Mostrar mensagens com a etiqueta Citações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Citações. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Das citações...


Ter a coragem. Ir buscar forças onde não as tenho. Impedir que o terror das horas futuras me paralise. Adivinhar sentido onde menos se encontra. Substituir o medo pelo que quer que seja. Ou menos que isso: o simples exercício na ocupação do tempo, a indispensável disciplina. Escrever só para mim. Esquecer os outros. Deitar fora a exaltação estética. Ao escrever-me, faço-me com o que não sou. E o que se vai escrevendo pode ser lido por todos porque não é lido por ninguém. Escrever só para mim e para Deus, se ainda tiver sentido. Não esquecer: um único pode valer mais do que uma multidão.

A ansiedade é uma corda à volta da garganta. Impede-me os movimentos, prende-me os pensamentos, entrega-me ao abandono. O dia fere. Só a noite, com a sua misericórdia, me traz algum alívio. A indistinção das coisas faz com que a minha alma aceite ser também indistinta. 

Por nós não viveríamos. Não valeria a pena. Vivemos por causa dos outros. A própria vida foi-nos oferecida. A própria vida oferecemos. 


Pedro Paixão, in Quase que gosto da vida que tenho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Da forma como os outros no vêem...

O Daily Mail publicou um artigo sobre Lisboa.

Dizem que a cidade é linda, maravilhosa, dada ao romantismo, boa gente, boa comida. Dizem também, e atentem bem nesta pérola que só podia vir de ingleses:

The locals are so laid-back, in fact, that it's a wonder Portugal 
ever managed to get an empire together.


E é isto.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dos textos a propósito da vida...

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade


Lembrem-se disto da próxima vez que usarem a palavra urgência. Porque urgente é tudo isto.  Não é urgente o trabalho. Não é urgente o dinheiro. Urgente é viver. Urgente é ser feliz. Isso sim, é urgente.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Porquê Agridoce?

O amor é agridoce.

Suficientemente agre para não poder dizer que é doce. Suficientemente doce para querer continuar a prová-lo, a pretexto de, um dia, conseguir dizer o que é.

A palavra agridoce resolve o problema como um analgésico resolve a gripe: esconde os sintomas. Agridoce quer definir a indefinição.

E nem sequer há um traço a separar o agre do doce, para avisar que se tratam de duas coisas opostas.

Em vez disso, junta-as discreta e irresponsavelmente, o fiozinho vermelho e o fiozinho preto…

O resultado varia com as pessoas: há quem apenas queime um fusível e resolva o problema substituindo-o por outro. Há quem queime a instalação toda e tenha que deitar a casa abaixo para a reparar. E, claro, há quem não tenha tensão suficiente para faiscar, sequer.

Enfim, o amor é um grandessíssimo curto-circuito.


(do álbum "Do Amor Y Outros Demónios", da banda com o mesmo nome)


É por isto. Um dia talvez, só talvez, deixe aqui a explicação alargada. Hoje, não me apetece voltar ao passado.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um dia, uma senhora em estado de viúva recente, não encontrando outra maneira de manifestar a nova felicidade que lhe inundava o ser, e se bem que com ligeira dor de saber que, não morrendo ela, nunca mais voltaria a ver o pranteado defunto, lembrou-se de pendurar para a rua, na sacada florida da sua casa de jantar, a bandeira nacional. Foi o que se costuma chamar meu dito, meu feito. Em menos de quarenta e oito horas o embandeiramentto alastrou a todo o país, as cores e os símbolos da bandeira tomaram conta da paisagem, com maior visibilidade nas cidades pela evidente razão de estarem mais beneficiadas de varandas e janelas que o campo. Era impossível resistir a um tal ferver patriótico (...).

José Saramago, "As Intermitências da Morte"

Não pude evitar lembrar-me do Euro 2004 e da quantidade de bandeiras que foram colocadas em milhares e milhares de janelas, por este país fora. Somos um país tolinho e pequenino mas, pelo menos, temos alguma coisa que nos une: a Selecção de Futebol.

Os devaneios Agridoces mais lidos nos últimos tempos...