segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Das fotografias que dão alegria... - Day 3

 


Isabelinha vive a sua primeira paixão não correspondida. Dá-lhe turras, beijinhos, festinhas, ri-se perdidamente só de o ver. 
Ele? Ignora-a, finge que ela não existe e foge dela quando se farta. 
A vida é dura desde cedo.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Das fotografias que dão alegria... - Day 2


Hoje estreei um dos meus presentes de Natal. Foram sete quilómetros a alternar corrida e caminhada, a empurrar o carrinho da Isabel. Será que é desta que eu volto a correr?... 

 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Das fotografias que dão alegria... - Day 1

 


Estreámo-nos nas caminhadas do ano, com um passeio a três pela zona ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. 
E ficou a promessa de lá voltarmos. 

domingo, 10 de outubro de 2021

Do meu regresso à terapia... E à psiquiatria... E à medicação...

 


Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde Mental. E eu, que já queria ter vindo escrever este post há demasiado tempo, achei que não podia passar de hoje.

Foi há quase 4 meses que eu regressei a uma consulta de psiquiatria. E, consequentemente, à medicação. E foi há 3 meses que eu regressei a uma consulta de psicologia.

Não foi um caminho fácil, até marcar as consultas. Nem tem sido um caminho fácil, nas consultas que tenho tido.

Há já muito tempo que eu sabia que devia fazer terapia. Mas fui adiando... Foi só mais uma das coisas que eu fui adiando por causa da Covid. Fui adiando, adiando, adiando. Até ser inevitável.

Já o regresso à psiquiatria, começou a fazer-me sentido também há já bastante tempo, mas foi mais difícil de aceitar. Sobretudo, porque seria o reconhecer daquilo que temia, e sabia que seria sinónimo de voltar à medicação.

Os dois regressos foram difíceis. São sempre. Começar a ser acompanhada por um novo psiquiatra e/ou psicólogo é sempre difícil. É começar do zero. É ter de abrir muitas portas e todas as janelas. É falar do que vai cá dentro com alguém que não conhecemos. É ganhar coragem e vontade para o fazer. É conseguir encontrar um sítio em que nos sintamos confortáveis, mas onde vamos para que nos tirem da nossa zona de conforto. É remexer no passado e no que tanto trabalho nos deu a enterrar. É falar do que não falamos com mais ninguém. É duro. Dói. Custa. E é um processo longo e que vai continuar a prolongar-se no tempo.

Ainda tenho dúvidas, ainda me questiono se preciso mesmo disto, ainda tenho dias em que não quero tomar a medicação. Mas vou andando, um dia de cada vez, à espera de me sentir melhor. Um dia.


Este post tem apenas dois objectivos: para mim, servir de registo para memória futura (como tudo neste blogue); para o mundo, num dia como o de hoje, relembrar que a saúde mental é tão importante como a saúde física, que também se trata, e que não é vergonha nenhuma querermos curar a mente, como curamos o corpo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Das portas que se fecham e das janelas que não queremos que se abram...

Ontem fechou-se uma porta que eu há muito queria ver fechada. Foram dois meses de vida em suspenso. Dois meses de incertezas, de dúvidas, de receios. Dois meses de espera. E eu não sou pessoa de estar, simplesmente, à espera. Foram dois meses duros, que incluíram um dos dias mais duros da minha vida. Se ao menos tivesse valido a pena, mas não valeu. A espera e as incertezas continuaram, depois desse dia. Mas, ontem, tudo isso acabou. Ontem, a porta fechou-se de vez. E eu posso voltar a respirar, posso fazer as pazes comigo, posso apanhar os cacos e retomar a minha vida, no ponto em que ela ficou há dois meses. Finalmente.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Do 1º ano da Isabel...


Um ano de Isabel.

12 meses. Uma volta completa ao Sol. Um ano inteiro. O primeiro de muitos, espera-se. É inevitável não fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Foi um primeiro ano atípico, patrocinado pela Covid-19. Não foi nada do que tinha imaginado, e tem sido um longo trabalho fazer esta gestão de expectativas. Foi um ano de mais recolhimento do que gostaria. Foi um ano de isolamento, de falta de apoio, sem aldeia à nossa volta para criar a Isabel.

A Isabel continua igual a si mesma. A distribuir sorrisos e beijinhos. A fazer sucesso na creche. Sempre bem-disposta. Gatinha pela casa fora e não dá descanso ao gato. Ele, por seu lado, já faz questão de se deitar perto dela, quando ela está no chão da sala a brincar. Tolera as palmadas dela com mais paciência do que eu poderia imaginar. Ela continua a adorar comer. É só dizer banana e os olhos dela iluminam-se. Comeu o seu primeiro pêssego à dentada e não se atrapalhou. Diverte-se a chupar o esparguete, já comeu percebes e adora beber água. Fica a olhar para nós quando estamos a comer e em breve vamos ter guerras por causa disso. Não gosta de usar chapéu nem óculos de sol. Voltámos à praia e divertiu-se a encher as mãos de areia, apenas para as esfregar e sacudir a seguir. Não ficou fã da água fria do mar e eu entendo-a. As noites continuam uma incógnita. Já dorme algumas seguidas, mas dorme pouco, e acorda sempre cedo. Continua no limite mínimo de horas de sono para a idade dela. Percebe muitas das palavras que dizemos, mas só diz de forma mais ou menos intencional papá e gato. Mamã aplica-se a tudo, de forma mais ou menos aleatória. O pai ensinou-a a deitar a língua de fora. Teve a sua primeira gastroenterite. Foi ao Oceanário no dia de aniversário e voltámos à Quinta Pedagógica dos Olivais. Adora cerejas e framboesas. Fez a primeira birra para ficar na creche. Aponta para tudo e fala lá na língua dela. Já percebeu que nos derrete e faz as suas gracinhas. Teima em ser ela mesma a lavar os seus dentes. E já tem mais dois a nascer. Está longe de começar a andar e está tudo bem. 12 meses de Isabel. Que venham muitos, muitos, muitos mais.



Nota: a Isabel fez um ano a 25 de Junho. Mas o mês que passou foi estupidamente longo e duro, e, apesar de já ter o texto escrito há algum tempo, faltou a vontade de aqui vir escrever. E teria tanto para dizer!... Talvez um dia.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Dos 11 meses da Isabel...


Onze meses de Isabel. 

Onze. Só falta um para os doze. O último mês trouxe a grande novidade de um dos marcos do seu desenvolvimento: já gatinha. Ninguém a pára e acabou-se o sossego. O nosso e o do gato. Que ela continua a adorar. Já foi arranhada, claro. Continua na creche e não houve mais sustos com covid-19. Espalha charme e sorrisos e já tem um clube de fãs. Ainda não perdeu as bochechas, mas já esticou um bocadinho. Adora comer. Sopa, fruta, peixe, carne, legumes, panquecas. O que seja. Dêem-lhe comida e os olhos dela brilham. Consta que começa a guinchar mal vê as cadeiras de refeição na creche. Ainda não fala, mas já procura com o olhar quando lhe perguntamos pela mãe, pelo pai, pelo gato ou pela bola. Gosta de partilhar. Eu peço-lhe para dar a banana à mamã e ela nem hesita em enfiar-ma na boca. E ri-se perdidamente com isso. Continua bem disposta. E boa onda. E simpática. Continuo sem saber a quem sai. Passámos o nosso primeiro fim de semana fora de casa e portou-se lindamente. Não estranhou a cama, não estranhou comer no restaurante, não estranhou nada. É uma santa. Ou não fosse Isabel. Estabilizou nos seis dentes há já umas semanas. Nunca nos deu nenhum susto de saúde. Imita-nos a piscar os olhos e nós rimos perdidamente. Diz adeus. Manda beijinhos. Imita-me a suspirar e ri-se. Também bate palmas. Atira coisas para o chão e fica a olhar para elas, a tentar perceber isso da gravidade. Já não berra desalmadamente na maior parte do tempo das viagens de carro e até já aconteceu adormecer sozinha. Já tem o seu primeiro fato de banho mas ainda não o usou. Já quase percebeu o conceito de dar abraços e derrete corações quando encosta a cabeça no nosso peito. As noites estão incrivelmente melhores. Mesmo quando ela acorda às cinco e meia e entende que não precisa de dormir mais. As sestas continuam de trinta minutos. Tem potencial para ser uma autêntica gralha. Adora o reco reco e foi maravilhoso ver a evolução dela até ela perceber como ele toca. Já é menos careca e não tem o cabelo tão escuro como o da a mãe. Ainda hoje dei comigo a olhar para ela e a perguntar-me como era possível eu ter feito algo tão incrível. 

Onze meses de Isabel. Não é cliché, passa mesmo a voar. 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Dos 9 meses da Isabel...

 


Nove meses de Isabel.

Nove. Já viveu tantos meses no mundo, como em mim. A partir de agora, será sempre mais do mundo do que minha. Se é que algum dia foi minha. Continua a adorar comer e já provou de tudo um pouco. Morre de medo da Alexa. Distribui sorrisos por onde passa. Já só acorda 1 ou 2 vezes por noite, mas entende que o dia começa às seis e meia da manhã. Continua preguiçosa para gatinhar, mas lá vai rastejando. Já tem 5 dentes, desalinhados e com um buraco entre eles, com um sorriso que, só por si, dá vontade de rir. Continua a rir-se perdidamente quando vê o Snow e já levou a primeira arranhadela. Continuou a rir-se perdidamente depois disso. Gosta de fazer barulho com as mãos, a bater na mesa, nas paredes, onde calhar. Também gosta de bater com os brinquedos uns nos outros, para os ouvir. Quando nos escondemos para fazer "cucu", estica-se toda para ver onde estamos. Fomos a uma pediatra nova e gostámos. Andou a devorar laranjas que trouxemos dos avós. Começou a comer o segundo prato, e comeu tudo, obviamente. Foi visitar os primos e estava deslumbrada, ao olhar para eles, a vê-los tocar piano e a contarem-lhe histórias. Descobriu o iogurte e despacha um em menos de nada. Faz as caretas mais cómicas e eu acumulo centenas e centenas de fotografias. Provou limão e não se queixou. Regressou à creche, apenas para voltar para casa ao fim de 4 dias. Fez a sua primeira viagem de carro sem berrar e até adormeceu sozinha. Ainda olho para ela e me pergunto como é que é possível. Não sei. Nunca saberei.


(com 15 dias de atraso, mas está tudo bem...)

domingo, 21 de março de 2021

Do teu ar sereno nos meus braços e da vida que não sei viver...

Há pouco, emocionei-me enquanto embalava a Isabel nos meus braços e a via adormecer.

Costumo adormecê-la no berço, durante o dia, mas hoje quis que ela adormecesse ao meu colo, enquanto eu a embalava e eu cantarolava para ela. Talvez pela consciência de que, um dia, estes momentos deixarão de existir. Ao vê-la fechar os olhos e deixar-se ir, senti os olhos encherem-se de lágrimas.

Estamos, desde quinta-feira, em isolamento profilático, por ela ter sido considerada contacto de alto risco. Estou tranquila em relação a isso, plenamente consciente de que a probabilidade de ela ter sido contaminada com Covid-19 é muito baixa.

Mas, ao mesmo tempo, não deixo de me sentir frustrada e angustiada com tudo isto. Estamos fechados em casa há um ano (excepção feita para duas semanas no Algarve). Estamos estupidamente isolados e confinados. Estamos a viver a experiência da parentalidade sozinhos, sem apoio, sem partilha, sem a celebração que este momento devia ser. Protegemo-nos, e a ela, o mais que podemos, e, com isso, afastamo-la dos nossos e de quem lhe quer bem. Tudo o que temos feito, é por acharmos que é o mais correcto. Mas, depois, bastam 4 dias na creche, para ela ser exposta e considerada contacto de alto risco por contacto directo com um infectado. E eu, que sempre vivi bem com as minhas decisões no último ano, não deixo de me questionar. Ao vê-la adormecer nos meus braços, ao deliciar-me com os seus contornos perfeitos e o seu ar sereno, não deixo de me perguntar se fará sentido continuar a privá-la do mundo, e a privar o mundo dela. Se a deixamos ir para a creche, com o resultado que está à vista, não faria sentido deixá-la estar com as nossas pessoas?... Ao mesmo tempo, a racionalidade em mim, pergunta-se se não será esse o pensamento errado que levou ao estado em que estamos de achar que "já que me exponho para ir trabalhar, então também não faz mal se me expuser para ir jantar fora, e estar com os amigos, e estar com a família...". O facto de ela ir à creche, deverá justificar que a resguardemos ainda mais, para minimizar riscos, ou deverá ser carta branca, em jeito de "perdido por cem, perdido por mil", para aproveitarmos a vida e vivermos esta experiência um pouco mais como ela deveria ser vivida?...

Não consigo chegar a nenhuma conclusão. Vivo dividida entre fazer o que acho correcto, não só porque o nosso governo o diz, mas porque a minha consciência assim o diz, e fazer o que vejo os outros fazerem, em actos que me fazem questionar o meu excesso de zelo.

De uma coisa não tenho dúvidas: o impacto social desta pandemia é absolutamente avassalador. Quem acha que vamos ter uma grande crise económica, devia preocupar-se igualmente com a forma como todos vamos sair disto em termos psicológicos, nos nossos afectos, nos nossos medos e ansiedades.

domingo, 7 de março de 2021

Dos pensamentos que me ocupam às cinco da manhã...

Não sei se tenho mais saudades das coisas que a Covid me tirou, se das coisas que a maternidade me tirou. Dadas as circunstâncias actuais, ambas confundem-se e é difícil identificar quais são quais. Pouco importa, na verdade.

Mas tenho saudades. Tenho saudades de restaurantes. De esplanadas. De ficar na praia até ao pôr do sol. De ir à Davvero comer um gelado. De ir a um concerto ou a um espectáculo. Tenho saudades das minhas pessoas. De estarmos juntos só porque sim. De respirarmos o mesmo ar sem medo do que daí pode vir. De nos abraçarmos. Eu, que nem sou de abraços. Porra. Tenho saudades de um abraço. Tenho saudades de tudo ser simples e fácil. De ir a algum lado, ser apenas ir a algum lado. Sem medos, sem paranóias, sem máscaras e sem desinfectantes. Tenho saudades de almoços de horas. De visitas inesperadas. De dias sem planos e sem horários. De dormir até tarde. De dormir, no geral. De me sentir leve e feliz. Tenho saudades da vida que tinha e que sei que nunca voltará. Com ou sem covid. Tenho saudades de correr nos trilhos. Das provas. A dois ou em equipa. Da sensação boa que vinha no final, que fazia esquecer o cansaço e eventuais maleitas. Tenho saudades de viajar. Daquela excitação boa que surgia sempre que entrava num avião, fosse qual fosse o destino. Ou num carro, pouco importa. Tenho saudades de Lagos. Dos percebes. Dos gelados. De Porto de Mós e do Zavial. Da pizzaria debaixo do prédio. Da mini varanda que aqui não temos. Tenho saudades dos pés descalços e dos chinelos. Do não ter pressa. Das caminhadas na marginal e nos passadiços. Tenho saudades de tanta coisa a que antes não dava o valor suficiente. Tanta.

É pena, é mesmo pena, que na maior parte dos casos, só demos valor às coisas quando deixamos de as ter. Seja por culpa da covid, seja por culpa da maternidade. 

Se tudo isto não servir para mais nada, que sirva para que eu aprenda a dar valor às pequenas coisas. 

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...