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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

De Chamonix VI... - Tramway du Mont-Blanc, Brévent e a partida do UTMB...

Sexta-feira era o nosso último dia útil em Chamonix, dado que no Sábado tínhamos de ir para Géneve pela hora de almoço.

Sexta-feira era também o dia do pós-prova dele, pelo que queríamos um dia relativamente calmo, só mesmo para acabar de aproveitar o que ainda não tínhamos visitado.

Começámos o dia a tomar um pequeno-almoço numa padaria perto da casa da Heidi, por onde costumávamos passar e víamos sempre cheia. Rapidamente percebemos o motivo.


De barriga (bem) cheia, fomos até Saint Gervais (nos 850 metros de altitude), onde íamos apanhar o Tramway du Mont-Blanc, para fazer o seu trajecto na quase totalidade, já que na terça-feira tínhamos feito apenas uma muito pequena parte entre o Col de Voza e Bellevue. Agora, iríamos até ao Nid d'Aigle, nos 2380 metros.


O percurso demora cerca de uma hora, é sempre a subir, e tem partes verdadeiramente inclinadas e assustadoras

Mas é incrivelmente bonito! Vamos por ali acima, vamos vendo o vale cada vez mais pequeno lá em baixo, e à nossa volta as paisagens são incríveis!






Lá de cima saem, como sempre, muitos e variados trilhos, que devem ser incríveis, mas que terão de ficar para uma próxima oportunidade... Há um trilho que desce junto ao Glacier de Bionnassay (aquele que vêem atrás de mim na foto acima), que deve ser verdadeiramente espectacular! Ficou na lista, para ser feito um dia... 

Depois de uma volta para ver as vistas, voltámos a apanhar o tram para descer tudo outra vez.


Fomos em direcção a Chamonix, onde fomos almoçar a um sítio absolutamente decadente: o Cool Cats, um sítio muito trendy, de cachorros quentes artesanais, com mil opções, cada uma mais gordurosa do que a anterior...



Eu optei por um com salsicha vegetariana e... Ovo estrelado! Nunca tinha visto, muito menos comido, um cachorro quente com ovo estrelado. Mas, afinal, é possível!

Depois disto, restava-nos o último passeio: queríamos subir o teleférico até Planpraz (nos 2000 metros), e aí apanhar outro que nos levaria até Brévent (nos 2525 metros). Esta subida era do lado do Grand Balcon Sud, do mesmo lado onde tínhamos andado Domingo, e de onde teríamos vista para o Mont-Blanc e o Aiguille du Midi. Teríamos... Se o tempo o permitisse.




A subida até Planpraz foi tolerável, mas meio assustadora... O facto de o tempo não estar grande coisa, não ajudava, mas vimos muitos loucos a subir pelos trilhos a pé, mesmo por debaixo do teleférico, numa subida terrivelmente inclinada.



Subimos até Brévent, de onde a vista para o vale era incrível, e começámos a ver o tempo a piorar cada vez mais. O Mont-Blanc estava tapado, e tínhamos a clara sensação de estar no meio das nuvens, que parecia que estavam mesmo ali ao nosso lado...


Alguém andou todo o dia a passear o seu boné de finisher do OCC...




Não cheguei a perceber bem porquê, mas em Brévent senti-me verdadeiramente desconfortável. Estávamos numa altitude bastante elevada, com grandes escarpas à nossa volta, eu não me sentia segura, o tempo estava cada vez pior, e à minha volta só via dezenas de corvos. A sério. Eu só me lembrava do filme do Hitchcock. Estava mesmo a sentir-me mal e acabámos por não ficar lá muito tempo.




Nas duas imagens anteriores, uma fotografia de um mapa que lá estava e a fotografia real do que se via dali, dá para perceber bem o caminho que tínhamos feito na segunda-feira, do Plan de l'Aiguille até Montenvers e ao Mer de Glace, no Grand Balcon Nord.


Foi giro ver o outro lado do vale, que foi, mas eu só queria mesmo sair dali. Apanhámos o teleférico até Planpraz, e depois o outro teleférico até lá abaixo, e durante esse percurso começou a chover imenso e começaram também trovões... Mal saímos do teleférico, abrigámo-nos debaixo de um telheiro, porque estava a chover mesmo muito. Poucos minutos depois, pararam o teleférico. Pararam-no, simplesmente. Com pessoas lá dentro! Eu só imaginava o que seria se tivéssemos apanhado o teleférico uns minutos mais tarde e o tivessem parado connosco lá dentro, no meio de chuva e trovões... A sério. Eu não nasci para estas coisas!...

Eventualmente, a chuva acalmou, e fomos em direcção a Chamonix, porque queríamos assistir à partida do UTMB.



Que mar de gente! Que emoção! Que loucura! Tanta gente, de tantos países, com tantos objectivos e sonhos diferentes... Em Chamonix só se respirava UTMB. Em toda a parte atletas, apoiantes, habitantes e visitantes, toda a gente focada no início da prova. Quisemos encontrar um sítio para assistirmos ao início da prova, e nem isso foi fácil. As ruas estavam completamente cheias de gente! Eram corredores infinitos de pessoas a bater palmas e a gritar palavras de incentivo. Nunca tinha visto nada assim!


Foi muito bom assistir a esta partida, bater palmas a todos aqueles heróis, e ficar ali a torcer por eles, para que pudessem chegar ao fim daqueles 171km.



Saímos de Chamonix de coração cheio, com um pequeno abastecimento de macarons, e voltámos à casa da Heidi.

Neste dia jantámos com a minha amiga porto-riquenha e a sua filha (que também foi finisher do OCC!), e acabámos por ficar horas na conversa, até sermos (literalmente) expulsos do restaurante. É incrível como a corrida nos aproxima de pessoas da outra ponta do mundo, e podemos estar horas a trocar experiências de provas, de vida, de viagens... Ficou o convite para virem a Portugal, quiçá, participar em alguma das nossas provas!

Fomos dormir, já bem tarde, e já com saudades de Chamonix...

sábado, 5 de outubro de 2019

De Chamonix V... - O dia do OCC...

E chegámos ao dia do OCC. Dia 29 de Agosto (dia curioso, já agora).

Acordámos cedo. Muito cedo. Mas podíamos ter acordado bem mais cedo se no dia em que chegámos a Argentière não tivéssemos visto isto:


Então o autocarro do OCC pára em Argentière às 5h45?! Então por que raio vamos nós apanhá-lo às 5h15 a Chamonix, tendo de sair de casa às 4h30?... Toca de enviar email para a organização, a dizer que não tínhamos percebido que havia essa possibilidade e que, por isso, tínhamos reservado lugar no autocarro que saía de Chamonix, pedindo (e implorando) que nos deixassem trocar. Claro que deixaram! E nós respirámos de alívio. E dormimos mais uma hora!

O autocarro que ia para Orsières (na Suíça, onde começava o OCC), parava mesmo em frente à nossa casa da Heidi. Mesmo. Não podia ser mais perfeito. Perto da hora lá fomos nós, e já estavam mais uns quantos loucos à espera do autocarro que nos ia levar a todos ao ponto de partida daquela pequena grande loucura.


A viagem, de quase uma hora, foi feita maioritariamente em silêncio, com algumas pessoas (em que talvez eu estivesse incluída) a tentar dormir um pouco. O dia ia ser longo, e a noite tinha sido curta. 

Chegámos a Orsières e já havia muita gente por toda a parte a fazer tempo para o início da prova. Uns a descansar na relva, outros nos últimos preparativos, mais alguns a fazer um reforço alimentar, e muitos na fila para a casa-de-banho, como é habitual antes de qualquer prova.


O ambiente era curioso. Não sei bem descrevê-lo mas era um misto de excitação, com nervosismo, com emoção. Aquela gente toda não se conhecia, mas ali era toda igual. Atletas e apoiantes, todos juntos, todos a partilhar aquele momento.



O início da prova era numa pequena praça, e lá nos conseguimos posicionar. Eu consegui ficar ao pé dele durante um bocado, mas acabei por me ir pôr junto à meta, para vê-lo partir. Última despedida. Últimas fotos. Uma emoção tremenda. Sabia que ele estava preparado e não duvidava que ele ia fazer uma grande prova. Mas sabia que ele não estava tão confiante como eu. Pudera. Ele é que ia correr!...



Às 8h15 foi dado o sinal de partida. Fiquei ali a ver aqueles 1605 atletas a começar a sua prova. A perseguir um sonho, um objectivo. Impossível ficar indiferente. 


O que os esperava!

Quando todos se foram embora, correndo em direcção às montanhas, e aquela pequena praça que minutos antes estava repleta de gente ficou vazia, também eu me senti estupidamente vazia. Ou cheia, não sei bem. Senti um aperto tremendo e só queria chorar. Estava na Suíça, sem dados no telemóvel, sem ter com quem falar. Ele tinha acabado de partir para a prova mais dura que algum dia fez e eu estava ali, a sentir-me perdida e desorientada, depois de uma descarga tremenda de adrenalina, sabendo que ainda ia passar muito tempo até ter notícias dele (sem dados na Suíça, tínhamos combinado que ele não me ia dizer nada nas primeiras horas e eu ia apenas seguir o acompanhamento ao vivo da prova...).

Andei ali meio perdida e fui em busca do autocarro que me ia levar ao primeiro ponto de passagem onde eu o poderia ver: Trient, ainda na Suíça, já nos 25km de prova. Aproveitei o Wi-Fi momentâneo e troquei algumas mensagens com quem, em Portugal, já estava a acompanhar a prova. Acabou-se o Wi-Fi e começou a viagem até Trient, que foi relativamente rápida.

Cheguei a Trient ainda não eram 9h30 e sabia que ele devia chegar por volta das 12h50, mas ia depender muito de como a prova corresse até aí. Na véspera ele tinha-me dado um Excel que tinha feito, onde tinha posto o tempo estimado de passagem em cada ponto, em função do ritmo que ele previa fazer, para eu me ir guiando e saber mais ou menos o que esperar. 



Ao chegar a Trient, mais uma vez, confirmei que a malta do UTMB não brinca. Havia uma tenda gigante montada para os apoiantes, com mesas e bancos corridos, com um bar com comida e bebida, com uma televisão que ia passando vídeos em directo e informação da prova, com tomadas e... Wi-Fi gratuito! Voltei a estar em contacto com o mundo e comecei a preparar-me para as horas de espera que tinha pela frente. 



Felizmente, fiz rapidamente uma amiga: uma porto-riquenha que vive na Califórnia, e que estava ali a acompanhar a filha. Acabou por ser bom ter companhia, fomos falando e trocando experiências, e o tempo foi passando. Não faltava animação por ali, incluindo um grupo de miúdos de uma escola, e respectiva professora, que tinham muitos e variados instrumentos e faziam toda uma festa!


Através do site do UTMB e da app da prova consegui ver que ele passou em Champex-Lac (o primeiro ponto de controlo) abaixo do tempo previsto, e em La Giète a mesma coisa, apesar de ter perdido algumas posições na subida. A primeira grande subida estava feita, e só faltavam mais duas. Acabou por me aparecer em Trient bem mais cedo do que era suposto, o que me levou a recear que estivesse a ir depressa demais, e que depois iria pagar essa factura...

[Ainda o tentei convencer a escrever ele o relato da prova, mas ele não quer, portanto o máximo que posso fazer é tentar descrever o que ele me foi transmitindo.]

Ele chegou a Trient animado, mas preocupado com o estômago que não estava a colaborar. Sentia-se com o estômago pesado e cheio, e a coisa não estava fácil... Claro que eu fiquei preocupada e a pensar no que viria aí... Mas, felizmente, ele fez uma nova melhor amiga: a água com gás. Tornou-se um pequeno vício, a que ele não disse que não em todos os abastecimentos daí em diante. 


Naturalmente, os acompanhantes não podiam entrar dentro da tenda do abastecimento, mas ainda trocámos umas palavras (e uns beijos!) antes e depois, tirei-lhe umas fotos e despedimo-nos. Estava quase metade da prova feita, ainda que ainda faltassem muitos e longos quilómetros... Acima de tudo, fiquei mais tranquila, porque aquela coisa de estar mais de 4 horas sem saber dele, a tentar adivinhar como a prova estaria a correr, não era para mim... 

Lá foi ele em direcção à segunda grande subida (até aos 2100 metros), e lá fui eu apanhar outro autocarro, em direcção a Vallorcine, onde terminava a grande descida depois da grande subida.

Mais uma vez, tudo super bem organizado, imenso apoio na rua, uma verdadeira festa! Aí já estávamos em França, e já foi mais fácil para mim comunicar com o Mundo e partilhar novidades. Foi muito bom sentir que havia tanta gente a torcer por ele, a acompanhar a prova e a mandar-me mensagens. Sempre que estive com ele, tentei dizer-lhe isso mesmo, para lhe passar algum ânimo (não que ele precisasse).

Fui acompanhando na app, e vi que, mais uma vez, ele perdeu imensas posições na subida... Estava com medo que o estômago tivesse voltado a fazer das suas, ou que ele estivesse a rebentar (estava sol e bastante calor). Mas a verdade é que ele chegou a Vallorcine dez minutos mais cedo do que o planeado, e vinha super animado e bem-disposto. A prova estava a correr bem, apesar de muito dura, e ele estava a adorar.

Eu juro que aqueles 5 minutos em que estive com ele de cada vez, valiam bem pelas horas de espera, só por o ver tão animado! Isso e pelos chocolates que ele andou a roubar dos abastecimentos para me trazer... Quem é que se lembra de tal coisa!? O louco...


E lá foi ele outra vez...

Sempre que ele se ia embora, eu ficava meio tonta, com aquele sorriso parvo de quem está a partilhar uma coisa tão feliz e especial, ao mesmo tempo que sente um orgulho tremendo...

O próximo abastecimento seria em Argentière, já com 44km de prova, e muito perto da nossa casa da Heidi.

A dada altura começou a chover... A chover bastante... Aqueles pingos gordos que chateiam... E eu preocupada com ele, lá no meio da montanha, já com 40km em cima, e ainda a levar com chuva...

Mas não sei o que é que lhe deu, que o homem ganhou fogo nos pés e começou a despachar-se pela montanha fora! Entre Les Tseppes (quase no topo da subida grande) e Argentière, ele ganhou 150 posições! E eu tola, a ver aquilo... A achar que ele tinha ensandecido ainda mais. Não é que ele ligue alguma coisa a isso... Ele é um corredor de meio da tabela. Às vezes, melhor, às vezes, pior. Mas a verdade é que os problemas de estômago tinham ficado para trás, ele estava super entusiasmado e a sentir-se bem. Só me contava que as subidas estavam a correr muito melhor do que esperava, e que aquilo era espectacular.


Argentière já estava. Faltava a última grande subida até La Flégère, e depois era sempre a descer até Chamonix. Faltavam 12 quilómetros! Para o bom e para o mau, a última grande subida coincidia em boa parte com o trilho que tínhamos feito no Domingo, que saía de Argentière a subir. Acho que psicologicamente o ajudou, sobretudo nesta fase, já saber o que aí vinha, já conhecer o percurso, o tipo de terreno e o que o esperava. Despedi-me dele mesmo no sítio onde começava o trilho que tínhamos feito, com um "Vemo-nos em Chamonix! Até já!".

Entretanto, ainda fui à casa da Heidi, porque nessa manhã tinha descoberto que o chuveiro estava avariado... Ora, o homem ia chegar do OCC e a última coisa que eu queria era que ele ficasse sem tomar banho!... Já imaginaram o que seria?!... Pois que lá consegui que fossem lá trocar as torneiras da banheira, e só olhava para o relógio e dizia ao coitado do rapaz que estava a fazer a reparação que tinha de me despachar, que tinha de ir para a meta em Chamonix! Num dia cabe mesmo muita coisa, certo?...

Chuveiro operacional, e lá vou eu em direcção a Chamonix.

O ambiente estava incrível! As ruas cheias de gente, uma festa imensa, barulho por toda a parte... É impossível ficar indiferente ao que se vê ali e às emoções no rosto de cada atleta que corta aquela meta... Tal como em todos os abastecimentos, fiz sempre uma festa enorme sempre que vi um português. Não eram muitos, mas eram bons (tivemos um 7º lugar e tudo!).


Eram 18h28 quando ele cortou a meta. Quase 40 minutos mais cedo que a previsão que ele mesmo tinha feito inicialmente. Fez uma segunda metade da prova absolutamente incrível, sempre a ganhar posições, sempre num bom ritmo e, acima de tudo, a sentir-se bem. Que orgulho, caramba! Foi o 629º atleta a cortar a meta, de 1474 finishers. Um resultado muito melhor do que ele esperava. Mas dentro daquilo que eu esperava, porque sabia bem o que ele tinha treinado...

Gostava mesmo que fosse ele a contar como lhe correu a prova, mas vão ter de se contentar com a minha versão.

E o que eu posso dizer é que foi um dia incrível, de mil e uma emoções, em que não parei um minuto, porque andei sempre de um lado para o outro, e quando estava em algum lado à espera dele, aproveitava sempre para mais uns aplausos, mais umas palavras de incentivo. Não foi, de todo, um dia chato ou de tédio... Foi um privilégio fazer parte de algo assim, e nem imagino o que seja um CCC ou um UTMB... A sério. Foi um dia mesmo muito emotivo, e que nunca esquecerei. Não só pelo que representou para ele, em termos de superação e de objectivo alcançado, mas por tudo o que vi e vivi.

Próximo passo... CCC? Pode ser que sim!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

De Chamonix IV... - Pré-prova e feira do UTMB...

E chegámos a quarta-feira, a véspera do OCC, a prova do UTMB que o meu louco ia fazer.

O plano para este dia era simples: mini-treino de activação perto da nossa casa da Heidi, levantamento do dorsal em Chamonix e passeio pela feira do UTMB. Depois, regresso a casa para descansar e um bom jantar.

Fizemos o mini-treino pela zona de Argentière (cerca de 6,5km com menos de 200 metros de desnível positivo), saindo do apartamento a correr. Convenhamos que naquela zona é relativamente fácil encontrar sítios giros para correr, porque há sempre trilhos (mais ou menos assinalados), há sempre cursos de água, há sempre gente super fit a correr ou a caminhar.

Eu estava em baixo de forma, por isso fui a companhia ideal para ele fazer um treino lento, só mesmo de activação. Claro que eu não podia voltar de Chamonix sem testar a dureza do chão... Numa bela descida, escorreguei numa pedra coberta de musgo, e lá fiquei sentada no chão... Não foi nada de muito crítico, mas andei mais de uma semana com dores e com uma nódoa negra gigante no rabo... Ele, como sempre, ignorou os meus queixumes e obrigou-me a continuar a correr...


Treino (passeio?) feito. Banho tomado. Segundo pequeno-almoço. E lá vamos nós para Chamonix, de comboio.

O levantamento dos dorsais era feito com hora marcada. Cada atleta escolhia a slot de tempo em que preferia ir levantar o seu dorsal, reduzindo-se assim o caos e a acumulação de gente. Ainda assim, estava imensa gente e demorámos quase uma hora... Eu aproveitei e levantei também a minha pulseira mágica, que me ia dar acesso aos autocarros dos acompanhantes.

Seguiu-se o passeio pela feira do UTMB. E que feira! Aquela gente não brinca em serviço!



Fomos visitar os conterrâneos, claro, e ficou o bichinho do MIUT... Mas, por outro lado, eu gostava muito de ir ao Faial... Havemos de ir aos dois, para ficarmos todos felizes. Não sei é quando!

Ficámos a conhecer provas incríveis, em todos os cantos do mundo, daquelas que nos fazem mesmo sonhar... A corrida pode mesmo levar-nos a sítios e a experiências únicas! Haja tempo e dinheiro!...


Eu ganhei o meu Buff da Buff, ele comprou o seu boné e ainda ganhou mais uns prémios noutros stands... Trouxemos alguns recuerdos, comidinhas, revistas, todo um sem fim de coisas... Descobri algumas marcas de acessórios interessantes, que vou querer investigar melhor.


Acabámos por andar horas e horas na feira, almoçámos por lá, e eu comecei a tornar-me um bocado chata, a insistir que ele devia ir descansar e não andar horas infinitas em pé na véspera de uma prova... Até parecia que quem ia correr era eu!...

Lá o convenci a ter juízo e regressámos à base, para um fim de tarde de ronha. Jantámos pelo apartamento, uma boa massa, como se quer. 

Ele preparou o material obrigatório, que incluía apenas o kit básico. A malta do UTMB não brinca, e a lista do material obrigatório é extensa, mesmo no OCC. Além disso, existem ainda dois kits que podem ser activados: o de tempo frio e o de tempo quente. Como os nomes indicam, são kits pensados para situações climáticas extremas, que obrigam a outros cuidados. Felizmente, não activaram nenhum destes kits.

Já eu, preparei o material de roadie, com o guia da prova, horários dos autocarros, comida, roupa quente, água, máquina fotográfica, um livro para ler, etc. Quem diz que vida de roadie é fácil, não sabe o que diz!

Naquela noite, naquela pequena casa da Heidi, os nervos eram muitos... De ambos!

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...