quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Das coisas que me passam pela cabeça...

Quando dou um passo atrás e olho para a minha vida, a tendência a ficar desiludida é inevitável.

Não estou onde gostaria, a nível profissional.

Não tenho a relação ideal. Não tenho relação nenhuma, sequer.

Não tenho o filho que há um ano atrás tanto desejava ter.

Não tenho a casa que sempre achei que ia comprar.

Não tenho tantos amigos como gostaria.

Não tenho a família perfeita.

Não tenho quase nada do que desejei ou idealizei para quando chegasse a esta idade.

Tenho outras coisas. É um facto. Tantas e tão boas.

Mas há momentos, por breves e fugazes que sejam, em que me apetecia mesmo poder fazer reset e começar do zero.

Quem sou eu e o que fiz a 32 anos de vida?...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Dos corações que se partem como pedaços de cristal...

Ontem parti um coração. E só quem já viu o seu coração ser partido, sabe o que custa partir o coração de alguém.

Não o queria ter feito. Era tão mais fácil não o ter feito!... Isto de procurar o amor e a pessoa certa é tão cansativo que eu podia ter ficado com ele. Ficávamos juntos, casávamos, tínhamos filhos, criávamos a família pipoca. Mas não. Porque apesar de ele ser o namorado perfeito, não é para mim. Porque apesar de ele me adorar e dizer que sim a tudo o que eu digo, faço e peço, não é isso que eu quero para mim. 

Porque o caminho mais fácil, nem sempre é o melhor para mim.

Como é que se parte um coração? O que é que dizemos a alguém que vemos encolher três centímetros à nossa frente? Como é que se alivia a dor de um coração partido? Ao fim de 32 anos de vida, usei a expressão: o problema não és tu, sou eu. Porque sou. Porque eu é que sou esquisitinha e complicada. Porque eu é que me fecho na minha bolha. Porque eu é que sou incapaz de dar e receber amor (ela tinha razão). Porque eu é que não me dou, não me entrego, não me deixo ir. Porque eu é que tive tanto trabalho a apanhar os cacos do meu coração no passado, que agora não quero correr o risco de ele se voltar a partir. Por isso, fecho-o num cofre secreto. Por isso, fecho-me.

O problema não és tu, sou eu.


Desculpa.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Das mudanças que não mudam nada...

Este blogue vai mudar. Não sei se vai mudar por muito ou por pouco tempo. Se por um ano, um mês ou uma semana, apenas. Vai mudar enquanto me apetecer que mude.

Vai ter menos posts. Ou vai ter mais posts. Não sei.

Vai ser menos eu. Vai ser mais eu.

Vai ser mais conteúdo. Vai ser mais devaneio.

Vai ser menos vida. Vai ser mais sonho, memória, reflexão.

Vai ser o que me apetecer que seja em todos os dias em que me apeteça aqui vir e enquanto me apeteça aqui vir.



A minha vida é um vendaval que se soltou. 
É uma onda que se alevantou. 
É um átomo a mais que se animou... 
Não sei por onde vou, 
Não sei para onde vou 
- Sei que não vou por aí! 

José Régio - Cântico Negro

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dos meus sonhos...

Esta noite sonhei contigo. Já não sonhava contigo há algum tempo.

Na verdade, não sonhei exactamente contigo. Sonhei com a memória de ti.

Sonhei que tinha ido a tua casa e estava lá a tua mãe. A tua mãe, de quem tanto falámos mas que eu nunca conheci. Não faço ideia o que é que ela estaria a fazer em tua casa mas falei com ela, pedi-lhe para usar a casa-de-banho e, inevitavelmente, aproveitei para ir ao teu quarto. O teu quarto que não era o teu quarto mas era o teu quarto. Nunca tinha visto aquele espaço mas reconheci-te em cada canto, em cada detalhe, nas calças de ganga penduradas no bengaleiro, no livro na mesa de cabeceira, nos ténis no chão. Lembro-me do que senti, da nostalgia, das saudades. Antes de sair, olhei para uma folha de papel em branco em cima da secretária e pensei deixar-te um recado. Tenho saudades, dir-te-ia. Não disse. Não escrevi. Percorri com o olhar o quarto uma última vez e fechei a porta silenciosamente.

Espero ter-te fechado também em algum quarto escuro. De vez.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Da gratidão...

Diz que hoje é o Dia Mundial da Gratidão.

Eu não sou pessoa de ligar muita a estas coisas ou de assinalar este tipo de datas. Talvez seja mesmo a primeira vez que o faço aqui no blogue (se não for, vamos fingir que sim, só  para ficar bem).

A gratidão é, para mim, das melhores e mais importantes lições que podemos aprender na vida.

Eu demorei muitos anos a saber o que era isso da gratidão. Mas, depois de saber, acho que posso afirmar que nunca mais me esqueci.

Faço muitas vezes o exercício de agradecer por tudo aquilo que tenho de bom na minha vida.

Mesmo nos dias que custam a passar. Mesmo quando o meu emprego me enlouquece. Mesmo quando me apetece fugir e deixar tudo para trás. Mesmo nos dias em que tudo parece negro e só quero chorar. Mesmo nos dias em que a vida parece sem sentido. Mesmo nos dias em que me dão murros no estômago ou me tiram o chão. Mesmo nos dias mais difíceis.

Eu sou grata. Sou grata pelas pessoas que tenho à minha volta. Sou grata pela minha família disfuncional, que foi crescendo com sucessivos acrescentos, e que está sempre lá para mim. Sou grata pelo meu Pai, que fez de mim quem sou. Sou grata pelos meus amigos, que são muito poucos mas que me acompanham e aturam. Sou grata pelo emprego que tenho, sobretudo quando penso no estado actual do mercado de trabalho. Sou grata pela possibilidade de ter a minha casa, o meu canto, o meu espaço. Sou grata pelo Snow, mesmo quando me enfurece logo pela manhã. Sou grata pelos privilégios a que fui tendo acesso ao longo da vida. Sou grata por todas as viagens que já fiz. Sou grata por ter saúde e, apesar de algumas maleitas, nunca ter tido nada de verdadeiramente preocupante. Sou grata pelas pessoas que entraram na minha vida, pelas que saíram, pelas que ficaram. E sou grata também por mim, pelo que sou, pelo que cresci, por tudo o que consegui fruto do meu esforço, por tudo o que aprendi, por tudo o que fiz.

Eu sou grata. Muito. Todos os dias. Obrigada, Mundo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Do fim-de-semana...

O fim-de-semana passou a voar. Se há fins-de-semana em que me sinto realmente descansada e recuperada, este não foi um deles.

Sábado foi dia de semi-molenguice, seguida de limpeza da casa, trabalho e saída para jantar e cinema.

Fui ver o Milagre no Rio Hudson. E gostei tanto! Se puderem, vão ver. O filme está muito bem feito e o Tom Hanks faz mais um papelão (pena que o tempo esteja a passar por ele). Talvez por toda a vida ter tido contacto com o mundo da aviação, e por ter à minha volta pessoas que fazem disso vida, o filme mexeu mais comigo e deixou-me de lágrimas nos olhos e sem ar em algumas cenas. Mais um sinal, do quão bem está feito!

Domingo foi dia de (mais uma) corrida: Alenquer Wine Run. E foi tão gira! Não é a típica corrida em que costumo participar, tinha uma componente muito mais lúdica do que competitiva e tinha um ambiente espectacular. 


Por ser a exactamente duas semanas da meia, não quis desperdiçar completamente o dia e fiz quase tudo a correr, para tentar manter uma média razoável ao longo dos 12,5kms, mas para o ano lá estarei e espero poder aproveitar ainda mais as paisagens fantásticas (correr no meio de uma vinha? check!), deliciar-me com as comidas e saborear os vinhos. 


Sim, nesta corrida havia degustação de tapas e prova de vinhos a cada 2,5 km. Foi uma prova muito animada, com muita gente bem-disposta, com uma excelente organização, e ainda ofereceram uma garrafa de vinho e um copo de espumante ao cortar a meta!

Apesar de ter sido uma óptima experiência, acabei o Domingo de rastos, e precisava muito que o fim-de-semana se tivesse esticado por mais um dia!...

Dos homens que adoram as mulheres (tudo o que deviam saber)... - V

Não foi preciso estar a ler o livro do Carnegie para chegar a esta simples conclusão: a forma mais fácil de cativarmos alguém, é mostrarmos interesse por essa pessoa.

Mas verdadeiro interesse. Fazer as perguntas certas e, sobretudo, querer ouvir as respostas.

Se ao conversarem com alguém perguntarem, por exemplo, como lhe correu o dia de trabalho, e vos responderem simplesmente: correu bem. Esqueçam. Não vale a pena. A pessoa não está interessada e não se quer dar ao esforço de desenvolver o tema e de vos contar como correu o seu dia.

Muito provavelmente porque sentiu anteriormente que não havia interesse e/ou curiosidade do outro lado, e acha que não vale a pena o esforço.

E isso é o pior que pode acontecer: falarmos com alguém e sentirmos que a pessoa não está minimamente interessada no que estamos a dizer ou que não quer saber. Mesmo que tenha sido a pessoa a perguntar!...

Se queremos que se interessem por nós, temos, antes de mais nada, de nos interessar pelo outro. De querer ouvir, conhecer, aprender. Só depois conseguiremos que o outro se interesse por nós.

E isto aplica-se a relações amorosas, mas também familiares, de amizade e de negócios.



Esta semana, oiçam mais e falem menos. Experimentem.

domingo, 18 de setembro de 2016

Das coisas que me passam pela cabeça...

Preocupa-me que a minha chefe possa andar a tentar levar-me ao limite... Antes de eu ir de férias, já tinha uma montanha de coisas para fazer quando regressasse. Desde que regressei, não pára de me dar trabalho. Voltei de férias há duas semanas e ainda não consegui pôr as coisas em dia. Despacho o trabalho do dia-a-dia e as questões urgentes, mas tinham ficado do meu lado alguns temas que me obrigam a perder algumas horas a pensar, a ter ideias, a preparar projectos e apresentações, e ainda só despachei dois.

Tenho saído mais tarde do que é suposto (eu, que sempre fui muito teimosa em relação ao meu horário de saída) e tenho entrado mais cedo do que era suposto. 

E até trouxe trabalho para casa este fim-de-semana - coisa que aconteceu três ou quatro vezes em 4 anos naquela casa.

Por outro lado, convida-me para ir com ela a eventos importantes de networking (que me vão roubar tempo em que devia estar a fazer as coisas que ela me manda fazer) e sugere-me um evento para o qual ela foi convidada mas não vai poder ir por estar de férias (que me vai roubar tempo em que devia estar a fazer as coisas que ela me manda fazer).

Preocupa-me, verdadeiramente, o que desconfio estar por detrás disto. Mas resta-me esperar para ver.

sábado, 17 de setembro de 2016

Do pequena que eu sou...

Tenho uma decisão difícil a tomar. Sei que tenho de fazer o que é correcto. Mas é tão difícil fazer o correcto!... Agora percebo por que é que as pessoas nem sempre fazem o que é correcto. É preciso ser-se grande para fazer o correcto. É preciso ser-se maior do que os homens. E eu não sou. Eu não sou grande. Eu sou pequena. Eu nunca fui boa a tomar decisões, já aqui o disse tantas e tantas vezes. Mas a verdade é que a decisão está tomada. E eu tenho de fazer o que é correcto.

Agora percebo.*




*mas nem por isso te perdoo.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...