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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Das mudanças...

A mudança não é fácil. Nunca foi, nunca será.

Decidir mudar, decidir alterar o que quer que seja, não é uma decisão tomada de ânimo leve.

Decidir mudar de emprego, de vida, de casa, de país, de penteado, até. Qualquer decisão de mudança tem o seu pesar.

Umas mais fáceis, umas mais difíceis. Umas mais impulsivas, umas mais ponderadas. Mas as decisões de mudança não são fáceis.

E arcar com as consequências das mesmas, ainda menos.

A incerteza, a dúvida, o não saber o amanhã. Tudo isso nos consome. Nos deixa sem chão. Com medo do que virá.

Não creio que algum dia tenha sido uma pessoa muito decidida. Nunca fui uma pessoa muito forte, o que sempre me levou a questionar as minhas decisões, as minhas mudanças. O que não quer dizer que não as assumisse e, que remédio, não aguentasse as suas consequências.

Mas ficam sempre as dúvidas. Do que podia ter sido. Do que será.

Perante a decisão de pôr fim a uma relação há duas questões que me preocupam, essencialmente. O reconhecimento do erro e as perspectivas do futuro.

Quando pus fim ao meu casamento, o que mais me custou, o que mais me faz hesitar, ponderar, duvidar, foi o reconhecimento do erro. Foi eu, perfeccionista, exigente, ponderada, obsessiva-compulsiva, ter que reconhecer que errei. Ter que admitir que as palavras até que a morte nos separe proferidas perante as pessoas mais importantes da minha vida, afinal foram um erro. O meu casamento foi um erro. E a partir do momento em que o soube, em que o admiti para mim, também sabia que tinha de o admitir para o mundo. Felizmente, mesmo com os meus receios, também não sou pessoa de me deixar estar numa situação que não me agrada, apenas para não admitir que errei. Errei, admiti-o, fiz alguma coisa por isso e mudei a situação. E aguentei-me.

Neste momento, a minha preocupação não tem a ver com o erro. Eu errei, ele errou, todos os dias pessoas erram. Eu assumo o erro e, mais uma vez, faço alguma coisa por isso.

Não, neste momento, o que me preocupa é o futuro. O meu futuro.

Assusta-me a ideia de não saber se conseguirei continuar nesta senda de tentativas-erro. Se conseguirei, se quererei, se terei forças para isso.

Crescemos com a ideia do mundo cor-de-rosa, do felizes para sempre, do amor infinito. E a realidade é abismalmente diferente.

E eu assumo os meus erros. Mas não me apetece assumir a realidade.

sábado, 30 de novembro de 2013

Das coisas em que acreditamos...

Sinto que ainda não fiz o luto que devia ter feito. Sinto que ainda não arrumei os meus fantasmas e o meu armário.

Não sinto, apenas. Sei.

E o problema de não o ter feito é que isso leva a que, em momentos despropositados, rebente e chore, chore, chore. Como há pouco, a ver o episódio em que a Mary e o Matthew finalmente se casam, em Downton Abbey.

Porque não pude deixar de pensar sobre a felicidade, o amor, o casamento. Porque não pude deixar de desejar um dia ter algo assim. Já me casei, é certo. O facto de não ter corrido bem não me fez deixar de acreditar no casamento. É certo que as minhas crenças estão cada vez mais abaladas. Mas ainda cá estão.

Ainda sonho com o casamento perfeito. Ainda sonho com a pessoa certa ao meu lado. Ainda sonho com a sensação maravilhosa de se estar a fazer a coisa certa. Ainda sonho com a ideia de acreditar.

Esta é a parte em que alguém me dá um safanão e me diz para deixar de sonhar e acordar para a vida real.

Quem me conhece talvez diga que sou uma pessoa fria, racional, pragmática, de pés na terra. Quem me conhece mesmo sabe que no fundo sou uma romântica, à procura do impossível. E é difícil encontrar um equilíbrio entre estas duas faces da minha pessoa.


No fim do dia, só queria encontrar a pessoa certa para mim. Não a pessoa perfeita. A pessoa certa.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Das balanças...

Tenho-me esforçado por me focar nas coisas negativas. É a maneira mais fácil de conseguir desligar e seguir em frente.

Não é por serem nossas que as decisões se tornam fáceis. Não é por sermos nós a querer dar um passo, que ele não custa.

E custa, e é difícil. E eu opto por esta estratégia de me focar nas coisas menos boas, para que não me custe tanto deixar tudo para trás.

Se é justo? Talvez não. Talvez me devesse focar nas coisas positivas para continuar nesta estrada. Porque a vida é assim. A vida tem momentos bons e momentos maus. Porque nada é perfeito. Porque vão existir sempre coisas negativas.

Mas espera-se que haja um equilíbrio. Faz sentido que haja esse equilíbrio. Aliás, só faz sentido se houver esse equilíbrio.


Se não há esse equilíbrio, se a balança pesa mais para o lado das coisas negativas, não vale a pena. Porque o peso das coisas negativas vai aumentando, e torna-se insustentável. Insustentável para a balança, que perde o seu equilíbrio, e para mim, que perco também o meu equilíbrio.

domingo, 24 de novembro de 2013

Dos nossos fantasmas...

Domingo de manhã. Levanto-me, ponho a chaleira ao lume, preparo um chá verde. Sento-me na poltrona, acendo um cigarro, ponho o portátil ao colo e escolho a banda sonora para o meu dia.

Acordei com vontade de escrever. Queria escrever uma carta. Uma carta a despejar todo o fel que sinto. Uma carta que sei que não iria enviar. Porque não seria justo. Lembro-me que a nossa necessidade de dizer coisas não deve nunca ser sobreposta às necessidades dos outros. A nossa necessidade de despejar rancores e frustrações, não deve ser transformada em maldade e egoísmo.

O que não é o mesmo que dizer que não devemos despejar esse fel. Escrever as nossas cartas. Gritar ao vento o que nos consome. Mas pode ficar só para nós.

A terapia ensinou-me que não podemos fingir que as coisas não aconteceram. A metáfora do armário, que tanto me irritava nas sessões de terapia, é, afinal, bem real.

Todos nós temos o nosso armário no sótão. Onde escondemos os nossos segredos, onde acumulamos a nossa tralha, onde enfiamos a nossa bagagem. E ela fica lá escondida, que fica, mas não desaparece. E vamos pondo mais, e mais, e mais, e um dia o armário rebenta. Ficam ali as portas escancaradas, com a nossa tralha a cair das prateleiras, com a nossa tralha espalhada no chão. E, aí, somos obrigados a pegar na tralha, a pegar nas coisas uma a uma, e a arrumá-las. E o problema é que se formos acumulando e acumulando e acumulando, o armário pode explodir na altura menos conveniente (e ele tem tendência a isso, a escolher os momentos menos próprios para explodir).

Não vale a pena fingir que as coisas não aconteceram. Não vale a pena esconder debaixo do tapete o que nos magoa e fingir que não se passa nada.

Dói, custa, mas é preciso mexer e remexer, e deixar tudo bem arrumado, numa gaveta perto de nós, e não no armário no sótão.

E é por isso que eu escrevo. É uma espécie de catarse. É uma forma de me obrigar a pensar sobre as coisas para, no fim, conseguir aceitá-las e compreendê-las.

Lidarmos com os nossos fantasmas é uma forma de nos prepararmos para o futuro. Por um lado, porque vamos mantendo o nosso armário arrumado. Por outro, porque ao aceitarmos o que acontece agora, torna-se mais fácil aceitar o que acontecer no futuro ou, em alguns casos, podemos mesmo evitar que se repita no futuro (dentro daquilo que é a nossa limitada capacidade de controlar o futuro).

A melhor forma de lidarmos com o que nos acontece, é aceitar que aconteceu. Fingir que não se passa nada, é apenas um penso rápido, numa ferida que todos os dias vai crescer mais, e mais, e mais. Até se espalhar por todo o nosso ser e destruir aquilo que somos. Não vale a pena, pois não?


Vou só ali escrever uma carta. Para depois poder esquecer.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Das memórias que me chegam pela comida...

Há dias comprei um pacote de línguas de gato. Coisa rara, por sinal.

Há pouco, enquanto as devorava sofregamente como quem devora a maior iguaria de sempre, não pude deixar de dar comigo a divagar e a regredir no tempo.

Comer línguas de gato é lembrar-me da minha avó.

Em casa da minha avó havia sempre línguas de gato. Línguas de gato que estavam num frasco de vidro na bancada da cozinha. Lembro-me como se fosse hoje. E talvez tenha sido há vinte anos.

Mas aquelas línguas de gato, tantas vezes roubadas às escondidas (É só uma, ninguém nota...), fazem parte das minhas memórias de infância e hão-de sempre fazer.

E eu hei-de sempre regressar à minha infância quando comer línguas de gato. E eu hei-de sempre lembrar-me da minha avó quando comer línguas de gato.

Porque é destas coisas ridiculamente simples que a vida é feita. Porque são estas memórias que ficam. Porque é destes bocadinhos de nada que todos nós somos feitos. Porque, no fim do dia, é das coisas ridiculamente simples que, por vezes, sentimos mais falta.

domingo, 17 de novembro de 2013

Da família...

A família é, para mim, uma das coisas mais importantes da minha vida. Diria mesmo, a mais importante.

Mas não por ser família. Não pelos laços de sangue que nos unem (ou não, até). Mas sim pelas relações que se criaram, que se alimentaram, que se construíram.

Porque eu também sou a primeira a dizer que as relações de sangue nada valem. Não é por partilharmos o sangue, que somos obrigados a partilhar mais alguma coisa.

Eu sou aquela que não fala com a própria mãe desde o dia de casamento do irmão. Já lá vão mais de dois anos. Eu sou aquela que, ao longo da vida, esteve muitos e longos períodos sem falar com essa mesma mãe. Eu sou aquela que, ao longo da vida, deu muitas segundas oportunidades, tentou outra vez, tudo em nome desses lanços de sangue. Do cliché Mãe, é mãe.

Esqueçam. Não há mãe, não há pai, não há irmãos.

Há pessoas. Há relações.

Por vezes, essas pessoas são mãe, pai, irmãos. E as relações são as melhores.

Por vezes, as relações são as piores. E essas pessoas são mãe, pai, irmãos.

O tempo ensinou-me quem eram as minhas pessoas. Quem era a minha família. E não foram as relações de sangue que me disseram isso.

O tempo ensinou-me que, no matter what, as minhas pessoas vão estar sempre lá.

E sim, são o melhor que tenho na vida. Não pelo nome da relação que nos une. Mas apenas e só pela relação que nos une.

E tudo isto para dizer... Não há paciência para relações de obrigação. É um desperdício de tempo, de vida. Temos de dar valor, isso sim, às relações que realmente importam. Sejam elas com quem forem...


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Do peso dos dias...

Têm sido difíceis os últimos dias. Muito difíceis.

Tenho sido confrontada com algo que não quero reconhecer. Não quero. Finjo que não é nada comigo. Finjo que não se passa nada. Finjo que vai ficar tudo bem.

Não sei bem se finjo ou se acredito mesmo nisso. O esforço para acreditar é tanto, que acabo por acreditar mesmo.

Quando acreditamos muito numa coisa, ela torna-se real. Nem que seja só para nós. Mas torna-se real. E eu acredito. Eu quero acreditar.

Só não sei por quanto tempo mais vou continuar a conseguir acreditar. Só não sei quantas forças me restam para continuar a acreditar.

O tempo. Essa maravilha prodigiosa da natureza. O tempo o dirá.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dos momentos...

E depois, depois há aquele momento em que paramos para pensar. Ou queremos parar. Ou gostávamos de poder parar. Gostávamos de ter um botão em que carregar para que tudo ficasse on hold.

Mas não temos.

E, por isso, este momento tem que ser feito enquanto o mundo corre ao nosso lado. Enquanto a vida passa lá fora.

Temos de pensar e correr ao mesmo tempo. E isso é muito difícil. E cansativo. E a única coisa que sentimos é que não temos forças para mais. Queremos parar. E não podemos. A vida passa lá fora.

Este momento é aquele em que pomos tudo em causa. Em que questionamos tudo. E todos. E nós próprios. 

É o momento das grandes decisões, das reviravoltas, das opções. 

É o momento em que escolhemos se acreditamos. Ou não.

É o momento em que buscamos no fundo do nosso ser por forças que julgamos já não existirem.

É o momento em que nos pomos em causa.

É o momento em que nada sabemos e tudo precisávamos de saber.

É o momento do tudo ou nada.



É o agora.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Do que vamos aprendendo...

A vida vai-nos ensinando coisas. Às vezes mais, outras menos. E a vida vai-nos dando ferramentas. E estratégias. E armaduras. A vida vai-nos dando muitas coisas. 

Nem sempre nos sai barato. Nem sempre é fácil. Diria mesmo que, na maior parte das vezes, é muito difícil. Na maior parte das vezes, estas coisas que a vida nos dá custam-nos, elas próprias, pedaços de vida, pedaços de pele, lágrimas e suor. Ninguém dá nada a ninguém, certo? A vida também não dá sem levar em troca. Mas na verdade, não tem grande importância. Que a gente aguenta. A gente aguenta muito. E chegar à meta sem arranhões e cicatrizes, não deve ter piada nenhuma.

Entre as coisas que a vida já me deu, deu-me uma capacidade (ainda em desenvolvimento), de dar um passo atrás, respirar fundo, e aguentar. Como quem se agarra a um mastro, num veleiro no mar alto, em plena tempestade. Eu aguento-me, respiro, e espero que a tempestade passe.

Nem sempre, claro. Que muitas vezes há em que teimo contra o mar, que remo contra a maré, que acredito (tolamente!) que tenho mais força que as ondas.

Mas tenho feito alguns progressos. E já há situações em que me aguento.

Como agora. Confrontada com algo que me magoa passou-me pela cabeça enfiar-me na cama a chorar baba e ranho. Também me passou pela cabeça desatar a rogar pragas e a dizer nomes feios. Por último, decidi-me por debitar aqui estas palavras.

Escrever é do mais terapêutico que há para mim. Sempre foi.

E tenho a certeza que vou fechar isto, vou fumar o meu cigarro e quando me for deitar vou estar mais leve. Muito mais leve.



Porque a vida também me deu a capacidade de perceber que depende unicamente de mim permitir que alguém me magoe. E, confesso, não me apetece ser mais magoada.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Das coisas como são...

Eu sempre disse, incluíndo aqui, que sou das pessoas que acumulam. Acumulo, acumulo, acumulo. E depois expludo.

É cíclico. É inevitável. É certinho, certinho, como a Terra que gira em torno do Sol.

Eu não falo, eu não partilho, eu não desabafo, eu não descarrego, eu não descomprimo.

Eu acumulo.

Vou enchendo, enchendo, enchendo. 

Até ao limite da minha capacidade (que ainda é alguma, diga-se).

E depois expludo.

Mais dia, menos dia.

Mas expludo.

Raramente expludo por alguma razão muito lógica ou em momento particularmente conveniente.

Eu expludo só porque sim. Eu expludo quando calha.

E quando expludo não é bonito, não.

E as projecções das minhas explosões raramente atingem quem deviam. Atingem quem está mais perto, invariavelmente.

E é injusto. E não devia ser assim. E eu não devia ser assim.

Mas ainda não aprendi a ser de outra forma.

Talvez com o tempo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Do meu aniversário...

A minha motivação para preparar o meu aniversário não é zero. É menos que zero.

A começar pelo facto de não saber se estarei, ou não, desalojada, acabando nas milhentas  coisas que tenho para tratar até lá, passando pela ausência de qualquer espírito comemorativo.

Estamos assim.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Da minha inércia...

Não sei se é da TPM, se da chuva, se de uma coisa que o meu pai me disse há bocado, se da febre e das dores de garganta, se de ontem ter chegado do trabalho quase às duas da manhã a sentir-me um farrapo e estar farta da vida que levo. Mas só me apetece chorar. Chorar convulsivamente.

Se calhar, é disto tudo junto. Não sei.

O que sei é que tenho de fazer alguma coisa para mudar isto. O que sei é que tenho de fazer alguma coisa para sair deste estado pseudo-depressivo para que me arrasto dia após dia. O que sei é que depende de mim. E só de mim.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Do ontem...

Saímos de casa para almoçar, apanhámos os meus pais, e fomos em direcção à Ajuda, aterrando no Espaço Açores. Apesar de não ter grandes memórias, nasci nos Açores e há que convir que os Açores são das coisas mais bonitas que temos no nosso país e a comida deles é qualquer coisa.

Comi, comi, comi. Saí de lá às quatro da tarde, a rebolar e consolada. Saímos todos, aliás.

Quando saímos, a grande questão era para que casa íamos. Fomos para a dos meus pais. Sentámo-nos à mesa, continuamos a comer e a beber, e jogámos King. Acabámos era meia-noite, com direito a uma pausa para jantar.

E vim de lá feliz. Porque eu sou feliz. Despejo aqui o fel, as neuras, os dramas, a desgraça que a minha vida é. Mas apenas porque este blogue serve para eu exorcizar as coisas menos boas da minha vida, o que me apoquenta, o que me entristece.

At the end of the day, sou feliz. A minha vida é feliz. Sou uma felizarda.

Tenho aprendido, cada vez mais, que a família, as nossas pessoas, são o melhor que temos. São a única coisa que verdadeiramente temos. E, nos últimos tempos, em que tenho passado cada vez mais tempo com os meus pais, dou-lhes cada vez mais valor (se tal é possível). E aproveito cada vez mais cada momento e cada bocadinho. Quando rimos, quando choramos, quando falamos horas a fio.

Porque a vida acaba. De repente, a vida acaba. E são estes momentos que fazem valer a pena cá andarmos. São estes momentos que nos fazem ser felizes. E se não formos felizes, não andamos cá a fazer nada.


sábado, 5 de janeiro de 2013

Da terapia que faço a mim mesma...

A vantagem de ter passado por alguns psiquiatras e psicólogos, é que fui aprendendo algumas coisas. Fui ganhando ferramentas, fui aprendendo a dar um passo atrás e a perspectivar, fui aprendendo a analisar-me (minimamente) a mim própria.

Assim, facilmente concluo que uma das principais razões do meu desânimo de ontem (se não mesmo a única), resume-se numa palavra de três letrinhas apenas... Pai. E agora podia vir um psicólogo qualquer a correr, a dizer que eu estou apenas a projectar a minha culpa no meu pai. Não, é mais complexo que isso.

Não culpo o meu pai pelo meu insucesso (agora a terapeuta perguntava-me se considerava mesmo o que fiz um insucesso). Obviamente que não. Ele não tem culpa nenhuma. Então por que raio ele é para aqui chamado? Porque eu acho sempre, sempre, sempre, que não sou boa o suficiente (ah! as maravilhas da terapia...).

Já se sabe que a minha relação com a minha mãe roça o limiar do inexistente desde que eu me lembre. Cresci com o meu pai, fui educada pelo meu pai, durante muitos anos não conheci outra figura que não a do meu pai. E isso condiciona-me, claro. Faz de mim quem sou.

O meu pai (o melhor do Mundo, leia-se), é uma pessoa extremamente exigente e fomos educados assim. Daí este meu complexo de nothing is good enough. Daí os níveis de exigência que defino para mim mesma, daí a permanente insatisfação.

O que eu senti ontem perante a nota da minha tese de Mestrado foi desânimo, tristeza, fracasso, mas foi, também, o receio de, once again, ter desiludido o meu pai. Porque eu quero sempre, muito, ser um motivo de orgulho para o meu pai. E, sobretudo neste caso, em que foi ele que paitrocinou o mestrado, isso era ainda mais importante.

E eu sinto, honestamente, que falhei. Que podia ter feito tão mais. É a frustração de saber que tinha capacidade para muito mais e que não fiz, por que não fiz.

Posso arranjar desculpas, como qualquer terapeuta me diria condescendentemente: passei por um divórcio a meio do mestrado, mudei de casa, recomecei do zero, tenho dois empregos. No meio disto tudo, o que fiz foi um sucesso. Mas não é, sabem? E isso são apenas desculpas. Desculpas para, como sempre, não ter feito mais.

Vivo nesta rotina desde sempre: não faço o suficiente, fico triste com os resultados, digo que podia ter feito mais. Over and over again.

Ou talvez eu tenha feito o suficiente, para mim. Mas não fiz o suficiente, para o meu pai. Acho sempre que não fiz o suficiente. 

No meio disto tudo, eu martirizo-me, penitencio-me, choro baba e ranho. O meu pai? O meu pai deu-me os parabéns e disse-me para escolher um restaurante para irmos comemorar o fim do mestrado.* 



*(Um dia falarei sobre a minha veia drama queen que me leva a sofrer por mim, pelos outros, pelos males do mundo inteiro, só porque sim. Só porque gosto de me massacrar e fazer sofrer e desperdiçar horas de vida em modo depressivo. Isto levaria a todo um outro tema, ligado a este - o eu achar que, além de nunca ser boa o suficiente, nunca sou merecedora de nada de bom... E assim se poupam dezenas de euros em terapia... Maravilhoso mundo dos blogues!)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Do meu estado actual...

Em modo neura gigante.

Em modo sofá + manta + chá + séries. Objectivo: afogar as mágoas e curar a neura.

Já defendi a tese. Já sou mestre. Não sei para quê. Não correu como queria. Sinto-me idiota. Sinto que podia, e devia, ter feito mais.




Mas poupai-me as palmadinhas nas costas e deixai-me em modo neura profunda. Tenho três horas para ir buscar o namorado ao aeroporto e entrar em modo apaixonado e matar saudades e o fim-de-semana é nosso e o mundo segue lá fora feliz e cor-de-rosa.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Do Natal... - II

Eu sou uma pessoa do Natal.

Gosto do Natal. Vibro com o Natal.

Adoro o espírito, as luzes nas ruas, os presentes, as comidas e os doces que só como nesta altura, a família toda reunida.

Adoro. Semanas antes, já eu ando a pensar neste dia, já eu ando à procura do presente certo para cada pessoa, já eu estou preocupada com a logística, e a ementa, e o que fazer de doces.

Este Natal, o meu Natal foi diferente. Foi numa família que não a minha, mas que me recebeu como se fosse parte dela. Foi rodeada de cinco crianças, que cantaram e chamaram pelo Pai Natal à meia-noite. Incluiu andarmos às onze da noite na rua à procura de um sítio que servisse café - acabámos numa bomba da Galp. Incluiu Trivial. Muita comida, muitos doces, algum vinho à mistura. Foi um Natal feliz, em que me senti em casa. 

E estou grata por isso. Porque eu levo mesmo muito a sério esta coisa do Natal.

Infelizmente, como dizia o outro, "quando todos vão dormir, é mais fácil desistir, quando a noite está a chegar, é difícil não chorar". Adormeci a chorar, passei a noite com pesadelos, acordei a chorar. Numa altura tão feliz e tão importante para mim, estou triste, magoada, revoltada. Profundamente triste. O pior, é que é com quem não era suposto. As nossas pessoas não nos deviam deixar assim. Não deviam. As nossas pessoas deviam fazer-nos felizes. Com percalços pelo caminho mas, em última análise, deviam ajudar ao nosso bem estar, à nossa alegria. As nossas pessoas deviam acrescentar coisas boas à nossa vida. Apenas e só.

E é isto.

Agora, sorriso 37 na cara, pegar no saco dos presentes, e directos a casa dos meus pais, para o Natal - Parte II. Amanhã, tudo isto parecerá menos importante. Um dia, talvez já nem me lembre de nada disto.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Do estado deste blogue...

Este blogue sucumbiu ao abandono.

Meti-me no desafio fotográfico e aguentei meia dúzia de dias. Já sabia que não era boa ideia. A psicologia tem uma definição para isto, para as pessoas que se metem nas coisas só para poderem dizer que falharam. Eu sou assim.

Mas a verdade é que deixei de ter vontade de aqui vir. Deixei de me sentir à vontade para aqui escrever.

O que é mau. Muito mau. Qualquer pessoa que me conheça minimamente, sabe a importância que tem para mim, para a minha estabilidade, para o meu, poder escrever. Se não o posso fazer, falta-me uma parte de mim...

Mas é assim que estamos. 

Isso e o trabalho e o Natal e os presentes e os preparativos.

E a falta de vontade.

E a falta de vontade.

E a falta de vontade.

E o andar há demasiado tempo a conter-me. A acumular. A engolir. A respirar fundo. Já sei como sou. Já sei que um dia destes expludo e não vai correr bem.

(Eu avisei!)

domingo, 21 de outubro de 2012

Do meu modo queixinhas muito ON...

Sinto-me exausta. Completamente exausta.

E ainda amanhã é Segunda!...*







*(ou de como eu me devia ter mantido em Letras e nunca me devia ter passado pela cabeça fazer um mestrado na área da Gestão...)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Das tiny little notes...

Falta de ar. É isso. Demorei algum tempo a perceber mas é isso que sinto. Uma imensa e infinita falta de ar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Do meu mantra... - Parte II

Eu também mereço estar a esta hora a caminho do emprego número dois e estar completamente parada na segunda circular.

Mereço, pois.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...