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quarta-feira, 27 de março de 2019

Da saga sem fim das minhas bolhas...

As minhas bolhas têm passado bem, obrigada.

Vão e vêm conforme lhes apetece, que eu sou pela liberdade das pessoas e das coisas.

Surgem umas por cima das outras, numa pouca vergonha para a qual olho com algum pudor, não me querendo intrometer nas vidas alheias.

Mas tenho testado uma nova teoria: já que não as consigo evitar, tento que elas cicatrizem mais depressa, pelo que me tenho besuntado, depois dos treinos e antes de dormir, com uma dose generosa de Bepanthene. E até tenho visto alguns resultados! Pelo menos, até treinar outra vez e voltar à estaca zero. Mas fica a dica!

Antes dos treinos, tenho estado a testar o creme da Akileine, anti-fricção, recomendado pela Sofia. Ele bem tenta, mas não há milagres, e as bolhas continuam a surgir como cogumelos.

Este fim-de-semana, fiz uns míseros 13,5km no Sábado, e no Domingo fiz 10,6km (3,3km mais 7,3km, nas duas provas - feminina e masculina - do Troféu de Oeiras na Tercena).

Quando cheguei a casa no Domingo, o estado dos meus pés era o que se segue. Confesso que ponderei muito sobre a publicação destas imagens, porque vamos assistir ao momento mais nojento deste blogue, mas como já vi coisas piores noutros blogues de corrida por aí, achei que o mundo aguentava. Ainda assim, aviso, desde já, que as imagens que se seguem podem ferir a susceptibilidade dos leitores mais sensíveis.




Quando me queixo de bolhas, é a isto que me refiro. Que eu sei que, às vezes, eu falo de bolhas e as pessoas imaginam uma coisinha pequenina que pode ser ligeiramente incómoda. Mas as minhas bolhas gostam de fazer as coisas em grande.

E eu própria não sei bem como consigo correr com os pés neste estado. O que sei é que isto é um enorme teste à minha resiliência, à minha persistência e à minha resistência à dor.

Entretanto, já tenho consulta de podologia para o próximo Sábado. Aliás, o meu Sábado vai ser toda uma animação: treino longo de manhã, fisioterapia a seguir e depois podologia à noite. 

Ah! As maravilhas de treinar para uma Maratona...

E por aí, têm demasiado tempo livre e não sabem o que fazer com ele?... Inscrevam-se numa Maratona. Fácil, assim.

terça-feira, 19 de março de 2019

Dos meus treinos... E dos treinos dos outros...

Pois que, como já seria previsível, não tenho treinado tanto quanto deveria.

Como também já seria previsível, a minha motivação tem tido altos e baixos. 

Tenho tentado arranjar formas de me auto-motivar, tenho procurado forças e inspiração nos mais diversos sítios e tenho estado muito disponível para experimentar coisas novas que possam facilitar o meu percurso nesta longa jornada até ao dia 28 de Abril.

Além da minha equipa e das nossas provas, dos treinos com a Fabiana que é a minha companheira maior nesta loucura, dos treinos com o louco mais louco do que eu que merece uma estátua pela paciência infindável, eu resolvi ainda experimentar os treinos longos do Correr Lisboa.

Acompanho o Correr Lisboa há vários anos, mas nunca tinha corrido com eles. Não só porque estive uns anos a viver na linha de Cascais (e juntei-me ao Correr Oeiras), mas porque os horários dos treinos deles nunca combinam com os meus horários.

Eu tenho mixed feelings em relação aos treinos de grupo, confesso. 

Por um lado, acho que são formas óptimas de conhecermos pessoas com a mesma loucura do que nós, com quem podemos aprender, crescer e evoluir imenso. Por outro, também pode haver experiências menos boas. 

No Correr Oeiras ainda participei em alguns treinos de grupo, sobretudo, porque eram organizados por mim!... E quando falamos em treinos de grupo, estamos a falar de 3 ou 4 pessoas. Se fôssemos mais do que meia dúzia já era uma festa, e houve um treino em que éramos uns 15 e quase lançámos foguetes. Era sempre difícil conciliar agendas, vontades e disponibilidades. Mas a verdade é que foi ali que conheci aqueles que são hoje a minha equipa, e foi também ali que comecei a correr mais consistentemente, há quase quatro anos atrás. Não foi apenas e só por isso, mas ajudou. Lamentavelmente, como vim morar para a outra ponta da cidade, deixei de treinar com eles. 

Já participei em outros treino de grupo, entretanto, e, ao ver que o Correr Lisboa ia ter treinos longos para a Maratona de Aveiro e, ainda por cima, quase à porta de casa, achei que era uma excelente oportunidade para voltar aos treinos de grupo. 

Fui a semana passada e fui esta semana outra vez. 

E recomendo! 

A semana passada fiz apenas 16km, duros e sofridos, e acabei com os meus pés num estado miserável. Fiquei desanimada, comecei a questionar tudo e a ver a minha vida a andar para trás e os ovos moles cada vez mais longe. 

Esta semana fiz 21km, na minha meia maratona privada. Também foram duros e sofridos, mas acabei a sentir-me incrivelmente melhor, em comparação com a semana passada. E isso, nesta fase da minha preparação, tem uma importância fulcral.

Sei que ainda vou ter muitos momentos em que vou achar que não sou capaz, mas no Sábado, depois daquele treino, eu achei que talvez até consiga. 

Vantagens destes treinos do Correr Lisboa? O abastecimento. Para mim, que corro devagar, devagarinho, acabo por não usufruir propriamente da companhia do grupo, pelo que isso não é vantagem para mim. Mas o abastecimento faz toda a diferença. Passo a explicar: o treino começa na expo e, aproximadamente, sete quilómetros depois, quase em Santa Apolónia, existe um ponto de abastecimento com água, isotónico e géis (abençoada Prozis, que patrocina isto!). Desta vez, usufruí do abastecimento duas vezes, porque ainda fui até ao Cais do Sodré, e ainda apanhei o abastecimento no regresso. Claro que uma pessoa pode levar uma garrafa de água na mão ou a mochila, e levar géis consigo. Mas parar ali, respirar um pouco, trocar umas palavras e ouvir uns incentivos, para mim, faz toda a diferença. E ainda pode ser que nos tirem umas fotos! 


Tanto é, que não sei como é que vou sobreviver para a semana, porque não vão fazer este treino!... (até sei... Vou matar saudades do meu Passeio Marítimo!) 

Posto isto, alguém se quer juntar a estes treinos daqui em diante? Tirando esta semana, são sempre ao Sábado. Não têm pacers, não há ritmos, é cada um por si, mas funcionam muito bem e ainda sorteiam dorsais para a Maratona de Aveiro no final (e para a meia e para os 10km). Não ganho nada com isto, juro. Mas quando gosto de uma coisa, gosto de a partilhar com o mundo (salvo seja!).

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Do meu estado actual... Ou do meu estado permanente, não sei bem...


(encontrei no Facebook)


O plano para os próximos dois meses é este (faltam dois meses, pessoas! dois meses menos um dia para quem vai a Madrid!).

Se quero combinar alguma coisa para os fins-de-semana, tenho sempre de ver primeiro que treino/prova tenho nesse fim-de-semana. Se tenho treino longo ao Domingo, não posso combinar jantares ao Sábado. Se tenho treino longo ao Sábado e prova ao Domingo, posso esquecer a vida social...

Este fim-de-semana dei comigo a pôr o despertador para Sábado e para Domingo, para mais cedo do que ponho durante os dias de semana. Se isto é normal? Não, não é. Mas Sábado tinha treino e Domingo tinha corrida. E isto ainda se vai repetir muitas vezes até ao dia 28 de Abril.

Na verdade, gostava de poder dizer, de facto, que isto vai ser assim até dia 28 de Abril. Mas não é verdade. Porque depois do dia 28 de Abril vou dar-me duas semanas de recuperação, e depois começa uma nova fase de treinos, que logo a seguir vem a Serra Amarela.

E a seguir há-de vir outra coisa qualquer. E outra. E outra.

E é isto a minha vida.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 41


"Como estou doente, vou ao ginásio." 

(ou das coisas estranhas que a malta da corrida diz quando quer ir correr mas tem de admitir que não deve e opta por uma solução alternativa...) 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 17


Isto hoje vai assim a modos que aldrabado porque nem isto é uma fotografia, nem é da minha autoria. Mas é a imagem que marca o dia de hoje. 

Foi, finalmente, divulgado o percurso da Maratona da Europa. Como não conheço bem Aveiro, ver aquele percurso ou outro qualquer, não me diz grande coisa. Ainda assim, e pelo que já li, parece que não é tão mau como se chegou a temer.

Nao me preocupa muito, na verdade. Inscrevi-me sem pensar muito nisso e continuei sem pensar muito nisso. Não me inscrevi pelo percurso. Inscrevi-me por mil e um motivos diferentes, mas nenhum deles era o percurso. 

E faltam agora 100 dias para a Maratona da Europa. 100 dias. Muitos, para uns. Poucos, para outros. 

Esta manhã, enquanto fitava os carris do metro, dei comigo a pensar que não sei bem por que raio me meti nisto. Devia ter aprendido a lição à primeira, não? Pois que não. 

Se toda a preparação para uma Maratona é um carrocel, eu estou agora numa fase de pessimismo. A sensação que tenho é que ainda estou a voltar a correr, depois da minha paragem. Ainda não estou a treinar. Muito menos, a treinar para uma Maratona. 

Sei que são fases. Sei que as dúvidas são normais. Mas só espero conseguir voltar a treinar consistentemente rapidamente, para que volte algum ânimo e confiança. 




terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Do meu 2018...

Agridoce.

O meu 2018 foi agridoce. Já muito procurei, mas não encontro palavra melhor para o descrever. Teve tanto de bom como de mau. Bom e mau nem seriam as melhores palavras. Mas também aqui não encontro palavras melhores.

O meu 2018 começou, literalmente, com a decisão de vivermos juntos, pouco antes de adormecermos na primeira noite do ano. Peguei em mim, no Snow e em toda a minha bagagem e, no início de Fevereiro, mudei-me para casa dele. Numa decisão difícil, de quem já mudou de casa demasiadas vezes, de quem já sofreu demasiado, de quem morre de medo de voltar a passar pelo mesmo outra vez. Mas na decisão mais acertada do ano, num início de vida feliz e sereno.

Pouco tempo depois, ele mudou de emprego. A nossa rotina alterou-se. E eu ainda sinto falta dos banhos e dos pequenos-almoços em conjunto. Ainda não nos habituámos a essa nova rotina. Mas não faz mal. Porque em 2019 tudo vai mudar outra vez.

Passei os primeiros meses do ano a treinar para a minha primeira Maratona. Fiz provas incríveis. Sofri, tive dúvidas e quis desistir. Voltei a acreditar, voltei a ter dúvidas, numa montanha-russa imparável, num percurso de altos e baixos.

A 16 de Abril a minha mãe morreu. No dia do funeral dela, a minha avó-emprestada teve um AVC. O prognóstico era o pior possível.

No dia 21 de Abril, depois de muitas dúvidas e incertezas, entrei num avião em direcção a Madrid, sabendo que podia ter de voltar a qualquer momento. No dia 22 de Abril fiz a minha primeira Maratona, ainda não sei como, e num tempo muito melhor do que eu, ou qualquer pessoa à minha volta, poderia imaginar. Foi um momento inesquecível. Foram muitos momentos. Muitas memórias. Que eu não cheguei a gozar verdadeiramente por tudo o que aconteceu nos dias que antecederam a prova. Mas fiquei mais uns dias por Madrid e quase consegui fingir que não se passava nada.

A 28 de Abril a minha avó-emprestada morreu. Não, não fica mais fácil por serem dois funerais em tão poucos dias. Vi a família desmoronar-se. Vi a incredulidade perante algo que nenhum de nós esperava. Levei uma chapada da vida, apenas e só para me lembrar que nada é garantido. Que hoje estamos aqui, e amanhã deixamos de estar.

Os dias sucederam-se indistintos. Passei muito tempo a chorar só porque sim. Passei muito tempo a tentar perceber, a culpar-me, a perdoar-me. Ainda me culpo. Ainda não me perdoei. Ainda choro só porque sim.

Em Junho fomos ao Porto. A nossa cidade. E fomos a Londres. Levei-o a conhecer Londres e voltei a apaixonar-me por Londres. Como sempre que lá volto.

Desde o início do ano que sabia que era provável que tivesse de ser operada. Sabia, até, que não era garantido que pudesse fazer a Maratona. Mas continuei a treinar para ela. E o nosso SNS funciona tão bem, que as coisas se atrasaram e eu só fui operada em Agosto. Apesar de ter corrido tudo bem, a recuperação foi mais dura e lenta do que eu esperava ou gostaria. Ainda tenho dores e não sei lidar com isso.

Em Agosto também ganhei uma Avó. E ainda não me habituei a isso.

Aos poucos, voltei a correr. Mais devagar do que queria. Sem forças, sem ânimo, com dores, a tentar encontrar forças e motivação sem saber onde.

Em Novembro, fizemos a maior viagem da minha vida. Nova Iorque e Cuba. Duas semanas absolutamente inesquecíveis que me mostraram o que de melhor e pior o ser humano é capaz.

Em Dezembro, regressei às corridas a sério. Inscrevi-me na Maratona da Europa. Organizei o Natal cá em casa e fiquei com vontade de não fazer Natal no próximo ano. Fiz as minhas duas São Silvestre de eleição e fiquei com pena de não ter feito a da Amadora.

Acabei o ano sem saber como me sinto em relação a 2018. Vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha vida. Pela positiva. E pela negativa. Podia dizer que foi um ano negro. Mas como dizer que foi um ano negro, o ano em que começámos a nossa vida a dois e o ano em que me superei, como nunca antes o fizera? Sim, 2018 foi um ano difícil, desafiante, inesquecível, que me pôs à prova em muitos níveis diferentes, que me fez crescer, que me fez ver que tenho pessoas incríveis à minha volta, que me fez perceber que eu aguento muito mais do que imaginava, que no meio de tudo eu tenho sorte.

Definitivamente, 2018 foi um ano agridoce.

E se para 2018 a única coisa que eu pedi foi saúde, para mim e para os meus, esse pedido foi recusado. Assim, para 2019 eu não peço nada. Eu limito-me a aceitar o que a vida tiver para me dar, assumindo o compromisso de lutar para que a vida me dê o mais possível. Na verdade, não há mais nada que eu possa fazer senão isso: aceitar. O que for para vir, que venha.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Dos milagres na nossa vida...


Há dias cruzei-me com esta citação num qualquer grupo de corrida. E é isto. É tão isto.

Precisamente seis meses depois da minha primeira Maratona, e quando ainda me custa escrever isto (eu fiz mesmo uma Maratona?), o sentimento é o mesmo: o meu milagre não foi ter feito uma Maratona. O meu milagre foi ter feito a inscrição, foi ter passado por meses de treino, foi ter vivido mil altos e baixos pelo caminho, foi ter abdicado de muita coisa, foi ter arranjado forças ainda não sei bem onde, foi não me ter deixado abater pelo que aconteceu nos dias antes da prova, foi não ter desistido ainda antes de começar. O meu milagre foi mesmo ter posto os pés na linha de partida naquele dia 22 de Abril em Madrid.

Ainda hoje, não sei como fui capaz. Ainda hoje, digo o mesmo a quem me pergunta: fazer uma Maratona não custa. Custa é todo percurso até lá.

Mas vale tanto a pena!

domingo, 5 de agosto de 2018

Do caminho que se faz caminhando... Ou correndo, neste caso...

Pouco depois de ter falado pela primeira vez com a médica que me operou, e de ter ficado a saber que, pelo menos, durante 12 meses posso esquecer tentar engravidar, mandei mensagem ao louco mais louco do que eu, a partilhar esta informação e a dizer-lhe que escolhesse uma Maratona para fazermos no próximo ano.

Curiosamente, ainda há 2 ou 3 semanas, houve 5 minutos durante os quais eu quase ia a Valência. Já estávamos a ver vôos e tudo, até que nos lembrámos que já temos bilhetes para um concerto espectacular nesse dia. A conversa acabou com um "Então se não fazemos Valência, não fazemos mais nada, que eu para o ano não quero fazer maratonas, quero fazer bebés."

Pelos vistos, parece que há espaço para uma Maratona para o ano e nesse mesmo dia, quando ele me foi visitar, começámos a analisar opções. 

Estão em cima da mesa: Paris, Viena, Atenas e Roma. Tendo em conta que já estive nas 4 cidades, a decisão não é fácil. Em Roma sempre posso lá ir fazer só 11km. Diz que é moda. 

E é, de facto, a hipótese mais apelativa para mim. Paris é Paris. É aquela onde estive mais recentemente e está cheia de franceses, o que não é muito positivo. Viena é uma cidade linda mas está vista e não sei se aquela gente é muito animada. Atenas é a que conheço pior, mas deve ser a mais quente. Em Roma, há sempre mais 246 monumentos para ver e 137 sabores de gelado para provar. Parece-me uma escolha fácil. 

Tenho de fazer pender a decisão para o meu lado... Será que o outro tinha razão e os romanos são mesmo loucos? Aposto que fazem uma festa tremenda e que pasta não deve faltar!... 

Sim, já sei que quando fiz a de Madrid disse que não fazia mais nenhuma. Mas, em primeiro lugar, alguém me podia ter avisado que isto era perigosamente viciante. E, em segundo lugar, por todas as circunstâncias em que decorreu Madrid, não consegui desfrutar verdadeiramente da prova e lembro-me sempre dela com um sabor agridoce, por todas as más memórias que marcaram esses dias. Assim, preciso de uma Maratona a sério, com toda a emoção que ela merece e que em Madrid fui incapaz de sentir. Talvez Roma me dê essa Maratona feliz. Talvez. 



(são sete e meia da manhã e estou acordada desde as cinco sem conseguir dormir. Talvez o meu raciocínio esteja meio toldado e daqui a umas horas eu venha a achar que para o ano estou mesmo bem é nas Maldivas, a comer marisco e a beber o que quer que seja que se bebe nas Maldivas. Talvez.) 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Das minhas unhas...

Contrariamente ao que algumas aves do mau agoiro vaticinaram, a minha unha negra do dedo grande do pé (meu grande recuerdo da Maratona de Madrid) não caiu. Ainda, pelo menos. E continua negra. Não que isso seja relevante porque a pintei por cima, de forma a que as pessoas que comigo se cruzam não tenham de disfarçar um ar horrorizado perante tal visão. O problema é que ela me dói. Dói mesmo. Dói quando uso sapatos fechados, como sabrinas e ténis. Podia agora aqui aproveitar para usar isso como desculpa para o facto de ter deixado de correr mas não o vou fazer e deixo isso para mais tarde. Dizia eu... A unha dói-me. Ou o dedo que é coberto pela unha, se quisermos ser mais específicos. E com este tempo maravilhoso, eu ainda não aderi inteiramente aos sapatos abertos. E é chato, como diria o outro. 

Pessoas que percebem do assunto, digam lá: era melhor se tivesse caído? Quanto mais tempo de sofrimento ainda me resta?

domingo, 3 de junho de 2018

De Madrid...

Agora que já disse (quase) tudo o que havia a dizer sobre a Maratona de Madrid, resta falar sobre a cidade.

E eu gostei tanto de Madrid! Achei Madrid uma cidade "fácil". E com isto quero dizer que é uma cidade onde é fácil sentirmo-nos bem, confortáveis, seguros, em casa. Não é uma cidade demasiado grande e tem muita vida, pelo que é fácil que nos encante.

Alugámos um apartamento perto da meta da Maratona (que era no Paseo del Prado), em pleno bairro Lavapíés. Este é um bairro muito peculiar. Podem ler mais aqui mas é, em resumo, um bairro com uma grande mescla de culturas e nacionalidades (diz esse artigo que moram ali pessoas de mais de 80 nacionalidades diferentes), um bairro muito "alternativo", com muitas galerias de arte, com muitos restaurantes de todos os tipos de comida, com muitos bares e esplanadas, com muita agitação social, com muita animação. É um bairro diferente, mas foi uma experiência gira. E, tirando lá uma certa praça à noite que não estava muito bem frequentada, nunca nos sentimos inseguros.

Chegámos Sábado pela hora de almoço (depois de muitas e variadas peripécias e atrasos - obrigada, TAP), e, como já contei, andámos pela feira e depois fomos descansar. Saímos só para jantar, num restaurante italiano ali perto, e regressámos ao apartamento.

Domingo não fizemos nada. Quero dizer, fizemos quase 43km pelas ruas de Madrid. Mas o que é isso? Nada, pois claro. Depois disso ficámos pelo apartamento, porque tínhamos comprado umas cervejas e umas tapas, para podermos descansar. Saímos para jantar ali perto, num tailandês muito giro e com comida muito boa.


Cerveja Tailandesa

Segunda-feira era dia de recuperação activa, obviamente. Começámos o dia com uma free tour. Eu não sei se já aqui falei sobre as free tours, e se já o fiz, perdoai a repetição, mas a idade não dá para mais. As free tours são a coisa mais espectacular que alguém inventou. Já fiz em Praga, Bruges, Ghent e, agora, Madrid. São visitas guiadas, com grupos de tamanho variável (são os que aparecerem, basicamente), que podem ser em diferentes idiomas, e em que durante cerca de duas horas percorremos a cidade onde estamos, com alguém que realmente a conhece, que nos mostra os pontos principais, que conta umas histórias engraçadas, e que dá boas dicas sobre onde comer e fazer compras, por exemplo. Tudo depende do guia, claro, mas tenho tido excelentes experiências! No final, cada um paga o que quiser. Literalmente. É uma excelente forma de ficarmos com uma visão global da cidade (muito útil, sobretudo, quando temos pouco tempo num sítio).


Em frente ao Palácio Real


A Ursa mais famosa de Madrid!


No mercado de San Miguel



Depois disto, foi almoçar, e seguiu-se um passeio pelo Retiro. Eu achei que um passeio de barco no lago do Retiro era uma excelente forma de poder descansar durante 45 minutos... Mas o certo é que, quando dei por mim, estava a remar. Se já me doíam as pernas e os pés, assim ficaram a doer-me também os braços, que eu sou pela igualdade de direitos.




Confesso que ainda dormi uma pequena sesta num banco de madeira, enquanto o louco mais louco que eu se divertia a tirar fotos aos patos e a todo o tipo de pássaros que lá andavam. Apesar de já lá ter estado há uns anos, não tinha noção de o Retiro ser tão grande e fiquei mesmo fascinada e apaixonada por este jardim, onde havia imensa gente espalhada pela relva a fazer aquilo que os espanhóis melhor sabem: viver a vida.


Neste dia ainda fomos ao Museo Reina Sofia, aproveitar o facto de ao final do dia não se pagar a entrada. Fizemos uma visita rápida, mas deu para ver as obras principais. O Guernica, Senhores! O Guernica!... Sinto-me sempre esmagada quando estou perante obras destas... Não foi excepção.

E assim se passou o dia, com dores, claro, mas a tentar aproveitar alguma coisa. Neste dia jantámos num vegetariano muito bom, com uma decoração muito gira e óptimo ambiente. Aliás, comer bem em Madrid não é difícil! Difícil é escolher!





No dia seguinte, dia 2 pós-Maratona, alguém levou o conceito de recuperação activa demasiado à letra e, como se não bastassem as três horas no Prado (mais 45 minutos em pé na fila para entrar), obrigou-me a fazer quilómetros e quilómetros por Madrid. Mas mesmo! Para alguém que estava cheia de dores e que não conseguia descer escadas (diz que há um vídeo muito giro de mim a tentar descer escadas no Prado, mas só divulgo se pagarem muito bem), isto foi muito violento. A dada altura, estava mesmo saturada e comecei a ficar rabugenta!... Mas o homem estava feliz e queria ver mais isto e mais isto e aquilo é já ali e agora só mais isto e estamos perto daquilo e vamos só ver mais uma coisa... A sorte dele foi que eu não tinha levado o relógio e não tinha bem noção dos quilómetros, mas foram horas e horas a caminhar... E eu, sem dizer nada. Mas o dia acabou com ele a reconhecer que talvez, só talvez, se tivesse entusiasmado um bocadinho... A verdade é que percorremos imensos sítios e bairros de Madrid, vimos tudo e mais alguma coisa, e almoçámos no Mercado San Antón (já tínhamos estado no de San Miguel na véspera, e este é bem menos turístico e confuso).


Sobremesa divinal no Mercado de San Antón

Como se não bastasse, este dia ainda incluiu... O concerto dos Arcade Fire! Já há meses que o louco mais louco que eu tinha comprado bilhetes para vê-los em Lisboa, mas entretanto percebemos que a viagem coincidia com essa data, e ele acabou por vendê-los. No dia da Maratona, já no apartamento, achei por bem comentar que durante a prova tinha visto um cartaz a anunciar que eles iam estar em Madrid no dia 24. Escusado será dizer que ele não fez mais nada enquanto não arranjou bilhetes!... E lá fomos nós. O concerto foi, de facto, incrível! Tenho pena de ter estado tão cansada mas foi mesmo muito bom e até eu, que não conheço particularmente bem a banda nem sou grande fã, achei que deram um grande espectáculo, muito bem conseguido, com imensa interacção com o público, e muito divertido. Acabou por ser mais uma experiência engraçada desta viagem!

Outra coisa gira em Madrid foi termos andado algumas vezes de eCooltra. Aliás, pouco andámos de metro. Andámos imenso a pé e, em alguns trajectos mais longos, optámos por esta opção. E foi bem giro andar a passear pela cidade de mota! (eu, que durante anos a fio me recusei a andar de mota, agora digo uma coisa destas...)

Chegou enfim o dia da partida. Ainda demos uma volta de manhã, almoçámos no Mercado de La Paz, e seguimos para o aeroporto.



Gostei mesmo da cidade e recomendo a quem não conheça! Eu já lá tinha estado duas vezes, mas sempre por pouco tempo, e desta vez pude realmente ficar a conhecer Madrid. E vale mesmo a pena!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Da Maratona de Madrid... - VIII

Este é o último post sobre este tema. Acho. Mas nunca se sabe...


Depois do relato, depois de falar da prova em si, falta escrever sobre mim na prova. 

Claro que, tudo o que eu escrevo aqui, é muito pessoal, é totalmente empírico, e eu não sou exactamente muito experiente no tema para poder falar muito sobre o mesmo. Longe de mim querer achar que posso estar para aqui a falar de Maratonas como se fosse muito entendida! Só acho que, precisamente por isso, e até para minha referência futura, pode ser interessante partilhar a minha experiência de alguém que olha para isto de forma muito simples e terra-a-terra, apenas com base no que viveu e aprendeu. Também sei que, dado o tempo que eu demorei a concluir a Maratona de Madrid, talvez o que eu aqui digo não seja muito legítimo. Não é o mesmo fazer uma Maratona em três horas ou em cinco. Talvez não faça sentido eu falar na gestão da alimentação que fiz durante a prova, porque, de facto, eu fiz mais um passeio por Madrid do que uma prova, mas foi o meu passeio e quero falar sobre ele. O mesmo quanto à preparação antes... Ou quanto às cãibras, que não tive. Talvez se eu corresse o tempo todo e depressa, tivesse tido. Talvez correndo ao meu ritmo, seja impossível tê-las. Não sei. Mas posso partilhar o que fiz para evitar que as tivesse, caso fosse possível tê-las quando se correr a ritmo de tartaruga.

Mas avancemos.

A decisão de ir a Madrid surgiu no seguimento do fracasso que foi a tentativa de ir ao Porto. Quando, em Setembro ou Outubro do ano passado, decidi desistir de tentar estrear-me na Maratona do Porto, naquela que foi uma decisão dura e difícil, a primeira coisa que o louco mais louco que eu fez foi procurar outras opções em que eu me pudesse estrear. Ainda pensei em fazer outra até ao final do ano, mas acabei por ficar desmoralizada e sem vontade. Sevilha também foi considerada. Mas implicava treinar muito durante o Inverno, e eu conheço-me. Por outro lado, no final do ano começou a surgir a possibilidade de eu vir a ser obrigada a parar durante uns tempos e começaram a surgir também outros planos de futuro. Com isto, eu sabia que ou fazia já uma Maratona, ou talvez nunca a fizesse. A pouco e pouco, surgiu Madrid em cima da mesa. Era perto, era barato, calhava junto ao 25 de Abril, o que permitia fazer umas mini-férias, nenhum de nós conhecia bem a cidade, já estaria um tempo mais simpático, tinha imenso tempo para treinar, ... E foi assim que, no Natal, o meu presente para ele foi a inscrição na prova. Consequentemente, inscrevi-me a mim também, mesmo sem ter a certeza se poderia fazer a prova.

E foi a partir da inscrição, que eu comecei a treinar. Criei um plano de treinos no My Asics, a que já tinha recorrido noutras ocasiões e sempre gostei muito. As projecções muito optimistas diziam que eu havia de fazer a prova em 4h26. Desde o princípio, sabia que isso era impossível.

Foram quase 4 meses de treinos. Treinos pouco consistentes, pouco regulares, muito incertos. Devia treinar 4 vezes por semana. Acho que isso não aconteceu mais do que uma ou duas vezes. Regra geral, treinei 3 vezes por semana. Houve semanas em que treinei 2, houve semanas em que treinei 1. Não sou a pessoa mais disciplinada e focada do mundo. Nunca serei. Pelo meio, houve uma mudança de casa e muita coisa a acontecer na minha vida pessoal, na minha saúde, e nas pessoas à minha volta. Sei que devia ter treinado mais, mas sei que fiz o possível, enquanto tentava aguentar-me em pé e ter vida para além da corrida (isso existe?).

Em jeito de preparação, fiz o Fim da Europa, fiz o Peninha Sky Race e fiz a Meia de Cascais, em três semanas seguidas. Parecendo que não, acabou por ser um bom arranque para os treinos. Depois disso, fiz um treino de 22km e dois de 25km. Não fiz treinos verdadeiramente longos. E isso deixou-me em pânico para o dia da prova. Há muitas e variadas teorias sobre esta questão. Eu, que não percebo nada disto, acho que os treinos mais longos são importantes, sobretudo, a nível psicológico. Não sei se as nossas pernas sabem bem se corremos 25, 30 ou 35km. Mas a nossa cabeça sabe perfeitamente e pode cobrar-nos isso. Na semana antes da prova, pelos motivos que se sabe, fiz apenas dois treinos de 5km. Levei o conceito de tapering ao extremo. E parece que até nem foi má ideia.

Um mês antes da prova, e por causa das minhas amigas bolhas, comecei a pôr creme anti-bolhas. Em quantidades monstruosas. Todos os dias. Duas, três, quatro vezes por dia. De manhã depois do banho, ao fim da tarde antes dos treinos, depois do banho a seguir aos treinos, antes de dormir. Tornou-se o meu ritual religiosamente cumprido. E foi a única coisa que, de facto, teve algum efeito. Claro que fiquei com bolhas durante a Maratona. Mas nada que se compare com a bolha de sangue que fiz no primeiro treino de 25km. Na verdade, e é certo que já se passou algum tempo, mas não tenho grande memória de as bolhas me terem incomodado muito durante a Maratona (ao contrário do que aconteceu em Cascais, por exemplo). Tive mais dores depois, com muitas dificuldades em calçar-me nos dias seguintes, do que propriamente na prova. E também nunca tive os pés tão hidratados! Fica a dica, para quem sofra do mesmo mal.

Uma semana antes da prova, comecei a tomar Magnesona diariamente. Torço um pouco o nariz a suplementos da moda e aquelas coisas que a malta super fit toma. Mas a Magnesona vende-se na farmácia e é dada, por exemplo, às grávidas, e é, de facto, muito eficaz na redução das cãibras. Mal não faz, de certeza. E o que é certo é que não tive uma única! Se foi por correr devagar ou foi por causa disto, nunca saberemos...

Já se sabe que os dias antes da prova não foram o ideal em termos de alimentação e descanso. Mas tentei, dentro do possível, ir bebendo muita água, e no Sábado privilegiei os hidratos de carbono ao almoço (pasta party!) e ao jantar (italiano). O pequeno-almoço antes da Maratona foi o do costume: papas de aveia com leite de soja, mel e frutos secos, acompanhadas de chá verde. Antes da prova, comi uma banana e bebi mais água. 

Durante a prova, tomei 3 ou 4 géis (já não me lembro ao certo), e acho que 2 gomas (acho que já disse que sou fã destas). Nos abastecimentos, que eram bastantes, fui apanhando alguns pedaços de banana, mas poucos, que não me apetecia muito e o que eu queria mesmo era laranjas, que não havia... Quando havia isotónico e água, o que fazia era pegar numa garrafa de água e num copo de isotónico. Bebia logo o isotónico e depois ia bebendo pequenos golos de água. Umas das minhas maiores preocupações era com a desidratação, sobretudo, porque estava bastante calor. Fui-me obrigando a beber água, a pouco e pouco, e ia molhando a cabeça, a cara e os braços. O objectivo era beber uma garrafa de água entre cada abastecimento. Nem sempre o fiz, mas quase. E não, não tive de parar mais nenhuma vez para ir à casa-de-banho (tirando aquela logo ao início). Aliás, só muitas horas e algumas cervejas depois da prova é que voltei a ir à casa-de-banho. Desculpem estes pormenores, mas é mesmo incrível o impacto que uma coisa destas tem no nosso corpo!...

Psicologicamente, a prova foi toda uma montanha-russa. Houve vários momentos em que me perguntei por que raio estava ali. Houve várias alturas em que achei que aquilo não era para mim. Mas nunca, em momento algum, pensei seriamente em desistir. Mesmo no meio de todas as inseguranças, eu sabia que havia de cortar aquela meta, custasse o que custasse. Eu pensava em tudo o que tinha passado para chegar ali, eu pensava em tudo o que estar ali representava, eu pensava nas pessoas todas que tinha a torcer por mim, e eu sabia que tinha de acabar a prova. E acabei. Ainda não sei bem como, mas acabei.

Outra coisa que eu achei, e perdoem-me os que discordam, é que fazer a Maratona não custa assim tanto!... Fazer a Maratona é chegar e correr. Sim, eu sei que demorei quase 5 horas e que isso me tira alguma moral para falar mas é mesmo isto que eu sinto... O que custa são os meses e meses de treino, é o acordar cedo, é o ter de abdicar de jantaradas, é o estar sempre a condicionar a vida à volta do plano de treinos, é o estar preocupada com a alimentação, é a pressão tremenda de ter de treinar, são as dores e as recuperações... É isso que custa. É isso que nos faz vacilar. No dia? No dia é calçar os ténis e correr! No dia, é tentar absorver tudo o que está a acontecer para conseguirmos guardar em nós todas as memórias daquela experiência única! No dia é aproveitar e ser feliz! Só isso!

E como é que eu me sinto quase um mês e meio depois da Maratona? Sinto que não fiz uma Maratona. É verdade. E poupem-me as palmadinhas nas costas. Eu fui educada com base na premissa "nothing is good enough", pelo que, ter demorado quase 5 horas e ter feito uma parte do percurso a caminhar, não me permite reconhecer-me o direito de me sentir verdadeiramente maratonista. Eu fiz a Maratona, sim, e eu fiz o melhor que podia, sim, e custou-me muito, sim, e esforcei-me muito, sim, e foi um feito do caraças dadas as circunstâncias, sim. Mas talvez tenha de voltar a fazer uma a sério um dia, para a coisa me saber a sério. Não me batam, por favor!... Não consigo explicar melhor o que sinto, e sei que vou ser mal interpretada, mas entendam isto como mais um dos muitos disparates que eu por aqui digo. É um sentimento estranho. Eu fiz a Maratona, mas sinto que não me posso pôr ao mesmo nível de tantas pessoas que conheço (e que não conheço) que são Maratonistas a sério... É estranho, mesmo. Mas é o que eu acho!...

Por último, esta prova só foi possível porque tenho à minha volta gente incrível. Se não fosse o louco mais louco que eu, não teria conseguido. Não tenho dúvidas disso. Foi ele que me apoiou desde o início, foi ele que me obrigou a treinar, foi ele que refilou comigo quando eu me armei em lontra e quis ficar na ronha, foi ele que me incentivou e empurrou para a frente quando eu duvidei de mim, foi ele que me acompanhou em muitos treinos sofrendo no meu ritmo lento-quase-parado, foi ele que abdicou de fazer uma prova melhor no dia M apenas para poder partir comigo. Muito do que fiz, devo-o a ele. Mas devo-o também a muitas outras pessoas, muitas pessoas que estão aí desse lado, que também me deram dicas e conselhos, que me deram forças, que me incentivaram, que me apoiaram e acreditaram. E é uma sensação incrível sentir esse apoio! Quanto mais não seja, a Maratona valeu por isso! Obrigada!



E assim encerro este tema por aqui. Por ora.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Da Maratona de Madrid... - VII

Eu avisei que ia fazer render o tema...

Queria só mesmo deixar algumas notas soltas sobre a prova em si.

A organização foi excepcional. Desde a feira, onde todo o processo de levantamento do dorsal foi extremamente rápido, à pasta party, à prova em si, onde foi tudo impecável. Eu não tenho grande termo de comparação, não é verdade? Mas achei mesmo que funcionou tudo lindamente.

Também no próprio dia, o acesso às diferentes caixas de tempo estava bem organizado e fluído, e não havia falta de casas-de-banho! Acho que todos estes pequenos detalhes fazem muita diferença na forma como vivemos as provas.

Já na prova em si, havia alguns pormenores curiosos: ao longo do percurso havia imensos patinadores que iam andando para trás e para frente, e que distribuíam coisas como água, vaselina e um spray para as dores. Spray este ao qual eu consegui resistir até aos 35km, mas depois via toda a gente a pô-lo e achei que as minhas coxas e as minhas contraturas habituais, mereciam. Sabem aquela dica básica de não experimentar nada novo no dia uma prova? Eu achei melhor ignorá-la.

A única coisa que faltou? Laranjas. Laranjas, Senhores! Havia muitas bananas, água, isotónico, até géis. Mas não havia laranjas!... Deixei o recado no questionário de avaliação, obviamente.

Quanto ao percurso... É engraçado... Mas é duro. Ter escolhido esta Maratona para estreia, foi mais uma das minhas brilhantes decisões. Tem muitas subidas, algumas muito inclinadas, algumas muito longas. O gráfico fala por si. 


A pior parte, para mim, foi mesmo a Casa de Campo, como já referi. Mas, de resto, é uma forma curiosa de conhecer Madrid, de percorrer os locais principais, de andar pelas ruas mais importantes e de perceber que a cidade é, de facto, bastante grande. E nada plana, contrariamente ao que se possa pensar!...

Em resumo: recomendo vivamente! Talvez não para uma estreia na distância mí(s)tica, mas para quem quer fazer uma prova destas num sítio diferente. Madrid é relativamente perto, não sai caro, e é uma cidade que vale a pena conhecer.

Se eu lá volto? Pois que não!


terça-feira, 22 de maio de 2018

Da Maratona de Madrid... - VI


Faz hoje um mês. Foi há um mês atrás que eu fiz a minha primeira Maratona e recebi esta medalha. Esta medalha que continua na mesa da sala, para que olhe para ela, e para que me lembre daquilo que consegui fazer.

Com tudo o que aconteceu entretanto, parece que foi noutra vida. Mas, de facto, foi há exactamente um mês.

Às vezes, ainda não acredito bem. Às vezes, esqueço-me do que fiz. Às vezes, ainda não sei como fui capaz.

Ainda não me permiti sentir-me verdadeiramente feliz por isso. Talvez um dia. Mas, por outro lado, quando me perguntam pela prova, eu só me lembro das coisas boas. Eu só me lembro que gostei, que valeu a pena, que não fora tudo o resto, eu teria sido muito feliz na Maratona de Madrid.

E esta medalha, que pesa (literal e figurativamente) mais do que qualquer outra que eu tenha, vai ter de ganhar um lugar especial cá em casa, que ainda não sei bem qual é. Para que eu me lembre. Para que eu não me esqueça. Para que eu saiba. Que quando queremos muita uma coisa, que quando nos dedicamos, que quando acreditamos, conseguimos coisas incríveis!

domingo, 13 de maio de 2018

Da Maratona de Madrid... - V

E foi assim que eu entrei na segunda fase da prova, para mim. Se a primeira correu bem melhor do que esperava, e me sentia relativamente tranquila e confiante, a partir daqui, tudo mudou.

Tinha definido como objectivo a meta de fazer os primeiros 25km sem parar de correr. Os meus dois treinos mais longos tinham sido, precisamente, de 25km. Entretanto, lembrei-me que nenhum deles tinha sido inteiramente a correr (o último tinha sido uma miséria e no primeiro tinha caminhado 200 metros numa subida pavorosa), pelo que, na verdade, a distância máxima que eu tinha feito a correr era a de uma meia-maratona. Ainda assim, depois de fazer os 25km, não quis ficar por aí. Quis tentar os 26, depois os 27, depois os 28. Foi por pura casmurrice que quis chegar aos 30km sem parar de correr. E cheguei. Porque precisava de provar a mim mesma que era capaz. E fui. A partir daí, acho que morri. Mal o relógio marcou os 30km, encostei e comecei a caminhar. Num movimento estranho e desconjuntado, depois de tanto tempo a correr. Não sei se é a isto que chamam o muro. Talvez. Mas sei que morri. Não ajudou nada que este momento tenha coincidido já com o percurso dentro da Casa de Campo. Aquele parque infernal. O calor. O chão de terra batida. A monotonia do percurso. A falta de apoio. Desmoralizei mesmo e só via gente a caminhar à minha volta. Estávamos todos desanimados.

Houve, no entanto, um momento de esperança renascida quando tomei o gel da Gu. Se houve decisão sensata que eu tomei ao longo do dia, foi a de guardar este gel para este momento. O gel é espesso. Muito espesso. Mas foi, literalmente, como estar a comer um brigadeiro. E se há coisa que me pode dar ânimo, seja em que circunstância for, é a sensação maravilhosa de estar a comer um brigadeiro. Foi o meu momento zen de introspecção, para tentar ganhar forças para o que aí vinha.

Andei cinco quilómetros a sofrer naquele parque interminável. Foram, sem dúvida, os piores 5km da prova. A tentar alternar corrida e caminhada. Sem muito sucesso. Quebrei muito aqui. Mas, eventualmente, talvez porque o gel começou a fazer efeito, consegui ganhar coragem para voltar a correr e o parque estava a chegar ao fim. Claro que o parque terminava numa subida horrível. Claro. Mas, depois disso, já depois dos 35km, tivemos uma folga de subidas, tivemos um abastecimento, e  começámos a descer ligeiramente. A música certa tocou e eu fui buscar forças não sei bem onde.



Lá fui andando. E correndo. E andando. Mais correndo do que andando, e os loucos dos espanhóis que só gritavam "ya lo tienes!". Já faltava pouco. Muito pouco. E eu comecei a achar que, mesmo que fizesse o resto a caminhar, estava feita.

Mas eu não queria fazer o resto a caminhar. Tinha ido para lá com um objectivo: fazer menos de cinco horas. E havia de conseguir. Mesmo que nesta fase tenha percebido que o grande desfasamento entre o meu relógio e as marcações oficiais, baralhavam as contas que tinha estado a fazer até aí. Até aí, achei que talvez conseguisse fazer quatro horas e cinquenta. Nesta fase, percebi que estava com 700/800 metros de diferença do real. O que, naquele ritmo, seriam facilmente 5 ou 6 minutos de diferença. Comecei a achar que não ia conseguir fazer menos de cinco horas e isso mexeu comigo e desmoralizou-me. Tinha estado até aí tranquila da vida e confiante, mas foi pura burrice não ter feito estas contas mais cedo. Agora era tarde para recuperar... Foi assim que decidi que os últimos três quilómetros tinham de ser feitos a correr. E foram. Devagar, mas foram.

Lá segui eu na minha vida, a ultrapassar mais do que a ser ultrapassada, a continuar a receber os incentivos dos espanhóis. Nesta fase também ajudou, e muito, ver que o louco mais louco que eu, voltou para trás para me vir buscar. Estava no quilómetro 40, quase 41, acho, quando ele apareceu em sentido contrário. Mesmo depois de eu lhe dizer para não o fazer. Quem é que faz uma maratona, descansa e alonga, e depois volta para trás e faz mais uns quilómetros? Gente louca, claro. Mas as fotos falam por si.




(vamos embora, que agora é sempre a subir até à meta...)


Também foi muito bom sentir o apoio de quem estava a torcer por mim. Eu não lia as mensagens mas sabia que elas estavam a chegar. Sabia que havia quem estivesse a acompanhar a prova ao vivo. E foi tão bom e tão confortável saber que tinha gente a torcer por mim! 

Corria eu já no último quilómetro, quando o meu telemóvel começou a tocar. Soltei mais um palavrão (ups!) mas obriguei-me a não ver quem me estava a ligar. Passou-me tudo pela cabeça. Sabia que a qualquer momento podia chegar uma má notícia de Lisboa e tive medo disso. Mas também sabia que se fosse isso, não havia nada que eu pudesse fazer e eu tinha uma maratona para acabar.

E tinha. Já faltava pouco. Eu só queria acabar. Estava imenso calor. Estava cansada. Só queria chegar à meta. E já faltava tão pouco!

A fase final tinha outra vez imensa gente a apoiar. Palmas, incentivos, gritos de apoio.

Entrámos na recta final. Que era a subir, claro. Se começámos a subir, tínhamos de acabar a subir, pois claro.


(a foto do meu fotógrafo privado)


(a foto que, ao mesmo tempo, o fotógrafo profissional tirava)

Gostava de ter aqui uma descrição maravilhosa sobre como vi a luz, como foi uma experiência reveladora, que foram umas centenas de metros que passaram a voar e que eu adorei.

Mas não. Eu só queria chegar ao fim. Eu só queria passar aquele pórtico. Claro que me sentia feliz. Mas, ao mesmo tempo, estava como que anestesiada. Passei aquela meta e acho que só pensei: é isto? Já está? Dei uns passos, agarrei-me ao louco mais louco que eu, e fiquei ali uns momentos a olhar para o chão. A tentar absorver tudo o que tinha acabado de acontecer. Não pulei, não gritei, não chorei. Não consegui reagir. Passaram três semanas e acho que ainda não consegui reagir.



Ainda junto ao pórtico, peguei no telemóvel e vi que tinha sido o meu pai a ligar-me. Pensei o pior. Liguei-lhe. Perguntou-me se estava em pé ou sentada. Pensei mesmo o pior. Afinal, estava só a meter-se comigo para me dizer que se estava em pé era porque tinha corrido bem. Achava que eu tinha começado às nove, acreditava que eu faria menos de cinco horas, e achou que já me podia ligar. Matam uma pessoa do coração com estas coisas!...

Depois de refeita do susto, fomos buscar as medalhas e fazer a gravação do tempo. Foram exactamente quatro horas, cinquenta e seis minutos e dezassete segundos. Menos de cinco horas. Estava cumprido o objectivo.

(como é que eu acelerei nos últimos quilómetros que eram a subir? não sei...)

Quando, finalmente, li as mensagens do durante e as mensagens de parabéns quando acabei, não pude deixar de, mais uma vez, me sentir uma sortuda! E de ficar de lágrimas nos olhos, pois claro. Aí desse lado estão pessoas incríveis que me deram uma força tremenda e que tiveram um grande contributo em todo este processo. Já o disse, mas repito: esta medalha também é vossa!

Depois de mais umas fotos e de comer e beber o que ofereciam, era hora de regressar ao apartamento, de medalha ao peito. Ter marcado um apartamento a 1,5km da meta revelou-se muito sensato.Voltámos a pé, em modo recuperação activa.

E depois foi tomar banho, descansar, comer e beber. E tentar processar tudo o que aconteceu.

Sou maratonista. Fiz a minha primeira maratona. Se um dia me dissessem que eu chegaria a isto, eu não acreditava. Era pessoa para apostar que jamais tal aconteceria. Mas parece que sim.


22 de Abril de 2018 - EDP Rock'n'Roll Madrid Maratón - 4:56:17

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