sábado, 30 de janeiro de 2010

Porquê Agridoce?

O amor é agridoce.

Suficientemente agre para não poder dizer que é doce. Suficientemente doce para querer continuar a prová-lo, a pretexto de, um dia, conseguir dizer o que é.

A palavra agridoce resolve o problema como um analgésico resolve a gripe: esconde os sintomas. Agridoce quer definir a indefinição.

E nem sequer há um traço a separar o agre do doce, para avisar que se tratam de duas coisas opostas.

Em vez disso, junta-as discreta e irresponsavelmente, o fiozinho vermelho e o fiozinho preto…

O resultado varia com as pessoas: há quem apenas queime um fusível e resolva o problema substituindo-o por outro. Há quem queime a instalação toda e tenha que deitar a casa abaixo para a reparar. E, claro, há quem não tenha tensão suficiente para faiscar, sequer.

Enfim, o amor é um grandessíssimo curto-circuito.


(do álbum "Do Amor Y Outros Demónios", da banda com o mesmo nome)


É por isto. Um dia talvez, só talvez, deixe aqui a explicação alargada. Hoje, não me apetece voltar ao passado.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Dos apetites e das novidades aqui no T0...

Apetece-me comer um daqueles bolos altamente gordurosos, cheios de açúcar e creme. Apetece-me. Pronto. E não, não estou com desejos de grávia. Estou com desejos, só isso.

Mesmo sabendo que o meu estômago não ia achar piadinha nenhuma. Mas apetece-me.

E enquanto tento (será em vão?) lutar contra estes apetites, adicionei mais um trambolho ali ao lado ------>
Além do candeeiro, da caixa da pílula, de um gancho perdido e de livros já lidos, também tenho aqueles que ali se encontram, na minha mesa-de-cabeceira. (até é mentira, porque o A Tábua de Flandres está aqui ao meu lado a olhar para mim, que eu não me consigo separar dele enquanto não o acabar)

Um dia, mais ou menos longínquo, gostava de escrever sobre os livros que vou lendo, em jeito de crítica literária de quem percebe muito do assunto (ou não). Para já, contento-me com o enunciar dos seus títulos e respectivos autores.

Do momento cultural da semana...

No fim-de-semana assisti a mais um espectáculo de bailado contemporâneo português. Quase que me convenciam (ou enganavam) nos primeiros minutos da primeira peça, mas rapidamente percebi que a minha opinião se vai manter inalterada durante mais uns tempos. Nunca mais chega Junho e o bailado a sério!...

Ainda no fim-de-semana, vi o filme "O Mistério da Estrada de Sintra", que ainda não tinha visto, e gostei. Gostei mesmo. E eu que sou sempre céptica em relação ao cinema português (são muitos anos a ir ao cinema ouvir falar inglês)! Mas o filme está bem feito, com pormenores interessantes, com boas representações, e consegue cativar a nossa atenção. Fiquei com vontade de dar o benefício da dúvida a mais alguns filmes portugueses.

E ontem, para começar bem a semana, fui ver o Avatar, na versão 3D. A primeira coisa a dizer é que adormeci. E dizer isso é dizer muito. Claro que o facto de na noite anterior ter dormido muito pouco, ter trabalhado 9 horas e ter ido à sessão da meia-noite, não ajudou. Mas, de qualquer forma, o filme era um bocadinho longo de mais. Se tivesse só duas horas em vez de duas horas e quarenta, eu ficava agradecida. Muito agradecida! Mas o filme é muito bom, muito bem feito, com uma criatividade que roça a genialidade, com efeitos espectaculares e com uma história que, não sendo nova, nos puxa um bocadinho para a terra e nos faz pensar que isto não é tudo nosso e que devíamos ter mais respeito pelo que nos rodeia. É um daqueles filmes que vai ficar sempre na história do cinema, e merece.

The things I dislike... - I

Pessoas pessimistas.



Não gosto de pessoas pessimistas. Tenho imensa dificuldade em suportá-las. Num primeiro contacto, ainda tento dar a volta à conversa, tentar mostrar o lado positivo das coisas, mostrar que podemos ser mais optimistas, que nem tudo é mau, que nem tudo corre sempre mal. Mas num segundo, num terceiro, num vigésimo contacto, já não tenho paciência. Não tenho. Não sou, mas apetece-me ser mal-educada e dizer às pessoas que se vão atirar de uma ponte, se acham que é tudo tão mau e que vai correr sempre tudo mal.

Não consigo compreender o que é que as pessoas ganham em ser assim. Palavra que não. Todos nós temos momentos melhores e piores. E todos (ou quase) já tivémos algum momento na nossa vida em que não era fácil ver o sol e acreditar que as coisas iam melhorar. Isto é normal e legítimo. Mas pessoas que sistematicamente nos dizem, quando nos despedimos delas ou quando falamos num qualquer evento futuro: "se eu não morrer até lá...". Não é normal, e não há paciência. Uma vez, duas vezes, trinta vezes, a mesma coisa repetida até à exaustão. Ou quando numa qualquer situação uma pessoa tem pareceres de três especialistas diferentes e mesmo assim teima que ela (que não é especialista) é que sabe, e que vai correr tudo mal, e que isto nunca se sabe, ... Mas será que alguém vive mais feliz assim?

Eu chego a um ponto em que já não sei lidar com pessoas assim. Já experimentei dar-lhes razão (sempre disseram que não se discute com loucos), já experimentei tentar explicar as coisas com racionalidade, já experimentei brincar com as situações. Nada vale a pena.


Eu sei que não é fácil, mas a vida torna-se tão mais leve quando somos optimistas! Não precisamos de viver todos no mundo cor-de-rosa das fadas e dos póneis, mas podemos tentar acreditar que o mundo pode ser melhor, que a nossa vida pode ser melhor, que podemos ser felizes. Digo eu, não sei. Para mim é mais fácil sair da cama se pensar nas coisas boas que me vão acontecer nesse dia, do que se só pensar nas más. Porque todos temos coisas más (menos boas, vá) na nossa vida. Não podemos é viver em torno delas.


E mais, estas pessoazinhas pessimistas, deviam perder um bocadinho do seu tempo a olhar menos para os seus botões, e a lembrarem-se de que há pessoas que, efectivamente, têm razões para ser pessimistas. Pessoas com verdadeiros problemas e sem grande razão para sorrir. Pessoas para quem é uma ofensa a desconsideração que estas pessoazinhas tem para com a vida. Mas essas pessoas, curiosamente, são muitas vezes as mais opimistas!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Das decisões... - I

Já estou praticamente decidida a não continuar no mesmo sítio quando o estágio terminar. E só não digo que estou totalmente decidida, porque não sei bem o que me vão dizer e oferecer quando o estágio terminar. Mas, sabendo eu o que a casa gasta, sei que não me vão oferecer condições suficientemente interessantes para que eu tenha vontade de por aqui continuar. E, assim sendo, pego nas minhas coisinhas e vou à procura de algo melhor.

O estágio termina daqui a dois meses e seis dias. Duas ou três semanas antes do seu fim vou começar a mandar cartas de apresentação e CVs para todos os sítios de que me lembrar (incluíndo para o MNAA, que o Prof. Pimentel já foi oficialmente nomeado seu director). Sei que não vai ser fácil, mas não estou particularmente preocupada. Tenho o emprego nº2, onde posso começar a trabalhar mais, assim que tiver mais disponibilidade, e posso, finalmente, ter tempo livre para me dedicar a estudar, a aprender, a participar em formações, conferências e afins. Claro que o dinheiro no fim do mês dava muito jeito, mas também não sou pessoa de ficar parada e sei que, seja na minha área ou não, vou arranjar outra coisa qualquer rapidamente, ou vou dedicar-me ao emprego nº2 a tempo inteiro. Em último caso, posso dedicar-me unicamente aos estudos durante uns tempos, e viver daquilo que andei a amealhar nos últimos anos. Há sempre uma solução!

Estou confiante e optimista, o que já não é mau.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Das novidades... - IV


Esta notícia, ainda não confirmada, deixa-me assim a modos que sem reacção. Honestamente, e se me pedirem a minha opinião (se não pedirem, eu dou na mesma) não sei bem o que pensar se isto, efectivamente, se confirmar.

O Prof. Pimentel foi meu professor em algumas cadeiras ao longo do curso, e era o director do Instituto de História da Arte da FLUC enquanto por lá andei. Tinha qualidades e defeitos, como todos os professores/directores/investigadores. Apesar de algumas coisas menos boas quanto ao seu papel enquanto professor, acho que tem tudo para fazer um bom trabalho como director. No IHA, pelo menos, conseguiu fazê-lo. Ele tem carisma, tem vontade, tem iniciativa, gosta de aparecer, de falar, de dar a conhecer. E é disto tudo que o MNAA precisa, para se afirmar como o maior museu de Portugal. Mas não vai ser fácil, claro. Tal como todos os outros museus portugueses, o MNAA tem problemas graves a nível estrutural e financeiro. Vamos ver se o Prof. Pimentel consegue arranjar soluções reais, e fazer do MNAA, um museu melhor.

E como ele sempre nos disse que um historiador tem de ter lata, eu acho que vou ter lata para, caso ele tome posse, mandar-lhe uma cartinha a dizer que se precisar de alguém para trabalhar, tem aqui uma excelente ex-aluna à disposição. Uma ex-aluna que já estagiou no MNAA e tudo. E que teve um belo 18 na última cadeira que teve com ele. É só vantagens! (puxem-me para a terra porque trabalhar no MNAA era O sonho!)

Da vida que levamos...

Hoje gostava de me meter num avião e ir para um sítio qualquer longe daqui. Bem longe. Ir sem olhar para trás, sem pensar muito. Virar as costas e esquecer o que cá fica.

Mas sou demasiado cobarde para isso. Sou fraca. Sou daquelas pessoas sobre quem os outros se perguntam porque não fazem nada para mudar de vida. É tão fácil falar sobre a vida dos outros. É tão mais difícil viver a nossa.

Eu sei que disse que não me ia queixar mais. Isto não é um queixume. É uma constatação de factos. É um despejar de ideias soltas, de desejos, de vontades.

Gostava de encontrar em mim força suficiente para bater o pé e partir. Porque não quero mais estar aqui. Não quero. Não quero. Quero mais, quero melhor. E eu mereço mais. Eu mereço melhor. Só preciso de encontrar forças para lutar por isso.

Nos entretantos, vou pensando, pensando muito. Pensando na grande decisão que tenho de tomar. Estúpida que sou, já sei que vou optar pelo mais fácil. Não pelo melhor, mas pelo mais fácil. Foi sempre assim. Mas nunca é tarde para mudar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Já que não me posso queixar...

Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há

(...)

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

(...)

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim

(...)



Do grande Rui Veloso...

Das mensagens...

É sempre bom recebermos uma mensagem a dizer "Ola.. Estas boa?", respondermos a pedir desculpa e a dizer que não conhecemos o número, e não nos dizerem mais nada. Parece que tenho 15 anos outra vez. Giro.

Das crianças que não pediram para nascer..

Daqui a dois meses, mais coisa menos coisa, já devo ser tia. Tia. Eu? Tia? Não encaixa. Já fui tia que chegue durante uma certa fase da minha adolescência. Depois passou-me.

Não estou particularmente entusiasmada, mas já dei comigo a entrar numa loja de roupas para bebés, o que foi algo de muito surreal. Acho que não estou delirante com a ideia por duas razões: em primeiro lugar, porque nunca concordei com esta gravidez; em segundo lugar, porque quem está grávida não é a P., mas sim a L. Se fosse a P., seria diferente. Por tudo, porque eles podem, porque eles têm condições (a todos os níveis) para isso, porque estão mais próximos de nós (a P. até trabalha connosco no emprego nº2), por mil e uma coisas mais. Mas, em derradeira análise, porque, por mais que queiramos, e por mais anos que passem, eu não olho para os meus dois irmãos da mesma forma. É impossível. O meu irmão mais velho é filho da minha mãe e do meu pai. Foi com ele que eu cresci toda a vida, foi com ele que brinquei, chorei, ri, dei e levei tareia. E o meu irmão mais novo é filho da minha madrasta e acabámos por não viver muito tempo juntos. Vivemos dois ou três anos juntos, até eu ir para Coimbra, e depois quando eu voltei, já ele tinha ido para o Algarve. Mesmo com a F. e a B. acabo por ter uma relação mais de irmãs, porque convivemos muito mais, porque somos todas meninas, porque vivemos muito mais tempo juntas. O G. foi para o Algarve e, inevitavelmente, acabamos por nos ver somente 3 ou 4 vezes por ano. Talvez seja por isto que eu não esteja tão desejosa de conhecer a minha sobrinha, porque não tenho acompanhado de perto a vida deles e a gravidez.

Por isso e porque, como já referi, não concordo com a gravidez. Já o disse aqui há uns meses. Não acho que se deva ter filhos só porque sim. Nem se deve nem se pode. Não falamos de brinquedos, carros, casas. Falamos de um ser vivo, uma criança, que não pediu para nascer e que não tem culpa nenhuma dos pais que tem. Bolas! Para quê? Qual é a necessidade? Eles são tão novos, têm uma vida toda para ter filhos. Eu sei que não devemos falar como se estivéssemos no lugar dos outros (isto em inglês soava melhor), e que só passando pelas situações, saberíamos o que faríamos. Falar é fácil, eu sei, eu sei essas coisas todas. Mas, mesmo assim, há situações em que não podemos arriscar o passar por elas para ver se corre bem. Esta é uma situação que eu acho, no fundo, que não vai correr bem. Achamos todos, na verdade. Mas eles não entendem, não pensam, ou não querem saber. Eu tenho a certeza que o meu irmão vai fazer tudo para dar o melhor à criança que aí vem, mesmo que isso implique ter três empregos e não dormir. Mas qual é a criança que precisa de um pai com três empregos? Ele pode comprar-lhe as melhoras roupas e levá-la aos melhores médicos (e eu sei que se vai esforçar por isso), mas se ele não tiver tempo para estar com ela, de que é que isso vai servir? Eu também sei que é fácil culpá-la só a ela, e não culpar o meu irmão. A verdade é que têm os dois culpa, e ele tem culpa sobretudo por ser tolinho e por se deixar manipular por ela. Mas ele não tem culpa de ser estupidamente carente e de se agarrar a alguém só porque esse alguém lhe dá os mimos e a atençao de que ele precisa. Mas isso não chega. Mais cedo ou mais tarde, isso não vai chegar. E vamos ter mais uma criança que vai viver sem ter os pais juntos.

Cada vez menos sei se algum dia quererei ter filhos. Há dias em que acho que sim. Há dias em que acho que não. Mas uma coisa é certa: só vou ter filhos se puder mesmo tê-los. E quando digo se puder, incluo ter dinheiro, ter saúde, ter uma casa nossa, não ter dois empregos, ter estabilidade emocional e ter disponibilidade a todos os níveis. E não sei se algum dia conseguirei reunir todas estas condições. Bom, a bem dizer, só me falta o não ter dois empregos, o que vai acontecer já no fim de Março. Isso e a estabilidade emocional, que não tenho. Eu vou ser daquelas que quando marcar a primeira consulta para o GO para começar a pensar em engravidar, marca também logo consulta para o Psi. Just in case.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...