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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Da Gravidez... - I

Esta gravidez está longe de ser o que tinha imaginado, mas isso leva-nos novamente à lição nº 1 da maternidade, já por aqui referida: nada será como tinhas planeado.

Estou em casa faz hoje, precisamente, 3 meses. As saídas têm sido diminutas, e nos primeiros tempos foram apenas e só por motivos médicos (consultas, exames, passeios pelas urgências...). Nas últimas semanas, como disse por aqui, comecei a fazer algumas caminhadas, que representam muitas vezes o ponto alto do meu dia.

Há perto de 2 semanas, num Domingo, eu pedi-lhe por tudo para sairmos de casa e espairecermos. Queria ir a Sintra, à Lagoa Azul, tirar algumas fotografias enquanto ainda estou grávida, e que não fossem selfies em frente ao espelho.

E fomos. Claro que o meu receio de nos cruzarmos com muita gente era tanto, que chegámos lá e já só tivemos (literalmente) 5 minutos de sol. Mas, ao menos, também não tivemos praticamente pessoas!

Como a máquina é boa, e o fotógrafo habilidoso, das 111 fotografias que tirámos (true story!), depois de devidamente editadas por mim (que percebo imenso do assunto), ainda consegui aproveitar umas quantas, que não podia deixar de partilhar aqui.

Eu não sou particularmente fotogénica, eu não adoro tirar fotografias, eu tenho zero jeito para poses, muito menos neste estado de pequena baleia. Mas... Até gostei de algumas! E é, de facto, um momento único nas nossas vidas, que merecia ficar devidamente registado!









Ainda gostava de tirar mais algumas fotografias antes de a gravidez chegar ao fim, e, de preferência, perto do mar, mas tendo em conta as enchentes que têm estado nas praias, acho que não vai acontecer... Pelo menos, a descendente já fez a sua primeira introdução a Sintra, para saber o que a espera quando estiver cá fora!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

De Berlim... - I

Faz hoje 3 meses que regressámos de Berlim e pareceu-me um dia tão bom como outro qualquer para começar, finalmente, o relato desta viagem.

Nestes 3 meses mudou tanta coisa, que parece que a viagem foi noutra vida, mas precisamente por isso, e por ter sido tão boa, não podia não a eternizar aqui!

Berlim era, para mim, um sonho muito antigo. Não que vivesse fascinada com a cidade, mas há anos que tinha a certeza que tinha de lá ir um dia. Quando começámos a pensar numa viagem para os meus anos (já que só faço de 4 em 4, que seja em bom!), surgiu Berlim em cima da mesa. Ele não estava convencido, porque a probabilidade de apanharmos mau tempo era elevada. Mas a verdade é que no final de Fevereiro, está mau tempo em 90% da Europa, pelo que ele não me conseguiu apresentar nenhuma alternativa que me convencesse. Ficou Berlim.

Marcámos a viagem 3 semanas antes de descobrirmos que eu estava grávida. Estávamos a tentar mas, como não achávamos que fosse acontecer, marcámos a viagem na mesma, para que os preços não escalassem. Ainda assim, houve alguma sensatez na minha pessoa e, contrariamente ao que é habitual neste tipo de viagens que fazemos, eu teimei que devíamos ir 5 dias, para evitar as correrias e canseiras habituais. Era o meu aniversário, eu queria passar lá o dia 29, e poder regressar no dia seguinte com calma. E assim foi. Na prática, aproveitámos 4 dias completos. Primeira dica: chega perfeitamente para ficar com uma visão geral de Berlim.

No dia 26 de Fevereiro, quarta-feira, aterrámos em Berlim a meio da manhã. O aeroporto é meio estranho, mas está tudo bem indicado e facilmente encontrámos o autocarro que precisávamos para chegar à Estação Central de Berlim, onde iríamos apanhar o comboio para perto do nosso hotel. No geral, achei que os transportes funcionavam muito bem, com imensas alternativas e a preços simpáticos.

Olá, Berlim!


O nosso hotel foi o The Student Hotel Berlin. Foi ele que o escolheu e eu confesso que torci um bocadinho o nariz, só pelo nome. Achei que seria mais tipo hostel, meio caótico, barulhento, e algo para o qual não teria paciência mas... Tive de engolir cada palavrinha, porque adorámos o hotel! Para quem procura um hotel tradicional/clássico, esqueçam. Mas é um excelente hotel, de 4 estrelas, com pormenores deliciosos e que faz as delícias de quem procure um sítio diferente e cheio de pinta. Afinal, estávamos em Berlim, não é verdade?




E eu achava que era só nos móteis que davam preservativos...



A localização também era óptima, a 5 minutos a pé da Alexanderplatz, a caminho da qual tínhamos um centro comercial grande, com supermercado, área de restauração, cafés para tomar o pequeno-almoço (achámos o do hotel caro e optámos sempre por comer na rua), etc. Havia ainda uma paragem de autocarro, literalmente, à porta do hotel. Noutras alturas, estes pormenores podiam não ser muito relevantes, mas quando se apanha tempo frio e alguma chuva, faz toda a diferença!

O planeamento desta viagem foi feito um bocadinho (só um bocadinho) em cima do joelho, numa altura em que eu já estava grávida de 5 meses, e só tinha uma certeza: tínhamos de reduzir, e muito, o nosso ritmo habitual. Além disso, Berlim é uma cidade meio estranha, em relação à qual tive alguma dificuldade em perceber quais as coisas a não perder. Mas lá consegui traçar um plano!

Para o primeiro dia, e tendo em conta a hora a que íamos acordar e a hora a que íamos chegar, planeei uma tarde calma, mais de introdução a Berlim do que outra coisa. 

Almoçámos perto do hotel, e seguiu-se um passeio a pé pela zona, que incluiu a Alexanderplatz, a Rathaus, a Neptunbrunnen e a St. Marienkirche.

As Bolas de Berlim originais! 






Construção deliciosa em Lego da Rathaus.









Depois desta volta, apanhámos um autocarro para o destino seguinte: East Side Gallery.


Curioso como imaginava o muro tão maior...





Claro que, a dada altura, aqui a grávida precisou de fazer uma pausa para repôr energias e descansar as pernas.




Com o cair do dia, regressámos ao hotel, onde eu aproveitei para uma mini sesta e ele foi para a passadeira do ginásio do hotel correr (ele é mais louco do que eu, não é verdade?).

Saímos para jantar, num restaurante típico alemão perto do hotel, e aterrámos na cama, que o dia já ia longo...



Até amanhã, Berlim!

terça-feira, 19 de maio de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 140


Foi um dia particularmente difícil, cá por coisas minhas. 

Ao final da tarde, ele pegou em mim e fomos dar uma volta a pé aqui pelo bairro. Andei por sítios por onde nunca tinha andado. Curioso, não? Estamos tão perto da Expo, que acabamos por ir sempre para lá. 

Comprámos pão e bolos, numa pastelaria nova que descobrimos. 

Estivemos a espreitar uma das creches que queremos ir visitar. 

Num momento de loucura, tirei a máscara e ele fotografou-me. 90% das fotografias de grávida que tenho, são selfies que tiro a mim mesma em frente ao espelho, quase sempre despenteada e com roupa de andar por casa. Hoje quis que fosse diferente. 

No meio disto tudo, cheguei ao fim do dia a sentir-me melhor. Porque, em tempos de isolamento, toda e qualquer pequena coisa, pode fazer uma diferença tremenda no nosso estado de espírito. 

sábado, 16 de maio de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 137 (ou do medo do que aí vem...)


Ele correu. Eu caminhei. Ao final da tarde, perto da hora de jantar, num Parque das Nações demasiado cheio, que me assustou e deixou preocupada. 

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista. 

Mas fiquei em choque com o que vi. Fiquei arrependida de ter ido. Encurtei o meu percurso e, mesmo de máscara, esforcei-me por me afastar sempre o mais possível de quem se cruzava comigo. Mas senti-me a maluquinha. Porque mais ninguém parecia preocupado com isso. Raras foram as pessoas que vi de máscara (não é obrigatório, eu sei). Muitas foram as pessoas que passaram coladas a mim (entre ciclistas e corredores que me ultrapassaram, perdi a conta). Vi grupos de mais de 10 pessoas a fazer piqueniques. Vi os dois skate parks, ambos completamente vedados com grades, cheios de miúdos e graúdos. Fiquei na dúvida se as grades estariam ali para impedir a Covid de entrar, protegendo quem se encontrava lá dentro.

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista. 

Mas também fiquei em choque com as imagens de um Primeiro-Ministro a passear no Chiado, a jogar ao põe e tira a máscara. A dar o pior exemplo possível. A dizer às pessoas que saiam de casa e vão às compras, quando horas antes tinha dito que continua a existir dever de recolhimento.

Se calhar, sou eu a paranóica. Se calhar, sou eu a pessimista.

Mas tenho medo do que aí vem. Muito medo. 

domingo, 10 de maio de 2020

Do Troféu de Oeiras - Prova da Outurela...


Hoje seria dia de mais uma prova do 38º Troféu de Oeiras. Desta vez, seria a prova da Outurela, organizada pela minha equipa, a AM 18 de Maio.

Naturalmente, não houve prova. Ainda assim, desafiámos os nossos atletas a vestirem as camisolas da equipa e a fazerem a distância que fariam, se houvesse prova, num local e hora à sua escolha. Sempre em segurança e sem ajuntamentos!

E foi assim que esta manhã dei por mim a caminhar na Expo, a fazer os 4.300 metros que a minha prova teria (para quem não sabe, no Troféu de Oeiras as distâncias das provas variam consoante os escalões). O louco mais louco do que eu tinha saído de casa a correr, e fez o equivalente à prova dele (8.500 metros) e à minha, e encontrámo-nos no final, para eu lhe dar boleia no regresso.

Foi bom voltar a vestir a camisola da equipa! Mas foi bom, sobretudo, ver a adesão que este desafio teve, e a forma como cada um à sua maneira e ao seu ritmo, voltou a vestir a camisola e fez a sua prova, desafiando-se.

A mim, soube-me lindamente! Comecei há cerca de 2 semanas a fazer algumas caminhadas curtas, por indicação da minha médica, e sempre com máscara e em horários e zonas com pouca gente. Tenho vindo a aumentar a distância a pouco e pouco, porque a verdade é que me custa, depois de tanto tempo parada. O máximo que tinha feito tinham sido 3,5km, e hoje nem dei pelo tempo a passar enquanto fiz os 4,3km! Fiquei cansada, mas aquele cansaço bom, de quem voltou a mexer-se, e hoje, com um propósito muito especial.

Sei que ainda vai demorar muito, muito tempo até voltarmos às corridas (eu, por razões óbvias...). E custa-me pensar nisso. Não vale a pena especular, nem tentar fazer previsões... Mas gosto de tentar manter algum optimismo e pensar que, mais tarde ou mais cedo, isto vai passar e vamos voltar a correr todos juntos. Em equipa. Como devia ser.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

De uma nova tentativa de regresso...

Depois deste post, seria de esperar que este blogue retomasse um certo ritmo de publicações... Era o que eu esperava, pelo menos.

E juro-vos que é raro o dia em que eu não penso "É hoje! É hoje que volto a escrever!". Mas não é. Nunca é. E os dias passam-se, correm uns atrás dos outros, já passou quase um mês e meio desde aquele post, e eu continuei sem escrever.

Hoje, isso muda. Esperemos que não seja algo isolado, que se eu só voltar a escrever daqui a um mês e meio, em calhando, a criança já nasceu, e já sabemos que depois de ela nascer, devo escrever ainda menos... Vamos, então, tentar aproveitar as próximas semanas para pôr em palavras tudo o que me passou pela cabeça nos últimos meses.

São tempos estranhos, estes. Tenho a sensação de que os dias passam a voar e eu não os aproveito. Incrível, a canseira que é preparar uma casa e uma vida, para um novo ser que vem a caminho. Na minha ingenuidade, achei que teria imenso tempo para tudo, que iria ler imenso, que ia ver todas as séries e documentários. Na realidade, acho que fiz cerca de um quinto do que gostaria de ter feito. Mas tudo bem.

Para as próximas semanas, só peço que possamos voltar um pouco à normalidade. Seja lá qual for essa normalidade. O "novo normal", de que tanto falam os entendidos na televisão. Não sei o que isso é, mas hei-de descobrir nos próximos tempos. Nos entretantos, prometo que vou tentar aproveitar o tempo, para voltar a escrever.

Vamos lá!

domingo, 19 de abril de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 110


Lição nº1 da Maternidade: nada será como tinhas planeado. Com Covid ou sem Covid, a vida, a partir de agora, será como tiver de ser, como puder ser, como der para ser. Sem planos, sem  expectativas, sem pressões, sem perfeccionismos e sem ideais românticos. Mas sempre em bom! 

domingo, 12 de abril de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 103


Por aqui, fiz hoje o terceiro treino da semana. Se eu conseguisse continuar a treinar três vezes por semana, já me dava por muito feliz!... 

São treino calminhos, de 30/35 minutos, específicos para grávidas no 3º trimestre, e que são adaptáveis e flexíveis, dependendo da condição de cada grávida. Para já, estou a começar devagar, devagarinho. E tem-me sabido bem. 

Hoje não me apetecia rigorosamente nada treinar, mas aproveitei que ele também foi treinar, e treinámos os dois, cada um na sua ponta da casa. 

Curiosamente, na quinta-feira estava com dores nos braços do treino da véspera, e até isso me soube bem. Acho que em tempos de isolamento, qualquer coisa que nos faça sentir vivos, sabe bem. Nem que sejam dores... 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Das fotografias que dão alegria... - Day 94


Nunca pensei que 20 minutos na fila da Farmácia me soubessem tão bem... Já não me lembrava o que era sentir o sol na pele. 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Das coisas que ninguém te diz sobre a gravidez... - I

Vais ter os sonhos mais estranhos. De sempre. Daqueles que nem nos melhores filmes encaixam, porque são demasiado surreais.

Eu tenho sonhado quase todas as noites. Depende do meu estado de cansaço e do nível de actuação do Nausefe, mas tenho sonhado muito. Mais do que uma vez por noite, às vezes.

Coisas absolutamente rocambolescas, que vêm lá do fundo do meu ser, do meu mais profundo inconsciente, que vão buscar cenas e seres de outras vidas, e que os misturam sem sentido.

Uma destas noites sonhei que voltava à terapia. Foi um sonho demasiado surreal para ser descrito aqui, mas que até teve a sua razão de ser.

Sim, voltar à terapia é algo que tem estado nos meus pensamentos. Quase diariamente. Enquanto continuar a trabalhar, a coisa disfarça. Mas quando parar, vou ter de descobrir quem dê consultas online. Já andava com isto em mente há uns tempos, muito antes de todo este caos, só faltava concretizar. Sugestões de terapeutas, aceitam-se.

Nos entretantos, este fim-de-semana estou inscrita para um workshop online sobre gestão da ansiedade na gravidez. Parece-me apropriado, nos tempos que correm, e necessário, dado que há dias em que os meus níveis de sanidade (e respectiva tranquilidade) andam pelas lonas.

Outra coisa a reter: é cansativo ter tantos sonhos, todas as noites. Mesmo. Na maior parte dos dias, acordo com a sensação de não ter descansado. Passo a noite a correr, em histórias que não lembram ao diabo, em stress e aflição, no meio de coisas sem sentido. Acordo baralhada e cansada. Não tenho, propriamente, pesadelos. 

Diz que isto é normal, e que há muitas grávidas que sonham com o parto, e com coisas que correm mal, e tudo e tudo e tudo. Não é o meu caso. Acho que só sonhei uma vez com a bebé, e envolvia trocar-lhe a fralda e coisas assim prosaicas que vão passar a preencher os nossos dias. Mas não tenho pesadelos com isso. Do mal o menos, não é verdade?

Mas não, ninguém me tinha dito que a minha imaginação nocturna ia andar a mil à hora...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Da maior prova de todas...


Vem aí a maior prova das nossas vidas. Não é uma maratona. Não é uma ultra. Não é, sequer, uma prova de 3 dígitos. É a maior prova de todas e aquela para a qual não há treino que nos valha.⠀
É oficial: a Equipa Lontra&Escalfeta vai crescer.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...