Irritam-me as coisas que me dizes.
Não sei ao certo se me irritam por serem irritantes, se por serem verdade.
Percebo o que me dizes, percebo os teus argumentos. Concordo com alguns, discordo de outros.
Percebo que queiras o melhor para mim. Mas saberás tu o que é o melhor para mim? Saberás melhor do que eu? O que eu acredito que é o melhor, é o mesmo que tu acreditas que é o melhor?
Quando me dizes as coisas que dizes, quando entras pelo meu peito e com as tuas mãos remexes o meu eu mais profundo, quando trazes ao de cima aquilo que me dá tanto trabalho a esconder, quando tocas em todas as feridas, quando ainda atiras álcool, quando não me deixas ficar sem resposta e me prendes para que não possa fugir, estarás a fazer o que é melhor para mim?
Não será o melhor para mim ficar no meu canto, no meu sossego, na minha bolha e no meu mundo? Não será o melhor para mim manter este equilíbrio forçado, esta máscara dia e noite, este armário cada vez mais carregado, este peito a transbordar?
Não será?

