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domingo, 21 de março de 2021

Do teu ar sereno nos meus braços e da vida que não sei viver...

Há pouco, emocionei-me enquanto embalava a Isabel nos meus braços e a via adormecer.

Costumo adormecê-la no berço, durante o dia, mas hoje quis que ela adormecesse ao meu colo, enquanto eu a embalava e eu cantarolava para ela. Talvez pela consciência de que, um dia, estes momentos deixarão de existir. Ao vê-la fechar os olhos e deixar-se ir, senti os olhos encherem-se de lágrimas.

Estamos, desde quinta-feira, em isolamento profilático, por ela ter sido considerada contacto de alto risco. Estou tranquila em relação a isso, plenamente consciente de que a probabilidade de ela ter sido contaminada com Covid-19 é muito baixa.

Mas, ao mesmo tempo, não deixo de me sentir frustrada e angustiada com tudo isto. Estamos fechados em casa há um ano (excepção feita para duas semanas no Algarve). Estamos estupidamente isolados e confinados. Estamos a viver a experiência da parentalidade sozinhos, sem apoio, sem partilha, sem a celebração que este momento devia ser. Protegemo-nos, e a ela, o mais que podemos, e, com isso, afastamo-la dos nossos e de quem lhe quer bem. Tudo o que temos feito, é por acharmos que é o mais correcto. Mas, depois, bastam 4 dias na creche, para ela ser exposta e considerada contacto de alto risco por contacto directo com um infectado. E eu, que sempre vivi bem com as minhas decisões no último ano, não deixo de me questionar. Ao vê-la adormecer nos meus braços, ao deliciar-me com os seus contornos perfeitos e o seu ar sereno, não deixo de me perguntar se fará sentido continuar a privá-la do mundo, e a privar o mundo dela. Se a deixamos ir para a creche, com o resultado que está à vista, não faria sentido deixá-la estar com as nossas pessoas?... Ao mesmo tempo, a racionalidade em mim, pergunta-se se não será esse o pensamento errado que levou ao estado em que estamos de achar que "já que me exponho para ir trabalhar, então também não faz mal se me expuser para ir jantar fora, e estar com os amigos, e estar com a família...". O facto de ela ir à creche, deverá justificar que a resguardemos ainda mais, para minimizar riscos, ou deverá ser carta branca, em jeito de "perdido por cem, perdido por mil", para aproveitarmos a vida e vivermos esta experiência um pouco mais como ela deveria ser vivida?...

Não consigo chegar a nenhuma conclusão. Vivo dividida entre fazer o que acho correcto, não só porque o nosso governo o diz, mas porque a minha consciência assim o diz, e fazer o que vejo os outros fazerem, em actos que me fazem questionar o meu excesso de zelo.

De uma coisa não tenho dúvidas: o impacto social desta pandemia é absolutamente avassalador. Quem acha que vamos ter uma grande crise económica, devia preocupar-se igualmente com a forma como todos vamos sair disto em termos psicológicos, nos nossos afectos, nos nossos medos e ansiedades.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Das formas que temos de baixar os braços...

 

Hoje cancelei a subscrição da newsletter da Easyjet.



(ando a limpar a minha vida, a minha casa, e a minha alma, estendendo esta limpeza à poluição visual que recebo no digital - já cancelei as subscrições de várias marcas de roupa [no seguimento da decisão de um 2021 mais sustentável], e agora cancelei esta, resignando-me à ideia de que não voltarei a voar tão cedo)

sábado, 2 de janeiro de 2021

Dos presentes de Natal e dos objectivos para 2021...


Este Natal, pedi apenas 2 presentes. Um deles, foi esta camisola do Armazém das Malhas. 

O Armazém das Malhas é um pequeno grande negócio familiar, com uma produção responsável e sustentável, que usa matérias primas escolhidas a dedo, pela sua qualidade e pela sua origem. Produzem, de forma artesanal, e em Portugal, peças intemporais e feitas para durar, em colecções de pequena escala. Têm como missão "Sensibilizar para um consumo consciente". 

E um dos meus objectivos para 2021 é, precisamente, o consumo consciente. É reduzir ao mínimo indispensável a compra de roupa, calçado e acessórios. É optar pela slow fashion. É comprar apenas o que for mesmo necessário e, ao fazê-lo, optar por marcas como esta. Marcas nacionais, que se preocupam com o impacto da sua produção, que lutam também por um mundo mais sustentável.

Baby steps, a caminho de um mundo melhor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Das conversas de sexta-feira à noite...

Estivemos a ver o documentário Dick Johnson is dead, e, quando acabámos, eu estive a elencar as minhas preferências para quando eu morrer. Como sei que ele só ouve 10% do que eu lhe digo, fica aqui, para registo futuro:

- quero ser cremada. As cinzas devem ser espalhadas no mar. Idealmente, em Santa Maria. Mas como é meio fora de mão, o meu irmão que pegue no barco e me leve para ao pé dos golfinhos, que já não é mau. Sintra ou Monsanto também são opções válidas.

- não quero cravos no meu funeral. Nem um. Odeio cravos.

- não quero padres nem missas. Façam uma coisa qualquer gira e simbólica, quem quiser diz umas palavras, e está feito.

- quero comida e bebida. Muitas gordices e muito álcool, para afogarem as mágoas.


E é isto. Parecem-me exigências bastante razoáveis, até.

Tentei que ele me dissesse as suas preferências, mas não foi capaz. Diz que nunca pensou sobre isso. Quem é que nunca pensou sobre o seu funeral?!... E o pânico que é pensar se lhe acontece alguma coisa e eu não sei o que fazer?... Já lhe disse que tem de pensar nisso, que isto não pode ser assim: ir embora e quem cá fica que resolva... Não. Nem pensar. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Da Gravidez... - XV (ou do dia em que eu soube que ia fazer uma cesariana...)

Corria o longínquo dia de 2 de Junho de 2020 quando, depois de mais uma CTG, a minha obstetra me disse, definitivamente, que a Isabel iria nascer de cesariana.

E eu tive, mais uma vez, a confirmação daquilo que já vinha a descobrir nos últimos meses na gravidez: nada é como tínhamos imaginado. Podemos ler, fazer cursos, sonhar, planear, tudo e mais alguma coisa. Mas a maioria das coisas fogem do nosso controlo, e resta-nos aceitar.

Lembro-me de me ter sentido particularmente inútil. Eu não servia para trazer a minha filha ao mundo. Dramático, eu sei. Exagerado, eu sei. Mas foi o que senti naquele momento.

A opção da obstetra pela cesariana era discutível e, apesar de ela já ter falado nisso uns meses antes, eu achei que era apenas uma possibilidade e que continuaria a haver a hipótese de se tentar um parto natural. Naquele dia, eu percebi que não. E fiquei sem chão.

Questionei tudo. Questionei-me a mim. Muito. Falei com várias pessoas e pedi várias opiniões, que se dividiam.

Eu não queria fazer uma cesariana. E não era um mero capricho meu de quem acredita em fadas e unicórnios. Eu não queria fazer uma cesariana porque eu não tinha a certeza de que a cesariana fosse a única opção, ainda que a minha obstetra achasse que era a melhor opção, para minha segurança e da bebé.

Mas a opinião da minha obstetra não era consensual, não era completamente objectiva, não era a única. E, com 36 semanas de gravidez (quase 37), eu só tinha duas opções: aceitar o que a obstetra dizia e queria fazer, ou mudar de obstetra (o que implicava mudar também de sítio onde a bebé ia nascer). Ainda consegui que uma amiga falasse com uma obstetra que seria uma hipótese para mim, e que achava que não era linear que eu fizesse uma cesariana, mas que não estava a aceitar novas grávidas. 

Foram tempos confusos em que, na verdade, não tinha muito tempo para uma decisão. Se, por um lado, uma parte de mim achava que eu devia ir à procura de outro obstetra que me desse uma hipótese, uma parte de mim já estava contaminada pelo grilo falante que iria estar sempre a perguntar-me se insistir num parto normal não seria um erro e se não estaria a pôr em causa a minha segurança e a da bebé. Conhecendo-me, eu sabia que mesmo que mudasse de obstetra, iria ter sempre aquela dúvida de saber quem é que teria razão e do que seria realmente melhor no meu caso. Até podia ter avançado para um parto normal, mas era provável que passasse o tempo todo com medo de uma eventual complicação (que podia ser muito complicada). Ou então não, e eu podia ter tido um parto natural espectacular. 

Nunca vou saber. Na altura, decidi manter-me com aquela obstetra. Hoje? Arrependo-me profundamente. Já aceitei e já quase me perdoei. Sei que tomei a decisão que me fez sentido na altura, com a informação que tinha. Também sei que me faltou alguma força e coragem, mas, às 36 semanas de gravidez, eu tive medo de bater o pé e pôr em risco a bebé. Também sei que não seria fácil arranjar novo obstetra naquela fase da gravidez. E sei que nunca me perdoaria se alguma coisa tivesse corrido mal, porque eu tinha mudado de obstetra de repente. Na altura, mesmo sabendo que talvez a opção pela cesariana não fosse a melhor, eu decidi como me fez sentido. Agora, já não há nada a fazer em relação a isso. No futuro, já sei quem será a minha nova obstetra.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Da Gravidez... - XI (ou do enxoval...)

Uma pessoa pensa que ter um filho, é só ter um filho. Não é, Senhores. Há todo um mundo que gira à volta disto de trazer um pequeno ser ao mundo.

Eu, pessoa precavida, investiguei sobre o tema, fiz um excel xpto que partilhei com ele, fiz toda uma listagem e levantamento do que íamos precisar, e íamos registando o que já tínhamos, o que faltava comprar, comparávamos preços, líamos artigos e reviews.

Isto é mesmo um mundo. Ou então não, que uma criança precisa de muito pouco, e nós é que gostamos de complicar. Quem sabe?!...

Comecemos pela roupa. Não há respostas objectivas sobre a quantidade de roupa de que um recém-nascido vai precisar. Cada pessoa diz uma coisa e não há um consenso. Eu achei por bem não comprar demasiada coisa, porque ela podia nascer maior ou mais pequena, porque era Verão, porque logo se via, porque seria para usar pouco tempo... Claro. Nos primeiros dias sujou muito mais roupa do que eu estava à espera, e lá foi preciso pedir um reforço de emergência. Ninguém me tinha dito que havia uma elevada probabilidade de ela precisar de várias mudas de roupa num só dia. Aliás, no dia em que escrevo este post, já ela tem um mês, e em menos de 24 horas, já vai em 4 mudas de roupa. Ninguém me preparou para isto, e eram 5 da manhã e estava eu a fazer mais uma encomenda de roupa (mal sabia eu que, horas depois, ela me estaria a vomitar em cima e a mudar de roupa outra vez)... Também nisto, a Covid-19 nos condicionou: a generalidade das pessoas tem tendência a oferecer conjuntinhos fofinhos e amorosos mas, dado que mal saímos de casa, não lhes temos dado grande uso. A necessidade passa mesmo pelos básicos, que é o que ela veste na maior parte do tempo.

Também ninguém me preparou para o tédio que seria estar horas a cortar mini etiquetas de mini roupas nem outras tantas horas a estender e a passar as mini roupas. São amorosas, mas são uma canseira!...

Além da roupa, passámos pela escolha do berço, do carrinho, do ovo, da espreguiçadeira, do intercomunicador, da banheira, e de mais 137 mil coisas que fico cansada só de pensar...

Para nós, havia duas coisas importantes: o ovo, fundamental do ponto de vista da segurança, e o carrinho, que queríamos que fosse assim mais xpto para grandes passeios e eventuais corridas.

Diria que o carrinho foi, provavelmente, aquilo em que perdemos um bocadinho mais a cabeça. Vimos várias opções de carrinhos de corrida, sempre online (obrigada, Covid-19!), das marcas mais reconhecidas: Thule, Baby Jogger, Bob Revolution, etc. Estes carros pensados para correr são caros. Bem mais caros do que os carros normais... Mas queríamos mesmo um modelo de 3 rodas, com mais suspensão, pneus xpto, mais confortável, e mais umas quantas coisas, que permitissem aventuras maiores do que a voltinha pelo quarteirão ou pelo centro comercial. Acabámos por ir para uma solução intermédia, o B-Motion 3 Plus da Britax Römer, que, não sendo específica para correr, tem todas as características que procurávamos e que está feito também para correr (em modo jogging, pelo menos...). A verdade é que não sabemos se vamos usá-lo assim tanto para correr, até porque as opiniões dividem-se mas nunca seria para usar antes dos 6/9 meses, e tínhamos excelentes opiniões sobre a marca, pelo que achámos que era a opção sensata. Já o testámos em Monsanto e portou-se lindamente!

Também perdemos um bocadinho a cabeça no berço, e optámos pelo famoso Next 2 Me, da Chicco. Até agora, estamos muito satisfeitos com a compra! É, de facto, muito prático, apesar da ginástica que me obriga a fazer sempre que entro e saio da cama... Mas tolera-se. Se é um bem essencial? Não é, de todo. E hoje talvez tivéssemos optado por outra solução, mas acho que a Covid-19 e o facto de não podermos andar nas lojas a ver e experimentar tudo, acabou por condicionar algumas decisões.

Como em tudo na vida, há um sem fim de opções no que diz respeito aos artigos de puericultura. O marketing é agressivo e ficamos sempre com o nosso inconsciente a perguntar-nos "será que estou a comprar o melhor para o meu filho?". Porque, em princípio, todos queremos o melhor para os nossos filhos, e a pressão é muita, nesse sentido. Há coisas em que conseguimos ser mais racionais, noutras, nem tanto. E está tudo bem. Não somos melhores nem piores pais por comprarmos isto ou aquilo. Mesmo que nos queiram fazer sentir assim. O melhor que lhes podemos dar é colo e amor e, isso, não se compra.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Da Gravidez... - IX (ou da escolha do nome...)

Curiosamente, quando começámos a falar em nomes, rapidamente surgiram várias opções para nomes de menino. De menina, nem por isso...

Lá fomos trocando ideias, íamos falando no assunto antes de adormecer ou em viagens de carro, fomos pensando no assunto, mas sem chegar a grande conclusão.

A dada altura, achei por bem ir pesquisar sobre o dia em que eu achava que ela ia nascer (que não é o dia da data prevista para o parto, porque eu também achei por bem fazer os cálculos à minha maneira - talvez um dia fale sobre isso). E descobri que nesse dia (4 de Julho), tinha nascido a Infanta D. Isabel Maria de Bragança (regente de Portugal), e tinha morrido a Rainha Isabel de Aragão (mais conhecida por Rainha Santa). E, foi assim, que o nome Isabel começou a estar em cima da mesa.

Eu gostei do nome. Ele gostou do nome. É um nome clássico, é um nome tradicional, é um nome de rainha, não é um nome muito comum e não é um nome "da moda". Um dos meus critérios sempre foi, precisamente, ser um nome que não estivesse na lista dos nomes mais utilizados em Portugal em bebés registados no último ano. Manias. Cada um com as suas. 

Não foi uma escolha muito consensual. Houve muito quem dissesse que achava um nome bonito, mas também houve (mesmo na família mais próxima) quem não achasse muita piada. A parte boa disto de termos uma filha nossa é que somos nós que mandamos, não é verdade?

Isabel será.



(nota: é possível que a bebé nasça, entretanto, e é também possível que isto vire meio bipolar, entre eventuais posts agendados e a realidade do momento, por isso, sem grandes promessas ou compromissos, fica a ideia: isto há-de voltar à normalidade, eu hei-de conseguir publicar os mais 137 posts que tenho pensados sobre a gravidez, e eu hei-de vir dar notícias, quando as houver e quando conseguir!)

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Da Gravidez... - VIII (ou de como é estar grávida em tempos de Covid-19...)

Por muitas e variadas razões, esta gravidez está a ser tremendamente diferente daquilo que eu tinha idealizado. Mas a culpa foi minha que idealizei o que quer que fosse. Já devia saber que não valia a pena!...

A Covid-19 não veio ajudar, obviamente.

Se, por um lado, provocou um acréscimo de ansiedade - mais uma variável que não controlamos, numa fase em que já há tanta coisa que não controlamos, por outro lado, veio obrigar a uma série de adaptações a uma nova realidade.

Eu vim para casa no dia 4 de Março. A minha obstetra, pessoa sensata, quis pôr-me logo de baixa, porque, prevendo o que aí vinha, não me queria a andar de transportes e a trabalhar em pleno Chiado. Eu, pessoa igualmente sensata, achei que daria em louca se entrasse de baixa tão cedo, e combinei com a minha entidade patronal que iria para casa, sim, mas que ficaria em teletrabalho até ser possível. Duas semanas depois, o país seguia o meu exemplo e entrávamos em estado de emergência... Copiões!

Eu passei estes últimos quase 4 meses em isolamento e confinamento. E não, nunca me passou pela cabeça que a minha gravidez pudesse ser assim!...

Acho que, lamentavelmente, isto condicionou muito a minha experiência da gravidez. O isolamento, o não ter as minhas pessoas à minha volta, o stress e a ansiedade que cada ida à rua provocavam... Nada disto ajudou a que a minha experiência fosse muito positiva. Eu não me senti particularmente bonita, porque também não me arranjava particularmente, para passar os dias fechada em casa. Eu não tive aquela sensação de ser particularmente acarinhada ou mimada pelas pessoas à minha volta, porque não havia pessoas à minha volta (fisicamente, vá). Eu não me senti resplandecente, a exibir a minha barriga por aí, porque 90% das vezes que saí de casa, foi para ir ao médico.

Eu não andei a passear, a fazer as minhas caminhadas, a combinar almoços e jantares com família e amigos, nas compras a preparar tudo para a chegada da bebé... Não andei a fazer tudo aquilo que tinha pensado, e que achei que poderia fazer para gozar o final da gravidez como ele merece ser gozado.

A juntar a tudo isto, a realidade que algumas grávidas e mães sofreram ainda mais do que eu (se tiveram os bebés nos primeiros tempos de pandemia): o Pai foi excluído do processo, a determinada altura. Ele deixou de poder acompanhar os exames e as consultas. E isto foi estranho. Tive a sensatez de escolher para ter ao meu lado alguém que sempre quis fazer parte do processo, que sempre quis ir às consultas, aos exames, que sempre quis estar tão informado como eu. Mas quis a Covid-19 que isso lhe fosse negado, a partir de meados de Março. E, ainda que compreensível, é triste.

Por último, a Covid-19 condicionou o acompanhamento e a escolha do sítio onde a nossa filha vai nascer. Já por aqui defendi diversas vezes o SNS, e desde o início que disse que queria que o parto fosse num hospital público. Porque acredito que o SNS tem um excelente serviço, tem excelentes profissionais, e é para lá que devemos ir, sempre que precisamos ou em caso de urgência. Lamentavelmente, em determinadas especialidades, e no caso específico da pandemia que estamos a viver, a resposta do SNS não é a mais satisfatória. E sim, a nossa filha vai nascer num hospital privado, contra tudo o que que queria, contra tudo aquilo em que eu acredito, contra tudo o que eu defendo. E porquê? Porque o SNS continua a excluir o Pai do processo. As coisas vão mudando, semana a semana, mas a maioria dos hospitais públicos ainda não deixa o Pai assistir ao parto, e os que deixam é por períodos muito limitados de tempo. A maioria, não permite que o Pai volte a visitar a mãe e o bebé, após o nascimento. Mãe e bebé ficam sós, até ao momento da alta. E, desculpem, mas isto não me faz qualquer sentido. Com Covid ou sem Covid, eu acho que este é um momento que deve ser vivido a três, e acho que o Pai tem de lá estar. Comigo, com a nossa filha, a cumprir o seu papel, que é tão importante como o meu. Percebo (em parte) as limitações impostas pelo SNS, percebo que se resguardem profissionais de saúde e pacientes, e percebo que se queiram minimizar os riscos. Mas, em tendo outra opção, eu opto por não me sujeitar a algo que não me faz sentido. Não foi uma decisão fácil, foi uma decisão muito ponderada, tomada a dois, mas que representa aquilo que, para nós, faz sentido, e que achamos que é o melhor para nós, e para a nossa filha.

Acho que esta pandemia nos vai deixar marcas a todos, miúdos e graúdos, e que está a ter um impacto muito maior do que imaginamos no que somos e no nosso bem-estar. A médio prazo, veremos... Para já, sei que teremos muitas histórias para contar à nossa filha, sobre como foi estar grávida dela e vê-la nascer, numa altura tão particular como esta!

quinta-feira, 26 de março de 2020

Do estado deste blogue ou dos pontos de situação...

Tirando os últimos dias, este blogue esteve a modos que ao abandono nos últimos meses, com menos posts do que o habitual, e com a larga maioria a resumir-se à foto do dia e uma qualquer breve consideração.

Houve várias vezes em que eu pensei em voltar a escrever. Também houve várias vezes em que eu quis escrever e não pude. Mas, na maior parte dos dias, a verdade é que no meio do caos dos dias, dos meus enjoos, e da minha inércia, não me apeteceu escrever. Eu até tinha mil e uma ideias na minha cabeça, eu até ia escrevendo noutros sítios, mas não me apetecia escrever aqui.

Talvez isso mude, daqui em diante. Talvez.

Não sem antes fazer aqui um pequeno disclaimer. 

Este blogue já leva mais de 10 anos de existência (caramba! estou velha!).

Em 10 anos de blogue, já aqui se falou: de casamento; de divórcio; de corações partidos; de relações falhadas; de relações que pareciam felizes e que, veio-se a ver, não eram; da alegria; de viagens; de concertos; de arte; de museus; de vida; de morte; de compras; de roupas; de cosmética; de animais em geral e de gatos em particular; de comida e restaurantes e receitas; de teatro; de terapia, psicólogos e psiquiatras; de bailado; de política, até!; de dois mestrados e outras formações diversas; de maleitas de saúde; de famílias; de medos e divagações; dos maiores disparates; dos meus gostos e ódios; e, muito nos últimos tempos, de corridas. 

Este blogue cresceu comigo, evoluiu comigo, acompanhou-me. A pessoa que sou hoje, não é a mesma que o começou em 2009. E ainda bem. Os temas por aqui falados foram sendo do mais variado possível e foram, obviamente, reflectindo também o que se passava na minha vida.

Confesso que nem sempre percebo muito bem por que raio continua a haver gente desse lado depois de tantos anos, e menos ainda percebo os números de visitas, face ao número de comentadores e de visitantes habituais que eu sei que estão desse lado. Ao fim destes anos todos, ainda me assusta um pouco não saber ao certo quem me lê, mas tento que isso não me condicione (muito) no que escrevo.

Ainda assim, nos últimos anos tenho escrito mais sobre corridas (eu! a pequena lontra!...), e isso trouxe até aqui muito boa gente que acabou a fazer parte da minha vida real também. E isso, não tem preço! Não foi só por causa das corridas, mas este blogue já me trouxe muita gente e isso é mesmo muito bom! A sério.

Posto isto, e chegando, finalmente, ao dito disclaimer: considerando que eu deixei de correr (por tempo indeterminado) e que estou grávida (por tempo mais ou menos determinado - ou assim espero eu!), é provável que a temática aqui no blogue mude nos próximos meses. Isto não vai virar um blogue de maternidade, tal como nunca virou um blogue de corridas. Vai continuar a ser o meu blogue, a falar de tudo e mais alguma coisa, mais disparate, menos disparate.

No meio disto tudo, a única coisa que importa mesmo é que eu volte a ter vontade de escrever. Muito. Seja lá sobre que tema for!



#staysafe #euficoemcasa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da minha capacidade incrível para suster a respiração...

Estamos a dia 4 de dezembro. O mês do Natal. O último mês do ano.

E o que é que eu fiz no que ao Natal diz respeito? Montei a árvore de Natal. Literalmente. Montei a árvore, com os seus muitos e variados ramos porque talvez tenhamos comprado uma árvore demasiado grande mas não faz mal porque eu gosto dela assim. Montei-a e deixei ali no seu esplendor verde. E também deixei no seu esplendor as caixas com todas as decorações, que vieram da arrecadação e que estão pousadas no hall de entrada, para gáudio de pequeno Snow.

Portanto... A pessoa que vibra com o Natal. A pessoa que adora o Natal. A pessoa que se perde em decorações e planos. A pessoa que planeia tudo com uma antecedência, por vezes, considerada (de forma injusta) exagerada. 

Essa pessoa, este ano virou Mr. Scrooge e não quer saber do Natal.

Não quero. Não me apetece. Não tenho vontade. Não tenho, sequer, planos definidos. Não sei onde vou passar nem o dia 24 nem o dia 25. Não só porque não depende só de mim, mas porque mesmo quando o que não depende de mim estiver resolvido, eu vou ser forçada a tomar uma decisão que não me apetece ter de tomar.

Não consigo pensar no Natal. Presentes? Nem vê-los. Certo é que deixei de dar presentes nos últimos dois anos. Limito-me a comprar algumas coisas para os sobrinhos, e tudo o resto vai corrido a pequenas oferendas comestíveis que saem da minha cozinha. Prefiro pegar no dinheiro e doar a instituições que realmente precisam. Mas nem isso eu ainda fiz este ano!.... Nem pensei nos presentes dos sobrinhos (e tinha sido tão inteligente aproveitar a Black Friday para isso....), nem pensei no que vou fazer para oferecer, nem escolhi as instituições que vou apoiar.

Não consigo pensar no Natal.

Tenho demasiado em que pensar. Tenho a minha vida em suspenso. Estou assim a modos que a conter a respiração, semana após semana, à espero da altura em que vou poder respirar de alívio. Se é que vou poder respirar de alívio. Não sei. Não sei nada.

Se pudesse, avançasse no tempo até ao final do ano. Até ao momento em que terei certezas (ou, assim o espero...). Adormecia agora e só acordava daqui a umas semanas, com a minha vida em ordem e o futuro traçado a régua e esquadro (como eu tanto gosto). Mas não! Porque a vida não é desenhada a régua e esquadro e, mais uma vez, fez questão de me mostrar isso mesmo.

Tinha aqui escrito, em Outubro, que estava deprimida com o final do ano, e com o facto de não ter cumprido dois dos três objectivos que tinha definido para 2019. Pois que a vida resolveu pôr-me a cenourinha à frente do nariz e, apesar de ser certo que já não vão acontecer em 2019, talvez, só talvez, se concretizem em 2020. Com muitos medos e dúvidas, com muitas incertezas, com decisões tremendas para tomar, com coisas que não dependem de mim. Mas pode ser que 2020 seja o ano. Pode ser. 

Assim a vida queira colaborar comigo e queira dar-me um final de ano feliz e sereno. Ou só feliz, que sereno duvido que seja. Mas que eu possa voltar a respirar. Já não era mau.




(Prometo que tudo isto um dia fará sentido. Não sei é quando. Obrigada a quem estranhou a ausência e se preocupou.)

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Dos dias em que viver cansa...

Hoje o acordar foi difícil. Ele é que fez uma Maratona, e eu é que tenho a sensação de ter sido atropelada por um camião.

Talvez seja das dores de dentes. Ou da sua ausência. Já que o que me dói é o vazio deixado pelo dente que arranquei na sexta-feira.

Não consegui dormir em condições, o que seria bastante razoável, depois de ontem ter acordado antes das seis da manhã. Eu nasci para dormir. Eu preciso de dormir. E, se não durmo, não funciono.

Acordei cansada, (ainda mais) rabugenta, desanimada e deprimida.

Ontem ao final do dia tomei uma decisão importante. Havia uma pequena esperança de uma grande mudança na minha vida em breve, mas ontem eu disse adeus a essa esperança. Ontem, no rescaldo da Maratona dele, pus-me a fazer contas à vida e decidi fechar uma porta. Talvez se abra uma janela, já diz o cliché. Mas eu não gosto de clichés, nem neles acredito. Acredito no que é racional. E ontem fui racional.

Talvez por isso tenha acordado assim. Pesada, no espírito e no corpo. Com o semblante carregado e a barriga inchada, reflexo dos abusos do fim-de-semana. Ele é que ia correr, mas eu fui solidária na ingestão dos hidratos. Ou talvez tenha tentado encontrar nos hidratos o consolo que não encontro na vida.

Faltam dois meses para o final do ano. E isso deprime-me. Cansa-me. Desanima-me. 



Ou então está tudo lindo, maravilhoso e fantástico na minha vida, e eu acordei mesmo foi com TPM.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Das eleições...

Acho que nunca acompanhei tanto umas eleições como estas. Nem sei bem por que motivo, mas talvez por estar, de facto, preocupada com o que aí vem nos próximos anos. Algo me diz que não será nada de bom... Mas talvez seja apenas eu a ser pessimista.

A verdade é que li artigos e programas eleitorais, assisti a debates mais sérios e assisti ao "Gente Que Não Sabe Estar" (mais relevante do que se possa imaginar, e a única altura em que dou audiência à TVI), tentei informar-me o mais possível, apesar de o meu voto já estar relativamente decidido há bastante tempo.

Por curiosidade, experimentei uma daquelas "Bússolas Eleitorais", que não me deu novidade nenhuma.

E Domingo lá fui votar. Porque não via outra opção que não essa.

Estas eleições (ou os seus resultados) surpreenderam-me a vários níveis. Alguns mais óbvios, outros menos.

A abstenção continua a surpreender-me. E vai surpreender-me sempre. Não entendo. A sério que não entendo quem tem a possibilidade de ir votar, de mostrar a sua opinião, de expressar o seu desejo, e opta por não o fazer. Quem opta por se desresponsabilizar do que se passa no país. Não entendo. Não é por mal. E se houver por aí alguém que me queira tentar explicar, a caixa de comentários ou a de email estão à disposição. Porque eu gostava de conseguir perceber.

A vitória do PS não me surpreendeu. Obviamente, não me surpreendeu. Preocupou-me, mas não me surpreendeu.

O que também me surpreendeu foram os três novos partidos com assento parlamentar! Escusado será dizer que o facto de o Chega ter conseguido um deputado me surpreendeu e preocupou. Que país é este que quer um partido destes no Governo? Mais uma vez, aceito quem me explique... Já a eleição de um deputado do Iniciativa Liberal e uma deputada do Livre, a que se juntam mais deputados do PAN, é algo que vejo com muito bons olhos. Ainda que a deputada do PSN por Setúbal saiba menos do programa eleitoral deles do que eu, mas é o que temos... 

Precisamos de mais diversidade no parlamento. Precisamos de novas ideias, de sangue novo. Independentemente de concordar com muito ou pouco do que cada um destes partidos defende, acho que é bom que o poder não esteja tão concentrado nos dois do costume. Há muitos países por essa Europa fora em que os dois maiores partidos têm menos poder, estando o mesmo mais distribuído por partidos mais pequenos, o que acaba por resultar.

Estou curiosa para ver o que aí vem. Já há quem diga para se reservarem as suites do Ritz para os amigos da Troika voltarem... Espero que não, mas acredito que seja uma possibilidade. 

Espero mesmo estar enganada. Espero mesmo que estas novas presenças em São Bento consigam abanar as águas, por pouco que seja. Espero que este país se endireite, e possamos ter a qualidade de vida que merecemos. Ou será que não merecemos? É que olhando para a taxa de abstenção, tenho as minhas dúvidas...

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 255


Apresento-vos a mesa de cabeceira dele. 

É para isto que eu tenho de olhar todos os dias. E (quase) sou vencida pelo cansaço. 

Já do meu lado, não sei se quero passar o meu aniversário em Berlim ou em Condeixa a cometer a loucura da vida.

Dramas.

Dramas de quem precisa urgentemente de voltar a correr. Dramas de quem sabe que é ao gastar energia na corrida que consegue ir buscar a energia que sente que não tem. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 235


Não tenho lido tanto quanto gostaria. E muito menos tenho lido em papel. Abençoado Kindle, abençoados livros oferecidos e emprestados. 

Mas um dia destes perdi a cabeça e encomendei estes 4, já a pensar nas férias. Em formato paperback, para serem leves e facilmente transportáveis. Quer para levar para a praia, quer para andar com eles atrás quando regressar ao trabalho. 

Sem desculpas. Para que possa aproveitar cada bocadinho morto para ler mais umas páginas, ao invés de me perder no telemóvel e nas redes sociais. 

Para que o meu tempo possa ser mais útil, mais produtivo, mais sereno. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

Da falta de palavra das pessoas...

Alguém, provavelmente eu, tinha escrito, provavelmente por aqui, que depois da Serra Amarela só faltariam duas provas para o final da época. 

Pois que já fiz as Fogueiras e o Sintra Trail X'Treme. Se não me engano a contar, isto dá duas provas. 

Como é que daqui a 3 semanas já tenho outra?! Como?!

A sério... Já não se pode confiar no que as pessoas dizem. Num dia pensamos que estamos de férias até Setembro. No outro, pumbas!, toma lá mais no final de Julho para não ficares mal habituada.

E o drama é que a inscrição foi feita no Sábado, antes de Sintra, e eu optei pela distância conservadora. Depois do trauma de Sintra, estou aqui a pensar de mim para mim, se não me atiro assim à doida para a distância mais longa que já fiz na vida. Só para acabar a época em grande, sei lá.

Convém esclarecer que a distância é mais longa mas tem menos acumulado do que a Serra Amarela. É uma loucura controlada. Não nos entusiasmemos que eu não enlouqueci de vez. Ainda.

Talvez esteja a querer dar um passo maior do que a perna, o que não é difícil no meu metro e meio. Mas sinto-me bem. A Serra Amarela correu bem. As Fogueiras correram bem. Sintra correu bem (pudera!). E eu não sei se um dia destes não deixo de correr. Talvez fosse boa ideia aproveitar este entusiasmo e fazer uma coisa assim a modos que ligeiramente maior.

Decisions, decisions... 

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Das decisões super inteligentes que eu tomo... - já lhes perdi a conta...

Esta pessoa tinha dito por aqui, e por outros lados, que este fim-de-semana seria apenas de praia e treino, porque esta pessoa já está meio farta de provas e ainda faltam 4 até ao final da temporada. 

Esta pessoa ganhou um passatempo e vai à Corrida de Santo António amanhã.

Esta pessoa não aprende nunca. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - VI (Ou do Pós-Prova...)

Mais uma vez, cortei a meta da Maratona da Europa e não baixaram em mim todas aquelas emoções que baixam em muitas outras pessoas. Mais uma vez, fiquei meio apática, sem saber como reagir. Acho que sou um bocado lenta, nas emoções como na corrida, e demoro a processar o que acontece comigo. Ou isso ou sou, nas palavras de alguém, reservada, e não sei o que é isso de expressar grandes emoções em público. Nem em privado, já agora.

Talvez esta falta de emoções no final seja reflexo do que foi a prova durante: dura, difícil, puxada a ferros. Foi um carrossel de emoções, com momentos muito bons e com momentos muito maus. Momentos em que eu pus tudo em causa. Momentos em que eu tive a certeza de que ia conseguir.



Depois da prova, ofereci-me o meu prémio de consolação: uma barrica de ovos moles. Por coincidência, descobri durante a prova que o João Lima tinha decidido oferecer-se o mesmo presente, caso cortasse a meta. Ainda longe de sonharmos que não teríamos direito a ovos moles no final!... Mas cortámos os dois a meta, e os dois tivemos a nossa muito merecida barrica! Great minds think alike!

Os dias que se seguiram foram melhores do que eu esperava. Curiosamente, desta vez, não foram tanto as pernas ou os pés que me doeram. Foram as costas, na zona dos rins. Nunca tal me tinha acontecido e, confesso, fiquei ligeiramente preocupada. Mas até isso acabou por passar (abençoado Adalgur!), e ao fim de 3 dias eu estava pronta para outra. Salvo seja!

A Maratona da Europa deixou-me a pensar no que ando aqui a fazer, na minha vida, nas minhas prioridades (como falámos por aqui algumas vezes). Não me imagino a voltar a fazer uma Maratona tão cedo. Talvez tenha dito o mesmo depois de Madrid. Mas agora é a sério.

Se foi uma Maratona feliz como eu gostava que ela tivesse sido? Não. Se foi a Maratona que eu gostava que tivesse sido? Não. Mas como diz o Filipe Torres, a Maratona é a prova justa. E eu tive a Maratona da Europa que merecia. Para a próxima, eu que treine!

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - IV (Ou do Pré-Prova...)

A minha preparação para a Maratona da Europa foi aquilo que se sabe: deficiente.

Por muitos e variados motivos, não treinei tanto quanto devia, e falhei alguns treinos essenciais, como os mais longos.

A poucos dias da prova, a meio de uma crise existencial, só me apetecia desistir e nem ir a Aveiro. Foi toda uma montanha russa de emoções, como é a preparação de uma coisa destas!...

Depois desse drama, e já mais racional, tinha definido os meus objectivos, com um ritmo para os primeiros 30 quilómetros de 6'30m/km, e a certeza de que a partir daí, seria gerir dentro do possível.

Tentei ter cuidado com a alimentação nos dias anteriores, bebi muita água, tomei a Magnesona, aumentei a ingestão de sal, mas acabei por não descansar tanto como devia nos dias anteriores, porque, em estando fora, uma pessoa acaba sempre por não resistir e passear um bocadinho.

Na véspera, fomos à Pasta Party, com a Sofia e o André. E eu já não me lembrava do que era comer numa cantina universitária e ainda deu para rir! Comemos muito e bem, e ainda fomos beber um copo, porque era cedíssimo. Por copo, leia-se uma garrafa de água.

Voltámos para o apartamento e a pressão começou a instalar-se. Estive tempos e tempos a vestir e a despir calções, a tentar escolher quais havia de levar. Acabei por tomar a decisão com base num critério muito prático: escolhi os que tinham o melhor bolso, porque percebi que não ia conseguir enfiar na bolsa da cintura todos os géis que queria levar. Levei uns calções relativamente novos da Nike, mas que já tinha usado num treino de 15km e numa ou outra prova. Foi uma decisão mais ou menos arriscada, mas relativamente consciente. Acabou por correr bem e eu fui feliz e contente com os meus calções cor-de-rosa (ou coral, vá).

O segundo drama: os géis! Tinha levado várias opções, e ali fiquei a pensar o que tomar, quando tomar. Lá dividi os géis com o louco mais louco do que eu, lá defini a ordem pela qual tinha de os tomar, e ainda juntei umas gomas, só para o caso de enjoar os géis e precisar de uma alternativa.

Seguiu-se o último drama: as meias. Tinha duas opções e só tomei a decisão final no dia da prova de manhã, enquanto me vestia. Mas isso será tema para outro post. Quanto aos meus pés, mantive o que já vinha fazendo nos últimos meses: muita hidratação! Estava receosa porque na semana anterior me tinha aparecido no pé direito, na zona das bolhas, uma mancha de sangue pisado, que me tinha dado grandes dores nos últimos treinos.

Antes da prova começar, estava plenamente consciente de que não estava tão bem preparada como devia, e estava preocupada com o pé direito, tendo mesmo comentado que seria ele a decidir o desfecho da minha prova. 

Sabia que me ia custar horrores, mas que havia de cortar aquela meta. A única razão que me podia impedir de o fazer seria mesmo aquele pé e as suas dores, se se tornassem insuportáveis. Tudo o resto, eu havia de ultrapassar, nem que demorasse as seis horas de tempo limite.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 108


Podia ter ido correr quando cheguei a casa. Preferi fazer o jantar enquanto esperava que ele chegasse do treino dele, e obrigá-lo a preparar dois gins quando chegou.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...