quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Do nosso umbigo...


Mas não. Nunca ninguém amou como eu amei.

Nunca ninguém sentiu o que eu senti. Ninguém te conheceu como eu conheci. Ninguém pode saber o que isso é. Como eu amei, ninguém amou.

Tudo novo: o frio na barriga, as pernas a tremer, o ansiar pelo toque do telefone, o desejo sem fim por um novo encontro, o sonhar acordada durante o dia e o não dormir durante a noite, o sentimento de que os astros se alinharam e a vida fazia agora mais sentido.

O acreditar que tínhamos algo único, só nosso, especial. O acreditar que os contos de fadas podiam ser reais. O acreditar que tristes eram os que nunca viveram nada assim. Nem podiam. O que nós tínhamos, só nos tínhamos. O acreditar realmente nisso. O acreditar no para sempre.

Tanta inocência. Tanta ignorância. Tanta ingenuidade. Sim, ainda se ama assim aos trinta. Aos trinta ainda conseguimos acreditar. Aos trinta ainda achamos que temos a vida toda à nossa frente e que podemos ser felizes. Merecemos ser felizes. E somos felizes. Aos trinta ainda fazemos muitos planos. Ainda sonhamos. Ainda nos perdemos em devaneios de filhos e família e um lar ao qual chamar nosso. Aos trinta cremos que já vivemos o suficiente para não cometer os mesmos erros, que já não nos vamos deixar levar por coisas sem importância, que já sabemos o que queremos e que agora é que é a sério.

Mas o amor, qualquer amor, em qualquer idade, é um bicho muito peculiar. O amor raramente é aquilo que queremos que ele seja ou o que esperamos dele. Há alguns raros afortunados que sabem bem domá-lo e que o vivem sem sobressaltos, toda a vida. A verdade é que também não sei se quereria viver a minha vida sem sobressaltos já que, no toca ao amor, a montanha-russa de emoções que em nós provoca, é do melhor que tem. Mas, como em tudo na vida, chegamos a um momento em que queremos essa serenidade, queremos esse ribeiro manso, queremos a paz, a tranquilidade e as certezas. 

E eu acreditava, acreditava mesmo, acreditava com todas as minhas forças, que tinha chegado a esse momento. Acreditava que tinha chegado a esse lugar a que nunca ninguém tinha chegado. Porque como eu amei, ninguém amou.



(hoje resolvi começar um texto com a primeira frase de um texto da mãe preocupada. Perdoai a presunção.)

1 comentário:

  1. Ambos os textos são lindos! Não deixes de acreditar e não percas a esperança. Força! Beijinhos

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