Continuo sem compreender. Continuo sem aceitar. Continuo a lembrar-me de ti sempre que passo naquele fatídico sítio. Continuo a não esquecer as palavras da R. quando, há 5 anos atrás, me disse que o L. lhe pediu para me contar, que eu devia querer saber. Fiquei estática. Sem reacção. Perguntei-lhe se estávamos a falar da mesma pessoa. Se era mesmo verdade. Se ela tinha a certeza. Ela confirmou. Ela não fazia ideia de quem tu eras e não percebia porque é que o L. queria que eu soubesse. Também não lhe expliquei. Não consegui. As lágrimas caíram, caíram, caíram. Durante horas, dias, continuaram a cair. E eu continuo a tentar perceber. Continuo a pensar em ti e a não aceitar. Continuo a recusar-me a ver o DVD daquele concerto. O concerto em que nos conhecemos e em cujo DVD apareces. O DVD que eu só consegui ver uma vez depois de receber a notícia. E chorei, chorei muito. Chorei por não perceber, por não compreender, por não aceitar, por achar injusto. Chorei e não voltei mais a ver o DVD. Não sou capaz.
Não sei lidar com o desaparecimento das pessoas, sejam elas mais ou menos próximas. Não sei. Talvez porque, felizmente, ainda não me deparei com essa situação muitas vezes. Que me lembre, tu foste a primeira pessoa que eu vi partir. Foste a primeira pessoa que estava cá, e depois já não estava. E eu fiquei com tanto para dizer. Acho que é inevitável esta sensação, sempre que perdemos alguém. Eu, que sou extremamente racional, não consigo compreender que vida é esta, e que lógica há, em existir e desaparecer. Compreendo a fisiologia do processo, mas não compreendo a lógica. Como é que uma pessoa está e deixa de estar? E continua a estar? Está ali, à nossa frente, mas não está mais cá? Não percebo. Não aceito. Não compreendo.
A ti, perdoa-me por não ter sido capaz de te ter ido visitar. Pedi ao L. o teu nome completo e perguntei-lhe onde é que tu estavas. E queria, queria muito ir visitar-te, mas não fui capaz. Também, pouco importa. Para mim, não é ali que tu estás. Tu estás nas minhas memórias. Estás no meu pensamento. Estás em mim. E vais estar sempre. Sempre.







