terça-feira, 19 de março de 2019

Dos meus treinos... E dos treinos dos outros...

Pois que, como já seria previsível, não tenho treinado tanto quanto deveria.

Como também já seria previsível, a minha motivação tem tido altos e baixos. 

Tenho tentado arranjar formas de me auto-motivar, tenho procurado forças e inspiração nos mais diversos sítios e tenho estado muito disponível para experimentar coisas novas que possam facilitar o meu percurso nesta longa jornada até ao dia 28 de Abril.

Além da minha equipa e das nossas provas, dos treinos com a Fabiana que é a minha companheira maior nesta loucura, dos treinos com o louco mais louco do que eu que merece uma estátua pela paciência infindável, eu resolvi ainda experimentar os treinos longos do Correr Lisboa.

Acompanho o Correr Lisboa há vários anos, mas nunca tinha corrido com eles. Não só porque estive uns anos a viver na linha de Cascais (e juntei-me ao Correr Oeiras), mas porque os horários dos treinos deles nunca combinam com os meus horários.

Eu tenho mixed feelings em relação aos treinos de grupo, confesso. 

Por um lado, acho que são formas óptimas de conhecermos pessoas com a mesma loucura do que nós, com quem podemos aprender, crescer e evoluir imenso. Por outro, também pode haver experiências menos boas. 

No Correr Oeiras ainda participei em alguns treinos de grupo, sobretudo, porque eram organizados por mim!... E quando falamos em treinos de grupo, estamos a falar de 3 ou 4 pessoas. Se fôssemos mais do que meia dúzia já era uma festa, e houve um treino em que éramos uns 15 e quase lançámos foguetes. Era sempre difícil conciliar agendas, vontades e disponibilidades. Mas a verdade é que foi ali que conheci aqueles que são hoje a minha equipa, e foi também ali que comecei a correr mais consistentemente, há quase quatro anos atrás. Não foi apenas e só por isso, mas ajudou. Lamentavelmente, como vim morar para a outra ponta da cidade, deixei de treinar com eles. 

Já participei em outros treino de grupo, entretanto, e, ao ver que o Correr Lisboa ia ter treinos longos para a Maratona de Aveiro e, ainda por cima, quase à porta de casa, achei que era uma excelente oportunidade para voltar aos treinos de grupo. 

Fui a semana passada e fui esta semana outra vez. 

E recomendo! 

A semana passada fiz apenas 16km, duros e sofridos, e acabei com os meus pés num estado miserável. Fiquei desanimada, comecei a questionar tudo e a ver a minha vida a andar para trás e os ovos moles cada vez mais longe. 

Esta semana fiz 21km, na minha meia maratona privada. Também foram duros e sofridos, mas acabei a sentir-me incrivelmente melhor, em comparação com a semana passada. E isso, nesta fase da minha preparação, tem uma importância fulcral.

Sei que ainda vou ter muitos momentos em que vou achar que não sou capaz, mas no Sábado, depois daquele treino, eu achei que talvez até consiga. 

Vantagens destes treinos do Correr Lisboa? O abastecimento. Para mim, que corro devagar, devagarinho, acabo por não usufruir propriamente da companhia do grupo, pelo que isso não é vantagem para mim. Mas o abastecimento faz toda a diferença. Passo a explicar: o treino começa na expo e, aproximadamente, sete quilómetros depois, quase em Santa Apolónia, existe um ponto de abastecimento com água, isotónico e géis (abençoada Prozis, que patrocina isto!). Desta vez, usufruí do abastecimento duas vezes, porque ainda fui até ao Cais do Sodré, e ainda apanhei o abastecimento no regresso. Claro que uma pessoa pode levar uma garrafa de água na mão ou a mochila, e levar géis consigo. Mas parar ali, respirar um pouco, trocar umas palavras e ouvir uns incentivos, para mim, faz toda a diferença. E ainda pode ser que nos tirem umas fotos! 


Tanto é, que não sei como é que vou sobreviver para a semana, porque não vão fazer este treino!... (até sei... Vou matar saudades do meu Passeio Marítimo!) 

Posto isto, alguém se quer juntar a estes treinos daqui em diante? Tirando esta semana, são sempre ao Sábado. Não têm pacers, não há ritmos, é cada um por si, mas funcionam muito bem e ainda sorteiam dorsais para a Maratona de Aveiro no final (e para a meia e para os 10km). Não ganho nada com isto, juro. Mas quando gosto de uma coisa, gosto de a partilhar com o mundo (salvo seja!).

quinta-feira, 14 de março de 2019

Das minhas compras...

Andava há meses e meses para vir aqui escrever sobre uma compra que fiz e que recomendo, e, depois da Meia de Cascais, achei que não podia adiar mais.

Entre as muitas coisas que me passaram pela cabeça ao longo da Meia Maratona de Cascais, houve uma que sobressaiu: será que devido a esta moda da corrida e ao aumento tremendo do número de pessoas que correm, não vamos ter daqui a uns anos um aumento do número de cancros da pele? Sim, eu pensei sobre isto durante a prova. Uma pessoa precisa de se distrair e perde um pouco o controlo sobre o que o cérebro entende como tema relevante do momento.

Talvez isto não seja um problema para pessoas muito rápidas mas a verdade é que facilmente passamos umas horas ao sol em dias de prova e, desconfio, a maioria de nós não se protege devidamente. Se em dias de Inverno isto pode parecer pouco relevante (sublinho o parecer), mal o calor começa a apertar, isto pode ser um problema sério.

Quem nunca apanhou um escaldão a correr?... Pensem nisto da próxima vez que forem correr e ponham protector solar. Não custa nada e é fundamental!

Para mim, esta sempre foi uma preocupação. Depois de alguns disparates na adolescência, há já muitos anos que comecei a ser a modos que meio paranóica com a protecção solar da minha pele. Apesar de ser tendencialmente morena, tenho imensos sinais e gosto de protegê-los. E isto não se aplica apenas nos períodos de férias e de praia! 

Eu uso todos os dias protecção solar na pele do rosto. Dependendo do produto que esteja a usar, pode variar entre os factores 30 e 50, mas uso sempre.

E não me fazia sentido não usar a correr!

Nos primeiros tempos, usava o protector solar habitual das férias, que no rosto era sempre 50 e no corpo 30. No corpo não havia grande problema, mas no rosto a coisa não estava a resultar porque este tipo de produtos têm tendência a ser mais oleosos, mais peganhentos, com mais brilho, etc. Uma pessoa vai para uma corrida, quer ter fotos espectaculares, e depois está com tanto brilho na pele que ofusca o fotógrafo? Não podia ser.

A solução milagrosa veio da Bioderma! Comprei o Verão passado o Photoderm NUDE Touch, que é uma espécie de mix entre protector solar e BB cream, com acabamento mate e... Factor de protecção solar 50! 

Pele perfeita protetor solar com cor: natural SPF 50+

Tem sido o meu melhor amigo, desde então. Tanto o uso ao fim-de-semana, quando quero um look mais natural, como uso para os treinos e corridas, como usei nas férias em Cuba. A cor que eu comprei foi mesmo a natural e tem muito pouca cobertura, pelo que não parecemos maquilhadas. Aplica-se bem na pele, tem um acabamento super suave, deixa zero brilhos na pele, melhora ligeiramente o aspecto da mesma, e funciona lindamente!

Este post não foi patrocinado (mas podia!), mas não podia deixar de o escrever. Por um lado, para alertar para a importância de cuidarmos da nossa pele e nos protegermos quando fazemos desporto ao ar livre, e por outro, porque fiquei mesmo feliz com este produto e achei que podia interessar a alguém que procure o mesmo tipo de solução.

Para quem vai fazer a Meia de Domingo: boa prova e ponham protector!

terça-feira, 12 de março de 2019

Das pequenas alegrias do meu dia...

Comecei o meu dia numa consulta com a médica de família. Diz-me ela:

- Você não bebe mesmo álcool nenhum, pois não? Tem os valores todos do fígado tão baixos!...

Ainda ponderei explicar-lhe que de cada vez que chego ao fim-de-semana e penso em beber uns copos, me lembro que no dia seguinte tenho treino ou prova, e que desisto da ideia. Mas guardei essa constatação trágica e deprimente só para mim.

Portanto, tenho de beber mais álcool. Acho que isto explica muita coisa sobre o estado actual da minha vida. 

terça-feira, 5 de março de 2019

Das coisas que vamos aprendendo ao longo da vida...

Um dia destes fui almoçar com dois colegas de trabalho. Nada de extraordinário. Trago almoço de casa em 90% dos dias, mas na véspera tinha chegado a casa demasiado tarde, tive preguiça e não levei marmita. Um colega veio perguntar quem não tinha almoço, eu juntei-me a ele, e ainda se juntou mais um. E fomos.

E a dada altura, não pude deixar de me lembrar de uma situação na minha vida em que alguém, com quem partilhava a vida, me disse qualquer coisa como: "Se algum dia fores almoçar com algum colega teu, tu tens de me avisar. Imagina que alguém vos vê juntos e depois me vem perguntar e eu não sei? Já imaginaste a vergonha e a figura que eu faço?".

True story. Em pleno século XXI.



Eu já fui muito burra. Mas gosto muito de acreditar que estou melhor.

domingo, 3 de março de 2019

Da Meia Maratona de Cascais...

Hoje foi dia de mais uma Meia Maratona de Cascais. O ano passado, fiz uma prova relativamente feliz, com o meu 2º melhor tempo numa meia, e muito bem acompanhada.

Este ano, as expectativas eram muito diferentes. Sabia que era impossível fazer um ritmo sequer parecido com o que tinha feito o ano passado (média de 6'20/km). Sabia que não tinho treinado o suficiente, fruto de uma sequência de maleitas consecutivas. Sabia que, ao contrário do ano passado, em que já tinha feito o Fim da Europa e o Peninha, ia para esta prova com um treino de 14km como o mais longo dos últimos tempos (os 22km do Columbus Trail não contavam para estas estatísticas...).

Também ia com um espírito muito particular: ia em modo de treino, com a companhia da equipa, e com a Fabiana, minha companheira de treinos rumo aos ovos moles.


Tínhamos falado em começar os primeiros quilómetros a 6'45/km, mas é fácil deixarmo-nos levar pelo entusiasmo inicial da prova... Na verdade, tivemos muita dificuldade em abrandar e estabilizar, porque com tanto sobe e desce, uma pessoa (ou esta pessoa!), não consegue manter sempre o mesmo ritmo. 


Íamos relativamente bem, mas a partir de certa altura, a Fabiana começou com dores num joelho (ela há-de escrever o relato dela, por isso, não me vou alongar com dores que não são minhas), e começámos a abrandar. O calor também começava a fazer-se sentir, na estrada mais descoberta em direcção ao Guincho. Acho que comecei a tornar-me chata, a dizer-lhe para beber água, a perguntar-lhe como estava, a tentar motivá-la mas sem saber como que isto de uma pessoa continuar a correr com dores é uma decisão muito pessoal e muito arriscada. O que é certo é que, a meio dos 9 quilómetros, a Fabiana mandou-me embora. Não foi uma decisão fácil para mim. Queria fazer a prova com ela, mas já tínhamos falado muito racionalmente sobre isto, antes da prova, e sabíamos que não podíamos deixar que o querermos ir juntas, prejudicasse a prova de uma ou de outra. E era o que estava a acontecer. E lá fui eu à minha vida!


Acelerei um bocadinho, mas sabia que ainda me faltava quase meia prova, estava muito calor, e não quis exagerar. As dores nos pés começaram. Quando ia nos 13km, comecei a questionar-me. Foi mais ou menos nesta altura que passámos num abastecimento que tinha laranjas e eu decidi pegar em dois bocados, numa garrafa de água, e encostar. Caminhei durante cerca de 100 metros, em que aproveitei para respirar fundo, comer as laranjas sem me engasgar e tomar o segundo gel, bebendo alguma água e usando a restante para me refrescar. A estrada para o Guincho é linda, mas é um sufoco quando está muito calor e não há praticamente vento (o que até é bom, eu sei!). Depois destes 100 metros, voltei a correr, mas muito lentamente. Lá fui buscar forças não sei bem onde para lutar contra as dores nos pés, cada vez piores, e comecei a fazer contas aos quilómetros que me faltavam, e a traduzir isso em minutos, para me tentar convencer de que já não faltava muito.


Consegui ir sempre a acelerar a partir do quilómetro 18, mesmo com subidas. Como? Pensando que tinha de fazer o esforço final, que só queria acabar com aquele sofrimento, que só queria acabar de correr e tirar os ténis. Cada um vai buscar a motivação onde quer, e isto, para mim, funcionou.

Mais uma vez, foi uma sensação incrível cortar aquela meta, porque sei que a minha forma não está brilhante, porque tive muitas dúvidas ao longo do percurso, e porque as dores eram muitas. Mas consegui!

Fiz mais 7 minutos do que no ano passado. É uma miséria, eu sei. Mas, sinceramente, com o que eu (não) tenho treinado, achei que podia ser pior.

Cheguei a casa com os meus pés no pior estado de sempre. As bolhas são inacreditáveis e em sítios novos, onde não era costume fazê-las. Não sei mais o que fazer, mas vou em busca de ajuda especializada.

Agora é descansar... Mas pouco, que para a semana há mais!

sábado, 2 de março de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 61



Dia de sol. Rumámos à Marginal para um brunch maravilhoso em excelente companhia. A felicidade nas pequenas coisas. O saber que não precisamos de muitas pessoas à nossa volta, para termos as certas. 



sexta-feira, 1 de março de 2019

De Santa Maria...

A viagem a Santa Maria não foi só feita de paisagens incríveis e da prova mais especial que já fiz.

Foi também feita de uma viagem ao passado, a um passado muito longínquo, do qual tenho poucas ou nenhumas memórias, mas do qual muito ouvi falar.

Não estava preparada para isto. 

As pessoas não fazem por mal, mas todas perguntaram pela minha mãe, todas falaram na minha mãe, todas contaram histórias da minha mãe. Não foi por mal. Mas é natural que todas as memórias que têm associadas aos meus primeiros anos de vida, em que vivi naquela ilha, incluam a minha mãe.

E custou-me. Custou-me ouvir, uma e outra vez, falar nela. Houve momentos em que senti o chão desaparecer, em que o ar me faltou, em que agarrei discretamente a mão dele e respirei fundo. 

Não estava preparada para isto.

Curiosamente, as opiniões que ouvi e as histórias que me contaram tinham um denominador comum, que a modos que me tranquilizou, de uma forma sinistra e curiosa ao mesmo tempo: talvez a minha mãe não tenha mesmo nascido para ser mãe. De uma forma absolutamente inexplicável, cruel e estupidamente racional ao mesmo tempo, apercebi-me de algo de que não tinha noção: a minha mãe sempre foi pouco mãe, desde o início. E isso, apesar de brutalmente doloroso, foi profundamente revelador e quase apaziguador.

Mas não estava preparada para isto.

Foi uma viagem de muitas emoções inesperadas. Foi uma viagem tão mais complexa do que eu podia imaginar. Na minha ingenuidade, achei que ia a Santa Maria fazer o Columbus Trail e rever as caras de quem lá deixei há tantos anos. Na realidade, fui lá completar mais algumas peças deste meu puzzle a que chamo vida. E, apesar de ainda estar a digerir as emoções, quase um mês depois, tenho ainda mais a certeza de que fiz esta viagem na altura certa, na companhia certa, e que será daquelas memórias que guardarei em mim para sempre.

Mesmo que não estivesse preparada para aquilo.



(foi há 35 anos, no dia 29 de Fevereiro que este ano não existe, 
que eu nasci naquela ilha.)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Do meu estado actual... Ou do meu estado permanente, não sei bem...


(encontrei no Facebook)


O plano para os próximos dois meses é este (faltam dois meses, pessoas! dois meses menos um dia para quem vai a Madrid!).

Se quero combinar alguma coisa para os fins-de-semana, tenho sempre de ver primeiro que treino/prova tenho nesse fim-de-semana. Se tenho treino longo ao Domingo, não posso combinar jantares ao Sábado. Se tenho treino longo ao Sábado e prova ao Domingo, posso esquecer a vida social...

Este fim-de-semana dei comigo a pôr o despertador para Sábado e para Domingo, para mais cedo do que ponho durante os dias de semana. Se isto é normal? Não, não é. Mas Sábado tinha treino e Domingo tinha corrida. E isto ainda se vai repetir muitas vezes até ao dia 28 de Abril.

Na verdade, gostava de poder dizer, de facto, que isto vai ser assim até dia 28 de Abril. Mas não é verdade. Porque depois do dia 28 de Abril vou dar-me duas semanas de recuperação, e depois começa uma nova fase de treinos, que logo a seguir vem a Serra Amarela.

E a seguir há-de vir outra coisa qualquer. E outra. E outra.

E é isto a minha vida.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Das viagens da minha vida...


Há 3 anos estava em Praga. A fazer aquela que foi a minha primeira viagem sozinha. Já tinha tirado uns dias de férias sozinha, mas em território nacional, na casa de praia da família. Ir assim, para um país diferente, com uma língua estranha, completamente sozinha, foi toda uma novidade para mim.

Foi uma viagem de muitas emoções. Quando decidi fazer a viagem, decidi fazê-la sozinha. Quando marquei a viagem, já ia fazê-la com companhia. A 10 dias da partida, a companhia desapareceu da minha vida de um dia para o outro e eu fiquei com uma viagem marcada para 2, para ser feita a 1. Mas fui na mesma. 

E foi das melhores coisas que já fiz na vida.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Columbus Trail Half Marathon... - II

Já muito disse sobre o Columbus Trail, mas fica sempre muito mais por dizer.

Encontrei, nas palavras (e imagens) dos outros, outras visões sobre esta prova que foi tão especial para mim:


- Vídeo oficial com os melhores momentos da prova:


O facto de eu aparecer em ambos os relatos que aqui partilho, é pura coincidência, sim? Que eu sou pessoa muito isenta nestas coisas! E a minha voz super irritante é para ser ignorada, sim?

Não me canso de dizer que foi mesmo uma prova única.

Tanta publicidade lhe tenho feito, que já tenho na minha equipa das corridas um grupo simpático a dizer que lá quer ir para o ano! Eu já me ofereci para organizar tudo e sei que seria um prazer tremendo levar aquela gente à minha ilha e àquela prova!

domingo, 24 de fevereiro de 2019

De Santa Maria...


Santa Maria. A ilha do Sol. A ilha mais oriental dos Açores. A ilha mais antiga dos Açores e a primeira a ser avistada.

É uma ilha pequena, com apenas 97 quilómetros quadrados e com um comprimento máximo de menos de 17km. Sim, Santa Maria é mesmo uma ilha pequena. Para quem vive em Portugal continental e, para mim, que vivo em Lisboa, faz-me alguma confusão imaginar o que é viver num sítio tão pequeno. Mas há cerca de 5000 pessoas que lá vivem. E gostam.

Eu sou suspeita, claro, não só pelos motivos óbvios mas porque (ainda) não conheço todas as ilhas dos Açores. Não vos vou dizer que é a ilha mais bonita dos Açores. São os próprios marienses que dizem que a mais bonita é a ilha das Flores. Mas é muito bonita, é muito especial, é muito peculiar.

Santa Maria é uma ilha de muitos contrastes, de muita diversidade, de muitas paisagens que nos surpreendem, por serem únicas. Há zonas da ilha que nos fazem duvidar se estaremos mesmo nos Açores. Outras há que são tudo o que esperamos deste arquipélago e mais ainda.

Não me vou alongar com descrições históricas, que é para isso que o Google serve, nem com grandes e complexas considerações, que não é para isso que me pagam.

Santa Maria, para mim, foi um turbilhão de emoções. Vivi momentos incríveis, vivi momentos em que me faltou o ar e só queria fugir. Foram altos e baixos. Muitos altos muito altos. Alguns baixos muito baixos. Mas foi uma viagem que já andava a adiar há demasiado tempo.

Contextualizando: eu nasci em Santa Maria, vivi lá até aos 3 anos, e depois ainda lá voltei, mas já lá não ia há cerca de 25 anos. Toda uma vida, portanto.


Não me lembrava de grande coisa. Com o passar dos dias, foram surgindo alguns flashes e algumas memórias. Lembrava-me do porto, que agora está completamente diferente. Lembrava-me da Praia Formosa. Lembrava-me da zona do cinema, da igreja, do Clube Ana e do Clube Asas do Atlântico. Lembrava-me, vagamente, da casa e da rua onde morava a ama do meu irmão. Não me lembrava de muito mais. Foi bom voltar aos sítios de que me lembrava, foi ainda melhor ir descobrir sítios novos, e apaixonar-me por aquela ilha. A ilha a que tenho a arrogância de chamar minha.


Chegámos a Santa Maria na quinta-feira, à hora de almoço. E, logo no aeroporto, fui muito bem recebida! Tinha à minha espera aquela que foi a minha ama, enquanto lá vivi, e que não me via há demasiados anos. Foi muito bom sentir-me assim e foi fácil sentir-me logo em casa.


Fomos à Pousada da Juventude pousar as coisas e apaixonei-me logo pela vista do quarto: verde, vacas e o mar. Muito mar. Mas já era tarde e a fome era muita. A opção foi A Travessa. Não há muitas opções em Vila do Porto, mas ainda há algumas, e eu já ia de Lisboa com uma lista das mais interessantes. A Travessa não desiludiu e, já de barriga cheia, voltámos para a Pousada para descansar e dormir a sesta, claro está. Não sem antes passar no supermercado, para eu comprar (a primeira dose de) Mulatas.



Ao final da tarde, e porque estávamos a 2 dias da prova, fomos fazer um mini treino de reconhecimento, aproveitando o facto de a prova mais longa, a que dava a volta à ilha inteira, partir mesmo junto ao sítio onde estávamos. Pelo caminho, já se encontravam as marcações, e decidimos segui-las. Foi uma forma de esticarmos as pernas e, ao mesmo tempo, de começarmos a deliciar-nos com o que a ilha tinha para nos oferecer.






Entretanto, o Sol começou a pôr-se e ainda deu para algumas fotografias e paisagens incríveis. Tomámos um duche rápido e já tinha a minha ama à minha espera para começar a volta pelas "capelinhas". Dizia ela, que havia muita coisa que me queria mostrar, e que havia muita gente que me queria ver. Andámos às voltas, fizemos algumas visitas, e ela mostrou-nos algumas coisas, incluindo a casa onde eu vivi. Depois de todo este mini roteiro turístico pela Vila, fomos jantar.

E, neste dia, jantámos no Central Pub. É difícil ir a Santa Maria e não ir ao Central Pub. E vale mesmo a pena lá ir! É um sítio curioso, com uma decoração muito própria, onde são notórias as influências americanas (na ilha há muitos emigrantes que estiveram nos EUA e no Canadá), e onde são famosas as pizzas e o brownie. Pois que as pizzas merecem toda a fama que têm! São enormes, muito saborosas e baratas, como se quer. É um ponto de encontro para comer qualquer coisa, para tomar café, para beber um copo, com gente de todas as idades. Ficámos fãs.



Como estávamos cansados e queríamos acordar cedo, acabámos por nos deitar relativamente cedo. O dia seguinte, sexta-feira, era o dia que tínhamos para explorar e conhecer a ilha.

Começámos pelo Norte da ilha, pelos Anjos, depois seguimos em direcção ao Barreiro da Faneca, e ainda fomos à Ermida de Nossa Senhora de Fátima, onde iria começar a minha prova no dia seguinte. De toda a parte, em todos os caminhos, as vistas eram indescritíveis.




Alguém falou em vento e mar agitado?!







Continuámos a contornar a ilha pelo Norte, em direcção à zona oriental, e passámos pelo Miradouro das Lagoinhas. Daí, seguimos para a Baía de São Lourenço, uma das vistas mais conhecidas de Santa Maria, e ainda passámos no Poço da Pedreira, um lugar mágico, escondido, tão sereno e tão bonito!





Voltámos para a Vila para almoçar, fomos levantar os dorsais, e continuámos o nosso passeio, tendo como destino o Pico Alto, o ponto mais alto da ilha (onde as outras duas provas iam passar). Foi curioso estar lá em cima, ter vista a 360 graus para toda a ilha, e poder ver onde ia começar e terminar a minha prova. Visto assim, tornou-se mesmo real e, convenhamos, meio assustador... Nunca tinha tido esta experiência, de poder ver do alto todo o percurso que ia fazer numa prova, e foi mesmo especial! 



Seguimos depois para o Farol de Gonçalo Velho, outro marco da ilha, já em Santo Espírito, onde depois fomos ver a zona da Maia, e a famosa Cascata do Aveiro (que não há foto que lhe faça justiça...).







À noite, jantámos no que é tido como um dos melhores restaurantes da ilha: Espaço Em Cena. Foi pena estarmos em modo véspera de prova e não podermos comer tudo o que nos apetecia... Mas fiquei com vontade de lá voltar, e o próprio espaço merece uma visita, pela decoração, pelo ambiente, pela quase estranheza que um espaço tão diferente naquela ilha nos causa. Comi uns hambúrgueres de peixe porco que estavam óptimos! E, para a sobremesa, um crumble de pêra com gengibre que estava qualquer coisa!...




O dia seguinte foi dia de prova, e já disse mais do que suficiente sobre isso. Dizer apenas que a noite terminou com um muito simpático jantar de entrega de prémios, com uma sopa de peixe maravilhosa e um ambiente muito bom!


No Domingo, dia de regresso, ainda houve tempo para as últimas visitas a quem não podia deixar de visitar, e ainda fui ver a casa onde eu vivi quando nasci. Hoje em dia, a visão é meio assustadora, porque está tudo ao abandono e em vias de ser destruído. Mas diz quem sabe que, há 35 anos atrás, havia ali um bairro muito particular, com uma comunidade engraçada de quem trabalhava no aeroporto e ali vivia, por serem maioritariamente pessoas do "continente" que ali estavam desterradas. 


Não nasci para as poses de blogger...


Ainda demos um salto à Praia Formosa, uma praia muito especial pelas suas areias claras (contrariamente ao que acontece na maior parte das praias dos Açores), e onde se realiza o Festival Maré de Agosto. Nesta altura do ano tem muito pouca areia, mas no Verão vale a pena!


Seguiu-se um almoço muito especial, em casa da minha ama, que fez questão de cuidar de mim, como se eu ainda fosse pequena. Comemos tanto e tão bem!... E ainda vim carregada para Lisboa, pois claro. Malassadas, búzios, biscoitos, bolo de pão... Todas as calorias gastas no trail já estavam recuperadas antes mesmo de regressar a Lisboa!

Santa Maria é uma ilha pequena, de facto. Mas é uma ilha cheia de recantos e pérolas escondidas, que é impossível transmitir aqui. Santa Maria é, também, uma ilha de gente simpática, genuína e humilde, que gosta de bem receber. É uma ilha em que facilmente nos sentimos bem, onde nos deslumbramos, onde comemos maravilhosamente. Sim, sou suspeita. Mas, se puderem, não deixem de lá ir!


Eu, vim de lá com a promessa de não voltar a estar tanto tempo sem lá ir, isso é certo.


Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...