Eu afasto as pessoas por medo que se aproximem demais.
Afasto-as por medo de me habituar a elas.
Afasto-as por não querer tornar-me dependente delas.
Afasto-as para poder provar a mim própria que eu sou quanto baste. Que não preciso de ninguém. Que estou bem sozinha.
Afasto-as porque se não as afastar, surgem relações. E as relações trazem expectativas. E as expectativas trazem desilusões.
Não as afasto por não gostar delas. Por não as querer perto de mim.
Eu afasto as pessoas porque tenho medo. Medo do que pode acontecer se eu deixar que se aproximem. Medo do que pode acontecer se as trouxer para perto de mim e gostar ainda mais delas.
Afasto-as porque sei, porque é inevitável, que um dia me vão desiludir. Que um dia me vão magoar.
Afasto-as para me proteger. E é legítimo. Se é o melhor para mim? Não sei. O que é isso de ser o melhor?


