quarta-feira, 24 de maio de 2017

Das coisas boas...



Passei anos sem ir ao Porto. Na verdade, com muita vergonha, eu não conhecia o Porto até há uns meses atrás. Fui lá em Fevereiro, por ocasião do meu aniversário, apesar de ainda não ter posto aqui as fotos. Mas fui e deixo esta para amostra. 

Agora consta que em Junho volto lá. Não uma, mas duas vezes.

Não há fome que não dê em fartura.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Das Corridas... - XXI

O Estrela Grande Trail deixou-me a pensar em muitas e variadas coisas.

Entre outras coisas, deixou-me a pensar naquilo que eu quero da corrida e naquilo que eu quero fazer daqui para a frente.

E sim, deixou-me a questionar a maratona.

Um dia vou fazer uma maratona. É certo. Está na minha lista de coisas a fazer antes de morrer. Mas não tem de ser já. Não tem de ser este ano. Nem no próximo.

Fazer uma maratona é, para mim, uma coisa muito séria. Eu sei que virou moda, e que toda a gente fez, e que há um mediatismo enorme em torno da coisa, e que é giro e tal. Mas, para mim, é mesmo uma coisa muito séria.

Não quero fazer uma maratona para sofrer ao longo de 42km. Não preciso desse sofrimento na minha vida. Não que a minha vida seja plena de sofrimento, mas, convenhamos, o que tenho chega-me bem.

Quando fizer uma maratona, quero fazê-la a sentir-me bem. Quero que seja um momento feliz. Quero sentir-me preparada.

O que pode ser já em Novembro. Ou pode ser só em 2020.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Do Estrela Grande Trail... - III

O Estrela Grande Trail já foi. Foi um fim-de-semana muito cheio, muito intenso, muito cansativo.


Sexta-feira à noite cheguei às Penhas da Saúde e estavam 8º. Esta noite foi passada na Pousada da Juventude da Serra da Estrela. Acho que não dormia numa pousada da juventude há quase vinte anos, e não deixou de ter a sua piada. Claro que as pousadas já não são o que eram, e esta acabou por ser uma boa surpresa. Não fosse a barulheira a meio da noite de algum grupo mais animado, e o frio que passei, tinha sido uma excelente noite! Ou talvez não... Porque consegui ter dois pesadelos absolutamente sinistros (ambos com a prova).

Sábado acordei nervosa. Sabia que era a prova mais dura que alguma vez tinha feito. Arranjei-me depressa, tomei o pequeno-almoço (levei as minhas panquecas de casa!), e fizemo-nos à estrada. Achava eu que estava frio na véspera... Mas a caminho de Manteigas o carro marcava 6º! Não basta uma pessoa acordar antes das sete a um Sábado, e ainda tem de levar com estas temperaturas!...


Já em Manteigas, correria para levantar os dorsais, últimos preparativos para quem ia para os 49km, um pórtico de partida (e meta) giro que só ele, muitas estrelas por toda a parte, e às nove horas e uns minutos, deu-se a partida do Estrela Orion Belt.

Ainda tinha uma hora pela frente até à minha prova - Estrela Ursa Minor. E uma hora dá para muita coisa. Deu para ir ao carro pôr a tralha toda, confirmar que tinha tudo o que precisava na mochila e que não tinha nada que não precisasse (cada grama conta!), comer uns frutos secos e uma banana, ir (mais uma vez) à casa-de-banho, tirar umas fotos, e pensar bem na minha vida. O meu objectivo inicial era fazer menos de 3h, dada a dificuldade da prova. Depois, comecei a fazer contas, vi que afinal eram só 14km, e achei que devia ser mais ambiciosa. Baixei o objectivo para 2h30, sabendo que não seria fácil, porque teria de fazer os primeiros 8km (os mais difíceis), numa 1h30.


Os nervos eram muitos e os minutos antes do início da prova não foram fáceis. É bem mais fácil quando temos companhia e quando estou com gente conhecida à volta parece que o tempo passa mais depressa. Ainda deu para uma foto e, às dez, a prova começou.

Não vale a pena descrever cada quilómetro, que o texto já vai longo, mas acho que este gráfico explica muita coisa: 


O começo não foi mau: uma ligeira subida, depois 1km a descer, e depois foi começar a subir. A partir do terceiro quilómetro, foi praticamente sempre a subir até aos 8,6km, quando cheguei aos 1312m de altitude. Foram quase 600m em 5km. É muito. Eu sei que para quem não percebe nada disto, é chinês. Mas é muito, acreditem.

Pelo meio, tive o abastecimento, antes dos 7km, e perto do Poço do Inferno. O nome era apropriado ao que sentíamos. Tínhamos acabado uma subida horrível e ainda faltava outra pior. E o mau foi que abastecimento foi fraco. O que foi pena!... Uma pessoa habitua-se a trails cheios de comida, e depois estranha. A parte positiva foi que, já quando tinha começado a subida do demo, estava uma pessoa da organização que ia contando os participantes que me disse que eu era a número 50 da geral e a 16ª das mulheres. Ora, eu não fazia a mínima ideia se estava mais para trás ou para a frente até aí, e, confesso, fiquei agradavelmente surpreendida. Sabia que éramos cerca de 100 participantes e 50 mulheres, por isso, fiquei muito satisfeita com esta informação, porque tenho sempre a sensação que estou nos últimos! Isto deu-me algum ânimo, mas não me deu força nas pernas... 



A grande quebra de ritmo que há no gráfico foi quando, a meio dessa subida maravilhosa, eu achei que não aguentava mais. Parei a contemplar a vista, tirei esta foto, tomei um gel, e respirei fundo. Sabia que ainda faltava 1km a subir, com uma parede bem dura pelo meio, mas que depois seria a descer.

E lá fui eu. O que melhor descreveu a última e mais difícil subida? Escalada. Eu fiz escalada. Numa boa parte do percurso, eu ia de mãos no chão, só via rochas à minha volta, não havia um trilho, um percurso desenhado, nada. Eram só rochas e eu sabia que tinha de subir, mas muitas vezes não sabia bem por onde. Foi... Desafiante! 

E como tudo o que sobe, desce, seguiram-se 4km praticamente sempre a descer. Destes, fiz 3km completamente sozinha, depois de ter começado a ultrapassar e a deixar para trás as pessoas que até aí tinham seguido mais ou menos à minha volta. E correr sozinha é aquela coisa que desperta em mim sentimentos contraditórias: é uma sensação incrível estar ali, sozinha, a ouvir-me apenas a mim, aos passarinhos e à água a correr (há sempre água a correr naquela serra...), mas é igualmente assustador e houve uma altura em que me enganei mesmo no percurso (que podia estar mais bem assinalado). Já mesmo a entrar em Manteigas, vi ao longe dois participantes. Um deles, ainda passei. Mas... Eu disse que tinha feito a última subida, não foi? Pois. Só que não. A organização achou por bem que a meta estivesse no centro de Manteigas, pois claro, e, portanto, o último quilómetro foi feito a subir. Foram só 70m num quilómetro. O que é isso, depois de uma prova inteira?!... Pois. Foi quase tudo a caminhar, e só fiz mesmo o esforço final no corredor de acesso à meta. Não dava para mais.


Quando cheguei à meta estava, como tinha desejado, muito feliz e orgulhosa. Fiz 2h14m25s. Juro que nunca pensei fazer tão pouco!... Quando percebi que ia fazer abaixo de 2h30 já estava super feliz, mas quando percebi que estava aos 12,5km e ia em 2h04, percebi que podia caminhar no último quilómetro, porque ia fazer abaixo das 2h15. E foi muito, muito bom!


Acabei a prova a sentir-me bem. Mesmo bem. Mais uma vez, só tive pena de não ter com quem partilhar o feito, e foi meio solitário, o que é estranho. Mas sentia-me muito feliz e orgulhosa! Tinha conseguido e sentia-me bem! Ainda tirei mais umas fotos e, como não havia abastecimento no final (nunca tinha visto tal coisa...), fui até ao hotel (que para esta noite já era mesmo em Manteigas).


Ainda estive na varanda a esticar as pernas e a apanhar sol. Alonguei, tomei um grande banho e depois aterrei na cama, completamente de rastos e com umas quantas dores simpáticas.

Foi nesta altura que peguei no telemóvel e consultei as classificações. E fiquei ainda mais feliz e orgulhosa! Fiquei em 41º na geral (em 93), 11º das mulheres (em 50) e em 4º do meu escalão (em 22). Mais uma vez, era um trail em que era fácil isto acontecer (as cromas estavam todas nos trails mais longos) mas, caramba!, não deixo de ficar super contente com os resultados. Esforcei-me e isso traduziu-se numa boa classificação.

E isto dá-me um grande ânimo, dá-me motivação, e deixa-me muito feliz! Eu sei que andamos lá todos porque é giro, e porque o desporto faz bem, e que o que importa é participar... Mas duvido que haja alguém que não fique feliz quando consegue um bom resultado! E mesmo que eu tivesse ficado em 90º, se tivesse feito o tempo que fiz, ia ficar igualmente feliz, porque superei, em muito, o meu objectivo. E sempre que nos superamos, é impossível não ficar feliz!

E agora chega de testamento, vou descansar que a semana vai ser longa, e começar a pensar no próximo objectivo: Fogueiras. Bom, talvez haja mais uma ou duas pelo meio, mas o foco vai ser esse. Espero eu.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Das coisas que me fazem rir... - III

Hoje tive direito a um "toque" no telemóvel. Certamente, por lapso, também.

Eu mereço.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Da enésima tentativa de uma dieta... - III

Pois que não deu. Consegui livrar-me de um quilo mas o outro continua aqui alapado a mim e vai comigo subir serra acima. Vou lembrar-me disso quando as dores começarem e eu estiver a rogar pragas ao mundo em geral, e a uma pessoa em particular.

Talvez se eu não andasse tão descompensada. Talvez se eu não trabalhasse num sítio com eventos frequentes carregados de comida maravilhosa. Talvez se eu não gostasse tanto de comer. Talvez se eu não fosse eternamente lontra. Talvez.

Talvez um dia. Ou talvez não.

Enésima tentativa de uma dieta encerrada. Por ora.

Das coisas que ficam...

A incapacidade de fazer planos. O não ter a coragem para marcar uma viagem para daqui a três meses. Porque eu não sei o que vai acontecer nos próximos três meses. E a vida ensinou-me que em três meses, em dois meses, em apenas um mês, tudo muda.

E eu recuso-me a voltar a fazer planos, somente para voltar a vê-los serem cancelados.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Do Estrela Grande Trail... - II

Faltam 3 dias para o Estrela Grande Trail. Aliás, daqui a 3 dias a esta hora, espero já ter acabado. Espero. Não é garantido que consiga.

Já li e reli a lista de material obrigatório muitas e variadas vezes. Faltam-me o copo, a ligadura e as luvas. As luvas vou tentar pedir emprestadas, a ligadura estou a tentar perceber se tenho mesmo de levar, e o copo não sei se levo, mas hei-de decidir entretanto.

Já sei quanto tempo demoro de Lisboa ao sítio onde vou dormir Sexta. E já sei quanto tempo demoro desse sítio ao sítio onde se levantam os dorsais no Sábado. A minha prova só começa às dez, mas vou com alguém cuja prova começa às nove. Vou ter muito tempo sozinha para pensar na minha vida. E rogar pragas ao mundo, talvez.

Sei que não estou preparada. Hoje vou fazer o último treino (se não fossem as aulas, seria amanhã) e vamos ver como me sinto. Estou com medo. Muito medo.

E sim, eu sei que esta é uma prova das grandes. O Estrela Grande Trail é das provas mais relevantes no circuito nacional de trail, não só, mas também, porque inclui uma prova de 109km particularmente difícil. E é meio ridículo eu estar com tanto drama para quem vai fazer apenas 15km. Mas é o meu 4º trail. E vão ser 15km muito duros.


A primeira vez que me falaram nesta prova, e que eu olhei para esta imagem, achei que me parecia relativamente acessível. Sem grandes carrosséis. Uma boa parte a subir, uma boa parte a descer. Comparado com o Cork, parecia mais simples. Sem nada de mais. Passadas umas semanas, voltei a olhar para a imagem, olhando atentamente para a escala e para a legenda de lado. E assustei-me. Para quem não percebe nada de trail (eu!), isto realmente parecia simples. Não é. Não vai ser. Cada um com a sua escala, cada um com as suas dificuldades, e jamais ousaria comparar o meu esforço com quem vai fazer as provas grandes. Mas... Olhando para mim e para as minhas circunstâncias, sei que me vai custar. Sei que me vai doer.

Também sei que vou ver paisagens incríveis, também sei que o ambiente vai ser espectacular, também sei que, em correndo bem, vou chegar ao fim a sentir-me estupidamente feliz e orgulhosa de mim mesma. Em correndo mal, olhem, vão ter de me aturar!...

Vou continuar em modo contagem decrescente, a pensar nas refeições, nas panquecas que vou fazer para levar, no que vou vestir (temperaturas de loucos...), no que enfiar na mochila, ... Fico cansada só de pensar na logística da coisa. Dado que Quinta chego a casa à meia-noite, e Sexta saio de casa às sete e meia e já não volto, resta-me a noite de hoje para tratar de tudo (o possível, pelo menos). Já disse que quero ir treinar hoje? E que hoje só dormi seis horas? E que vou chegar à prova já cansada?...

Canso-me a mim própria com tanta queixa!... Perdoai!

Das coisas que me fazem rir... - II

Pois que a minha estratégia de ignorar não foi suficientemente clara. Ontem à noite, estava eu muito bem nas minhas aulas, e recebo uma notificação no telemóvel: novo pedido de conexão no LinkedIn.

Só dá mesmo para rir.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Das coisas que uma pessoa descobre...

A pessoa tem uma reserva num hostel algures na Costa Vicentina, para gozar duas noites na fantástica semana de Junho com feriados infinitos. A pessoa tinha feito a reserva pelo Booking. A pessoa pondera mudar o alojamento e vai ao Booking à procura de alternativas. A pessoa descobre o mesmo quarto, nas mesmas datas, no mesmo Booking, por menos 8€. A pessoa cancela a reserva inicial. A pessoa faz nova reserva. A pessoa poupa 8€.

Ser forreta dá trabalho, conclui a pessoa.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Das corridas... - XX

Pelo sim, pelo não, já tenho hotel reservado no Porto de 3 a 5 de Novembro.

Das coisas que me fazem rir...

Sexta-feira à tarde, estava eu descansadinha no trabalho a sonhar com o fim-de-semana, quando vejo aparecer no WhatsApp Web uma nova janela. Uma nova janela com o nome do ex-ex, com quem não falava há um ano.

Respirei fundo, continuei a trabalhar, e passados uns minutos fui ver o que me esperava. E o que me esperava? Aquela mensagem fruto da estratégia muito básica e primitiva, de seu nome "deixa cá fingir que me enganei no destinatário". Dizia olá e perguntava se eu ia ao Marquês no Sábado.

Ignorei. Voltei a respirar fundo e continuei a trabalhar, com um rol de palavrões a correrem-me o cérebro.

A segunda parte desta estratégia genial não tardou. Novas mensagens. A pedir desculpa, que não era para mim, que foi engano, aproveitando para perguntar se estava tudo bem e para mandar um beijo. Assim: um beijo. Toda a gente sabe que nestas coisas da comunicação por vias digitais as despedidas podem ser sempre analisadas e dissecadas: temos um beijinho, beijinhos, bjs, bj, beijo, e muitas outras variações - cada qual com seu grau de importância e significado, dependendo do remetente, obviamente. A escolha de "um beijo", não é aleatória.

Mas... Não respondi. Obviamente, não respondi. Podia ter respondido e teria aqui muitas mais coisas giras para contar e para me rir. Mas não respondi. Se respondesse, possivelmente seria a insultá-lo e a pedir-lhe o dinheiro da multa que tive de pagar por culpa dele, que é coisa demasiado recente, que me irrita profundamente e que calhou numa altura em que não dava mesmo jeito nenhum.

Mas... Não respondi. Ensinou-me a vida que, coisas destas, não merecem resposta. Mas... Sempre dão para rir!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Das coisas que me cansam...

Esta minha mania de tudo questionar, de tudo analisar, de tudo pôr em causa.

Este meu boicotar-me constante, o prender-me, o bloquear-me.

Este não me deixar seguir em frente, por medo do que o em frente possa ser.

Este não querer viver o presente, para não correr o risco de o futuro ser igual ao passado.

Cansa-me. Desgasta-me. Todos os dias mais um bocadinho.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Das coisas super inteligentes que eu faço...

Hoje tenho teste e tirei o dia para ficar em casa a estudar. De manhã deu-me uma fúria e andei a limpar os vidros da sala. Coisa que faço aí umas boas duas vezes por ano.

Está a chover. Muito.

Percebem por que não limpo os vidros mais vezes? É uma luta inglória contra o tempo. Não vale a pena.

Do meu trabalho... - II

Pois que eu achei que Vagos e Albufeira eram demasiado longe para enviar o meu CV.

Pois que hoje fui abordada por uma organização internacional muito interessante. 

Pois que essa organização fica na Suíça.

Pois que a Suíça é já ali.

Pois que não.


(nada de entusiasmos, foi um primeiro contacto para sondar o meu interesse, nem eu sei se quero, nem sei se eles me querem, só me contactaram e pediram para falarmos via skype...)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Da enésima tentativa de uma dieta... - II

Eu nasci para comer. Nada a fazer. Não tenho o foco e a disciplina que muito boa gente consegue ter. Não dá.

Mas tento. Tento com toda a convicção. E até já perdi um quilo.

Mas, depois de almoçar uma saladinha, acabei de comer 4 gomas e achei por bem vir registar a minha vergonha aqui. Eu não tenho culpa que, depois de um quizz numa aula, um professor me tenha oferecido um pacote de gomas. Eu adoro gomas e não comprava gomas há séculos. Mas estas coisas perseguem-me e eu sou fraca.

Agora que já partilhei este drama tão importante com o Mundo, vou tentar sentir-me envergonhada e não dar cabo do resto do pacote durante a tarde.

Aguardem desenvolvimentos.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Das fotografias que dão alegria... - Day 125


Estou a passar a tarde em casa, agarrada ao computador e à faculdade.

O Snow começou por ir dormir para a poltrona, que está ao sol, depois fartou-se e foi para uma das pontas do sofá, depois voltou para a poltrona, depois voltou para a mesma ponta do sofá, e agora mudou para outra zona do sofá.

Foi isto que ele fez nas últimas duas horas. Isto tudo.

Não sei como aguenta a canseira de vida que leva!...

Do Estrela Grande Trail... - I

Creio que já aqui tinha referido que em Maio tinha dois objectivos: o Trail Nabantino (aqui descrito), e o Estrela Grande Trail (na versão Estrela Ursa Minor, não se entusiasmem!).

A minha vida no trail é ainda muito curta. Foi em Janeiro que fui a primeira vez para Monsanto experimentar essa coisa estranha que era o trail. E não fiquei muito convencida. Frio, chuva, lama, as pernas a escorrer sangue (true story!), muitas dores e eu a achar que aquilo era para gente doida.

A seguir, houve todo aquele drama com o trail de Santa Maria.

Mas depois ofereceram-me estes meninos, e eu achei que era meu dever dar-lhes uma oportunidade. Oportunidade essa que nunca mais surgia, entre faculdade, trabalho, e treinos e provas de estrada.

Até que, no final de Março, de forma absolutamente inesperada, surge a oportunidade de participar nos II Trilhos de Belas, e lá fui eu

E depois foi o Cork. E eu comecei a achar piada à coisa.

Já andava em cima da mesa a possibilidade de ir ao Estrela Grande Trail, parecia-me uma prova gira, com paisagens incríveis, com os nomes das provas mais amorosos de sempre, e num sítio emblemático do nosso país. Mas eu, pessoa super inteligente, estava com algum receio e não me inscrevi logo. Tinha decidido que queria fazer primeiro o Trail Nabantino, a minha estreia nos 15km, e depois logo tomava a decisão final.

O problema? Sexta-feira à noite vejo um post no Facebook a dizer que as inscrições para o Estrela Grande Trail tinham esgotado. Acho que o meu coração parou um bocadinho. Então mas eu andava a mentalizar-me, e agora não ia conseguir ir? Mas... Mas... Mas eu já tinha tudo marcado! Mas... Não podia ser... Enviei logo um e-mail para a organização, a assumir o meu disparate e a pedir por tudo que, caso houvesse uma desistência, contassem comigo! 

Portanto, passei de "não sei se quero ir e se estou preparada, deixa cá ver como corre o outro", para "por faaaaavoooor, arranjem-me uma inscrição!", em menos de cinco minutos. Já falei na bipolaridade da corrida, não já?

Como passei o fim-de-semana no fim do mundo, onde 90% do tempo mal tinha rede no telemóvel, os meus emails ficaram pendurados e só na 3ª feira quando regressei à cidade é que vi que tinha resposta. E havia esperança. Email para cá, email para lá, e quarta-feira ao fim do dia tive, finalmente, a confirmação da minha inscrição! E fiquei mesmo contente!

Sei que vai ser uma prova dura, sei que me vai custar horrores, sei que tenho 15 dias para me preparar, sei que não vai ter nada a ver com o que fiz anteriormente, mas também sei que vai ser uma prova espectacular e que vou adorar!


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Da enésima tentativa de uma dieta... - I

Aproxima-se a época do Verão e, blogue que é blogue, tem de falar em dietas. É assim daqueles temas cliché que toda a gente diz que não quer saber, mas que muita gente acaba por dar uma olhadela. 

É nesta altura que somos bombardeados com anúncios a lembrar-nos que temos de preparar o nosso "beachbody". O que quer que isso seja.


Não vou entrar aqui em grandes considerações sobre o tema, dado que já muita gente o fez, e muito melhor do que eu. Mas a verdade é que a pressão que a sociedade nos impõe de um corpo perfeito, é tremenda. E isso é simplesmente idiota.

Ainda assim... Também eu vou entrar em modo dieta! Se é pela pressão da sociedade? Gosto de acreditar que não.

Já fui duas vezes à praia este ano e não gostei do que vi. Ontem pesei-me, e não gostei do que vi. Estou com um peso que não tinha há muitos anos, e que não quero manter.

Também aqui posso culpar a faculdade. Aliás, a faculdade foi recentemente eleita como o meu bode expiatório para o ano lectivo 2016/2017. Serve de desculpa para tudo.

Neste caso, serve de desculpa para treinar menos e para comer pior. Tenho menos tempo, não organizo tão bem as refeições, como fora de horas, ando mais descompensada, e como mais porcarias. E não pode ser.

Ontem decidi que as coisas têm de mudar por aqui, tenho de fazer um esforço, vou fazer uns dias de refeições mais leves (seguindo a moda do detox), mas sempre conjugados com os treinos (que estão a entrar numa fase crítica... mas depois falarei sobre isso!). E tenho de abolir os doces e porcarias afins. Mesmo.

E é isto. Provavelmente, daqui a dois dias já me esqueci desta conversa toda, dado que daqui até terça-feira tenho dois testes e dois trabalhos para entregar. Mas fica o registo de intenções.


Objectivo até dia 20: menos 2kg. Acendam velinhas!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Das corridas... - XIX

Isto de correr tem muito de bipolar.



Se os últimos posts sobre o tema foram de desânimo, o de hoje é de muito entusiasmo (também não pode ser sempre mau, certo?).

Enquanto no dia 1 de Maio muitos recordes se batiam em Lisboa, eu estava um pouco mais a norte, a dar início ao meu terceiro trail: o V Trail Nabantino, em Tomar.

Ia ser a minha estreia nos 15km, pouco ou nada conhecia do percurso, e havia pouca informação disponível (sobre os abastecimentos, por exemplo, não havia nada). Sabia que era um trail pequeno (em número de participantes), sem grandes vedetas (há tanta prova a acontecer ao mesmo tempo, que as pessoas estão cada vez mais dispersas), e sem grande alarido à sua volta. Diria mesmo que era uma prova quase desconhecida, fora da região. Mas, dado que a família tem casa perto de Tomar, achei que era de aproveitar e podia ser um bom treino de 15km.

Acordei tranquila, mas fiquei menos tranquila quando entrei no carro e às 8h10 estavam 5º... A prova começava às 9h e eu só pensava na roupa fresca que tinha escolhido. Felizmente, o tempo foi melhorando e aquecendo, tendo mesmo chegado a aquecer quase demais, perto do final.

O início da prova foi muito calmo. Éramos poucos, como se previa. Entre trail curto (15km) e longo (35km), devíamos ser cerca de 200 participantes no Trail Nabantino. Muito poucos, portanto. Eu estava bem disposta, tranquila, e entusiasmada qb. Mais uma vez, a minha preocupação estava com quem ia fazer os 35km. Ao lado disso, os meus 15km eram um passeio nas matas!

E foram... Quase!

Na véspera da prova tinha andado a ver os resultados do ano passado e tinha definido na minha cabeça um objectivo que me disseram, honestamente, que era pouco realista. O ano passado, o percurso teve 15km e as 4 primeiras mulheres fizeram abaixo de 2 horas, e eu meti na cabeça que havia de fazer menos de 2 horas (mesmo que isso não significasse garantidamente ficar nas 5 primeiras, porque podia haver mais gente mais rápida). Estava consciente que era um objectivo meio disparatado, mas achei que era uma boa motivação. E lá fui eu.

O primeiro quilómetro foi quase todo a subir e eu via muita gente a ultrapassar-me. Umas dores fortes nos gémeos logo ao fim de 500 metros a subir assustaram-me e comecei a ver a minha vida a andar para trás... Mas fui correndo devagar, com alguma caminhada pelo meio, e a coisa passou. Rapidamente me vi num grupo de 5 ou 6 corredores, sendo que eu era a mais lenta, e ia tentando acompanhá-los. O abastecimento, que devia ter sido aos 8km, foi perto dos 9,5km. Já disse que detesto que façam isso? Uma pessoa começa ali a desesperar, a pensar que está quase, quase, quase, e o abastecimento nunca mais aparecia... Já se comentava no grupo que se tinham esquecido de nós. Finalmente, uma placa a avisar que estava quase. Mais uma subidita, e lá estava ele. Curiosamente, depois de tanto esperar pelo abastecimento, peguei em dois bocados de laranja, parei 30 segundos, e segui viagem. 

Foi nesta altura que eu e outra corredora nos distanciámos um pouco do resto do grupo, entretanto ultrapassámos outro casal, e a dada altura ela começou a abrandar. Tentei puxar por ela, dado que ela tinha sido a minha lebre até aí (era a mais forte do grupo que eu tinha vindo a perseguir), mas ela quis mesmo ficar para trás. E eu andei muito tempo sozinha a partir daí, coisa que foi novidade para mim. Na minha larga experiência em 3 trails, nunca tinha estado sozinha sem ter ninguém à minha frente para seguir. E em trail isso quer dizer que sou eu que tenho de estar de olhos bem abertos, à procura das fitas e das indicações, e a garantir que não me engano, ao mesmo tempo que tenho de ver bem onde ponho os pés para não cair (ainda apanhei um grande susto quando tropecei e achei que ia cair ribanceira abaixo...). 

Foi também nessa altura, cerca dos 10km, que comecei a fazer contas ao tempo e a ver que a coisa estava a correr bem. Mais do que isso, eu sentia-me bem, coisa que já não acontecia há algum tempo em corrida (só pensava no horror que foi a Scalabis...). Mas eu sentia-me mesmo bem e só faltava um terço da prova. Aproveitei os 2km que se seguiram quase sem subidas e acelerei... Passei a ter como objectivo alcançar quem quer que fosse que me aparecesse à frente. E ao fim de algum tempo, lá apareceu um corredor. Com algum esforço, consegui passá-lo. Uns tempos depois, outra corredora. Parecia que ela fugia de mim!... Eu aproximava-me, ela acelerava... Às tantas, pensei que tinha de ter juízo. Não estava ali para me matar. Mas acabei por passá-la numa subida e o ânimo voltou. Fiz mais algumas ultrapassagens. E, entretanto, cheguei aos 15km com o relógio a marcar 1:58:02. Estão a imaginar o meu histerismo? Tinha conseguido o meu objectivo! Estava feito! O problema? O trail não tinha 15km... Tinham-me falado ao início que afinal teria 16km, mas acabaram por ser 16,6km.

A partir dos 15km, que ainda incluíram uma subida simpática, achei que tinha de dar tudo por tudo no que faltava (mesmo sem saber ao certo quanto faltava...), sobretudo porque me esperava uma grande descida. Nessa descida, ainda fui ultrapassada por uma corredora que eu tinha conseguido ultrapassar, e andámos ali muito coladas. Já estávamos a entrar no parque do Mouchão, pouco faltava para a meta, e senti mesmo que ela não queria que eu a passasse, mas também senti que ela quebrou a dada altura, e foi aí que fiz o sprint final (pelo meio do parque, por cima de uma ponte, entre famílias e carrinhos de bebé...), e cortei a meta com 2:08:11, e a sentir-me muito, muito feliz! Nessa altura, tive pena de estar sozinha e de não ter com quem partilhar o feito, mas deu para meditar sobre o assunto. 

Naquele momento, ainda não fazia ideia em que lugar tinha ficado. Percebi que já tinha chegado muita gente e a única coisa que me interessava era que tinha superado o meu objectivo e feito um bom tempo (para mim, ok?). Fui comer qualquer coisa, bebi muita água, alonguei, e fui até ao carro alongar mais um bocado e buscar a roupa para trocar. Sabia que ainda teria muito que esperar por quem estava nos 35km. Com toda a calma, lá me troquei, fui comer mais qualquer coisa (ia alternando entre salgados e doces, numa grande misturada...), e fui buscar a imperial que ofereciam aos participantes (o trail é assim!). 

A dada altura percebi que já estavam a afixar classificações e, confesso, desanimei um bocadinho... Pensei que devia ter sido mesmo das últimas, para meia hora depois de eu ter chegado, já estarem a afixar resultados. Qual não é o meu espanto, quando vejo que fiquei em 5º do meu escalão! Em 5º!!! Parecia tolinha! Não queria acreditar! Certo que só éramos 8, mas eu tinha ficado em 5º! Lá tirei uma foto que partilhei, andei por ali a fazer tempo, e ainda fui ao centro de Tomar abastecer-me de doçaria conventual. Quando voltei para o Pavilhão Municipal, fui novamente espreitar as classificações, que já eram as finais dos 15km. Nesta altura, vejo que no meu escalão afinal tinham concluído 19 e não 8 participantes. Ainda fiquei mais feliz! Fui a 5ª em 19! Acho que para terceiro trail, não foi nada mau! Claro que foi um trail pouco concorrido, não foi particularmente difícil, e eu não posso ficar a achar que, de repente, virei croma dos trails. Tenho bem noção da sorte que tive para que isto acontecesse, mas também tenho noção que face aos 2 trails anteriores, neste esforcei-me bem mais, e os resultados apareceram.

E é por isto que as corridas são bipolares. Detestei a Scalabis, vim de lá super desanimada, e a querer desistir de correr. Vim do Trail Nabantino eufórica, super feliz, e a pensar que tenho mesmo é de treinar para continuar a evoluir.

Domingo tenho outra corrida, e é toda uma incógnita a forma como me vou sentir no final!...


(perdoai o testamento...)