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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Dos 20 meses da Isabel...


Vinte meses de Isabel.

A caminho dos dois anos. Já muito longe de ser um bebé, e cada vez mais uma mini-pessoinha, com personalidade e vontades próprias. É uma autêntica gralha, já deixei de contar as palavras que diz há muito tempo, porque diz e repete tudo o que ouve. Já começou a fazer frases e é muito expressiva nas suas vontades. Esteve doente. Com Covid, com otites, com mão-pé-boca, com gastroenterites várias. Mas é uma miúda saudável e somos uns sortudos. Dá abraços, manda beijinhos e diz "xau" da maneira mais amorosa possível. Adora amendoins e chama-lhes "ruchis" (não me peçam para explicar...). Tirando quando está doente, já dorme melhor e mais. Mas as sestas em casa continuam miseráveis. E está tudo bem. Adora o baloiço e o escorrega, que sobe a trepar. Fica orgulhosa quando consegue fazer alguma coisa e o seu ar de satisfação não tem preço. Gosta do mar e da praia. O meu nome ganhou um novo significado quando ela repete sem fim "mãe 'nês". Pede peixe e batatas de manhã, e anda a embirrar com a carne. Continua a gostar muito de livros, e pede para lermos uns atrás dos outros. Já sabe partes de alguns de cor, e faz-me rir à gargalhada quando antecipa o que eu vou dizer. Deixou de mamar. E está tudo bem. Come a sopa toda sozinha e diz "já 'tá". Continua a adorar o gato e esgota-lhe a paciência. Já andou de avião, fez a sua primeira viagem internacional e portou-se lindamente. Tem um clube de fãs no nosso prédio, que ficam à janela para vê-la sair ou chegar. Continua simpática e bem-disposta. E eu continuo sem saber a quem ela sai. Começou a andar tarde, mas agora ninguém a pára. Gosta de pegar num pano e limpar, não só a mesa dela mas todas as superfícies que lhe aparecem à frente. Gosta de pôr os óculos de sol e ir a correr ver-se ao espelho. Tem um fascínio por escadas. Já diz o seu próprio nome e quase que canta e dança quando o faz. É mesmo uma miúda fácil e nós somos mesmo uns sortudos, não sei se já disse.

sábado, 1 de janeiro de 2022

Das fotografias que dão alegria... - Day 1

 


Estreámo-nos nas caminhadas do ano, com um passeio a três pela zona ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. 
E ficou a promessa de lá voltarmos. 

terça-feira, 27 de julho de 2021

Do 1º ano da Isabel...


Um ano de Isabel.

12 meses. Uma volta completa ao Sol. Um ano inteiro. O primeiro de muitos, espera-se. É inevitável não fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Foi um primeiro ano atípico, patrocinado pela Covid-19. Não foi nada do que tinha imaginado, e tem sido um longo trabalho fazer esta gestão de expectativas. Foi um ano de mais recolhimento do que gostaria. Foi um ano de isolamento, de falta de apoio, sem aldeia à nossa volta para criar a Isabel.

A Isabel continua igual a si mesma. A distribuir sorrisos e beijinhos. A fazer sucesso na creche. Sempre bem-disposta. Gatinha pela casa fora e não dá descanso ao gato. Ele, por seu lado, já faz questão de se deitar perto dela, quando ela está no chão da sala a brincar. Tolera as palmadas dela com mais paciência do que eu poderia imaginar. Ela continua a adorar comer. É só dizer banana e os olhos dela iluminam-se. Comeu o seu primeiro pêssego à dentada e não se atrapalhou. Diverte-se a chupar o esparguete, já comeu percebes e adora beber água. Fica a olhar para nós quando estamos a comer e em breve vamos ter guerras por causa disso. Não gosta de usar chapéu nem óculos de sol. Voltámos à praia e divertiu-se a encher as mãos de areia, apenas para as esfregar e sacudir a seguir. Não ficou fã da água fria do mar e eu entendo-a. As noites continuam uma incógnita. Já dorme algumas seguidas, mas dorme pouco, e acorda sempre cedo. Continua no limite mínimo de horas de sono para a idade dela. Percebe muitas das palavras que dizemos, mas só diz de forma mais ou menos intencional papá e gato. Mamã aplica-se a tudo, de forma mais ou menos aleatória. O pai ensinou-a a deitar a língua de fora. Teve a sua primeira gastroenterite. Foi ao Oceanário no dia de aniversário e voltámos à Quinta Pedagógica dos Olivais. Adora cerejas e framboesas. Fez a primeira birra para ficar na creche. Aponta para tudo e fala lá na língua dela. Já percebeu que nos derrete e faz as suas gracinhas. Teima em ser ela mesma a lavar os seus dentes. E já tem mais dois a nascer. Está longe de começar a andar e está tudo bem. 12 meses de Isabel. Que venham muitos, muitos, muitos mais.



Nota: a Isabel fez um ano a 25 de Junho. Mas o mês que passou foi estupidamente longo e duro, e, apesar de já ter o texto escrito há algum tempo, faltou a vontade de aqui vir escrever. E teria tanto para dizer!... Talvez um dia.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Dos 11 meses da Isabel...


Onze meses de Isabel. 

Onze. Só falta um para os doze. O último mês trouxe a grande novidade de um dos marcos do seu desenvolvimento: já gatinha. Ninguém a pára e acabou-se o sossego. O nosso e o do gato. Que ela continua a adorar. Já foi arranhada, claro. Continua na creche e não houve mais sustos com covid-19. Espalha charme e sorrisos e já tem um clube de fãs. Ainda não perdeu as bochechas, mas já esticou um bocadinho. Adora comer. Sopa, fruta, peixe, carne, legumes, panquecas. O que seja. Dêem-lhe comida e os olhos dela brilham. Consta que começa a guinchar mal vê as cadeiras de refeição na creche. Ainda não fala, mas já procura com o olhar quando lhe perguntamos pela mãe, pelo pai, pelo gato ou pela bola. Gosta de partilhar. Eu peço-lhe para dar a banana à mamã e ela nem hesita em enfiar-ma na boca. E ri-se perdidamente com isso. Continua bem disposta. E boa onda. E simpática. Continuo sem saber a quem sai. Passámos o nosso primeiro fim de semana fora de casa e portou-se lindamente. Não estranhou a cama, não estranhou comer no restaurante, não estranhou nada. É uma santa. Ou não fosse Isabel. Estabilizou nos seis dentes há já umas semanas. Nunca nos deu nenhum susto de saúde. Imita-nos a piscar os olhos e nós rimos perdidamente. Diz adeus. Manda beijinhos. Imita-me a suspirar e ri-se. Também bate palmas. Atira coisas para o chão e fica a olhar para elas, a tentar perceber isso da gravidade. Já não berra desalmadamente na maior parte do tempo das viagens de carro e até já aconteceu adormecer sozinha. Já tem o seu primeiro fato de banho mas ainda não o usou. Já quase percebeu o conceito de dar abraços e derrete corações quando encosta a cabeça no nosso peito. As noites estão incrivelmente melhores. Mesmo quando ela acorda às cinco e meia e entende que não precisa de dormir mais. As sestas continuam de trinta minutos. Tem potencial para ser uma autêntica gralha. Adora o reco reco e foi maravilhoso ver a evolução dela até ela perceber como ele toca. Já é menos careca e não tem o cabelo tão escuro como o da a mãe. Ainda hoje dei comigo a olhar para ela e a perguntar-me como era possível eu ter feito algo tão incrível. 

Onze meses de Isabel. Não é cliché, passa mesmo a voar. 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Dos 9 meses da Isabel...

 


Nove meses de Isabel.

Nove. Já viveu tantos meses no mundo, como em mim. A partir de agora, será sempre mais do mundo do que minha. Se é que algum dia foi minha. Continua a adorar comer e já provou de tudo um pouco. Morre de medo da Alexa. Distribui sorrisos por onde passa. Já só acorda 1 ou 2 vezes por noite, mas entende que o dia começa às seis e meia da manhã. Continua preguiçosa para gatinhar, mas lá vai rastejando. Já tem 5 dentes, desalinhados e com um buraco entre eles, com um sorriso que, só por si, dá vontade de rir. Continua a rir-se perdidamente quando vê o Snow e já levou a primeira arranhadela. Continuou a rir-se perdidamente depois disso. Gosta de fazer barulho com as mãos, a bater na mesa, nas paredes, onde calhar. Também gosta de bater com os brinquedos uns nos outros, para os ouvir. Quando nos escondemos para fazer "cucu", estica-se toda para ver onde estamos. Fomos a uma pediatra nova e gostámos. Andou a devorar laranjas que trouxemos dos avós. Começou a comer o segundo prato, e comeu tudo, obviamente. Foi visitar os primos e estava deslumbrada, ao olhar para eles, a vê-los tocar piano e a contarem-lhe histórias. Descobriu o iogurte e despacha um em menos de nada. Faz as caretas mais cómicas e eu acumulo centenas e centenas de fotografias. Provou limão e não se queixou. Regressou à creche, apenas para voltar para casa ao fim de 4 dias. Fez a sua primeira viagem de carro sem berrar e até adormeceu sozinha. Ainda olho para ela e me pergunto como é que é possível. Não sei. Nunca saberei.


(com 15 dias de atraso, mas está tudo bem...)

domingo, 7 de março de 2021

Dos pensamentos que me ocupam às cinco da manhã...

Não sei se tenho mais saudades das coisas que a Covid me tirou, se das coisas que a maternidade me tirou. Dadas as circunstâncias actuais, ambas confundem-se e é difícil identificar quais são quais. Pouco importa, na verdade.

Mas tenho saudades. Tenho saudades de restaurantes. De esplanadas. De ficar na praia até ao pôr do sol. De ir à Davvero comer um gelado. De ir a um concerto ou a um espectáculo. Tenho saudades das minhas pessoas. De estarmos juntos só porque sim. De respirarmos o mesmo ar sem medo do que daí pode vir. De nos abraçarmos. Eu, que nem sou de abraços. Porra. Tenho saudades de um abraço. Tenho saudades de tudo ser simples e fácil. De ir a algum lado, ser apenas ir a algum lado. Sem medos, sem paranóias, sem máscaras e sem desinfectantes. Tenho saudades de almoços de horas. De visitas inesperadas. De dias sem planos e sem horários. De dormir até tarde. De dormir, no geral. De me sentir leve e feliz. Tenho saudades da vida que tinha e que sei que nunca voltará. Com ou sem covid. Tenho saudades de correr nos trilhos. Das provas. A dois ou em equipa. Da sensação boa que vinha no final, que fazia esquecer o cansaço e eventuais maleitas. Tenho saudades de viajar. Daquela excitação boa que surgia sempre que entrava num avião, fosse qual fosse o destino. Ou num carro, pouco importa. Tenho saudades de Lagos. Dos percebes. Dos gelados. De Porto de Mós e do Zavial. Da pizzaria debaixo do prédio. Da mini varanda que aqui não temos. Tenho saudades dos pés descalços e dos chinelos. Do não ter pressa. Das caminhadas na marginal e nos passadiços. Tenho saudades de tanta coisa a que antes não dava o valor suficiente. Tanta.

É pena, é mesmo pena, que na maior parte dos casos, só demos valor às coisas quando deixamos de as ter. Seja por culpa da covid, seja por culpa da maternidade. 

Se tudo isto não servir para mais nada, que sirva para que eu aprenda a dar valor às pequenas coisas. 

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Dos 8 meses da Isabel...

Oito meses de Isabel.

Dois terços de um ano. Que voaram. Ela está cada vez mais pessoinha. Um bebé, mas pessoinha. Já tem 3 dentes, 2 em baixo e 1 em cima, completamente desalinhado dos outros, o que lhe dá um ar particularmente delicioso. Continua a comer lindamente. Adora manga, abacaxi e kiwi. Mas também descobriu que adora brócolos. Também continua apaixonada pelo gato, e já lhe arrancou umas boas doses de pêlo. Ele, por sua vez, continua a ignorá-la. Fala, fala, fala. E bem alto. E continua a rir-se. Muito. Até a comer, ela se ri muito. Aliás, se há momento em que é evidente que ela é feliz, é quando come. Ou quando o pai lhe faz tropelias e ela dá as maiores gargalhadas. É preguiçosa e está longe de começar a gatinhar. Sai ao pai e já tem uma obsessão por comandos. Dormiu a primeira noite toda seguida. Mas foi, claramente, por engano. Tivemos direito a umas noites a acordar a cada hora ou a cada meia hora. Maravilhoso, portanto. Descobriu as sestas de 20 minutos. Desconfio que esteja farta de estar em casa a aturar-me todo o santo dia. Continua a gostar das nossas caminhadas e faz as suas sestas na Ergobaby. Adora o elefante de peluche que recebeu de presente da empresa do pai e ri-se perdidamente só de o ver. Está extremamente sensível a barulhos estranhos e atira-se para trás a chorar quando isso acontece. Já se magoou, claro. Começa a mostrar os primeiros sinais de vontade própria. Gosta de abanar as maracas e ouvir o seu barulho. Deixou a shantala e começou a tomar banho numa banheira maior. Chorou muito nos primeiros dias, mas já percebeu que tem mais água e espaço para chapinhar. Olha deslumbrada para o mundo e já quer ver e mexer em tudo. Continua bochechuda, mas está a ficar mais comprida. É bem disposta e ri-se muito para as raras pessoas com quem se cruza. Berra desalmadamente quando entende que não quer dormir. Mesmo que sejam duas da manhã. Continua a chuchar no dedo e a recusar a chupeta. Eu sou suspeita, mas acho que está cada dia mais bonita. E eu, cada dia mais derretida.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Dos 7 meses da Isabel...

 

Sete meses de Isabel.

Este foi, sem dúvida, o mês em que mais aconteceu. Foi o mês em que a Isabel começou a comer. E que bem que ela come. Também foi o mês em que começou a creche. Apenas para voltar para casa, ao fim de três semanas. Ficou conhecida por ser bem disposta e tagarela. Já se senta muito bem. Já rebola e "desrebola". Apareceram os primeiros dentes e está ainda mais deliciosa. Fica tão feliz com água como com banana, com sopa ou com papas. Continua a rir-se muito. E já estica as mãos para chegar ao gato, que lhe dá umas lambidelas de quando em vez. Começou a dormir no quarto dela, deixando os pais indecisos entre a culpa de a abandonar e o alívio de recuperarem o seu canto. Nasceu para comer, e, toda ela é sorrisos, quando o assunto é comida. Faz umas mini-micro sestas, para desespero de quem está em teletrabalho. Gosta de ver bater palmas e estalar os dedos. Ri-se para si mesma, ao espelho. Gosta de estar à janela. Gosta de cenoura. Continua a levar os pés à boca, sempre que pode. Não gosta da textura dos brócolos e parece ter nojo de lhes tocar. Não tenho termo de comparação, mas ela ri-se mesmo muito, já disse? Gosta quando lemos para ela e gosta de morder os livros. Gosta de morder tudo, na verdade. Continua a falar imenso, seja dia ou noite. Hoje riu-se como nunca, a comer papa de espelta pela primeira vez. Aninha a cabeça no meu ombro e derrete-me ainda mais. Quer explorar tudo, tocar em tudo, agarrar tudo. Já rasteja um bocadinho e foge do tapete de actividades, se não estamos atentos. É uma bebé bem disposta e boa onda. Não sei a quem sai. No meio desta pandemia, estamos a conseguir criar uma bebé sociável e tranquila. Não me perguntem como. Mas, apesar de terrivelmente dura, tem sido uma viagem incrível.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Dos 6 meses da Isabel...


Seis meses de Isabel.

Meio ano. Uma metade de um ano. Já passou meio ano desde que a Isabel chegou a este mundo, e virou as nossas vidas de cabeça para baixo. Seis meses que voaram, respeitando o cliché que toda a gente nos repetiu até à exaustão: aproveitem, que passa depressa. E passou. Passou tão depressa que ela, não tarda, vai para a creche. Vai ser do Mundo, a minha filha. Vai deixar de ser minha e do Pai, para ser de quem a agarrar. Cresceu tanto nestes 6 meses. A última novidade foi ter conseguido rebolar sozinha. Claro que a gracinha aconteceu enquanto eu estava a trabalhar. Claro. Vai ser sempre assim, não vai? A partir de agora, vou ter de me habituar à ideia de poder perder muito do que acontece na vida dela. Chama-se crescimento, dizem. Independência, autonomia, vida para além da minha. Ela vai crescer e eu nem sempre vou lá estar. Mas vou lá estar sempre, quando ela quiser repetir as gracinhas. O rebolar, o agarrar os pés, os ruídos novos que todas as semanas explora com a boca. Agora aprendeu a imitar um toiro enraivecido. Do alto dos seus seis meses, faz um misto de rosnar com zurrar, e põe um ar de fazer chorar as pedras da calçada... De riso. Continua uma bem disposta. Ri-se que nem uma perdida. Por tudo, e por nada. Ri-se cada vez mais para o gato quando ele passa por ela. Passou aí uma fase muito crítica nas noites, mas parece estar ligeiramente melhor. Resta saber por quanto tempo. Vai começar a comer nos próximos dias. Fez um sucesso tremendo no Natal. Como faz sempre, aliás, nas raras vezes em que está com outras pessoas. É uma bebé Covid. Estranha barulhos e confusões. Mas distribui sorrisos e ninguém lhe resiste. Gostava que ela tivesse estado com mais pessoas este Natal, que tivesse andado em mais colos, em mais casas. Mas um dia vou contar-lhe o quão estranho foi o seu primeiro Natal. Hoje, para celebrar os seis meses, fui dar com ela a chuchar no dedo... Do pé. Acho que ela o fez apenas para calar as más-línguas que dizem que ela é gordinha. Pode ser gordinha, mas agilidade não lhe falta e vá de comer os pés. Outras más-línguas talvez digam que ela passa fome e, por isso, come os pés. Mas, olhando para aquelas bochechas, ninguém acredita. A minha filha faz hoje seis meses. Caramba. Seis meses. E eu que ainda não consigo olhar para mim como mãe. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Das coisas que a pandemia nos roubou...

Esta manhã, enquanto trabalhava, calhou em estar a passar uma música dos The National. E eu emocionei-me. Foi a segunda vez que isto aconteceu, em cerca de uma semana. Emocionei-me com algo tão simples como uma música dos The National (pouco importa qual).

A última vez que vimos os The National ao vivo foi há um ano e uns dias, no Campo Pequeno. Lembro-me de sair do escritório a correr, ir buscá-lo ao aeroporto (no tempo em que era normal as pessoas viajarem em trabalho), e irmos directos para o Campo Pequeno, onde comemos qualquer coisa num instante, e nos sentámos naquelas cadeiras estupidamente desconfortáveis.

O concerto começou e esquecemos o desconforto. O concerto começou e eu deixei-me levar pelas músicas. Com uma mão na tua mão e a outra na barriga (que ainda nem existia), eu quis guardar aquele momento para sempre. Fomos felizes, ali. Nós e a nossa sementinha, que ainda era segredo para a maioria das pessoas. Não me lembro, mas é provável que tenha chorado. Pelo menos, podia culpar as hormonas. Sei que gostei muito do concerto. Só podia, aliás.

Hoje, ao ouvir aquela música, voltei a esse concerto. E não pude deixar de me emocionar, ao pensar que não sei quando voltaremos, verdadeiramente, a um concerto. A pandemia tem-me levado tanta coisa boa, e a cultura é uma delas. Não sei quando voltaremos aos concertos, aos teatros, ao cinema. Não sei. E eu sei que eles continuam a existir. Eu é que não sei quando serei capaz de lá voltar. A pandemia levou-me a cultura e deixou-me o medo. E isso é uma grandíssima merda. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Dos 5 meses da Isabel...

 

Cinco meses de Isabel.

No último mês a grande descoberta da Isabel foram os pés e as pernas. Se antes já não parava quieta com eles, agora passa tempos infinitos com eles no ar. E tenta apanhá-los e agarrá-los. Mudar a fralda tornou-se um desafio muito mais interessante, claro. Quer ver tudo o que a rodeia e distrai-se facilmente, mesmo quando está a comer. Olha para o Snow e ri-se. Ele, continua a ignorá-la, mas já encostou o nariz ao dela. Já quase se aguenta sentada. Tentamos que ela rebole, mas os presuntos que tem no lugar das pernas, não ajudam. Continua a adorar o banho e ri-se quando percebe que a vou levar para ele. Curiosamente, ri-se ainda mais quando a tiramos da água. Também berra, quando lhe dá para isso. E agora tem-lhe dado para isso a meio da noite. Compensa na fofura durante o dia. Toda ela é bochechas e ninguém lhe resiste. Ri-se muito, já disse? É um pequeno génio e já abre a boca e deita a língua de fora quando chega a hora de lhe dar as gotas da Vitamina D. Continua a não gostar da chucha, e nós continuamos a insistir para que ela goste. Continua a portar-se lindamente na Ergobaby. Gosta de passear e de ir de cabeça no ar, a ver o céu, as árvores, os pássaros, e o que quer que seja que lhe apareça à frente. Dizem que é igual a mim, mas eu acho-a demasiado bonita para ser igual a mim. Olha fascinada para a forma como a comida desaparece na nossa boca. Não tarda, está ela a comer também. Cinco meses. Como? Não sei.


(quinze dias de atraso... diz muito sobre os últimos tempos...)

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 336



Não tenho cozinhado tanto quanto gostaria. Pergunto-me, diversas vezes, o que raio é que eu fazia com o meu tempo, antes de a Isabel nascer. Nada, aposto. Eu não fazia nada. É a única explicação que encontro. 

Hoje acordámos mais tarde que o habitual (a noite foi má e "obriguei" a Isabel a dormir mais um bocadinho de manhã). Fiz panquecas para o pequeno almoço. Fomos para a expo. Eu corri, enquanto ele caminhou com ela. Eu peguei nela, voltei para casa, e ele fez o treino dele e voltou a correr para casa. Tomei banho e fiz o almoço. Almoçámos. A Isabel fez a sesta. Eu arrumei a cozinha e fiz estas bolachas. Pelo meio, trocar fraldas, dar de mamar, brincar e palrar. Recebi uma notícia menos boa que me deixou a pensar. Falei com o meu Pai. Ainda fiz sopa. Estivemos a fazer testes para a sessão fotográfica de Natal. Demos banho e deitámos a Isabel. Jantámos. A Isabel acordou e eu voltei a adormecê-la. Comemos bolachas e chocolates da árvore de Natal. Vegetámos. Eu escrevo este post. Não tarda, vou dormir que amanhã é dia de trabalho.

E dizia eu antes que não tinha tempo... 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 329

Introdução ao Passeio Marítimo de Oeiras.

[fui mostrar-lhe o sítio onde comecei a correr, onde mais corri, onde fiz o meu primeiro quilómetro sem parar, onde treinei horas a fio, onde organizei treinos de grupo, onde ri, onde chorei, onde fui feliz, onde sofri, o sítio onde vou sempre querer voltar, uma e outra vez]

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Das conversas de sexta-feira à noite...

Estivemos a ver o documentário Dick Johnson is dead, e, quando acabámos, eu estive a elencar as minhas preferências para quando eu morrer. Como sei que ele só ouve 10% do que eu lhe digo, fica aqui, para registo futuro:

- quero ser cremada. As cinzas devem ser espalhadas no mar. Idealmente, em Santa Maria. Mas como é meio fora de mão, o meu irmão que pegue no barco e me leve para ao pé dos golfinhos, que já não é mau. Sintra ou Monsanto também são opções válidas.

- não quero cravos no meu funeral. Nem um. Odeio cravos.

- não quero padres nem missas. Façam uma coisa qualquer gira e simbólica, quem quiser diz umas palavras, e está feito.

- quero comida e bebida. Muitas gordices e muito álcool, para afogarem as mágoas.


E é isto. Parecem-me exigências bastante razoáveis, até.

Tentei que ele me dissesse as suas preferências, mas não foi capaz. Diz que nunca pensou sobre isso. Quem é que nunca pensou sobre o seu funeral?!... E o pânico que é pensar se lhe acontece alguma coisa e eu não sei o que fazer?... Já lhe disse que tem de pensar nisso, que isto não pode ser assim: ir embora e quem cá fica que resolva... Não. Nem pensar. 

domingo, 25 de outubro de 2020

Dos 4 meses da Isabel...


Quatro meses de Isabel.

Quatro meses de descoberta, de crescimento, de deslumbramento. Os avanços são, nesta fase, gigantes. A nossa mini-pessoinha está cada vez mais crescida. Já dá gargalhadas, e derrete-nos completamente. Continua tagarela. Cada vez mais. Aprendeu a guinchar e usa e abusa da sua voz para chamar a atenção. Continua a não gostar da chucha. Decidiu deixar de gostar de andar de carro, e berra desalmadamente. Faz mini-micro sestas. Todas as noites me brinda com um jogo incrível: nunca saber quantas horas vou conseguir dormir, porque as noites dela são, ainda, completamente aleatórias. Adora a girafa Sophie, que rói com afinco. Está cada vez mais desperta para o mundo que a rodeia. Já percebeu que o Snow existe e já olha para ele. Ele continua a desprezá-la, excepção feita a uma ou outra cheiradela. Ponho-a a ouvir muita música, e gosto, sobretudo, de a pôr a ouvir coisas como Patrick Watson e The National, apenas para lhe dizer que os ouviu ao vivo quando ainda estava na barriga da mãe. Sobrevive, sabe deus como, a ouvir-me cantar para ela. Adormeço-a a cantar-lhe Silence 4 e Jeff Buckley. Danço com e para ela. Encho-a de beijos e ela enche-me de baba. Continua a chuchar no dedo. Não é por ser minha filha, mas está cada dia mais bonita. A nossa gordinha. Que nos arrebatou. Definitivamente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 295


Por aqui, já começámos a estimular o gosto pela leitura. Neste caso, com um livro que não tem nada para ler, mas cujas folhas a Isabel já procurou agarrar e tocar. Se sair à mãe e ao pai, vai passar a vida com a cabeça enfiada no meio dos livros, pelo que bem pode começar já... 

domingo, 18 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 292

 


O passeio de hoje foi até à Caparica. O dia amanheceu cheio de nevoeiro, e custou a crer quando, à meio da tarde, saímos de casa e percebemos o calor que estava. Quando falei em irmos à praia, ele deve ter achado que eu estava louca, mas acho que o venci pelo cansaço e lá concordou. 

E que bem que soube!... As praias com pouquíssima gente, um fim de tarde espectacular, e uma caminhada à beira-mar, com a Isabel a aproveitar para fazer a sua sesta.

A minha paranóia com a Covid continua (cada vez mais) elevada, e conseguir encontrar sítios onde me sinta em segurança, pode ser um desafio... Mas este passeio pela praia fez maravilhas pela minha sanidade mental.

Boa semana, Mundo! 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 283 (ou de como Monsanto é sempre Monsanto...)

Um dos últimos sítios onde fomos antes de a Isabel nascer, foi Monsanto. Não cheguei a pôr aqui as fotografias desse dia, mas talvez venha a pôr, se um dia me derem as saudades do meu estado de pequeno cachalote.

Um dos primeiros sítios onde fomos depois de a Isabel nascer, foi Monsanto. 

E um dos sítios onde fomos esta semana, foi Monsanto. 


Pegámos em nós, numa manta, nas 137 tralhas da Isabel, passámos numa hamburgueria que queríamos experimentar, escolhemos a melhor oliveira, e sentámo-nos a fazer um piquenique à sombra, com aquela vista incrível que só Monsanto nos dá.


Depois das três mil e quinhentas calorias ingeridas no almoço, fomos dar uma volta a pé, aproveitando o nosso carrinho todo o terreno. A Isabel dormiu, e nós respirámos fundo, para aproveitar aquele cheiro único dos pinheiros.
 

O luxo que é termos algo assim em plena cidade de Lisboa, não tem preço...

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 282 (ou da minha paixão por Van Gogh...)

 


Hoje fomos visitar a exposição Meet Vincent Van Gogh, que está em Belém até Janeiro. 

É uma experiência engraçada, que se pretende muito interactiva, com recurso às mais diversas tecnologias, e que nos permite ficar a conhecer um pouco mais da vida e obra de um dos mais importantes pintores da nossa história. 

Eu sou apaixonada pelo Van Gogh. Não foi uma paixão fácil ou imediata, mas foi uma paixão que foi surgindo, quanto mais o conhecia e descobria a sua obra. Quando li o livro "A Casa Amarela", percebi que havia muito mais por detrás daquelas pinceladas errática e aqueles amontoados de tinta. 


Há uma linha muito fina que separa a genialidade da loucura, mas em Van Gogh essa linha está muito esbatida. Ele era um génio, mas também era um louco. No meio de toda aquela instabilidade mental, ele conseguiu uma produção artística incrível (sobretudo, porque só produziu durante 10 anos), que, como se sabe, só foi devidamente reconhecida após a sua morte. Van Gogh tem uma história triste, dura, pesada. E isso só confere ainda mais beleza à sua obra. 


Vão ver, se puderem. E se puderem mesmo muito, vão ao Museu Van Gogh em Amesterdão. É só dos melhores museus que eu já visitei. 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 280


Hoje fomos apresentar-lhe a Gulbenkian. Ainda é cedo para que ela se delicie com os patos e patinhos, mas eu fiz a festa por ela. 

Andar pelos jardins da Gulbenkian é fazer uma viagem no tempo. Passei muito tempo naqueles jardins a estudar (e não só), e perdi a conta às vezes que visitei ambos os museus. 

Ficou a vontade de lá voltar, daqui a uns tempos, para que a Isabel já possa usufruir de tudo o que ali há. 

 

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...