quinta-feira, 11 de julho de 2019

terça-feira, 9 de julho de 2019

Da falta de palavra das pessoas...

Alguém, provavelmente eu, tinha escrito, provavelmente por aqui, que depois da Serra Amarela só faltariam duas provas para o final da época. 

Pois que já fiz as Fogueiras e o Sintra Trail X'Treme. Se não me engano a contar, isto dá duas provas. 

Como é que daqui a 3 semanas já tenho outra?! Como?!

A sério... Já não se pode confiar no que as pessoas dizem. Num dia pensamos que estamos de férias até Setembro. No outro, pumbas!, toma lá mais no final de Julho para não ficares mal habituada.

E o drama é que a inscrição foi feita no Sábado, antes de Sintra, e eu optei pela distância conservadora. Depois do trauma de Sintra, estou aqui a pensar de mim para mim, se não me atiro assim à doida para a distância mais longa que já fiz na vida. Só para acabar a época em grande, sei lá.

Convém esclarecer que a distância é mais longa mas tem menos acumulado do que a Serra Amarela. É uma loucura controlada. Não nos entusiasmemos que eu não enlouqueci de vez. Ainda.

Talvez esteja a querer dar um passo maior do que a perna, o que não é difícil no meu metro e meio. Mas sinto-me bem. A Serra Amarela correu bem. As Fogueiras correram bem. Sintra correu bem (pudera!). E eu não sei se um dia destes não deixo de correr. Talvez fosse boa ideia aproveitar este entusiasmo e fazer uma coisa assim a modos que ligeiramente maior.

Decisions, decisions... 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Do Sintra Trail X'Treme...

Diz que foi ontem que decorreu a 3ª edição do Sintra Trail X'Treme.

Diz também que eu participei, sobrevivi e cheguei ao fim sem quedas. Já não foi mau.

Comecemos por dizer que eu fui a esta prova em modo passeio. O louco do costume queria ir fazer a prova longa (31km) e eu disse-lhe que me inscrevesse na mais curta (10km). Ainda ponderei ir à intermédia (21km), mas os tempos de corte eram meio apertados para uma pequena lontra como eu, e achei que nesta altura da época já estaria farta de corridas e que era melhor fazer a mais curta e não me chatear muito.

Ontem o despertador tocou às seis da manhã. Seis da manhã. Eu não me lembro da última vez em que tinha acordado às seis da manhã mas foi, certamente, para apanhar algum avião. Não vejo outro motivo razoável para acordar às seis da amanhã. Ou não via. Porque agora já vi que também é possível levantar-me às seis da manhã para ir correr.

Chegámos a Sintra, levantámos os dorsais facilmente, e estacionámos a cinquenta metros da meta, como se quer.

A prova dele começava às oito e a minha só às nove. Vi-o partir e depois fui fazer tempo para o carro. Ainda pensei ficar por lá a dormir, mas sabia que já que ia ter de esperar tanto tempo por ele, mais valia fazer qualquer coisa para ocupar o tempo.

Chegam as 9 horas e a minha prova começa. Éramos poucos. Talvez uns 200. A prova começa e começa logo a subir. Foram 900 metros a subir a sério. Daquelas subidas em estrada que uma pessoa até a fazê-las de carro fica cansada! Mas eu lá fui. Tentei manter-me na minha caminhada acelerada, a dar aos braços, e a tentar não ficar demasiado para trás.

Finalmente, entramos nos trilhos. E eu, maravilhada com aquele single-track cerrado, de terra escura e macia, rodeada de eucaliptos jovens que mais pareciam bambus e nos envolviam completamente. Curva e contra-curva, a descer, sem vermos nada do que vinha aí a seguir. E eu a pensar no espectacular que aquilo ia ser, no quão bonita era Sintra e nas saudades que tinha de ali andar.

E pronto. A prova podia ter acabado ali que ficava muito bem.

Eu tenho perfeita consciência que este é um daqueles casos de "o problema sou eu, não és tu". Eu ia com as expectativas altas. Afinal, estávamos a falar de uma prova em Sintra. Sintra. Não é preciso dizer mais nada, pois não? Eu já fiz o Fim da Europa, que não é para aqui chamado, e já fiz o Peninha Sky Race. E Sintra é Sintra. E o que eu esperava de uma prova em Sintra era que fosse Sintra. Mas não foi. Problema meu, não é verdade?

Eu sei que não é possível fazer milagres em percursos de 10km. Eu sei. O problema começou logo aí. Eu nunca tinha feito um trail tão curto. E duvido que volte a fazer, na verdade. Soube-me a pouco. Uma pessoa parece que ainda está a aquecer e a coisa já está a acabar. Não quero mais disso.

O segundo problema foi que, de facto, não há grandes milagres com distâncias tão curtas. E eu já corri na Estrela, nos Açores, na Serra Amarela. Eu já vi coisas inacreditáveis e este trail, coitado que não tem culpa nenhuma, foi meio fraco nesse aspecto. Pronto.

A prova em si é uma boa prova. Aliás, para quem se queira aventurar nos trails mas sem grandes loucuras, é perfeita. Pouca distância, pouco acumulado, nada de coisas técnicas e difíceis, um percurso rápido e muito corrível. A sério. Para quem quer uma prova acessível e perto de Lisboa, esta está óptima.

Mas, para mim, soube-me a pouco.

O terceiro problema foi com os abastecimentos. Esta prova só tinha um abastecimento. É normal. Eram só 10km. E até posso concordar que o facto de só ter água também era normal. Afinal, os cromos que fizeram aquilo em 40 e poucos minutos, mal tiveram tempo de desidratar. Mas as pequenas lontras, como eu, teríamos agradecido mais qualquer coisita. Mais uma vez, o problema fui eu. Afinal, eu vou aos trails para comer o que não como em casa. Coisas como batatas fritas não entram nesta despensa, pelo que preciso de ir aos trails para me vingar.

No entanto, eles esmeraram-se e compensaram no final. E eu comi batatas fritas, claro.  E melancia, muita.

Se eu gostei da prova? Nem por isso. Mas não pela prova em si. A prova estava bem organizada, bem marcada, era simpática, era mesmo uma boa prova de 10km.

Eu é que fiquei durante muito tempo a pensar no disparate que foi não ter ido aos 21km... A última pessoa acabou apenas 4 minutos depois do tempo de corte previsto para o final da prova. Eu sei que sou lontra, mas acho que teria conseguido. E isso deixa aquele sabor agridoce de quem sabe que devia, pelo menos, ter tentado...

Para me distrair desta frustração, e depois de aproveitar bem a comidinha e a bebida no final, aproveitei mais outra das regalias da prova: massagens com o Filipitsch. Acho que já por aqui falei no Bernardo, e no quanto o recomendo. Pois que volto a falar e a recomendar. Quanto mais não seja porque, a meio da massagem, me perguntou: Tu estás mais magra, não estás? Andas a comer? Ora, eu não sei se ele diz isto a todas. Por mim, até pode dizer. Mas a verdade é que ganhei o dia e, só por isso, recomendo-o ainda mais.

Em resumo: foi uma bela prova, com uma excelente organização. Mas não é prova para mim.

Ah! Como desta vez fui mesmo correr, tirei apenas uma única foto, e foi logo na primeira subida, quando íamos todos a caminhar. Depois disso, zero fotos. Percebem por que é que esta prova não é para mim?... Sem comida e sem fotos?! Não há condições...

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Da animação que é viver com um daltónico... - IV

Ainda a propósito do post anterior desta saga, sobre a Serra Amarela Sky Marathon e a forma como os daltónicos vêem o Mundo, não podia não partilhar por aqui o desenvolvimento do tema.

Deixo aqui novamente a imagem que usei para ilustrar o mesmo na altura:


Depois de publicar o post, decidi mostrar esta imagem ao meu daltónico preferido. Perguntei-lhe o que é que achava daquelas imagens e o que é que via ali. Ele, claro, ficou meio desconfiado, demorou algum tempo a responder, talvez com receio que fosse alguma coisa para eu gozar com ele (como se eu fizesse tal coisa!), mas ao fim de algum tempo lá começou a dizer o que achava. E o que ele achava era que as imagens eram estranhas. Que a da esquerda parecia ter sido toda editada, que as cores não estavam bem, estavam muito saturadas e que as frutas não eram nada assim. Tentei insistir. E ele a dizer-me o mesmo, que na da direita é que estavam bem, que na da esquerda as bananas, os ananases e os maracujás estavam com cores que não eram reais.

Eu dei-lhe um abraço e um beijinho. Expliquei-lhe a imagem, mostrei-lhe onde a tinha ido buscar (por insistência dele), e calei-me sobre o assunto.

Confirma-se: não deve ser fácil ser daltónico.

Falei-lhe sobre os óculos para daltónicos, e ele não quer. Falei-lhe sobre enviar um email à organização da prova, apenas a explicar a situação, e ele não só não quer como não me deixa a mim enviar.

Resta-me ir partilhando por aqui algumas peripécias e não deixá-lo nunca-jamais-never-ever comprar bananas!

domingo, 30 de junho de 2019

Da 40ª Corrida das Fogueiras...

Foi ontem que se realizou a 40ª Corrida das Fogueiras, uma das corridas mais míticas do nosso país e, para mim, a que tem o melhor ambiente (ainda não fui a muitas, pelo que posso estar a ser injusta).

Confesso que a vontade não era muita. A vontade para correr não tem sido muita, na verdade. Não sei se ainda posso usar a desculpa da depressão pós-Maratona, dado que já passaram 2 meses e 2 dias, mas a realidade é que a preguiça tem falado mais alto.

A Serra Amarela  (inserir coração piroso) foi há precisamente duas semanas. Depois disso, eu dei-me uma semana de folga absoluta, e esta semana fiz 4km na segunda-feira, e 5km na terça-feira antes de uma aula no ginásio. E foi isto. Foi isto tudo o que eu treinei nas últimas duas semanas. Juntem a isto o pequeno pormenor de que a última vez que eu tinha feito 15km tinha sido na dita Maratona, e percebem que as Fogueiras tinham tudo para ser uma desgraça.

E eu ia mentalizada para isso. Por curiosidade, fui ver o tempo que tinha feito há dois anos, e sabia que era impossível fazer igual ou melhor. Eu estava plenamente convicta de que não ia ser capaz, sequer, de fazer os 15km seguidos sem parar. E estava meio frustrada com isso, mas tranquila ao mesmo tempo, porque sabia que não havia milagres e ia mesmo era para me divertir e aproveitar o espírito. 

E foi o que aconteceu. Uma pessoa vai sem vontade, fica com menos vontade ainda ao demorar quase uma hora para levantar os dorsais, mas depois chega à zona da partida e é impossível ficar indiferente ao que se vive ali. 

Começa a chegar o ânimo, a energia, a adrenalina, a vontade de voltar a percorrer cada um daqueles 15km. Também começamos a ver caras conhecidas, uma após a outra, todas unidas em torno de um sentimento e um objectivo único: cortar aquela meta.

Fui para a minha caixa, a dos mais lentos, claro, só e abandonada, mas sentia-me tranquila, ao contrário do que aconteceu na Serra Amarela. Porquê? Porque já sabia ao que ia e porque as expectativas estavam tão em baixo, que não havia pressão que me afectasse. Ando a aprender umas coisas, já viram?... 

A prova começou e eu lá fui, naquele mar de gente. Aqueles primeiros quilómetros foram muito confusos e lentos. Mesmo que uma pessoa quisesse correr muito, não dava. A dada altura, olho para a frente e vejo uma camisola a dizer "A Extraterrestre". E era mesmo a ET! Lá trocámos meia dúzia de frases e eu segui, mas ainda fomos perto durante algum tempo, porque não dava mesmo para mais. Fiz o meu segundo quilómetro no estonteante ritmo de 7'04. Se, por um lado, estava a ir demasiado devagar, por outro, aproveitei estes quilómetros iniciais para me poupar e resguardar, para tentar que o corpo não quebrasse tanto, tão cedo. Podia ter-me esforçado para ultrapassar uns quantos atletas e acelerar um pouco, mas sabia que isso ia ser muito desgastante e fui-me deixando estar. Aos poucos, o percurso foi alargando, o pelotão foi-se dispersando e eu consegui melhorar um pouco o ritmo.

A ideia era manter-me lenta qb na primeira metade da prova. Fui mesmo a esforçar-me para não me deixar entusiasmar. E se isso foi difícil! Aquele ambiente, aquele apoio, aquela gente toda a puxar por nós! E eu a tentar retrair-me para não pagar mais tarde a factura...

Os primeiros quilómetros correram bem. Esta é uma prova simpática, mas com algumas subiditas. Não são muito duras, nem muito inclinadas, mas tem algumas mais longas, que se vão fazendo a custo. Curiosamente, não me correram mal. Ia a sentir-me bem, a ouvir a minha música, a agradecer e a aproveitar o apoio de quem assistia à prova, e sempre a controlar o ritmo.

Tinha na minha cabeça que havia de quebrar, mais tarde ou mais cedo. Estava preparada para ter de caminhar, a partir de certa altura. Mas isso não aconteceu. Quando estávamos no quilómetro 7,5, naquela subida que parecia infinita porque olhávamos para longe e víamos os atletas lá à frente a continuar a subir, eu comecei a fraquejar. Mas tocou a música certa no momento certo. "My body tells me no, but I won't quit, 'cause I want more". Foi este o meu mantra para aquela subida, tal como tinha sido no quilómetro 36 de Madrid, e eu cerrei os dentes e lá fui. 

Pela primeira vez na vida, acho que fiz uma gestão inteligente de uma prova. O esforço de me manter lenta na primeira metade da prova, foi altamente compensado na segunda metade. Não é que a malta pró afinal até tem razão com a história dos splits negativos? Não só não quebrei, como consegui ir sempre a aumentar a velocidade nos últimos quilómetros. E como não? Aquela gente levava-nos ao colo!

A parte das Fogueiras, propriamente dita, correu-me bem melhor este ano do que há dois anos. Adoptei a brilhante e de certeza nunca antes vista estratégia de me ir colando a outros atletas que levavam dorsais, e lá fui correndo. Ultrapassei bastante gente aqui. De luz em luz, eu lá ia seguindo. E é mesmo uma experiência indescritível. As fogueiras, o apoio, aquele céu estrelado incrível que não vemos em Lisboa. Dei comigo a correr e sem conseguir tirar os olhos do céu. Podíamos ter tido mais uma queda épica. Mas até correu bem.

Quilómetro após quilómetro. O tempo passava, os quilómetros passavam, e eu só pensava que a coisa até estava a correr bem. Quilómetro 10. Segundo abastecimento. Só faltava um terço da prova. Estava quase. 

Sabia que os últimos quilómetros custavam mais, lá pelo meio de uns prédios e com umas subiditas. Mas continuei a tentar não quebrar. O quilómetro 12 e 13 custaram-me bastante. Parecia que tinha ficado sem energia e estava com uma dor parva no fundo das costas. Senti-me a esmorecer e nem nas descidas me sentia bem. Curiosamente, não é isso que os ritmos reflectem.

13km feitos. Só faltam dois. Entramos na rua onde tínhamos deixado o carro, e eu penso no irónico que é passar mesmo ao lado do meu carro e não poder lá ficar. A rua era a descer e eu começo a ver lá ao fundo um vulto que me parece familiar. Era ele! O louco-mais-louco-do-que-eu, que já tinha feito a prova dele, já tinha ido ao carro trocar de roupa e tinha lá ficado à minha espera, já de mochila às costas, para depois já irmos directos para a sardinhada. 

Foi o boost que eu precisava, para meter uma abaixo e ir por ali fora em direcção à meta. Fiz os últimos quilómetros nem sei como, a ultrapassar mais uns quanto atletas, de sorriso no rosto com o apoio incansável à minha volta, e ainda a ouvir os incentivos do N., do João Lima e de uns colegas de equipa que já tinham acabado. Fiz um sprint final e cortei a meta... Nem vi quanto tempo fiz. A dada altura da prova, tinha percebido que não ia fazer o que queria (abaixo da 1h35), e deixei de me preocupar com isso. Quando acabei a prova, cumprimentei umas caras conhecidas, nomeadamente o Sr. Arlindo e outro companheiro da grande luta que foi a Maratona de Aveiro. Curiosas estas relações que vamos criando, de pessoas de quem nada sabemos, mas com quem partilhamos estes momentos e lutas. 


Passado algum tempo, lá vi o meu tempo: 1h36m33s. Mais 4 minutos do que há 2 anos. Se gostava de ter feito melhor? Gostava, mas sabia que era impossível e, por isso, só podia ficar satisfeita com o meu resultado. Eu estava convencida de quem nem ia fazer tudo a correr, Senhores! Mas fiz! Fiz e a sentir-me bem! O que é que eu podia pedir mais? 


Para quem anda por aí a espalhar o boato de que eu sou mesmo feliz é nos trails... Ontem também fui feliz em estrada. Muito feliz. Mas, também, quem é que não é feliz nas Fogueiras?

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Da Serra Amarela Sky Marathon... - III

Quando o Filipe Torres falou maravilhas da Serra Amarela Sky Marathon o ano passado, eu fiquei logo de olho na prova. Claro que não disse nada cá em casa, que já sei como as coisas são, e, salvo raras excepções, a gestão do calendário de provas é feita por ele e não por mim. Não é por nada. É mesmo porque eu sou muito básica e, por mim, qualquer coisa está bem. Já ele, tem planos, tem objectivos, e, obviamente, tem o UTMB este ano.

No entanto, um belo dia, ele falou-me na prova... E eu disse logo que sim, com a condição de ser eu a escolher onde íamos ficar a dormir. E claro que também copiei a sugestão do Filipe! Como já disse por aqui, ficámos no Lima Escape, onde fomos vizinhos do Filipe e da sua família. E adorámos!

É mesmo um pedaço de céu! Ficámos num dos bungalows de madeira, que são autênticas casas na árvore, de onde só vemos as árvores e o rio lá em baixo. Nunca tinha ficado num sítio assim, e acho que é daquelas coisas que temos mesmo de experimentar uma vez na vida. A sensação de paz e tranquilidade, ali no meio da Natureza, é mesmo impagável.

Fomos na sexta-feira de manhã bem cedo, porque já que íamos fazer 400km, queríamos aproveitar o mais possível. Parámos em Ponte de Lima, que eu não conhecia, para almoçar, e eu lembrei-me logo do que era comer no Norte: esperavam-me dias de muita engorda e muito vinho verde.


Gostei de Ponte de Lima. Eu gosto sempre de cidades e vilas com rios, sou muito fácil nesse aspecto. Ainda passeámos um bocadinho a pé, passámos por parte do Caminho para Santiago de Compostela, e até passámos à porta de um albergue, onde o louco-mais-louco-do-que-eu ficou, quando fez o Caminho. Inevitável não me emocionar com aquele ambiente, com os peregrinos à espera que a porta abrisse, com as homenagens aos peregrinos e com toda aquela atmosfera. Um dia, quero mesmo fazer o Caminho.




Seguimos viagem até Entre Ambos-os-Rios, fomos descobrir a nossa casa na árvore e, claro, aproveitámos para uma pequena sesta. 



Ao fim da tarde, fomos fazer um mini treino, que foi mais um passeio fotográfico do que outra coisa. Já tinha andado a ver que percursos é que havia ali perto, e optámos pelo Trilho do Megalitismo. E foi bem giro! Vimos várias antas, vimos gravuras rupestres, pusemos a pata na poça, vimos vacas e cavalos! Toda uma emoção, para nos dar um cheirinho do que seria a nossa prova de Domingo.






À noite jantámos em Ponte da Barca, um bacalhau divinal, e fomos descansar relativamente cedo, que a idade não dá para mais.


Sábado tínhamos mil e um planos! Começámos o dia com um pequeno-almoço na nossa varanda, lento e sem pressas, e depois seguimos caminho.


Fomos em direcção a Soajo, ver os espigueiros, e depois fomos até Lindoso, passando pela barragem, ver mais espigueiros e o Castelo, que merece uma visita, pelo seu muito bom estado de conservação e pela vista desafogada.











A paragem seguinte já foi em Espanha, nos banhos quentes de Lobios. Eu nunca tinha experimentado tal coisa mas aquilo é maravilhoso, Senhores! Quando lá cheguei, fiquei a olhar para aquele "tanque" ali no meio com um ar desconfiado, e aquela coisa de me estar a despir no meio da rua causou-me uma certa estranheza, mas as pessoas lá dentro pareciam felizes e lá pusemos de lado as hesitações e fomos mesmo experimentar. E ainda bem! A água estava mesmo quente. Com o fresco que se fazia sentir cá fora, aquela água quente ainda sabia melhor! Só tínhamos de ter cuidado para não nos aproximarmos das saídas da água, porque a água estava mesmo, mesmo quente e corríamos o risco de nos queimarmos... Mas soube tão bem! Foi uma experiência muito curiosa para mim, que nunca tinha feito nada daquele género. Claro que não aguentei lá muito tempo e comecei com as típicas tonturas de quem tem tensão de piriquito. Mas, mesmo assim, soube bem e valeu a pena! Seguiu-se um almoço numa bela tasca em terras de nuestros hermanos.



A paragem seguinte seria a última: Portela do Homem, para vermos a respectiva cascata. Parámos o carro à entrada do Parque do Gerês e fizemos umas centenas de metros a pé para lá chegar, em que nos sentimos noutra dimensão. O Gerês é mesmo incrivelmente bonito e aquele verde todo não deixa ninguém indiferente. A cascata em si é magnífica e ficámos com uma certa inveja de quem se estava a banhar naquela água tão cristalina mas que devia estar gelada... Sou mais pessoa de banhos quentes, mesmo que não os aguente!



Era hora de regressarmos à nossa casinha, e de irmos levantar os dorsais. O resto da tarde foi para preparar tudo para a prova e para algum descanso, e fomos jantar a um italiano em Ponte da Barca, para nos enchermos de massas e hidratos, como uma refeição pré-prova exige.




Depois do jantar ainda tivemos direito a um concerto de tributo aos Queen, no recinto onde no dia a seguir seria o início e o fim da prova. Ainda deu para rir, para cantar, e para descontrair um pouco para o dia seguinte. Claro que muitas das pessoas que lá estavam iam fazer a prova no dia seguinte, pelo que a festa foi curta... Mas foi uma boa surpresa!

Era chegada a hora de ir dormir... E no dia seguinte já vocês sabem o que aconteceu!

Gostei mesmo muito de toda a experiência, do sítio onde dormimos, da Serra Amarela e daquela parte do Gerês que não conhecia. Temos tanta coisa incrível no nosso país e estas escapadinhas sabem-me sempre bem!

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...