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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Das viagens da minha vida...


Há 3 anos estava em Praga. A fazer aquela que foi a minha primeira viagem sozinha. Já tinha tirado uns dias de férias sozinha, mas em território nacional, na casa de praia da família. Ir assim, para um país diferente, com uma língua estranha, completamente sozinha, foi toda uma novidade para mim.

Foi uma viagem de muitas emoções. Quando decidi fazer a viagem, decidi fazê-la sozinha. Quando marquei a viagem, já ia fazê-la com companhia. A 10 dias da partida, a companhia desapareceu da minha vida de um dia para o outro e eu fiquei com uma viagem marcada para 2, para ser feita a 1. Mas fui na mesma. 

E foi das melhores coisas que já fiz na vida.

domingo, 27 de março de 2016

De Praga... - VII

Sim, ainda em Praga. Fez ontem um mês que fui e ainda não pus aqui as fotografias todas.

O último dia em Praga foi o dia do meu aniversário. O vôo era só à hora de almoço, e eu ainda queria visitar dois sítios para tirar algumas fotografias. E assim foi.


Mais uma passagem pela mais famosa ponte de Praga, em direcção a Malá Strana.


Achei este sinal amoroso. Não sei a tradução exacta, mas apelava ao convívio amigável entre pessoas e bicicletas, solicitando que se tivesse cuidado com os outros.



Este era um dos sítios que eu queria fotografar, junto ao Museu Kampa.


Estes pinguins eram irresistíveis...


No mesmo sítio, estes bebés curiosos, do já referido David Černý. 


E, por último, para terminar o mini tour pelas muitas estátuas e esculturas caricatas de Praga:


Do mesmo autor, e de nome "Piss", nesta obra vemos dois homens a fazer o seu xixi sobre... A República Checa! Controverso, no mínimo!


E, como tudo o que é bom acaba, lá fui eu para o aeroporto, onde me deliciei com estes bancos...


E não me deliciei tanto assim com a comida da classe económica...


Vou lembrar-me sempre desta viagem e pode ser que um dia volte a Praga. Gostei mesmo muito da cidade, não fica caro, e vale mesmo a pena!

quarta-feira, 16 de março de 2016

De Praga... - VI

No meu terceiro dia em Praga, Domingo, tinha planeado visitar o Bairro Judeu e depois passar para o outro lado do rio, para visitar o Parque Petřín.

Como já referi anteriormente, Praga é também a cidade das esculturas peculiares. Esta ficava mesmo ao fundo da rua do meu hotel. Passa muito despercebida, se não soubermos que ela existe e se não olharmos bem para cima.


É da autoria de David Černý, um artista checo que tem várias obras espalhadas pela cidade, e representa Freud, na indecisão entre continuar agarrado ou deixar-se ir.




Já no Bairro Judeu (Josefov), comecei pela visita ao Museu Judaico. É interessante mas... Não é nada do outro Mundo!


Este bairro funcionou como gueto de Judeus desde o século XIII, e ao longo dos séculos, os Judeus foram sempre confinados a esta zona da cidade. Apesar de, actualmente, já existir também muita construção moderna no bairro, neste bairro existem muitos edifícios muito bem conservados que representam a presença judaica nesta cidade e um dos melhores exemplos a nível europeu. Mesmo durante a ocupação Nazi, apesar de terem sido levados cerca de 80.000 judeus para campos de concentração só desta zona, toda esta área foi preservada porque Hitler tinha como objectivo criar ali o Museu da Raça Extinta...


Um dos edifícios mais impressionantes é a sinagoga Pinkasova (a segunda mais antiga em Praga). O que é mais impressionante aqui são as paredes da sinagoga, que nos anos 50 foram cobertas com os nomes dos cerca de 80.000 judeus desta região que foram vítimas do holocausto.  


Além dos nomes, foram pintadas a data de nascimento e de falecimento (quando se sabia). É arrepiante ver nomes de crianças de 4, 5 anos nestas paredes...


Eu não sou uma pessoa muito impressionável, nem particularmente sensível a este tipo de coisas, mas foi para mim um verdadeiro murro no estômago. Senti-me completamente esmagada, sem palavras, a sentir-me obrigada a demorar-me em frente a cada um daqueles nomes como se os quisesse homenagear. É inexplicável.

Mas o pior estava para vir. E dessa parte não tenho fotografias. Dentro desta sinagoga há uma exposição de desenhos feitos por crianças no Campo de Terezín - que não era um campo de extermínio, era um campo de concentração que era usado com fins de propaganda, pelo que era menos mau (se tal é possível!...). Ainda assim, os desenhos daquelas crianças, dos seus sonhos, dos seus desejos, das memórias que tinham da vida antes do campo, mexe com qualquer pessoa...



Depois deste momento mais pesado, passei para o Cemitério Judeu. Neste cemitério, que foi usado entre os séculos XV e XVIII, estima-se que tenham sido enterrados cerca de 12.000 judeus. Como? Em camadas... Há locais em que foram feitas 12 camadas!... Daí que o amontoado de lápides tenha este efeito curioso.


Uma das coisas que achei curiosa, porque desconhecia completamente esta tradição judaica, foi o facto de muitas das sepulturas terem pequenas pedras colocadas em cima.


É o verdadeiro caos de lápides!... Regra geral, não são muito trabalhadas, mas as mais recentes já têm alguma decoração. 



Daqui, segui para a sinagoga Espanhola, junto à qual temos mais uma estátua. Desta vez, em homenagem a Kafka (que viveu nesta zona).



A sinagoga Espanhola impressiona pelo seu estilo e pela decoração completamente diferente das outras. É também a mas recente da cidade (meados do século XIX).






Depois de visto o Bairro Judeu, segui junto ao rio para o atravessar e ir para o parque.



Pelo caminho, passei por este curioso ginásio. Que tipo de aulas decorrem lá, deixo à vossa imaginação.


Num dos extremos do parque, o que eu usei para entrar, está este monumento ao comunismo. Mais uma escultura curiosa!... 


É uma escultura mais pesada, em que vamos vendo os corpos cada vez mais desfigurados, conforme vão estando mais longe. É mais uma representação da forma como os checos olham para este período da sua História.


Depois de muito caminhar e subir, cheguei à torre Petřín, construída em meados do século XIX, e com algumas semelhanças à Torre Eiffel. Para chegar lá acima sobem-se 299 degraus.


A vista é espectacular (pena que o dia não estivesse grande coisa) mas, confesso, tive medo. Eu não costumo ter vertigens mas lá em cima a torre abanava com o vento e a sensação não era muito agradável. A descida custou-me bastante e achei que ia ter um ataque de pânico...



Já cá em baixo, depois de me sentar a descansar uns minutos, fui a outra das atracções deste parque: o Labirinto dos Espelhos.


É engraçado. Mas é só isso!...


Como se ainda não bastasse... Dei corda às botas e fui em direcção ao Mosteiro Strahov, numa corrida contra o tempo. Quando lá cheguei, disseram-me que a igreja já estava fechada... Continuei a correr para aquele que era o meu objectivo: a biblioteca.


E consegui!... Ou melhor, consegui estar lá dez minutos, porque depois disso começaram a correr comigo... Mesmo tendo pago o bilhete e tendo pago ainda um extra para poder fotografar (têm olho para o negócio, os checos!).


As fotografias não estão grande coisa (não é fácil fotografar com uma senhora com um ar assustador e com o dobro do nosso tamanho a gritar "closing, closing"), mas esta foi considerada uma das bibliotecas mais bonitas do Mundo. Ainda não vi todas as bibliotecas do Mundo, mas esta é muito bonita, sim!


 Já sem pressão de horas, perdi-me por Malá Strana. Literal e figurativamente.


Tão a minha cara!...


Em Praga comi muito... Não tivesse eu feito também muitos e muitos quilómetros (neste dia foram mais de 15, certamente...), e tinha voltado a rebolar... Na imagem: chocolate quente e strudel de maçã.


O principal problema daquela terra é ter muitos cafés e restaurantes muito giros, com muita comida boa e tudo com preços muito acessíveis. É impossível resistir!...


Entretanto apanhei uma molha, ficou de noite, e resolvi dar uma volta para fazer algumas compras.


Sim, é o Kamasutra em versão chocolate. Esta loja era o paraíso do chocolate. Desde bombons de tudo e mais alguma coisa, a chocolate em barra para ser vendido ao peso, a chocolates com mensagens personalizáveis na hora... O paraíso na Terra!


Praça da Cidade Velha à noite.


E foi um dia muito agitado... Cheguei ao hotel completamente de rastos... Com dores nas pernas e nos pés como nunca tive depois de correr!... Mas de alma cheia e com aquela sensação boa de ser uma sortuda por poder ter o privilégio de conhecer Mundo. Depois de tudo o que vi e aprendi neste dia, não havia como não me sentir imensamente grata pelas coisas boas que tenho na minha vida. E foi nestes espírito que passei a meia-noite e entrei nos 32.





sexta-feira, 11 de março de 2016

De Praga... - V

No Sábado, meu segundo dia em Praga, aproveitei o pequeno-almoço do hotel com calma - quem resiste a nuttela? Depois, saí em direcção à Praça da Cidade Velha.


Viam-se muito estes carros, com passeios turísticos pela cidade. A moda dos tuk tuks ainda não chegou lá!


Um dos principais pontos turísticos de Praga é o relógio astronómico, que fica numa torre que faz parte do edifício da antiga Câmara Municipal. 


O relógio foi criado no século XV e ao longo dos séculos foi sofrendo diversos reparos e acrescentos. A cada hora certa, o relógio ganha vida, com um desfile dos Doze Apóstolos, e com quatro figuras que representam o Turco, a Morte, o Avarento e a Vaidade. 


Há sempre imensa gente à espera para assistir e, apesar de ser considerado por muitos uma grande desilusão, acho que ninguém sai de Praga sem esta experiência!


Neste dia tinha marcada uma Free Walking Tour, da SANDEMANs, depois de ler sobre elas no blogue Entre Nós. Nunca tinha experimentado nenhuma tour deste género e, confesso, estava bastante céptica. Mas gostei muito e recomendo! Foi uma forma muito interessante de ficar a conhecer alguns dos pontos principais da cidade, ao mesmo tempo que ia aprendendo sobre a História do país, com algumas curiosidades e histórias engraçadas pelo meio.


Praga é também, sem dúvida, a cidade das esculturas! Esta está junto ao edifício da Ópera e representa a personagem Il Commendatore, da ópera Don Giovanni, que Mozart estreou naquele mesmo edifício, em 1787.


Exemplo (raro) de arquitectura cubista. 


Este cartaz do Museu do Comunismo diz tudo sobre a forma como os checos encaram este período da sua História, que só terminou em 1989 e é ainda demasiado recente.


Na visita da manhã fui a muitos e variados sítios, mas confesso que não tirei muitas fotografias, porque nem sempre havia tempo para isso. O almoço foi um bagel, uma fatia de tarte de pistácio e chocolate (maravilhosa!) e vinho quente, claro!


Adorei este pormenor deste prato... Como o meu hotel era muito perto do centro, aproveitei a hora de almoço para ir vestir mais uma camisola e mais um par de meias (já tinha umas collants e umas meias, dentro de umas botas forradas a pêlo por dentro). Estava MESMO frio.


Como gostei tanto da tour da manhã, marquei mais duas. Assim, depois de almoço o ponto de encontro foi junto ao Rudolfinum, a principal sala de espectáculos de música clássica da cidade e depois atravessámos o rio, com o objectivo de visitar o castelo.




O Castelo de Praga foi fundado no século IX e é considerado um dos maiores do Mundo. Actualmente, é residência oficial da presidência da República Checa, e destaca-se por estar tão bem conservado, e pela Catedral de São Vito no seu interior.






Em Praga encontramos muitas igrejas góticas, perfeitamente conservadas. Fiquei a saber que os checos são o 4º povo menos religioso do Mundo, por isso é curiosa a relação que têm com os edifícios religiosos, e os usos actuais que dão a muitos deles.


Este é o pátio de uma das entradas do castelo, onde podemos assistir à mudança da guarda.




Os guardas tinham um ar verdadeiramente assustador!... Na fotografia a seguir é engraçado ver que os dois guardas estão de tal forma alinhados, que só vemos um!



Voltando para dentro do recinto do castelo, ainda tirei mais algumas fotografias da fachada da catedral.








Outro dos pontos interessantes da visita ao castelo é a passagem pela Viela Dourada, assim denominada por ter sido local de residência no século XVI de diversos alquimistas, que tentaram descobrir como fazer ouro. São uma série de casas muito pequeninas, cada uma de sua côr. Já bem mais tarde, Franz Kafka também viveu ali.



Num dos outros pátios do castelo, onde fica o Museu do Brinquedo (que dizem ser dos melhores do Mundo - não fui ver, confesso), e onde se realizavam enforcamentos (o que leva a dizerem que é um local assombrado), existe esta estátua (mais uma!), que se destaca pelo desgaste de uma pequena parte da mesma... Sim, vê-se muita gente a tirar fotografias a tocar na estátua... 



A vista que se tem do castelo para a cidade é incrível!  


Quando acabou esta tour, fui a correr por ali abaixo, de volta à cidade velha, para dar início à terceira tour do dia: a Pivo Tour. A República Checa é uma terra de cerveja e orgulham-se muito de ter o maior consumo médio per capita de cerveja do Mundo (cerca de 144 litros por pessoa por ano). Não podia também deixar de provar algumas das cervejas deles, e destaco o preço que é mesmo muito barato!




A nível da gastronomia deles tive algumas dificuldades. É muito à base de carne, como em qualquer país da Europa central e de leste. Não há mar, portanto, há carne com fartura! Neste dia jantei um prato que não sei bem se é típico, mas que vi em vários restaurantes: queijo panado frito, com batata cozida e um molho tártaro. Nada saudável, mas muito saboroso (e por cerca de seis euros).


Além da cerveja, o absinto é também famoso naquelas terras. Achei imensa graça a esta Absinteria, com um esqueleto à porta. Presságio do final da noite?...


E assim passei o Sábado em Praga. As tours acabaram por ser uma boa opção para conhecer a cidade e os principais pontos, e também para conhecer algumas pessoas muito interessantes, de todo os cantos do Mundo. Acabei por ainda ir a um club/discoteca mas o cansaço não deu para mais do que uma bebida. A vida nocturna deles é muito animada e parece que Praga é um destino famoso para despedidas de solteiro pela animação que tem!

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