sábado, 12 de novembro de 2016

Das coisas que me fazem rir...

Eu lido muito mal com o cansaço. Felizmente, ao longo dos anos, fui-me apercebendo disso e fui aprendendo a ler os sinais. O cansaço deixa-me particularmente instável, descompensada, emocionalmente desequilibrada, até.

E ontem eu estava particularmente cansada.

E ontem eu tive um dia particularmente difícil.

E esta combinação maravilhosa produziu um resultado maravilhoso.

O curioso e irónico nesta situação, é que o que ensombrou o meu dia de ontem, foi algo que há uns anos atrás talvez não me afectasse minimamente.

É curiosa a evolução que fazemos ao longo da vida, a forma como mudamos, os sonhos que temos e deixamos de ter.

Ontem ouvi, mais uma vez, a conversa sobre a necessidade de me despachar, se quero ter filhos. A conversa sobre possíveis complicações. A conversa sobre poder não conseguir engravidar (como se não tivesse já passado quase um ano da minha vida a tentar). A conversa sobre poder ter gravidezes não evolutivas. A conversa do costume. A pressão do costume.

Sim, eu gostava de ter filhos um dia. Apesar de ter passado a maior parte da minha vida a dizer que não os queria. Mas eu gostava de os ter num determinado contexto. Contexto esse que não existe neste momento e que, por vezes, duvido que volte a existir em tempo útil. Tudo isso me assusta, me deprime, me faz questionar o que ando aqui a fazer. Nada do que é a minha vida, corresponde ao que tinha planeado para ela, e há momentos em que tenho dificuldade em lidar com isso. Muita.

E eu já dramatizo e deprimo com a minha vida quanto baste. Não preciso que atirem mais achas para a fogueira.

Agradecida.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Do que me passa pela cabeça depois de mais um dia de Web Summit...

"If you're not pissed, what is fucking wrong with you?!" - Dave McClure @ Central Stage  WebSummit


Foi com esta e outras frases de indignação e desilusão que Dave McClure pôs uma Meo Arena cheia de pé e a aplaudir.

Entre muitas outras coisas, hoje vi serem levantadas algumas questões importantes e foi lançado um repto a todos os empreendedores e pessoas ligadas à comunicação e aos media ali presentes: pensem no que andam a fazer e assumam a responsabilidade que têm.

Estas eleições não são só importantes para os EUA. São importantes para o Mundo. São importantes para todos nós. Estas eleições mudaram o Mundo e o papel dos meios de comunicação e das redes sociais, bem como o seu impacto.

De quem é a responsabilidade do que vemos acontecer? Qual é o futuro da comunicação? E da democracia? Hoje ouvi alguém (naquele mesmo central stage) a questionar a possibilidade de existir um regulador que controlasse toda a comunicação. Sim, há quem ache que isso é uma solução. Talvez seja melhor pararmos todos para pensar nisto. Caminhamos para uma nova ditadura? Para o fim da democracia? Para a necessidade de voltar a controlar o que se comunica e como?

Todos devemos parar para pensar nisto mas, sobretudo, quem trabalha nestas áreas e pode causar impacto no Mundo. Que Mundo estamos a construir e qual é o limite?

Por outro lado, muitos dos que ouvi bradarem #jesuischarlie, são os que hoje chamam burros e ignorantes aos americanos que exerceram o seu direito de voto. Goste-se, ou não, os americanos votaram em quem quiseram. Eu também não votei na esquerda, e não chamei nomes a quem o fez.

Vamos usar a liberdade que temos, o privilégio que temos no acesso à comunicação, e vamos fazer do Mundo um lugar melhor?

Vamos usar mais as redes sociais para partilhar coisas boas, casos de sucesso, bons exemplos, e menos para instigar ódios, racismos e violências? Vamos criticar menos e aplaudir mais? E nas próximas eleições, vamos todos votar? Vamos exercer o nosso direito (e dever) de voto?

Não quero ser pessimista, dramática ou derrotista, mas gostava mesmo que, nesta era que hoje começa, todos parássemos para pensar um bocadinho no que andamos aqui a fazer e quais os limites da nossa liberdade e da nossa responsabilidade.

Das coisas que eu te peço...

Tentas amolecer-me. Tentas vergar-me. Tentas que não seja tão fria, tão bruta, tão pedra.

Tentas desconcertar-me. Tentas vencer-me pelo cansaço. Tentas que me abra e que deixe que entres.

Tentas fazer-me sorrir. Tentas fazer-me sentir. Tentas que me permita experimentar e viver.

O que tu não sabes, o que tu não adivinhas, é que foi a vida que me fez assim. Foi por viver que fiquei assim. Fria. Bruta. Pedra. É por ter vivido que me encerro em mim. É por saber o que é viver, que tenho medo. Tanto medo. É por saber o que é sofrer, que não me deixo amolecer e não me deixo envolver.


Não insistas, peço-te. Por mim mas, sobretudo, por ti. Não insistas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

sábado, 5 de novembro de 2016

Das frases soltas sobre o saber esperar...

Deixas-me, assim, em suspenso. A levitar. A pairar sobre a vida que corre lá em baixo. A vida que não é minha. É tua porque ta entrego. Coloco-a nas tuas mãos e deixo que decidas o que fazer com ela. Nunca tive muito jeito para tomar decisões. Prefiro que os outros as tomem por mim. Enquanto os dias passam, as horas sucedem-se e eu continuo nesta inércia. Sem respirar. Sem me mexer. À espera. À tua espera.

Demoras muito?

Das rochas...

Esta constante análise à minha pessoa e aos meus actos, com o seu quê de narcisismo e de obsessão à mistura, tem as suas coisas curiosas.

Recentemente, fui forçada a concluir algo que não me apetecia ter de concluir.

Fui confrontada com os meus medos e inseguranças. Perante uma hipotética situação, percebi que os traumas e as feridas do passado ainda aqui estão. E estão bem vivos. Bem marcados em mim e prontos a exibirem-se à mínima hipótese.

Quando eu, na minha arrogância, achava que o passado estava lá atrás, descobri que não. O passado está no presente e vai estar no futuro.

Os medos estão lá. As inseguranças estão lá. Os receios estão lá.

E eu fico assim: imóvel, paralisada, qual rocha no meio de um caminho.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Da segurança...

Ontem perguntaram-me se era uma pessoa segura. Respondi, sem hesitar, que não sou.

Passados os segundos iniciais do desconforto que se instalou naquela sala (éramos quatro ou cinco pessoas), talvez por estranharem alguém assumir tal coisa contrariando o habitual "somos todos muito fortes e muito bons", o tema foi-se desenvolvendo.

Eu não sou uma pessoa segura. Para umas coisas sou mais do que para outras mas, regra geral, não me considero uma pessoa segura. Felizmente, disfarço bem. Ou, eventualmente, eu sou uma pessoa segura mas sou insegura em relação a isso e acho que não sou segura.

Falou-se da sociedade actual. Das gerações que estamos a criar. Das crianças que vivem em bolhas de super protecção e a quem tudo é feito e dado de mão beijada. 

Que futuro estamos a criar? Que líderes? Que casos de sucesso? Que sociedade é esta para que caminhamos?

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Da (falta de) sensatez...

Pergunto-me se lutar para não pensar em ti é ser sensata ou é lutar contra o destino...

O destino. Que me dizem que existe mas de quem eu desconfio.

O destino, que tantas partidas me pregou no passado e a quem não quero confiar, novamente, a minha sorte.

Prefiro a razão. A sensatez. A análise detalhada.

Conheço-me. Conheço o meu passado. Tento adivinhar o futuro. Já aprendi alguma coisa ao longo dos anos e a frase que não me sai da cabeça é we are accidents waiting to happen.

Divido-me entre o saber que isto tem tudo para correr mal e o saber que não posso passar o resto da vida a fugir de arriscar.

Vivo mais um conflito interno. Na verdade, já sei quem vai ganhar. E, com uma racionalidade estúpida, sei que vai correr mal. E, mais uma vez, por mil e uma razões e porque não há terapia suficiente no Mundo que me valha, vou fazer asneira. Outra vez. Uma e outra vez.

Um dia há-de correr bem.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Da hipotética inspiração para os próximos tempos...



Num momento em que o caos mental é enorme, em que questiono cada passo, cada gesto, cada palavra, quis o meu feed do Facebook presentear-me pela manhã com esta imagem que alguém partilhou.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dos problemas...

O problema da vida é fazer-nos viver. É empurrar-nos para a frente. É obrigar-nos a caminhar quando queremos ficar parados. É fazer-nos tropeçar. É fazer-nos levantar, somente para nos fazer cair de novo. Uma e outra vez. 

O problema da vida é fazer-nos errar. É fazer-nos sofrer. Com os nossos erros e com os dos outros. Sobretudo, com os dos outros. É fazer-nos chorar. É deixar-nos sem ar, sem chão. É levar-nos todas as forças. É arrancar-nos a fé. É fazer-nos crer que tudo é negro e difícil.

O problema da vida é ter de ser vivida quando tudo o que mais queríamos era ficar inertes. É não nos deixar fugir de mais quedas e sofrimentos. É não nos permitir um segundo de descanso para recuperar o fôlego.

O problema da vida é não parar. É ser um comboio em movimento, com entradas e saídas em andamento. Que não quer saber de nós, dos nossos percalços, dos nossos atrasos.

O problema da vida é ter tanto de morte.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...