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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Dos desafios de escrita – Day 10 – Reflections...

[Read something (hint: just read one thing, don't get lost in the internet spiral) and respond to it. We spend so much time consuming information without reacting fully to it. Set a timer for 5 minutes. Search for an interesting read. Select the piece (quickly!). Read it. And react, completely, to a piece you find on the internet.]


Infelizmente, aquilo que mais ocupa a internet hoje (a nível nacional, pelo menos), é o flagelo dos incêndios que arrasam o país.

É impossível ficar indiferente. O nosso país está, mais uma vez, a ser destruído pelo fogo. Pelo fogo. Essa força imparável da natureza. Pelo fogo. Acidental ou intencional. O fogo que consome os nossos recursos naturais, que destrói as nossas casas, que acaba com vidas humanas e animais.

De cada vez que vou espreitar as notícias, fico arrepiada e de lágrimas nos olhos. Não consigo imaginar o desespero de quem vê tudo o que tem ser destruído, não consigo imaginar o pânico, a angústia. Ou, talvez (só talvez), consiga.

Há onze anos atrás (parece noutra vida...), estava na Pampilhosa da Serra quando o concelho assistiu ao maior incêndio de sempre naquela zona. Começou como uma coisa pequena, foi crescendo, foi-se alastrando, tornou-se incontrolável e arrasou toda aquela zona. 

Eu nunca tinha assistido a um incêndio, nunca tinha ouvido aquele ruído ensurdecedor, que se ouve mesmo à distância, nunca tinha visto o que é estar a quilómetros do fogo mas ver tudo ficar coberto de cinzas, nunca tinha cheirado aquele cheiro (que ainda ontem me arrepiou quando saí de casa de manhã e o senti novamente), nunca tinha tido a verdadeira noção do que é um incêndio a sério. Só estando lá. Tudo o que tinha visto na televisão não me tinha preparado para a realidade.

Fomos vendo o fogo alastrar-se, dia após dia, sem dar sossego noite após noite, fomos dar leite, água e comida aos bombeiros de todo o país que ali estavam. Fomos vendo o fogo aproximar-se de onde estávamos, sempre sem querer acreditar que se aproximaria demasiado. Achávamos impossível porque estávamos demasiado longe. Mas o incêndio não parou e chegou o momento em que a Protecção Civil mandou evacuar a aldeia onde estávamos. Chegou o momento em que pegámos nos nossos bens, regámos terrenos, paredes e casas, e partimos sem saber o que íamos encontrar quando regressássemos. 

Aquela não era a minha aldeia, mas partilhei a dor dos que estavam comigo e que a conheciam desde sempre. Parece que foi ontem. O largar tudo, o pegar no carro, o olhar para trás na última curva para uma última imagem daquela que era uma das aldeias mais bonitas que já conheci, com  a sua meia-dúzia de casas e o seu ribeiro perdido no vale.

Regressámos no dia seguinte para ver uma aldeia arrasada pelo fogo: o verde tornou-se negro. Não havia árvores, flores, relva. Só o negro. E o cheiro. E a cinza. E a fuligem. 

Durante os anos em que voltei àquela casa, senti sempre aquele cheiro. Mas durante os anos em que voltei àquela aldeia, fui vendo o verde voltar a ganhar terreno. Fui vendo as árvores voltarem a nascer, fui vendo as hortas a serem plantadas, fui vendo as flores voltarem a florir.

Porque o fogo destrói muito. Mas não destrói tudo. O fogo não destrói a nossa força e a nossa capacidade de nos voltarmos a erguer e de reconstruirmos o que foi destruído. O fogo não destrói a solidariedade a que temos assistido. O fogo não destrói a nossa vontade de ajudar quem mais precisa. E por isso, só por isso, tenho a certeza que quando estes fogos acabarem, vamos todos voltar a reconstruir o que for preciso. Porque o fogo não nos destrói a nós.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Dos desafios de escrita – Day 13 – Letter to yourself

[Today, write a letter to your 10-year old self. Or, as an option: write to yourself, four years from today. What would you say?]*


Dear FutureMe,

Ao escrever-te esta carta estava, novamente, numa encruzilhada. Os últimos 8/9 meses tinham sido particularmente caóticos. Tinhas saído de uma relação longa, entrado noutra que acabou rapidamente, passado algum tempo sozinha, e, naquele momento, não sabias o que fazer.

Independentemente do que tenhas decidido na altura, quero que nunca te esqueças que não faz mal estar sozinha. Por mais que a sociedade nos diga o contrário, a verdade é que estar sozinha é igualmente bom. Ou melhor, em algumas coisas. Certamente pior noutras, também. 

Mas nunca te esqueças das coisas boas que viveste sozinha. Não te esqueças da satisfação de arranjares a tua casa e montares o teu sofá sozinha. Não te esqueças do que sentiste em Praga quando, pela primeira vez a viajar sozinha, achaste que tinhas força para dominar o mundo. Não te esqueças do sentimento de liberdade, da falta de compromissos, regras e horas. Não te esqueças do tempo que tiveste para ti e para te dedicares às tuas coisas. Não te esqueças de tudo o que aprendeste sobre ti e do quanto cresceste.

Quer estejas sozinha ou acompanhada agora, que essa decisão seja serena e muito consciente. Que nunca na tua vida voltes a estar com alguém porque é a coisa certa a fazer ou por não quereres estar sozinha. Que só dês a alguém a honra de estar ao teu lado, se essa for a pessoa certa para ti, a que te acrescenta e te faz crescer. Não a que te completa, porque tu não precisas de ser completa. Tu és completa. Há um ano atrás, hoje e daqui a um ano. Tu és quanto baste.

Nunca te esqueças que és tu que tens de te fazer feliz. Não esperes pelos outros para isso. Os outros podem ajudar mas não podem viver por ti. Os outros não podem ser felizes por ti.

Vive. Sozinha. Acompanhada. Como quiseres. Mas vive e sê feliz!



* Eu optei por escrever para mim mesma, daqui a um ano. Mais uma vez, usei o Future Me e deixo-vos, novamente, o desafio de lá irem também, escrever para vocês próprios.
** O desafio de escrita anda muito intermitente porque tenho tido muitos temas que não me inspiram minimamente... Espero conseguir retomá-lo em breve.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Dos desafios de escrita – Day 7 – Objectify

[Look around you, at your immediate surroundings. Pick an object. Personify (become) this object and write a story from the perspective of the object. What is it thinking, feeling, and contemplating each day? What does it spend the day doing?]


Olá!

Eu sou o Snow. Não sei bem ao certo mas dizem que tenho cerca de um ano. Já passei por muita coisa na vida, mas não gosto de falar sobre isso.

Em Março andava na rua, numa colónia com outros gatos (que não gostavam de mim) e, de vez em quando, aparecia uma senhora muito simpática que nos dava comida. Um dia, essa senhora apareceu com uma menina muito gira e enfiaram-me numa caixa. Entrámos num carro e eu não estava a gostar nada daquilo. Bem miei, mas elas ignoraram-me. Como se não bastasse, levaram-me ao veterinário. Não foi muito mau, até. Deram-me imensas guloseimas (e se eu estava esfomeado!...), muitos mimos e deixaram-me ir embora. Puseram-me outra vez na caixa, e voltei a andar de carro. Voltei a miar. Detesto andar de carro, mas parece que ninguém quer saber.

A tal menina muito gira trouxe-me para esta casa, onde tenho passado os últimos dois meses.

Gosto muito de aqui estar. Não há mais gatos a querer lutar comigo nem a roubar-me a comida. Aliás, mesmo que houvesse, a comida parece que se multiplica por artes mágicas porque nunca acaba. De cada vez que vou à taça da comida, está lá mais e mais e mais. Eu bem tento comê-la toda (e olhem que como muito!), mas ela não acaba.

Os meus dias são muito complicados!... Puseram-me uma cama colada à janela, onde passo horas infinitas, e tento conversar com os pombos e com as gaivotas, mas acho que eles não me percebem. Por vezes, apanho tanto Sol que fico cheio de calor e tenho de me mudar para a minha outra cama. Ou para a cama da menina gira. Ela diz que é a minha dona. Eu não sei bem o que isso quer dizer mas acho que não gosto da ideia de alguém ser dono de mim. Eu sou um gato. Sou livre. Toda a gente sabe que os gatos não são de ninguém. Somos muito independentes. Toda a gente sabe.

Sim, também vejo Game of Thrones. Parece que o meu nome vem de lá, por eu ser bastardo e ter vindo de uma muralha (bom, na verdade era um muro com um metro de altura – mas era onde estava na primeira vez em que os meus olhos se cruzaram com os da menina gira).

Durante o dia também gosto de brincar com os meus brinquedos. Não imaginam o que eles me fazem!... O peixe e o rato fogem de mim e escondem-se debaixo do sofá e depois eu não consigo tirá-los de lá sozinho!... Já durante a noite, gosto de brincar com os meus amigos invisíveis. E gosto de miar. Adoro miar. Passo os dias e as noites a miar. Mas, mais uma vez, sinto-me muito incompreendido porque a menina gira ralha muitas vezes comigo. Bom, na verdade ela só ralha comigo quando eu decido miar à uma da manhã. Ou às cinco. Ainda não lhe consegui explicar que isto é um código que eu tenho com os outros gatos do prédio!...

Além disso, às vezes, sou muito chato e destruo muitas coisas. Mas não é por mal. A sério. No fundo, sou um gato amoroso, só que tenho demasiada energia e preciso de gastá-la.

Agora vou ali dormir mais uma sesta, que esta noite combinei ir a uma festa. Às três da manhã. Vemo-nos lá?

sábado, 21 de maio de 2016

Dos desafios de escrita – Day 6 – Top Ten

[Think back about the last year. Write out a list of your top ten memories or highlights from the last year. What are the best standout memories? What do you cherish about last year? Why do these memories in particular stand out? 
Bonus: thinking about this upcoming year, what will you have to do differently or new in order to make more memories like these?]*


Quem já cá anda há mais tempo, e leu coisas como esta, sabe que 2015 não foi um ano fácil para mim. Muito menos foi um ano do qual guarde muitas e boas recordações, ou para o qual vá olhar de forma muito saudosa no futuro. No entanto, e exactamente por isso, foi um desafio extremamente interessante este, o de registar aqui as dez melhores memórias que guardo de 2015. Porque mesmo num ano difícil, existem sempre coisas boas. E este darmos um passo atrás, para vermos o quão sortudos somos, mesmo no meio de coisas menos boas, é todo um exercício de gratidão que eu gostei muito de fazer.

Seguem-se as minhas memórias, sem nenhuma ordem específica.

1 – Viagem a Paris – em Junho voltei a Paris. Já lá não ia desde 2000 e foi maravilhoso receber este presente de aniversário. Não gosto particularmente de Paris, mas estava a ressacar de arte, de grandes obras, de ver os meus pintores favoritos. E vim de lá de alma e coração cheios!...

2 – Conhecer mais um sobrinho – já aqui referi que as relações familiares nem sempre são as melhores com todos os elementos da família, mas é sempre bom ver a família a crescer,com mais um sobrinho.

3 – 60º Aniversário do meu pai – esta memória tem tanto de bom como de mau. Foi um dia bem passado e foi o culminar de uma surpresa que andei a preparar para fazer ao meu pai. Mas foi também um dia difícil, para mim, porque aceitar que o meu pai tem 60 anos, quando no meu imaginário quem tem 60 anos já é velho, foi (e é, e continuará a ser) muito complicado de gerir. 

4 – Curso de Gestão de Marketing – numa altura em que a minha vida estava de pernas para o ar, na semana em que me tiraram o tapete, em que eu fiquei sem chão, sem ar, sem rumo, fiz este curso que não só foi importante para mim em termos profissionais, como me permitiu conhecer alguém que me obrigou a parar para pensar na minha vida profissional e, talvez, também pessoal.

5 – Primeira vez que vi a minha casa – dois dias depois de a minha vida dar uma volta tremenda, vim ver esta casa. E gostei. Gostei dela na primeira vez em que a vi. Gostei da luz que não vi mas adivinhei, gostei do chão claro, gostei da mini-cozinha amorosa, gostei do roupeiro enorme. Gostei das boas energias que a casa me transmitia e do calor que lhe sentia. Não vi mais nenhuma casa. Dias depois, assinei contrato, fiz as mudanças e passaram-se apenas 19 dias até dormir aqui a primeira noite. 

6 – Gratidão – no seguimento do que descrevi no ponto anterior, em que em três semanas saí de casa, a ajuda que recebi dos outros foi fundamental. Assinei contrato e recebi a chave da casa a uma Quarta-Feira e no Domingo já estava a devolver a chave da casa onde estava, e a dormir a primeira noite na casa nova. Fiz 90% das mudanças sozinha. E custou. Custou muito. Mas no Sábado de manhã tive a ajuda de dois amigos para alguns móveis e coisas mais pesadas, e fiquei-lhes muito grata por isso. Também tive a ajuda de um perfeito desconhecido, que ao ver-me carregar mil coisas sozinha, me ajudou com o que faltava pôr no carro. E, acreditem, ser ajudado por um desconhecido nos dias que correm, é qualquer coisa que mexe connosco. É algo que nos faz ter fé no Mundo e na Humanidade. Por último, a ajuda dos meus pais. Que já me viram fazer mais mudanças, que já me ajudaram noutras vezes, e a quem, desta vez, não pedi ajuda. Mas, claro, ajudaram de outra forma. E foi toda uma pequena aventura ir com o meu pai ao IKEA comprar o meu sofá. O meu sofá que montei sozinha e que adoro. O meu sofá que o meu pai fez questão de me oferecer, deixando-me de lágrimas nos olhos em pleno IKEA. Na minha família não há muitas demonstrações de amor, mas depois há estas coisas. Estas formas de dizer que eles estarão lá sempre para mim e que me ajudarão sempre e que nunca deixarão que me falte nada. Aprendi também, em 2015, que há poucas coisas melhores do que chorar por nos sentirmos privilegiados pelas pessoas que temos à nossa volta.

7 – Ver o meu trabalho, mais uma vez, a ser recompensado, mas não tanto quanto gostaria, e decidir que tenho mesmo de sair dali – já aqui falei algumas vezes do meu trabalho e da vontade de sair dali. Em 2015 essa vontade tornou-se mais clara. Ainda que tenha tido mais um aumento e um bom prémio anual, não chega.

8 – Viagem à Alemanha e Holanda – viagem em família, que incluiu visita à família. Rever Hamburgo, conhecer Amesterdão e outras cidades. Mais arte, mais cultura, muita comida e bebida. Não me canso de viajar!...

9 – O meu aniversário – quando fiz 31 anos fiz uma grande festa em casa. Eu gosto muito de fazer anos e se há coisa de que gosto é de receber pessoas. E adorei ter a casa cheia das minhas pessoas. Bebi demais e o meu estômago não gostou mas, tirando isso, gostei mesmo muito do dia e da noite.

10 – Um reencontro inesperado – ainda que as coisas não tenham acabado da melhor forma, Dezembro trouxe novamente à minha vida alguém com quem passei muitos e bons momentos. Foi extremamente importante para mim, para poder ultrapassar os traumas recentes, para perceber que o que me tinha acontecido não era o fim do mundo, para perceber que tinha (e tenho) a vida toda pela frente.

Não sei se alguém vai ter paciência para ler tudo isto. Eu sei que vou gostar de reler de cada vez que me sentir a ir abaixo. Entretanto, já chorei baba e ranho e já exorcizei mais alguns dos demónios que aqui ficaram do ano que passou.

*vou passar a incluir aqui também a explicação do título do desafio porque acho que ajuda a perceber certos textos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dos desafios de escrita – Day 5 – Adrenaline Rush

Neste dia é suposto falar sobre a última vez que tive um “pico de adrenalina” e o que senti. A própria tradução e o conceito não são, para mim, muito claros… E o tema não é nada fácil.

Pelo que consegui perceber, o conceito de “adrenaline rush” está ligado a situações extremas, muito próximas dos ataques de ansiedade e de situações de pânico. 

Não me consigo lembrar de nenhuma situação dessas nos últimos tempos. Ou melhor, lembro-me de uma, que não sei se se adequa, e da qual não quero falar aqui.

Mas posso falar da ansiedade e do pânico. Ainda que talvez não pareça, eu sou uma pessoa ansiosa. Sou, sobretudo, uma pessoa que lida muito mal com aquilo que não controla. Assim, tudo o que sejam situações que fogem ao meu controlo, podem ser complicadas para mim.

Recentemente, num dia em que o metro estava particularmente cheio, em que eu estava completamente esmagada, e em que as portas se fecharam mas o metro teimava em não arrancar, tive de fazer um esforço tremendo para me controlar. 

Não sei se isto acontece às outras pessoas, se é normal, ou se sou eu que sou meio avariada. Mas naqueles um minuto ou dois (que me pareceram dez ou vinte), eu estive numa luta constante no meu cérebro, a tentar racionalizar. Eu não conseguia respirar, eu sentia que o ar que inspirava não me dava oxigénio suficiente, eu achava que não ia aguentar. Não me podia mexer, só inspirava aquele maravilhoso ar super saturado, tinha calor, e só pensava que precisava sair dali. Para quem nunca passou por isto, talvez não faça sentido nenhum. Mas é mesmo desesperante. Passou-me pela cabeça começar a berrar, a esbracejar e a empurrar pessoas para me deixarem chegar ao meio da carruagem, onde teria mais algum espaço. Mas depois pensava que isso era ridículo. Pensava que estava a viver uma situação perfeitamente normal e que dificilmente alguém já teria morrido por asfixia no metro.

Para mim, aquela foi a viagem de metro mais longa de sempre, ainda que tenha sido apenas uma paragem… 

Lido muito mal com espaços fechados, apertados, cheios de gente. Acho sempre que não estou a conseguir respirar e tenho sempre de fazer um esforço para me concentrar e ser racional. Ainda há um mês, no concerto de Florence, em plena plateia da Meo Arena, a meio do concerto, eu comecei a sentir o mesmo. Estão a imaginar o que é estar numa sala de espectáculos, com milhares de pessoas à minha volta, e, de repente, lembrar-me que não estou a conseguir respirar?... Foi maravilhoso… Mais uma vez, tentei parar para pensar, tentei concentrar-me na respiração, tentei pensar que estava a ser ridícula. Mas é uma luta difícil entre o meu eu sensorial, e o meu eu racional. O tempo tem-me ajudado a lidar melhor com isto, já houve alturas bem piores. Continuo a ser a única pessoa que se preocupa em reparar em coisas como saídas de emergência quando está num espaço cheio de gente. E sim, pensar nisso não ajuda, mas é inevitável. Mas estou melhor. A sério que estou. E o tempo há-de continuar a ajudar.



Não sei se respondi ao tema ou não, mas já expus aqui o meu lado mais maluquinho… Podem mandar internar-me!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Dos desafios de escrita – Day 4 – Characters

Se eu pudesse escolher uma personagem de um livro que li para ganhar vida e falar comigo…

Pois que não sei!... Não sei mesmo…

Já li muitos livros, muito bons. Já me apaixonei por algumas personagens, já detestei outras. Já ri, já chorei, já me arrepiei, já me irritei, já vivi mil e uma coisas com os livros que li. E acho que esse é um dos principais encantos: permitir-nos viver outras vidas, conhecer outras realidades, visitar outros sítios.

Talvez, só talvez, e que me lembre assim de repente, escolhesse o Chris McCandless do Into the Wild. Bom, considerando que é um livro baseado em factos verídicos, não sei bem se conta, mas é o que me apetece agora.

E por que motivo o escolhia a ele? Porque tenho mil e uma perguntas que gostava de lhe fazer sobre o que fez, sobre as decisões que tomou, sobre o que sentiu, o que pensou. Acho que também gostava de lhe dar uns quantos berros, porque não consigo perceber aquilo que ele fez. Talvez a conversa ajudasse a esclarecer algumas das minhas questões e pudesse compreender e aceitar melhor as suas opções. Quem sabe?



E desse lado? Se pudessem escolher uma personagem de um livro para ter uma conversinha?

terça-feira, 10 de maio de 2016

Dos desafios de escrita – Day 3 – 50 Good Feelings

  1. Correr 
  2. Ler 
  3. Cozinhar 
  4. Estar com os meus amigos 
  5. Estar com a minha família 
  6. Escrever 
  7. Fotografar 
  8. Conhecer sítios novos 
  9. Viajar 
  10. Visitar museus 
  11. Ver obras dos maiores artistas de sempre 
  12. Ver o mar 
  13. Apanhar Sol 
  14. Ter conversas interessantes 
  15. Conhecer pessoas novas 
  16. Comer coisas de que gosto 
  17. Beber um bom vinho 
  18. A sensação de ir entrar de férias 
  19. Ser reconhecida pelo meu trabalho 
  20. Começar um livro novo 
  21. Saber que sou uma privilegiada 
  22. Comprar roupa 
  23. Comprar sapatos 
  24. Pintar 
  25. Um abraço 
  26. Um beijo 
  27. Um orgasmo 
  28. Rir 
  29. Ter o Snow ao colo 
  30. Ver-me ao espelho nos dias em que me sinto bonita 
  31. Superar um ojectivo 
  32. Ajudar os outros 
  33. Dormir na praia 
  34. Oferecer presentes 
  35. Receber presentes 
  36. Receber pessoas em minha casa 
  37. Planear viagens 
  38. Saber que alguém se lembrou de mim 
  39. Fazer coisas novas 
  40. Acabar uma prova de corrida 
  41. Receber elogios 
  42. A liberdade 
  43. Comer tangerinas apanhadas da árvore na casa de campo 
  44. Ouvir música 
  45. Cantar 
  46. Dançar 
  47. Ovos moles 
  48. Acordar sem o despertador 
  49. Chegar à minha casa 
  50. Saber que estou viva

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Dos desafios de escrita – Day 2 – Never Done This Before

Difícil. Muito difícil.

Há muitas coisas que nunca fiz e que gostaria muito de fazer. Podia falar de inúmeras viagens, de experiências, de tantas acções… Podia fazer uma lista infinita de coisas que nunca fiz mas que um dia gostava de fazer.

A primeira que me veio à cabeça foi: dar sangue. Sim, parece óbvia. Parece escolhida a dedo para ficar bem. Mas foi aquela de que me lembrei que, efectivamente, tem algum significado.

E é algo que tem voltado a estar presente na minha mente ultimamente. Dar sangue é dar vida. Dar sangue é dar um pouco de nós para ajudar o outro. E acho que deve haver poucas coisas mais gratificantes do que isso. E eu quero sentir-me útil. Eu quero sentir que posso fazer alguma coisa neste Mundo para ajudar alguém. Eu quero sentir que posso ter feito alguma diferença.

Infelizmente, nunca consegui dar sangue. E tentei três vezes. Nunca me deixaram. Ou porque não tinha peso suficiente, ou porque tinha a hemoglobina demasiado baixo. Agora, que tenho estado ligeiramente acima dos 50kg e que a hemoglobina está melhor do que nunca, gostava de voltar a tentar. Porque gostava mesmo de poder ajudar. E é uma daquelas coisas que nunca fiz e gostava mesmo de fazer.

Já tive discussões infinitas sobre este tema. Já me chateei a sério por causa disto. Porque não percebo. Porque não consigo compreender. Porque se alguém me diz que recusa a possibilidade de salvar uma vida porque tem medo de agulhas, tira-me do sério. E sou bruta. E digo coisas como: “quando estiveres no hospital com um cateter enfiado e a precisar de sangue e não houver, vais-te lembrar do teu medo de agulhas”. A sério. Não percebo.

Eu tenho a sorte de ter um Pai que toda a vida vi ir dar sangue. Aliás, duas das tentativas que fiz, fui com ele. Eu vi-o dar sangue muitas vezes, eu vi-o receber medalhas e condecorações por ter tantas doações, eu vi-o receber pins e bonés e canetas e tudo e tudo, e sempre estive rodeada da mensagem “dar sangue é dar vida”. Mais uma vez, eu sou uma privilegiada. Eu sei. Nem toda a gente cresce com esta formatação. Mas, a partir de certa idade, não há desculpa. Temos acesso à informação, sabemos de casos desesperantes, temos acesso a tudo. Só não ajuda quem não quer.


E eu lido muito mal com quem não ajuda porque não quer. Perdoai. Mas, por vezes, sou muito limitada na minha forma de ver as coisas. Por vezes, julgo e atiro pedras. Espero não fazer grandes feridas, para que não precisem de sangue. Pode não haver.

sábado, 30 de abril de 2016

Dos desafios de escrita – Day 1 – The Crowd Cheers!

Pouco passava da meia-noite e tinha o coração a mil. Não sabia se queria rir ou chorar. A descarga de adrenalina era tremenda. À sua volta, sorrisos e parabéns. Uma cadeira. Um copo com água. Um inspirar profundo e o assimilar de tudo o que acontecera nas últimas horas.

Tinha acabado de dar o seu primeiro concerto. O seu primeiro concerto de piano. Para uma sala cheia. Muito cheia de familiares e amigos, é certo. Mas cheia. E a sensação era avassaladora. Tinha conseguido. Tinha sido capaz. Não tinha falhado. Não se tinha enganado. Como que por milagre, como que se inspirados por uma força divina, os dedos tinham percorrido as teclas daquele Steinway sem hesitações. Como se as conhecessem desde sempre. Nem sempre é assim com os pianos. São sensíveis, temperamentais, não se deixam tocar por quaisquer dedos. Mas, naquela noite, a simbiose entre os seus dedos e aquelas teclas, fora perfeita.

Depois de trocar de roupa, de arrumar os poucos pertences numa mala e de pegar no ramo de flores que lhe ofereceram, saiu do camarim e despediu-se dos poucos que ainda circulavam nos corredores. Ao chegar à rua, o inesperado: família e amigos à sua espera, com estrondosos aplausos. Naquele momento foi claro: queria chorar. Chorar muito. Lágrimas de alegria. Lágrimas de alívio. Tinha conseguido mas tudo aquilo só fazia sentido se partilhado com aquelas pessoas. As suas pessoas.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Da escrita...

Aqui há uns tempos inscrevi-me num desafio de escrita. Podem saber mais aqui.

Durante 30 dias, recebia diariamente no meu e-mail um tema sobre o qual devia escrever. Às vezes, era só uma palavra, às vezes, era uma pergunta. E era sugerido que escrevesse sempre, pelo menos, 500 palavras.

Claro que não segui o desafio. Mas fui guardando os e-mails e recentemente voltei a pegar-lhes. Tenho saudades de escrever. E sinto falta de escrever. E esta foi uma forma de me obrigar a escrever sobre outras coisas que não aquelas sobre as quais me apetece escrever.

Ao longo dos próximos tempos, esses textos irão aparecer por aqui.

Se alguém se juntar ao desafio, que avise!

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...