Querida Irene,
Estou muito triste contigo. Decidiste não alterar a tua rota. É um bocadinho chato, sabes? Além de incomodares todas as pessoas na costa dos EUA, também incomodas as pessoas que gostavam de ir até lá passear. E eu sou uma dessas pessoas.
Sabes, Irene, a esta hora eu podia estar confortavelmente sentada num vôo em direcção a Nova York. Em vez disso, estou de pijama na minha cama. Sabes porquê? Porque o meu vôo foi cancelado, graças a ti. E isso a modos que me aborrece um bocadinho.
Eu percebo, tens de fazer o teu papel e cumprir a tua missão. Mas é chato. Podias ir fazer o teu papel no meio do deserto ou do oceano, não? Com um planeta tão grande tinhas mesmo de escolher o sítio para onde eu ia viajar? É mesmo chato.
Sabes, esta viagem além de muito importante foi fruto de uma série de factores que se alinharam na perfeição. Aliás, só ontem de manhã é que eu tive bilhete para ir. E só ontem às dez da noite é que eu tive a certeza que ia. Passei os últimos dias numa ansiedade tremenda sem saber se ia, se não ia. E ia. Estava tudo encaminhado para ir. Mas depois apareceste tu, Irene. E estragaste tudo. Desculpa dizer-te isto assim, mas estragaste tudo.
E eu estou triste contigo. Muito triste.
Agridoce