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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da minha capacidade incrível para suster a respiração...

Estamos a dia 4 de dezembro. O mês do Natal. O último mês do ano.

E o que é que eu fiz no que ao Natal diz respeito? Montei a árvore de Natal. Literalmente. Montei a árvore, com os seus muitos e variados ramos porque talvez tenhamos comprado uma árvore demasiado grande mas não faz mal porque eu gosto dela assim. Montei-a e deixei ali no seu esplendor verde. E também deixei no seu esplendor as caixas com todas as decorações, que vieram da arrecadação e que estão pousadas no hall de entrada, para gáudio de pequeno Snow.

Portanto... A pessoa que vibra com o Natal. A pessoa que adora o Natal. A pessoa que se perde em decorações e planos. A pessoa que planeia tudo com uma antecedência, por vezes, considerada (de forma injusta) exagerada. 

Essa pessoa, este ano virou Mr. Scrooge e não quer saber do Natal.

Não quero. Não me apetece. Não tenho vontade. Não tenho, sequer, planos definidos. Não sei onde vou passar nem o dia 24 nem o dia 25. Não só porque não depende só de mim, mas porque mesmo quando o que não depende de mim estiver resolvido, eu vou ser forçada a tomar uma decisão que não me apetece ter de tomar.

Não consigo pensar no Natal. Presentes? Nem vê-los. Certo é que deixei de dar presentes nos últimos dois anos. Limito-me a comprar algumas coisas para os sobrinhos, e tudo o resto vai corrido a pequenas oferendas comestíveis que saem da minha cozinha. Prefiro pegar no dinheiro e doar a instituições que realmente precisam. Mas nem isso eu ainda fiz este ano!.... Nem pensei nos presentes dos sobrinhos (e tinha sido tão inteligente aproveitar a Black Friday para isso....), nem pensei no que vou fazer para oferecer, nem escolhi as instituições que vou apoiar.

Não consigo pensar no Natal.

Tenho demasiado em que pensar. Tenho a minha vida em suspenso. Estou assim a modos que a conter a respiração, semana após semana, à espero da altura em que vou poder respirar de alívio. Se é que vou poder respirar de alívio. Não sei. Não sei nada.

Se pudesse, avançasse no tempo até ao final do ano. Até ao momento em que terei certezas (ou, assim o espero...). Adormecia agora e só acordava daqui a umas semanas, com a minha vida em ordem e o futuro traçado a régua e esquadro (como eu tanto gosto). Mas não! Porque a vida não é desenhada a régua e esquadro e, mais uma vez, fez questão de me mostrar isso mesmo.

Tinha aqui escrito, em Outubro, que estava deprimida com o final do ano, e com o facto de não ter cumprido dois dos três objectivos que tinha definido para 2019. Pois que a vida resolveu pôr-me a cenourinha à frente do nariz e, apesar de ser certo que já não vão acontecer em 2019, talvez, só talvez, se concretizem em 2020. Com muitos medos e dúvidas, com muitas incertezas, com decisões tremendas para tomar, com coisas que não dependem de mim. Mas pode ser que 2020 seja o ano. Pode ser. 

Assim a vida queira colaborar comigo e queira dar-me um final de ano feliz e sereno. Ou só feliz, que sereno duvido que seja. Mas que eu possa voltar a respirar. Já não era mau.




(Prometo que tudo isto um dia fará sentido. Não sei é quando. Obrigada a quem estranhou a ausência e se preocupou.)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Dos balanços que fazemos do tempo que teima em passar...

Estamos em Outubro. Não sei bem como nem porquê, mas estamos em Outubro. Três quartos de 2019 já se foram. Também não sei para onde, não.

Mas sei que o ano tem passado a voar. Sei que o ano tem sido de altos e baixos.

Também sei que para 2019 tinha três objectivos, tão concretos e definidos, e só atingi um deles. Há uma pequena esperança de que um outro ainda venha a ser atingido, e há um sonho, que não é mais do que isso, de que o terceiro se concretize, ainda que o saiba quase impossível.

Nem sei bem por que raio estou a fazer este balanço nesta altura do ano, mas continuo em modo introspectivo. Continuo a assistir ao caos à minha volta, e torna-se inevitável olhar para dentro, para mim, para a minha realidade.

Tinha muitas expectativas para 2019 e custa-me esta constatação de que a vida nem sempre (raramente?) é como nós queremos. A vida é o que é. Com altos e baixos. 

Alterno entre dias em que penso que não faz mal, que dias melhores virão, e dias em que me revolto comigo mesma, que me culpo, que me responsabilizo. Há dias em que eu desdramatizo e tento não pensar nisso. Há dias em que toda eu viro drama queen e enrolo-me em posição fetal no meu canto. Há dias em que eu acredito e em que eu mantenho a esperança. Há dias em que aceito esta realidade como a única possível e a minha sina incontornável.

Faltam 3 meses até ao final do ano. Tenho a agenda cheia de concertos, corridas, fins-de-semana de passeios. Esforço-me por estar o mais ocupada possível. Talvez assim eu consiga não pensar. Talvez assim eu consiga distrair-me. Talvez assim 2020 chegue depressa e, com ele, novas esperanças e sonhos.

Ou talvez não.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Das coisas que me ocupam os pensamentos pela manhã...

Estou cansada deste corpo.

Não sei quando foi a última vez que tive uma relação saudável com o meu corpo. Não sei se alguma vez tive uma relação saudável com o meu corpo. Não gosto particularmente deste corpo que habito. É um facto. Na maior parte dos dias, temos uma relação cordial de tolerância mútua. Eu tento tratá-lo o melhor possível, numa vã tentativa de me redimir dos erros do passado, ele tenta não me chatear muito. 

Mas há dias em que a relação fica difícil. Há dias em que ele me cansa, em que ele me irrita, em que ele me revolta.

Sim, eu sei. Há por aí tanta gente com coisas gravíssimas e eu aqui a lamuriar-me das minhas pequenas coisas. Eu sei. É estúpido. Mas eu também tenho direito a ser estúpida de quando em vez. E, hoje, as minhas pequenas coisas chateiam-me. Este pequeno corpo defeituoso chateia-me. Chateia-me esta carga genética. Chateia-me que tenha de haver sempre qualquer coisa que não está bem. Chateia-me começar o dia com mais uma porcaria de um exame, que me devia dar ânimo e esperança, e que só serviu para me deixar com dúvidas na cabeça.

Também me chateia a minha falta de resiliência, diga-se. Eu chateio-me a mim própria. Bastante facilmente, até. Uma pessoa quando vai numa corrida, seja de 5 ou de 42 quilómetros, sempre sabe que existe uma meta, um objectivo, um final, que será atingido. Nesta relação com o meu corpo chateia-me não saber bem que final é esse, não saber se vou atingir algum objectivo, não saber nada, na verdade. E chateia-me a facilidade com que eu me abato, com que eu baixo os braços, com que eu tenho vontade de me fechar na concha e de desistir de todo e qualquer esforço. É estúpido. Eu sei.

Amanhã eu sei já passa, mas agora estou assim...

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Da minha ausência por aqui...

Poderia dizer-se que estarei de férias, mas não é o caso.

Simplesmente, não me tem apetecido escrever. Ando mais introspectiva. Há muita coisa a acontecer à minha volta. Há muita coisa a acontecer em mim. Estou numa fase decisiva da minha vida. Uma fase de muitos medos, dúvidas, incertezas, que se misturam e confundem com esperanças e desejos. 

À minha volta, vejo mundos e rochedos a desmoronar-se. Vejo o certo virar incerto. Vejo tristeza, revolta, frustração e mágoa. Não tomo para mim as dores dos outros, mas é impossível ficar-lhes indiferente. 

Mundo estranho, este. Inventamos tanta coisa, e não inventamos o que mais importa. 

Podemos saltar já para Dezembro?... 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Dos feitos que nunca pensámos serem possíveis...


Foi há precisamente um ano que fiz a minha primeira Maratona. Passou um ano, estou a poucos dias de tentar a segunda, e ainda não acredito que consegui. 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Do tempo que passa e nada muda...

Foi há um ano. Um ano. Passou um ano e eu continuo a sentir-me exactamente da mesma forma. Sem saber como reagir, como lidar, como aceitar. A questionar-me, a culpar-me, a pôr tudo em dúvida.

Passei o último ano a questionar-me se deveria voltar à terapia. Não voltei. Obviamente, não voltei. Talvez passe o próximo ano a questionar-me se deveria voltar à terapia. Provavelmente, não vou voltar. 

A terapia é cansativa e eu já tenho demasiadas coisas cansativas na minha vida. Sim. Faz bem. Faz maravilhas, até. Em querendo, ide todos para a terapia. Mas eu não quero. Não me apetece voltar a começar do zero. Não me apetece ter de contar a história toda da minha vida. Não me apetece esmiuçar os meus muitos e variados traumas, feridas e fantasmas. Já disse que isso é cansativo? Também é cansativo encontrar um terapeuta em condições. E é ainda mais cansativo fazer terapia com alguém que não nos espicaça, que não mexe connosco, que não põe o dedo na ferida. É tudo cansativo. 

Lembrei-me agora do meu recente post sobre as relações. Sobre a preguiça nas relações. Sobre o comodismo e o facilitismo. Eu estou numa fase comodista. Não me apetece ter trabalho. Deixai-me ser preguiçosa.

Talvez um dia isto mude. Talvez um dia eu me dedique a falar sobre isto. Me dedique a arrumar os macacos no meu sótão. A entender emoções. A aceitar. A perdoar(-me). A seguir em frente sem mais amarras no passado. Sem mais dúvidas. Sem mais remorsos.

Talvez um dia.

Hoje não é o dia.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Das contagens decrescentes para as quais não estamos preparados...

Falta um mês para a Maratona de Aveiro. Ou da Europa, se preferirem. Ou dos Ovos Moles, na minha versão. 

Um mês. Um mês que parece tanto e tão pouco ao mesmo tempo. 

Os sentimentos por aqui são, como seria expectável, contraditórios.

Há um ano atrás, a treinar para Madrid, dominavam a dúvida e o medo do desconhecido. Quem nunca fez uma Maratona, não faz ideia do que esperar e tem dúvidas se será capaz de a fazer. E eu sentia-me assim. Agora, que já fiz uma, os sentimentos não são melhores. Por um lado, sei que já fiz uma e que fui capaz de tal feito. Mas, por outro lado, não tenho a arrogância de achar que, lá porque já fiz uma, a segunda está garantida. Não está.

Gosto de acreditar que hei-de cortar aquela meta, seja com que tempo for, nem que tenha de me arrastar até lá. Mas também gostava de conseguir acreditar que vai ser uma prova feliz e que não vou ter de me arrastar até à meta.

Faltam-me dois treinos longos. E são eles que me vão dar os últimos indícios do que poderá acontecer daqui a um mês. Ou não. Que nestas coisas já se sabe que cada dia é um dia, cada treino é um treino.

Também me faltam os meus dois companheiros preferidos de treino, que entraram comigo nesta jornada. E isso, parecendo que não, faz muita diferença. Esta não era para ser uma jornada a solo, e eu mantenho a esperança de que eles vão regressar à luta em breve. 

Falta um mês. E daqui a um mês, a esta hora, eu espero estar a sentir-me feliz e com toda a energia do mundo para enfrentar os 30km que ainda me vão estar a faltar. 

Vemo-nos em Aveiro? 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Das coisas em que eu penso...

Ainda penso em ti. Muitas vezes. Demasiadas vezes, talvez.

Não penso em ti por ter saudades, por sentir a tua falta, por querer ter-te de novo na minha vida.

Penso em ti, apenas e só, porque ainda não fui capaz de me perdoar por todo o mal que me fizeste. Talvez um dia consiga ultrapassar isso. Talvez um dia volte à terapia. Talvez toda a terapia do Mundo não seja suficiente para eu aceitar que ter-te permitido que me fizesses tanto mal, não faz de mim uma pessoa menor.

Além de todas as feridas evidentes e óbvias, há todas as outras que ninguém sabe, que ninguém conhece, mas que trago gravadas em mim e das quais não me consigo livrar, por mais que queira.

Não sou uma pessoa bem resolvida, não levo uma vida perfeita, não tenho as ideias milimetricamente arrumadas e não estou cheia de certezas. Tenho dúvidas, tenho medos, tenho uma bagagem imensa que me faz questionar-me. Muito.

Gostava de escrever sobre o quão feliz sou. Sobre o quão grata me sinto pelas coisas boas que a vida me deu. Sobre o quão sortuda me sinto, tantas vezes. Que sou. Feliz. Grata. Sortuda.

Mas não o sou todos os dias. Não consigo. E, hoje, só consigo ficar a olhar para mim e para o passado, e continuar a tentar perceber como foi possível, como é que eu, pessoa que se considera inteligente, permiti que tudo aquilo acontecesse, como é que eu desperdicei tempo de vida daquela maneira, como é que eu não fiz nada. Como?... E o pior? O pior é saber que pode voltar a acontecer. Porque é tão fácil!...




Nota: este post já foi escrito há algum tempo. Hoje estou como sou. Não no Alta Definição, mas feliz, grata e sortuda, nesta casa de onde pouco ou nada tenho saído e que me dá para devaneios com pouco sentido.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Das dúvidas que me surgem a meio de mais uma crise...

Qual é a quantidade de lágrimas que o nosso corpo consegue produzir? Corremos o risco de desidratar? De onde vem tanta água?

Todas estas dúvidas me assaltaram um dia destes quando, mais uma vez, chorei sem parar durante mais tempo do que o que seria recomendável. Eu, imóvel, e as lágrimas ali a escorrer, umas atrás das outras.

E eu, confesso, comecei a questionar-me sobre a origem de tanta água e sobre a capacidade do nosso corpo de produzir mais e mais lágrimas. Achava eu que devíamos ter um depósito de lágrimas algures (no saco lacrimal, talvez?), e que esse depósito seria finito. Parece que não. Parece que o nosso corpo consegue produzir mais e mais lágrimas, umas atrás das outras.

E, não se preocupem, não é possível desidratar por chorar demasiado. Diz o Tio Google que o nosso corpo sabe gerir a água que tem disponível e que, antes de nos deixar desidratar, corta-nos o stock de lágrimas.

Estou muito mais descansada agora. E esclarecida, já agora! Que uma pessoa não pode seguir com a sua vida, sem encontrar resposta para estas questões fundamentais da nossa existência.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Do dia em que eu fui operada (outra vez)...

Foi há uma semana que fui operada. Ainda pensei se valeria a pena escrever sobre isto por aqui, mas depois pensei que, tal como eu, podia haver mais gente que andasse por essa internet fora à procura de experiências de quem passou pelo mesmo. Por mais que médicos e enfermeiros nos expliquem o que se vai passar, é sempre diferente ouvirmos e lermos relatos de pessoas reais, como nós, com as mesmas dúvidas e medos.

A cirurgia em si não teve nada de especial. Acredito que, para as médicas que me operaram (tive uma equipa exclusivamente feminina de volta de mim - e onde raio é que eles arranjam médicas tão giras?), era apenas mais uma coisa simples e rotineira. Que era. Mas para mim não era assim tão simples nem rotineira. Apesar de já ter feito uma cirurgia do género há 15 anos atrás (adeus, ovário direito!), não deixava de ser uma cirurgia.

Não me lembro de grande coisa, obviamente. Lembro-me de me deitar na maca em que me levaram para o bloco. Lembro-me de passar da maca para a mesa no bloco. Lembro-me de perguntar pela anestesista e de querer saber que anestesia me iam dar. Lembro-me de me porem fios, de me prenderem à mesa, de haver todo um aparato à minha volta, de me dizerem que me iam começar a injectar a anestesia. E depois não me lembro de mais nada. Não houve contagens regressivas, nem elefantes cor de rosa, nem últimas palavras. Nada. Adormeci e acordei no recobro, cerca de 3 horas depois.

Confesso que tinha duas grandes preocupações: o meu útero e a anestesia geral (que nunca tinha levado). Nunca tinha pensado muito sobre isso, mas quando, na consulta de anestesia, o anestesista me explicou ao certo o procedimento, confesso que não fiquei muito confortável com a ideia. Além de ter de o ouvir comentar que, normalmente, as pessoas não faziam tantas perguntas e não queriam saber tantos detalhes. Mas ele era o sósia do Professor e eu queria ouvir tudo o que ele tinha para dizer. E então, disse-me ele, uma anestesia geral é mesmo isso: geral. Provavelmente, toda a gente sabe isto, mas eu nunca me tinha debruçado sobre o tema e ainda não tinha percebido exactamente que o conceito de anestesia geral é muito próximo de um shutdown total do nosso corpo, com uma fé absoluta de que, no final da cirurgia, vão conseguir fazer um reboot. E isso, ainda agora, não me deixa muito confortável. Mas eles lá devem saber o que fazem, ou não estivesse eu aqui a contar a história.

O pós-operatório podia ter sido pior: no próprio dia estava completamente drogada, lembro-me vagamente das visitas que tive, e queria mesmo era dormir. Nem fome eu tinha, se tal é possível!... Mas o dia seguinte foi duro. Estive estupidamente enjoada e acabei por vomitar duas vezes. Ora, depois de uma cirurgia abdominal, em que um simples espirro nos dá dores pouco suportáveis, o acto de vomitar é, além de pouco bonito de se ver, algo que nos faz desejar verdadeiramente que saia um alien de dentro de nós e nos mate de vez. Mas não. Continuei ali a sofrer até que, antes de dormir, me deram mais umas drogas para a veia, com a promessa de que, no dia seguinte, ia acordar fresca e maravilhosa (palavras da enfermeira). 

E, de facto, acordei bem melhor. Tão melhor que quando a médica me veio ver a meio da manhã, e depois de olhar para a minha linda cicatriz e os seus 13 agrafos, decidiu dar-me alta antecipada. Ou isso ou eu fiz um ar tão desesperado por me ir embora e ela teve pena de mim. Ou isso ou fez parte do plano de contingência que estava a ser activado por causa do calor e que fez com que a enfermaria onde eu estava (e onde chegámos a ser 9!), ficasse completamente vazia quando eu fui a última a sair ao fim do dia. O que importa é que vim para casa no Sábado, e não Domingo ou Segunda, como previsto inicialmente.

E em casa continuo. Entre a cama, o sofá da sala e o sofá do escritório. Entre séries e livros, quando há cabeça para isso. A pegar no portátil pela segunda vez agora, para escrever este texto. Com sestas. Com neuras. Com pouca paciência. Com algumas visitas. Com um gato cada dia mais mimado e que está agora encostado a mim, porque está imenso frio e precisamos de nos aquecer mutuamente.

E com dores. E com tonturas. E a enrolar a barriga em película aderente quando quero tomar banho, num momento sempre ridículo, sempre caricato. E a sentir-me cansada. E frustrada por me sentir inútil e incapaz de fazer o básico. E encharcada em drogas. Mas a sentir-me a melhorar, a pouco e pouco. Dia após dia. Sei que é uma questão de tempo até recuperar a minha mobilidade, até as dores e as tonturas melhorarem, até poder voltar a fazer alguma coisa e sentir-me produtiva.

Mas, já se sabe, não sou a pessoa mais paciente do mundo e este processo, que se quer lento e repleto de descanso, consome-me aos poucos e cansa-me.

 E ainda só passou uma semana!...


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Do poder do tempo...

Fez esta semana 3 meses que a minha mãe morreu. Às vezes, ainda acho que é mentira. Muitas vezes, ainda a vejo na rua, em pessoas que me fazem lembrar dela. Apenas e só para me lembrar que não pode ser ela.

Já passaram 3 meses e parece que foi ontem. Lembro-me como se tivesse sido ontem, na verdade. Lembro-me do telefone a tocar, lembro-me das palavras do outro lado, lembro-me de ficar sem reacção. Lembro-me de tudo com uma crueza que me arrepia. Mas, ao mesmo tempo, tenho muitas vezes a sensação de que não é verdade. De que não aconteceu.

Passaram 3 meses e no Sábado, estava eu deitada na praia, quando a BFF me perguntou como estava eu em relação a isso. E eu, eu hesitei uns segundos, desviei o olhar e, tentando conter as lágrimas, disse-lhe apenas a verdade: que ainda não tive tempo para processar isso. Ainda não parei para pensar nisso.

Arrasto-me no correr dos dias, que não páram uns atrás dos outros, e não me dou o tempo de que preciso para pensar verdadeiramente sobre isso. À minha volta, ninguém fala nisso. À minha volta, talvez acreditem que eu estou bem em relação a isso. Ou talvez tenham medo de perguntar. E a verdade é que eu também não quero falar sobre isso. A única pessoa com quem talvez quisesse falar sobre isso, é o meu irmão. Mas o meu irmão está sempre longe. Literal e metaforicamente falando. E eu guardo tudo para mim. Por ter pouca fé nas pessoas e na sua capacidade de compreender aquilo que eu própria não sei explicar. Por achar que não vale a pena. Por não querer mais ouvir palavras de consolo. Por não querer mais palmadinhas nas costas.

Continuo à espera que o tempo, esse mágico poderoso, exerça os seus fantásticos poderes e me ajude a aprender a lidar com isto. Se isso não for possível, que me ajude a acalmar a dúvida, a mágoa, a culpa. Quero muito acreditar que um dia eu vou saber lidar com isto. Preciso de acreditar nisso. Mesmo que não acredite.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Das fichas que caem logo pela manhã...

A estacionar o carro ao pé do metro, num dia banal como todos os outros, oiço o telemóvel começar a vibrar dentro da carteira pousada ao meu lado. Penso para mim que deve ser o profissional e que não deve ser nada que não possa esperar pela hora em que, efectivamente, já estarei a trabalhar. 

Depois ocorre-me que, apesar da hora, pode ser a chamada que tenho estado a aguardar nas últimas semanas. Curiosamente, meia hora antes enquanto tomava o pequeno-almoço, pensei ser eu a ligar para lá, mas acabei por me distrair com o gato e as habituais tarefas matinais.

Encostei o carro como pude e peguei no telemóvel. MAC. Apesar de ser um número para o qual não se pode ligar, tenho-o gravado para que me possa preparar e não ser apanhada de surpresa quando atendo. Também para garantir que atendo sempre.

Do outro lado, aquilo que eu queria ouvir mas que ao mesmo tempo queria não ter de ouvir: sou operada para a semana.

A cirurgia não é nada de complicado. Uma miomectomia, em termos técnicos. Tirar o pequeno alien que cresce dentro de mim, em termos leigos. É uma coisa simples, daquelas que os médicos fazem a toda a hora e sem grandes preocupações. Mas é o meu corpo. É o meu útero (com todos os receios ao seu futuro associados, caso alguma coisa não corra bem). É uma anestesia geral. E uma epidural, já agora. Não sei qual das duas me preocupa mais. Vai ser um pós-operatório chato. Vão ser as dores. Vai ser a minha falta de mobilidade e independência. Vão ser todas as coisas que ainda tenho bem presentes da última vez que fiz uma cirurgia deste género, quando, há quinze anos e um mês atrás, tirei um quisto e seu respectivo ovário (ou ao contrário). A única coisa boa é que me disseram que iam usar a mesma cicatriz da última vez. O que só deve querer dizer que vou ficar com uma cicatriz ainda mais feia e grossa. Mas quero acreditar que isso será sempre melhor do que duas cicatrizes. 

E tudo isto para me distrair e não pensar no que me trouxe aqui: foi agora que me caiu a ficha. 

Esta cirurgia já era uma possibilidade desde Dezembro. Depois de muitos exames e consultas, depois de dúvidas e opiniões médicas contraditórias, ficou decidido em Abril que seria mesmo operada. Entre a morte da minha mãe e a Maratona, ainda tive a consulta com o anestesista, que era o sósia do Professor (quem viu a Casa de Papel, entende). Depois tive mais uma consulta com a minha médica, e depois com as enfermeiras, que ficaram de me ligar a marcar a data. 

Portanto, há já muito que eu sabia que isto ia acontecer. E estava calma em relação a isso. Até já tinha aproveitado os saldos para comprar o robe e as camisas de dormir que preciso de levar para o hospital. E já tinha aproveitado a Feira do Livro para me abastecer para o muito tempo livre que vou ter. E eu falava disto sem problema. Sempre dizendo que era uma coisa simples. 

E é. Mas agora é real. Agora vai mesmo acontecer. Comigo. 

E eu não quero. E tenho vontade de bater o pé no chão e fazer birra e dizer que não. 

Tanta gente com problemas tão sérios e eu com os meus dramas infantis. Mas não quero saber. Hoje, eu posso. Amanhã já passou. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Dos dias que passam mas que, na verdade, se arrastam apenas...

Os dias passam. Correm um atrás do outro. Não damos pelo tempo passar. Vamos andando. Vamos (sobre)vivendo. Fingimos que está tudo bem. Sorrimos e acenamos. A minha frase preferida dos últimos tempos.

Sorrimos e acenamos e escondemos o que vai cá dentro. Acordamos e pomos a máscara da felicidade aparente. Fingimos que está tudo bem e que já passou. As vidas à nossa volta continuam e nós sentimo-nos forçados a continuar, mesmo que presos a um passado tão próximo e tão distante, ao mesmo tempo. Dividimo-nos entre a tentativa de compreensão e a revolta contra aqueles que, à nossa volta, esqueceram o que aconteceu. O que nos aconteceu. O que ainda nos invade os dias. O que ainda nos preenche os pensamentos. O que ainda mexe connosco como se tivesse sido ontem. E não foi?...

Fingimos que está tudo bem. Sorrimos e acenamos. Enquanto por dentro somos corroídos por uma dor que nos revolve as entranhas e que não conseguimos explicar quando nos perguntam o que é que temos. Nada. Não temos nada. 

Lutamos contra esta infecção que se espalha pelo nosso corpo, pela nossa mente. Tentamos seguir os conselhos de quem nos diz que vai passar, que vai ficar tudo bem. Tentamos não nos deixar levar para o fundo por esta corrente tão pesada que nos puxa, e puxa, e puxa.

Numa consciência total e absoluta em relação ao que se está a passar, sorrimos e acenamos e fingimos que está tudo bem. Numa ingenuidade que podia ser ignorância mas que é simplesmente estupidez, sorrimos e acenamos e fingimos que está tudo bem. 

Porque é isso que, à nossa volta, todos nos dizem: vai ficar tudo bem. 

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Dos meus sonhos...

Esta noite sonhei com a minha Avó. Sonhei que chegava a casa e ela estava ali. No hall de entrada. Com o seu sorriso à minha espera. Como se nada fosse. Como se tivesse sido apenas uma partida para nos enganar e brincar connosco.

Só me lembro de ter desfalecido e acordei em sobressalto. Foi só um sonho e não foi apenas uma partida.

34 anos de idade e ainda não sei lidar com a irreversibilidade da morte. Talvez nunca venha a saber.

domingo, 27 de maio de 2018

Da forma como desperdiçamos o que nos é dado...

Um mês e nove dias. Um mês e nove dias foi exactamente o tempo que eu demorei a cair em mim.

A minha mãe morreu. A minha mãe morreu e a única coisa que eu fiz nos últimos anos foi ignorá-la. Foi deixar sem resposta os emails e as mensagens que ela insistia em enviar-me e que tinham até o dom de me irritar.

Agora já não vai haver mensagens nem emails para ignorar. Nem para responder, quisesse eu mudar de ideias.

Agora já não vai haver nada. Porque ela morreu.

Ela morreu e eu percebi agora que vou viver para sempre com a culpa, com a dúvida, com a incerteza. Ela morreu e eu não sei se fiz tudo o que podia. Ela morreu e eu não sei se dei todas as oportunidades que devia ter dado. Talvez pudesse ter dado mais uma. Talvez devesse ter dado mais uma.

Agora não há nada a fazer. Agora é clara para mim a irreversibilidade da morte. É clara como se nunca tivesse sido. Achamos sempre que a morte é uma coisa distante, que acontece aos outros, que acontece aos que são muito velhinhos, que vai acontecer um dia mas nunca pensamos muito bem em quando será esse dia. Depois a morte começa a fazer o seu trabalho. Leva-nos uma pessoa, e outra, e outra. E nós percebemos que a morte é mesmo inevitável. E mesmo irreversível.

E a morte traz consigo lições. Muitas e variadas. A morte obriga-nos a pensar e repensar no que fizemos em vida. Porque o que não fizemos, já não vamos fazer. E isso é uma grandessíssima merda. Esta coisa de as pessoas morrerem sem aviso prévio, sem nos darem tempo para pensarmos bem se fizemos tudo o que queríamos ter feito, é uma grandessíssima merda.

Ou então é só (mais) um murro no estômago para nos lembrar que o nosso tempo por aqui é finito. E, pior do que isso, é incerto. Não sabemos por quanto tempo vamos por cá andar, nem sabemos por quanto tempo cá vão andar os que nos rodeiam. Talvez seja boa ideia deixarmo-nos de merdas e aproveitarmos a vida que temos. Só talvez.

Porque um dia é tarde demais. E viver com um sentimento de culpa que nos esmaga e consome aos poucos não é a melhor forma de vivermos os dias que nos restam.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Das coisas em que eu penso durante as minhas insónias...

Ando numa fase gira de insónias. Raramente consigo dormir depois das seis da manhã. Podia aproveitar para ir treinar? Podia. Mas não era a mesma coisa.

Domingo eram quatro e meia da manhã e eu estava acordadíssima. Estava de rastos depois da Estrela, tínhamo-nos deitado já depois da uma e, ainda assim, eu andei às voltas na cama...

Ontem, eram seis e meia e eu estava deitada, preocupadíssima a pensar que tenho de ir comprar um robe e duas camisas de dormir. Dramas do primeiro mundo, portanto.

Soluções milagrosas para que eu possa voltar a dormir? Ou alguém que sofra do mesmo mal e esteja disponível para jogar à batalha naval e coisas afins?

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Do Estrela Grande Trail 2018... - I

E amanhã lá vou eu em direcção à Serra da Estrela, para mais um Estrela Grande Trail.

Não sei bem o que vou lá fazer. Acabei de ler o relato do ano passado, e preocupa-me ligeiramente saber que este ano vai ser diferente. Completamente diferente.

Se o ano passado estava super nervosa e morta de medo com o que ia encontrar, ao mesmo tempo que me sentia entusiasmada porque era o meu 3º ou 4º trail e, sem dúvida, o mais difícil, este ano estou mais em modo "vou lá passear e não quero saber, só espero não sofrer muito".

Esta ida à Estrela não estava exactamente nos planos. Quando o ano passado acabei a prova, e feliz e contente que estava com o meu resultado, disse que gostava de lá voltar para tentar um 3º lugar. Uma pessoa pode sonhar, não é verdade? Mas o louco mais louco que eu, a quem a prova correu terrivelmente mal (e a muitas outras pessoas que fizeram os 49km porque, de facto, houve muita coisa que não correu bem e não foi só o calor excessivo), disse que não queria lá voltar. E eu nunca mais pensei nisso.

Entretanto surgiu a maratona, treinos e treinos e treinos, e eu com outras preocupações.

A dada altura, o louco mais louco que eu começou a olhar para o calendário de provas e a perceber que tinha de ir à Estrela. Ou melhor, que a Estrela era a opção mais viável entre todas as disponíveis que o permitiam cumprir o objectivo que tinha: fazer o ponto que lhe falta para em 2019 irmos a Chamonix. Eu em modo passeio para me deliciar com aquelas paisagens, ele em modo louco no seu melhor, para ir sofrer no UTMB. Opções.

E foi assim que dei por mim inscrita no Estrela Grande Trail. No trail mais curto, claro. Mas não deixa de ser um trail na Estrela. Considerando que desde a Maratona corri exactamente 13,22km, o que não chega sequer à distância do trail, isto promete.

Resta-me a esperança de achar que vou tirar fotos bem giras, já que não vou correr.

Por outro lado, estou a precisar desesperadamente de uma coisa destas. Preciso de estar sozinha. De estar no meio de lado nenhum, rodeada de verde e de natureza. De não pensar em nada. De pensar em tudo. De me sentir fisicamente cansada, para que não seja apenas o esgotamento psicológico a pesar. Preciso de desligar do mundo. De estar eu e os trilhos. De me perder. De me encontrar. De me preocupar apenas com as coisas simples durante umas horas. Tenho pensado muito em voltar à terapia. Mas talvez seja esta a verdadeira terapia da qual eu preciso.

Bom fim-de-semana, Mundo!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Dos medos...

Em conversa com a BFF. Ela pergunta-me: "medo do sim e medo do não?". Eu respondo que sim e que não sei de qual deles mais.

É isto. É tão isto. Medo do sim. Medo do não.

Não saber o que será pior. Não saber o que será melhor. 

Coisa difícil, esta de viver!

sábado, 21 de abril de 2018

Do meu estado actual...

No aeroporto. À espera para embarcar.

O post anterior, agendado como todos os outros desta série e o último da mesma, faz agora um sentido tremendo.

Os sentimentos em relação a esta viagem são muito contraditórios. A vontade de ir é pouca. O sentido de obrigação de que devia ficar é enorme. A semana não ficou pelo que aqui já relatei e estive até à última da hora a decidir de ia ou não para Madrid.

Mas vou. Vou, sabendo que a qualquer momento posso ter de voltar para Lisboa. Mas vou. Vou porque, de facto, preciso mesmo de fazer isto. Por mim. E não só.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Do post que eu pensei que só escreveria daqui a uns anos...

A minha mãe morreu. A minha mãe, com quem eu não falava há quase sete anos, morreu.

Soube na segunda-feira. Estava no escritório, à hora de almoço. O telemóvel tocou e eu estranhei ver o nome da minha (meia) irmã. Do outro lado, estava a minha prima, para me dar a notícia. Não consegui reagir, não consegui processar. Passei algum trabalho mais urgente, ainda consegui garantir que ficava online a campanha que estava a preparar, e fui para casa.

E continuei sem conseguir reagir, sem conseguir processar.

Ontem, comecei a reagir e a processar. Mas pouco.

Poucas ou nenhumas pessoas poderão perceber o que leva alguém a estar sete anos sem falar com a pessoa que lhe deu vida. Talvez quem por aqui ande há mais tempo, já tenho lido algumas tentativas de explicar tal decisão. Mas não é fácil. Porque não é uma decisão fácil. Porque não é uma decisão de um momento, tomada de ânimo leve. Foram anos, muitos anos, que levaram a que eu deixasse de falar com a minha mãe e a afastasse por completo da minha vida. 

Achava eu, na minha ingenuidade ou na minha ignorância, que estava tranquila com essa decisão.

Agora, que ela morreu, não sei se estava assim tão tranquila. Agora, que ela morreu, também já não importa. Agora, que ela morreu, já não há nada a fazer.

Sempre acreditei que tinha feito o que podia, que tinha tentado, que tinha dado muitas e variadas oportunidades. Hoje, foram várias as pessoas que mo disseram: que foi ela que escolheu assim. Não sei se acredito que alguém escolha a solidão. Não sei se acredito que alguém escolha morrer sozinha. Mas parece que há quem acredite que sim.

Eu não sei. Sei que passei os dois últimos dias a questionar-me se, de facto, fiz tudo o que podia. Se, de facto, não devia ter dado mais uma oportunidade. Se, de facto, não a devíamos ter ajudado. Uma e outra vez.

Desde que me lembro que defendo que a frase feita que diz que "mãe é mãe", não é tão verdade assim. Porque não é. Há por aqui muitos textos a falar disso mesmo. Mãe não é mãe. Mãe é mãe se se comportar como mãe. Se fizer por isso. E a minha não fez. E agora? Agora nunca saberei se não o fez por não querer, se não o fez por não saber, se não o fez por não conseguir.

Hoje, enquanto via o caixão ser levado por entre as portas do crematório naquilo que considero sempre ser um momento terrivelmente pesado, todas estas dúvidas me assaltaram. Hoje, enquanto, finalmente, percebia que nunca mais a vou ver, caí em mim e não pude deixar de me questionar.

Eu sempre soube que este dia ia chegar. Eu sempre soube que, um dia, ia ter estas dúvidas. Porque, repito, não é uma decisão fácil. E, não há muito tempo, eu tinha dado comigo a pensar sobre isto tudo. E a sentir que tinha tomado a decisão certa.

Hoje, as coisas estão incertas. Hoje, as dúvidas são muitas. Hoje, questiono aquilo em que acreditei nos últimos sete anos. Questiono-me a mim. Recrimino-me. Hoje, tento acreditar naquilo que me repetiram hoje, vezes sem conta: foi melhor assim, ela está, finalmente, em paz, e nós podemos também ficar em paz. O que quer que isso seja.

Amanhã as coisas estarão ainda confusas. Mas sei que, com o tempo, se tornarão mais claras. Com o tempo, voltará a mim a lucidez que me fez tomar essa decisão há sete anos atrás. Com o tempo, talvez eu consiga lidar com isto. Ou talvez não. Talvez eu viva o resto da vida com este peso na consciência.



[os comentários estão desactivados por razões óbvias. este é um texto de mim para mim. apenas e só. porque precisava de pôr por escrito aquilo que não consigo dizer. porque é para isto que este blogue serve, mesmo que, por vezes, não pareça.]

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...