segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Do dia em que fiz uma Meia-Maratona com umas cuecas de homem...

Ontem fiz a minha quinta meia-maratona. Quinta! Ainda me lembro da ansiedade quando fiz a primeira e jamais pensei chegar à quinta. De facto, não era minha intenção participar na prova de ontem, como disse anteriormente. Mas com dorsal oferecido, e com muita e boa companhia, acabei mesmo por ir.

O meu principal receio, como aqui partilhei, era em relação ao calor. A distância não me assustava. O percurso não me assustava. Mas o calor... O calor estava a deixar-me verdadeiramente preocupada!

Eu estava mesmo convencida de que não ia conseguir. Eu estava estupidamente nervosa. Eu achava que não ia aguentar, que me ia sentir mal, que ia desistir (a única prova em que desisti até hoje, foi, precisamente, por causa do calor...). Eu estava com a confiança em níveis mínimos. Eu estava rabugenta (como comentou uma das colegas de equipa que nunca me tinha visto assim e brincou com a situação). Eu não estava mesmo nos meus dias.

Mas chegou a hora e a prova começou. Últimas despedidas e eu deixei-me ficar para trás. A prova começou e eram milhares de pessoas a correr na mesma direcção, cada uma com o seu objectivo, mas todas com o mesmo propósito: chegar ao fim. E eu, sozinha mas tão acompanhada, com a minha música, com o rio infinito à minha volta (e suas centenas de alforrecas gigantes), senti-me emocionada ao passar a placa do primeiro quilómetro. Estava arrepiada, de lágrimas nos olhos, a pensar que estava mesmo ali, estava mesmo a fazer aquilo. Não me canso de o repetir: a generalidade das provas longas são, para mim, viagens ao fundo do meu ser. Talvez por isso não me importe de as fazer sozinha. Ainda que a companhia possa ser muito importante em alguns momentos (lá chegaremos).

Fiz os primeiros quilómetros a sentir-me bem. Na ponte ainda havia algum vento, o que não deixava que o efeito do sol fosse tão forte, e, de quando em vez, alguém em sentido contrário buzinava e batia palmas. A generalidade das pessoas só devia mesmo estar a rogar-nos pragas por estarmos a dificultar o trânsito. Paciência. Eu estava feliz e não queria saber de gente refilona. A subida da ponte fez-se. Devagar, devagarinho, e depois começou a descida. Se há coisa que eu acho que marcou esta prova, para mim, foi a minha tentativa de controlar o ritmo: passei o tempo todo a olhar para o relógio, a obrigar-me a abrandar, mesmo nas descidas. O meu objectivo era muito claro, o meu ritmo estava definido, e eu sabia que era fundamental respeitá-lo, se queria ter alguma hipótese de chegar ao fim. E lá fui correndo. Chegou o quilómetro 6 e o primeiro abastecimento.

A zona do Parque das Nações fez-se bem. Havia alguma sombra, havia gente a aplaudir, havia a divisão da meia e da mini, e é uma zona que conheço bem, pelo que me sentia confortável. Fui tentando puxar por quem via a caminhar. Sem muito sucesso, diga-se.

Ao sair daquela zona sabia que ia começar a doer: acabava-se a sombra, íamos correr muito tempo em alcatrão e o calor começava a apertar. Sabia que aquela era a parte mais difícil mas também sabia que metade da prova estava feita. E bem feita. Foi também nesta zona que havia um abastecimento com fruta. Eu ia do lado esquerdo, onde só havia bananas, e quando olhei para a direita percebi que havia laranjas. Gostava que alguém tivesse filmado o meu ar e a rapidez com que cheguei ao lado direito para me agarrar a dois bocados de laranja! Indescritível! Eu adoro laranjas em provas. São, para mim, a melhor coisa que me podem dar! São frescas, doces, sumarentas, e parece que me dão um boost de energia! E fiquei mesmo feliz quando as vi! Uma pessoa contenta-se com o que pode nestes momentos, não é?... 

No entanto, as minhas adoradas laranjas obrigaram-me à minha primeira e única paragem: a sofreguidão era tanta que me engasguei. Tentei continuar a correr e a tossir, mas acabei por encostar, parar uns segundos para tossir a sério, e depois retomei o meu ritmo. Pouco tempo depois, vi uma corredora desmaiada na beira da estrada. Já estava a ser assistida, mas é sempre uma imagem assustadora e que me dá sempre que pensar. Penso sempre que me pode acontecer a mim, e tenho de me obrigar a ser racional e a não começar a panicar. E consegui. Foi também nesta zona que estava um carro dos bombeiros com um jacto de água, a "dar banho" aos corredores. E soube-me tão, mas tão bem! Acho que entre as laranjas e este pequeno banho, a que se juntou o gel que tomei, comecei a sentir-me realmente bem e a pensar que só faltava um terço da prova.

No entanto, pouco depois, a chegada ao Terreiro do Paço foi... Agridoce. Custou começar a aproximar-me daquela zona e ver tanta gente que já tinha terminado, feliz e contente a comer o seu gelado. Custou não ver nenhuma cara conhecida (a malta do meu grupo já devia ter acabado ou estar a acabar e tinha esperança de os ver), custou pensar que a meta estava já ali e eu ainda tinha de ir ao Marquês e voltar. Mas... Voltou a haver público nas ruas, voltou a haver animação (e pessoas a refilar com a Polícia que não as deixava atravessar a estrada), e eu pensei que só faltavam 4 quilómetros e que isso era um instante. Ao chegar ao Rossio meti conversa com uma corredora de um clube rival do meu nas Corridas das Localidades, mas acabei por lhe dizer que seguisse, porque íamos começar a subir e eu queria resguardar-me. 

Eis que chego aos Restauradores. Mais um abastecimento. E ao sair da Praça e ao começar a subida da Avenida, aparece uma colega de equipa, que tinha ido fazer a Mini e que tinha ido para ali esperar por mim, porque tinha dito que fazia a subida comigo. E eu fiquei tão, mas tão feliz quando a vi! Fiz uma festa enorme e lá fomos nós! Fiz a subida sempre no meu ritmo, a dizer-lhe para ter calma que eu já ia com dezoito quilómetros em cima, mas íamos na conversa, a contar como tinha sido a prova de cada uma, e à procura dos meninos da equipa, que não vimos. Mas vi o João Lima e ainda lhe desejei força! E sim, fiz a subida sempre a correr e na conversa, e ainda com fôlego para refilar com quem ia a caminhar e não tinha o mínimo cuidado de se desviar ou de se organizar, para que quem ia correr não tivesse de andar a fazer verdadeiras provas de obstáculos. O civismo do costume. Nada de novo... 

Quando estávamos a chegar ao cima da Avenida, eu só pedia que não nos obrigassem a dar a volta ao Marquês. É que o raio da rotunda é mesmo grande, é toda ao sol, e eu já não tinha muitas mais forças... Mas não. O retorno era antes da rotunda propriamente dita e, a partir daí, foi sempre a descer. Comecei a descer a medo, sem me soltar muito, mas depois larguei a garrafa que trazia e achei que era hora de dar tudo. E dei. E só pensava em chegar à meta, que nem sabia bem onde era. Obrigam-nos sempre a dar aquela voltinha, em vez de porem a meta no fim da Rua do Ouro!... Uma pessoa vem pela rua fora, vê uns pórticos e acha que é logo ali mas não... Toca de virar à esquerda, depois virar à direita, e depois sim! A meta!

Fiquei muito feliz ao cortar a meta! Dei um abraço à minha colega de equipa e só queria sair dali! Não estava a acreditar que tinha conseguido e que me sentia tão bem! Porque acabei a sentir-me bem. Com muito calor, a devorar o gelado que ofereceram (longe vai o tempo dos Magnums...), a beber muita água, mas a sentir-me bem e feliz. Mesmo tendo feito o meu pior tempo de sempre numa meia. Mesmo tendo feito mais dez minutos do que na mesma prova, há um ano atrás. Eu estava feliz! Eu tinha conseguido e tinha cumprido o meu objectivo: acabar a prova, no ritmo que me tinha proposto. Bom, na verdade, fiz mais um minuto do que era suposto. Mas, na verdade, a prova teve mais umas centenas de metros do que era suposto. Acho que foi ela por ela!

Se custou? Custou. Se pensei desistir? Pensei. Se quando passei na Expo me apeteceu seguir pelo percurso da mini? Apeteceu. Se quando vi a meta no Terreiro do Paço me apeteceu ficar por lá? Apeteceu. Se fiz alguma destas coisas? Não, não e não. Cheguei ao fim. Nem eu sei bem como, mas cheguei.

Ainda tenho as emoções a mil. Ontem passei o dia a sentir-me muito feliz e orgulhosa. E eu não sou destas coisas. Mas ontem achei mesmo que merecia! Quando as expectativas são muito baixas, é fácil sentirmo-nos assim! Hoje continuo a sentir-me bem, com algumas dores nas coxas (olá, contraturas!), e com umas bolhas muito bonitas como nunca antes tinha visto. Mas sinto-me bem. 

Não sei se os 2,5km que fiz a correr para a Gare do Oriente antes da prova me fizeram bem ou não. Mas sei que ter feito 1,5km a caminhar depois da prova, quando saí do metro no regresso, me ajudou. Sei que isto tudo não é o mesmo que fazer um treino de 25km, mas sei que as minhas pernas ontem fizeram muitos quilómetros, e sei que passei muitas horas em pé. E sei que me sinto melhor do que esperava.

Se já me decidi em relação ao Porto? Não. Só depois do treino do próximo Domingo.

Ah! E o título do post? Pois. É verdade. Fiz mesmo. Não dormi em minha casa e preparei o equipamento todo, levei tudo e mais alguma coisa, menos... As cuecas. Na véspera, era meia-noite e meia quando saltei da cama ao lembrar-me disto e pouco depois estava em frente ao espelho a rir-me à gargalhada com as cuecas que o louco mais louco que eu me emprestou. Apesar de não me ficarem muito bem, e de ficarem com algum tecido de sobra, tenho a dizer que eram confortáveis e fizemos uma bela prova juntas. Se alguém quiser experimentar, eram estas da Decathlon.

Também entra para a categoria das coisas que só me acontecem a mim!...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Das inspirações que nos chegam não sabemos bem de onde...

Don't Quit

When things go wrong as they sometimes will,
When the road you're trudging seems all uphill,
When the funds are low and the debts are high
And you want to smile, but you have to sigh,
When care is pressing you down a bit,
Rest if you must, but don't you quit.

Life is strange with its twists and turns
As every one of us sometimes learns
And many a failure comes about
When he might have won had he stuck it out;
Don't give up though the pace seems slow—
You may succeed with another blow.

Success is failure turned inside out—
The silver tint of the clouds of doubt,
And you never can tell just how close you are,
It may be near when it seems so far;
So stick to the fight when you're hardest hit—
It's when things seem worst that you must not quit.

by
John Greenleaf Whittier


(deparei-me com este poema no início desta semana, e achei que era muito, muito apropriado...)


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Das corridas... - XXXVII

Domingo passado era para ter escrito aqui um post a dizer que tinha desistido daquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar.

No Domingo tinha planeado um treino de 22km. Cheguei de férias no Sábado e estava entusiasmada e motivada para fazer o treino. Mas também estava doente. O despertador tocou às 7h25 (sim, no meu último dia de férias...), eu levantei-me, fui beber água e avaliar o meu estado. E voltei para a cama de lágrimas nos olhos (a malta que não é maluquinha da corrida escusa de ler o resto). Sentia-me demasiado mal. Além de toda entupida, que era o mal menor, sentia dores no peito quando respirava ou tossia. Por muito que me custasse, sabia que era, no mínimo, um grande disparate pôr-me a fazer um treino de 22km. Emoção e razão debateram-se e eu voltei para cama.

Voltei para a cama com a clara noção de que não fazer aquele treino era, provavelmente, não fazer aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar. E, por isso, a vontade de chorar era mesmo muita e eu parecia uma tolinha. E era sobre isso que queria ter escrito Domingo.

Mas não o fiz porque não quis fechar logo essa porta. Não fui capaz. Não sou capaz. Eventualmente, vou ter de fazê-lo. Mas já não é possível mudar o nome do meu dorsal, e tenho até dia 31 para cancelar a reserva do hotel sem custos, por isso, tenho mais uns dias para me obrigar a isso.

Domingo é a Meia da Ponte Vasco da Gama. Tenho dorsal. E tenho dorsal porque o ganhei. Não me tinha inscrito e não era minha intenção fazê-la. A bem da verdade, continuo sem saber se é minha intenção fazê-la.

Mais uma vez, o meu cérebro chocalha e eu não sei o que fazer. No Domingo queria fazer 24/25km. E podia aproveitar a meia para isso. Mas vão estar 30 graus nesse dia. E eu e o calor, já se sabe... Agora estou na dúvida entre, efectivamente, ir fazer a meia, voltando para trás algures no percurso para conseguir fazer uns km a mais, ou não ir à meia, acordar pela fresca, e fazer o treino que é suposto fazer.

Se, por um lado, o calor me assusta, por outro, sei que o ambiente de prova ajuda, sei que os abastecimentos ajudam, sei que é tudo muito diferente e que me ia ajudar a perceber melhor como me sinto, de facto.

Da malta do meu subúrbio vai um grupo considerável (ainda que eu seja a única menina a ir para a meia...), vai o louco mais louco que eu que me tem acompanhado nesta minha loucura, e vão muitas outras caras conhecidas. Assusta-me o calor, mas agrada-me a festa que vai ser. Eventualmente nas próximas 48 horas, hei-de tomar uma decisão.

E desse lado, quem vai? É desta que conheço mais umas caras que por aqui andam? Sim, eu sei, são milhares e milhares de pessoas e é a maior confusão mas... Nada é impossível! Que o diga o N., que o ano passado mal a prova começou, fez questão de me ultrapassar! Quem é que me vai ultrapassar este ano?


domingo, 8 de outubro de 2017

Das férias...


As férias correram bem e souberam ainda melhor!

Andei por Amesterdão, Bruges, Genth e Leiden, numa semana que passou a voar. Espero ter tempo em breve para vir deixar algumas fotos e comentários sobre os sítios por onde passei mas, no geral, recomendo muito!


Ainda não me pesei mas devo ter engordado... Ou talvez nem tanto, considerando o quanto caminhei e o facto de ter ficado doente (com uma constipação muito simpática), o que me tirou (algum) apetite.

E este calor por cá? Uma pessoa sai do avião com três camadas de roupa e um casaco, toda fungosa, e encontra um calor insuportável!...

A vontade de ir trabalhar amanhã não é nenhuma e ia mesmo era para a praia...

Boa semana a todos, e volto em breve com coisas que realmente importam!

domingo, 1 de outubro de 2017

Das corridas... - XXXVI

Quem é que hoje fez o primeiro treino de 18km? A Agridoce!

Quem é que hoje se vomitou toda quando parou o carro à porta de casa depois do dito treino? A Agridoce!

Quem é que acha cada vez mais que o Porto não é uma boa ideia? A Agridoce!

Quem é que, ainda assim, vai de férias amanhã e leva os ténis com esperança de conseguir correr? A Agridoce!

(A bipolaridade por aqui intensifica-se... Começo a achar que sou fisicamente incapaz de fazer aquilo a que me propus... Veremos!)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Das corridas... - XXXV

Estou viva.

Tenho treinado alguma coisa mas não o suficinte.

Já refiz o plano daquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar pela enésima vez. Agora já não tenho margem para mais alterações. Agora é mesmo para seguir à risca.

Tenho treinado mais regularmente e isso vê-se nos resultados. E nas contraturas. E nas dores.

Tenho cada vez mais dúvidas sobre se vou ser capaz. E são dúvidas muito realistas e não dúvidas fruto de inseguranças tontas. Todos nós sabemos a importância do treino. E todos nós sabemos que sem treino, não há milagres. E a verdade é que eu não treinei, e já não vou a tempo de treinar, aquilo que devia.

Ainda não perdi a esperança. Ainda não baixei os braços. As próximas semanas vão ser decisivas para perceber como é que o meu corpo reage ao aumento da carga. Resta-me cuidar dele, descansar, comer bem, dormir melhor, e esperar que ele se aguente.

Sem demasiadas expectativas e com a consciência muito clara de que isto tem tudo para correr mal.

Pelo sim, pelo não, já ando a ver de sítios onde ir fazer massagens desportivas, pois desconfio que vou precisar algures no processo.

As bolhas continuam a ser as minhas fiéis companheiras e a minha relação com os Vomero melhorou substancialmente (já levam 120km). O problema é, claramente, meu.

Estava inscrita no Trail das Dores e não fui. Foi a primeira vez que fiz tal coisa. E estive indecisa até aos últimos dias. Mas ralharam tanto comigo, que não fui. Nem à Corrida do Tejo fui. Peguei em mim e fiz um treino calmo, sozinha, de 12km pela Expo. Numa fase tão crítica do meu treino, desperdiçar um Domingo a fazer um trail de 17km que me ia deixar cheia de dores era, no mínimo, parvo. E eu já não tenho muito tempo para decisões parvas.

Não tenho muito tempo para nada, aliás. Novembro está já aí!... Não sei como. Mas está.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Do meu estado actual...

Por aqui estamos (continuamos?) em modo caos total. Emocional, físico, no trabalho, em casa. Em tudo. Ou em nada. Que eu gosto mesmo é de dramas.

A minha vida mudou muito e eu tenho cada vez menos tempo. E vontade, talvez. Hoje, finalmente, dei uma passagem rápida pelos blogues vizinhos. E escrevo aqui meia dúzia de linhas quando já devia mesmo era estar a dormir porque amanhã acordo cedíssimo e ando a dormir de menos há duas noites.

Tenho corrido. Não tanto quanto devia, mas mais do que nos últimos meses. Voltei ao ginásio. Por pouco tempo, provavelmente.

Este fim-de-semana vai ser passado algures fora de Lisboa. Não faço ideia onde.

Daqui a 18 dias estarei em Amesterdão. Só agora é que fui olhar para o calendário e percebi que falta pouco. Muito pouco. Tenho zero pensado e/ou planeado. Dicas imprescindíveis?

Ando a questionar demasiada coisa na minha vida. E isso não é bom.

O Porto está quase aí e é outra das coisas que eu questiono.

Continuo a agarrar-me às pequenas coisas, às minhas pessoas, ao sortuda que sou. 

Tenho pesadelos noite sim, noite não. Acordo a chorar. Sinto falta de ar. Mas sou feliz. E choro por ser feliz.

Já disse que eu gosto mesmo é de dramas?


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Das notas soltas...

Custou sair do antigo emprego.

As férias correram bem, com direito a um intervalo de dois dias para vir a Lisboa ao jantar de despedida do antigo emprego (meu e de outra colega que saiu ao mesmo tempo). Dei mergulhos, comi muito, descansei, dormi, e até corri!

Já comecei no novo emprego segunda-feira. Ainda é cedo para falar. Talvez volte a esse tema um dia destes.

Está a custar-me adaptar-me ao novo horário, à nova logística, à nova rotina. O ginásio ficou esquecido. Estou a tentar não esquecer a corrida.

Espero conseguir acalmar em breve. E voltar a dar vida a isto.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Das perguntas que me fazem...

Toda a gente me pergunta se estou entusiasmada.

Não sou capaz de responder afirmativamente.

Não sou. 

Talvez por ser sempre pouco efusiva. Talvez por ser sempre cautelosa. Talvez por ser aquela que analisa sempre todos os cenários mil e uma vezes, incluíndo os piores.

Não consigo sentir-me entusiasmada. Foi tudo muito rápido. É tudo demasiado assustador.

Estou a largar um daqueles empregos estáveis, seguros e confortáveis, que não me daria muitas chatices e que duraria a minha vida toda, se eu assim o quisesse.

Estou a atirar-me de cabeça para o desconhecido, para o incerto, para o inseguro.

E isso é assustador. Muito. Não me posso esquecer que, no fim de cada mês, sou só eu e as minhas contas para pagar (e as do Snow, já agora). Não me posso esquecer de todas as histórias que conheço de desemprego e de vidas que deram voltas tremendas. Não me posso esquecer de todos os riscos que estou a correr.

Não estou entusiasmada.

Ainda não me caiu bem a ficha.

Ontem caiu um bocadinho mais. Ontem, quando soube que sexta-feira é o meu último dia no actual emprego, as coisas começaram a tornar-se reais. Estava mentalizada para ainda trabalhar a próxima semana, até dia 31. Estava mentalizada para não ter férias, para ainda ter mais uma semana para fazer as despedidas, para deixar a casa arrumada. Mas não. Faltam dois dias e meio de trabalho. Ontem começou mesmo a cair a ficha.

Mas ainda não estou entusiasmada.

Lá para dia 3 à noite, quando tiver de pensar no que vestir no dia seguinte, talvez me dê o entusiasmo.

E nos dias seguintes. E em todos os que se seguirem a esses durante muito tempo. Espero eu.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dos sítios onde volto... Uma e outra vez...

Sou (pareço) forte. Finjo que está tudo bem, que as ideias estão arrumadas, que os fantasmas desapareceram. Mas não está tudo bem, as ideias estão confusas, os fantasmas espreitam sempre que abro a porta do armário.

Há feridas que ficam, cicatrizes que não desaparecem, sombras que nos perseguem no correr dos dias. Quando menos esperamos.

Há pequenas coisas que insistem em recordar-nos da nossa fragilidade, dos nossos medos, das nossas inseguranças.

Por mais que o tempo passe, há partes de nós que jamais serão reconstruídas. Que não mais se ergueram dos escombros. Que vão sempre lembrar-nos do que já foi, do que já passou. Mas que se cola e arrasta a nós. Que nos puxa para baixo. Que não nos deixa seguir em frente, nisto a que chamam vida.

Embora raros, ainda são alguns os dias que custam a passar. Os dias que queremos esquecer. Os dias que existem, apenas e só, para nos lembrar que somos apenas humanos.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Das coisas que me acontecem...

Na segunda-feira ao final do dia lá fui eu para mais uma aula no ginásio. A primeira a que fui sozinha! Ia animada, a coisa estava a correr bem, até que a minha coxa direita começou a dar sinais de vida. E eu deixei de conseguir fazer todo e qualquer movimento que implicasse a extensão dessa zona sem dor... 

Já não é a primeira vez que este meu amigo músculo se manifesta. Volta e meia, faço ali uma contractura. Não é nada demais e deve ir ao sítio com algumas massagens (abençoado rolo da Decathlon!) e, eventualmente, algum repouso.

Mas, por ridículo que possa parecer, o meu desespero foi imenso. Assim ao nível de ficar de lágrimas nos olhos. E não era só das dores. Qualquer pessoa que pratique desporto sabe o horror que são as lesões. Sabe o que custa ter de parar. Sabe a frustração que é termos de ceder ao nosso corpo e às suas necessidades, pondo de lado os nossos planos e objectivos. E eu sentia-me mesmo desesperada.

A aula continuou, as dores continuaram, eu alonguei e alonguei e alonguei, e fui para casa com dores.

Como se isto não bastasse para me fazer sentir super animada, achei que tinha de acabar o dia de forma ainda mais espectacular. Como? Levando com 4 ou 5 pratos na testa. Sim, na testa. Foram caindo do armário, um por um, e foram acertando na minha testa, um por um. Resultado? Três galos muito vistosos e dores na testa de cada vez que me rio ou que franzo o sobrolho.

Na altura não achei piada nenhuma, obviamente, mas fiquei com pena que o momento não tivesse sido filmado porque aposto que seria um vídeo de sucesso por essas redes sociais fora.

Esta vai para a lista das coisas que só me acontecem a mim...

Das corridas... - XXXIV

Então e os Vomero 12?

Continuam lindos. É um facto. Mas não nos estamos a dar muito bem. É outro facto.

Fiquei mesmo com os 36 1/2. Depois de muitas experiências e indecisões, achei que mais valia arriscar ficarem grandes, do que pequenos. 

E já fui correr duas vezes com eles! Na primeira, fiz 4km. Não deu para mais. O sofrimento era demasiado. Primeiro, porque estavam demasiado apertados. Eu tinha tanto receio que fossem demasiado compridos, que os apertei em demasia, e ao fim de um quilómetro, tive de parar para os alargar porque tinha os pés dormentes. E a coisa melhorou. Durante quinhentos metros. Depois, comecei a sentir os pés a arder (não consigo descrever melhor do que isto), e já só queria chegar ao carro. "Mas queres ir a caminhar?", perguntaram-me. "Não, quero é correr e despachar isto o mais depressa possível!", respondi. Foi muito, muito mau. Não me lembro de alguma vez ter sentido os pés tão desconfortáveis.

Estão a imaginar o meu desconsolo? Os meus ténis lindos a darem-me cabo dos pés?... Pior, quem estava comigo também estava a estrear uns ténis novos e estava a ter a experiência completamente oposta: perfeitos, assentavam que nem uma luva, super leves, zero queixas... 

Mas... Eu não podia desistir, certo? Dois dias depois lá fui eu outra vez. Já há algum tempo que não corria sozinha e estava com algum receio de novo desconforto, mas lá fui. Não foi muito melhor e só consegui fazer 6km. Não só por causa dos ténis, mas também. O pior foi a vontade de vomitar durante 90% do tempo. Não vão correr duas horas depois de saírem do cinema onde estiveram a enfardar pipocas como se não houvesse amanhã. Fica a dica.

Tirando isso, o pé esquerdo já se aguentou melhor, mas o direito ainda precisa de mais uma afinação nos atacadores, porque ainda me ardeu bastante. É continuar a insistir e havemos de chegar a um entendimento. Espero eu.

O que é que eu posso dizer mais sobre os Vomero 12? Que, tirando o meu problema pessoal com eles, são pequenas pantufas, super confortáveis, e com amortecimento que nunca mais acaba... Também são muito silenciosos. Deixei de me ouvir a correr. O que não é exactamente relevante para aferir a sua qualidade, mas não deixa de ser interessante.

Hoje vou ver se tenho coragem para fazer mais um treino com eles e vamos ver como corre!

sábado, 12 de agosto de 2017

Do passado e do presente e do futuro...

Lembram-se disto? Acabei por abri-la, claro. E hoje, quando andava em arrumações da caixa de email, voltei a lê-la. E apeteceu-me partilhá-la. Só porque sim. Só porque o que disse a mim mesma, pode fazer sentido para mais alguém, apesar de sentir que baixou em mim o Gustavo Santos. Espero que aguentem.

A carta foi escrita a 21 de Junho de 2016, e na altura de a enviar para o futuro, optei por enviá-la para daí a um ano - 21 de Junho de 2017, portanto.


Dear FutureMe,
Ao escrever-te esta carta estava, novamente, numa encruzilhada. Os últimos 8/9 meses tinham sido particularmente caóticos. Tinhas saído de uma relação longa, entrado noutra que acabou rapidamente, passado algum tempo sozinha, e, naquele momento, não sabias o que fazer.
Independentemente do que tenhas decidido na altura, quero que nunca te esqueças que não faz mal estar sozinha. Por mais que a sociedade nos diga o contrário, a verdade é que estar sozinha é igualmente bom. Ou melhor, em algumas coisas. Certamente pior noutras, também.
Mas nunca te esqueças das coisas boas que viveste sozinha. Não te esqueças da satisfação de arranjares a tua casa e montares o teu sofá sozinha. Não te esqueças do que sentiste em Praga quando, pela primeira vez a viajar sozinha, achaste que tinhas força para dominar o mundo. Não te esqueças do sentimento de liberdade, da falta de compromissos, regras e horas. Não te esqueças do tempo que tiveste para ti e para te dedicares às tuas coisas. Não te esqueças de tudo o que aprendeste sobre ti e do quanto cresceste.
Quer estejas sozinha ou acompanhada agora, que essa decisão seja serena e muito consciente. Que nunca na tua vida voltes a estar com alguém porque é a coisa certa a fazer ou por não quereres estar sozinha. Que só dês a alguém a honra de estar ao teu lado, se essa for a pessoa certa para ti, a que te acrescenta e te faz crescer. Não a que te completa, porque tu não precisas de ser completa. Tu és completa. Há um ano atrás, hoje e daqui a um ano. Tu és quanto baste.
Nunca te esqueças que és tu que tens de te fazer feliz. Não esperes pelos outros para isso. Os outros podem ajudar mas não podem viver por ti. Os outros não podem ser felizes por ti.
Vive. Sozinha. Acompanhada. Como quiseres. Mas vive e sê feliz!


E, um ano depois, eu vivo e sou feliz!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Das corridas... - XXXIII

Pois que comprei os ténis mais giros de sempre.

Pois que estou com dúvidas em relação a eles.

Não sei se comprei o tamanho certo... Nunca usei Nike e estou muito indecisa. Normalmente, uso o 36. Mas, neste caso, comprei o 36 1/2. Sinto os 36 demasiado justos no peito do pé, mas tenho receio que o 36 1/2 seja demasiado comprido. Já experimentei, voltei a experimentar, andei a correr pela casa fora, já fui a duas lojas da Nike experimentar os dois tamanhos, e não sei o que fazer...

Eles são tão giros!... Mas e se não for o tamanho certo?

Malta da corrida desse lado: algum truque? Alguma dica? Experiências com Nike e seus tamanhos? Mais vale mais comprido do que curto (estamos a falar de ténis, não se esqueçam!)? Quais os problemas que podem surgir se for demasiado comprido?

Estas coisas são uma grandessíssima treta, porque acho que só depois de correr algum tempo com eles é que percebemos, realmente, como nos sentimos...

Decisions, decisions...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Do ginásio... - I

Creio que corria o ano de 2011 quando eu fui ao ginásio pela última vez. Há seis anos, portanto.

A minha relação com os ginásios até aí tinha sido sempre muito intermitente e nunca muito duradoura. Sempre achei que os ginásios não eram para mim.

Mas, algures em 2016, achei que precisava de fazer algum reforço muscular, para complementar a corrida e poder evoluir. Ainda cheguei a ver ginásios, mas continuei a achar que não era para mim. Foi nessa altura que descobri os treinos funcionais ao ar livre. Treinei durante seis meses com os Outsiders Gym (que recomendo!) e, ao fim-de-semana, volta e meia ainda fazia um treino com a Fhit Unit (treinos gratuitos ao Sábado e Domingo de manhã na praia de Carcavelos - que também recomendo!). E gostava. E vivia feliz ao ar livre.

Até que me meti no Mestrado. E as coisas começaram a apertar. E em Dezembro passado fui forçada a desistir. E assim fui andando. E correndo, diga-se, nas (poucas) horas vagas.

Mas sabia que, se quero cumprir o objectivo a que me propus em Novembro, o treino de reforço muscular é importante. E, volta e meia, lá pensava nisso. 

Assim que acabou o Mestrado, decidi que era a altura certa. E, aproveitando a boleia de uma colega e amiga, inscrevi-me num ginásio.

Já fui três vezes. Em duas semanas, não é mau. E só não fui quatro porque, no estado de cansaço mental em que ando, num dos dias preparei tudo mas esqueci-me da mochila no carro. O meu ar quando, já em pleno comboio, me apercebi disso, deve ter sido maravilhoso...

Se estou a adorar? Não. Se tenho muita fé nesta relação? Não. Mas, para já, ainda não estou a detestar. Consigo ver ali algumas vantagens, consigo achar alguma piada às aulas, e tenho esperança de me entusiasmar quando começar a ver resultados.

O verdadeiro teste vai ser nas próximas duas semanas: a amiga que tem ido comigo vai estar de férias e eu vou ter de ir sozinha. Será que vou?...

O segundo teste vai ser quando mudar de emprego (e de horário), e se tornar mais difícil ter companhia para ir. Será que vou continuar a ir?...


Não percam o próximo episódio, porque eu também não!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Das corridas... - XXX

Já a pensar naquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar, andava à procura de uns novos companheiros de treinos. Tenho os meus Saucony e gosto muito deles, mas sabia que precisava de mais um par, porque não podia esperar que eles aguentassem todos os treinos e ainda a prova propriamente dita.

Depois de ler mil artigos e reviews, estava muito inclinada para os Pegasus 33 da Nike. Tão inclinada que já os tinha estado a ver no El Corte Inglés no fim-de-semana e ontem andei a experimentar os Pegasus 34 na loja da Nike à hora de almoço. A ideia era encomendar os 33 online, por um preço óptimo.

Mas... Encontrei estes meninos e perdi-me de amores.


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São lindos. São cor-de-rosa (ou coral ou cor de salmão ou o que raio lhes queiram chamar que a mim tanto se me dá porque são lindos e eu estou apaixonada por eles). E são os Vomero 12. Então mas não eram os Pegasus? Eram. Mas não resisti a estes. São da gama acima e a diferença de preço foi irrisória. Ter um pé pequeno tem as suas vantagens: encontrei online na SportZone um único par perdido no meu número e com 50% de desconto sobre o preço inicial. Não consegui deixar passar a oportunidade.

Então e tens corrido? Não. Claro que não. Mas é desta. Com uns ténis destes, ninguém me vai parar!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Das coisas giras que descobrimos...

A propósito do recente processo de recrutamento, e logo na primeira entrevista, fizeram-me uma pergunta que me deixou a pensar. Perguntaram-me que duas ou três palavras os meus colegas utilizariam para me descrever. Eu, que estava zero preparada para a entrevista e que nunca tinha pensado nisso, lá inventei qualquer coisa e usei duas palavras que já ouvi a minha chefe usar para se referir à minha pessoa: organizada e focada. Também disse que, em tom de brincadeira, os meus colegas me chamam a Nazi da ortografia. Pelos vistos, devem ter gostado.

Mas, obviamente, fiquei a pensar nisto. De volta ao trabalho, perguntei a dois dos meus colegas do quarteto fantástico do qual faço parte (o outro elemento estava de férias), que resposta dariam a esta questão. Eis o que responderam:

- íntegra, exigente e metódica (colega 1);
- minuciosa, trabalhadora e ponderada (colega 2).

Ali o minuciosa foi descrito como "forma simpática de dizer que és picuinhas". E sou.

Confesso que me surpreendeu ali o íntegra. É algo que não é tão fácil assim de transmitir mas gostei muito de saber que me vêem assim. Tudo o resto, não foi exactamente novidade.

Já pensaram sobre isto? Perguntem lá aos vossos colegas e depois venham cá partilhar as respostas!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Das decisões que eu tomo... - II

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É um bocadinho este o mood geral por aqui.

Estou assustada. Muito. Mas talvez seja mesmo uma coisa boa.

É sempre assustador sairmos da nossa zona de conforto, da nossa segurança, do que já conhecemos, do que temos como certo e garantido.

Ainda não contei a muitas pessoas à minha volta. Algumas ficam surpreendidas, outras preocupadas, outras felizes. Um pouco como eu própria me sinto, talvez.

Toda a gente à minha volta já sabia que eu queria mudar de emprego. O investimento tremendo que fiz no Mestrado foi, naturalmente, com esse objectivo. No entanto, nem eu própria esperava que fosse tão rápido e que acontecesse já.

Eu fui respondendo a anúncios nos últimos tempos, mas de forma pouco consistente e sem me dedicar muito a isso. O meu plano era, depois de acabar o Mestrado (o que aconteceu Domingo passado com a entrega do trabalho final), gozar as minhas férias no fim de Agosto, recarregar as baterias e, em Setembro, dedicar-me afincadamente a encontrar alguma coisa nova.

Mas, quis o destino (isso existe?) que eu respondesse a um anúncio no LinkedIn, daqueles que é só carregar num botão sem pensar muito nisso, sabem? Nunca pensei que desse em nada. Ligaram-me dois dias depois. E a seguir foi o que se soube. Acabei por não relatar o processo todo, que foi relativamente rápido mas com três entrevistas, algumas conversas telefónicas e emails, e várias propostas. Anteontem disse que aceitava a última proposta que me fizeram, porque finalmente me deram aquilo que para mim era essencial. Ontem entreguei a carta de rescisão.

E não foi uma decisão fácil. Se, por um lado, queria muito sair, por outro, tinha muito medo de me estar a precipitar ao aceitar a primeira coisa que me apareceu. Mas talvez seja mesmo assim. Talvez não precisemos de passar por vários processos de recrutamento. Talvez a coisa corra bem à primeira. Talvez.

Ainda está tudo muito incerto. Ainda não sei bem quando se dará a troca, ainda não sei se conseguirei ter férias (e o quanto eu preciso de férias, senhores!), ainda não sei quase nada.

Sei que, ainda hoje, tenho dúvidas. Muitas dúvidas. Muito medo. Mas é acreditar e seguir em frente!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Das decisões que eu tomo...

Um dia vais entregar a carta de rescisão.

Hoje é o dia.


(e não fui correr...)

Das corridas... - XXIX

Hoje, algures no Facebook, cruzei-me com uma publicação a anunciar a Meia-Maratona dos Descobrimentos. E não pude deixar de sorrir.

Fiz esta prova o ano passado. Ainda hoje me refiro a ela como a pior prova que já fiz. Porque foi e nunca me vou esquecer dela.

Jamais me passaria pela cabeça voltar a fazê-la, até porque o foco no último trimestre vai ser aquele que se sabe.

Mas dei comigo a reler o que escrevi o ano passado, a decisão de desistir de Sevilha, tudo o que aprendi e a lição que dali tirei, e a pensar naquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar, com a certeza de que vou fazer diferente. Tenho de fazer diferente.

E é hoje é dia de mais um treino, já agora.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Dos últimos desenvolvimentos... - II

O Mestrado está feito. O trabalho final até foi entregue um dia antes do prazo. Onde é que já se viu tal coisa?... Agora é esperar pelas notas que faltam. Mas foi muito, muito bom poder fechar esta porta. Estava verdadeiramente cansada.

E o que é que eu fiz na minha primeira terça-feira sem aulas? Fui correr, pois claro! Já não ia há quase três semanas e consegui juntar-me com duas meninas da equipa do meu subúrbio. E foi tão bom! Já não nos víamos há uns tempos, já estávamos todas há imenso tempo sem treinar, e deu para voltar a mexer as pernas e pôr a conversa em dia.

Já fui à primeira aula no ginásio novo e hoje vou à segunda. Hei-de voltar a este tema.

Hoje tomei uma decisão final quanto à mudança de trabalho. Hei-de voltar a este tema.

Todos os dias questiono a decisão que tomei segunda-feira. Bom, também só passaram dois dias. Mas questiono-me. Muito.

Que os tempos que se aproximam me tragam forças. Muitas forças. Que eu vou precisar!


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Das corridas... - XVIII


É oficial. Estou inscrita. Por ridículo que pareça, não consigo descrever o quão nervosa estava enquanto preenchia os dados e carregava na confirmação. É muito giro falar disto a quase quatro meses de distância. Fazer, efectivamente, a inscrição, é toda uma outra conversa.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Dos últimos desenvolvimentos...

Do potencial novo emprego: nova reunião para me apresentarem proposta. Não gostei particularmente. Fiz há pouco uma contra-proposta. Ficaram de fazer contas e dar resposta até segunda-feira.

Tudo isto é muito novo para mim. Nunca estive nesta situação de negociar condições. De recusar, de pedir mais e melhor, de ficar à espera de nova proposta. Tudo isto é muito estranho para mim. 

O projecto parece-me interessante mas, naturalmente, quero garantir algumas condições mínimas de segurança. Não me posso dar ao luxo de me atirar de cabeça para qualquer coisa. Eu sei que tenho valor. Eles sabem que tenho valor. Vamos ver se chegamos a um equilíbrio.

O Mestrado está quase, quase despachado. A apresentação de ontem correu bem, recebeu diversos elogios, e agora é acabar o trabalho escrito, que pode ser entregue até segunda-feira (descobri entretanto que não é até domingo, como eu julgava...).

À hora de almoço fui visitar o meu futuro ginásio e diz que segunda-feira vou fazer a minha primeira aula logo às oito da manhã.

Tenho a sensação que para a semana começo uma vida nova. Sem aulas, com tempo livre, com ginásio, com o regresso à corrida e, quiçá, com um emprego novo.

2017 é mesmo um ano de mudanças. E das boas!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Das corridas... - XXVII

Faltam 100 dias. 100.

E eu não corro há duas semanas.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dos Mestrados e do mais precioso que a vida tem...

Se não me tiverem trazido mais nada, estes dois mestrados (o que fiz e o que acabo daqui a 4 dias), trouxeram-me algo que não tem preço: pessoas.

Uma das minhas melhores amigas veio do meu primeiro mestrado. É a minha outra metade, de tão diferentes e parecidas que somos. Já no mestrado, eu era a arte antiga, ela a arte contemporânea. Eu sou a capitalista, ela a comunista. Eu sou a princesa comodista, ela a prática e despachada. No feitio? No feitio somos iguais. As mesmas indecisões, os mesmos dramas, os mesmos medos. Ela é ligeiramente mais nova, o que só por si não quer dizer nada, mas, neste caso, quer dizer que eu tenho uma visão mais fria e racional da vida. Ela é mais sonho, mais utopia. Ela acredita num mundo melhor. Eu, nem sempre.

Deste segundo mestrado, tenho os meus dois colegas de grupo. Começámos quatro. Expulsámos um elemento entretanto. E, agora, não temos dúvidas de que somos, de longe, o grupo que melhor se entende e que melhor trabalha em conjunto. Trabalhamos quando temos de trabalhar. Rimos muito, quando queremos rir. Eu sou a stressadinha, a chatinha, a picuinhas. A que quer sempre rever mil e uma vezes todos os pontos e vírgulas. A que pede para alterar coisas de véspera, fazendo o meu colega desesperar e achar que sou louca. Mas tem uma paciência de santo e altera o que eu peço. Uma e outra vez. O terceiro elemento é a nossa mãezinha. Quem nos equilibra, quem gere emoções, quem é mais diplomática e para quem está sempre tudo bem. Temos uma dinâmica muito nossa e isso vê-se no nosso trabalho. Vai ver-se amanhã, quando apresentarmos o nosso projecto final, num auditório cheio de gente.

E, mais uma vez, eu sou uma sortuda. Canudos, dinheiro, casas e carros, valem o que valem. As pessoas. As pessoas é que importam.