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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dos irmãos... - II

Giro, giro, é ir ter com o meu irmão e dar de caras com um rapazito que não via há anos, e que foi, nos longínquos tempos da adolescência, a grande paixão da minha melhor amiga daqueles tempos... Os disparates que nós fizemos à conta daquele moço e de seu amigo (a minha paixão, claro, que naqueles tempos apaixonávamo-nos aos pares). O auge da nossa vida era, quando saíam as notas, irmos a correr ver as notas que os meninos tinham tido. E sabermos o horário deles. E vermos o livro de ponto para saber se tinham faltas. E quando arranjámos o número de telefone de casa da minha paixão (naquele tempo não havia telemóveis)? De realçar que os meninos eram mais velhos que nós, e que isto não passou de um devaneio platónico. Mas rimos muito graças a eles. E até lhes atribuímos nomes de código e tudo. O do meu era "quadradinhos" (não peçam para explicar). Bons tempos, bons tempos. Tempos em que a nossa maior preocupação era saber se os íamos encontrar no bar no intervalo!...

E, hoje, tudo isto veio à memória quando me cruzei com ele. Parece que é cliente no estaminé do meu irmão.

O mundo é um ovo, é o que vos digo. 

E eu não pude deixar de sorrir ao lembrar-me de tudo isto...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

De Ti...

Hoje falei de ti na terapia... De ti... De mim... De nós... De ti em mim... Causaste muitos estragos por aqui, sabes? Não, não sabes. Não sonhas, sequer. Mas causaste, sim.

Não te culpo por isso. Como em tudo na vida, culpo-me a mim.

Culpo-me pelo que fiz, pelo que não fiz, pelo que disse, pelo que deveria ter dito e calei.

Culpo-me por não ter deixado as coisas bem resolvidas.

E, não me podendo culpar por isso, irrito-me por sonhar contigo. Por sonhar contigo quase todas as noites nos últimos tempos. Sem saber porquê. Sem perceber.

Não sonho sequer que estamos juntos. Sonho contigo, apenas. Apareces e desapareces. São sonhos. Sonhos em que eu e tu somos personagens. São sonhos. Só isso.

Mas sonhos de que me lembro ao acordar. E sonhos que me fazem desejar ter deixado tudo resolvido. Tudo dito. Sonhos que demonstram, talvez, a minha necessidade de closure.

Em relação a ti e a tudo.

É isto que me chateia na terapia. É o remexer no passado. É o reviver dos erros. É a necessidade de, dentro do possível, os emendar.

Mas, convenhamos, o passado já lá vai e há coisas que ficam muito bem lá quietinhas!... Já que não as podemos mudar, mais vale não lhes mexer.




Tu és uma dessas coisas.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Do passado que não era o meu...

Há dias, quando procurava os meus antigos diários/cadernos onde escrevia e anotava citações para encontrar uma frase que gostava de colocar na parede do meu quarto, dei comigo como que a flutuar. A flutuar e a ver uma vida que não era a minha. A flutuar e a ver alguém que não era eu.

Não tinha noção. Passaram-se dez anos. E eu não tinha noção.

Foi como estar a ler sobre a vida de alguém. Senti-me desconfortável. Como que a ler algo que não devia. Como que a remexer no íntimo de alguém. Como que a ler, às escondidas, os diários que alguém escreveu em segredo.

Não tinha noção.

Da brutalidade do que escrevia. Do drama. Da nuvem negra. Da falta de luz. Da desorientação.

Não tinha noção.

Dos pensamentos sombrios. Das cartas de despedida. Da incompreensão. Da solidão.

Não tinha noção.

Sei que muito daquilo foi fruto de uma adolescência complicada. Foi fruto do abandono a que fui sujeita. Foi fruto de amores e desamores, amizades e inimizades.

Mas não tinha noção.

Não tinha noção do quão perto estive de desistir.

Ou então já não me lembrava.



Ou então não me quero lembrar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

De outros tempos...

Lembras-te? Lembras-te de quando sorrias só porque sim? Lembras-te de quando rias até não aguentares mais de tanto chorar? Lembras-te de quando as pequenas coisas significavam tanto?

Lembras-te?

Quando foi a última vez que foste essa pessoa?

Lembras-te?

Para onde foi a inocência, a esperança, a crença num Mundo melhor?

Lembras-te?

Lembras-te de quando foste feliz?

Quando foi a última vez que foste feliz?

Lembras-te?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Da praia da Arrifana...


Não deixa de ser irónico que, no preciso momento em que o carro virava no sentido da Arrifana, o rádio estivesse a passar Jorge Palma.

Porque pensar em Jorge Palma, é pensar em ti. Porque pensar na Arrifana, é pensar em ti.


Podem passar-se anos e anos, podem já ter desaparecido todos os sentimentos que nos uniam, mas há sempre memórias, lembranças, que me fazem sorrir e pensar nos bons momentos. E eu gosto que seja assim.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dos sonhos...

Ontem sonhei contigo. Já não me lembro de tudo e o pouco de que me lembro está meio desfocado. Mas é a segunda vez em pouco tempo que sonho contigo.

Desta vez, sonhei que nos reencontrávamos. Não sei onde, nem porquê. Sei que estávamos bem, calmos, tranquilos, felizes. A pôr a conversa em dia. Dizias-me que tinhas casado. Eu dizia-te que não te via casado. Tu rias-te e dizias que também não me vias a mim casada. Mas que estavas feliz. Que estavas a fazer o que gostavas e cada vez com mais sucesso. Esta última parte acredito que seja verdade. O resto, não faço ideia.

Às vezes, penso em ti. Lembro-me de ti. Pergunto-me se estarás bem. Acredito que sim.

Lembro-me de ti porque tu ajudaste-me a ser quem sou. Acho que tu foste a única pessoa que esteve lá durante as duas depressões porque passei. Estiveste lá na primeira, salvaste-me do abismo. E estiveste lá na segunda, anos depois, obrigando-me a seguir em frente e a encontrar um rumo para a minha vida. Tu estiveste sempre lá. Quem me via contigo não percebia, achava estranho. Mas só quando estava contigo é que eu falava. E mesmo quando eu não falava, tu percebias.

Lembro-me de irmos para as aulas juntos e lembro-me de te dar na cabeça para ires às aulas. Lembro-me de esperar por ti nos intervalos. E lembro-me de ir ter contigo ao "nosso" café quando as aulas acabavam. Lembro-me que gozavas comigo porque pedia um bule de chá e uma tablete de chocolate. Lembro-me de leres o que escrevia, comentares e dizeres que gostavas. Lembro-me de termos planeado um projecto de escrita a dois, que não me lembro se chegámos a iniciar. Lembro-me de tanta coisa. Lembro-me de horas passadas a trocar mensagens e de horas de conversa no IRC. Lembro-me das fotografias que tiraste aos mémés na tua terra no fim do mundo, porque sabias que isso me faria sorrir. Lembro-me do livro que me ofereceste um dia, e cujo título só muito tempo depois eu percebi. Lembro-me de tanta coisa boa e nenhuma má.

Tenho pena, tanta pena, que as nossas vidas se tenham afastado. Que nós nos tenhamos afastado. Tenho pena porque tu foste um verdadeiro Amigo, nos bons e nos maus momentos. E eu nunca esquecerei isso. E estarei eternamente grata por tudo o que me ensinaste, por me teres feito crescer, por me ajudares a ser quem sou. Obrigada.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Das memórias de infância... - II

Tenho saudades de jogar Risco.



Imagem descaradamente roubada de um qualquer site.
E não consegui encontrar nenhuma imagem da versão que andava (e há-de andar) lá por casa.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Das inevitabilidades da vida... - II

Confesso que não esperava.

Uma pessoa chega aqui de manhã, dá uma leitura na diagonal nos blogues vizinhos, e depara-se com a notícia do falecimento do António Feio. Assim, de repente. Qual bomba.

Já todos sabíamos que ele estava doente, muito doente. Mas há sempre uma esperança. Há sempre o acreditar na força e vontade dele em combater esta doença. Há sempre aquela sensação em relação às pessoas que não conhecemos ao vivo e a cores de que são um bocadinho imortais.

Mas não são. E o mundo artístico português hoje ficou mais pobre. Muito mais pobre. Mas fica a lição: "Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer."

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Do cheiro do leite creme...

Quando era criança, era tudo muito mais fácil. As maiores preocupações eram mesmo a escolha dos presentes a pôr na carta ao Pai Natal e os brinquedos que queríamos levar nas férias, que tardavam em chegar.

Depois, vamos crescendo. Com coisas boas, e coisas menos boas. Crescemos nós, cresce a liberdade, crescem as responsabilidades. E vamos crescendo. E vamos sendo obrigados a lidar com as coisas de que antes nos protegiam.

E depois de crescermos, e chegarmos a uma certa idade, entramos na idade em que começa a ser "normal" assistirmos à partida das pessoas à nossa volta. É inevitável. É mesmo assim. Não há nada a fazer.

Mas custa.

Custa sempre.

Custa, mesmo agora que eu aprendi que a morte não é nada. A morte não é o fim. A morte não é uma coisa má. A morte é apenas uma consequência da vida. Todos nós morremos, mais tarde ou mais cedo. O que importa mesmo é a vida.

E a vida o que foi? Foi plena de momentos bons. Lembro-me, como se fosse hoje, do cheiro a leite creme queimado ao entrarmos na casa da Barbosa du Bocage. Lembro-me que havia sempre Pernas de Pau no congelador para nós. Lembro-me dos passeios e da aventura que era uma ida ao supermercado. Lembro-me do pote dos rebuçados e caramelos que vinham de Espanha. Lembro-me de ansiarmos pelo frango assado que trazias ao Sábado nos fins-de-semana na Costa. Lembro-me da tua infinita paciência para criares tantos (bis)netos, e todos juntos. Lembro-me de tantas, tantas, coisas boas.

E a vida é isto. Em mim, tu continuas viva. E vais continuar sempre. Simplesmente, a tua missão aqui chegou ao fim. E agora é hora de teres o teu merecido descanso.


Até breve, avó.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Das inevitabilidades da vida...

E, desde sexta-feira, há mais uma estrela no céu a brilhar.

Vou lembrar-me sempre do caminho que fazia a pé até sua casa. Vou lembrar-me sempre dos lanches, do queijo, do pão-de-ló. Vou lembrar-me sempre das folhas de lúcia-lima que me dava para fazer chá e do seu cheiro. Vou lembrar-me sempre da sopa de feijão, como nunca comi outra. Vou lembrar-me das conversas, dos sorrisos. Vou lembrar-me dos abraços que me recebiam sempre, que me aceitaram, como sendo da família. Vou lembrar-me de tudo isto e muito mais, e vou sorrir.

Bom descanso e até breve, Tia.

terça-feira, 2 de março de 2010

Coimbra é minha até morrer...

Coimbra é nossa,
Coimbra é nossa,
Coimbra é nossa e há-de ser,
Coimbra é nossa e há-de ser,
Coimbra é nossa até morrer!


Tenho saudades de Coimbra.

Tenho saudades da minha faculdade, de toda a Universidade, das cantinas, dos convívios, das aulas e dos exames, dos professores e dos colegas. Lembro-me tão bem do primeiro dia em que vi a minha faculdade. A sensação que senti. A emoção, a alegria, o entusiasmo e o nervosismo.

Tenho saudades das ruas de Coimbra, onde me perdi tantas vezes. Estudei lá 4 anos, e acho que nunca deixei de me perder nas ruas da Baixa. Tenho saudades do rio. Das pontes. Do Urso no Parque, que me fazia sorrir sempre, sempre. Tenho saudades do Jardim Botânico e saudades (não tantas) de subir a ladeira do Seminário. Tenho saudades de ir às compras, de ir comer gelados às docas, de passar horas intermináveis à espera de comboios que me traziam de volta a casa.

Tenho saudades do que vivi, do que senti, do que aprendi, do que não esqueci. Em Coimbra cresci, cresci muito. Também dei muitos trambolhões. Mas aprendi, aprendi muito.

Tenho saudades do traje. Tenho saudades dos cortejos. Tenho saudades de gritar, muito, muito alto, "Coimbra é nossa até morrer!".

E Coimbra vai mesmo ser minha até morrer. Coimbra vai ser sempre Coimbra. Vai estar sempre no meu coração, nas minhas memórias, nas minhas lições de vida. E sei, sei que de cada vez que voltar a Coimbra, vai ser como da última vez. Coimbra vai lá estar, amontoada na colina até ao rio, à minha espera. E eu vou comer as melhores pizzas que conheço, e vou sentir-me em casa. Sempre. Até morrer.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

De ti e do Jorge Palma...



Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
E não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil

Tu não te recordas, certamente, mas foste tu que me deste a conhecer Jorge Palma. Em tempos idos, há muitos anos atrás, nos tempos do IRC e do MSN, mandaste-me esta música e pediste-me que a ouvisse. E eu ouvi. Com toda a atenção do mundo, porque tinha sido enviada por ti. Ouvi e gostei. E dei comigo na Fnac à procura de mais, passado pouco tempo. E comprei um álbum, e depois outro, e depois outro. E apaixonei-me por Jorge Palma. Pela voz, pelas letras, pelo som do piano (o piano na Estrela do Mar petrifica-me...). E tu saíste da minha vida mas o Jorge Palma ficou. E eu só tenho a agradecer-te por isso. De ti, de tudo o que ficou, o Jorge Palma foi o melhor. Não que haja coisas más, que não há, há lições de vida, há memórias, há sorrisos, e há o Jorge Palma.

Há dias, nos tempos modernos do Facebook, vieste falar comigo. Chamaste-me "old crush" e eu sorri. Sorri por me lembrar que tu és mesmo assim. Depois das perguntas da praxe, disse-te que estava bem, muito bem, com vida de senhora crescida, casada e tudo. Ficaste de queixo caído, aposto. Não precisei de te ver para imaginar a tua reacção. Deu para perceber no que escreveste. A tua reacção deve ter sido a mesma que quando me disseste que tinhas tido uma filha. Uma filha com o meu nome (haverá coincidências?). Mas aí, eu estava à tua frente e não pude ficar de queixo caído. No fundo, no fundo, é bom sabermos que as nossas vidas mudaram, que seguiram caminhos tão diferentes. Só espero que estejas feliz, que sejas feliz. Não há ressentimentos entre nós (nunca houve razão para haver) e eu gosto disso. Gosto de falar contigo duas ou três vezes por ano e saber que estás bem. Gosto de ouvir Jorge Palma e lembrar-me de ti. Gosto de passear nas praias da Costa e lembrar-me de ti. Gosto de lembrar-me do que era ser uma adolescente tolinha e apaixonada. Orgulhosa até mais não, idiota até mais não, mas feliz e apaixonada. Quando penso em ti, só penso em coisas boas e sorrio. Obrigada.

E preciso, desesperadamente, de voltar a assistir a um concerto de Jorge Palma. Vou investigar quando é que ele regressa lá ao sítio do costume.

sábado, 19 de dezembro de 2009

It's just one of those days...

Adormeci a pensar em ti. A tentar compreender. A tentar aceitar.

Continuo sem compreender. Continuo sem aceitar. Continuo a lembrar-me de ti sempre que passo naquele fatídico sítio. Continuo a não esquecer as palavras da R. quando, há 5 anos atrás, me disse que o L. lhe pediu para me contar, que eu devia querer saber. Fiquei estática. Sem reacção. Perguntei-lhe se estávamos a falar da mesma pessoa. Se era mesmo verdade. Se ela tinha a certeza. Ela confirmou. Ela não fazia ideia de quem tu eras e não percebia porque é que o L. queria que eu soubesse. Também não lhe expliquei. Não consegui. As lágrimas caíram, caíram, caíram. Durante horas, dias, continuaram a cair. E eu continuo a tentar perceber. Continuo a pensar em ti e a não aceitar. Continuo a recusar-me a ver o DVD daquele concerto. O concerto em que nos conhecemos e em cujo DVD apareces. O DVD que eu só consegui ver uma vez depois de receber a notícia. E chorei, chorei muito. Chorei por não perceber, por não compreender, por não aceitar, por achar injusto. Chorei e não voltei mais a ver o DVD. Não sou capaz.

Não sei lidar com o desaparecimento das pessoas, sejam elas mais ou menos próximas. Não sei. Talvez porque, felizmente, ainda não me deparei com essa situação muitas vezes. Que me lembre, tu foste a primeira pessoa que eu vi partir. Foste a primeira pessoa que estava cá, e depois já não estava. E eu fiquei com tanto para dizer. Acho que é inevitável esta sensação, sempre que perdemos alguém. Eu, que sou extremamente racional, não consigo compreender que vida é esta, e que lógica há, em existir e desaparecer. Compreendo a fisiologia do processo, mas não compreendo a lógica. Como é que uma pessoa está e deixa de estar? E continua a estar? Está ali, à nossa frente, mas não está mais cá? Não percebo. Não aceito. Não compreendo.

Morro de medo da morte. Morro. Não da minha, que essa pouco me importa, mas da dos que me são mais próximos. Durante uma grande fase da minha vida tinha para mim que quando completasse uma certa idade (muito definida na minha cabeça), poria fim à minha vida. Por egoísmo, só. Por saber que não sou capaz de lidar com o desaparecimento das pessoas que me rodeiam. Não sou. Não quero sequer imaginar o desaparecimento de algumas pessoas. Que sentido é que tem viver depois disso? Não tem! Não tem sentido nenhum. Nem tem sentido viver. Vivemos para morrer, apenas. E, depois, há aqueles que morrem precocemente e que deixam um sentimento de injustiça ainda maior. Não se aceita. Eu não aceito. Continuo a não aceitar.


A ti, perdoa-me por não ter sido capaz de te ter ido visitar. Pedi ao L. o teu nome completo e perguntei-lhe onde é que tu estavas. E queria, queria muito ir visitar-te, mas não fui capaz. Também, pouco importa. Para mim, não é ali que tu estás. Tu estás nas minhas memórias. Estás no meu pensamento. Estás em mim. E vais estar sempre. Sempre.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dos Choques...


Ontem passei pela minha antiga escola (que será sempre a minha escola, mesmo tendo eu passado por outras), e, como sempre que passo por lá (o que é raro), não pude resistir a olhar para ela. E olhei. Mas não havia escola. "Onde é que está a minha escola?", perguntei eu ao marido, deixando-me ficar de queixo caído. Fiquei em choque. No lugar onde havia a minha escola só existiam andaimes, uma parede em pé (onde está um painel do mestre Querubim Lapa), e meio edifício. O resto, tinha desaparecido.

Fiquei chocada, de coração apertado, de lágrimas nos olhos. Aquela escola não era uma escola qualquer. Não é fácil explicar isto, e muito menos deve ser fácil para quem lá não estudou, compreender. Mas aquela escola era uma escola diferente, especial. Foi naquela escola que passei alguns dos melhores momentos da minha vida, e também alguns dos piores. Foi ali que vivi grandes amizades, amores, alegrias, tristezas, conquistas e derrotas.

Foi ali que vi, pela primeira vez, aquele que foi o grande amor da minha adolescência. E foi ali que nos vimos, uma e outra vez. E foi ali que namorámos, que nos fomos conhecendo e dando a conhecer, que nos tornámos cúmplices, que rimos, que chorámos, que nos entregámos um ao outro. E também foi ali que decidimos que cada um devia seguir a sua vida. E foi também ali que, na noite do Baile de Finalistas, eu percebi o sentido da expressão desgosto de amor. Não que fosse o primeiro, mas daquela vez foi a doer. Tanto, tanto. Ainda assim, aquela escola é para mim sinónimo de alegria. De momentos bons. De sorrisos e gargalhadas. De festas. De casas-de-banho mistas (que foram, para mim, uma grande novidade). De corridas pelos corredores. De sessões de espiritismo numa qualquer casa-de-banho das catacumbas. De consumo de substâncias menos lícitas, que nos deixavam tolinhos, mas felizes. Bolas, fui tão feliz ali! E agora o meu "ali", são umas paredes destruídas. Deve ser isto que as pessoas mais velhas sentem ao envelhecer, e ao ver os sítios por onde passaram a serem destruídos. Custa, dói, mas ninguém me rouba os momentos que lá vivi. Ninguém.





E, masoquista que sou, fui pôr-me a ler o post que escrevi na noite do Baile, há sete anos atrás. E agora, para não ir cortar os pulsos, vou ali encher-me de chocolates, pensar no Natal e tentar ignorar o rebuliço de emoções que para aqui vai.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...