Mostrar mensagens com a etiqueta Das decisões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Das decisões. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Do mês que hoje começa e do Natal que aí vem...

Dezembro. O último mês do ano. Para muitos, o fecho de um ciclo. Para muitos, o mês das correrias e das tentativas, geralmente, frustradas de fazer tudo o que não fizeram nos outros 11 meses que ficaram para trás. O mês do Natal. O mês dos feriados e dos fins-de-semana grandes.

Eu gosto de Dezembro. Gosto muito. E gosto muito também do Natal, já se sabe. Já decorei a casa a semana passada, já comecei a preparar as coisas que vou oferecer e, apesar de ainda faltarem 24 dias, acho que começo a estar atrasada. Mas tento não pensar demasiado nisso.

Este ano, para mim, quero que o Natal seja diferente. Quero um Natal com menos consumismo. Quero um Natal com aquilo que, para mim, ele deve ter: partilha, solidariedade, convívio, as minhas pessoas, paz, tranquilidade. Não quero um Natal de excessos, não quero um Natal de presentes, não quero um Natal de correrias, não quero um Natal de obrigações.

O ano passado, escrevi isto. Este ano, o sentimento mantém-se.

Este ano, não vou comprar presentes. Vou fazer coisas, muitas coisas, para oferecer pequenas lembranças e cabazes de Natal. E vou pegar no restante dinheiro que gastaria em presentes e vou doá-lo a diferentes associações e projectos que ajudam aqueles que, ao contrário de mim, não são uns privilegiados e não vão ter um Natal como o meu. Não vão ter uma mesa com mais comida do que aquela que alguém consegue comer, não vão ter uma casa quente, não vão ter uma sala com um chão coberto de presentes. Não vão ter nada daquilo que eu, habitualmente, dou como garantido e a que, tantas vezes, me esqueço de dar o devido valor.

Este ano, eu quero que o meu Natal seja diferente. Se alguém se quiser juntar, este é um dos projectos que vou ajudar. Podem contactar directamente o responsável ou podem falar comigo que eu articulo as entregas.

Que o vosso Dezembro seja tranquilo e que o vosso Natal seja feliz!

domingo, 29 de outubro de 2017

Dos pesos que nos tiram de cima...

Já voltei a correr. E soube-me bem. Soube-me mesmo bem.

Senti-me mais leve e voltei a correr a um ritmo a que já não corria desde as Fogueiras (em Junho, portanto). Não se entusiasmem, que estamos a falar de um ritmo de 6'05. Diz o provérbio que "quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré", pois eu digo: quem nasceu para tartaruga, nunca chega a lebre.
A verdade é que, nos últimos tempos, só me preocupava em fazer mais e mais quilómetros, sempre a um ritmo (ainda) mais lento. Tentava sempre manter-me no ritmo que previa manter no dia 5. E deixei de fazer treinos mais rápidos, ou em que o tempo fosse uma grande preocupação. 

Mas agora deixei de ter essa preocupação. Deixei de ter essa pressão. Porque era uma pressão. Uma pressão que agora desapareceu. Deixei de ter um plano de treinos a pressionar-me, deixar de ter a obrigação de correr quatro vezes por semana (o que raramente fazia e o que me deixava sempre a sentir-me culpada), deixei de ter um objectivo de quilómetros semanais. Deixei de não poder combinar coisas à sexta-feira à noite porque tinha de ir correr, nem ao sábado à noite porque domingo era dia de treino longo.

Sim, tudo isto é exagero da minha parte. Mas, na minha cabeça, era assim que me sentia.

E isto não era correr. Era uma obrigação. E eu já tenho um trabalho que é uma obrigação, já tenho uma casa para manter que é uma obrigação, já tenho uma família de gente doida que é uma obrigação (brincadeira!). Já tenho obrigações que bastem. E correr não pode ser uma obrigação. Não podia.

Mas correr voltou a ser um prazer. Agora posso correr quando quero, os quilómetros que quero, ao ritmo que quero. E, melhor ainda, posso não correr de todo, se for essa a minha vontade. E, eventualmente, até vou mesmo correr 4 vezes por semana. Mas porque me apetece. Porque me sabe bem. Porque me faz bem. E não porque um-plano-malvado-e-diabólico-a-isso-me-obriga.

Posto isto, é hora de voltar a correr só porque sim. É hora de voltar a melhorar o ritmo, para me voltar a aproximar dos meus tempos aúreos. E estou inscrita para a São Silvestre de Lisboa e Fim da Europa. E hoje fiz a Corrida do Aeroporto. E daqui a duas semanas vou voltar aos trails.



Que se desengane, quem achou que eu ia parar por causa disto!... (eu mesma, leia-se...)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Do dia em que eu desisti da Maratona...

Foi hoje. Foi hoje que eu desisti da maratona. Foi entre o quilómetro 5 e 6 do meu treino matinal, de lágrimas nos olhos, que eu desisti da maratona.

A maioria das pessoas não vai perceber. E eu não vou conseguir explicar. É só uma maratona, dizem. Não, não é. É muito mais. Tão mais. Tão infinitamente mais.

Quem foi acompanhando os altos e baixos deste percurso, ou, pelo menos, a parte que aqui fui partilhando, talvez não fique surpreendido. Eu não fiquei. No fundo, foi assumir aquilo que já sabia há algum tempo.

Foi assumir aquilo que a falta de treino provocou, que foi agravado nas duas últimas semanas. Nas duas últimas semanas o Universo fez questão de me enviar alguns sinais: voltei de férias doente, o que me obrigou a falhar (mais) um treino longo, e esta semana tive uma gastroenterite (coisa que nunca tinha tido) que me deixou de rastos e que me obrigou a faltar ao trabalho (coisa que não acontecia há sete anos).

Já há muito tempo que eu sabia que isto tinha tudo para correr mal e que, em muitas coisas, roçava o disparate. Hoje, tive a certeza. E, por isso, hoje desisto.

E desisto por ter a plena consciência de não ser capaz de fazer tal proeza. Porque sim, fazer uma maratona é uma proeza. Sempre disse que encarava esta mística distância com muito respeito. Sempre disse que não era para qualquer um. E, hoje, assumo: não é para mim.

Talvez um dia.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Do dia em que fiz uma Meia-Maratona com umas cuecas de homem...

Ontem fiz a minha quinta meia-maratona. Quinta! Ainda me lembro da ansiedade quando fiz a primeira e jamais pensei chegar à quinta. De facto, não era minha intenção participar na prova de ontem, como disse anteriormente. Mas com dorsal oferecido, e com muita e boa companhia, acabei mesmo por ir.

O meu principal receio, como aqui partilhei, era em relação ao calor. A distância não me assustava. O percurso não me assustava. Mas o calor... O calor estava a deixar-me verdadeiramente preocupada!

Eu estava mesmo convencida de que não ia conseguir. Eu estava estupidamente nervosa. Eu achava que não ia aguentar, que me ia sentir mal, que ia desistir (a única prova em que desisti até hoje, foi, precisamente, por causa do calor...). Eu estava com a confiança em níveis mínimos. Eu estava rabugenta (como comentou uma das colegas de equipa que nunca me tinha visto assim e brincou com a situação). Eu não estava mesmo nos meus dias.

Mas chegou a hora e a prova começou. Últimas despedidas e eu deixei-me ficar para trás. A prova começou e eram milhares de pessoas a correr na mesma direcção, cada uma com o seu objectivo, mas todas com o mesmo propósito: chegar ao fim. E eu, sozinha mas tão acompanhada, com a minha música, com o rio infinito à minha volta (e suas centenas de alforrecas gigantes), senti-me emocionada ao passar a placa do primeiro quilómetro. Estava arrepiada, de lágrimas nos olhos, a pensar que estava mesmo ali, estava mesmo a fazer aquilo. Não me canso de o repetir: a generalidade das provas longas são, para mim, viagens ao fundo do meu ser. Talvez por isso não me importe de as fazer sozinha. Ainda que a companhia possa ser muito importante em alguns momentos (lá chegaremos).

Fiz os primeiros quilómetros a sentir-me bem. Na ponte ainda havia algum vento, o que não deixava que o efeito do sol fosse tão forte, e, de quando em vez, alguém em sentido contrário buzinava e batia palmas. A generalidade das pessoas só devia mesmo estar a rogar-nos pragas por estarmos a dificultar o trânsito. Paciência. Eu estava feliz e não queria saber de gente refilona. A subida da ponte fez-se. Devagar, devagarinho, e depois começou a descida. Se há coisa que eu acho que marcou esta prova, para mim, foi a minha tentativa de controlar o ritmo: passei o tempo todo a olhar para o relógio, a obrigar-me a abrandar, mesmo nas descidas. O meu objectivo era muito claro, o meu ritmo estava definido, e eu sabia que era fundamental respeitá-lo, se queria ter alguma hipótese de chegar ao fim. E lá fui correndo. Chegou o quilómetro 6 e o primeiro abastecimento.

A zona do Parque das Nações fez-se bem. Havia alguma sombra, havia gente a aplaudir, havia a divisão da meia e da mini, e é uma zona que conheço bem, pelo que me sentia confortável. Fui tentando puxar por quem via a caminhar. Sem muito sucesso, diga-se.

Ao sair daquela zona sabia que ia começar a doer: acabava-se a sombra, íamos correr muito tempo em alcatrão e o calor começava a apertar. Sabia que aquela era a parte mais difícil mas também sabia que metade da prova estava feita. E bem feita. Foi também nesta zona que havia um abastecimento com fruta. Eu ia do lado esquerdo, onde só havia bananas, e quando olhei para a direita percebi que havia laranjas. Gostava que alguém tivesse filmado o meu ar e a rapidez com que cheguei ao lado direito para me agarrar a dois bocados de laranja! Indescritível! Eu adoro laranjas em provas. São, para mim, a melhor coisa que me podem dar! São frescas, doces, sumarentas, e parece que me dão um boost de energia! E fiquei mesmo feliz quando as vi! Uma pessoa contenta-se com o que pode nestes momentos, não é?... 

No entanto, as minhas adoradas laranjas obrigaram-me à minha primeira e única paragem: a sofreguidão era tanta que me engasguei. Tentei continuar a correr e a tossir, mas acabei por encostar, parar uns segundos para tossir a sério, e depois retomei o meu ritmo. Pouco tempo depois, vi uma corredora desmaiada na beira da estrada. Já estava a ser assistida, mas é sempre uma imagem assustadora e que me dá sempre que pensar. Penso sempre que me pode acontecer a mim, e tenho de me obrigar a ser racional e a não começar a panicar. E consegui. Foi também nesta zona que estava um carro dos bombeiros com um jacto de água, a "dar banho" aos corredores. E soube-me tão, mas tão bem! Acho que entre as laranjas e este pequeno banho, a que se juntou o gel que tomei, comecei a sentir-me realmente bem e a pensar que só faltava um terço da prova.

No entanto, pouco depois, a chegada ao Terreiro do Paço foi... Agridoce. Custou começar a aproximar-me daquela zona e ver tanta gente que já tinha terminado, feliz e contente a comer o seu gelado. Custou não ver nenhuma cara conhecida (a malta do meu grupo já devia ter acabado ou estar a acabar e tinha esperança de os ver), custou pensar que a meta estava já ali e eu ainda tinha de ir ao Marquês e voltar. Mas... Voltou a haver público nas ruas, voltou a haver animação (e pessoas a refilar com a Polícia que não as deixava atravessar a estrada), e eu pensei que só faltavam 4 quilómetros e que isso era um instante. Ao chegar ao Rossio meti conversa com uma corredora de um clube rival do meu nas Corridas das Localidades, mas acabei por lhe dizer que seguisse, porque íamos começar a subir e eu queria resguardar-me. 

Eis que chego aos Restauradores. Mais um abastecimento. E ao sair da Praça e ao começar a subida da Avenida, aparece uma colega de equipa, que tinha ido fazer a Mini e que tinha ido para ali esperar por mim, porque tinha dito que fazia a subida comigo. E eu fiquei tão, mas tão feliz quando a vi! Fiz uma festa enorme e lá fomos nós! Fiz a subida sempre no meu ritmo, a dizer-lhe para ter calma que eu já ia com dezoito quilómetros em cima, mas íamos na conversa, a contar como tinha sido a prova de cada uma, e à procura dos meninos da equipa, que não vimos. Mas vi o João Lima e ainda lhe desejei força! E sim, fiz a subida sempre a correr e na conversa, e ainda com fôlego para refilar com quem ia a caminhar e não tinha o mínimo cuidado de se desviar ou de se organizar, para que quem ia correr não tivesse de andar a fazer verdadeiras provas de obstáculos. O civismo do costume. Nada de novo... 

Quando estávamos a chegar ao cima da Avenida, eu só pedia que não nos obrigassem a dar a volta ao Marquês. É que o raio da rotunda é mesmo grande, é toda ao sol, e eu já não tinha muitas mais forças... Mas não. O retorno era antes da rotunda propriamente dita e, a partir daí, foi sempre a descer. Comecei a descer a medo, sem me soltar muito, mas depois larguei a garrafa que trazia e achei que era hora de dar tudo. E dei. E só pensava em chegar à meta, que nem sabia bem onde era. Obrigam-nos sempre a dar aquela voltinha, em vez de porem a meta no fim da Rua do Ouro!... Uma pessoa vem pela rua fora, vê uns pórticos e acha que é logo ali mas não... Toca de virar à esquerda, depois virar à direita, e depois sim! A meta!

Fiquei muito feliz ao cortar a meta! Dei um abraço à minha colega de equipa e só queria sair dali! Não estava a acreditar que tinha conseguido e que me sentia tão bem! Porque acabei a sentir-me bem. Com muito calor, a devorar o gelado que ofereceram (longe vai o tempo dos Magnums...), a beber muita água, mas a sentir-me bem e feliz. Mesmo tendo feito o meu pior tempo de sempre numa meia. Mesmo tendo feito mais dez minutos do que na mesma prova, há um ano atrás. Eu estava feliz! Eu tinha conseguido e tinha cumprido o meu objectivo: acabar a prova, no ritmo que me tinha proposto. Bom, na verdade, fiz mais um minuto do que era suposto. Mas, na verdade, a prova teve mais umas centenas de metros do que era suposto. Acho que foi ela por ela!

Se custou? Custou. Se pensei desistir? Pensei. Se quando passei na Expo me apeteceu seguir pelo percurso da mini? Apeteceu. Se quando vi a meta no Terreiro do Paço me apeteceu ficar por lá? Apeteceu. Se fiz alguma destas coisas? Não, não e não. Cheguei ao fim. Nem eu sei bem como, mas cheguei.

Ainda tenho as emoções a mil. Ontem passei o dia a sentir-me muito feliz e orgulhosa. E eu não sou destas coisas. Mas ontem achei mesmo que merecia! Quando as expectativas são muito baixas, é fácil sentirmo-nos assim! Hoje continuo a sentir-me bem, com algumas dores nas coxas (olá, contraturas!), e com umas bolhas muito bonitas como nunca antes tinha visto. Mas sinto-me bem. 

Não sei se os 2,5km que fiz a correr para a Gare do Oriente antes da prova me fizeram bem ou não. Mas sei que ter feito 1,5km a caminhar depois da prova, quando saí do metro no regresso, me ajudou. Sei que isto tudo não é o mesmo que fazer um treino de 25km, mas sei que as minhas pernas ontem fizeram muitos quilómetros, e sei que passei muitas horas em pé. E sei que me sinto melhor do que esperava.

Se já me decidi em relação ao Porto? Não. Só depois do treino do próximo Domingo.

Ah! E o título do post? Pois. É verdade. Fiz mesmo. Não dormi em minha casa e preparei o equipamento todo, levei tudo e mais alguma coisa, menos... As cuecas. Na véspera, era meia-noite e meia quando saltei da cama ao lembrar-me disto e pouco depois estava em frente ao espelho a rir-me à gargalhada com as cuecas que o louco mais louco que eu me emprestou. Apesar de não me ficarem muito bem, e de ficarem com algum tecido de sobra, tenho a dizer que eram confortáveis e fizemos uma bela prova juntas. Se alguém quiser experimentar, eram estas da Decathlon.

Também entra para a categoria das coisas que só me acontecem a mim!...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Das corridas... - XXXVII

Domingo passado era para ter escrito aqui um post a dizer que tinha desistido daquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar.

No Domingo tinha planeado um treino de 22km. Cheguei de férias no Sábado e estava entusiasmada e motivada para fazer o treino. Mas também estava doente. O despertador tocou às 7h25 (sim, no meu último dia de férias...), eu levantei-me, fui beber água e avaliar o meu estado. E voltei para a cama de lágrimas nos olhos (a malta que não é maluquinha da corrida escusa de ler o resto). Sentia-me demasiado mal. Além de toda entupida, que era o mal menor, sentia dores no peito quando respirava ou tossia. Por muito que me custasse, sabia que era, no mínimo, um grande disparate pôr-me a fazer um treino de 22km. Emoção e razão debateram-se e eu voltei para cama.

Voltei para a cama com a clara noção de que não fazer aquele treino era, provavelmente, não fazer aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar. E, por isso, a vontade de chorar era mesmo muita e eu parecia uma tolinha. E era sobre isso que queria ter escrito Domingo.

Mas não o fiz porque não quis fechar logo essa porta. Não fui capaz. Não sou capaz. Eventualmente, vou ter de fazê-lo. Mas já não é possível mudar o nome do meu dorsal, e tenho até dia 31 para cancelar a reserva do hotel sem custos, por isso, tenho mais uns dias para me obrigar a isso.

Domingo é a Meia da Ponte Vasco da Gama. Tenho dorsal. E tenho dorsal porque o ganhei. Não me tinha inscrito e não era minha intenção fazê-la. A bem da verdade, continuo sem saber se é minha intenção fazê-la.

Mais uma vez, o meu cérebro chocalha e eu não sei o que fazer. No Domingo queria fazer 24/25km. E podia aproveitar a meia para isso. Mas vão estar 30 graus nesse dia. E eu e o calor, já se sabe... Agora estou na dúvida entre, efectivamente, ir fazer a meia, voltando para trás algures no percurso para conseguir fazer uns km a mais, ou não ir à meia, acordar pela fresca, e fazer o treino que é suposto fazer.

Se, por um lado, o calor me assusta, por outro, sei que o ambiente de prova ajuda, sei que os abastecimentos ajudam, sei que é tudo muito diferente e que me ia ajudar a perceber melhor como me sinto, de facto.

Da malta do meu subúrbio vai um grupo considerável (ainda que eu seja a única menina a ir para a meia...), vai o louco mais louco que eu que me tem acompanhado nesta minha loucura, e vão muitas outras caras conhecidas. Assusta-me o calor, mas agrada-me a festa que vai ser. Eventualmente nas próximas 48 horas, hei-de tomar uma decisão.

E desse lado, quem vai? É desta que conheço mais umas caras que por aqui andam? Sim, eu sei, são milhares e milhares de pessoas e é a maior confusão mas... Nada é impossível! Que o diga o N., que o ano passado mal a prova começou, fez questão de me ultrapassar! Quem é que me vai ultrapassar este ano?


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Das corridas... - XXXV

Estou viva.

Tenho treinado alguma coisa mas não o suficinte.

Já refiz o plano daquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar pela enésima vez. Agora já não tenho margem para mais alterações. Agora é mesmo para seguir à risca.

Tenho treinado mais regularmente e isso vê-se nos resultados. E nas contraturas. E nas dores.

Tenho cada vez mais dúvidas sobre se vou ser capaz. E são dúvidas muito realistas e não dúvidas fruto de inseguranças tontas. Todos nós sabemos a importância do treino. E todos nós sabemos que sem treino, não há milagres. E a verdade é que eu não treinei, e já não vou a tempo de treinar, aquilo que devia.

Ainda não perdi a esperança. Ainda não baixei os braços. As próximas semanas vão ser decisivas para perceber como é que o meu corpo reage ao aumento da carga. Resta-me cuidar dele, descansar, comer bem, dormir melhor, e esperar que ele se aguente.

Sem demasiadas expectativas e com a consciência muito clara de que isto tem tudo para correr mal.

Pelo sim, pelo não, já ando a ver de sítios onde ir fazer massagens desportivas, pois desconfio que vou precisar algures no processo.

As bolhas continuam a ser as minhas fiéis companheiras e a minha relação com os Vomero melhorou substancialmente (já levam 120km). O problema é, claramente, meu.

Estava inscrita no Trail das Dores e não fui. Foi a primeira vez que fiz tal coisa. E estive indecisa até aos últimos dias. Mas ralharam tanto comigo, que não fui. Nem à Corrida do Tejo fui. Peguei em mim e fiz um treino calmo, sozinha, de 12km pela Expo. Numa fase tão crítica do meu treino, desperdiçar um Domingo a fazer um trail de 17km que me ia deixar cheia de dores era, no mínimo, parvo. E eu já não tenho muito tempo para decisões parvas.

Não tenho muito tempo para nada, aliás. Novembro está já aí!... Não sei como. Mas está.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Das perguntas que me fazem...

Toda a gente me pergunta se estou entusiasmada.

Não sou capaz de responder afirmativamente.

Não sou. 

Talvez por ser sempre pouco efusiva. Talvez por ser sempre cautelosa. Talvez por ser aquela que analisa sempre todos os cenários mil e uma vezes, incluíndo os piores.

Não consigo sentir-me entusiasmada. Foi tudo muito rápido. É tudo demasiado assustador.

Estou a largar um daqueles empregos estáveis, seguros e confortáveis, que não me daria muitas chatices e que duraria a minha vida toda, se eu assim o quisesse.

Estou a atirar-me de cabeça para o desconhecido, para o incerto, para o inseguro.

E isso é assustador. Muito. Não me posso esquecer que, no fim de cada mês, sou só eu e as minhas contas para pagar (e as do Snow, já agora). Não me posso esquecer de todas as histórias que conheço de desemprego e de vidas que deram voltas tremendas. Não me posso esquecer de todos os riscos que estou a correr.

Não estou entusiasmada.

Ainda não me caiu bem a ficha.

Ontem caiu um bocadinho mais. Ontem, quando soube que sexta-feira é o meu último dia no actual emprego, as coisas começaram a tornar-se reais. Estava mentalizada para ainda trabalhar a próxima semana, até dia 31. Estava mentalizada para não ter férias, para ainda ter mais uma semana para fazer as despedidas, para deixar a casa arrumada. Mas não. Faltam dois dias e meio de trabalho. Ontem começou mesmo a cair a ficha.

Mas ainda não estou entusiasmada.

Lá para dia 3 à noite, quando tiver de pensar no que vestir no dia seguinte, talvez me dê o entusiasmo.

E nos dias seguintes. E em todos os que se seguirem a esses durante muito tempo. Espero eu.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Do ginásio... - I

Creio que corria o ano de 2011 quando eu fui ao ginásio pela última vez. Há seis anos, portanto.

A minha relação com os ginásios até aí tinha sido sempre muito intermitente e nunca muito duradoura. Sempre achei que os ginásios não eram para mim.

Mas, algures em 2016, achei que precisava de fazer algum reforço muscular, para complementar a corrida e poder evoluir. Ainda cheguei a ver ginásios, mas continuei a achar que não era para mim. Foi nessa altura que descobri os treinos funcionais ao ar livre. Treinei durante seis meses com os Outsiders Gym (que recomendo!) e, ao fim-de-semana, volta e meia ainda fazia um treino com a Fhit Unit (treinos gratuitos ao Sábado e Domingo de manhã na praia de Carcavelos - que também recomendo!). E gostava. E vivia feliz ao ar livre.

Até que me meti no Mestrado. E as coisas começaram a apertar. E em Dezembro passado fui forçada a desistir. E assim fui andando. E correndo, diga-se, nas (poucas) horas vagas.

Mas sabia que, se quero cumprir o objectivo a que me propus em Novembro, o treino de reforço muscular é importante. E, volta e meia, lá pensava nisso. 

Assim que acabou o Mestrado, decidi que era a altura certa. E, aproveitando a boleia de uma colega e amiga, inscrevi-me num ginásio.

Já fui três vezes. Em duas semanas, não é mau. E só não fui quatro porque, no estado de cansaço mental em que ando, num dos dias preparei tudo mas esqueci-me da mochila no carro. O meu ar quando, já em pleno comboio, me apercebi disso, deve ter sido maravilhoso...

Se estou a adorar? Não. Se tenho muita fé nesta relação? Não. Mas, para já, ainda não estou a detestar. Consigo ver ali algumas vantagens, consigo achar alguma piada às aulas, e tenho esperança de me entusiasmar quando começar a ver resultados.

O verdadeiro teste vai ser nas próximas duas semanas: a amiga que tem ido comigo vai estar de férias e eu vou ter de ir sozinha. Será que vou?...

O segundo teste vai ser quando mudar de emprego (e de horário), e se tornar mais difícil ter companhia para ir. Será que vou continuar a ir?...


Não percam o próximo episódio, porque eu também não!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Das decisões que eu tomo... - II

Image may contain: text



É um bocadinho este o mood geral por aqui.

Estou assustada. Muito. Mas talvez seja mesmo uma coisa boa.

É sempre assustador sairmos da nossa zona de conforto, da nossa segurança, do que já conhecemos, do que temos como certo e garantido.

Ainda não contei a muitas pessoas à minha volta. Algumas ficam surpreendidas, outras preocupadas, outras felizes. Um pouco como eu própria me sinto, talvez.

Toda a gente à minha volta já sabia que eu queria mudar de emprego. O investimento tremendo que fiz no Mestrado foi, naturalmente, com esse objectivo. No entanto, nem eu própria esperava que fosse tão rápido e que acontecesse já.

Eu fui respondendo a anúncios nos últimos tempos, mas de forma pouco consistente e sem me dedicar muito a isso. O meu plano era, depois de acabar o Mestrado (o que aconteceu Domingo passado com a entrega do trabalho final), gozar as minhas férias no fim de Agosto, recarregar as baterias e, em Setembro, dedicar-me afincadamente a encontrar alguma coisa nova.

Mas, quis o destino (isso existe?) que eu respondesse a um anúncio no LinkedIn, daqueles que é só carregar num botão sem pensar muito nisso, sabem? Nunca pensei que desse em nada. Ligaram-me dois dias depois. E a seguir foi o que se soube. Acabei por não relatar o processo todo, que foi relativamente rápido mas com três entrevistas, algumas conversas telefónicas e emails, e várias propostas. Anteontem disse que aceitava a última proposta que me fizeram, porque finalmente me deram aquilo que para mim era essencial. Ontem entreguei a carta de rescisão.

E não foi uma decisão fácil. Se, por um lado, queria muito sair, por outro, tinha muito medo de me estar a precipitar ao aceitar a primeira coisa que me apareceu. Mas talvez seja mesmo assim. Talvez não precisemos de passar por vários processos de recrutamento. Talvez a coisa corra bem à primeira. Talvez.

Ainda está tudo muito incerto. Ainda não sei bem quando se dará a troca, ainda não sei se conseguirei ter férias (e o quanto eu preciso de férias, senhores!), ainda não sei quase nada.

Sei que, ainda hoje, tenho dúvidas. Muitas dúvidas. Muito medo. Mas é acreditar e seguir em frente!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Das decisões que eu tomo...

Um dia vais entregar a carta de rescisão.

Hoje é o dia.


(e não fui correr...)

Das corridas... - XXIX

Hoje, algures no Facebook, cruzei-me com uma publicação a anunciar a Meia-Maratona dos Descobrimentos. E não pude deixar de sorrir.

Fiz esta prova o ano passado. Ainda hoje me refiro a ela como a pior prova que já fiz. Porque foi e nunca me vou esquecer dela.

Jamais me passaria pela cabeça voltar a fazê-la, até porque o foco no último trimestre vai ser aquele que se sabe.

Mas dei comigo a reler o que escrevi o ano passado, a decisão de desistir de Sevilha, tudo o que aprendi e a lição que dali tirei, e a pensar naquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar, com a certeza de que vou fazer diferente. Tenho de fazer diferente.

E é hoje é dia de mais um treino, já agora.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Dos últimos desenvolvimentos... - II

O Mestrado está feito. O trabalho final até foi entregue um dia antes do prazo. Onde é que já se viu tal coisa?... Agora é esperar pelas notas que faltam. Mas foi muito, muito bom poder fechar esta porta. Estava verdadeiramente cansada.

E o que é que eu fiz na minha primeira terça-feira sem aulas? Fui correr, pois claro! Já não ia há quase três semanas e consegui juntar-me com duas meninas da equipa do meu subúrbio. E foi tão bom! Já não nos víamos há uns tempos, já estávamos todas há imenso tempo sem treinar, e deu para voltar a mexer as pernas e pôr a conversa em dia.

Já fui à primeira aula no ginásio novo e hoje vou à segunda. Hei-de voltar a este tema.

Hoje tomei uma decisão final quanto à mudança de trabalho. Hei-de voltar a este tema.

Todos os dias questiono a decisão que tomei segunda-feira. Bom, também só passaram dois dias. Mas questiono-me. Muito.

Que os tempos que se aproximam me tragam forças. Muitas forças. Que eu vou precisar!


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Das corridas... - XVIII


É oficial. Estou inscrita. Por ridículo que pareça, não consigo descrever o quão nervosa estava enquanto preenchia os dados e carregava na confirmação. É muito giro falar disto a quase quatro meses de distância. Fazer, efectivamente, a inscrição, é toda uma outra conversa.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Dos últimos desenvolvimentos...

Do potencial novo emprego: nova reunião para me apresentarem proposta. Não gostei particularmente. Fiz há pouco uma contra-proposta. Ficaram de fazer contas e dar resposta até segunda-feira.

Tudo isto é muito novo para mim. Nunca estive nesta situação de negociar condições. De recusar, de pedir mais e melhor, de ficar à espera de nova proposta. Tudo isto é muito estranho para mim. 

O projecto parece-me interessante mas, naturalmente, quero garantir algumas condições mínimas de segurança. Não me posso dar ao luxo de me atirar de cabeça para qualquer coisa. Eu sei que tenho valor. Eles sabem que tenho valor. Vamos ver se chegamos a um equilíbrio.

O Mestrado está quase, quase despachado. A apresentação de ontem correu bem, recebeu diversos elogios, e agora é acabar o trabalho escrito, que pode ser entregue até segunda-feira (descobri entretanto que não é até domingo, como eu julgava...).

À hora de almoço fui visitar o meu futuro ginásio e diz que segunda-feira vou fazer a minha primeira aula logo às oito da manhã.

Tenho a sensação que para a semana começo uma vida nova. Sem aulas, com tempo livre, com ginásio, com o regresso à corrida e, quiçá, com um emprego novo.

2017 é mesmo um ano de mudanças. E das boas!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

sábado, 22 de julho de 2017

Dos pensamentos soltos...

Um dos meus momentos preferidos na realização de qualquer trabalho académico é a actualização dos índices. Fico mesmo contente ao vê-los tomar forma e ir crescendo! Fico feliz com pouco, eu sei. Mas podia ser pior.

Diz que acabo as aulas esta semana. Diz que tenho teste na terça, apresentação do projecto final na quinta e entrega do trabalho escrito do dito projecto final no domingo.

Diz que pelo meio disto tudo devo receber a proposta que ficaram de me fazer depois da entrevista final de ontem. Diz que correu bem.

Diz que está um lindo dia de sol. Diz que se está bem na praia. Eu talvez, só talvez, consiga sair de casa para jantar. Talvez. Se me portar bem.

Diz que eu devia estar focada em acabar o mestrado e ando preocupada com uma das grandes decisões da minha vida. E com o facto de não correr. E com o caos em que está a minha casa. E com mil e uma outras coisas que, neste momento, não deviam ser relevantes.

Ainda bem que ando a ler o Getting Things Done.

E que estou aqui a escrever em vez de estar a trabalhar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Do meu estado... - II

Pois que ontem tive a entrevista ao final do dia.

Não ia a uma entrevista há alguns anos. Na verdade, desde que entrei para onde estou agora, só tive duas pseudo-entrevistas (foram mais conversas informais do que outra coisa).

Não estava particularmente nervosa. Fui sem grandes expectativas, para saber mais da função e para ver se me interessava. Tenho um trabalho, um ordenado, não estou exactamente desesperada, o que ajuda muito.

Acho que correu bem. Estive lá mais de uma hora e saí de lá a achar que isso era bom sinal.

Já não me lembrava do que era uma entrevista. Não tinha respostas preparadas. Os meus defeitos? As minhas qualidades? Como me descreveriam os meus colegas? O que me motiva? Estas e muitas outras perguntas, às quais nem sempre soube responder. Fizeram-me o teste de personalidade DISC e eu, confesso, gosto sempre dessas coisas.

Saí de lá, a voar para a ante-estreia de Game of Thrones, com muitos mixed feelings. Não é o meu emprego de sonho. Mas é diferente do que faço agora. E eu estou cansada do que faço agora. Claro que isso não é razão suficiente para mudar. Não me posso dar ao luxo de correr riscos à toa. Tenho uma casa e contas para pagar. Mas estou tentada a isso.

Ligaram-me agora a marcar a segunda entrevista com os dois sócios da empresa. Acendam mais velas na sexta-feira à hora de almoço, por favor. Parece que resultam!



(não estou a conseguir responder a comentários mas... Muito, muito obrigada!)

domingo, 9 de julho de 2017

Das corridas... - XXV

Resolvi fazer novo plano de treinos para aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar. Na verdade, resolvi voltar a correr, que era coisa que não andava a fazer.

Também não tenho feito muito, que este recomeço é coisa recente e já conta com umas falhas, mas sei que até ao final do mês (quando acabo as aulas), não posso exigir milagres.

Olho para o plano e acho que não vou ser capaz. São demasiados treinos longos. Sei que não vou ter paciência. Sei que, em pleno Verão com muito calor, o meu corpo não vai gostar de treinos de 20, 24 e 28km. Sei que vai ser uma luta dura e difícil. Mas também sei que, se conseguir, vai ser qualquer coisa...

Nos entretantos, descobri que o treino mais longo que tenho para fazer calha no dia da Maratona de Lisboa. E de que é que eu me lembrei? Aproveitar a boleia, pois claro. Saio de casa a correr, desço até à Marginal, colo-me a quem vai a fazer a Maratona, aproveito as estradas cortadas (isto será legal?), e depois, em vez de seguir para a meta, continuo por essa cidade fora, sempre junto ao rio, até perfazer os 32km, que terminam precisamente no subúrbio onde mora quem mais me atura e acompanha nestas loucuras. Acho que dificilmente podia calhar melhor!

Eu tenho o plano, tenho a estratégia, tenho tudo pensado ao pormenor.

Haja vontade e força nas pernas!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Do verdadeiro significado de Leap of Faith...

Leap of Faith é ter comprado ontem bilhetes para uma viagem a realizar em Outubro, depois do que aconteceu nas duas últimas viagens que marquei com alguém.

O pior que pode acontecer? Ir sozinha, que foi o que me aconteceu com Praga e foi das melhores experiências que tive na vida.

O melhor que pode acontecer? Ter umas férias espectaculares, que incluem Amesterdão, Bruges, Gante e Leiden.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...