quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Das corridas... - XXXVII

Domingo passado era para ter escrito aqui um post a dizer que tinha desistido daquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar.

No Domingo tinha planeado um treino de 22km. Cheguei de férias no Sábado e estava entusiasmada e motivada para fazer o treino. Mas também estava doente. O despertador tocou às 7h25 (sim, no meu último dia de férias...), eu levantei-me, fui beber água e avaliar o meu estado. E voltei para a cama de lágrimas nos olhos (a malta que não é maluquinha da corrida escusa de ler o resto). Sentia-me demasiado mal. Além de toda entupida, que era o mal menor, sentia dores no peito quando respirava ou tossia. Por muito que me custasse, sabia que era, no mínimo, um grande disparate pôr-me a fazer um treino de 22km. Emoção e razão debateram-se e eu voltei para cama.

Voltei para a cama com a clara noção de que não fazer aquele treino era, provavelmente, não fazer aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar. E, por isso, a vontade de chorar era mesmo muita e eu parecia uma tolinha. E era sobre isso que queria ter escrito Domingo.

Mas não o fiz porque não quis fechar logo essa porta. Não fui capaz. Não sou capaz. Eventualmente, vou ter de fazê-lo. Mas já não é possível mudar o nome do meu dorsal, e tenho até dia 31 para cancelar a reserva do hotel sem custos, por isso, tenho mais uns dias para me obrigar a isso.

Domingo é a Meia da Ponte Vasco da Gama. Tenho dorsal. E tenho dorsal porque o ganhei. Não me tinha inscrito e não era minha intenção fazê-la. A bem da verdade, continuo sem saber se é minha intenção fazê-la.

Mais uma vez, o meu cérebro chocalha e eu não sei o que fazer. No Domingo queria fazer 24/25km. E podia aproveitar a meia para isso. Mas vão estar 30 graus nesse dia. E eu e o calor, já se sabe... Agora estou na dúvida entre, efectivamente, ir fazer a meia, voltando para trás algures no percurso para conseguir fazer uns km a mais, ou não ir à meia, acordar pela fresca, e fazer o treino que é suposto fazer.

Se, por um lado, o calor me assusta, por outro, sei que o ambiente de prova ajuda, sei que os abastecimentos ajudam, sei que é tudo muito diferente e que me ia ajudar a perceber melhor como me sinto, de facto.

Da malta do meu subúrbio vai um grupo considerável (ainda que eu seja a única menina a ir para a meia...), vai o louco mais louco que eu que me tem acompanhado nesta minha loucura, e vão muitas outras caras conhecidas. Assusta-me o calor, mas agrada-me a festa que vai ser. Eventualmente nas próximas 48 horas, hei-de tomar uma decisão.

E desse lado, quem vai? É desta que conheço mais umas caras que por aqui andam? Sim, eu sei, são milhares e milhares de pessoas e é a maior confusão mas... Nada é impossível! Que o diga o N., que o ano passado mal a prova começou, fez questão de me ultrapassar! Quem é que me vai ultrapassar este ano?


domingo, 8 de outubro de 2017

Das férias...


As férias correram bem e souberam ainda melhor!

Andei por Amesterdão, Bruges, Genth e Leiden, numa semana que passou a voar. Espero ter tempo em breve para vir deixar algumas fotos e comentários sobre os sítios por onde passei mas, no geral, recomendo muito!


Ainda não me pesei mas devo ter engordado... Ou talvez nem tanto, considerando o quanto caminhei e o facto de ter ficado doente (com uma constipação muito simpática), o que me tirou (algum) apetite.

E este calor por cá? Uma pessoa sai do avião com três camadas de roupa e um casaco, toda fungosa, e encontra um calor insuportável!...

A vontade de ir trabalhar amanhã não é nenhuma e ia mesmo era para a praia...

Boa semana a todos, e volto em breve com coisas que realmente importam!

domingo, 1 de outubro de 2017

Das corridas... - XXXVI

Quem é que hoje fez o primeiro treino de 18km? A Agridoce!

Quem é que hoje se vomitou toda quando parou o carro à porta de casa depois do dito treino? A Agridoce!

Quem é que acha cada vez mais que o Porto não é uma boa ideia? A Agridoce!

Quem é que, ainda assim, vai de férias amanhã e leva os ténis com esperança de conseguir correr? A Agridoce!

(A bipolaridade por aqui intensifica-se... Começo a achar que sou fisicamente incapaz de fazer aquilo a que me propus... Veremos!)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Das corridas... - XXXV

Estou viva.

Tenho treinado alguma coisa mas não o suficinte.

Já refiz o plano daquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar pela enésima vez. Agora já não tenho margem para mais alterações. Agora é mesmo para seguir à risca.

Tenho treinado mais regularmente e isso vê-se nos resultados. E nas contraturas. E nas dores.

Tenho cada vez mais dúvidas sobre se vou ser capaz. E são dúvidas muito realistas e não dúvidas fruto de inseguranças tontas. Todos nós sabemos a importância do treino. E todos nós sabemos que sem treino, não há milagres. E a verdade é que eu não treinei, e já não vou a tempo de treinar, aquilo que devia.

Ainda não perdi a esperança. Ainda não baixei os braços. As próximas semanas vão ser decisivas para perceber como é que o meu corpo reage ao aumento da carga. Resta-me cuidar dele, descansar, comer bem, dormir melhor, e esperar que ele se aguente.

Sem demasiadas expectativas e com a consciência muito clara de que isto tem tudo para correr mal.

Pelo sim, pelo não, já ando a ver de sítios onde ir fazer massagens desportivas, pois desconfio que vou precisar algures no processo.

As bolhas continuam a ser as minhas fiéis companheiras e a minha relação com os Vomero melhorou substancialmente (já levam 120km). O problema é, claramente, meu.

Estava inscrita no Trail das Dores e não fui. Foi a primeira vez que fiz tal coisa. E estive indecisa até aos últimos dias. Mas ralharam tanto comigo, que não fui. Nem à Corrida do Tejo fui. Peguei em mim e fiz um treino calmo, sozinha, de 12km pela Expo. Numa fase tão crítica do meu treino, desperdiçar um Domingo a fazer um trail de 17km que me ia deixar cheia de dores era, no mínimo, parvo. E eu já não tenho muito tempo para decisões parvas.

Não tenho muito tempo para nada, aliás. Novembro está já aí!... Não sei como. Mas está.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Do meu estado actual...

Por aqui estamos (continuamos?) em modo caos total. Emocional, físico, no trabalho, em casa. Em tudo. Ou em nada. Que eu gosto mesmo é de dramas.

A minha vida mudou muito e eu tenho cada vez menos tempo. E vontade, talvez. Hoje, finalmente, dei uma passagem rápida pelos blogues vizinhos. E escrevo aqui meia dúzia de linhas quando já devia mesmo era estar a dormir porque amanhã acordo cedíssimo e ando a dormir de menos há duas noites.

Tenho corrido. Não tanto quanto devia, mas mais do que nos últimos meses. Voltei ao ginásio. Por pouco tempo, provavelmente.

Este fim-de-semana vai ser passado algures fora de Lisboa. Não faço ideia onde.

Daqui a 18 dias estarei em Amesterdão. Só agora é que fui olhar para o calendário e percebi que falta pouco. Muito pouco. Tenho zero pensado e/ou planeado. Dicas imprescindíveis?

Ando a questionar demasiada coisa na minha vida. E isso não é bom.

O Porto está quase aí e é outra das coisas que eu questiono.

Continuo a agarrar-me às pequenas coisas, às minhas pessoas, ao sortuda que sou. 

Tenho pesadelos noite sim, noite não. Acordo a chorar. Sinto falta de ar. Mas sou feliz. E choro por ser feliz.

Já disse que eu gosto mesmo é de dramas?


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Das notas soltas...

Custou sair do antigo emprego.

As férias correram bem, com direito a um intervalo de dois dias para vir a Lisboa ao jantar de despedida do antigo emprego (meu e de outra colega que saiu ao mesmo tempo). Dei mergulhos, comi muito, descansei, dormi, e até corri!

Já comecei no novo emprego segunda-feira. Ainda é cedo para falar. Talvez volte a esse tema um dia destes.

Está a custar-me adaptar-me ao novo horário, à nova logística, à nova rotina. O ginásio ficou esquecido. Estou a tentar não esquecer a corrida.

Espero conseguir acalmar em breve. E voltar a dar vida a isto.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Das perguntas que me fazem...

Toda a gente me pergunta se estou entusiasmada.

Não sou capaz de responder afirmativamente.

Não sou. 

Talvez por ser sempre pouco efusiva. Talvez por ser sempre cautelosa. Talvez por ser aquela que analisa sempre todos os cenários mil e uma vezes, incluíndo os piores.

Não consigo sentir-me entusiasmada. Foi tudo muito rápido. É tudo demasiado assustador.

Estou a largar um daqueles empregos estáveis, seguros e confortáveis, que não me daria muitas chatices e que duraria a minha vida toda, se eu assim o quisesse.

Estou a atirar-me de cabeça para o desconhecido, para o incerto, para o inseguro.

E isso é assustador. Muito. Não me posso esquecer que, no fim de cada mês, sou só eu e as minhas contas para pagar (e as do Snow, já agora). Não me posso esquecer de todas as histórias que conheço de desemprego e de vidas que deram voltas tremendas. Não me posso esquecer de todos os riscos que estou a correr.

Não estou entusiasmada.

Ainda não me caiu bem a ficha.

Ontem caiu um bocadinho mais. Ontem, quando soube que sexta-feira é o meu último dia no actual emprego, as coisas começaram a tornar-se reais. Estava mentalizada para ainda trabalhar a próxima semana, até dia 31. Estava mentalizada para não ter férias, para ainda ter mais uma semana para fazer as despedidas, para deixar a casa arrumada. Mas não. Faltam dois dias e meio de trabalho. Ontem começou mesmo a cair a ficha.

Mas ainda não estou entusiasmada.

Lá para dia 3 à noite, quando tiver de pensar no que vestir no dia seguinte, talvez me dê o entusiasmo.

E nos dias seguintes. E em todos os que se seguirem a esses durante muito tempo. Espero eu.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dos sítios onde volto... Uma e outra vez...

Sou (pareço) forte. Finjo que está tudo bem, que as ideias estão arrumadas, que os fantasmas desapareceram. Mas não está tudo bem, as ideias estão confusas, os fantasmas espreitam sempre que abro a porta do armário.

Há feridas que ficam, cicatrizes que não desaparecem, sombras que nos perseguem no correr dos dias. Quando menos esperamos.

Há pequenas coisas que insistem em recordar-nos da nossa fragilidade, dos nossos medos, das nossas inseguranças.

Por mais que o tempo passe, há partes de nós que jamais serão reconstruídas. Que não mais se ergueram dos escombros. Que vão sempre lembrar-nos do que já foi, do que já passou. Mas que se cola e arrasta a nós. Que nos puxa para baixo. Que não nos deixa seguir em frente, nisto a que chamam vida.

Embora raros, ainda são alguns os dias que custam a passar. Os dias que queremos esquecer. Os dias que existem, apenas e só, para nos lembrar que somos apenas humanos.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Das coisas que me acontecem...

Na segunda-feira ao final do dia lá fui eu para mais uma aula no ginásio. A primeira a que fui sozinha! Ia animada, a coisa estava a correr bem, até que a minha coxa direita começou a dar sinais de vida. E eu deixei de conseguir fazer todo e qualquer movimento que implicasse a extensão dessa zona sem dor... 

Já não é a primeira vez que este meu amigo músculo se manifesta. Volta e meia, faço ali uma contractura. Não é nada demais e deve ir ao sítio com algumas massagens (abençoado rolo da Decathlon!) e, eventualmente, algum repouso.

Mas, por ridículo que possa parecer, o meu desespero foi imenso. Assim ao nível de ficar de lágrimas nos olhos. E não era só das dores. Qualquer pessoa que pratique desporto sabe o horror que são as lesões. Sabe o que custa ter de parar. Sabe a frustração que é termos de ceder ao nosso corpo e às suas necessidades, pondo de lado os nossos planos e objectivos. E eu sentia-me mesmo desesperada.

A aula continuou, as dores continuaram, eu alonguei e alonguei e alonguei, e fui para casa com dores.

Como se isto não bastasse para me fazer sentir super animada, achei que tinha de acabar o dia de forma ainda mais espectacular. Como? Levando com 4 ou 5 pratos na testa. Sim, na testa. Foram caindo do armário, um por um, e foram acertando na minha testa, um por um. Resultado? Três galos muito vistosos e dores na testa de cada vez que me rio ou que franzo o sobrolho.

Na altura não achei piada nenhuma, obviamente, mas fiquei com pena que o momento não tivesse sido filmado porque aposto que seria um vídeo de sucesso por essas redes sociais fora.

Esta vai para a lista das coisas que só me acontecem a mim...

Das corridas... - XXXIV

Então e os Vomero 12?

Continuam lindos. É um facto. Mas não nos estamos a dar muito bem. É outro facto.

Fiquei mesmo com os 36 1/2. Depois de muitas experiências e indecisões, achei que mais valia arriscar ficarem grandes, do que pequenos. 

E já fui correr duas vezes com eles! Na primeira, fiz 4km. Não deu para mais. O sofrimento era demasiado. Primeiro, porque estavam demasiado apertados. Eu tinha tanto receio que fossem demasiado compridos, que os apertei em demasia, e ao fim de um quilómetro, tive de parar para os alargar porque tinha os pés dormentes. E a coisa melhorou. Durante quinhentos metros. Depois, comecei a sentir os pés a arder (não consigo descrever melhor do que isto), e já só queria chegar ao carro. "Mas queres ir a caminhar?", perguntaram-me. "Não, quero é correr e despachar isto o mais depressa possível!", respondi. Foi muito, muito mau. Não me lembro de alguma vez ter sentido os pés tão desconfortáveis.

Estão a imaginar o meu desconsolo? Os meus ténis lindos a darem-me cabo dos pés?... Pior, quem estava comigo também estava a estrear uns ténis novos e estava a ter a experiência completamente oposta: perfeitos, assentavam que nem uma luva, super leves, zero queixas... 

Mas... Eu não podia desistir, certo? Dois dias depois lá fui eu outra vez. Já há algum tempo que não corria sozinha e estava com algum receio de novo desconforto, mas lá fui. Não foi muito melhor e só consegui fazer 6km. Não só por causa dos ténis, mas também. O pior foi a vontade de vomitar durante 90% do tempo. Não vão correr duas horas depois de saírem do cinema onde estiveram a enfardar pipocas como se não houvesse amanhã. Fica a dica.

Tirando isso, o pé esquerdo já se aguentou melhor, mas o direito ainda precisa de mais uma afinação nos atacadores, porque ainda me ardeu bastante. É continuar a insistir e havemos de chegar a um entendimento. Espero eu.

O que é que eu posso dizer mais sobre os Vomero 12? Que, tirando o meu problema pessoal com eles, são pequenas pantufas, super confortáveis, e com amortecimento que nunca mais acaba... Também são muito silenciosos. Deixei de me ouvir a correr. O que não é exactamente relevante para aferir a sua qualidade, mas não deixa de ser interessante.

Hoje vou ver se tenho coragem para fazer mais um treino com eles e vamos ver como corre!

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...