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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da minha capacidade incrível para suster a respiração...

Estamos a dia 4 de dezembro. O mês do Natal. O último mês do ano.

E o que é que eu fiz no que ao Natal diz respeito? Montei a árvore de Natal. Literalmente. Montei a árvore, com os seus muitos e variados ramos porque talvez tenhamos comprado uma árvore demasiado grande mas não faz mal porque eu gosto dela assim. Montei-a e deixei ali no seu esplendor verde. E também deixei no seu esplendor as caixas com todas as decorações, que vieram da arrecadação e que estão pousadas no hall de entrada, para gáudio de pequeno Snow.

Portanto... A pessoa que vibra com o Natal. A pessoa que adora o Natal. A pessoa que se perde em decorações e planos. A pessoa que planeia tudo com uma antecedência, por vezes, considerada (de forma injusta) exagerada. 

Essa pessoa, este ano virou Mr. Scrooge e não quer saber do Natal.

Não quero. Não me apetece. Não tenho vontade. Não tenho, sequer, planos definidos. Não sei onde vou passar nem o dia 24 nem o dia 25. Não só porque não depende só de mim, mas porque mesmo quando o que não depende de mim estiver resolvido, eu vou ser forçada a tomar uma decisão que não me apetece ter de tomar.

Não consigo pensar no Natal. Presentes? Nem vê-los. Certo é que deixei de dar presentes nos últimos dois anos. Limito-me a comprar algumas coisas para os sobrinhos, e tudo o resto vai corrido a pequenas oferendas comestíveis que saem da minha cozinha. Prefiro pegar no dinheiro e doar a instituições que realmente precisam. Mas nem isso eu ainda fiz este ano!.... Nem pensei nos presentes dos sobrinhos (e tinha sido tão inteligente aproveitar a Black Friday para isso....), nem pensei no que vou fazer para oferecer, nem escolhi as instituições que vou apoiar.

Não consigo pensar no Natal.

Tenho demasiado em que pensar. Tenho a minha vida em suspenso. Estou assim a modos que a conter a respiração, semana após semana, à espero da altura em que vou poder respirar de alívio. Se é que vou poder respirar de alívio. Não sei. Não sei nada.

Se pudesse, avançasse no tempo até ao final do ano. Até ao momento em que terei certezas (ou, assim o espero...). Adormecia agora e só acordava daqui a umas semanas, com a minha vida em ordem e o futuro traçado a régua e esquadro (como eu tanto gosto). Mas não! Porque a vida não é desenhada a régua e esquadro e, mais uma vez, fez questão de me mostrar isso mesmo.

Tinha aqui escrito, em Outubro, que estava deprimida com o final do ano, e com o facto de não ter cumprido dois dos três objectivos que tinha definido para 2019. Pois que a vida resolveu pôr-me a cenourinha à frente do nariz e, apesar de ser certo que já não vão acontecer em 2019, talvez, só talvez, se concretizem em 2020. Com muitos medos e dúvidas, com muitas incertezas, com decisões tremendas para tomar, com coisas que não dependem de mim. Mas pode ser que 2020 seja o ano. Pode ser. 

Assim a vida queira colaborar comigo e queira dar-me um final de ano feliz e sereno. Ou só feliz, que sereno duvido que seja. Mas que eu possa voltar a respirar. Já não era mau.




(Prometo que tudo isto um dia fará sentido. Não sei é quando. Obrigada a quem estranhou a ausência e se preocupou.)

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Dos dias em que viver cansa...

Hoje o acordar foi difícil. Ele é que fez uma Maratona, e eu é que tenho a sensação de ter sido atropelada por um camião.

Talvez seja das dores de dentes. Ou da sua ausência. Já que o que me dói é o vazio deixado pelo dente que arranquei na sexta-feira.

Não consegui dormir em condições, o que seria bastante razoável, depois de ontem ter acordado antes das seis da manhã. Eu nasci para dormir. Eu preciso de dormir. E, se não durmo, não funciono.

Acordei cansada, (ainda mais) rabugenta, desanimada e deprimida.

Ontem ao final do dia tomei uma decisão importante. Havia uma pequena esperança de uma grande mudança na minha vida em breve, mas ontem eu disse adeus a essa esperança. Ontem, no rescaldo da Maratona dele, pus-me a fazer contas à vida e decidi fechar uma porta. Talvez se abra uma janela, já diz o cliché. Mas eu não gosto de clichés, nem neles acredito. Acredito no que é racional. E ontem fui racional.

Talvez por isso tenha acordado assim. Pesada, no espírito e no corpo. Com o semblante carregado e a barriga inchada, reflexo dos abusos do fim-de-semana. Ele é que ia correr, mas eu fui solidária na ingestão dos hidratos. Ou talvez tenha tentado encontrar nos hidratos o consolo que não encontro na vida.

Faltam dois meses para o final do ano. E isso deprime-me. Cansa-me. Desanima-me. 



Ou então está tudo lindo, maravilhoso e fantástico na minha vida, e eu acordei mesmo foi com TPM.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Das eleições...

Acho que nunca acompanhei tanto umas eleições como estas. Nem sei bem por que motivo, mas talvez por estar, de facto, preocupada com o que aí vem nos próximos anos. Algo me diz que não será nada de bom... Mas talvez seja apenas eu a ser pessimista.

A verdade é que li artigos e programas eleitorais, assisti a debates mais sérios e assisti ao "Gente Que Não Sabe Estar" (mais relevante do que se possa imaginar, e a única altura em que dou audiência à TVI), tentei informar-me o mais possível, apesar de o meu voto já estar relativamente decidido há bastante tempo.

Por curiosidade, experimentei uma daquelas "Bússolas Eleitorais", que não me deu novidade nenhuma.

E Domingo lá fui votar. Porque não via outra opção que não essa.

Estas eleições (ou os seus resultados) surpreenderam-me a vários níveis. Alguns mais óbvios, outros menos.

A abstenção continua a surpreender-me. E vai surpreender-me sempre. Não entendo. A sério que não entendo quem tem a possibilidade de ir votar, de mostrar a sua opinião, de expressar o seu desejo, e opta por não o fazer. Quem opta por se desresponsabilizar do que se passa no país. Não entendo. Não é por mal. E se houver por aí alguém que me queira tentar explicar, a caixa de comentários ou a de email estão à disposição. Porque eu gostava de conseguir perceber.

A vitória do PS não me surpreendeu. Obviamente, não me surpreendeu. Preocupou-me, mas não me surpreendeu.

O que também me surpreendeu foram os três novos partidos com assento parlamentar! Escusado será dizer que o facto de o Chega ter conseguido um deputado me surpreendeu e preocupou. Que país é este que quer um partido destes no Governo? Mais uma vez, aceito quem me explique... Já a eleição de um deputado do Iniciativa Liberal e uma deputada do Livre, a que se juntam mais deputados do PAN, é algo que vejo com muito bons olhos. Ainda que a deputada do PSN por Setúbal saiba menos do programa eleitoral deles do que eu, mas é o que temos... 

Precisamos de mais diversidade no parlamento. Precisamos de novas ideias, de sangue novo. Independentemente de concordar com muito ou pouco do que cada um destes partidos defende, acho que é bom que o poder não esteja tão concentrado nos dois do costume. Há muitos países por essa Europa fora em que os dois maiores partidos têm menos poder, estando o mesmo mais distribuído por partidos mais pequenos, o que acaba por resultar.

Estou curiosa para ver o que aí vem. Já há quem diga para se reservarem as suites do Ritz para os amigos da Troika voltarem... Espero que não, mas acredito que seja uma possibilidade. 

Espero mesmo estar enganada. Espero mesmo que estas novas presenças em São Bento consigam abanar as águas, por pouco que seja. Espero que este país se endireite, e possamos ter a qualidade de vida que merecemos. Ou será que não merecemos? É que olhando para a taxa de abstenção, tenho as minhas dúvidas...

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 255


Apresento-vos a mesa de cabeceira dele. 

É para isto que eu tenho de olhar todos os dias. E (quase) sou vencida pelo cansaço. 

Já do meu lado, não sei se quero passar o meu aniversário em Berlim ou em Condeixa a cometer a loucura da vida.

Dramas.

Dramas de quem precisa urgentemente de voltar a correr. Dramas de quem sabe que é ao gastar energia na corrida que consegue ir buscar a energia que sente que não tem. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 235


Não tenho lido tanto quanto gostaria. E muito menos tenho lido em papel. Abençoado Kindle, abençoados livros oferecidos e emprestados. 

Mas um dia destes perdi a cabeça e encomendei estes 4, já a pensar nas férias. Em formato paperback, para serem leves e facilmente transportáveis. Quer para levar para a praia, quer para andar com eles atrás quando regressar ao trabalho. 

Sem desculpas. Para que possa aproveitar cada bocadinho morto para ler mais umas páginas, ao invés de me perder no telemóvel e nas redes sociais. 

Para que o meu tempo possa ser mais útil, mais produtivo, mais sereno. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

Da falta de palavra das pessoas...

Alguém, provavelmente eu, tinha escrito, provavelmente por aqui, que depois da Serra Amarela só faltariam duas provas para o final da época. 

Pois que já fiz as Fogueiras e o Sintra Trail X'Treme. Se não me engano a contar, isto dá duas provas. 

Como é que daqui a 3 semanas já tenho outra?! Como?!

A sério... Já não se pode confiar no que as pessoas dizem. Num dia pensamos que estamos de férias até Setembro. No outro, pumbas!, toma lá mais no final de Julho para não ficares mal habituada.

E o drama é que a inscrição foi feita no Sábado, antes de Sintra, e eu optei pela distância conservadora. Depois do trauma de Sintra, estou aqui a pensar de mim para mim, se não me atiro assim à doida para a distância mais longa que já fiz na vida. Só para acabar a época em grande, sei lá.

Convém esclarecer que a distância é mais longa mas tem menos acumulado do que a Serra Amarela. É uma loucura controlada. Não nos entusiasmemos que eu não enlouqueci de vez. Ainda.

Talvez esteja a querer dar um passo maior do que a perna, o que não é difícil no meu metro e meio. Mas sinto-me bem. A Serra Amarela correu bem. As Fogueiras correram bem. Sintra correu bem (pudera!). E eu não sei se um dia destes não deixo de correr. Talvez fosse boa ideia aproveitar este entusiasmo e fazer uma coisa assim a modos que ligeiramente maior.

Decisions, decisions... 

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Das decisões super inteligentes que eu tomo... - já lhes perdi a conta...

Esta pessoa tinha dito por aqui, e por outros lados, que este fim-de-semana seria apenas de praia e treino, porque esta pessoa já está meio farta de provas e ainda faltam 4 até ao final da temporada. 

Esta pessoa ganhou um passatempo e vai à Corrida de Santo António amanhã.

Esta pessoa não aprende nunca. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - VI (Ou do Pós-Prova...)

Mais uma vez, cortei a meta da Maratona da Europa e não baixaram em mim todas aquelas emoções que baixam em muitas outras pessoas. Mais uma vez, fiquei meio apática, sem saber como reagir. Acho que sou um bocado lenta, nas emoções como na corrida, e demoro a processar o que acontece comigo. Ou isso ou sou, nas palavras de alguém, reservada, e não sei o que é isso de expressar grandes emoções em público. Nem em privado, já agora.

Talvez esta falta de emoções no final seja reflexo do que foi a prova durante: dura, difícil, puxada a ferros. Foi um carrossel de emoções, com momentos muito bons e com momentos muito maus. Momentos em que eu pus tudo em causa. Momentos em que eu tive a certeza de que ia conseguir.



Depois da prova, ofereci-me o meu prémio de consolação: uma barrica de ovos moles. Por coincidência, descobri durante a prova que o João Lima tinha decidido oferecer-se o mesmo presente, caso cortasse a meta. Ainda longe de sonharmos que não teríamos direito a ovos moles no final!... Mas cortámos os dois a meta, e os dois tivemos a nossa muito merecida barrica! Great minds think alike!

Os dias que se seguiram foram melhores do que eu esperava. Curiosamente, desta vez, não foram tanto as pernas ou os pés que me doeram. Foram as costas, na zona dos rins. Nunca tal me tinha acontecido e, confesso, fiquei ligeiramente preocupada. Mas até isso acabou por passar (abençoado Adalgur!), e ao fim de 3 dias eu estava pronta para outra. Salvo seja!

A Maratona da Europa deixou-me a pensar no que ando aqui a fazer, na minha vida, nas minhas prioridades (como falámos por aqui algumas vezes). Não me imagino a voltar a fazer uma Maratona tão cedo. Talvez tenha dito o mesmo depois de Madrid. Mas agora é a sério.

Se foi uma Maratona feliz como eu gostava que ela tivesse sido? Não. Se foi a Maratona que eu gostava que tivesse sido? Não. Mas como diz o Filipe Torres, a Maratona é a prova justa. E eu tive a Maratona da Europa que merecia. Para a próxima, eu que treine!

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - IV (Ou do Pré-Prova...)

A minha preparação para a Maratona da Europa foi aquilo que se sabe: deficiente.

Por muitos e variados motivos, não treinei tanto quanto devia, e falhei alguns treinos essenciais, como os mais longos.

A poucos dias da prova, a meio de uma crise existencial, só me apetecia desistir e nem ir a Aveiro. Foi toda uma montanha russa de emoções, como é a preparação de uma coisa destas!...

Depois desse drama, e já mais racional, tinha definido os meus objectivos, com um ritmo para os primeiros 30 quilómetros de 6'30m/km, e a certeza de que a partir daí, seria gerir dentro do possível.

Tentei ter cuidado com a alimentação nos dias anteriores, bebi muita água, tomei a Magnesona, aumentei a ingestão de sal, mas acabei por não descansar tanto como devia nos dias anteriores, porque, em estando fora, uma pessoa acaba sempre por não resistir e passear um bocadinho.

Na véspera, fomos à Pasta Party, com a Sofia e o André. E eu já não me lembrava do que era comer numa cantina universitária e ainda deu para rir! Comemos muito e bem, e ainda fomos beber um copo, porque era cedíssimo. Por copo, leia-se uma garrafa de água.

Voltámos para o apartamento e a pressão começou a instalar-se. Estive tempos e tempos a vestir e a despir calções, a tentar escolher quais havia de levar. Acabei por tomar a decisão com base num critério muito prático: escolhi os que tinham o melhor bolso, porque percebi que não ia conseguir enfiar na bolsa da cintura todos os géis que queria levar. Levei uns calções relativamente novos da Nike, mas que já tinha usado num treino de 15km e numa ou outra prova. Foi uma decisão mais ou menos arriscada, mas relativamente consciente. Acabou por correr bem e eu fui feliz e contente com os meus calções cor-de-rosa (ou coral, vá).

O segundo drama: os géis! Tinha levado várias opções, e ali fiquei a pensar o que tomar, quando tomar. Lá dividi os géis com o louco mais louco do que eu, lá defini a ordem pela qual tinha de os tomar, e ainda juntei umas gomas, só para o caso de enjoar os géis e precisar de uma alternativa.

Seguiu-se o último drama: as meias. Tinha duas opções e só tomei a decisão final no dia da prova de manhã, enquanto me vestia. Mas isso será tema para outro post. Quanto aos meus pés, mantive o que já vinha fazendo nos últimos meses: muita hidratação! Estava receosa porque na semana anterior me tinha aparecido no pé direito, na zona das bolhas, uma mancha de sangue pisado, que me tinha dado grandes dores nos últimos treinos.

Antes da prova começar, estava plenamente consciente de que não estava tão bem preparada como devia, e estava preocupada com o pé direito, tendo mesmo comentado que seria ele a decidir o desfecho da minha prova. 

Sabia que me ia custar horrores, mas que havia de cortar aquela meta. A única razão que me podia impedir de o fazer seria mesmo aquele pé e as suas dores, se se tornassem insuportáveis. Tudo o resto, eu havia de ultrapassar, nem que demorasse as seis horas de tempo limite.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 108


Podia ter ido correr quando cheguei a casa. Preferi fazer o jantar enquanto esperava que ele chegasse do treino dele, e obrigá-lo a preparar dois gins quando chegou.

domingo, 14 de abril de 2019

Da luz que pode surgir em dias de chuva...

Hoje fiz o meu, suposto, último treino longo em direcção aos ovos moles. E digo suposto porque, mais uma vez, não fiz o que devia ter feito.

E não faz mal.

Ia eu com dois terços de treino quando a minha mente se iluminou. Tive uma epifania que mudou a forma como tenho olhado para a Maratona da Europa e esta preparação.

Como alguém muito sábio já me disse por aqui, eu não tenho de provar nada a ninguém. Se eu fizer esta Maratona, é por mim. Apenas, por mim. Só pode ser por mim. E se eu não fizer, se eu não tiver uma foto a cortar a meta para pôr no Instagram e no Strava, paciência. Ninguém tem nada com isso. Não devo isso a ninguém. Nem a mim mesma, se eu decidir que assim deve ser.

Passei o treino de hoje a tentar ser o mais racional possível sobre tudo isto.

Eu não treinei o que devia. E já não vou a tempo, obviamente. E não faz mal.

Claro que eu gostava que Aveiro fosse uma Maratona feliz. Foi para isso que me inscrevi. Para que Aveiro me pudesse dar a Maratona feliz que Madrid não me deu. E claro que gostava que Aveiro corresse melhor do que Madrid. Se me inscrevo numa prova, é sempre com o objectivo de fazer melhor do que da última vez. Mas e se não fizer?

A auto-pressão que me imponho tem (alguma) razão de ser: quando me inscrevi em Aveiro, sabia que, em tudo correndo como eu quero que corra na minha vida nos próximos tempos, esta seria a minha melhor hipótese de voltar a fazer uma Maratona durante muito tempo.

Mas e se eu não fizer outra Maratona? E se eu ficar só por Madrid? Já sou maratonista. Já tenho a minha medalha. Vem algum mal ao mundo se eu não fizer mais nenhuma? Talvez não. Provavelmente, não.

Não estou com isto a desistir ou a atirar a toalha ao chão.

Estou com isto a tentar convencer-me a mim mesma daquilo que é a óbvia realidade: eu não treinei o suficiente.

Não treinei porque não quis. Porque não pude. Porque não tive tempo. Porque estive doente. Porque a minha vida anda um caos. Porque esta cabeça anda um caos. Porque não me apeteceu. Porque. Porque. Porque.

Não treinei. Ponto.

Agora? Agora tenho de tentar ter a inteligência de gerir a prova da melhor forma que conseguir. Tenho de ter a consciência do que (não) fiz e saber ouvir o meu corpo. Tenho de ter a frieza de saber que no dia 28 de Abril eu vou lá fazer o que conseguir. Sejam 10km, 21km, ou os 42km. O que conseguir. O que me apetecer. O que me fizer feliz. 

Porque se não for para ser feliz, não vale a pena continuar a correr.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 41


"Como estou doente, vou ao ginásio." 

(ou das coisas estranhas que a malta da corrida diz quando quer ir correr mas tem de admitir que não deve e opta por uma solução alternativa...) 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 23


Em 95% dos dias, o meu pequeno-almoço tem aveia. Podem ser papas de aveia, panquecas de aveia ou até scones de aveia. Mas tem de haver aveia. Foi um hábito que adquiri nos últimos anos, quando comecei a preocupar-me mais com a minha alimentação, quando aboli o pão e a sandes comida a correr a caminho do trabalho. Também como (quase sempre) fruta. Ou com as papas ou panquecas, ou em forma de sumo. Mas como muita fruta. Talvez demais, até. E canela. E gengibre (que junto em pó à água morna com limão que bebo em jejum). Também como sementes com frequência. Talvez na esperança de ganhar as asas que teimam em chegar. 

Todos os dias somos bombardeados com informação sobre o que devemos ou não comer. Sobre o que é mais saudável. Que não é mais do que a moda do momento. No meio de tantas escolhas, acredito no bom senso. Acredito no equilíbrio. Acredito na variedade. Vou tentando fazer o melhor que posso. Vou, acima de tudo, tentando compensar.

Porque eu gosto mesmo é de comer. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Do meu 2018...

Agridoce.

O meu 2018 foi agridoce. Já muito procurei, mas não encontro palavra melhor para o descrever. Teve tanto de bom como de mau. Bom e mau nem seriam as melhores palavras. Mas também aqui não encontro palavras melhores.

O meu 2018 começou, literalmente, com a decisão de vivermos juntos, pouco antes de adormecermos na primeira noite do ano. Peguei em mim, no Snow e em toda a minha bagagem e, no início de Fevereiro, mudei-me para casa dele. Numa decisão difícil, de quem já mudou de casa demasiadas vezes, de quem já sofreu demasiado, de quem morre de medo de voltar a passar pelo mesmo outra vez. Mas na decisão mais acertada do ano, num início de vida feliz e sereno.

Pouco tempo depois, ele mudou de emprego. A nossa rotina alterou-se. E eu ainda sinto falta dos banhos e dos pequenos-almoços em conjunto. Ainda não nos habituámos a essa nova rotina. Mas não faz mal. Porque em 2019 tudo vai mudar outra vez.

Passei os primeiros meses do ano a treinar para a minha primeira Maratona. Fiz provas incríveis. Sofri, tive dúvidas e quis desistir. Voltei a acreditar, voltei a ter dúvidas, numa montanha-russa imparável, num percurso de altos e baixos.

A 16 de Abril a minha mãe morreu. No dia do funeral dela, a minha avó-emprestada teve um AVC. O prognóstico era o pior possível.

No dia 21 de Abril, depois de muitas dúvidas e incertezas, entrei num avião em direcção a Madrid, sabendo que podia ter de voltar a qualquer momento. No dia 22 de Abril fiz a minha primeira Maratona, ainda não sei como, e num tempo muito melhor do que eu, ou qualquer pessoa à minha volta, poderia imaginar. Foi um momento inesquecível. Foram muitos momentos. Muitas memórias. Que eu não cheguei a gozar verdadeiramente por tudo o que aconteceu nos dias que antecederam a prova. Mas fiquei mais uns dias por Madrid e quase consegui fingir que não se passava nada.

A 28 de Abril a minha avó-emprestada morreu. Não, não fica mais fácil por serem dois funerais em tão poucos dias. Vi a família desmoronar-se. Vi a incredulidade perante algo que nenhum de nós esperava. Levei uma chapada da vida, apenas e só para me lembrar que nada é garantido. Que hoje estamos aqui, e amanhã deixamos de estar.

Os dias sucederam-se indistintos. Passei muito tempo a chorar só porque sim. Passei muito tempo a tentar perceber, a culpar-me, a perdoar-me. Ainda me culpo. Ainda não me perdoei. Ainda choro só porque sim.

Em Junho fomos ao Porto. A nossa cidade. E fomos a Londres. Levei-o a conhecer Londres e voltei a apaixonar-me por Londres. Como sempre que lá volto.

Desde o início do ano que sabia que era provável que tivesse de ser operada. Sabia, até, que não era garantido que pudesse fazer a Maratona. Mas continuei a treinar para ela. E o nosso SNS funciona tão bem, que as coisas se atrasaram e eu só fui operada em Agosto. Apesar de ter corrido tudo bem, a recuperação foi mais dura e lenta do que eu esperava ou gostaria. Ainda tenho dores e não sei lidar com isso.

Em Agosto também ganhei uma Avó. E ainda não me habituei a isso.

Aos poucos, voltei a correr. Mais devagar do que queria. Sem forças, sem ânimo, com dores, a tentar encontrar forças e motivação sem saber onde.

Em Novembro, fizemos a maior viagem da minha vida. Nova Iorque e Cuba. Duas semanas absolutamente inesquecíveis que me mostraram o que de melhor e pior o ser humano é capaz.

Em Dezembro, regressei às corridas a sério. Inscrevi-me na Maratona da Europa. Organizei o Natal cá em casa e fiquei com vontade de não fazer Natal no próximo ano. Fiz as minhas duas São Silvestre de eleição e fiquei com pena de não ter feito a da Amadora.

Acabei o ano sem saber como me sinto em relação a 2018. Vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha vida. Pela positiva. E pela negativa. Podia dizer que foi um ano negro. Mas como dizer que foi um ano negro, o ano em que começámos a nossa vida a dois e o ano em que me superei, como nunca antes o fizera? Sim, 2018 foi um ano difícil, desafiante, inesquecível, que me pôs à prova em muitos níveis diferentes, que me fez crescer, que me fez ver que tenho pessoas incríveis à minha volta, que me fez perceber que eu aguento muito mais do que imaginava, que no meio de tudo eu tenho sorte.

Definitivamente, 2018 foi um ano agridoce.

E se para 2018 a única coisa que eu pedi foi saúde, para mim e para os meus, esse pedido foi recusado. Assim, para 2019 eu não peço nada. Eu limito-me a aceitar o que a vida tiver para me dar, assumindo o compromisso de lutar para que a vida me dê o mais possível. Na verdade, não há mais nada que eu possa fazer senão isso: aceitar. O que for para vir, que venha.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Dos dramas que afligem a minha vida...

Pessoa não gosta de confusões. Pessoa não gosta de festivais. Na verdade, pessoa não gosta de pessoas o que a leva a evitar todos os aglomerados das ditas.

Pessoa começou o dia a saber que o Thom Yorke vem ao Alive e o Father John Misty ao Paredes de Coura.

Pessoa tem decisões difíceis para tomar.


(escrito directamente da lavagem automática, porque a pessoa tirou o dia de férias para fazer coisas tão interessantes como lavar o carro... A vida glamourosa das bloggers é só para algumas... ) 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Do meu regresso ao ginásio...

Depois do regresso às corridas, temos o regresso ao ginásio. Talvez tenha sido a constatação do meu novo estatuto de F35, e a cada vez mais clara percepção de que já não vou para nova, mas o certo é que me deu para isto esta semana. 

E se voltar ao ginásio foi uma decisão inteligente, ter escolhido uma aula de Bodybalance para marcar esse mesmo regresso, foi menos inteligente. Mas achei que devia começar por uma aula mais calma, que não puxasse muito pelos abdominais (nem por nada, já agora). 

E já não me lembrava por que motivo nunca ia a Bodybalance. Ontem, no meio do vigésimo quinto bocejo, lembrei-me.

Aquilo não é para mim. Lamento. Admiro e respeito quem gosta. Mas não é para mim.

Eu não consigo estar ali quase uma hora a empurrar bolas imaginárias no vazio, a ouvir o meu respirar, a tentar equilibrar-me numa perna enquanto a outra se estica toda e tenta apanhar a estrela cadente que passa no tecto. Não dá. 

O problema sou eu, não és tu, Bodybalance.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Das novas doenças desta sociedade em que vivemos...

Diz um daqueles estudos que hoje em dia se multiplicam à velocidade da luz, que temos uma nova doença a afectar a população no século XXI: o vício de viajar.

Doente me confesso. E deve ser por isso que ainda não fiz a próxima viagem e já estou super entusiasmada com a que se seguirá.

Inscrições feitas, bilhetes comprados e alojamento marcado.

Vou voltar à (minha) ilha.

Até já, Columbus Trail!

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...