sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Do ser Agridoce...

A propósito dos 2000 posts, e porque agora se usa fazer comemorações alargadas por tudo e mais alguma coisa, fazendo o mesmo tema render muitos e variados posts, campanhas, anúncios, e afins, achei que fazia sentido ir repescar a explicação do nome deste blogue, sobretudo, porque tem aparecido por aqui muita gente nova. Aqui fica:


O amor é agridoce.

Suficientemente agre para não poder dizer que é doce. Suficientemente doce para querer continuar a prová-lo, a pretexto de, um dia, conseguir dizer o que é.

A palavra agridoce resolve o problema como um analgésico resolve a gripe: esconde os sintomas. Agridoce quer definir a indefinição.

E nem sequer há um traço a separar o agre do doce, para avisar que se tratam de duas coisas opostas.

Em vez disso, junta-as discreta e irresponsavelmente, o fiozinho vermelho e o fiozinho preto…

O resultado varia com as pessoas: há quem apenas queime um fusível e resolva o problema substituindo-o por outro. Há quem queime a instalação toda e tenha que deitar a casa abaixo para a reparar. E, claro, há quem não tenha tensão suficiente para faiscar, sequer.

Enfim, o amor é um grandessíssimo curto-circuito.

(do álbum "Do Amor Y Outros Demónios", da banda com o mesmo nome)


Agridoce foi o meu nick durante muito tempo nos tempos do IRC e dos fóruns e ainda há quem me conheça como a Agridoce. Agridoce foi também o username que escolhi quando criei o meu livejournal, e achei que faria todo o sentido mantê-lo aqui. Acho que ainda se mantém perfeitamente adequado.

Agridoce quer definir a indefinição. Há lá coisa mais apropriada do que isto para me definir?...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Das 2000 razões para vir aqui...

Apercebi-me há pouco de que o último post foi o post número 2000 deste blogue.

2000 posts.

Vim aqui partilhar um pouco de mim 2000 vezes. São muitas vezes!... Este blogue é, sem dúvida alguma, um diário da minha vida nos últimos sete anos.

Ao longo destes 2000 posts, a minha vida deu voltas e mais voltas. Eu dei voltas e mais voltas. A pessoa que aqui escreve hoje, não é a mesma que escreveu o primeiro post, há sete anos atrás.

Foram 2000 posts de partilha, e não deixo de me espantar com a minha capacidade para escrever tanto. Certo que, em muitos casos, a qualidade e a relevância do que aqui escrevi é duvidosa, mas, ainda assim, foram 2000 posts.

Ao longo destes 2000 posts, houve também 5301 comentários. Muitos são meus, é certo. Mas a grande maioria são de quem está aí desse lado. De quem se dá ao trabalho de ler o que eu escrevo. E não posso não sorrir ao saber que há pessoas que estão aí desde o início. Há mesmo quem tenha aguentado 2000 posts de disparates e continue a vir aqui!... 

Além dos posts e dos comentários, das memórias e dos registos, o que este blogue tem de tão importante para mim, são todas as pessoas que já trouxe para a minha vida. E foram muitas!... Ao longo dos anos, foram muitas as pessoas que passaram a fazer parte da minha vida fora daqui, as que conheci pessoalmente, as que entraram na minha esfera privada. Há pessoas que conheci através do blogue com quem falo regularmente, com quem troco mensagens, e-mails, com quem partilho muito do que nem sempre quero/posso escrever aqui. Há pessoas que nunca conheci pessoalmente, mas que sinto que conheço desde sempre.

Se estes 2000 posts não tiverem servido para mais nada, serviram para isso: para enriquecer a minha vida com tanta gente boa! Obrigada! 

E, não querendo abusar da boa vontade de quem ainda se aguenta por aí, gostava de repetir um exercício que fiz aqui há uns anos... Gostava que quem anda por aí, se acusasse. Continua a intrigar-me o número cada vez mais absurdo de visitas diárias, face ao número muito reduzido de comentários. Se, por um lado, conheço muitas das pessoas que andam por aí, continuam a faltar identificar muitas mais, que eu não faço ideia de quem seja... Assim sendo... 1, 2, 3, diga olá outra vez!

E que eu continue por aqui por mais 2000 posts...



Enquanto houver estrada p'ra andar, a gente vai continuar...
                                                           .

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Das minhas incapacidades - parte 137...

Sabes o que mais me assusta? O que me aterroriza e me faz querer fugir?

A tua fragilidade. A tua, diria, sensibilidade. O seres tão emocional. O seres tão o oposto de mim. O ter a certeza de que, contigo, serei um elefante num palácio de cristal. O ter a certeza de que não há outra possibilidade se não a de isto acabar mal. O ter a certeza de que és demasiado especial para mim. O ter a certeza de que somos demasiado diferentes. O ter a certeza de que isto nunca poderá correr bem. O ter a certeza de que tu mereces alguém à altura do teu nível de grandeza. O ter a certeza de que tu precisas de alguém que não sou eu. O ter a certeza de que isto é mais um salto para um abismo. 


(ainda assim, sonhei contigo esta noite, sabes?)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Das bolhas que não são de sabão...

A propósito de nada, lembro-me do que senti. Do que sofri. Do desespero.

Lembro-me disso e sei que não sou capaz de o voltar a viver. Não sou.

A simples ideia de que isso possa acontecer novamente, aterroriza-me.

Choro. Choro muito. Choro tão somente por pensar nessa possibilidade. Choro sem conseguir parar, apenas por me lembrar do que já chorei.

Choro e volto a fechar-me na bolha.

A bolha da qual não sei se algum dia serei capaz de voltar a sair.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Dos dramas matinais de mais uma segunda-feira...

Acabei de descobrir que o Palma vai dar um concerto hoje no CCB. Hoje e amanhã, aliás. Mas amanhã tenho aulas e, como tal, a única hipótese de ir é hoje.


Está tudo praticamente esgotado. Sobram uns lugares pavorosos, nas galerias, em pé.

Não tenho companhia. Não estava a contar com isso. É tudo em cima da hora. 

Mas é o Palma. É a celebração dos 25 anos do "Só". O meu álbum preferido de sempre. É o Palma e um piano. 

E eu não deixo de pensar que não há melhor momento para me estrear a ir a um concerto sozinha, do que nesta revisitação do "Só"...


Adenda: não fui ao concerto. Por mil e um motivos que inventei na minha cabeça mas, sobretudo, por saber que não o ia suportar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Das fragilidades que não tenho...

Tenho a arrogância de me achar mais forte do que na verdade sou.


Por esse motivo, não raras vezes, dou comigo frágil e insegura, sem saber o que fazer, sem conseguir reagir.

Trinta e dois anos de vida e ainda me surpreendo comigo mesma. Com a minha fragilidade. Com os sentimentos que, por vezes, creio não ter.

É preciso que a vida me abane, para eu ser confrontada com o que nego, para eu ser forçada a admitir aquilo de que fujo.

É perante a perspectiva da possibilidade da ausência, que eu percebo o impacto que a ausência terá em mim.

Cansa. Cansa muito, esta coisa de viver. De dar cabeçadas atrás de cabeçadas. E, ainda assim, não aprender nada no processo.



Mais um dia de cansaço em demasia, mais um dia de emoções à flor da pele.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Das dificuldades de concentração...

Passei os últimos 45 minutos numa sala de reuniões. A reunião correu bem. Muito bem, até. Valeu-me a presença de um colega, que fez a maior parte da conversa e respondeu a quase todas as questões.

Eu? Eu perdi-me em divagações. Em sonhos. Em memórias. Em ideais de futuro. Eu pensei em ti. Eu tive de me esforçar para esconder o sorriso que teimava em aparecer nos meus lábios por me lembrar de ti. Eu pensei ligar-te e dizer-te que quero estar contigo antes de ires de férias. Não quero deixar-te ir de férias sem te dizer tudo o que me vai na alma, tudo o que me enche o peito. Não quero não te devolver o teu abraço. Não suporto a ideia de não voltar a sentir os teus lábios nos meus.

Pensei em tudo isto. Pensei, repensei, e voltei a pensar. Saí da reunião e tinha uma mensagem tua. Mais uma. Como tantas. Como as que mandas todos os dias, a toda a hora.

Deixa-me deixar-te ir, por favor. Não tornes ainda mais difícil aquilo que já é tão insuportável. Não me faças questionar a minha decisão. Não me obrigues a ter de ser mais forte do que aquilo que sou. Não posso. Não consigo. Tem tu a sensatez e a força que me faltam, e afasta-te de mim. Por ti, pelo teu bem, afasta-te de mim.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Dos passos em frente que são passos atrás...

Não aguento mais esta angústia. Este aperto. Esta ansiedade. Estou cansada de avanços e recuos. Estou farta de estar em suspenso. Não posso mais suportar este não saber. As indecisões. Os mixed signals. Não tenho idade para isto. Não tenho paciência para isto. Não tenho tempo para isto. Quero certezas. Quero avanços. Quero que me arrebates. Quero que me tires do chão. Quero dar um salto sem pensar para o infinito. Não quero meias-palavras. Não quero meias-sensações. Quero tudo. Ou não quero nada.

Desculpa. Hoje baixo os braços e desisto de ti. Porque a vida ensinou-me que, muitas vezes, a coisa mais inteligente a fazer, é desistir. E eu desisto. Desisto por não me poder dar ao luxo de continuar assim. Preciso de certezas na minha vida. E tu és um gigante ponto de interrogação. E eu desisto. Faço um esforço tremendo. Mas desisto e afasto-me. Desisto e ignoro as tuas mensagens. Desisto e tento não pensar nas tuas palavras. Desisto, de coração apertado, de lágrimas contidas nos olhos, num desespero que me consome mas que sei que será passageiro.

Tudo nesta vida é passageiro.


Do nosso pior...

Uma das maiores dificuldades que eu vejo nisto das relações é, provavelmente, esta: encontrar alguém que nos aceite e que consiga lidar connosco quando estamos no nosso pior. Alguém que nos aceite com defeitos, com erros, com traumas do passado.

Mais... Não só alguém que nos aceite assim, mas alguém com quem nós consigamos partilhar o nosso pior. Alguém a quem possamos revelar o nosso lado mais dark and twisted. E não, não temos de contar tudo a alguém. Mas é bom saber que a pessoa que está ao nosso lado consegue lidar com o nosso pior.

Será possível encontrar alguém assim?

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Da taxa de esforço que não a dos créditos...

Dizem-nos que alguém por quem temos de nos esforçar demasiado, não merece ficar na nossa vida. Que quem fica, deve ficar por querer, não por esforço nosso.

Ao mesmo tempo, só queremos na nossa vida alguém que esteja disposto a esforçar-se por nós.

Alguém me explica?

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...