha volta gente incrível. Se não fosse o louco mais louco que eu, não teria conseguido. Não tenho dúvidas disso. Foi ele que me apoiou desde o início, foi ele que me obrigou a treinar, foi ele que refilou comigo quando eu me armei em lontra e quis ficar na ronha, foi ele que me incentivou e empurrou para a frente quando eu duvidei de mim, foi ele que me acompanhou em muitos treinos sofrendo no meu ritmo lento-quase-parado, foi ele que abdicou de fazer uma prova melhor no dia M apenas para poder partir comigo. Muito do que fiz, devo-o a ele. Mas devo-o também a muitas outras pessoas, muitas pessoas que estão aí desse lado, que também me deram dicas e conselhos, que me deram forças, que me incentivaram, que me apoiaram e acreditaram. E é uma sensação incrível sentir esse apoio! Quanto mais não seja, a Maratona valeu por isso! Obrigada!



E assim encerro este tema por aqui. Por ora.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Das confissões...

Se calhar, tens um problema quando a Senhora da Hussel não só já te conhece, como insiste para que comas um chocolate novo que ela lá tem para tu provares...

domingo, 27 de maio de 2018

Da forma como desperdiçamos o que nos é dado...

Um mês e nove dias. Um mês e nove dias foi exactamente o tempo que eu demorei a cair em mim.

A minha mãe morreu. A minha mãe morreu e a única coisa que eu fiz nos últimos anos foi ignorá-la. Foi deixar sem resposta os emails e as mensagens que ela insistia em enviar-me e que tinham até o dom de me irritar.

Agora já não vai haver mensagens nem emails para ignorar. Nem para responder, quisesse eu mudar de ideias.

Agora já não vai haver nada. Porque ela morreu.

Ela morreu e eu percebi agora que vou viver para sempre com a culpa, com a dúvida, com a incerteza. Ela morreu e eu não sei se fiz tudo o que podia. Ela morreu e eu não sei se dei todas as oportunidades que devia ter dado. Talvez pudesse ter dado mais uma. Talvez devesse ter dado mais uma.

Agora não há nada a fazer. Agora é clara para mim a irreversibilidade da morte. É clara como se nunca tivesse sido. Achamos sempre que a morte é uma coisa distante, que acontece aos outros, que acontece aos que são muito velhinhos, que vai acontecer um dia mas nunca pensamos muito bem em quando será esse dia. Depois a morte começa a fazer o seu trabalho. Leva-nos uma pessoa, e outra, e outra. E nós percebemos que a morte é mesmo inevitável. E mesmo irreversível.

E a morte traz consigo lições. Muitas e variadas. A morte obriga-nos a pensar e repensar no que fizemos em vida. Porque o que não fizemos, já não vamos fazer. E isso é uma grandessíssima merda. Esta coisa de as pessoas morrerem sem aviso prévio, sem nos darem tempo para pensarmos bem se fizemos tudo o que queríamos ter feito, é uma grandessíssima merda.

Ou então é só (mais) um murro no estômago para nos lembrar que o nosso tempo por aqui é finito. E, pior do que isso, é incerto. Não sabemos por quanto tempo vamos por cá andar, nem sabemos por quanto tempo cá vão andar os que nos rodeiam. Talvez seja boa ideia deixarmo-nos de merdas e aproveitarmos a vida que temos. Só talvez.

Porque um dia é tarde demais. E viver com um sentimento de culpa que nos esmaga e consome aos poucos não é a melhor forma de vivermos os dias que nos restam.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...