sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Das coisas que eu não te peço...

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Não por não desejar que fiques. Mas por ter aprendido, com a vida e com o tempo, que só devemos ter na nossa vida, aqueles a quem não precisamos de pedir que fiquem.

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Mas tem a grandeza de ver mais além e de ver em mim que apenas o faço para ter a certeza de que ficas porque é esse o teu desejo. 

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Mas não duvides em momento algum de que é isso que quero.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Das coisas em que eu me meto...




O percurso, que liga a Vila de Sintra ao Cabo da Roca, atravessa a Serra de Sintra em toda a sua extensão, pelo que se adverte para o facto de se tratar de um percurso sinuoso, desgastante e tecnicamente difícil.



Daqui a exactamente dez dias a esta hora, supostamente, já terei acabado esta corrida

Olho para a altimetria, olho para o percurso, leio o que diz no regulamento, e só me apetece chorar. Por que raio é que eu me inscrevi nisto?... Não me sinto minimamente preparada, não treinei o suficiente, e sei que vão ser 17km de sofrimento. Já disse a quem me convenceu a inscrever-me (há mais de três meses atrás), que vou passar a prova a rogar-lhe pragas. A resposta é sempre a mesma: no final, depois da vista que vais ver, vais agradecer-me.

Sim, toda a gente me diz que é uma prova lindíssima, das mais bonitas que se pode fazer. Eu sei. Mas também muita gente me diz que é uma prova difícil e dura. E eu sei que não estou preparada. E eu sei que ando numa fase lontra. E eu sei que a minha vida anda o caos (entre trabalho, faculdade e vida pessoal) e não tem sobrado muito tempo para corridas e treinos.

Tirando a primeira meia-maratona, nunca me senti com tanto receio e tanta insegurança em relação a uma prova. Espero, mas espero mesmo, que não passem de disparates e inseguranças desta cabeça tonta.

Até já, Fim da Europa!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Do que eu te devo...

Este aperto que sinto no peito, este vazio, esta ânsia, este contar os minutos para voltar a estar nos teus braços sem saber ao certo quando (se) isso vai voltar a acontecer, este desnorteio que domina os meus dias, esta sensação de estar perdida sem saber onde me encontrar, este estar não estando, este viver sobrevivendo... A ti os devo. Só a ti.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Do primeiro objectivo de 2017 que eu deixo cair (e ainda só passaram 17 dias)...

Corria o final de 2016 quando me deparei com este post.

Li-o e reli-o. Voltei a ele várias vezes. E, de repente, fez-me todo o sentido.

Eu nasci nos Açores. Naquela ilha. No dia 29 de Fevereiro. Não vou lá há mais anos do que aqueles que gostaria de me lembrar. E, de repente, acreditei que tudo se alinhava para que eu lá regressasse, na altura dos meus anos, para (re)descobrir a minha ilha, de uma forma que me fazia todo o sentido.

E comecei a ver vôos, e a marcar hotéis (just in case...), e a pensar seriamente sobre o assunto.

O problema? Eu nunca tinha feito trail. Falei com quem percebe do assunto, fui fazer um treino a Monsanto, voltei a falar com quem percebe do assunto e ganhei juízo.

Por muito que me custe, e custa mesmo, tenho de admitir que seria um disparate e pouco mais do que um capricho de menina mimada. Não faz sentido. Se há coisa que não devemos fazer nunca, é fazer uma prova para a qual não estamos preparados. Sobretudo, se falamos de trail - e que implica questões de segurança bem mais complexas do que numa corrida de estrada.

Foi assim que aquele que era o primeiro objectivo de 2017, ficou de lado. Temporariamente, apenas. Talvez entretanto me dedique ao trail. Talvez em 2018 vá concretizar este sonho. Talvez não. Já que um dos objectivos de 2017 é regressar aos Açores, e esse objectivo não ficou de lado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Dos dias que correm...

Passo os meus dias na ânsia de receber um sinal teu. Uma mensagem, um telefonema, um qualquer gesto que me diga que te lembraste de mim. Alimento-me das migalhas que não te dignas sequer a dar-me, mas que vais deixando cair quando te cruzas comigo em constante alvoroço. Vivo da esperança de conseguir juntar migalhas suficientes para ter algo a que me agarrar. Acredito que esse dia chegará e é isso que me move, dia após dia. Tão-só isso.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Da minha palavra do ano...

e·mo·ção 
(francês émotion)
substantivo feminino
1. Acto de deslocar.
2. Agitação popular. = ALVOROÇOCOMOÇÃOTUMULTO
3. Perturbação moral. = COMOÇÃO
4. [Psicologia Conjunto de reacçõesvariáveis na duração e na intensidadeque ocorrem no corpo e no cérebrogeralmente desencadeadas por um conteúdo mental
"emoção", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/emo%C3%A7%C3%A3o [consultado em 12-01-2017].

É esta a minha palavra para 2017: emoção. Aquilo que eu quero deixar entrar em mim e na minha vida. Vai ser um ano de viver e sentir mais, e de pensar e analisar menos. Vou dar cabeçadas. Muitas. Hei-de sofrer. Certamente. Mas vou atirar-me de cabeça e quero chegar ao final do ano com a certeza de que não deixei nada por fazer, somente por medo do que podia acontecer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Das coisas que eu aprendo...

É tão mais fácil gostar de alguém que gosta de si!...

Esta é uma das lições mais básicas da nossa existência, e não me parece que conste de nenhum manual escolar.

Gostarmos de nós ajuda a que os outros gostem de nós. Porque é mais fácil, porque é mais simples, porque é mais confortável. E é de conforto que se fala, quando falamos de relações.

Quando alguém gosta de si, esse alguém tem confiança em si, acredita no seu valor, e está mais receptivo a que gostem de si também. Quando alguém não gosta de si, entre medos e inseguranças, não acredita que alguém possa gostar de si também. E quem gosta está constantemente a ser alvo desses medos e inseguranças, a ser questionado, a ser posto em causa. E isso cansa. Cansa muito. Por mais que se goste.

Eu sei que esta frase já foi repetida até à exaustão, mas só agora me fez todo o sentido: para que alguém goste de nós, temos primeiro de gostar de nós mesmos. 

32 anos de vida e só agora pude experienciar o verdadeiro que isto é.

Mais vale tarde do que nunca, dizem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Dos regressos...

De cada vez que regresso aos teus braços, regresso a um aconchego que já não me lembrava que existia. Regresso aos teus braços e a um conforto, a um calor, a um encaixe que tende a ser perfeito. Regresso aos teus braços que se abrem para me receber, que me acolhem, que me puxam para ti e me encostam ao teu peito. Regresso aos teus braços e ao teu cheiro, ao teu toque, às tuas mãos que me prendem. Regresso aos teus braços e peço para nunca mais deles sair.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Do conforto...

Passaste o fim-de-semana a sentir-te desconfortável...

Passei o fim-de-semana fora da minha zona de conforto. A experimentar coisas novas. A fazer coisas que nunca me imaginara a fazer.

Passei o fim-de-semana a ser tirada da minha zona de conforto. Eu, que tanto me fecho no meu mundo, nas minhas rotinas, nas coisas de que gosto.

Passei o fim-de-semana a conhecer sítios novos, sensações novas, músicas novas, dores novas, até.

Passei o fim-de-semana fora da minha zona de conforto, sim. Desconfortável? Nunca.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Das corridas e dos balanços...

Como já aqui referi, 2016 foi, para mim, o ano das corridas. Foi no final de 2015 que participei na primeira prova a sério, e 2016 foi o continuar dessa paixão que surgiu aí.

2016 foi o ano em que eu percebi que gostava mesmo de correr, e a importância que isso tinha para mim.

Eu nunca fui pessoa de fazer muito exercício. Fiz natação durante muitos anos, mais por imposição de Senhor Meu Pai do que por vontade própria, fiz uma ou outra incursão por um ou outro ginásio, mas nunca nada muito consistente.

Ver-me a correr desta forma, e a gostar!, foi uma surpresa para mim e, acredito, para muita gente à minha volta.

Sim, correr é uma moda. Mas se é para ir em modas... Que seja numa moda que me ajude a tirar o rabo do sofá e a fazer alguma coisa pela minha saúde e pelo meu bem-estar (físico e mental).

Agora que 2016 terminou, achei que era a hora de ir registar todas as provas em que participei. Claro que, a esta distância, é possível que me tenha falhado alguma coisa... Mas consta que participei em 20 provas. 20! Foram muitas provas, incluindo a minha primeira meia-maratona (e mais duas, depois dela).

Noto que não fui muito consistente. Houve 4 meses em que não fiz prova nenhuma, 4 meses em que fiz 3 provas, e um mês em que fiz 4 provas (um exagero!).

Aprendi muito em 2016. Aprendi com os erros e sofri com as dores. Percebi que tenho de levar a corrida mais a sério, se quero ter sucesso. Percebi que tenho de levar a corrida menos a sério, se me quero divertir. Percebi que este equilíbrio é fundamental, se me quero manter motivada e focada nos meus objectivos. 

Ao longo do ano, tive muitos altos e baixos. Como na vida. Houve muitas alturas em que questionei tudo e quis desistir, e houve muitas alturas em que me senti profundamente grata pela generosidade dos que me rodeavam, pelos que correram comigo, pelos que me incentivaram e não me deixaram desistir.

Acabei 2016 na São Silvestre de Lisboa, a fazer o meu melhor tempo de sempre numa corrida de 10km, mais uma vez, graças à generosidade de quem teve a paciência de me acompanhar ao longo de mais de metade da prova, puxando por mim, espicaçando-me, dando-me dicas, e obrigando-me a fazer aquilo que eu era perfeitamente capaz de fazer mas de que duvidava.

Os objectivos para 2017 são ambiciosos, não estão ainda inteiramente definidos, e está em cima da mesa a possibilidade de começar o ano a cometer uma grande loucura (ou um perfeito disparate). Mas, mais disparate, menos disparate, o que importa é que 2017 continue a ser um ano de muitas e boas corridas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Do medo... - II


Ou das músicas que tocam aleatoriamente na minha playlist no YouTube e que, de repente, fazem um sentido tremendo. Coincidências?

Do medo...

O medo que me prende, que me bloqueia, que me imobiliza e aperta.

O medo do que pode acontecer. O medo de mais uma queda. O medo de um futuro que me parece tão incerto.

O medo do que já foi. O medo do que passou. O medo do que pode vir a ser, novamente.

O medo que combato. Todos os dias. A toda a hora.

O medo. Que ganha sempre.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Do tempo que é dos balanços...

À semelhança do que fiz em 2015 (aqui) e do que fiz noutros anos (mas que não me apetece ir procurar), achei que fazia todo o sentido, também este ano, fazer um balanço do ano que passou. Queria tê-lo feito na noite da passagem de ano, mas alteraram-me os planos, e só agora aqui consegui vir.

Se 2015 foi um ano muito conturbado, sobretudo no trimestre final, 2016 foi um ano de altos e baixos.

2016 será sempre o ano em que eu aprendi a estar sozinha. 

Foi em 2016 que eu completei um ano inteiro a morar sozinha. E tenho dificuldade em imaginar-me a viver doutra forma.

Foi em 2016 que eu fiz a minha primeira viagem sozinha. E gostei tanto que quero repetir.

Foi em 2016 que eu passei mais tempo sozinha do que em qualquer outro período da minha vida.

Foi em 2016 que eu aprendi a gostar de mim, a cuidar de mim, a preocupar-me comigo.

Mas 2016 foi também o ano em que continuei a cair e a levantar-me. Foi o ano em que eu acreditei e fui desiludida. Foi o ano em que eu tentei e desisti. Foi o ano de questionar e tudo pôr em causa.

2016 foi também, sem sombra de dúvida, o ano das corridas. Foi o ano em que confirmei aquilo que surgiu como suspeita no final de 2015: eu gosto de correr. Faz-me bem correr. E é algo para ficar. Não sei quantas provas fiz em 2016, mas fiz a primeira meia-maratona (e mais duas), e acabei o ano na São Silvestre de Lisboa a fazer o meu melhor tempo de sempre em 10km. E a sensação é indescritível.

Em 2016 eu também decidi voltar a estudar. Começo a achar que, provavelmente, é uma decisão que não me trará aquilo que eu esperava que trouxesse. Mas não me arrependo.

Não menos importante, foi em 2016 que adoptei o Snow. Que me enlouquece, que me deu muita agitação e muitos nervos nas últimas semanas do ano, mas que já faz parte de mim e da minha vida.

Em 2016 não perdi nenhuma das minhas pessoas, ganhei algumas pessoas novas na minha vida, e continuei grata pelo privilegiada que sou.

Não foi um ano extraordinário, mas foi um bom ano. E eu agradeço muito por isso.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Do sítio onde eu estou... Que é o mesmo onde já estive...

Há um ano atrás, mais dia, menos dia, estava no mesmo sítio onde estou hoje.

Assustam-me as semelhanças. Assustam-me as diferenças.

Tento fugir das comparações, mas é mais forte do que eu. Tento pensar que cada dia, é um dia. 

Quero respirar, ter calma, dar um passo de cada vez, manter alguma serenidade no meio desta inquietude. Quero ficar, quero ir, quero caminhar, quero correr. Quero seguir em frente, quero voltar para trás.

Tenho muito medo de estar a viver o mesmo filme outra vez. Exactamente o mesmo filme, dadas as semelhanças. E sei, com cada vez mais certezas, que não aguento passar pelo mesmo outra vez. Cresci, aprendi, tornei-me mais forte e mais resistente, mas não suportaria passar pelo mesmo outra vez.

Se 2015 foi o ano que acabou comigo no fundo do poço, 2016 foi o ano que começou comigo a ir lá parar outra vez.

E eu quero, quero muito, que 2017 seja diferente. Quero um 2017 sereno. Preciso de um 2017 sereno. Só isso.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Das dúvidas matinais...

No livro que vinha a ler esta manhã no comboio, um dos personagens dizia a outra personagem, depois de assinarem o divórcio, qualquer coisa como: Finalmente conseguiste o que querias. Ficar sozinha. 

E eu dei comigo parada durante uns segundos a pensar sobre isto. A olhar para mim e a pensar sobre isto.

É, para mim, inevitável perguntar-me se não é isso que eu quero: ficar sozinha. Por mais que busque companhia, mais tarde ou mais cedo, no fim do dia, eu quero ficar sozinha. Se é o meu destino? Se é a isso que estou condenada? Não sei. Mas é o que, inevitavelmente, acaba por acontecer.

E eu gosto de estar sozinha. 

Começo a fazer planos para a viagem que, eventualmente, farei nos meus anos, e a dúvida é óbvia: sozinha ou acompanhada? E a resposta parece-me muito mais que seja sozinha, do que acompanhada.

Ao mesmo tempo, isto preocupa-me. E se eu não souber mais o que é estar acompanhada? E se eu não voltar a ser capaz de estar numa relação? E se eu estiver de tal forma estragada, arruinada, que não terei mais a capacidade de ter alguém ao meu lado?

Não sei o que me assusta mais: se a perspectiva de ficar sozinha, se a perspectiva de estar acompanhada.

Deixo-me ir. Com o tempo. Com o correr dos dias. Tento não pensar demais. Tento viver. Tento aproveitar. Tento ser feliz. Tento que a vida me dê as respostas de que preciso e que não encontro em mim. Tento não estragar tudo, uma e outra vez.

Mas cansa. Cansa e assusta. E eu volto ao ponto de partida. Fechada na minha bolha. Só um bocadinho. Só mais um bocadinho.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Do Natal...

O que retirei deste Natal, acima de tudo? Que, no próximo ano, não quero vivê-lo assim.

Este Natal foi difícil para mim. Por coisas minhas, leia-se. Tenho a sorte de ter estado com a família toda junta, coisa que já não acontecia há alguns anos, e correu tudo bem.

Mas, a partir de certo momento, tudo aquilo deixou de fazer sentido. Todo o stress, toda a pressão, toda a pressa, todo o consumismo. 

Tudo isso deixou de fazer sentido quando soube aquilo que este amigo ia fazer: passar a noite de Natal, sozinho, pelas ruas de Lisboa, a distribuir presentes pelos sem-abrigo. E, de repente, toda aquela montanha de comida e de presentes, deixou de fazer sentido. De repente, eu olhei para o Natal de uma forma que nunca tinha olhado.

Não imagino a dor de alguém que, pela primeira vez, não tem Pai nem Mãe para comemorar o Natal. Mas também não imagino a grandeza de alguém que opta por abdicar de tudo, para fazer o bem aos outros.

Ontem senti-me muito pequena. Ontem senti-me inútil. Ontem chorei muito. Ontem disse que para o ano não queria mais presentes. E não quero. Não vou querer. Não sei o que vou querer, mas, no próximo Natal, vou querer fazer diferente.

Quero que o próximo Natal seja mais praticar o bem, seja mais família, seja mais amor, seja mais união, e seja menos consumismo e menos stress e menos pressão.

Quero que o próximo Natal seja a verdadeira comemoração do quão privilegiados somos. Porque somos. E todos os dias nos esquecemos disso.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Das cartas que eu escrevo...

Querido Pai Natal,

Eu sei que é em cima da hora, mas os últimos tempos têm sido muito agitados e só agora te consegui escrever.

Mas não te preocupes que o meu pedido é muito simples (ou não, mas tu lá saberás...).

Este Natal não quero roupas, não quero sapatos, não quero jóias, não quero livros, não quero sequer chocolates. A única coisa que eu quero este Natal é a certeza de que daqui a um ano as minhas pessoas continuarão à minha volta. Só isso. Só o poder passar mais um ano com todas as pessoas que me são mais importantes. Mais nada.

Obrigada,

Agridoce

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Das respostas às perguntas que ecoam na minha mente...


Ontem, quando elogiaste o meu novo corte de cabelo e eu não quis saber.

Ontem, quando insististe três vezes para que ficasse mais um pouco em tua casa e eu te disse que não.

Ontem, quando quase te obriguei a levares-me à porta porque não suportava mais estar na tua presença.

Ontem, quando em mim algo se iluminou e eu tive a certeza de que não quero perder o meu tempo com alguém que não é capaz de se decidir a estar comigo.

Ontem, quando me despedi de ti, de aperto no peito mas sorriso nos lábios, sem saber se te voltarei a ver.

E tenho pena. Tenho mesmo muita pena. Gosto muito de ti. Mas gosto mais de mim.


sábado, 17 de dezembro de 2016

Das linhas que separam o que jamais poderá ser unido...

Há em mim uma Agridoce que me diz que o que eu preciso é de quem me equilibre. De quem tenha o que eu não tenho. De quem seja o oposto de mim. De quem seja o porto seguro e sereno que me falta. De quem seja a emoção que eu não sou.

Mas há em mim uma Agridoce que me diz que o que eu preciso é de quem me abane. De quem seja igual a mim. De quem me desconcerte, dias após dia. De quem se atire comigo para a tempestade. De quem seja tão racional quanto eu.

Se eu não fosse Agridoce, não sei o que seria.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Do que eu precisava mesmo...

Precisava de pegar em mim este fim-de-semana e isolar-me do Mundo. Fechar-me na bolha. Sem pessoas, sem telemóvel, sem e-mails, sem redes sociais. Precisava de olhar para mim, para o que eu quero e o que eu preciso. Precisava de me fechar, para me poder voltar a abrir.

Precisava, mas não vai acontecer. O caos à minha volta acumula-se, eu adiciono todos os dias um bocadinho mais, e não sei onde isto vai parar.

Sonho com as próximas férias. Sozinha. Longe daqui.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Das músicas que partilham comigo... - I


Desconhecia o artista. Enviaram-me a música, já tarde, com a mensagem "Para ouvires amanhã e ficares bem-disposta quando acordares". Como calhou de essa ser mais uma noite de insónias, eram quatro e meia da manhã quando a ouvi. E gostei. Gostei muito. Na manhã seguinte, cheguei ao escritório, andei a investigar, e acabei por passar a manhã a ouvir Patrick Watson. E gostei mesmo muito.

Só fiquei na dúvida quanto à relevância que devia dar, ou não, à letra da música... O tempo o dirá... 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Dos sorrisos...

Já andava há algum tempo para escrever este post e hoje, que saí de casa a sentir-me linda e maravilhosa (um vestido vermelho e uns saltos altos fazem maravilhas pelo ego de qualquer mulher), achei que era o dia. Preparem-se para uma montanha de clichés.

Se há coisa que a passagem dos 30 me trouxe (ou a vida, ou todas as quedas que dei), foi uma forma diferente de olhar para mim.

Toda a minha vida fui uma pessoa insegura. Nunca aceitei bem o meu corpo, a minha aparência, o que via no espelho. Invejo, profundamente, as pessoas super seguras e confiantes, que se aceitam como são. Eu nunca fui assim.

Existem muitos factores que explicam isto. Educação, envolvência, experiências de vida, falta de segurança, pessoas que me rodearam. 

O que é certo é que, hoje em dia, a forma como olho para mim é completamente diferente. Hoje em dia, reconheço os meus defeitos e imperfeições, mas já não vejo só defeitos e imperfeições. Hoje em dia, olho-me ao espelho e, na maior parte dos dias, gosto de mim e do que vejo. 

E um dos aspectos em que esta alteração é mais sintomática, é nas fotografias que tiro. Durante anos a fio, eu não sorria nas fotografias. Aliás, eu fugia das fotografias e tentava desaparecer dentro delas. Eu nunca gostava de me ver em fotografias. Eu achava sempre que não estava bem.

Hoje em dia, eu gosto de tirar fotografias. Eu faço sorrisos rasgados nas fotografias. Eu partilho as fotografias que tiram de mim. Porque gosto de me ver. Porque me sinto bonita e digna de ser mostrada ao Mundo. E, como se não bastasse tal mudança, sonho com encontrar alguém que goste de me tirar fotografias, como eu gosto de tirar aos outros.

Tenho pena de ter demorado tantos anos a chegar a este estado, mas sabe bem. Sabe mesmo bem. E espero conseguir mantê-lo até ao fim dos meus dias.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Do que me apetece...

Apetece-me perder o controlo. Apetece-me ligar-te. Apetece-me gritar contigo. Apetece-me abanar-te. Apetece-me dizer-te tudo o que não te disse. Apetece-me pedir-te que ultrapasses o que quer que seja que te bloqueia. Apetece-me saltar contigo para este abismo que é tão nosso. Apetece-me correr este risco contigo. Apetece-me perder-me contigo. Apetece-me tentar. Apetece-me correr o mundo com as minhas mãos nas tuas. Apetece-me ficar enroscada nos teus braços. Apetece-me deixar de lado todos os medos e dúvidas. Apetece-me ser egoísta.



Apeteces-me.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Das perguntas que ecoam na minha mente quando adormeço, e que por lá permanecem quando acordo...

Quando foi que nos perdemos?

Ou, direi antes, quando foi que me perdeste?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Das conversas que eu tenho...

Tu estás para aí farta de falar e eu só te vejo preocupada com ele. E pensares um bocadinho em ti?

Palavras da BFF ontem. E não foi a primeira pessoa a dizer-me isto.

Mas não sou capaz. Não sou capaz de fazer alguma coisa pensando apenas no meu bem, sabendo que o meu bem pode ser o mal de alguém. Não sou.

Se isso faz de mim tola? Talvez. Mas sou tola de consciência tranquila.