Faz-me assim a modos que uma certa confusão ouvir pessoas a falar em comprar certos bens que eu considero de luxo, quando mal têm dinheiro para viver. Sobretudo, quando falam em comprá-los a crédito.
Eu não tenho nada com isso, é certo, e o meu único comentário foi qualquer coisa como "Tem juízo". Mas aqui onde mando eu, posso dizer o que me apetece.
E o que me apetece dizer é que acho um disparate pegado. Acho mesmo. Nunca pedi crédito nenhum para nada, e espero não ter de o fazer nunca. A minha única excepção vai ser para a próxima casa, mesmo. Mas aí, só mesmo a minha irmã mais nova é que acha que vai comprar a casa a pronto. Eu cá, a menos que me saia o Euromilhões, vou mesmo ter de pedir empréstimo...
Mas uma casa, é uma casa. É uma coisa importante, necessária, é património que fica. Agora, créditos para sofás XPTO, viagens aqui e acolá, carros e Bimbys? Não, obrigada.
E a questão nem é a importância destas coisas. É mesmo o facto de as pessoas não se preocuparem em terem certas coisas básicas, antes de se porem a gastar dinheiro em coisas que são facilmente dispensáveis.
A questão dos carros é, para mim, muito importante. Eu acho, e a minha opinião vale o que vale, que não faz sentido comprar um carro a crédito. Porquê? Porque um carro é um desinvestimento. E pedir um crédito, com juros, para pagar um desinvestimento, não faz sentido. Finanças básicas. Ah e tal mas e as pessoas que não têm dinheiro para comprar um carro a pronto? Juntam dinheiro e compram o carro que querem, ou juntam menos dinheiro e compram um carro mais barato. É que os créditos dos carros são muito giros e muito baratos e cheios de facilidades mas depois há revisões, inspecções, impostos, seguros, problemas de mecânica, etc., etc. E o que parecia uma prestação querida e fofa, facilmente passa a algo insustentável.
Eu sou muito adepta do "quem não tem dinheiro, não tem vícios". Sou muito rigorosa em relação a isto. Talvez por ter o pai que tenho (poupador compulsivo). Ou talvez por ter a mãe que tenho (gastadora compulsiva). Não sei. Só sei que sou assim. E que me faz confusão ver o que se passa à minha volta.
Mas quem sou eu?