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domingo, 7 de março de 2021

Dos pensamentos que me ocupam às cinco da manhã...

Não sei se tenho mais saudades das coisas que a Covid me tirou, se das coisas que a maternidade me tirou. Dadas as circunstâncias actuais, ambas confundem-se e é difícil identificar quais são quais. Pouco importa, na verdade.

Mas tenho saudades. Tenho saudades de restaurantes. De esplanadas. De ficar na praia até ao pôr do sol. De ir à Davvero comer um gelado. De ir a um concerto ou a um espectáculo. Tenho saudades das minhas pessoas. De estarmos juntos só porque sim. De respirarmos o mesmo ar sem medo do que daí pode vir. De nos abraçarmos. Eu, que nem sou de abraços. Porra. Tenho saudades de um abraço. Tenho saudades de tudo ser simples e fácil. De ir a algum lado, ser apenas ir a algum lado. Sem medos, sem paranóias, sem máscaras e sem desinfectantes. Tenho saudades de almoços de horas. De visitas inesperadas. De dias sem planos e sem horários. De dormir até tarde. De dormir, no geral. De me sentir leve e feliz. Tenho saudades da vida que tinha e que sei que nunca voltará. Com ou sem covid. Tenho saudades de correr nos trilhos. Das provas. A dois ou em equipa. Da sensação boa que vinha no final, que fazia esquecer o cansaço e eventuais maleitas. Tenho saudades de viajar. Daquela excitação boa que surgia sempre que entrava num avião, fosse qual fosse o destino. Ou num carro, pouco importa. Tenho saudades de Lagos. Dos percebes. Dos gelados. De Porto de Mós e do Zavial. Da pizzaria debaixo do prédio. Da mini varanda que aqui não temos. Tenho saudades dos pés descalços e dos chinelos. Do não ter pressa. Das caminhadas na marginal e nos passadiços. Tenho saudades de tanta coisa a que antes não dava o valor suficiente. Tanta.

É pena, é mesmo pena, que na maior parte dos casos, só demos valor às coisas quando deixamos de as ter. Seja por culpa da covid, seja por culpa da maternidade. 

Se tudo isto não servir para mais nada, que sirva para que eu aprenda a dar valor às pequenas coisas. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Do parto da Isabel...

O parto da Isabel não foi nada do que eu queria, sonhara ou idealizara. Em parte, já sabia que assim seria, desde que ficou decidido que seria cesariana. Mas, ainda assim, foi muito diferente do que esperava.

Não consigo dizer que foi o momento mais bonito da minha vida. Se bem que também não consigo dizer qual foi o momento mais bonito da minha vida. O problema está em mim, certamente. 

Quando penso no nascimento de um bebé, no acto de trazer um novo ser humano a este mundo, penso em algo muito carnal, muito animal, muito natural. Penso no regresso aos nossos instintos mais básicos e ao que faz de nós aquilo que somos. Penso na vida a gerar vida. Penso no milagre da natureza. 

Ora, numa cesariana não há nada disso. Uma cesariana é um procedimento cirúrgico. Numa cesariana não há nada de animal, de instinto, de vida a gerar vida. Numa cesariana há alguém inerte deitado numa mesa de operações, há muitos e variados profissionais de saúde em redor, há uma barriga que é cortada e de onde é extraído, contra a sua vontade, um pequeno ser. Não consigo ver grande beleza nisto. O problema está em mim, certamente. 

Achei o procedimento frio. Senti-me meio perdida naquele bloco operatório, até o Pai se ter juntado a mim. Foram minutos que pareceram horas. Tive medo. Senti-me ansiosa. Achei que tudo podia correr mal. Senti-me impotente e inútil, incapaz de trazer a minha filha ao mundo. 

Foi estranho sentir tudo. Sentir o frio do desinfectante a ser esfregado na minha barriga. Não senti o corte, mas senti a pele a ser afastada, a barriga como que esventrada, os movimentos dentro de mim, tudo demasiado real. Sem dor, mas sentindo perfeitamente o que se passava. Foi rápido. Muito rápido. 

Em poucos minutos, o choro da nossa filha. Da nossa Isabel. Nesse momento, já tinham baixado o campo cirúrgico e o Pai pode vê-la vir ao mundo. Eu, só podia ouvi-la. E que bem que ela se fez ouvir! Guardo na memória aqueles primeiros gritos. Vi, depois, as primeiras imagens que o Pai fez questão de captar. A nossa filha no mundo, gritando desalmadamente, mostrando a garra que traz consigo.

Quando ma mostraram, não pude não chorar. No meio de toda aquela estranheza, as lágrimas caíram, ao ver a nossa filha pela primeira vez. Era real. Ela estava ali, junto a nós, a iniciar a sua longa jornada, nesta viagem que é a vida. E nós, ali, a iniciar a nossa longa jornada, nesta viagem que é a parentalidade. 

Senti-me assoberbada por tudo. Custou-me não poder reagir, não lhe poder pegar, mal a conseguir ver. Parecia tudo demasiado surreal e eu continuava a sentir-me mais num procedimento cirúrgico do que naquele que se queria que fosse o momento mais bonito da minha vida. 

Eventualmente, levaram-na. E ele foi com ela. E eu fiquei ali, sozinha e perdida, no meio de estranhos, a ser suturada. Acho que só quando cheguei ao recobro e os reencontrei aos dois, é que respirei de alívio e me caiu a ficha. Só quando ficámos ali os três, em namoro completo, com ela junto a mim, comigo a querer examinar cada centímetro do corpo dela mas sem me conseguir mexer, é que eu percebi o que estava a acontecer. 

Eventualmente, ficámos só as duas. A conhecer-nos. A reconhecer-nos. A cheirarmo-nos mutuamente. A ver ao vivo o que imaginámos durante meses a fio. Não sei quanto a ela, mas eu, o que senti, é que era tudo infinitamente melhor do que eu poderia ter imaginado. 

O parto da Isabel não foi uma experiência bonita, ou memorável, ou o melhor momento da minha vida. Mas o que é que isso importa, com tudo o que virá depois?... 



[Texto escrito a 9 de Julho, duas semanas depois de a Isabel nascer. Não o publiquei na altura, por ter sido escrito a quente. Mas, hoje, o sentimento não melhorou. Sobretudo, porque tenho agora a certeza de que fui sujeita a uma cesariana desnecessariamente. Talvez um dia eu ultrapasse isto. Talvez eu tenha outro filho e o parto que idealizei. Ou talvez não. Mas teremos sempre a terapia, não é verdade? Foquemo-nos na última frase e em tudo o que já veio e o que ainda está para vir.]

sábado, 2 de janeiro de 2021

Dos presentes de Natal e dos objectivos para 2021...


Este Natal, pedi apenas 2 presentes. Um deles, foi esta camisola do Armazém das Malhas

O Armazém das Malhas é um pequeno grande negócio familiar, com uma produção responsável e sustentável, que usa matérias primas escolhidas a dedo, pela sua qualidade e pela sua origem. Produzem, de forma artesanal, e em Portugal, peças intemporais e feitas para durar, em colecções de pequena escala. Têm como missão "Sensibilizar para um consumo consciente". 

E um dos meus objectivos para 2021 é, precisamente, o consumo consciente. É reduzir ao mínimo indispensável a compra de roupa, calçado e acessórios. É optar pela slow fashion. É comprar apenas o que for mesmo necessário e, ao fazê-lo, optar por marcas como esta. Marcas nacionais, que se preocupam com o impacto da sua produção, que lutam também por um mundo mais sustentável.

Baby steps, a caminho de um mundo melhor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Das conversas de sexta-feira à noite...

Estivemos a ver o documentário Dick Johnson is dead, e, quando acabámos, eu estive a elencar as minhas preferências para quando eu morrer. Como sei que ele só ouve 10% do que eu lhe digo, fica aqui, para registo futuro:

- quero ser cremada. As cinzas devem ser espalhadas no mar. Idealmente, em Santa Maria. Mas como é meio fora de mão, o meu irmão que pegue no barco e me leve para ao pé dos golfinhos, que já não é mau. Sintra ou Monsanto também são opções válidas.

- não quero cravos no meu funeral. Nem um. Odeio cravos.

- não quero padres nem missas. Façam uma coisa qualquer gira e simbólica, quem quiser diz umas palavras, e está feito.

- quero comida e bebida. Muitas gordices e muito álcool, para afogarem as mágoas.


E é isto. Parecem-me exigências bastante razoáveis, até.

Tentei que ele me dissesse as suas preferências, mas não foi capaz. Diz que nunca pensou sobre isso. Quem é que nunca pensou sobre o seu funeral?!... E o pânico que é pensar se lhe acontece alguma coisa e eu não sei o que fazer?... Já lhe disse que tem de pensar nisso, que isto não pode ser assim: ir embora e quem cá fica que resolva... Não. Nem pensar. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Da Maratona de Valência...

É oficial. A Maratona de Valência foi cancelada.

Nada que nos surpreenda, não é verdade? Toda a gente já sabia que este seria o desfecho mais provável mas a optimista em mim (que a há!), continuava com uma muito pequena esperança de que a prova se mantivesse, que a Covid-19 desaparecesse como que por artes mágicas, e que em Dezembro fôssemos fazer a nossa primeira viagem em família. Quis a vida, ou a Covid-19, que assim não fosse.

Ainda não conferenciámos com a restante família que também ia, mas não creio que a viagem vá acontecer. Houve uma altura em que eu achava que sim: mesmo sem prova, a viagem estava paga, pelo que íamos lá passear na mesma. Com a actual escalada de casos, e com a previsão do que vem aí com a chegada do Inverno, eu já mudei de ideias e não me vejo a ir para Espanha nos próximos tempos. O que é pena.

Pontos positivos: pode ser que lá vamos em 2021 e eu já possa fazer a prova (só tenho de arranjar babysitter para ficar com a miúda), e já andamos a ver possibilidades de alteração dos bilhetes, para ir fazer outra coisa gira, noutro sítio, nos primeiros meses de 2021. Se bem que seja impossível fazer planos nesta altura, mas uma pessoa sempre pode ir sonhando...

A propósito, ou não (que não tem nada a ver), um dia destes apanhámos na televisão uma reportagem sobre o campeonato mundial de Trail, em que falavam da última edição do MIUT. Tinha muitas e variadas imagens da prova, dos atletas, do percurso, e eu fiquei de boca aberta a olhar para aquilo. Já percebi por que motivo há alguns malucos que lá voltam, ano após ano... Eu sei que a Madeira é bonita, eu sei que a prova é incrível, mas ver aqueles vídeos dos percursos da prova, deixou-me mesmo maravilhada e com vontade de lá ir um dia...

Voltamos ao mesmo: uma pessoa sempre pode ir sonhando...

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 240


A foto não é de hoje. Obviamente e lamentavelmente. 

É de há um ano. Em Chamonix. Numa das viagens da minha vida, numa outra vida, num outro tempo. 

Sei que nunca mais vamos viajar como viajávamos, mas sei que um dia gostava de levar a Isabel a percorrer aqueles trilhos. 


sábado, 16 de maio de 2020

Dos tantos planos para depois...

No Sábado passado, quando acordei, tinha um email da TAP a informar de uma alteração na minha reserva para Valência em Dezembro. Por momentos, achei que o mundo tinha ensandecido de vez, e que já estavam a cancelar os vôos com 7 meses de avanço. Pois que não. Era só uma alteração de horário. Menos mal.

Entre os muitos planos que tínhamos (e temos) para este ano, Valência é só um deles. A diferença é que Valência continua em cima da mesa, até ordem em contrário. Será a primeira viagem com a nossa descendente, será uma viagem em família, e será a estreia do meu irmão numa Maratona. A ideia surgiu no final do ano passado, e logo tratámos de marcar os vôos e o alojamento. Longe de imaginar o que aí vinha... Ainda assim, tentamos manter algum espírito positivo, e queremos acreditar que talvez, só talvez, a prova se mantenha, se não houver uma nova crise com a Covid-19, mal entremos no tempo frio e no Inverno.

Mas Valência é só um dos muitos planos que tínhamos para depois...

Era suposto estarmos hoje em Portalegre. Era suposto ele estar a esta hora a estrear-se numa prova de 3 dígitos. Era para isso que ele andava a treinar, quando tudo isto começou. Também era suposto ele ter ido ao Marão. E era ainda suposto termos ido ao Trilho dos Pernetas, para onde íamos arrastar mais 6 elementos da família. 

Como ele, tantos e tantos atletas tinham objectivos para esta altura. Tantos e tantos atletas andavam a treinar, a esforçar-se, a superar-se. Mas agora não há provas... Nem saberemos quando voltará a haver... É ingrato, pode ser frustrante, pode ser profundamente desanimador e deixar um sentimento de injustiça tremendo. São só corridas, dirão alguns. Não são. São sonhos e objectivos. E custa-me ver que ele andava a treinar imenso, estava em excelente forma, estava motivado e entusiasmado, e todos os planos ficaram mesmo para depois.

Por outro lado, temos assistido a desafios incríveis que mobilizam dezenas e centenas de atletas, mesmo que virtualmente e à distância. Temos assistido a provas e treinos em casa com distâncias absurdas. Temos visto atletas a reinventarem-se e a encontrarem força e motivação nos sítios mais improváveis. Temos, também, visto muita gente a encontrar na corrida a melhor forma de manter alguma sanidade mental, nestes tempos tão incertos.

Resta-nos (e incluo-me neste pacote mesmo não estando a treinar) tentar ir buscar algum ânimo não sei bem onde, tentar encontrar forças para continuar a treinar mesmo sem objectivos à vista, não baixar os braços e olhar em frente, acreditando que, mais tarde ou mais cedo, as provas vão voltar. Mesmo que em moldes diferentes, mesmo que com dinâmicas estranhas, mesmo que com muitas e variadas adaptações e restrições. As provas hão-de voltar. Talvez demorem uns meses. Talvez estejam à espera que eu possa voltar a correr, para voltarem comigo. Talvez a culpa disto tudo seja minha, que decidi obrigar o mundo a ser solidário com a minha gravidez e a minha impossibilidade de correr. Talvez. Mas o certo é que não vamos parar e as provas hão-de voltar. Com ou sem Covid-19.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 5

Da esquerda para a direita:
2015, 2016, 2017, 2018 e 2019.

Hoje andei em arrumações, e dei comigo a reunir todas as minhas medalhas e dorsais. Ou todos os que tenho, pelo menos. 

Quando comecei a correr, a corrida era algo de tão estranho para mim, que eu não dava grande valor. Assim, não guardei os primeiros dorsais. Hoje, tenho pena disso. Já que não sou daquelas pessoas super organizadas com um Excel com as provas todas (Olá, João! Olá, Nuno!), ao menos podia ter os dorsais todos. Mas nem isso... Mesmo assim, tenho 58 dorsais, mas que também não representam as provas todas que fiz, pois no Troféu de Oeiras usamos o mesmo dorsal para todas as provas (são em média 12 por época, e eu devo ter feito umas 10 por época, nas 3 épocas em que já participei). 

Medalhas também não estão aqui todas. Falta a mais especial: Madrid. Essa tem um lugar de destaque, não só em mim mas cá em casa, e está devidamente emoldurada, ao lado da medalha do louco mais louco do que eu, e da foto que tirámos juntos depois da prova. A minha primeira Maratona. Aquela que nunca esquecerei. 

Na verdade, olho para cada uma daquelas medalhas e claro que me lembro de todas as provas. Ainda não são assim tantas, não é verdade? Mas há sempre uma ou outra mais especial... 

Há a primeira de todas: a São Silvestre de Lisboa em 2015. A minha primeira prova de 10km. É por isso que, desde então, nunca falhei esta prova. Já tenho 5 camisolas e 5 medalhas, e é lá que está o meu recorde nos 10km. É daquelas provas a que hei-de voltar, uma e outra vez, assim a vida mo permita. 

Há as dos trails, algumas bem sofridas, há a de Aveiro (já que não tive ovos moles...), há as das meias (já não me lembrava que já fiz 7 meias... Como?!)... Cada medalha, suas memórias... 

Não tarda passaram 5 anos desde que comecei a correr. Às vezes, parece que foi ontem. Às vezes, não acredito bem. Olho para estas medalhas, e custa-me a crer que são todas minhas. Eu fiz aquelas provas todas. Eu. Quem diria?! 

Se há coisa que a corrida me trouxe, foi a descoberta em mim de forças e capacidades que desconhecia que tinha.

Só espero nunca me esquecer disso!... 

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Do Natal...


Que o vosso Natal seja muito feliz! Com muita saúde, que é o mais importante. Com Amor. Com comida e bebida. Acima de tudo, com as pessoas que vos são mais importantes. Feliz Natal! 

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Da minha carta ao Pai Natal...

Querido Pai Natal,

Talvez tu não saibas (ou, se calhar, até sabes porque sempre me disseram que tu sabes tudo e vês tudo), mas eu gosto muito de ti. Pouca gente vive o Natal com o entusiasmo que eu vivo e espera pelo teu dia como eu. Perdoa a falta de modéstia.

Este ano eu portei-me bem. Quero dizer, mais ou menos. Mas comi a sopa toda, fiz a cama antes de sair de casa, não comi doces todos os dias, fiz os trabalhos de casa, fiz uma Maratona, não disse (muitas) asneiras e não bati em ninguém (nem mesmo quando levaram a minha paciência aos limites - e, acredita, levaram).

Também deves saber que este não foi exactamente um ano fácil para mim.

Por tudo isto, eu gostava muito que tu ponderasses dar-me o único presente que eu gostava de ter: uma boa notícia, daquelas mesmo boas, até ao final do ano. Não precisa de chegar à meia-noite de dia 24. Nem precisa de vir embrulhada. Mas achas que consegues?

Obrigada. Obrigada. Obrigada.

Agridoce


P.S. - vou deixar um prato com bolachas e um copo de leite ao pé da árvore, mas é provável que não sobrevivam ao Snow. Não leves a mal.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Do poder do tempo...

Fez esta semana 3 meses que a minha mãe morreu. Às vezes, ainda acho que é mentira. Muitas vezes, ainda a vejo na rua, em pessoas que me fazem lembrar dela. Apenas e só para me lembrar que não pode ser ela.

Já passaram 3 meses e parece que foi ontem. Lembro-me como se tivesse sido ontem, na verdade. Lembro-me do telefone a tocar, lembro-me das palavras do outro lado, lembro-me de ficar sem reacção. Lembro-me de tudo com uma crueza que me arrepia. Mas, ao mesmo tempo, tenho muitas vezes a sensação de que não é verdade. De que não aconteceu.

Passaram 3 meses e no Sábado, estava eu deitada na praia, quando a BFF me perguntou como estava eu em relação a isso. E eu, eu hesitei uns segundos, desviei o olhar e, tentando conter as lágrimas, disse-lhe apenas a verdade: que ainda não tive tempo para processar isso. Ainda não parei para pensar nisso.

Arrasto-me no correr dos dias, que não páram uns atrás dos outros, e não me dou o tempo de que preciso para pensar verdadeiramente sobre isso. À minha volta, ninguém fala nisso. À minha volta, talvez acreditem que eu estou bem em relação a isso. Ou talvez tenham medo de perguntar. E a verdade é que eu também não quero falar sobre isso. A única pessoa com quem talvez quisesse falar sobre isso, é o meu irmão. Mas o meu irmão está sempre longe. Literal e metaforicamente falando. E eu guardo tudo para mim. Por ter pouca fé nas pessoas e na sua capacidade de compreender aquilo que eu própria não sei explicar. Por achar que não vale a pena. Por não querer mais ouvir palavras de consolo. Por não querer mais palmadinhas nas costas.

Continuo à espera que o tempo, esse mágico poderoso, exerça os seus fantásticos poderes e me ajude a aprender a lidar com isto. Se isso não for possível, que me ajude a acalmar a dúvida, a mágoa, a culpa. Quero muito acreditar que um dia eu vou saber lidar com isto. Preciso de acreditar nisso. Mesmo que não acredite.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Dos meus pedidos ao São Pedro...

Caro São Pedro, 

Eu sei que nesta altura deves receber imensos pedidos de imensa gente. Mas, confesso, tenho alguma esperança que tantos pedidos te façam reconsiderar o que tens estado a fazer.

Estamos em Junho. Na próxima semana há um feriado. E eu, como tem sido habitual nos últimos anos, tenho férias marcadas. Como talvez te recordes, ou não, porque certamente tens mais em que pensar, eu costumo ir para Lagos nesta altura. E, regra geral, está um tempo espectacular e eu consigo fazer uma semana de praia óptima que me permite acabar com esta cor de lula e entrar no Verão com um tom de pele mais simpático e condizente com as cores da estação. 

Este ano isso não vai acontecer. E não vai acontecer por dois motivos, sendo que um deles tu não controlas, é certo. Este ano eu não vou de férias para Lagos. E ainda bem. Porque com este tempo miserável, se eu fosse para Lagos, ia morrer de tédio. Fizeste-me essa gracinha quando lá estive em Abril e eu não me queixei porque tinha um treino de 25km para fazer. Mas agora já não tenho treinos para fazer. Nenhuns.

O que eu tenho para fazer é ir ao Porto este fim-de-semana. E não só vou ao Porto, como vou ao Primavera. O Primavera é um festival de música no Parque da Cidade. Ao ar livre, portanto. Eu não sei se tu costumas ir a festivais de música. Eu não, mas agora  aparecem-me com bilhetes em casa e obrigam-me a ir a estas coisas e eu lá faço o sacrifício. Mas, dizia eu, talvez não saibas mas festivais de música e mau tempo não combinam. É chato, como diria alguém.

Além disso, eu gostava muito de, já que não vou para Lagos, ir à praia segunda e terça feira aqui em Lisboa. E, não querendo parecer esquisitinha, mais uma vez, praia e mau tempo não combinam. Ou bronzeado e mau tempo não combinam, vá.

Convenhamos que este tempo não é normal para esta altura. Estamos em pleno mês de Junho e, esta manhã, foi num acto de rebeldia pura que eu me recusei a vestir collants. Ainda estive com elas na mão, acreditas? Mas depois achei que vestir collants em Junho era um ultraje. E vim de vestido e perna ao léu. Se tiver frio porque estão 16°, paciência. Mas Junho não combina com collants (ou meias de vidro ou lá como se chamam).

Para não abusar da tua boa vontade, nem sequer te peço bom tempo para Londres. Até porque ambos sabemos que isso é impossível, não é verdade?

Mas pensa nisto. Com carinho. Eu e milhões de pessoas agradecemos. 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Das corridas... - XLV

O que eu gostava mesmo, mesmo, mesmo, era que organizassem corridas de 30km. Assim sendo, continuo sem saber como vou fazer os meus treinos longos.

Mas hei-de descobrir entretanto.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Das coincidências (que as há?)...

Em 2017, comecei o ano a partilhar no meu instagram uma fotografia em que, de caneca de Guinness na mão, fazia um brinde a todos os que me estavam a ler e pedia apenas a 2017 que fosse um ano sereno.

364 dias depois, escrevi este post, em que o terceiro adjectivo que usei para descrever 2017 foi, precisamente, sereno.

Só me apercebi desta coincidência entretanto, mas a verdade é que na meia-noite da passagem deste ano, também pedi apenas um desejo.

No final do ano venho cá contar-vos se se concretizou.


sábado, 6 de janeiro de 2018

Das viagens...

Estamos no início do ano e já tenho duas viagens marcadas. A bem da verdade, no dia 2 de Janeiro, já tinha duas viagens marcadas. Duas capitais europeias. Dois regressos a sítios que já conheço. Uma para me estrear na distância mí(s)tica, outra para partilhar a minha cidade preferida com alguém que não a conhece.

A certeza de que serão ambas muito especiais. A certeza de que serão ambas inesquecíveis.

A vontade de que o tempo voe e que elas cheguem depressa.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Das corridas... - XLII

As inscrições estão feitas. Os vôos estão pagos. O hotel está marcado.

Agora é treinar. Treinar muito. Treinar mesmo quando não me apeteça. Treinar mesmo quando me custe, quando me doa, quando me dê vontade de chorar. Treinar mesmo quando tiver dúvidas se serei capaz. Treinar com a certeza de que não quero que o Porto se repita. Treinar mesmo sem ter a certeza se poderei fazer a prova. Treinar com a certeza de que se não a fizer, não será por falta de empenho, esforço ou qualquer outra coisa que só dependa de mim.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Do ano que hoje termina e do ano que amanhã começa...

Pela primeira vez, desde que me lembro, não quero que um ano acabe. E não quero que comece um novo.

Habitualmente, anseio por um novo ano, por novas possibilidades, por novos dias, por tudo o que aí vem, por todos os sonhos e planos.

Este ano, não. Este ano gostava de ficar em 2017, cristalizada no tempo, em suspenso, sem daqui sair.

2017 foi um ano demasiado bom. Em tantos níveis diferentes. 2017 foi um ano feliz, um ano sereno, um ano de tantos sorrisos e memórias boas. 2017 não me levou nenhuma das minhas pessoas, e isso, por si só, é um luxo. Levou outras, tantas, mais ou menos próximas. Mas não me levou as minhas. E só posso estar grata por isso. 2017 trouxe-me outras pessoas. Muitas, tantas. Mais do que as que levou. E também só posso estar grata por isso. 2017 teve passeios, viagens, mergulhos no mar, concertos, piqueniques, jantares e copos, risos e gargalhadas. E também estou grata por isso. 2017 teve uma mudança de emprego, que tão bem me fez. 2017 obrigou-me a rever crenças, a deixar de lado medos e receios, a voltar a acreditar. 2017 teve lágrimas de alegria, teve emoções fortes, teve Van Gogh, teve muitas corridas, teve pores-do-sol, teve sushi sem fim, teve beijos, abraços e sorrisos. Faço um esforço, um esforço muito grande, e não me lembro de nada verdadeiramente mau que tenha acontecido em 2017. E isso, é um luxo tão, tão grande. Tão maior do que o que eu mereço.

E é por isso. É por isto tudo e mais ainda que não me lembro, que eu não quero sair de 2017.

Porque 2018 é uma incógnita. Porque há demasiadas dúvidas em cima da mesa. Porque ninguém sabe o que 2018 trará e o que se prevê não é muito bom. Queria muito estar feliz e dizer que vêm aí mais 365 dias cheios de possibilidades e coisas boas. Mas não sei. Eu não sei o que aí vem. E tenho medo de descobrir.

Para 2018 desejo-vos tudo o que quiserem mas desejo, sobretudo, a única coisa que este ano vou pedir para mim e para as minhas pessoas: saúde. Só isso. Que 2018 seja generoso nesse campo. O resto? O resto vem.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Do que eu queria...

Anseio pelo fim deste dia interminável. Quase tanto como me custa saber que não o vou acabar nos teus braços. Queria, queria muito, enroscar-me em ti, encaixar-me no teu corpo, ficar assim, só ficar, só estar, só a sentir-te e a ouvir o teu respirar.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...