segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Das balanças...

Tenho-me esforçado por me focar nas coisas negativas. É a maneira mais fácil de conseguir desligar e seguir em frente.

Não é por serem nossas que as decisões se tornam fáceis. Não é por sermos nós a querer dar um passo, que ele não custa.

E custa, e é difícil. E eu opto por esta estratégia de me focar nas coisas menos boas, para que não me custe tanto deixar tudo para trás.

Se é justo? Talvez não. Talvez me devesse focar nas coisas positivas para continuar nesta estrada. Porque a vida é assim. A vida tem momentos bons e momentos maus. Porque nada é perfeito. Porque vão existir sempre coisas negativas.

Mas espera-se que haja um equilíbrio. Faz sentido que haja esse equilíbrio. Aliás, só faz sentido se houver esse equilíbrio.


Se não há esse equilíbrio, se a balança pesa mais para o lado das coisas negativas, não vale a pena. Porque o peso das coisas negativas vai aumentando, e torna-se insustentável. Insustentável para a balança, que perde o seu equilíbrio, e para mim, que perco também o meu equilíbrio.

domingo, 24 de novembro de 2013

Dos nossos fantasmas...

Domingo de manhã. Levanto-me, ponho a chaleira ao lume, preparo um chá verde. Sento-me na poltrona, acendo um cigarro, ponho o portátil ao colo e escolho a banda sonora para o meu dia.

Acordei com vontade de escrever. Queria escrever uma carta. Uma carta a despejar todo o fel que sinto. Uma carta que sei que não iria enviar. Porque não seria justo. Lembro-me que a nossa necessidade de dizer coisas não deve nunca ser sobreposta às necessidades dos outros. A nossa necessidade de despejar rancores e frustrações, não deve ser transformada em maldade e egoísmo.

O que não é o mesmo que dizer que não devemos despejar esse fel. Escrever as nossas cartas. Gritar ao vento o que nos consome. Mas pode ficar só para nós.

A terapia ensinou-me que não podemos fingir que as coisas não aconteceram. A metáfora do armário, que tanto me irritava nas sessões de terapia, é, afinal, bem real.

Todos nós temos o nosso armário no sótão. Onde escondemos os nossos segredos, onde acumulamos a nossa tralha, onde enfiamos a nossa bagagem. E ela fica lá escondida, que fica, mas não desaparece. E vamos pondo mais, e mais, e mais, e um dia o armário rebenta. Ficam ali as portas escancaradas, com a nossa tralha a cair das prateleiras, com a nossa tralha espalhada no chão. E, aí, somos obrigados a pegar na tralha, a pegar nas coisas uma a uma, e a arrumá-las. E o problema é que se formos acumulando e acumulando e acumulando, o armário pode explodir na altura menos conveniente (e ele tem tendência a isso, a escolher os momentos menos próprios para explodir).

Não vale a pena fingir que as coisas não aconteceram. Não vale a pena esconder debaixo do tapete o que nos magoa e fingir que não se passa nada.

Dói, custa, mas é preciso mexer e remexer, e deixar tudo bem arrumado, numa gaveta perto de nós, e não no armário no sótão.

E é por isso que eu escrevo. É uma espécie de catarse. É uma forma de me obrigar a pensar sobre as coisas para, no fim, conseguir aceitá-las e compreendê-las.

Lidarmos com os nossos fantasmas é uma forma de nos prepararmos para o futuro. Por um lado, porque vamos mantendo o nosso armário arrumado. Por outro, porque ao aceitarmos o que acontece agora, torna-se mais fácil aceitar o que acontecer no futuro ou, em alguns casos, podemos mesmo evitar que se repita no futuro (dentro daquilo que é a nossa limitada capacidade de controlar o futuro).

A melhor forma de lidarmos com o que nos acontece, é aceitar que aconteceu. Fingir que não se passa nada, é apenas um penso rápido, numa ferida que todos os dias vai crescer mais, e mais, e mais. Até se espalhar por todo o nosso ser e destruir aquilo que somos. Não vale a pena, pois não?


Vou só ali escrever uma carta. Para depois poder esquecer.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Das memórias que me chegam pela comida...

Há dias comprei um pacote de línguas de gato. Coisa rara, por sinal.

Há pouco, enquanto as devorava sofregamente como quem devora a maior iguaria de sempre, não pude deixar de dar comigo a divagar e a regredir no tempo.

Comer línguas de gato é lembrar-me da minha avó.

Em casa da minha avó havia sempre línguas de gato. Línguas de gato que estavam num frasco de vidro na bancada da cozinha. Lembro-me como se fosse hoje. E talvez tenha sido há vinte anos.

Mas aquelas línguas de gato, tantas vezes roubadas às escondidas (É só uma, ninguém nota...), fazem parte das minhas memórias de infância e hão-de sempre fazer.

E eu hei-de sempre regressar à minha infância quando comer línguas de gato. E eu hei-de sempre lembrar-me da minha avó quando comer línguas de gato.

Porque é destas coisas ridiculamente simples que a vida é feita. Porque são estas memórias que ficam. Porque é destes bocadinhos de nada que todos nós somos feitos. Porque, no fim do dia, é das coisas ridiculamente simples que, por vezes, sentimos mais falta.

domingo, 17 de novembro de 2013

Da família...

A família é, para mim, uma das coisas mais importantes da minha vida. Diria mesmo, a mais importante.

Mas não por ser família. Não pelos laços de sangue que nos unem (ou não, até). Mas sim pelas relações que se criaram, que se alimentaram, que se construíram.

Porque eu também sou a primeira a dizer que as relações de sangue nada valem. Não é por partilharmos o sangue, que somos obrigados a partilhar mais alguma coisa.

Eu sou aquela que não fala com a própria mãe desde o dia de casamento do irmão. Já lá vão mais de dois anos. Eu sou aquela que, ao longo da vida, esteve muitos e longos períodos sem falar com essa mesma mãe. Eu sou aquela que, ao longo da vida, deu muitas segundas oportunidades, tentou outra vez, tudo em nome desses lanços de sangue. Do cliché Mãe, é mãe.

Esqueçam. Não há mãe, não há pai, não há irmãos.

Há pessoas. Há relações.

Por vezes, essas pessoas são mãe, pai, irmãos. E as relações são as melhores.

Por vezes, as relações são as piores. E essas pessoas são mãe, pai, irmãos.

O tempo ensinou-me quem eram as minhas pessoas. Quem era a minha família. E não foram as relações de sangue que me disseram isso.

O tempo ensinou-me que, no matter what, as minhas pessoas vão estar sempre lá.

E sim, são o melhor que tenho na vida. Não pelo nome da relação que nos une. Mas apenas e só pela relação que nos une.

E tudo isto para dizer... Não há paciência para relações de obrigação. É um desperdício de tempo, de vida. Temos de dar valor, isso sim, às relações que realmente importam. Sejam elas com quem forem...


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Do passado... Do presente... Do futuro...

Nos últimos dois meses (Bolas! Já passou assim tanto?) este blogue esteve condenado ao abandono. Total e absoluto. Da minha parte, pelo menos. Que, estranhamente, todos os dias há umas dezenas de visitas que eu não percebo bem o que vêm cá fazer.

Dizia eu que abandonei o blogue. Deixei-o aqui, só e abandonado, a ganhar teias de aranha, pó, mofo.

E é uma trabalheira vir aqui limpar essas teias de aranha, esse pó, esse mofo.

É como aquelas coisas que enfiamos no fundo da arrecadação e que, quanto mais tempo passa, menos vontade temos de lhes voltar a mexer. E quanto mais tempo passava, mais difícil me parecia o meu regresso aqui.

Fica sempre aquela sensação de obrigação de justificação da ausência prolongada. Gosto desta sequência: "sensação de obrigação de justificação".

Mas pois que não me apetece justificar-me. Não assim, a frio. Creio que o que aqui escrever nos próximos tempos, falará por si.

Quanto à justificação do regresso é simples. Preciso de voltar a escrever. De deitar cá para fora. De despejar. De pôr por escrito as coisas que não ouso dizer. De deixar registado aquilo de que não me quero esquecer. Porque este blogue foi, é, e há-de continuar a ser o meu diário.

E como os diários não falam (pelo menos os meus nunca me responderam ao longo de anos e anos), os comentários serão desactivados por tempo indefinido.

Só porque sim. Porque sim e porque é altamente provável que este blogue entre em modo depressivo, destrutivo, contemplativo, introspectivo e mais outras tantas coisas acabadas em "-ivo".

Ou só mesmo porque sim.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Do futuro...

Depois de ver o post da S*, decide-me finalmente a inscrever-me no FutureMe.

Se não estou em erro, a primeira vez que ouvi falar neste projecto foi na série How I Met Your Mother. Na altura, explorei o site mas não escrevi nada.

Hoje, já escrevi duas cartas para o futuro. E algo me diz que vou continuar. Ide lá, ide!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Do olfacto...

A Cookinha tem genes de cão. Só pode. Só isso explica que, estando ela na sala, largue a correr e a miar como se o Mundo fosse acabar, só por que eu abri uma lata de atum na cozinha.



Depois falem-me em olfacto canino... Se alguém quiser ir à pesca de atum, eu empresto a Cookinha.

domingo, 1 de setembro de 2013

Do que é um bom Domingo...

Um bom Domingo é estar no sofá de casa dos pais, com o meu kindle e a cadela mais avariada do mundo, a beber gins. A cara metade anda a ajudar o sogrinho a acartar electrodomésticos vários. Fica-lhe bem este convívio fofo com o sogro. E a mim fica-me bem o descanso.


Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...