sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Dos filmes que não queremos rever...

Fez ontem um ano que escrevi este post

Na altura, sabia que não era o fim do Mundo, mas parecia.

Hoje, sinto-me a viver um filme muito parecido. Há demasiadas circunstâncias demasiado parecidas e eu acordo cada dia a pensar qual será o dia em que o fim do Mundo se vai repetir.

Eu sei que também há muitas circunstâncias completamente diferentes, mas é inevitável fazer comparações, é inevitável ter medo, é inevitável que as minhas fragilidades venham ao de cima e me façam temer que volte a acontecer tudo outra vez.

Não está a ser um mês fácil. Está a ser um mês difícil de acabar. Está a ser um mês com muitas emoções contraditórias. Continuam os apertos no peito, que se misturam com uma ânsia infinita de viver, de sorver cada momento, de agarrar cada instante para que não perca nada do que me está a acontecer. Continua o medo das vidas que a volta dá, de que me tirem o tapete, de que me dêem um novo abanão, de que esteja somente a caminhar sobre um lago de gelo muito fino que se vai quebrar a qualquer momento. Continua a bipolaridade entre querer viver cada dia deste pequeno mês e o querer que ele passe muito depressa.

Faltam 12 dias para o meu (não) aniversário. Ainda não decidi nada. Ainda não combinei nada. Tal é a estranheza, que já houve quem me ligasse a perguntar o que é que estou a pensar fazer. Este ano não há convites antecipados, não há planos com semanas de antecedência, não há ementas, não há temas. Este ano há apenas o desejo de que esse dia não exista.


Dos sítios onde eu (não) vou...

Não vou a Sevilha. Não interessam bem os motivos, mas não vou. Estou meio triste com isso mas não é o fim do Mundo. Fico feliz por quem vai. Muito.

Vou aproveitar para ter um fim-de-semana mais calmo (coisa que já não acontece há algum tempo), tenho dois trabalhos da faculdade para fazer, e Domingo vou com uma das equipas em que corro participar em mais uma prova do Grande Troféu de Oeiras. Consta que o percurso é difícil... E consta também que eu não tenho treinado nada de jeito, pelo que a coisa promete. Mas vamos tantos e vai ser tão giro, que vai valer pela festa!

E já só penso no Porto. O trabalho está o caos. O mestrado o caos está. E eu preciso mesmo de sair daqui por uns dias.

Falta uma semana e um dia!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Do ar que me falta...

Gosto deste acordar lento, do saber que estás ali, do sentir o teu calor junto a mim.

Não gosto deste aperto no peito, desta falta de ar, do não saber por quanto tempo ali estarás.

Gosto do que me fazes sentir, do que me dizes, do que não me dizes mas que me deixas adivinhar.

Não gosto desta ansiedade, deste medo, deste nó na garganta.

Gosto de ti.

Não gosto de não saber lidar com isso.

Desculpa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Dos sítios onde eu vou...

E, de repente, Fevereiro, este mês tão pequeno e tão curto, vai ter duas viagens: Sevilha e Porto.

A ida a Sevilha já tinha estado em cima da mesa, já tinha deixado de estar, e este fim-de-semana ficou decidida e confirmada, de forma meio impulsiva. Não vou fazer a Maratona, mas vou dar apoio e fazer claque por quem vai. Talvez faça uns km também. Não quero sequer imaginar a sensação, o espírito, o ânimo. Mal posso esperar!

Já o Porto, é um destino que tem vindo a ser adiado há demasiado tempo. É desta. Havendo falta de orçamento para ir para fora nos meus anos este ano, pareceu-me uma excelente opção. Vão ser quatro dias que espero que sejam maravilhosos. Expectativas altas. Muito altas.

Mais uma vez, sou uma privilegiada. Mais uma vez, sinto-me muito grata por poder fazer estas coisas. Mais uma vez, sei que sou uma sortuda pelas pessoas que tenho à minha volta.

E que nunca me esqueça disso.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Do meu eu racional...

A palavra do ano é emoção, mas a minha palavra é razão.

Vai ser sempre. Sou como sou.

Tento trabalhar isto. Tento deixar-me ir. Faço um esforço, um grande esforço, para ser menos complicação e mais simplificação.

Tento não racionalizar cada coisa. Tento não dissecar cada passo. Tento não analisar tudo como se visse o Mundo pela lente de um microscópio.

Tento. Tento muito.

Às vezes, consigo. Às vezes, não consigo.

Se eu não conseguir, se eu te fugir (e eu vou fugir), que tenhas a força para não me deixar partir.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Do Fim da Europa...

Ah! O Fim da Europa!...

Tanta coisa para dizer e não sei bem como...

Eu já tinha por aqui dito que a minha confiança estava em níveis abaixo dos mínimos. E estava. Com o aproximar da prova não melhorou nada, porque não consegui treinar grande coisa, e o pouco que treinei, não correu muito bem. Ia para uma prova de 17km, sendo que a última vez que tinha feito mais do que 10km, tinha sido na última meia, no início de Dezembro. A juntar a isso, a dificuldade da prova e das suas subidas, coisa a que não estou minimamente habituada (viva o Passeio Marítimo, sempre plano!). A juntar ainda, a probabilidade de chuva.

O meu estado de espírito na véspera da prova não era o melhor, estava muito cansada depois de uma semana de loucos que culminou com aulas no Sábado, não me estava a sentir muito bem, mal consegui jantar e dormi pouco. Domingo acordei pior (vou poupar-vos os pormenores muito gráficos mas digamos que passei bastante tempo na casa-de-banho), e quase não consegui comer de tão enjoada que estava. Isto são nervos, pensei eu. Vontade de correr a zero. Ansiedade a mil. Viagem para o Cabo da Roca em modo acelerado, porque com isto tudo acabei por me atrasar a sair de casa e tinha combinado com o grupo (e com quem tinha os dorsais) às oito.

Mesmo sem conseguir comer, o meu ânimo lá foi aparecendo, e os nervos foram acalmando. Viagem até Sintra. Caminhada até ao centro da vila, com paragem estratégica na Sapa (e não foi para comer queijadas, mas podia...). Obriguei-me a comer uma panqueca que tinha levado e uns frutos secos, porque sabia que era um disparate ir fazer 17km de estômago vazio.

Deixei a tralha toda e a roupa em excesso na carrinha que ia levar os bens dos atletas para a meta e acho que foi aí que me caiu a ficha. Fomos em grupo para junto da partida, fui encontrando gente conhecida, e comecei a entrar no espírito. Ia mesmo acontecer. Eu ia mesmo fazer aquela prova. Eu ia mesmo fazer aqueles 17km.

Tinha passado os dias anteriores a mentalizar-me que ia lá passear, ia aproveitar a vista, ia sem pressas, sem pressões. Tinha o meu objectivo de tempo definido, bastante vergonhoso, diga-se, mas era bastante realista, face à minha condição. Últimas despedidas, muitos sorrisos, e ouve-se o tiro de partida. Despedi-me de quem estava comigo (eu era a mais lenta do grupo - é o que dá ir correr com 9 homens que, efectivamente, correm...) e deixei-me ir no meu ritmo.

Desta vez, nem música levei. Foi a primeira vez que fiz uma prova sem música. E sabem que mais? Sobrevivi! E nem sequer senti falta! Eu sei que esta era uma prova atípica, mas, a verdade é que acho que vou começar a correr assim. Mais leve, mais focada.

O início da prova é complicado, começamos sempre a subir, e eu estava muito consciente da importância de me poupar nos primeiros quilómetros, sobretudo porque não estava a 100% e sabia que a qualquer momento o meu corpo podia fazer das suas e obrigar-me a parar. E foi isso que fiz. Muita gente conhecida foi passando por mim, sempre com uma palavra simpática, sempre com uma palavra de força, e eu lá continuei no meu ritmo de lontra. Sempre tranquila. Sempre sem pressões.

A prova foi difícil. Foi. Caminhei muito em muitas partes do percurso. Não quis saber. Nunca caminhei sozinha, isso é certo. E limitei-me a ouvir o meu corpo e a ir fazendo o que me apetecia. Mais uma vez, sem pressões. O tempo não estava grande coisa. Não choveu, propriamente, mas estava imenso nevoeiro e tanta humidade no meio da serra e das árvores, que parecia que estava a chover. Houve alturas em que tive muito frio e sentia-me muito desconfortável - é o que dá correr devagar. Fiz os primeiros 10km muito lentamente. Mesmo muito lentamente. Comecei a olhar para o relógio e a fazer contas. Comecei a achar que tinha feito aquele troço demasiado devagar e não ia conseguir cumprir o tempo que tinha definido na minha cabeça. A boa notícia é que ia começar a parte da prova que era sempre a descer. A má notícia é que ainda faltavam 7km e não podia correr o risco de acelerar demasiado e depois quebrar antes de chegar ao fim. Fui gerindo o esforço, fui baixando a média, e quando faltavam 2km, o meu rosto iluminou-se quando vi quem voltava para trás para me fazer companhia até à meta.

Consegui chegar ao fim, viva e inteira, e fazer menos um minuto e pouco do que tinha definido. Estava de rastos. Mas sentia-me tão bem! Tinha sido capaz. Depois dos nervos todos, depois do meu corpo a não colaborar, depois dos medos e inseguranças. Tinha conseguido!

Uma das primeiras coisas que disse quando cheguei ao pé do grupo foi que dificilmente me voltavam a apanhar naquela prova. Sentia-me demasiado desgastada. Estava muito desconfortável e nem o chá quente que ofereciam no final, me aqueceu. Juntem a isto uma caminhada de quase 3km, sempre a subir, para regressar ao carro, e imaginem o meu estado de espírito.

Deixei passar uns dias, deixei a "poeira" assentar, e agora, ao escrever isto, a perspectiva é diferente. Vou querer voltar, sim. Foi a prova com melhor ambiente que já fiz. De longe. Perdi a conta às pessoas que se meteram comigo (é o que dá ter uma camisola personalizada com o meu nome e com o nome da empresa pela qual corro - que não é a minha -, que se presta a algumas piadas), foram muitas as palavras trocadas, os sorrisos, os incentivos, as gargalhadas conjuntas com perfeitos desconhecidos. Apesar do frio e do nevoeiro, e de não ter visto nenhuma vista espectacular porque a visibilidade devia rondar os 20 metros, o ambiente no meio da serra é maravilhoso e único.

Vou querer voltar, sim. Porque sei que podia ter feito tão melhor!... Não estava a 100%, por um lado, e "engonhei" muito, por outro. Consta que entre quem acabou a prova depressa e esperava por mim na meta, fui apelidada de "ronhas", precisamente por já saberem que eu sou capaz de muito mais do que aquilo que faço e que sou muito queixinhas. E sou! Sou princesa mimada!... E eles têm razão... Eu podia ter feito bem mais, e acabei a prova com uma sensação agridoce. Sim, consegui. Mas sim, devia ter feito mais e melhor. É também esta frustração que me leva a querer voltar para o ano. Mas não digam a ninguém, que eu fartei-me de refilar com quem me convenceu a ir!...

Próximo grande objectivo? Meia-maratona de Lisboa.



(anda uma pessoa a estudar para, entre outras coisas, aprender a escrever no mundo online, e depois sai-se com um testamento que quebra todas as regras...)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Dos meses...

Fevereiro, que hoje começa.

Que é o meu mês. O mês em que eu (não) faço anos.

Gosto de Fevereiro. Gosto que seja meu. Gosto que seja o mais pequeno de todos os meses, que passe sempre a voar, que anuncie, tantas vezes, o adeus ao frio e à chuva e o olá a dias melhores, a dias maiores.

Em 2016, Fevereiro foi o mês mais difícil para mim. Foi o que mais custou. Foi o que mais doeu.

E eu vejo tantas semelhanças entre este Fevereiro e o Fevereiro de há um ano atrás, que tenho medo. Tenho muito medo. 

Começo a questionar tudo. Começo a pôr em causa. Começo a boicotar-me.

Vejo o mesmo cenário que via há um ano atrás, e temo que se repita o mesmo filme de há um ano atrás. E sei, ainda que me digam o contrário, que não ia suportar passar pelo mesmo outra vez. Ninguém aguenta viver duas vezes a mesma dor.

Aguardo ansiosa cada novo dia deste mês. Conto cada dia que passa e somo mais um aos que já acabaram. Quero aproveitar cada dia deste mês. Mas quero que este mês acabe sabendo que lhe sobrevivi.

Quero, preciso, que Fevereiro seja um mês bom. Quero que cada um destes 28 dias que hoje se iniciam, seja um dia feliz. E quero, acima de tudo, chegar a dia 28 a sentir-me estupidamente feliz.





É pedir demais, eu sei. Mas sonhar (ainda) não paga imposto.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Das coisas que eu faço...

Um dia respondes a um anúncio de emprego no Porto. Hoje é o dia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Das coisas que me oferecem...

Depois de ter desistido da ida ao trail de Santa Maria, deixei o trail em suspenso, focando-me no essencial: a Corrida do Fim do Mundo da Europa, já no próximo Domingo.

Mas houve quem não me quisesse deixar desistir do trail e me oferecesse estes meninos...

Nike - Air Zoom Terra Kiger 3 Trail Running Shoe - Women's - Chalk Blue/ Racer Blue/Hyper Orange/Black
(foto retirada daqui)


O problema? O problema é que eu não estou habituada a receber presentes. Não estou habituada a que me mimem. Não estou habituada a que se lembrem de mim só porque sim. Depois de criar quase todo um incidente diplomático, depois de refilar, de resistir, de quase virar costas e não aceitar, eu lembrei-me do que decidi para este ano e da minha palavra: emoção. E aceitei. Aceitei este presente, deixei que me mimassem, recebi estes ténis e todo o carinho que com eles vinha. Porque, às vezes, temos de nos lembrar que aceitar o que os outros nos oferecem, é o melhor presente que lhes podemos dar a eles, e a nós também. Porque dar um presente pode ser uma tão grande forma de emoção, porque receber um presente pode ser uma tão grande forma de emoção. E emoção é o que ser quer por aqui para 2017.

E tudo isto por causa de uns ténis!...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Das coisas que me cansam...

Cansam-me as pessoas muito cheias de si. As pessoas cheias de razão. As pessoas que sabem sempre tudo. As pessoas que têm sempre uma opinião sobre tudo. As pessoas que sabem sempre o que é correcto. As pessoas que são perfeitas. As pessoas que jamais falham. As pessoas que correm a julgar a vida dos outros. As pessoas que vêem tudo pelos seus olhos. Cansam-me.

Gosto das pessoas com dúvidas. Das pessoas que pedem ajuda. Das pessoas que perguntam opiniões. Das pessoas que conhecem os seus defeitos. Das pessoas que são humildes. Das pessoas que ouvem os outros. Das pessoas que querem aprender. Das pessoas que pensam antes de atirar uma pedra. Das pessoas que sabem o que é a empatia. Apaixonam-me.



Que a vida me dê sempre a clareza e a lucidez para ser sempre mais apaixonante e menos cansativa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Das coisas que eu não te peço...

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Não por não desejar que fiques. Mas por ter aprendido, com a vida e com o tempo, que só devemos ter na nossa vida, aqueles a quem não precisamos de pedir que fiquem.

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Mas tem a grandeza de ver mais além e de ver em mim que apenas o faço para ter a certeza de que ficas porque é esse o teu desejo. 

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Mas não duvides em momento algum de que é isso que quero.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Das coisas em que eu me meto...




O percurso, que liga a Vila de Sintra ao Cabo da Roca, atravessa a Serra de Sintra em toda a sua extensão, pelo que se adverte para o facto de se tratar de um percurso sinuoso, desgastante e tecnicamente difícil.



Daqui a exactamente dez dias a esta hora, supostamente, já terei acabado esta corrida

Olho para a altimetria, olho para o percurso, leio o que diz no regulamento, e só me apetece chorar. Por que raio é que eu me inscrevi nisto?... Não me sinto minimamente preparada, não treinei o suficiente, e sei que vão ser 17km de sofrimento. Já disse a quem me convenceu a inscrever-me (há mais de três meses atrás), que vou passar a prova a rogar-lhe pragas. A resposta é sempre a mesma: no final, depois da vista que vais ver, vais agradecer-me.

Sim, toda a gente me diz que é uma prova lindíssima, das mais bonitas que se pode fazer. Eu sei. Mas também muita gente me diz que é uma prova difícil e dura. E eu sei que não estou preparada. E eu sei que ando numa fase lontra. E eu sei que a minha vida anda o caos (entre trabalho, faculdade e vida pessoal) e não tem sobrado muito tempo para corridas e treinos.

Tirando a primeira meia-maratona, nunca me senti com tanto receio e tanta insegurança em relação a uma prova. Espero, mas espero mesmo, que não passem de disparates e inseguranças desta cabeça tonta.

Até já, Fim da Europa!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Do que eu te devo...

Este aperto que sinto no peito, este vazio, esta ânsia, este contar os minutos para voltar a estar nos teus braços sem saber ao certo quando (se) isso vai voltar a acontecer, este desnorteio que domina os meus dias, esta sensação de estar perdida sem saber onde me encontrar, este estar não estando, este viver sobrevivendo... A ti os devo. Só a ti.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Do primeiro objectivo de 2017 que eu deixo cair (e ainda só passaram 17 dias)...

Corria o final de 2016 quando me deparei com este post.

Li-o e reli-o. Voltei a ele várias vezes. E, de repente, fez-me todo o sentido.

Eu nasci nos Açores. Naquela ilha. No dia 29 de Fevereiro. Não vou lá há mais anos do que aqueles que gostaria de me lembrar. E, de repente, acreditei que tudo se alinhava para que eu lá regressasse, na altura dos meus anos, para (re)descobrir a minha ilha, de uma forma que me fazia todo o sentido.

E comecei a ver vôos, e a marcar hotéis (just in case...), e a pensar seriamente sobre o assunto.

O problema? Eu nunca tinha feito trail. Falei com quem percebe do assunto, fui fazer um treino a Monsanto, voltei a falar com quem percebe do assunto e ganhei juízo.

Por muito que me custe, e custa mesmo, tenho de admitir que seria um disparate e pouco mais do que um capricho de menina mimada. Não faz sentido. Se há coisa que não devemos fazer nunca, é fazer uma prova para a qual não estamos preparados. Sobretudo, se falamos de trail - e que implica questões de segurança bem mais complexas do que numa corrida de estrada.

Foi assim que aquele que era o primeiro objectivo de 2017, ficou de lado. Temporariamente, apenas. Talvez entretanto me dedique ao trail. Talvez em 2018 vá concretizar este sonho. Talvez não. Já que um dos objectivos de 2017 é regressar aos Açores, e esse objectivo não ficou de lado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Dos dias que correm...

Passo os meus dias na ânsia de receber um sinal teu. Uma mensagem, um telefonema, um qualquer gesto que me diga que te lembraste de mim. Alimento-me das migalhas que não te dignas sequer a dar-me, mas que vais deixando cair quando te cruzas comigo em constante alvoroço. Vivo da esperança de conseguir juntar migalhas suficientes para ter algo a que me agarrar. Acredito que esse dia chegará e é isso que me move, dia após dia. Tão-só isso.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Da minha palavra do ano...

e·mo·ção 
(francês émotion)
substantivo feminino
1. Acto de deslocar.
2. Agitação popular. = ALVOROÇOCOMOÇÃOTUMULTO
3. Perturbação moral. = COMOÇÃO
4. [Psicologia Conjunto de reacçõesvariáveis na duração e na intensidadeque ocorrem no corpo e no cérebrogeralmente desencadeadas por um conteúdo mental
"emoção", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/emo%C3%A7%C3%A3o [consultado em 12-01-2017].

É esta a minha palavra para 2017: emoção. Aquilo que eu quero deixar entrar em mim e na minha vida. Vai ser um ano de viver e sentir mais, e de pensar e analisar menos. Vou dar cabeçadas. Muitas. Hei-de sofrer. Certamente. Mas vou atirar-me de cabeça e quero chegar ao final do ano com a certeza de que não deixei nada por fazer, somente por medo do que podia acontecer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Das coisas que eu aprendo...

É tão mais fácil gostar de alguém que gosta de si!...

Esta é uma das lições mais básicas da nossa existência, e não me parece que conste de nenhum manual escolar.

Gostarmos de nós ajuda a que os outros gostem de nós. Porque é mais fácil, porque é mais simples, porque é mais confortável. E é de conforto que se fala, quando falamos de relações.

Quando alguém gosta de si, esse alguém tem confiança em si, acredita no seu valor, e está mais receptivo a que gostem de si também. Quando alguém não gosta de si, entre medos e inseguranças, não acredita que alguém possa gostar de si também. E quem gosta está constantemente a ser alvo desses medos e inseguranças, a ser questionado, a ser posto em causa. E isso cansa. Cansa muito. Por mais que se goste.

Eu sei que esta frase já foi repetida até à exaustão, mas só agora me fez todo o sentido: para que alguém goste de nós, temos primeiro de gostar de nós mesmos. 

32 anos de vida e só agora pude experienciar o verdadeiro que isto é.

Mais vale tarde do que nunca, dizem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Dos regressos...

De cada vez que regresso aos teus braços, regresso a um aconchego que já não me lembrava que existia. Regresso aos teus braços e a um conforto, a um calor, a um encaixe que tende a ser perfeito. Regresso aos teus braços que se abrem para me receber, que me acolhem, que me puxam para ti e me encostam ao teu peito. Regresso aos teus braços e ao teu cheiro, ao teu toque, às tuas mãos que me prendem. Regresso aos teus braços e peço para nunca mais deles sair.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Do conforto...

Passaste o fim-de-semana a sentir-te desconfortável...

Passei o fim-de-semana fora da minha zona de conforto. A experimentar coisas novas. A fazer coisas que nunca me imaginara a fazer.

Passei o fim-de-semana a ser tirada da minha zona de conforto. Eu, que tanto me fecho no meu mundo, nas minhas rotinas, nas coisas de que gosto.

Passei o fim-de-semana a conhecer sítios novos, sensações novas, músicas novas, dores novas, até.

Passei o fim-de-semana fora da minha zona de conforto, sim. Desconfortável? Nunca.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Das corridas e dos balanços...

Como já aqui referi, 2016 foi, para mim, o ano das corridas. Foi no final de 2015 que participei na primeira prova a sério, e 2016 foi o continuar dessa paixão que surgiu aí.

2016 foi o ano em que eu percebi que gostava mesmo de correr, e a importância que isso tinha para mim.

Eu nunca fui pessoa de fazer muito exercício. Fiz natação durante muitos anos, mais por imposição de Senhor Meu Pai do que por vontade própria, fiz uma ou outra incursão por um ou outro ginásio, mas nunca nada muito consistente.

Ver-me a correr desta forma, e a gostar!, foi uma surpresa para mim e, acredito, para muita gente à minha volta.

Sim, correr é uma moda. Mas se é para ir em modas... Que seja numa moda que me ajude a tirar o rabo do sofá e a fazer alguma coisa pela minha saúde e pelo meu bem-estar (físico e mental).

Agora que 2016 terminou, achei que era a hora de ir registar todas as provas em que participei. Claro que, a esta distância, é possível que me tenha falhado alguma coisa... Mas consta que participei em 20 provas. 20! Foram muitas provas, incluindo a minha primeira meia-maratona (e mais duas, depois dela).

Noto que não fui muito consistente. Houve 4 meses em que não fiz prova nenhuma, 4 meses em que fiz 3 provas, e um mês em que fiz 4 provas (um exagero!).

Aprendi muito em 2016. Aprendi com os erros e sofri com as dores. Percebi que tenho de levar a corrida mais a sério, se quero ter sucesso. Percebi que tenho de levar a corrida menos a sério, se me quero divertir. Percebi que este equilíbrio é fundamental, se me quero manter motivada e focada nos meus objectivos. 

Ao longo do ano, tive muitos altos e baixos. Como na vida. Houve muitas alturas em que questionei tudo e quis desistir, e houve muitas alturas em que me senti profundamente grata pela generosidade dos que me rodeavam, pelos que correram comigo, pelos que me incentivaram e não me deixaram desistir.

Acabei 2016 na São Silvestre de Lisboa, a fazer o meu melhor tempo de sempre numa corrida de 10km, mais uma vez, graças à generosidade de quem teve a paciência de me acompanhar ao longo de mais de metade da prova, puxando por mim, espicaçando-me, dando-me dicas, e obrigando-me a fazer aquilo que eu era perfeitamente capaz de fazer mas de que duvidava.

Os objectivos para 2017 são ambiciosos, não estão ainda inteiramente definidos, e está em cima da mesa a possibilidade de começar o ano a cometer uma grande loucura (ou um perfeito disparate). Mas, mais disparate, menos disparate, o que importa é que 2017 continue a ser um ano de muitas e boas corridas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Do medo... - II


Ou das músicas que tocam aleatoriamente na minha playlist no YouTube e que, de repente, fazem um sentido tremendo. Coincidências?

Do medo...

O medo que me prende, que me bloqueia, que me imobiliza e aperta.

O medo do que pode acontecer. O medo de mais uma queda. O medo de um futuro que me parece tão incerto.

O medo do que já foi. O medo do que passou. O medo do que pode vir a ser, novamente.

O medo que combato. Todos os dias. A toda a hora.

O medo. Que ganha sempre.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Do tempo que é dos balanços...

À semelhança do que fiz em 2015 (aqui) e do que fiz noutros anos (mas que não me apetece ir procurar), achei que fazia todo o sentido, também este ano, fazer um balanço do ano que passou. Queria tê-lo feito na noite da passagem de ano, mas alteraram-me os planos, e só agora aqui consegui vir.

Se 2015 foi um ano muito conturbado, sobretudo no trimestre final, 2016 foi um ano de altos e baixos.

2016 será sempre o ano em que eu aprendi a estar sozinha. 

Foi em 2016 que eu completei um ano inteiro a morar sozinha. E tenho dificuldade em imaginar-me a viver doutra forma.

Foi em 2016 que eu fiz a minha primeira viagem sozinha. E gostei tanto que quero repetir.

Foi em 2016 que eu passei mais tempo sozinha do que em qualquer outro período da minha vida.

Foi em 2016 que eu aprendi a gostar de mim, a cuidar de mim, a preocupar-me comigo.

Mas 2016 foi também o ano em que continuei a cair e a levantar-me. Foi o ano em que eu acreditei e fui desiludida. Foi o ano em que eu tentei e desisti. Foi o ano de questionar e tudo pôr em causa.

2016 foi também, sem sombra de dúvida, o ano das corridas. Foi o ano em que confirmei aquilo que surgiu como suspeita no final de 2015: eu gosto de correr. Faz-me bem correr. E é algo para ficar. Não sei quantas provas fiz em 2016, mas fiz a primeira meia-maratona (e mais duas), e acabei o ano na São Silvestre de Lisboa a fazer o meu melhor tempo de sempre em 10km. E a sensação é indescritível.

Em 2016 eu também decidi voltar a estudar. Começo a achar que, provavelmente, é uma decisão que não me trará aquilo que eu esperava que trouxesse. Mas não me arrependo.

Não menos importante, foi em 2016 que adoptei o Snow. Que me enlouquece, que me deu muita agitação e muitos nervos nas últimas semanas do ano, mas que já faz parte de mim e da minha vida.

Em 2016 não perdi nenhuma das minhas pessoas, ganhei algumas pessoas novas na minha vida, e continuei grata pelo privilegiada que sou.

Não foi um ano extraordinário, mas foi um bom ano. E eu agradeço muito por isso.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Do sítio onde eu estou... Que é o mesmo onde já estive...

Há um ano atrás, mais dia, menos dia, estava no mesmo sítio onde estou hoje.

Assustam-me as semelhanças. Assustam-me as diferenças.

Tento fugir das comparações, mas é mais forte do que eu. Tento pensar que cada dia, é um dia. 

Quero respirar, ter calma, dar um passo de cada vez, manter alguma serenidade no meio desta inquietude. Quero ficar, quero ir, quero caminhar, quero correr. Quero seguir em frente, quero voltar para trás.

Tenho muito medo de estar a viver o mesmo filme outra vez. Exactamente o mesmo filme, dadas as semelhanças. E sei, com cada vez mais certezas, que não aguento passar pelo mesmo outra vez. Cresci, aprendi, tornei-me mais forte e mais resistente, mas não suportaria passar pelo mesmo outra vez.

Se 2015 foi o ano que acabou comigo no fundo do poço, 2016 foi o ano que começou comigo a ir lá parar outra vez.

E eu quero, quero muito, que 2017 seja diferente. Quero um 2017 sereno. Preciso de um 2017 sereno. Só isso.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Das dúvidas matinais...

No livro que vinha a ler esta manhã no comboio, um dos personagens dizia a outra personagem, depois de assinarem o divórcio, qualquer coisa como: Finalmente conseguiste o que querias. Ficar sozinha. 

E eu dei comigo parada durante uns segundos a pensar sobre isto. A olhar para mim e a pensar sobre isto.

É, para mim, inevitável perguntar-me se não é isso que eu quero: ficar sozinha. Por mais que busque companhia, mais tarde ou mais cedo, no fim do dia, eu quero ficar sozinha. Se é o meu destino? Se é a isso que estou condenada? Não sei. Mas é o que, inevitavelmente, acaba por acontecer.

E eu gosto de estar sozinha. 

Começo a fazer planos para a viagem que, eventualmente, farei nos meus anos, e a dúvida é óbvia: sozinha ou acompanhada? E a resposta parece-me muito mais que seja sozinha, do que acompanhada.

Ao mesmo tempo, isto preocupa-me. E se eu não souber mais o que é estar acompanhada? E se eu não voltar a ser capaz de estar numa relação? E se eu estiver de tal forma estragada, arruinada, que não terei mais a capacidade de ter alguém ao meu lado?

Não sei o que me assusta mais: se a perspectiva de ficar sozinha, se a perspectiva de estar acompanhada.

Deixo-me ir. Com o tempo. Com o correr dos dias. Tento não pensar demais. Tento viver. Tento aproveitar. Tento ser feliz. Tento que a vida me dê as respostas de que preciso e que não encontro em mim. Tento não estragar tudo, uma e outra vez.

Mas cansa. Cansa e assusta. E eu volto ao ponto de partida. Fechada na minha bolha. Só um bocadinho. Só mais um bocadinho.