Já aqui falei, em tempos há muito idos, sobre gravidezes idiotas.
Gravidezes idiotas são gravidezes que, na minha opinião muito minha, muito pessoal e que não interessa para nada que cada um sabe de si, dizia eu, são gravidezes que não deviam acontecer.
Sejam as gravidezes só porque sim, sejam as gravidezes que aconteceram por acaso (?), sejam as gravidezes em que os pais não têm responsabilidade/maturidade para ter um filho, sejam as gravidezes em que os pais não têm condições físicas/financeiras/emocionais. Em suma, qualquer caso em que não haja, por um lado, um desejo muito consciente do que aí vem e, por outro, uma estabilidade muito grande (a todos os níveis) para receber da melhor forma possível a vida que aí vem.
Ou então não. Ou então a idiota sou eu que acho que todos deviam fazer 10 requerimentos em papel azul de 25 linhas; 5 orçamentos com todos os worst-case scenarios; tirar medidas à casa e ao carro; verificar 3 vezes a conta das poupanças e confirmar todos os direitos salariais em caso de...
Se calhar, o erro é meu. Meu que sempre disse que não sei se algum dia terei filhos. Bolas! Trazer uma vida ao Mundo é... Trazer uma vida ao Mundo! É mudar o Mundo! Estão a ver a responsabilidade? Não é bem como 'bora lá comprar um carro a crédito e se depois não tivermos dinheiro para a gasolina nem para comer, é na boa. Percebem? É ter um filho. É tornar-se responsável, para sempre, por uma vida.
Eu sei que sou eu que ligo, em demasia, o complicómetro, e talvez por isso tenha tanta dificuldade em ponderar a hipótese de ter filhos. Mas a verdade é que eu acho mesmo que é complicado. É exigente. Exige tempo, exige dinheiro. (partindo do princípio que há estabilidade emocional - a mais exigida de todas).
Mas sim, se calhar sou eu. Eu é que estou errada. Eu é que devia deixar de tomar a pílula e deixar a natureza trabalhar.
Ou então não.