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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Do 11 de Setembro...


Nunca cheguei aqui a falar sobre a viagem que fizemos em Novembro passado a Nova Iorque e Cuba. O que é pena, porque foi uma das viagens da minha vida e uma das que mais me marcou, sem dúvida. 

E uma das coisas que mais me marcou e que nunca esquecerei foi a ida ao World Trade Center. Hoje, 18 anos depois dos ataques do 11 de Setembro, é inevitável voltar ao que ali senti e voltar a parar para pensar nas 2977 vidas que se perderam na sequência destes ataques. 

Adorei Nova Iorque e se me perguntarem o que é que alguém não pode deixar de visitar numa visita à Big Apple, eu não tenho dúvidas: o World Trade Center e o Museu e Memorial do 9/11. O Empire State Building é espectacular, o Central Park é incrível, a Brooklyn Bridge dá umas fotos espectaculares. Mas não há nada que se compare a estar ali, naquele sítio, a conhecer os rostos, os nomes, as vidas, de todos aqueles que o 9/11 levou. 

A reconstrução do espaço ficou incrível, com a Freedom Tower a reforçar que a América é um país incrível e que se uniu para ultrapassar uma tragédia que nós nem conseguimos imaginar, a Survivor Tree (que sobreviveu no meio dos destroços, foi tirada daquela zona e novamente ali plantada em 2010), e as duas piscinas negras, que nos impressionam pela sua dimensão, pelos 2997 nomes que têm gravados, pela água que nos lembra do ciclo ininterrupto da vida.

O 9/11 marcou o Mundo. Não só a América, mas o Mundo. O 9/11 mostrou-nos o pior do que o ser humano é capaz, mas também nos mostrou o melhor do que o ser humano é capaz. Mostrou-nos a tragédia, o desespero, o horror, dos que não sobreviveram, mas mostrou-nos a força, a resiliência, a coragem dos que ficaram cá. São muitas as histórias incríveis dos sobreviventes, da forma como ultrapassaram este acontecimento tão marcante, daquilo que fazem nos seus dias para homenagear os que pereceram. 

Para que nunca nos esqueçamos. 

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Do Limestone Ultra Trail e das mulheres nas corridas...



Quando escrevi o post anterior, foquei-me no facto de ter ficado em último lugar da prova. Foi uma opção minha.

Podia ter-me focado no facto de ter ficado em 10º lugar das mulheres. E seria uma opção igualmente válida, porque é verdade.

Talvez nos meus tempos áureos, em que cheguei a ficar em 4º e 5º lugar do meu escalão, eu já tenha ficado assim tão bem classificada na geral feminina. Não faço ideia, porque nunca liguei muito a isso.

O certo é que ter ficado em 10º lugar nesta prova não é, exactamente, motivo de festa. Não só pela constatação óbvia de que eu fiquei em 10º porque não havia mais mulheres, mas também pela constatação óbvia de que eu fiquei em 10º porque não havia mais mulheres. E eu não deixo de me perguntar: por que raio não havia mais mulheres? É que ficar em 10º porque não havia mais mulheres é só triste.

A prova teve um total de 73 finishers, e apenas 10 eram mulheres. Como? Porquê? As mulheres deste país (e de outros, que também são bem-vindas) já foram todas de férias? Estava tudo na praia? Não, não estava. Porque na prova dos 16km os finishers foram 141, e 42 eram mulheres! A diferença é abismal...

Eu já aqui falei sobre isto, a propósito da Maratona da Europa, e é mesmo algo que me intriga, por um lado, e me preocupa, por outro.

Gostava mesmo de ver mais mulheres a correr. E a correr distâncias mais longas! Claro que ninguém é obrigado a nada só porque agora eu acho que isso é giro (tinha a sua graça... mas não!). Mas, de facto, gostava de saber se há alguma coisa que se possa fazer em relação a isso. Será que as organizações podem fazer mais por isso? Será que grupos como o Women Runners Portugal (do qual já aqui falei) podem ajudar? Será que as mulheres não correm mais porque não querem mesmo ou porque lhes faltam condições para isso?

Vou continuar a pensar sobre o assunto...

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Da Bondade e da Cobardia...



Este Sábado fui ao Dona Maria assistir à peça A matança ritual de Gorge Mastromas, um texto de Dennis Kelly, encenado pelo Tiago Guedes.

Esta peça conta-nos a história de um homem, Gorge Mastromas, e as voltas que a sua vida deu. Não querendo revelar demasiado sobre a mesma, posso dizer que fiquei a pensar nisto que é a nossa vida, nas decisões que tomamos, no certo e no errado, no que é melhor ou pior para nós.

Bondade ou cobardia? 

Em quantas das nossas decisões somos bons, porque somos bondosos, ou porque somos, simplesmente, cobardes?

Bondade ou... Cobardia? 

E de que nos adianta sermos bondosos? A vida é mesmo dos espertos? Fazermos sempre o que é correcto, leva-nos a algum lado? E quando deixamos de fazer sempre o que é o correcto, entramos num caminho sem retorno?

Bondade ou cobardia?

Aceitamos o que a vida nos dá porque é assim que deus quer, ou porque nos falta a coragem para fazer diferente? 

Bondade ou cobardia? 

Eu gosto de acreditar que sou bondosa. Mas, às vezes, talvez seja mesmo só cobarde. E vocês?

Enquanto pensam sobre isso, ide ver. Está em cena até dia 28 de Junho. Vale pelo cenário, pela evocação do teatro clássico, pela forma como a história nos é contada, pelo jogo de personagens que entram e saem de cena, pelo texto, pela forma como mexe connosco ao tocar em pontos com os quais tão facilmente nos identificamos. E, claro, pelas interpretações. Do Bruno Nogueira à Rita Cabaço (que já tinha visto em "Actores"). Ide ver.

domingo, 26 de maio de 2019

Do dia de hoje...

Eu gostava de vir aqui escrever o relato do Almonda, enquanto ainda está fresco e as emoções estão à flor da pele (para o bem e para o mal).

Mas não consigo. 

Estou demasiado chocada com os valores da abstenção. Talvez não devesse, não é verdade? Mas estou. Porque, às vezes, tenho fé nas pessoas e acredito que as coisas podem mudar. Mas não mudam.

Continuamos um país de gente indiferente, com pouco ou nenhum sentido cívico, que não aproveita as oportunidades que tem para manifestar as suas opiniões, mas que adora criticar tudo e todos, de preferência, nas redes sociais.

Isto cansa-me. Deprime-me. Envergonha-me. Custa-me que, nisto como noutras coisas, não me reveja no meu país. Mas a verdade é essa.

E, pasmem-se, enquanto continuarmos assim, vão lá continuar os mesmos de sempre, a fazer o mesmo de sempre. E esta, hein? 

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - IX (Ou Da Prova em si...)



Não sendo eu grande entendida em Maratonas, dado que ainda só fiz duas, é assim a modos que presunçoso vir aqui fazer uma análise da prova, mas vou tentar manter a minha visão o mais objectiva possível, e fazer uma última análise global à Maratona da Europa.

Quando acabei a prova, repeti várias vezes que não tinha gostado. E isso é, obviamente, uma opinião altamente subjectiva. Nem todos gostamos do cor-de-rosa, lamentavelmente. E a verdade é que, passados alguns dias da prova, eu continuo a manter a minha opinião, já não tão peremptória, mas continuo a achar que não gostei particularmente da prova. Mas também sei que isto tem em parte a ver com a forma como a prova me correu. Pondo os meus sentimentos pessoais de parte, vamos a isto.

Pontos positivos da Maratona da Europa:

  • a data - finalmente, alguém decidiu fazer uma Maratona em Portugal no 1º semestre, numa altura em que ainda não está demasiado calor, e distanciando-se o suficiente de Lisboa e Porto.
  • o sítio - Aveiro vale por si só. É central, é uma cidade gira e cheia de pinta, que permite agradáveis passeios e muita comidinha da boa.
  • a mobilização do público - se eu, que era das últimas, ainda apanhei imensa gente na rua a apoiar, nem imagino quem passou umas horas antes! E isto só se consegue com um grande trabalho de envolvimento da comunidade, como foi a distribuição de bandeiras nas caixas do correio.
  • a madrinha da prova - a grande, incrível e incansável Aurora Cunha!
  • as duas t-shirts - a da prova e a de finisher (só podiam ter mais atenção aos tamanhos, mas isso é um drama tão recorrente na maioria das provas, que uma pessoa já se resigna, não é verdade?).
  • o preço - para o que oferecem, é muito baixo!
  • o local de partida e chegada - o Centro de Congressos de Aveiro. Pode revelar-se um problema, com o crescimento da prova, mas que é giro e muito agradável, é.

Pontos menos positivos da Maratona da Europa:
  • a falta de ovos moles no final. Desculpem, mas tinha de falar nisto. E sim, aqui a minha opinião é menos objectiva, mas os ovos moles eram mesmo importantes para mim. Eu passei meses aqui, no strava, no instagram, a referir-me à Maratona dos Ovos Moles. Há quem corra com o objectivo de levar mais uma medalha para casa. Eu fui correr para comer ovos moles. Porque foi isso que a organização me prometeu. E não cumpriram. E eu fiquei triste. Mais do que o meu drama pessoal, importa rever isto e garantir que no final há o que é prometido para todos os finishers, neste caso, os ovos moles e as maçãs.
  • o percurso - aquela parte inicial é meio sem graça e sem grande apoio, e a ida à universidade no final (que está deserta ao Domingo, naturalmente) também podia ser repensada. Talvez haja ali alternativas mais interessantes, e talvez também não seja o ideal aqueles metros finais naquele caminho à beira do canal. É giro, que é, mas não sei se é a melhor opção.
  • os abastecimentos - podiam ser menos espaçados, sobretudo na parte final da prova. Não vem mal nenhum ao Mundo se continuarem só de 5 em 5km, que há muitas provas assim, mas a partir de certa altura, entre a quebra normal e o adiantado da hora que faz com que o calor aumente, ter mais água pelo caminho dava muito jeito. Isso e não haver falhas... Quando eu passei nos 30km já não havia os anunciados géis. E sim, todos os participantes devem levar para as provas os géis que querem tomar. Mas a organização também deve cumprir com o que promete.
  • a organização da partida - acredito que a prova vá crescer, e será inevitável que arranjem outra solução, mesmo que possa não ficar tão bonita na televisão. Ter as várias distâncias a partir ao mesmo tempo, numa zona relativamente estreita e que começa logo com curvas, não é o ideal. Digo eu, que ia nos lentos dos lentos, e que nem tive direito a caixa propriamente dita...
Se virmos bem, os pontos positivos são bem mais do que os menos positivos! 

Acredito que a Maratona da Europa tem tudo para ser uma excelente Maratona. Como já disse por aqui, não imagino sequer o que seja preparar uma prova desta envergadura, e o que é certo é que a GlobalSport conseguiu fazê-lo. Mesmo os pontos menos positivos são, em geral, pequenas coisas que podem facilmente corrigir.

O balanço final é muito positivo, acredito que a prova tenha imenso potencial para crescer nos próximos anos, e talvez até lá volte um dia, para fazermos as pazes. Talvez!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - VIII (Ou Das Mulheres em Prova...)

A Maratona da Europa teve 1367 inscritos e 1135 finishers a cortar aquela meta no dia 28 de Abril em Aveiro.

Parece um número muito interessante, se pensarmos que foi a primeira edição da prova, e que havia muita gente com dúvidas se esta prova ia vingar. Conseguir mais de 1000 inscritos numa primeira edição de uma Maratona, é mais do que um excelente indicativo de que a Maratona da Europa tem tudo para se afirmar como uma prova de referência no território nacional, e ainda bem que assim é! Sempre posso dizer que participei na primeira!

No entanto, dos 1367 inscritos, só 197 eram mulheres. E dos 1135 finishers, só 149 eram mulheres.*

São poucas. Manifestamente poucas.

É mesmo urgente pôr mais mulheres a correr. Como, curiosamente, me disseram a Aurora Cunha e o Filipitisch.

Não por moda, não por ser giro. Mas porque somos tão capazes como os homens. Mas porque estou em crer que esta tão baixa participação de mulheres em provas de longas distâncias é um reflexo da realidade da nossa sociedade e que cada vez mais estudos confirmam: as mulheres não têm tempo para elas e são responsáveis por uma parte muito mais significativa das tarefas domésticas do que os homens.

Este não é um blogue sobre feminismo. Mas é um blogue de uma menina que, por acaso, também corre. E hoje deu-lhe para pensar sobre isso.

Quantas mulheres conseguem gerir uma carreira, uma casa, os filhos, toda uma vida, e ainda ter tempo para despender 10, 15 ou 20 horas por semana a treinar? Não as suficientes. E não, não é só por falta de vontade. Até posso acreditar que fazer algo como uma Maratona ou uma Ultra, possa ser mais apelativo para os homens do que para as mulheres. Talvez até haja algo na história da evolução humana que explique isto. Mas não é isso que justifica esta discrepância tão grande nas presenças da Maratona da Europa (estamos a falar de menos de 10% dos participantes serem mulheres...).

Para as mulheres poderem meter-se nestas aventuras, não acredito que precisem apenas de vontade. Porque até acredito que a têm. Para as mulheres poderem meter-se nestas aventuras, precisam mesmo que a igualdade de género deixe de ser apenas um tema da moda e passe a ser uma realidade do nosso dia-a-dia.

Muito se tem feito, como o projecto Women Runners Portugal, mas ainda há muito mais a fazer. Vamos a isso?




*Estes números foram tirados há uns dias do site Stop and Go, mas entretanto deixaram de estar online. Podem não estar 100% correctos, mas acho que a ideia geral se mantém.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Da Maratona da Europa... - VII (Ou Das minhas bolhas...)

Então e as bolhas?

As bolhas foram A surpresa da Maratona da Europa!

É verdade!

Já aqui tinha dito que a minha maior preocupação antes da Maratona da Europa eram os meus pés e a forma como eles se iam portar. Também já tinha dito que se não cortasse aquela meta, seria por causa deles. E não é que eles se portaram bem?

Aqui há uns tempos tinha feito aqui um post sobre as minhas bolhas, e o jnr tinha-me deixado como sugestão a RUNSOX. Eu, que naquela fase já estava por tudo, andei a espreitar o site, decidi mandar-lhes uma mensagem via Facebook, e lá acabei por fazer uma encomenda. No dia 20 de Abril, fui levantar a encomenda à loja deles (em Odivelas). Conheci o Nuno Baixinho e ainda estivemos um bocado à conversa, a trocar experiências e a ouvir mais dicas sobre o que fazer com estes pés de princesa que, de vez em quando, parecem de ogre.

Nesse dia, era a Scalabis. E o que é que esta alma super inteligente decide fazer? Estrear as meias novas, pois claro. Sem as lavar nem nada. 

Tinha optado por umas meias da Mund, o modelo Running. Porquê este modelo? Porque fazem o tamanho 34-37 e porque tinham umas em cor-de-rosa mesmo giras! 

Carregar imagem para Galeria, Running
(imagem do site da RUNSOX)

E lá fui eu para a Scalabis, com as minhas meias novas cor-de-rosa mesmo giras nos pés. E a coisa até não correu mal! Se foi das meias? Se foi da fita kinesio? Se foi da hidratação intensiva nos tempos anteriores? Eu não sabia. Mas, de facto, não correu mal.

Nos últimos tempos andei a testar tantas variáveis, que cheguei ao dia da Maratona da Europa sem saber o que fazer. Ponho fita? Não ponho fita? Ponho creme? Não ponho creme? Levo as meias novas? Levo as meias velhas? As dúvidas eram muitas.

No dia anterior à prova, estive muito entretida a tratar dos meus pés: leia-se dar cabo de todos os vestígios de bolhas anteriores, cortando as peles que restavam e pondo muito creme. Isto era algo que eu não fazia antes, e que comecei a fazer regularmente e, de facto, acho que ajudou, porque deixei de fazer tantas bolhas em cima de bolhas.

No próprio dia, acabei por optar por levar mesmo as meias novas. Mais um disparate? Talvez. Um risco? De certeza. Mas eu já passei por tanta coisa com os meus pés, que achei que pior era impossível. Aquelas eram as meias melhores (ou mais caras, pelo menos) que eu já tinha comprado, tinham um tamanho mais adequado do que a maioria das minhas meias, e tinham-se portado bem na Scalabis. E eram cor-de-rosa e mesmo giras, já tinha dito? Acabei mesmo por optar por elas e pela fita, que pus com a ajuda do louco mais louco do que eu, nos sítios mais críticos.

Quando saímos do apartamento em direcção ao Centro de Congressos, num trote lento em jeito de aquecimento, sentia uma impressão no dedo gordo do pé direito, que me estava a incomodar e que eu não sabia bem do que era, mas achava que era da fita. Enquanto estava na fila para a casa de banho, antes da prova, ainda me descalcei e tentei perceber o que se passava, mas sem sucesso.

Durante a prova, talvez por estar focada noutras coisas, talvez por ter outras dores, talvez pelo desespero psicológico que se sobrepôs a todo e qualquer sentimento físico em alguns momentos, não dei pelas bolhas. A sério! Esqueci-me delas! As dores horríveis que eu tive noutras provas e em treinos que tornavam cada passada um tormento? Nem vê-las! Nem senti-las, melhor dizendo! Acho que só me lembrei delas depois, confesso. 

Claro que, depois da prova, tive dores. Claro que, ao chegar ao apartamento e ao tirar as meias, percebi que elas estavam lá. Andei ali que tempos a ganhar coragem para tirar a fita, com medo do que estaria por baixo dela. Mas, quando o fiz, fiquei deveras surpreendida! Tinha uma bolha gigante no tal sítio onde ainda antes da prova tinha sentido a tal impressão, e depois tinha as bolhas do costume nos sítios do costume, mas em versão relativamente controlada. Fiz apenas 5 bolhas no total. Cheguei a fazer mais de 10 em treinos!... Foi uma melhoria tremenda e que me deixou mesmo surpreendida!

Se foi das meias? Se foi da hidratação? Se foi da fita? Não sei. Talvez tenha sido só dos ares de Aveiro e do ambiente da Maratona da Europa.

O que sei é que me tornei doutorada em bolhas, tratamento de bolhas e prevenção de bolhas. Valeu por isso!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Das relações... Dos outros, claro...

Nos últimos tempos, tenho falado com algumas pessoas sobre as suas relações. Não sei exactamente por que falam comigo sobre este tema, mas já pensei abrir um consultório sentimental. Já houve, inclusivamente, quem em tempos me enviasse emails através do blogue, pedindo ajuda com dúvidas amorosas, às quais eu tentei responder o melhor que sabia. O que acham? Inauguramos aqui a rubrica "Divã da Agridoce"?... Ou continuo a falar sobre bolhas? 

É que não deixa de ser curioso que eu, doutorada em relações falhadas e divorciada desde os 27 anos, ande a dar opiniões sobre relações alheias... Curioso, irónico e sem sentido, talvez. 

Apesar de, claramente, não perceber nada de relações, gosto de pensar sobre elas. E tenho pensado recentemente sobre a quantidade de gente que vejo à minha volta que põe fim a relações de anos e anos (com ou sem filhos), ou que não chega sequer a ter grandes relações fruto de uma qualquer incapacidade ou fruto de uma certa falta de vontade.

Será que nos tornámos mesmo permanentemente insatisfeitos? É cansativa esta coisa de estarmos sempre a questionar tudo, à procura de mais, à procura de melhor. Quando é que deixámos de saber apreciar o que temos para nos perdermos a pensar no que poderíamos ter?

Por outro lado, também deixámos de ser conformados. Também deixámos de aceitar toda e qualquer migalha que alguém nos dê, também aprendemos a lutar pelos nossos direitos, também passámos a ter consciência do nosso valor e daquilo que merecemos. 

O problema? O problema é traçar a tão fina linha que separa estes dois mundos. É conseguir perceber quando chegou a hora de nos darmos por satisfeitos e pararmos de procurar algo melhor. Haverá sempre algo melhor, mas também poderá haver algo pior. E nunca haverá nada perfeito.

Cansa, esta coisa de viver.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Da saga sem fim das minhas bolhas... - II

O tempo passa, os dias voam e eu não venho aqui. Não tenho ligado o computador em casa e nem sempre as pausas no dia são suficientes para ter tempo para escrever, ler, comentar.


No Sábado passado, como tinha dito, aproveitei para cuidar destas pernas e destes pés. Depois do treino de 22km, leia-se.

Comecei pelas pernas, em que aproveitei para falar das bolhas. Fui ao Filipitsch. As pernas estão bem e recomendam-se. A contraturas na coxa direita continua por cá, a precisar de mais alongamentos e mais rolo, e uma última massagem antes do dia M. Tive direito a ouvir "Precisamos de mais mulheres de fibra, que se atrevam a fazer as grandes distâncias, que não são só para os homens". Obrigada. E é verdade. 

Quando lhe mostrei os meus pés, também tive direito a ouvir "Há muito tempo que não via uns pés neste estado". Obrigada, também. Entre as dicas diversas, surgiu a ideia de começar a pôr fita kinesio nos pés, para tentar evitar as bolhas, e abusar do Betadine para as secar. O Biafine também pode ser uma boa opção, para a cicatrização. Outra sugestão: fazer exercícios para a fáscia plantar. Todo e qualquer reforço do pé e seus componentes, pode ajudar a que ele se porte melhor e faça menos bolhas. Também falámos noutro tema relevante: as meias. Tentem encontrar boas meias de corrida em tamanho de princesa, e percebem mais uma razão do meu drama.

Saí de lá e passei na Decathlon e no El Corte Inglés, onde comprei dois pares de meias em cada um dos sítios. Estamos em testes, mas não acredito em milagres. 

À noite, podologista. Andava com muitas dúvidas sobre ir ou não a um podologista. Mas, em mais um acto de desespero. Fui. E, quanto mais não seja, serviu para ficar descansada porque já fui. Mas não serviu de muito. 

Resumidamente, mal a conversa começou, tentou impingir-me umas palmilhas. Sem ver os pés, sem ouvir quase nada. Bastou eu dizer que fazia bolhas a correr, e surgiram logo as palmilhas na conversa. Como, entretanto, percebeu que as palmilhas já não vinham a tempo da Maratona, lá falámos em outras soluções. Mas, até nisso, não adiantou muito. 

Estou a fazer tudo bem (estrelinha para mim!). O Nok é uma excelente escolha, e o Bepanthene também (ainda que me tenha sugerido também a pasta de lassar). A única coisa que posso melhorar, é ser mais sistemática no rebentamento de bolhas e na utilização do Betadine para as secar. Confesso que sempre fui mais apologista de deixá-las em auto-gestão, mas vou começar a ter mais cuidado com isso.

No meio disto tudo, a ida ao podologista não foi exactamente útil, mas foi bom saber que tenho estado a fazer as coisas certas. E foram ainda melhores as dicas que trouxe do Filipitsch. Agora é aplicá-las nesta recta final. 

Faltam 3 semanas menos um dia. 


sexta-feira, 22 de março de 2019

Dos sítios onde eu vou... - VII

Andei a semana toda que passou a querer vir escrever sobre o meu fim-de-semana. Passou-se a semana, passou-se mais um fim-de-semana, passou-se praticamente mais uma semana inteira, e eu sem escrever.


Agora tenho dois fins-de-semana sobre os quais escrever. Porque quero escrever sobre eles. Porque foram bons. Muito bons. E eu quero deixá-los registados para memória futura.

No fim-de-semana anterior, fiz um treino semi-longo no sábado de manhã (já referido), e à noite, mesmo cheia de dores nos pés em cada passo que dava, fui ao teatro e jantar fora.

E precisamos de falar sobre a minha ida ao teatro. 

Eu já não ia ao teatro há demasiado tempo. Depois de alguns anos em que o teatro fez parte da minha vida, eu tornei-me muito esquisitinha e agora só entro numa sala de espectáculos se souber que vale a pena. E no Sábado valeu a pena. Valeu muito a pena!

Claro que era, à partida, uma aposta segura. Era (mais) uma peça do Tiago Rodrigues. Eu não tenho nenhuma paixão platónica pelo Tiago Rodrigues. Juro. Já tive dois Tiagos na minha vida, e os dois eram Rodrigues. Já chega de Tiagos Rodrigues. Mas não chega de peças deste Tiago Rodrigues. E desconfio que não vai chegar nunca.

Um outro Fim para a Menina Júlia ©Filipe Ferreira 2019

Fui então assistir a "Um outro fim para a Menina Júlia". E gostei tanto! A peça pega no clássico do Strindberg e conta a mesma história com um final diferente. Um final em que a Menina Júlia não se suicida e em que a sua vida se desenrola da forma que o Tiago Rodrigues imaginou que se teria desenrolado. Assim, à partida, pode não parecer nada de extraordinário. Pegar numa história e reescrevê-la à sua maneira não tem nada de mais. O Correio da Manhã faz isso todos os dias. Mas o Tiago Rodrigues não fez apenas isso. Como sempre, fez algo incrivelmente bem feito, que nos surpreende, que nos prende, que nos envolve e nos transporta para aquela história.

A meio da peça, dei comigo a pensar no privilégio que é poder assistir a teatro. Sobretudo, numa sala tão pequena como a Sala Estúdio do Dona Maria. Estava na segunda fila e tinha os actores a poucos metros de mim. Numa era em que passamos todos horas colados na Netflix, a beleza e a magistralidade do teatro e dos actores que estão ali, em palco, a representar para nós ao vivo e a cores, torna-se ainda mais avassaladora.

Gostei muito da peça e tenho a certeza de que, com outros actores, seria ainda melhor. Mas, até nisso, o Tiago Rodrigues é especial. Fez esta peça com "a prata da casa" e com dois estagiários. Com o Tiago Rodrigues o Dona Maria deixou de ter só grandes produções para grandes vedetas (melhores ou piores actores), e passou a ter também peças igualmente boas (ou melhores, até), em que os actores residentes do teatro (melhores ou piores actores) não ficam apenas remetidos aos papéis secundários e de menor importância. E é, também, por isso, que o Tiago Rodrigues é o melhor director artístico dos nossos tempos. 

Eu sei que já é um bocadinho em cima da hora mas têm até Domingo para ir ver. Acreditem que não se vão arrepender. Com sorte, ainda bebem um copo de vinho e comem um bocado de presunto.

Update: devido ao sucesso da peça, certamente graças a este post, a peça vai estar em cena novamente de 3 de Abril a 23 de Maio. Acreditem, vale a pena. 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Das minhas compras...

Andava há meses e meses para vir aqui escrever sobre uma compra que fiz e que recomendo, e, depois da Meia de Cascais, achei que não podia adiar mais.

Entre as muitas coisas que me passaram pela cabeça ao longo da Meia Maratona de Cascais, houve uma que sobressaiu: será que devido a esta moda da corrida e ao aumento tremendo do número de pessoas que correm, não vamos ter daqui a uns anos um aumento do número de cancros da pele? Sim, eu pensei sobre isto durante a prova. Uma pessoa precisa de se distrair e perde um pouco o controlo sobre o que o cérebro entende como tema relevante do momento.

Talvez isto não seja um problema para pessoas muito rápidas mas a verdade é que facilmente passamos umas horas ao sol em dias de prova e, desconfio, a maioria de nós não se protege devidamente. Se em dias de Inverno isto pode parecer pouco relevante (sublinho o parecer), mal o calor começa a apertar, isto pode ser um problema sério.

Quem nunca apanhou um escaldão a correr?... Pensem nisto da próxima vez que forem correr e ponham protector solar. Não custa nada e é fundamental!

Para mim, esta sempre foi uma preocupação. Depois de alguns disparates na adolescência, há já muitos anos que comecei a ser a modos que meio paranóica com a protecção solar da minha pele. Apesar de ser tendencialmente morena, tenho imensos sinais e gosto de protegê-los. E isto não se aplica apenas nos períodos de férias e de praia! 

Eu uso todos os dias protecção solar na pele do rosto. Dependendo do produto que esteja a usar, pode variar entre os factores 30 e 50, mas uso sempre.

E não me fazia sentido não usar a correr!

Nos primeiros tempos, usava o protector solar habitual das férias, que no rosto era sempre 50 e no corpo 30. No corpo não havia grande problema, mas no rosto a coisa não estava a resultar porque este tipo de produtos têm tendência a ser mais oleosos, mais peganhentos, com mais brilho, etc. Uma pessoa vai para uma corrida, quer ter fotos espectaculares, e depois está com tanto brilho na pele que ofusca o fotógrafo? Não podia ser.

A solução milagrosa veio da Bioderma! Comprei o Verão passado o Photoderm NUDE Touch, que é uma espécie de mix entre protector solar e BB cream, com acabamento mate e... Factor de protecção solar 50! 

Pele perfeita protetor solar com cor: natural SPF 50+

Tem sido o meu melhor amigo, desde então. Tanto o uso ao fim-de-semana, quando quero um look mais natural, como uso para os treinos e corridas, como usei nas férias em Cuba. A cor que eu comprei foi mesmo a natural e tem muito pouca cobertura, pelo que não parecemos maquilhadas. Aplica-se bem na pele, tem um acabamento super suave, deixa zero brilhos na pele, melhora ligeiramente o aspecto da mesma, e funciona lindamente!

Este post não foi patrocinado (mas podia!), mas não podia deixar de o escrever. Por um lado, para alertar para a importância de cuidarmos da nossa pele e nos protegermos quando fazemos desporto ao ar livre, e por outro, porque fiquei mesmo feliz com este produto e achei que podia interessar a alguém que procure o mesmo tipo de solução.

Para quem vai fazer a Meia de Domingo: boa prova e ponham protector!

domingo, 3 de março de 2019

Da Meia Maratona de Cascais...

Hoje foi dia de mais uma Meia Maratona de Cascais. O ano passado, fiz uma prova relativamente feliz, com o meu 2º melhor tempo numa meia, e muito bem acompanhada.

Este ano, as expectativas eram muito diferentes. Sabia que era impossível fazer um ritmo sequer parecido com o que tinha feito o ano passado (média de 6'20/km). Sabia que não tinho treinado o suficiente, fruto de uma sequência de maleitas consecutivas. Sabia que, ao contrário do ano passado, em que já tinha feito o Fim da Europa e o Peninha, ia para esta prova com um treino de 14km como o mais longo dos últimos tempos (os 22km do Columbus Trail não contavam para estas estatísticas...).

Também ia com um espírito muito particular: ia em modo de treino, com a companhia da equipa, e com a Fabiana, minha companheira de treinos rumo aos ovos moles.


Tínhamos falado em começar os primeiros quilómetros a 6'45/km, mas é fácil deixarmo-nos levar pelo entusiasmo inicial da prova... Na verdade, tivemos muita dificuldade em abrandar e estabilizar, porque com tanto sobe e desce, uma pessoa (ou esta pessoa!), não consegue manter sempre o mesmo ritmo. 


Íamos relativamente bem, mas a partir de certa altura, a Fabiana começou com dores num joelho (ela há-de escrever o relato dela, por isso, não me vou alongar com dores que não são minhas), e começámos a abrandar. O calor também começava a fazer-se sentir, na estrada mais descoberta em direcção ao Guincho. Acho que comecei a tornar-me chata, a dizer-lhe para beber água, a perguntar-lhe como estava, a tentar motivá-la mas sem saber como que isto de uma pessoa continuar a correr com dores é uma decisão muito pessoal e muito arriscada. O que é certo é que, a meio dos 9 quilómetros, a Fabiana mandou-me embora. Não foi uma decisão fácil para mim. Queria fazer a prova com ela, mas já tínhamos falado muito racionalmente sobre isto, antes da prova, e sabíamos que não podíamos deixar que o querermos ir juntas, prejudicasse a prova de uma ou de outra. E era o que estava a acontecer. E lá fui eu à minha vida!


Acelerei um bocadinho, mas sabia que ainda me faltava quase meia prova, estava muito calor, e não quis exagerar. As dores nos pés começaram. Quando ia nos 13km, comecei a questionar-me. Foi mais ou menos nesta altura que passámos num abastecimento que tinha laranjas e eu decidi pegar em dois bocados, numa garrafa de água, e encostar. Caminhei durante cerca de 100 metros, em que aproveitei para respirar fundo, comer as laranjas sem me engasgar e tomar o segundo gel, bebendo alguma água e usando a restante para me refrescar. A estrada para o Guincho é linda, mas é um sufoco quando está muito calor e não há praticamente vento (o que até é bom, eu sei!). Depois destes 100 metros, voltei a correr, mas muito lentamente. Lá fui buscar forças não sei bem onde para lutar contra as dores nos pés, cada vez piores, e comecei a fazer contas aos quilómetros que me faltavam, e a traduzir isso em minutos, para me tentar convencer de que já não faltava muito.


Consegui ir sempre a acelerar a partir do quilómetro 18, mesmo com subidas. Como? Pensando que tinha de fazer o esforço final, que só queria acabar com aquele sofrimento, que só queria acabar de correr e tirar os ténis. Cada um vai buscar a motivação onde quer, e isto, para mim, funcionou.

Mais uma vez, foi uma sensação incrível cortar aquela meta, porque sei que a minha forma não está brilhante, porque tive muitas dúvidas ao longo do percurso, e porque as dores eram muitas. Mas consegui!

Fiz mais 7 minutos do que no ano passado. É uma miséria, eu sei. Mas, sinceramente, com o que eu (não) tenho treinado, achei que podia ser pior.

Cheguei a casa com os meus pés no pior estado de sempre. As bolhas são inacreditáveis e em sítios novos, onde não era costume fazê-las. Não sei mais o que fazer, mas vou em busca de ajuda especializada.

Agora é descansar... Mas pouco, que para a semana há mais!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Do dia dos Namorados...

Nunca liguei muito ao Dia dos Namorados. Pelo menos, que me lembre. Sempre achei que era mais uma moda americana a incitar ao consumismo. Mas também nunca o reneguei ou desprezei. Temos convivido pacificamente, em paz e respeito mútuo.

Já houve no meu passado quem achasse que era boa ideia ir jantar fora no Dia dos Namorados. Não é. Nunca foi. E à segunda tentativa, eu jurei para nunca mais. 

Também já houve no meu passado quem pusesse fim ao que quer que seja que tínhamos, entre outros motivos, porque eu não quis comemorar o Dia dos Namorados a preceito. Almoçarmos juntos e passarmos a tarde no sofá pareceu-me um excelente programa. Pois que não.

No dia de hoje, o programa do Dia dos Namorados vai incluir um fantástico e muito romântico treino a dois, comigo a tentar lutar contra a otite e a tosse que teima em não desaparecer, e com ele a tentar lutar contra o tédio de correr em ritmo de tartaruga. E vai incluir uma tigela de sopa para jantar. E talvez umas tostas com o resto do queijo que trouxemos dos Açores. Na loucura, abrimos uma garrafa de vinho e bebemos um copo ou dois. E está tudo bem.

Como não sou completamente insensível, esta manhã enfiei uns chocolates em forma de coração na mochila do trabalho dele. Talvez ele me traga um ovo Kinder. Ou um Kit Kat cor de rosa, que não sabe assim tão bem mas de que eu gosto só por ser cor de rosa. Ou então não me traz mesmo nada porque, ele sim, é o verdadeiro insensível. E está tudo bem.

Feliz Dia dos Namorados! Ou feliz quinta-feira, se preferirem! 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Dos Trilhos de Lousa...

Foi há uma semana que fiz os Trilhos de Lousa, no meu regresso às provas de trail, depois de mais tempo do que seria razoável ou do que eu gostaria...

A escolha desta prova foi uma escolha muito prática: era perto de casa, tinha uma distância curta simpática (12km), a prova não era cara (e o valor podia ser usado em compras da Prozis) e não chocava muito com o plano de treinos.

A organização não foi brilhante, lamentavelmente. A começar pelo levantamento dos dorsais, seguindo-se a hora de início da prova, passando pelos abastecimentos, e acabando na escassez do abastecimento final... Mas valeu a pena!

Chegámos em cima da hora (é o que dá ser tão perto de casa), levantámos os dorsais e eis que me deparo com isto...


É verdade... Tive de fazer o trail com um dorsal a dizer... Lontra! Para a próxima, trato eu das inscrições, está visto.

O início do trail longo foi às 10h, mas o trail curto, que no regulamento estava marcado também para as 10h, tinha sido adiado para as 10h30. Perante algumas reclamações, acabaram por começar às 10h20. Por um lado, foi bom, mas por outro houve alguma falta de informação oficial e coordenação, para que as pessoas se pudessem organizar... 


Lá começou a prova, sempre a subir, e lá fui eu. As pernas não respondiam, não queriam correr, já não se lembravam bem do que aquilo era e recusavam-se a fazer os movimentos que eu queria que elas fizessem... Mas lá fui.

Acabei por ficar mais para trás, no grupo dos mais lentos, o que se veio a revelar um pequeno problema...


Comecei a apanhar trânsito. Muito trânsito. Trânsito compacto e parado... 


Eu não sou pessoa de correr propriamente depressa (não sei se já tinham reparado), mas até eu comecei a desesperar com a lentidão a que estávamos a progredir. Ou a não progredir, dado o tempo que estávamos parados. 

As subidas não eram fáceis, eu sei. Para mini-pessoas como eu, menos ainda. E as descidas também tinham algumas dificuldades, eu sei. Mas estava a desesperar e em conversa com outros atletas fiquei a saber que o ano passado, nesta subida (fotos acima e abaixo), demoraram quase uma hora. Este ano não sei ao certo, mas talvez meia hora, pelo que até nem foi assim tão mau... Mas foi um exagero, até para mim!...


Quando vimos a meteorologia para esta prova, não estava prevista chuva. E eu estava muito contente com esse facto, porque me apetecia tudo menos chuva e lama, no meu regresso ao trail. Ainda assim, enfiei na mochila um corta-vento, just in case, porque queria ir de manga curta, e podia ter frio ou sentir falta de mais qualquer coisa. Pois que depois da subida infinita começámos a descer, o céu ficou mais escuro, e começaram a cair as primeiras pingas. E depois os primeiros pingos gordos, e depois mais e mais chuva. Estávamos ao quilómetro 5, mais ou menos, e com mais de uma hora de prova, quando eu pensei desistir. A prova estava a ser mais dura do que eu esperava e a chuva não estava a ajudar. Nesta fase, passei junto a um carro da organização, em que estava outra atleta a desistir e a dizer que não estava preparada para algo assim. Eu também não. Eu também não. Só pensava que se aquilo estava a ser assim até ali, com a chuva a sério que tinha começado entretanto, só ia piorar. Hesitei. Mas limitei-me a pousar a mochila no chão, vestir o corta-vento e seguir viagem. Esperavam-me umas descidas simpáticas, já bem enlameadas e perfeitas para cair. 

Enquanto descia só pensava no disparate que tinha sido levar aquele corta-vento. Aquele corta-vento tinha sido comprado no longínquo ano de 2016, para a famigerada Meia dos Descobrimentos, que quem fez nunca esquecerá, tal foi o dilúvio durante a prova. Eu, que corria há relativamente pouco tempo (foi a minha 2ª ou 3ª meia, já nem sei), fui em cima da hora à Decathlon comprar o corta-vento/impermeável mais barato que eles lá tinham, numa fase em que me recusava a gastar muito dinheiro em material de corrida, porque achava que era uma moda que a qualquer momento me ia passar (ainda hoje acho, na verdade, que isto de eu correr e gostar ainda é coisa que está por explicar...). E foi um disparate levá-lo porque ele é, de facto, muito fraquinho, e eu tinha recebido na véspera o novo que encomendei e que é bem melhor, mas que achei sensato não levar para estrear em prova. E não ia chover, lembram-se?... Pois que choveu, e muito. E eu tinha frio e estava desconfortável e só rogava pragas a mim mesma, pelas minhas decisões pouco inteligentes.

Ao mesmo tempo, perguntava-me por que raio é que eu sou capaz de gastar umas dezenas de euros num impermeável para correr, e não sou capaz de fazer o mesmo para comprar um sobretudo para usar todos os dias... Isto da corrida afecta-nos o cérebro, não é verdade? É que eu olho para o meu calçado e para os meus ténis e passa-se o mesmo. Alguém me explica?...

Bom, talvez seja hora de voltarmos ao trail... 

Lá vesti o corta-vento pouco impermeável, consegui não cair na lama, consegui ter os pés só mais ou menos ensopados, e lá fui eu.


Aqui já com sol, em modo Teletubby cor-de-rosa pela serra fora. Curiosamente, ia a sentir-me relativamente bem. O princípio da prova foi mesmo o mais duro, mas depois a coisa melhorou.


Encontrei esta foto por acaso, de uma participante que ia atrás de mim e a partilhou no evento da prova no Facebook. Tivemos de atravessar este mini-riacho e consegui não molhar os pés. Kudos para mim!

Do outro lado estava o abastecimento. E temos de falar sobre o abastecimento.

O abastecimento estava previsto, em regulamento, aos 8km. Eu sei que estas coisas são flexíveis. Sobretudo, em trail. Eu sei. A sério que sei. Mas fazê-lo só aos 9,3km? Ninguém merece!... Numa prova de 12km, pôr o único abastecimento aos 9,3km, é pouco equilibrado, parece-me... Mas... Isso nem foi o pior. E também não me chocou o facto de o abastecimento só ter água e isotónico. Nunca tinha visto nada assim, confesso, que a malta do trail gosta de comer. Mas tudo bem. Já tinham dito que seria só de líquidos, era só de líquidos. O que me chocou, mesmo mesmo, e que vai dar direito a um email para a organização, foi estarem a servir a água aos participantes em garrafas de um litro e meio de água. Talvez seja mania minha, talvez seja ilusão minha, mas na minha cabeça eu gosto de acreditar que a malta do trail tem uma maior consciência ecológica. Não sei. Talvez por andarmos no meio dos trilhos, no meio da natureza, no meio de serras, talvez por estarmos mais próximo da natureza, eu gosto de acreditar que também tomamos mais conta dela. Mas parece que não. Parece que alguém achou razoável gastar dezenas de garrafas de água para dar abastecimento a quem estava a correr. Também nunca tinha visto nada assim. E não gostei.


A prova seguiu-se, com um percurso interessante, com alguma dificuldade, com muito sobe e desce, com muita lama, com paisagens incríveis. Conseguiram fazer uma prova gira, aqui tão perto de Lisboa, e isso é de louvar!

Aqui já ia mais isolada, consegui soltar-me mais nas descidas, fazer as subidas num ritmo menos lento, e aproveitar os singletracks mais apertados como eu gosto (sozinha, só eu no meio da floresta de verde a envolver-me).


A prova acabou por ter quase 13,5km e o último quilómetro era sempre a descer, e aí aproveitei para me soltar e para me lembrar por que razão gosto tanto de trail. Cortei a meta com medo de ouvir chamarem-me Lontra (mas, vá lá, estavam a ver os nomes no computador e disseram o meu nome verdadeiro...), cheia de lama e com as pernas a escorrerem sangue, mas a sentir-me bem. Mesmo bem.

Fico sempre espantada com o mar de emoções que atravesso durante uma prova, sobretudo, de trail. Tenho momentos de desespero, momentos em que acho que não vou aguentar mais as dores (entre os gémeos a doer a subir, e as coxas a doer a descer, venha o diabo e escolha...), momentos em que me pergunto o que estou ali a fazer, momentos em que sinto uma sensação de liberdade incrível, momentos em que paro para contemplar as vistas à minha volta, momentos em que me sinto imparável. Felizmente, regra geral, a sensação no fim é sempre a mesma: sinto-me feliz e orgulhosa por mais um desafio superado.

Sei que para a semana vou sofrer, sei que ir fazer o que vou fazer é assim a modos que um meio disparate, sei que me vai custar, mas espero cortar aquela meta com a mesma sensação que senti a semana passada e que senti hoje depois do meu primeiro treino de 12km em estrada depois de muitos, muitos meses. Se conseguir chegar ao fim assim e sem me magoar, está o objectivo cumprido!

Perdoai o testamento, mas a pessoa agora escreve tão pouco, que quando escreve tem necessidade de escoar o stock de palavras acumuladas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Das fotografias que dão alegria... - Day 9


A fotografia é de ontem. Mas não faz mal. Também não está grande coisa. Mas não faz mal. Talvez já tenha dado para perceber, mas estou a tentar publicar uma fotografia por dia, neste ano de 2019. Já fiz isso em outros anos, de forma mais ou menos consistente. Este ano já falhei um dia. Mas não faz mal. Já falhei em tanta coisa na minha vida, que não é isto que faz grande diferença.

Apresento-vos os meus novos companheiros de treino. Diz que são uns Adidas Ultra Boost. Diz que são muito bons. Eu não sei, que eu não percebo nada disso e nunca usei Adidas.

Desde que descobri que sou pronadora, e depois de ter feito a Maratona com os Vomero mais lindos, tenho andado fiel aos GT-2000, pagando caro toda e qualquer traição.

Mas eu sabia que, por muito boa vontade que eles tenham, os GT-2000 não iam aguentar sozinhos o desafio que este ano me apresenta. Assim, já andava em busca de um segundo par para pronadores há algum tempo.

E eis que descubro estas pequenas pérolas, no Freeport, um par perdido no meu número de Hobbit e ao maravilhoso preço de 45€.

Estivemos no limiar da crise conjugal, porque alguém ficou roído de inveja porque os mesmos ténis no número dele custavam uma pequena fortuna... Confesso que fui coagida a comprar estes ténis e quase, quase obrigada a comprar também outros que lá estavam pelo mesmo preço, também os únicos resistentes no meu número (eram uns Supernova e eu achei que não valia a pena).

Ainda não tenho muito a dizer sobre eles, dado que só os estreei ontem e fizeram o que todos os ténis novos fazem nos meus pés: deixam-me os pés a arder e com dores na planta do pé. Será uma questão de tempo, certamente.

Posso dizer que os achei muito leves e ao melhor estilo pantufa. Mas a minha falta de experiência e a minha ignorância não me permitem tecer grandes considerações técnicas, a dizer que sinto que são umas molas e que me fazem voar e tudo e tudo e tudo. 

Ah! E fiquei com bolhas, apesar de ter sido apenas um treino de 6km... Nada de novo, por sinal. Mas acho piada olhar para eles e ver aquele exagero ali de Boost para corrigir a passada pronadora. Acho piada e acho assustador. Quem me manda não saber correr como deve de ser?!.. 

Hoje vou dar-lhes nova oportunidade e logo veremos.

Acima de tudo, fica a dica: explorem os outlets. É uma questão de sorte, tempo e paciência, mas, de vez em quando, há lá alguns tesouros escondidos com preços incríveis. Isso e terem pés de princesa. Também ajuda. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Do meu 2018...

Agridoce.

O meu 2018 foi agridoce. Já muito procurei, mas não encontro palavra melhor para o descrever. Teve tanto de bom como de mau. Bom e mau nem seriam as melhores palavras. Mas também aqui não encontro palavras melhores.

O meu 2018 começou, literalmente, com a decisão de vivermos juntos, pouco antes de adormecermos na primeira noite do ano. Peguei em mim, no Snow e em toda a minha bagagem e, no início de Fevereiro, mudei-me para casa dele. Numa decisão difícil, de quem já mudou de casa demasiadas vezes, de quem já sofreu demasiado, de quem morre de medo de voltar a passar pelo mesmo outra vez. Mas na decisão mais acertada do ano, num início de vida feliz e sereno.

Pouco tempo depois, ele mudou de emprego. A nossa rotina alterou-se. E eu ainda sinto falta dos banhos e dos pequenos-almoços em conjunto. Ainda não nos habituámos a essa nova rotina. Mas não faz mal. Porque em 2019 tudo vai mudar outra vez.

Passei os primeiros meses do ano a treinar para a minha primeira Maratona. Fiz provas incríveis. Sofri, tive dúvidas e quis desistir. Voltei a acreditar, voltei a ter dúvidas, numa montanha-russa imparável, num percurso de altos e baixos.

A 16 de Abril a minha mãe morreu. No dia do funeral dela, a minha avó-emprestada teve um AVC. O prognóstico era o pior possível.

No dia 21 de Abril, depois de muitas dúvidas e incertezas, entrei num avião em direcção a Madrid, sabendo que podia ter de voltar a qualquer momento. No dia 22 de Abril fiz a minha primeira Maratona, ainda não sei como, e num tempo muito melhor do que eu, ou qualquer pessoa à minha volta, poderia imaginar. Foi um momento inesquecível. Foram muitos momentos. Muitas memórias. Que eu não cheguei a gozar verdadeiramente por tudo o que aconteceu nos dias que antecederam a prova. Mas fiquei mais uns dias por Madrid e quase consegui fingir que não se passava nada.

A 28 de Abril a minha avó-emprestada morreu. Não, não fica mais fácil por serem dois funerais em tão poucos dias. Vi a família desmoronar-se. Vi a incredulidade perante algo que nenhum de nós esperava. Levei uma chapada da vida, apenas e só para me lembrar que nada é garantido. Que hoje estamos aqui, e amanhã deixamos de estar.

Os dias sucederam-se indistintos. Passei muito tempo a chorar só porque sim. Passei muito tempo a tentar perceber, a culpar-me, a perdoar-me. Ainda me culpo. Ainda não me perdoei. Ainda choro só porque sim.

Em Junho fomos ao Porto. A nossa cidade. E fomos a Londres. Levei-o a conhecer Londres e voltei a apaixonar-me por Londres. Como sempre que lá volto.

Desde o início do ano que sabia que era provável que tivesse de ser operada. Sabia, até, que não era garantido que pudesse fazer a Maratona. Mas continuei a treinar para ela. E o nosso SNS funciona tão bem, que as coisas se atrasaram e eu só fui operada em Agosto. Apesar de ter corrido tudo bem, a recuperação foi mais dura e lenta do que eu esperava ou gostaria. Ainda tenho dores e não sei lidar com isso.

Em Agosto também ganhei uma Avó. E ainda não me habituei a isso.

Aos poucos, voltei a correr. Mais devagar do que queria. Sem forças, sem ânimo, com dores, a tentar encontrar forças e motivação sem saber onde.

Em Novembro, fizemos a maior viagem da minha vida. Nova Iorque e Cuba. Duas semanas absolutamente inesquecíveis que me mostraram o que de melhor e pior o ser humano é capaz.

Em Dezembro, regressei às corridas a sério. Inscrevi-me na Maratona da Europa. Organizei o Natal cá em casa e fiquei com vontade de não fazer Natal no próximo ano. Fiz as minhas duas São Silvestre de eleição e fiquei com pena de não ter feito a da Amadora.

Acabei o ano sem saber como me sinto em relação a 2018. Vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha vida. Pela positiva. E pela negativa. Podia dizer que foi um ano negro. Mas como dizer que foi um ano negro, o ano em que começámos a nossa vida a dois e o ano em que me superei, como nunca antes o fizera? Sim, 2018 foi um ano difícil, desafiante, inesquecível, que me pôs à prova em muitos níveis diferentes, que me fez crescer, que me fez ver que tenho pessoas incríveis à minha volta, que me fez perceber que eu aguento muito mais do que imaginava, que no meio de tudo eu tenho sorte.

Definitivamente, 2018 foi um ano agridoce.

E se para 2018 a única coisa que eu pedi foi saúde, para mim e para os meus, esse pedido foi recusado. Assim, para 2019 eu não peço nada. Eu limito-me a aceitar o que a vida tiver para me dar, assumindo o compromisso de lutar para que a vida me dê o mais possível. Na verdade, não há mais nada que eu possa fazer senão isso: aceitar. O que for para vir, que venha.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Do meu regresso ao ginásio...

Depois do regresso às corridas, temos o regresso ao ginásio. Talvez tenha sido a constatação do meu novo estatuto de F35, e a cada vez mais clara percepção de que já não vou para nova, mas o certo é que me deu para isto esta semana. 

E se voltar ao ginásio foi uma decisão inteligente, ter escolhido uma aula de Bodybalance para marcar esse mesmo regresso, foi menos inteligente. Mas achei que devia começar por uma aula mais calma, que não puxasse muito pelos abdominais (nem por nada, já agora). 

E já não me lembrava por que motivo nunca ia a Bodybalance. Ontem, no meio do vigésimo quinto bocejo, lembrei-me.

Aquilo não é para mim. Lamento. Admiro e respeito quem gosta. Mas não é para mim.

Eu não consigo estar ali quase uma hora a empurrar bolas imaginárias no vazio, a ouvir o meu respirar, a tentar equilibrar-me numa perna enquanto a outra se estica toda e tenta apanhar a estrela cadente que passa no tecto. Não dá. 

O problema sou eu, não és tu, Bodybalance.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...