segunda-feira, 23 de julho de 2018

Das discussões...

Por todo o lado e a toda a hora, somos bombardeados com artigos e notícias que nos dizem que discutir faz bem, que discutir é saudável, que todos os casais discutem.

E eu, confesso, durante algum tempo, acreditava nisso.

Talvez por ter passado por relações em que se discutia muito. Talvez por à minha volta ver relações em que se discute muito.

Depois, vi-me numa relação em que não havia discussões. Estranhei nos primeiros tempos. Comentava, incrédula, com as pessoas mais próximas. Porque não percebia. Porque não me parecia normal. Mas os meses foram passando, e continuámos sem discutir.

Dizem os artigos da especialidade que quando um casal diz que não discute, é porque algo de muito estranha se passa. Dizem também, os mesmos artigos da especialidade, que a não existência de discussões é sinónimo de indiferença, de falta de preocupação, de um fosso entre o casal.

E eu, cada vez mais preocupada. Cada vez mais incrédula.

Até que, numa semana, discutimos duas vezes. E eu achei que estávamos safos.

Isso ou foi preciso eu estar numa fase estupidamente exigente (a todos os níveis, incluindo o profissional), extremamente cansativa, emocionalmente fragilizada, e com um humor de cão, para que nós nos deixássemos discutir.

Não, ninguém precisa de discutir para ter uma relação feliz e saudável. Podemos ser felizes sem discutir. 

Só posso falar por mim mas, a sensação que eu tenho, é que já discuti tanto na minha vida, que agora quero é paz e sossego. O que não é o mesmo que indiferença. É sim, o mesmo que uma busca pela tranquilidade, é o saber ceder quando devemos ceder, é o não bater o pé para ser sempre tudo como eu quero, é o aceitar que, por vezes, temos de deixar o outro ter razão, mesmo que não a tenha. É o perceber que somos diferentes, e aceitarmos que somos assim. É o não querermos que o outro seja o que nós queremos que ele seja. É o encontrar alguém com quem conseguimos chegar a um equilíbrio tal, que não precisamos discutir. Porque nos completamos de tal forma, porque nos encaixamos de tal forma, que conseguimos sempre estar de acordo no que verdadeiramente importa, e conseguimos saber pôr de lado as coisas sem importância em que não encaixamos, mas que minam as relações e o dia-a-dia.

É também o ter chegado a uma fase na minha vida em que não acredito em relações perfeitas, em que não acredito no para sempre, em que não dou nada como garantido. Hoje, encaixamos, funcionamos e não discutimos. Daqui a um mês, se eu continuar com este humor de cão, talvez seja diferente. Mas, pelo menos, que eu possa ter sempre a clareza de perceber os motivos por que discutimos. Que eu possa nunca esquecer tudo o que nos une, pondo de lado o que nos separa.

E que eu não esteja daqui a uns tempos arrependida de estar para aqui a escrever disparates sobre temas que me transcendem. Porque, aos 34 anos de idade, as relações humanas ainda me transcendem. Só vou fingindo que já sei alguma coisa sobre o assunto...

8 comentários:

  1. Discutir para mim não é necessariamente mau, não tem de ser aos gritos pode ser apenas uma troca de ideias ou divergência de opiniões que pode ou não ter uma conclusão. Mas não sei se a palavra está bem empregue segundo a minha definição...
    Posto isto eu discuto com o Ricardo, por norma com calma, clareza e respeito e muitas vezes dá bons frutos, ele fica a perceber o meu ponto de vista e eu o dele...

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    1. Quando eu me referia a discutir, era no sentido mau. Aliás, é no sentido que todos estes estudos e artigos se referem. É discussões acesas, costas voltadas, gente que se chateia a sério...

      O que tu referes, acho eu, é o que eu acho normal e saudável e a que chamaria troca de opiniões. E isso é o que não pode faltar numa relação! Não temos de concordar todos com o mesmo... Estranho seria! Só temos é de saber conversar :)

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  2. Há muitos especialistas a debitarem alegadas regras e conselhos com o que faz bem ou não numa relação. Há muitas frases feitas que dizem que o casamento ou uma relação é assim ou assado.

    Mas a verdade é que não há nenhuma regra estipulada pois o casamento ou uma relação não é igual de caso para caso nem há standardizações. Cada relação é única, cada pessoa mais única é e portanto considero que esses artigos de ditos especialistas não passam de mero debitar de suposições.

    Cada casal tem que viver a vida a dois da forma que melhor se adapta ao seu caso. Em conclusão, viverem felizes sem preocupações de teorias bacocas.

    Beijinhos e sejam felizes como são e da forma como sabem ser :)

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    1. Um dos problemas da Internet é dar tempo de antena a tantos especialistas de tudo e mais alguma coisa, muitas vezes, com base em generalizações vazias, como tão bem referes.

      Cabe-nos a nós filtrar tudo o que lemos é vivermos a nossa vida à nossa maneira e como faz sentido para nós. Em todos os aspectos!

      Obrigada e um beijinho!

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  3. Estou na mesma relação há 11 anos e nunca discutimos. Temos as nossas divergências, claro, porque somos pessoas diferentes a muitos níveis, mas queremos as mesmas coisas da vida e, acima de tudo, sabemos comunicar e respeitar o outro. Não somos melhores do que ninguém nem mais felizes do que os casais que possam discutir. Somos apenas nós. Nós funcionamos assim desde o início, mesma durante a idade da parvalheira.

    Também me preocupei algumas vezes com esta falta de discussão. Não porque tivesse exemplos de casais que discutem muito, mas porque havia sempre esses artigos e essas opiniões de que os casais têm que discutir e, quem não o faz, é porque não está interessado na relação, há indiferença, etc. Só que amadureci, tirei um curso de psicologia pelo meio, e percebi que cada relação é diferente e cada casal tem a sua própria forma de resolver conflitos ou de nem sequer entrar em conflito. Bom para nós, que nos poupamos a essas mesquinhices.

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    1. O mais importante é mesmo isso: que cada casal encontre o seu equilíbrio e seja feliz à sua maneira. Não temos de ser todos iguais.

      O respeito entre ambos é fundamental e já é meio caminho andado para que as coisas corram bem!

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  4. Identifico-me totalmente com isto que dizes. Depois de uma relação estafante com discussões e amuos uns atrás dos outros disse para mim que chega. Discute-se quando tem de ser (e não tem de ser aos berros) mas vive-se em paz e com tranquilidade, e isso é o melhor de tudo! beijinhos querida!

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    1. Como te entendo!... É que é mesmo isso. Chega de discussões. A vida é tão melhor em paz e sossego! Um beijinho corredora!

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