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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da minha capacidade incrível para suster a respiração...

Estamos a dia 4 de dezembro. O mês do Natal. O último mês do ano.

E o que é que eu fiz no que ao Natal diz respeito? Montei a árvore de Natal. Literalmente. Montei a árvore, com os seus muitos e variados ramos porque talvez tenhamos comprado uma árvore demasiado grande mas não faz mal porque eu gosto dela assim. Montei-a e deixei ali no seu esplendor verde. E também deixei no seu esplendor as caixas com todas as decorações, que vieram da arrecadação e que estão pousadas no hall de entrada, para gáudio de pequeno Snow.

Portanto... A pessoa que vibra com o Natal. A pessoa que adora o Natal. A pessoa que se perde em decorações e planos. A pessoa que planeia tudo com uma antecedência, por vezes, considerada (de forma injusta) exagerada. 

Essa pessoa, este ano virou Mr. Scrooge e não quer saber do Natal.

Não quero. Não me apetece. Não tenho vontade. Não tenho, sequer, planos definidos. Não sei onde vou passar nem o dia 24 nem o dia 25. Não só porque não depende só de mim, mas porque mesmo quando o que não depende de mim estiver resolvido, eu vou ser forçada a tomar uma decisão que não me apetece ter de tomar.

Não consigo pensar no Natal. Presentes? Nem vê-los. Certo é que deixei de dar presentes nos últimos dois anos. Limito-me a comprar algumas coisas para os sobrinhos, e tudo o resto vai corrido a pequenas oferendas comestíveis que saem da minha cozinha. Prefiro pegar no dinheiro e doar a instituições que realmente precisam. Mas nem isso eu ainda fiz este ano!.... Nem pensei nos presentes dos sobrinhos (e tinha sido tão inteligente aproveitar a Black Friday para isso....), nem pensei no que vou fazer para oferecer, nem escolhi as instituições que vou apoiar.

Não consigo pensar no Natal.

Tenho demasiado em que pensar. Tenho a minha vida em suspenso. Estou assim a modos que a conter a respiração, semana após semana, à espero da altura em que vou poder respirar de alívio. Se é que vou poder respirar de alívio. Não sei. Não sei nada.

Se pudesse, avançasse no tempo até ao final do ano. Até ao momento em que terei certezas (ou, assim o espero...). Adormecia agora e só acordava daqui a umas semanas, com a minha vida em ordem e o futuro traçado a régua e esquadro (como eu tanto gosto). Mas não! Porque a vida não é desenhada a régua e esquadro e, mais uma vez, fez questão de me mostrar isso mesmo.

Tinha aqui escrito, em Outubro, que estava deprimida com o final do ano, e com o facto de não ter cumprido dois dos três objectivos que tinha definido para 2019. Pois que a vida resolveu pôr-me a cenourinha à frente do nariz e, apesar de ser certo que já não vão acontecer em 2019, talvez, só talvez, se concretizem em 2020. Com muitos medos e dúvidas, com muitas incertezas, com decisões tremendas para tomar, com coisas que não dependem de mim. Mas pode ser que 2020 seja o ano. Pode ser. 

Assim a vida queira colaborar comigo e queira dar-me um final de ano feliz e sereno. Ou só feliz, que sereno duvido que seja. Mas que eu possa voltar a respirar. Já não era mau.




(Prometo que tudo isto um dia fará sentido. Não sei é quando. Obrigada a quem estranhou a ausência e se preocupou.)

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Das eleições...

Acho que nunca acompanhei tanto umas eleições como estas. Nem sei bem por que motivo, mas talvez por estar, de facto, preocupada com o que aí vem nos próximos anos. Algo me diz que não será nada de bom... Mas talvez seja apenas eu a ser pessimista.

A verdade é que li artigos e programas eleitorais, assisti a debates mais sérios e assisti ao "Gente Que Não Sabe Estar" (mais relevante do que se possa imaginar, e a única altura em que dou audiência à TVI), tentei informar-me o mais possível, apesar de o meu voto já estar relativamente decidido há bastante tempo.

Por curiosidade, experimentei uma daquelas "Bússolas Eleitorais", que não me deu novidade nenhuma.

E Domingo lá fui votar. Porque não via outra opção que não essa.

Estas eleições (ou os seus resultados) surpreenderam-me a vários níveis. Alguns mais óbvios, outros menos.

A abstenção continua a surpreender-me. E vai surpreender-me sempre. Não entendo. A sério que não entendo quem tem a possibilidade de ir votar, de mostrar a sua opinião, de expressar o seu desejo, e opta por não o fazer. Quem opta por se desresponsabilizar do que se passa no país. Não entendo. Não é por mal. E se houver por aí alguém que me queira tentar explicar, a caixa de comentários ou a de email estão à disposição. Porque eu gostava de conseguir perceber.

A vitória do PS não me surpreendeu. Obviamente, não me surpreendeu. Preocupou-me, mas não me surpreendeu.

O que também me surpreendeu foram os três novos partidos com assento parlamentar! Escusado será dizer que o facto de o Chega ter conseguido um deputado me surpreendeu e preocupou. Que país é este que quer um partido destes no Governo? Mais uma vez, aceito quem me explique... Já a eleição de um deputado do Iniciativa Liberal e uma deputada do Livre, a que se juntam mais deputados do PAN, é algo que vejo com muito bons olhos. Ainda que a deputada do PSN por Setúbal saiba menos do programa eleitoral deles do que eu, mas é o que temos... 

Precisamos de mais diversidade no parlamento. Precisamos de novas ideias, de sangue novo. Independentemente de concordar com muito ou pouco do que cada um destes partidos defende, acho que é bom que o poder não esteja tão concentrado nos dois do costume. Há muitos países por essa Europa fora em que os dois maiores partidos têm menos poder, estando o mesmo mais distribuído por partidos mais pequenos, o que acaba por resultar.

Estou curiosa para ver o que aí vem. Já há quem diga para se reservarem as suites do Ritz para os amigos da Troika voltarem... Espero que não, mas acredito que seja uma possibilidade. 

Espero mesmo estar enganada. Espero mesmo que estas novas presenças em São Bento consigam abanar as águas, por pouco que seja. Espero que este país se endireite, e possamos ter a qualidade de vida que merecemos. Ou será que não merecemos? É que olhando para a taxa de abstenção, tenho as minhas dúvidas...

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Das coisas que me ocupam os pensamentos pela manhã...

Estou cansada deste corpo.

Não sei quando foi a última vez que tive uma relação saudável com o meu corpo. Não sei se alguma vez tive uma relação saudável com o meu corpo. Não gosto particularmente deste corpo que habito. É um facto. Na maior parte dos dias, temos uma relação cordial de tolerância mútua. Eu tento tratá-lo o melhor possível, numa vã tentativa de me redimir dos erros do passado, ele tenta não me chatear muito. 

Mas há dias em que a relação fica difícil. Há dias em que ele me cansa, em que ele me irrita, em que ele me revolta.

Sim, eu sei. Há por aí tanta gente com coisas gravíssimas e eu aqui a lamuriar-me das minhas pequenas coisas. Eu sei. É estúpido. Mas eu também tenho direito a ser estúpida de quando em vez. E, hoje, as minhas pequenas coisas chateiam-me. Este pequeno corpo defeituoso chateia-me. Chateia-me esta carga genética. Chateia-me que tenha de haver sempre qualquer coisa que não está bem. Chateia-me começar o dia com mais uma porcaria de um exame, que me devia dar ânimo e esperança, e que só serviu para me deixar com dúvidas na cabeça.

Também me chateia a minha falta de resiliência, diga-se. Eu chateio-me a mim própria. Bastante facilmente, até. Uma pessoa quando vai numa corrida, seja de 5 ou de 42 quilómetros, sempre sabe que existe uma meta, um objectivo, um final, que será atingido. Nesta relação com o meu corpo chateia-me não saber bem que final é esse, não saber se vou atingir algum objectivo, não saber nada, na verdade. E chateia-me a facilidade com que eu me abato, com que eu baixo os braços, com que eu tenho vontade de me fechar na concha e de desistir de todo e qualquer esforço. É estúpido. Eu sei.

Amanhã eu sei já passa, mas agora estou assim...

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Da minha ausência por aqui...

Poderia dizer-se que estarei de férias, mas não é o caso.

Simplesmente, não me tem apetecido escrever. Ando mais introspectiva. Há muita coisa a acontecer à minha volta. Há muita coisa a acontecer em mim. Estou numa fase decisiva da minha vida. Uma fase de muitos medos, dúvidas, incertezas, que se misturam e confundem com esperanças e desejos. 

À minha volta, vejo mundos e rochedos a desmoronar-se. Vejo o certo virar incerto. Vejo tristeza, revolta, frustração e mágoa. Não tomo para mim as dores dos outros, mas é impossível ficar-lhes indiferente. 

Mundo estranho, este. Inventamos tanta coisa, e não inventamos o que mais importa. 

Podemos saltar já para Dezembro?... 

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Do Limestone Ultra Trail e das mulheres nas corridas...



Quando escrevi o post anterior, foquei-me no facto de ter ficado em último lugar da prova. Foi uma opção minha.

Podia ter-me focado no facto de ter ficado em 10º lugar das mulheres. E seria uma opção igualmente válida, porque é verdade.

Talvez nos meus tempos áureos, em que cheguei a ficar em 4º e 5º lugar do meu escalão, eu já tenha ficado assim tão bem classificada na geral feminina. Não faço ideia, porque nunca liguei muito a isso.

O certo é que ter ficado em 10º lugar nesta prova não é, exactamente, motivo de festa. Não só pela constatação óbvia de que eu fiquei em 10º porque não havia mais mulheres, mas também pela constatação óbvia de que eu fiquei em 10º porque não havia mais mulheres. E eu não deixo de me perguntar: por que raio não havia mais mulheres? É que ficar em 10º porque não havia mais mulheres é só triste.

A prova teve um total de 73 finishers, e apenas 10 eram mulheres. Como? Porquê? As mulheres deste país (e de outros, que também são bem-vindas) já foram todas de férias? Estava tudo na praia? Não, não estava. Porque na prova dos 16km os finishers foram 141, e 42 eram mulheres! A diferença é abismal...

Eu já aqui falei sobre isto, a propósito da Maratona da Europa, e é mesmo algo que me intriga, por um lado, e me preocupa, por outro.

Gostava mesmo de ver mais mulheres a correr. E a correr distâncias mais longas! Claro que ninguém é obrigado a nada só porque agora eu acho que isso é giro (tinha a sua graça... mas não!). Mas, de facto, gostava de saber se há alguma coisa que se possa fazer em relação a isso. Será que as organizações podem fazer mais por isso? Será que grupos como o Women Runners Portugal (do qual já aqui falei) podem ajudar? Será que as mulheres não correm mais porque não querem mesmo ou porque lhes faltam condições para isso?

Vou continuar a pensar sobre o assunto...

sábado, 15 de junho de 2019

Das conversas que eu tenho pela manhã...

Ontem, enquanto tomávamos o pequeno-almoço, antes de sairmos de casa:

- Então, Snow, também queres ir para o Gerês? - pergunta ele.
- Oh ele ia adorar!
- Nunca mais o víamos!
- Pois... Os lobos também o iam adorar... - digo eu e fico a pensar na vida. - Tu achas mesmo que há lá lobos? Vamos falar sobre isso. O que é que eu faço se me cruzar com um lobo?
- Então, esguichas água dos soft flasks para cima dele.
- Achas?! Isso não faz nada!... E o apito? Se eu apitar, se calhar, ele não gosta.
- Gritas e chamas ajuda.
- Não, eu acho que o apito é melhor!
- Mas não penses nisso. Os lobos são muito espertos e quando atacam, é em grupo.
- E, nesse caso, eu não tenho hipótese, é isso?
- Pois.

É com isto que eu tenho de lidar. E ainda me enviou este artigo. Que, só por acaso, fala numa aldeia na qual a minha prova amanhã vai passar. Mas tudo bem. Eu sempre gostei de lobos. Até era sócia do Grupo Lobo quando era mais nova. Até foi a eles que consignei os 0,5% do meu IRS este ano. Acho que vou usar isso como argumento se algum lobo me quiser atacar. Aposto que resulta! 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Da Bondade e da Cobardia...



Este Sábado fui ao Dona Maria assistir à peça A matança ritual de Gorge Mastromas, um texto de Dennis Kelly, encenado pelo Tiago Guedes.

Esta peça conta-nos a história de um homem, Gorge Mastromas, e as voltas que a sua vida deu. Não querendo revelar demasiado sobre a mesma, posso dizer que fiquei a pensar nisto que é a nossa vida, nas decisões que tomamos, no certo e no errado, no que é melhor ou pior para nós.

Bondade ou cobardia? 

Em quantas das nossas decisões somos bons, porque somos bondosos, ou porque somos, simplesmente, cobardes?

Bondade ou... Cobardia? 

E de que nos adianta sermos bondosos? A vida é mesmo dos espertos? Fazermos sempre o que é correcto, leva-nos a algum lado? E quando deixamos de fazer sempre o que é o correcto, entramos num caminho sem retorno?

Bondade ou cobardia?

Aceitamos o que a vida nos dá porque é assim que deus quer, ou porque nos falta a coragem para fazer diferente? 

Bondade ou cobardia? 

Eu gosto de acreditar que sou bondosa. Mas, às vezes, talvez seja mesmo só cobarde. E vocês?

Enquanto pensam sobre isso, ide ver. Está em cena até dia 28 de Junho. Vale pelo cenário, pela evocação do teatro clássico, pela forma como a história nos é contada, pelo jogo de personagens que entram e saem de cena, pelo texto, pela forma como mexe connosco ao tocar em pontos com os quais tão facilmente nos identificamos. E, claro, pelas interpretações. Do Bruno Nogueira à Rita Cabaço (que já tinha visto em "Actores"). Ide ver.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Das dúvidas que me inquietam pela manhã...

Tenho uma unha a abanar. Estava a ficar roxa, desde a Maratona, e depois do Almonda, começou a abanar. Eu nunca tinha tido uma unha a abanar mas... Não é bom sinal, pois não? 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Dos feitos que nunca pensámos serem possíveis...


Foi há precisamente um ano que fiz a minha primeira Maratona. Passou um ano, estou a poucos dias de tentar a segunda, e ainda não acredito que consegui. 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Do tempo que passa e nada muda...

Foi há um ano. Um ano. Passou um ano e eu continuo a sentir-me exactamente da mesma forma. Sem saber como reagir, como lidar, como aceitar. A questionar-me, a culpar-me, a pôr tudo em dúvida.

Passei o último ano a questionar-me se deveria voltar à terapia. Não voltei. Obviamente, não voltei. Talvez passe o próximo ano a questionar-me se deveria voltar à terapia. Provavelmente, não vou voltar. 

A terapia é cansativa e eu já tenho demasiadas coisas cansativas na minha vida. Sim. Faz bem. Faz maravilhas, até. Em querendo, ide todos para a terapia. Mas eu não quero. Não me apetece voltar a começar do zero. Não me apetece ter de contar a história toda da minha vida. Não me apetece esmiuçar os meus muitos e variados traumas, feridas e fantasmas. Já disse que isso é cansativo? Também é cansativo encontrar um terapeuta em condições. E é ainda mais cansativo fazer terapia com alguém que não nos espicaça, que não mexe connosco, que não põe o dedo na ferida. É tudo cansativo. 

Lembrei-me agora do meu recente post sobre as relações. Sobre a preguiça nas relações. Sobre o comodismo e o facilitismo. Eu estou numa fase comodista. Não me apetece ter trabalho. Deixai-me ser preguiçosa.

Talvez um dia isto mude. Talvez um dia eu me dedique a falar sobre isto. Me dedique a arrumar os macacos no meu sótão. A entender emoções. A aceitar. A perdoar(-me). A seguir em frente sem mais amarras no passado. Sem mais dúvidas. Sem mais remorsos.

Talvez um dia.

Hoje não é o dia.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Das fotografias que (não) dão alegria... - Day 28


Uma fotografia de uma fotografia. Conta?

Aproveitando o dia de férias, andámos em modo limpezas e arrumações por aqui. Eu andei a arrumar mais uma caixa de livros nas estantes do escritório, e dei comigo a folhear o meu álbum de bebé. Já tinha pensado fazê-lo, para ver se encontrava fotografias da casa onde vivi quando era bebé em Santa Maria. E encontrei algumas, como esta.

Não sei quantos anos tem esta fotografia, mas quase tantos como eu... Devia ter um ano, mais ou menos. Não sei ao certo e sou terrível nestas adivinhações de idades.

Esta fotografia foi tirada à porta da casa onde eu vivi nos primeiros anos de vida, em Santa Maria, num bairro perto do aeroporto. Era um bairro residencial mas também com construções de apoio ao próprio aeroporto, construído pelos americanos nos anos 50, se não estou em erro. As casas deste bairro eram muito particulares, pelo seu formato semi-circular e por serem em chapa. Não encontrei fotografias de jeito por essa internet fora, mas espero conseguir lá ir fotografá-las daqui a uns dias e hei-de partilhá-las por aqui.

Claro que andar a vasculhar pelo meu álbum não foi apenas recordar a casa onde vivi. Foi também rever caras e momentos, dos quais não tenho memória, obviamente. E foi também rever a minha mãe.

Ao olhar para aquelas fotografias, para as primeiras fotografias no hospital depois de ter nascido, as fotografias do primeiro banho, as fotografias do meu baptizado, as fotografias do primeiro postal de Natal com o meu irmão, as fotografias do meu primeiro aniversário, as fotografias de momentos mais ou menos banais do meu dia-a-dia, eu não pude deixar de me perguntar quando é que a vida nos mudou, quando é que a vida nos separou, quando é que deixámos de ser mãe e filha.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 17


Isto hoje vai assim a modos que aldrabado porque nem isto é uma fotografia, nem é da minha autoria. Mas é a imagem que marca o dia de hoje. 

Foi, finalmente, divulgado o percurso da Maratona da Europa. Como não conheço bem Aveiro, ver aquele percurso ou outro qualquer, não me diz grande coisa. Ainda assim, e pelo que já li, parece que não é tão mau como se chegou a temer.

Nao me preocupa muito, na verdade. Inscrevi-me sem pensar muito nisso e continuei sem pensar muito nisso. Não me inscrevi pelo percurso. Inscrevi-me por mil e um motivos diferentes, mas nenhum deles era o percurso. 

E faltam agora 100 dias para a Maratona da Europa. 100 dias. Muitos, para uns. Poucos, para outros. 

Esta manhã, enquanto fitava os carris do metro, dei comigo a pensar que não sei bem por que raio me meti nisto. Devia ter aprendido a lição à primeira, não? Pois que não. 

Se toda a preparação para uma Maratona é um carrocel, eu estou agora numa fase de pessimismo. A sensação que tenho é que ainda estou a voltar a correr, depois da minha paragem. Ainda não estou a treinar. Muito menos, a treinar para uma Maratona. 

Sei que são fases. Sei que as dúvidas são normais. Mas só espero conseguir voltar a treinar consistentemente rapidamente, para que volte algum ânimo e confiança. 




terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Do meu 2018...

Agridoce.

O meu 2018 foi agridoce. Já muito procurei, mas não encontro palavra melhor para o descrever. Teve tanto de bom como de mau. Bom e mau nem seriam as melhores palavras. Mas também aqui não encontro palavras melhores.

O meu 2018 começou, literalmente, com a decisão de vivermos juntos, pouco antes de adormecermos na primeira noite do ano. Peguei em mim, no Snow e em toda a minha bagagem e, no início de Fevereiro, mudei-me para casa dele. Numa decisão difícil, de quem já mudou de casa demasiadas vezes, de quem já sofreu demasiado, de quem morre de medo de voltar a passar pelo mesmo outra vez. Mas na decisão mais acertada do ano, num início de vida feliz e sereno.

Pouco tempo depois, ele mudou de emprego. A nossa rotina alterou-se. E eu ainda sinto falta dos banhos e dos pequenos-almoços em conjunto. Ainda não nos habituámos a essa nova rotina. Mas não faz mal. Porque em 2019 tudo vai mudar outra vez.

Passei os primeiros meses do ano a treinar para a minha primeira Maratona. Fiz provas incríveis. Sofri, tive dúvidas e quis desistir. Voltei a acreditar, voltei a ter dúvidas, numa montanha-russa imparável, num percurso de altos e baixos.

A 16 de Abril a minha mãe morreu. No dia do funeral dela, a minha avó-emprestada teve um AVC. O prognóstico era o pior possível.

No dia 21 de Abril, depois de muitas dúvidas e incertezas, entrei num avião em direcção a Madrid, sabendo que podia ter de voltar a qualquer momento. No dia 22 de Abril fiz a minha primeira Maratona, ainda não sei como, e num tempo muito melhor do que eu, ou qualquer pessoa à minha volta, poderia imaginar. Foi um momento inesquecível. Foram muitos momentos. Muitas memórias. Que eu não cheguei a gozar verdadeiramente por tudo o que aconteceu nos dias que antecederam a prova. Mas fiquei mais uns dias por Madrid e quase consegui fingir que não se passava nada.

A 28 de Abril a minha avó-emprestada morreu. Não, não fica mais fácil por serem dois funerais em tão poucos dias. Vi a família desmoronar-se. Vi a incredulidade perante algo que nenhum de nós esperava. Levei uma chapada da vida, apenas e só para me lembrar que nada é garantido. Que hoje estamos aqui, e amanhã deixamos de estar.

Os dias sucederam-se indistintos. Passei muito tempo a chorar só porque sim. Passei muito tempo a tentar perceber, a culpar-me, a perdoar-me. Ainda me culpo. Ainda não me perdoei. Ainda choro só porque sim.

Em Junho fomos ao Porto. A nossa cidade. E fomos a Londres. Levei-o a conhecer Londres e voltei a apaixonar-me por Londres. Como sempre que lá volto.

Desde o início do ano que sabia que era provável que tivesse de ser operada. Sabia, até, que não era garantido que pudesse fazer a Maratona. Mas continuei a treinar para ela. E o nosso SNS funciona tão bem, que as coisas se atrasaram e eu só fui operada em Agosto. Apesar de ter corrido tudo bem, a recuperação foi mais dura e lenta do que eu esperava ou gostaria. Ainda tenho dores e não sei lidar com isso.

Em Agosto também ganhei uma Avó. E ainda não me habituei a isso.

Aos poucos, voltei a correr. Mais devagar do que queria. Sem forças, sem ânimo, com dores, a tentar encontrar forças e motivação sem saber onde.

Em Novembro, fizemos a maior viagem da minha vida. Nova Iorque e Cuba. Duas semanas absolutamente inesquecíveis que me mostraram o que de melhor e pior o ser humano é capaz.

Em Dezembro, regressei às corridas a sério. Inscrevi-me na Maratona da Europa. Organizei o Natal cá em casa e fiquei com vontade de não fazer Natal no próximo ano. Fiz as minhas duas São Silvestre de eleição e fiquei com pena de não ter feito a da Amadora.

Acabei o ano sem saber como me sinto em relação a 2018. Vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha vida. Pela positiva. E pela negativa. Podia dizer que foi um ano negro. Mas como dizer que foi um ano negro, o ano em que começámos a nossa vida a dois e o ano em que me superei, como nunca antes o fizera? Sim, 2018 foi um ano difícil, desafiante, inesquecível, que me pôs à prova em muitos níveis diferentes, que me fez crescer, que me fez ver que tenho pessoas incríveis à minha volta, que me fez perceber que eu aguento muito mais do que imaginava, que no meio de tudo eu tenho sorte.

Definitivamente, 2018 foi um ano agridoce.

E se para 2018 a única coisa que eu pedi foi saúde, para mim e para os meus, esse pedido foi recusado. Assim, para 2019 eu não peço nada. Eu limito-me a aceitar o que a vida tiver para me dar, assumindo o compromisso de lutar para que a vida me dê o mais possível. Na verdade, não há mais nada que eu possa fazer senão isso: aceitar. O que for para vir, que venha.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Das corridas... - LIII

Não, não tenho corrido. Obviamente, não tenho corrido.

Mas tenho esperança de o poder voltar a fazer na próxima semana e tenho pensado muito nisso.

Para já, estão nos planos até ao final do ano: a Be Active (que vou fazer em modo caminhada, pois claro), a Meia Maratona dos Descobrimentos, o Trilho do Javali e a São Silvestre de Lisboa. Talvez também a dos Olivais ou a da Amadora. E algumas provas do Troféu de Oeiras, claro.

Em função de como tudo isto corra, e de toda a minha recuperação no regresso à corrida, estão nos planos já dois trails para 2019: Columbus Trail e Azores Trail Run. Talvez seja tolo pensar em dois trails nos Açores na mesma época mas a verdade é que não consigo escolher um só... Por outro lado, se a isto juntarmos o UTMB, as férias de 2019 já estão a ficar muito preenchidas e demasiado ligadas a trails...

Dado que ainda gostava de encaixar aqui uma incursão pelos Caminhos de Santiago (de quem será a influência?...), não sei bem o que vou fazer  para ter mais uns dias extra de férias!...

Então e uma maratona? Pois, não sei. Para ser no primeiro semestre, era preciso abdicar de um dos trails, e isso, já se viu, não é uma decisão fácil. Se abdicasse de um deles, se a minha recuperação corresse espectacularmente, se a Meia dos Descobrimentos fosse um sucesso, era pessoa para aproveitar e continuar o treino e dar um salto ali aos nossos vizinhos do lado para uma Maratona que um dia hei-de fazer. Mas isto tem tantos "se", que acho difícil... No segundo semestre, há uma que me parece interessante, mas eu e os treinos com calor, não funcionamos. 

Pois que não sei. Eu queria. Mas talvez 2019 seja o ano dos trails. Não sei. Neste momento, são tudo especulações de quem tem demasiado tempo livre e demasiada vontade de voltar a correr, que resultam nestes devaneios e indecisões.

O ideal será mesmo não fazer planos e esperar por voltar a correr. Quem sabe o que nos reserva o futuro?...

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Do meu estado actual...

Em modo Wedding Planner. Não, não me vou casar. Obviamente, não me vou casar.

Mas ando a tentar ajudar quem vai e só tenho a dizer que é uma trabalheira!... Onde é que se arranjam sítios giros, sem teias de aranha, sem decorações dos anos 80, sem salões com chão em calçada portuguesa, sem um mínimo de 150 convidados, e sem pedirem um rim e uma coxa por pessoa? Eu sei, são muitos requisitos. Mas eu só gostava de encontrar um sítio normal. Simples, agradável, versátil. Existe?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Das coisas em que eu penso...

Ainda penso em ti. Muitas vezes. Demasiadas vezes, talvez.

Não penso em ti por ter saudades, por sentir a tua falta, por querer ter-te de novo na minha vida.

Penso em ti, apenas e só, porque ainda não fui capaz de me perdoar por todo o mal que me fizeste. Talvez um dia consiga ultrapassar isso. Talvez um dia volte à terapia. Talvez toda a terapia do Mundo não seja suficiente para eu aceitar que ter-te permitido que me fizesses tanto mal, não faz de mim uma pessoa menor.

Além de todas as feridas evidentes e óbvias, há todas as outras que ninguém sabe, que ninguém conhece, mas que trago gravadas em mim e das quais não me consigo livrar, por mais que queira.

Não sou uma pessoa bem resolvida, não levo uma vida perfeita, não tenho as ideias milimetricamente arrumadas e não estou cheia de certezas. Tenho dúvidas, tenho medos, tenho uma bagagem imensa que me faz questionar-me. Muito.

Gostava de escrever sobre o quão feliz sou. Sobre o quão grata me sinto pelas coisas boas que a vida me deu. Sobre o quão sortuda me sinto, tantas vezes. Que sou. Feliz. Grata. Sortuda.

Mas não o sou todos os dias. Não consigo. E, hoje, só consigo ficar a olhar para mim e para o passado, e continuar a tentar perceber como foi possível, como é que eu, pessoa que se considera inteligente, permiti que tudo aquilo acontecesse, como é que eu desperdicei tempo de vida daquela maneira, como é que eu não fiz nada. Como?... E o pior? O pior é saber que pode voltar a acontecer. Porque é tão fácil!...




Nota: este post já foi escrito há algum tempo. Hoje estou como sou. Não no Alta Definição, mas feliz, grata e sortuda, nesta casa de onde pouco ou nada tenho saído e que me dá para devaneios com pouco sentido.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Das sugestões de que eu preciso...

Estando eu com bastante mais tempo livre do que o habitual, ainda que tenha a sensação que ele se me escapa por entre os dedos sem que eu saiba bem como, tenho dedicado algum tempo à leitura e às séries/filmes/documentários, para intervalar do que ando a estudar e da viagem que ando a planear.

De livros, já despachei: Camino Island (do John Grishman), Along Came a Spider (do James Patterson), e Behind Closed Doors (da B.A. Paris). Gostei do primeiro, dos outros dois não tanto. Talvez seja eu que sou esquisitinha, mas estava à espera de um pouco mais... Agora estou de volta ao Follett, com o A Colummn of Fire, e esse nunca desilude, já se sabe.

Quanto a séries, vi, finalmente, a 13 Reasons Why, tenho andado a ver The Killing e os novos episódios de Suits (aqueles dois matam-me...), e hoje vi o documentário da Amanda Knox. Confesso que fiquei na mesma e sem conseguir ter opinião formada sobre a inocência ou culpa dela.

Posto isto, aceitam-se sugestões de livros, séries, filmes, e tudo o que possa ocupar o meu tempo nos meus próximos tempos em reclusão.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Das questões que se colocam logo pela manhã...

Vim do hospital com indicações para regressar ao meu amigo Folifer e para comer muitos alimentos ricos em ferro. Deram-me como exemplo os espinafres, os brócolos, os agriões e a beterraba.

Imaginando que eu conseguia deslocar-me até à Padaria Portuguesa mais próxima (que não consigo, mas faz de conta...) e comprava o bolo de beterraba deles. Contava para a dose diária de ingestão de ferro?

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Das corridas... - XXXIII

Pois que comprei os ténis mais giros de sempre.

Pois que estou com dúvidas em relação a eles.

Não sei se comprei o tamanho certo... Nunca usei Nike e estou muito indecisa. Normalmente, uso o 36. Mas, neste caso, comprei o 36 1/2. Sinto os 36 demasiado justos no peito do pé, mas tenho receio que o 36 1/2 seja demasiado comprido. Já experimentei, voltei a experimentar, andei a correr pela casa fora, já fui a duas lojas da Nike experimentar os dois tamanhos, e não sei o que fazer...

Eles são tão giros!... Mas e se não for o tamanho certo?

Malta da corrida desse lado: algum truque? Alguma dica? Experiências com Nike e seus tamanhos? Mais vale mais comprido do que curto (estamos a falar de ténis, não se esqueçam!)? Quais os problemas que podem surgir se for demasiado comprido?

Estas coisas são uma grandessíssima treta, porque acho que só depois de correr algum tempo com eles é que percebemos, realmente, como nos sentimos...

Decisions, decisions...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Do ginásio... - I

Creio que corria o ano de 2011 quando eu fui ao ginásio pela última vez. Há seis anos, portanto.

A minha relação com os ginásios até aí tinha sido sempre muito intermitente e nunca muito duradoura. Sempre achei que os ginásios não eram para mim.

Mas, algures em 2016, achei que precisava de fazer algum reforço muscular, para complementar a corrida e poder evoluir. Ainda cheguei a ver ginásios, mas continuei a achar que não era para mim. Foi nessa altura que descobri os treinos funcionais ao ar livre. Treinei durante seis meses com os Outsiders Gym (que recomendo!) e, ao fim-de-semana, volta e meia ainda fazia um treino com a Fhit Unit (treinos gratuitos ao Sábado e Domingo de manhã na praia de Carcavelos - que também recomendo!). E gostava. E vivia feliz ao ar livre.

Até que me meti no Mestrado. E as coisas começaram a apertar. E em Dezembro passado fui forçada a desistir. E assim fui andando. E correndo, diga-se, nas (poucas) horas vagas.

Mas sabia que, se quero cumprir o objectivo a que me propus em Novembro, o treino de reforço muscular é importante. E, volta e meia, lá pensava nisso. 

Assim que acabou o Mestrado, decidi que era a altura certa. E, aproveitando a boleia de uma colega e amiga, inscrevi-me num ginásio.

Já fui três vezes. Em duas semanas, não é mau. E só não fui quatro porque, no estado de cansaço mental em que ando, num dos dias preparei tudo mas esqueci-me da mochila no carro. O meu ar quando, já em pleno comboio, me apercebi disso, deve ter sido maravilhoso...

Se estou a adorar? Não. Se tenho muita fé nesta relação? Não. Mas, para já, ainda não estou a detestar. Consigo ver ali algumas vantagens, consigo achar alguma piada às aulas, e tenho esperança de me entusiasmar quando começar a ver resultados.

O verdadeiro teste vai ser nas próximas duas semanas: a amiga que tem ido comigo vai estar de férias e eu vou ter de ir sozinha. Será que vou?...

O segundo teste vai ser quando mudar de emprego (e de horário), e se tornar mais difícil ter companhia para ir. Será que vou continuar a ir?...


Não percam o próximo episódio, porque eu também não!

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