quinta-feira, 27 de abril de 2017

Das notícias que recebemos e não conseguimos processar...

Passaram sensivelmente sete horas desde que descobri. Já vim aqui inúmeras vezes. Já tentei escrever. Já apaguei. Já recomecei.

Ainda agora, não sei bem o que dizer. Ainda agora, não sei bem o que pensar.

Dizer que fiquei triste, não seria verdade. Dizer que fiquei surpreendida, tampouco.

Talvez dizer que fiquei sem saber como ficar. Desculpa, não encontro expressão mais digna para descrever o que sinto. Ou o que não sinto. Pouco importa.

Adivinhava a tua urgência em casar. Já o tinhas procurado no passado, sem o chegar a concretizar. Também a mim me tinhas falado nisso, quando fazias planos para o nosso futuro, antes mesmo de hipotecares o nosso futuro. Ainda assim, saber que, efectivamente, o concretizaste em tão pouco tempo, deixa-me sem saber o que dizer.

Gostava de ser maior, de ser capaz de te desejar as maiores felicidades, de esperar que as coisas corram bem. Não sou.

Tu foste, e serás sempre, aquele que me quebrou quando eu achava que não podia ser mais quebrada. Tu foste, e serás sempre, aquele me levantou do chão, somente para me voltar a atirar para lá. Tu foste, e serás sempre, aquele que apareceu na minha vida quando ela estava de pernas para o ar, e que saíste dela deixando-a ainda mais desalinhada. Tu foste, e serás sempre, aquele que quis fazer-me voltar a acreditar, apenas para me mostrar que não podia voltar a acreditar. Não tão depressa. Não tão cedo.

As feridas com que hoje me debato, os fantasmas contra os quais luto nos dias que correm, são os que tu por aqui deixaste há um ano atrás. Sim, já passou um ano. Um pouco mais, se quisermos ser rigorosos. Mas os traumas continuam aqui. Os traumas vão continuar durante muito tempo, tanto tempo quanto aquele que eu precisar para voltar a conseguir acreditar.

E enquanto eu tiver medos, dúvidas, anseios e receios, e enquanto eu me sentir presa e não conseguir viver, e enquanto eu me fechar no meu castelo e me esconder, e enquanto eu continuar a boicotar o que de bom tenho à minha volta, e enquanto eu não me esquecer, não te poderei desejar o bem. Desculpa.

Do meu trabalho...

O meu trabalho corre tão bem que na última semana já respondi a três anúncios de emprego. E só não foram cinco, porque Vagos e Albufeira me parecem um pouco fora de mão. Mas... Nunca se sabe!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Das corridas... - XVIII

Este fim-de-semana foi a Scalabis Night Race.

Foi a minha estreia nesta prova e as expectativas eram elevadas.

Culpa minha e do meu estado de espírito, não adorei a prova.

Não me senti particularmente bem, não correu muito bem, não me diverti por aí além (só na parte final, com a oferta de comida e bebida, e algum convívio com quem foi...), não guardo grandes memórias da prova.

Culpa minha, repito. Talvez para o ano lhe dê uma nova oportunidade. Talvez.

Já ontem, foi dia de mais uma prova do Troféu de Oeiras. Também não correu muito bem, mas deu para fazer os 3 pontos habituais para a minha equipa. Menos mal.

De ambas as corridas retiro o mesmo: não me correram bem e não me senti bem. A culpa? A falta de treino, mais uma vez.

Estou numa fase de desânimo com a corrida. Como não consigo treinar, não consigo evoluir. Como não consigo evoluir, fico frustrada. Como fico frustrada, não me apetece correr. Como não me apetece correr, ponho tudo em causa. Como ponho tudo em causa, deixei a maratona em suspenso.

Tenho dois trails e uma corrida em Maio. Depois disso, vai ser altura de parar e repensar o que ando a fazer e o que quero fazer. Não quero ir fazer as Fogueiras e vir de lá, mais uma vez, com este sentimento de falhanço e frustração. 

Vou ter um mês entre o último trail e as Fogueiras para ou me preparar muito bem e vir de lá feliz e contente, ou assumir de vez que não consigo fazer tudo ao mesmo tempo e alguma coisa vou ter de deixar cair na minha vida temporariamente.

Ao mesmo tempo, aumenta o desânimo por ter deixado os treinos funcionais em suspenso desde Dezembro. Sei que me fazem falta, sei que me fazem bem, sei que até estão ligados à não evolução na corrida. Mas não consigo encaixá-los na agenda. Para o fazer, há mais coisas que tenho de deixar cair.

Aceitam-se sugestões. Ou milagres. Aceitam-se milagres, daqueles que fazem o tempo esticar e as horas multiplicar.

Obrigada.


terça-feira, 18 de abril de 2017

Das corridas... - XVII

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O tempo para correr continua a não ser muito, mas tenho tentado correr duas vezes por semana (e nem isso consigo, às vezes). Este Sábado aproveitei ter acordado cedo e estar um tempo espectacular, para pôr as pernas a mexer na marginal. 

Estamos a 4 dias da Scalabis e os objectivos que tinha para esta corrida vão ter de ser deixados de lado. Não sei por que é que eu ainda acredito que vou conseguir treinar. Não vou. Lá para Agosto eu devo voltar a ter tempo para treinar. Até lá, não vale a pena pensar nisso. E também só nessa altura é que posso decidir-me quanto à Maratona. Até lá, é ir fazendo os mínimos, é ir fazendo umas provas em modo diversão, e não pensar muito no assunto.

Reconhecer as minhas limitações e aceitar as minhas circunstâncias é, simplesmente, encarar os factos e reduzir o nível de pressão que me coloco a mim mesma. E é também o primeiro passo para não dar em louca.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Do que eu quero mesmo...

Sempre aquele aperto no peito. Sempre a mesma vontade de fugir. Sempre a falta de ar por mais que tente respirar.

Tenho medo. Muito medo. E quero fugir.

Não me apetece correr riscos. Não quero.

A perfeição assusta-me. Aterroriza-me, diria mesmo. Nada pode ser assim tão perfeito. Nada pode correr assim tão bem. Sou um elefante num palácio de cristal. Sei, tenho a certeza, que a qualquer momento, tudo não passará de uma montanha de estilhaços. Tenho uma fé tremenda na minha capacidade infinita de fazer disparates. E tenho igualmente fé na minha tendência para atrair coisas más para a minha vida.

Doze anos no ensino secundário, mais quatro anos de licenciatura, mais dois anos no primeiro mestrado, e a caminho de mais um ano no segundo mestrado. Quase 19 anos a estudar e não me ensinaram o mais essencial de tudo: a ser feliz.

Não sei o que é isso de ser feliz. Isso de aproveitar as coisas boas. Não me disseram o que é isso de simplesmente aceitar que a vida também pode ter coisas boas.

Não me ensinaram nada disso e agora eu não sei o que fazer. Não sei lidar com o que de bom tenho à minha volta. E quero fugir.

Só isso. Fugir.

Porque tenho a convicção absoluta de que tudo o que vier a seguir será mau. Muito mau. Depois disto, nada poderá ser melhor. E eu fujo. E eu fujo porque quero cristalizar no tempo os bons momentos. Quero só ter bons momentos. Não quero chegar aos maus. Quero que isto acabe aqui, enquanto tudo é bom. E quero fugir.

Só isso. Fugir.

sábado, 15 de abril de 2017

Dos castelos...

A vida torna-nos cépticos. Descrentes. Frios. Demasiado racionais.

Talvez não a vida. Inocente no meio de tudo o que fazemos com ela. São as pessoas. O problema são sempre as pessoas.

As pessoas, que nos magoam, que nos iludem (e desiludem). As pessoas, que nos tiram o tapete (e os anos que eu demorei a perceber verdadeiramente o sentido desta expressão!). As pessoas, que deixamos entrar no nosso mundo, somente para o destruírem e deixarem em cacos.

Queda após queda, vamos ficando mais frios. Mais racionais. Demasiado racionais.

De cada vez que temos de reconstruir os cacos em que deixaram a nossa vida, reconstruímos o muro à nossa volta. Cada vez mais alto, cada vez mais forte, cada vez mais impenetrável.

Sempre que nos deitam ao chão, levantamo-nos. Mas levantamo-nos apenas para nos arrastarmos para dentro da nossa muralha, do nosso castelo, donde não queremos sair.

Eu não quero sair do meu castelo. Quero ficar aqui, quieta, inerte, na minha paz e no meu sossego. Quero ficar no meu canto. Não quero voltar a expôr-me. Não quero voltar a ser iludida (e desiludida). Não quero voltar a passar por tudo outra vez quando as coisas correrem mal. Porque, invariavelmente, as coisas correm mal.

E eu sei, tenho a certeza, que este castelo não aguento nova reconstrução.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Do passado que nos entra pela casa adentro quando menos esperamos...

Uma carta das finanças.

Uma carta das finanças foi quanto bastou para eu ter de fazer uma viagem no tempo, para eu ter de remexer no passado, para eu ter voltado a sentir-me ingénua, idiota, burra mesmo.

As coisas de que as pessoas são capazes não deixam de me surpreender. A capacidade de mentir, de enganar. Uma capacidade infinita que me transcende.

Olho para o meu passado e é inevitável perguntar-me como foi que aturei certas coisas. Olho para o meu passado e pergunto-me como pude ser tão fraca, tão pequena, tão ingénua. Olho para o meu passado e não percebo como deixei as coisas chegarem àquele ponto.

Eu, que sempre me considerei uma pessoa inteligente. Eu, que sempre me achei senhora da razão. Eu, que não hesito em dar conselhos e em dizer como fazer.

Eu fiz tudo errado. Eu cometi erros atrás de erros. Eu, na minha fragilidade, na minha insegurança, na minha tão fraca auto-estima, aceitei o que me davam. Aceitei as migalhas, aceitei as desculpas esfarrapadas, perdoei erros atrás de erros.

Custa-me aceitar que eu possa ter sido essa pessoa. Às vezes, lemos as histórias dos outros e perguntamos como é que esta ou aquela pessoa suportou determinada situação. Não sabemos. Não entendemos. Até sermos nós a passar pelas coisas, nunca poderemos entender.

Hoje, resta-me o consolo da consciência tranquila. Do saber que fiz sempre o que achava correcto. Do saber que, com tanto disparate, aprendi e cresci imenso. Do ter a certeza de que hoje quero e faço diferente.

Hoje, resta-me isto tudo. E uma multa por pagar.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Das corridas... - XVI

Apesar de pouco ou nada treinar, continuo a participar em algumas provas, e isso é que me vai fazendo mexer.

Este Domingo fiz o meu segundo trail e o eleito foi o Cork Trail, em Coruche. 

Depois de há apenas duas semanas ter feito o meu primeiro trail debaixo de muita chuva e com muita lama, o cenário desta vez não podia ter sido mais diferente. Incrível como o tempo muda tanto, tão depressa! Domingo esteve um sol fantástico, mas isso implica calor. Muito calor. E o percurso incluía muito pó e muita areia. O contraste não podia mesmo ser maior!

Esta foi uma prova decidida com mais alguma antecedência, mais ponderada, era ligeiramente maior (13km no trail curto), mas era mais longe e obrigou a acordar muito cedo e fazer uma viagem de cerca de uma hora. Chegámos a Coruche pouco antes das nove, quando a prova longa (23km) começava às nove e meia e os dorsais ainda estavam por levantar. Fica a nota para não voltar a repetir esta proeza, por mais que custe sair da cama a um Domingo, mais cedo do que saio nos dias em que vou trabalhar...

Se no primeiro trail tive companhia o tempo inteiro, tive quem me desse a mão (literalmente), tive quem me ajudasse, tive quem me dissesse para comer, para beber água, para respirar, tive quem puxasse por mim, tive quem cortasse a meta de mão dada comigo, nesta prova estive sozinha. Bom, na verdade estive com mais 246 pessoas que acabaram a prova. Mas estive sozinha. 

Depois da partida do trail longo, tive 15 minutos para me preparar para a minha prova e aproximei-me da partida, com o nervosismo a começar a aparecer. Acho que só quando fiquei sozinha é que me caiu a ficha e percebi o que estava a fazer. Até aí, a ansiedade estava toda em apoiar e ajudar quem estava comigo e ia fazer os 23km (sendo que, num dos casos, era uma estreia nessa distância).

Quando a prova começou eu sentia-me bem. Nervosa, mas bem. Mais uma vez, ia em espírito de passeio. Sabia que não tinha treinado, sabia que o trail ainda é uma novidade para mim e não podia comparar com a estrada, sabia que no final ainda ia ter muito que esperar por quem estava nos 23km. Ia sem pressas, sem pressões. E isso, faz toda a diferença!

O que dizer do trail em si? Muito giro, muito bem organizado, muito desafiante, com bons abastecimentos, com paisagens lindíssimas. Logo pouco depois do início tivemos de atravessar uma zona com água (lama, mais propriamente), em que eu bem me tentei desviar mas acabei por desistir e fiz vários metros com lama até aos tornozelos. Sem problema. Foi bom para entrar logo no espírito. E para me rir. Para me rir muito comigo mesma e com as reacções e expressões dos outros que lá andavam.

Diferença número um da estrada para o trail: é muito mais divertido e animado. Sem comparação. 

Mas nem tudo foi animação!... Houve muita subida a pique. Daquelas em que temos a sensação que a qualquer momento vamos cair para trás, daquelas em que pomos um pé e ele se afunda na areia e não sabemos bem como vamos sair dali, daquelas em que não temos onde nos agarrar. E também houve muita descida igualmente a pique. Daquelas que nos fazem levar as mãos à cabeça sem saber o que fazer, daquelas em que olhamos para as pessoas à nossa volta que insistem para que passemos à frente, daquelas em que sabemos que a única opção é sentar o rabo no chão e ir descendo.

Diferença número dois da estrada para o trail: estamos constantemente a superar obstáculos que nos pareciam impossíveis.

Uma das partes boas dos trails, sobretudo para mim que vou em ritmo passeio, são os abastecimentos: parei 2 ou 3 minutos em cada um, para hidratar (tão importante com o calor que estava!), e para comer. Havia de tudo: laranjas (que são sempre as minhas melhores amigas), bananas, batatas-fritas, bolos, bolachas, marmelada, compotas, nutella (sim, nutella!), tostas, e, possivelmente, mais coisas das quais não me lembro. No final, a mesma coisa. Neste ainda ofereciam uma bifana e uma cerveja quando se acaba a prova (que eu, fofamente, ofereci a quem estava comigo).

Diferença número três da estrada para o trail: facilmente saímos de lá com mais peso do que quando chegámos. Não se iludam com a ideia de que a malta faz exercício para emagrecer.

Fiz um tempo miserável. Mas miserável mesmo. Não é conversa de falsa modéstia de quem até se safou. Não. O meu tempo está próximo do vergonhoso e arrependo-me muito disso. Mas sei que no próximo farei melhor (faltam três semanas!), e sei também que tenho de treinar. Trail não é estrada. Usam-se músculos completamente diferentes e a exigência é muito maior. Tenho mesmo de (inventar tempo e) treinar. Também sei que dificilmente o conseguirei, mas, pelo menos, fica o registo escrito para me ir mentalizando.

Diferença número quatro da estrada para o trail: ficam a doer-te músculos que não sabias que tinhas.

Se me vou dedicar ao trail? Não sei. Se vou deixar de correr em estrada? Não sei. Ainda tenho algumas provas de estrada já marcadas até ao Verão, e também continuo muito entusiasmada com elas. Acho que vou tentar aproveitar o melhor dos dois mundos. Não sei como, nem com que tempo. Mas posso ir sonhando com isso!...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Do meu fim-de-semana...

O meu fim-de-semana foi demasiado bom para ser verdade.

E isso traz um problema: quando acaba, sinto-me miserável. Nas últimas semanas, é raro o Domingo que não acaba com lágrimas. Isto é só estúpido, eu sei. Mas é assim que ando. E é sobre isso que não quero falar.

Eu quero falar da noite fantástica de Sexta, do vinho Hippo (estava tão a precisar de uma noite descontraída), do mini treino de corrida no Sábado de manhã, do pequeno-almoço com umas panquecas novas com sabor a Ferrero (com esta farinha), da ida à praia, do primeiro mergulho do ano, do almoço às quatro da tarde (aqui), do jantar a pensar na prova do dia seguinte, da correria para entregar mais um trabalho da faculdade, da preparação da prova e do nervoso miudinho, do acordar lento no Domingo, da viagem para Coruche entre dezenas e dezenas de cegonhas nos seus ninhos, do Cork Trail, das vistas, do que senti, da tarde de preguiça no sofá, da nova correria para outro trabalho da faculdade.

O meu fim-de-semana teve tanta coisa tão boa, que me soube a uma semana inteira de férias. Fiz tanta coisa, que parece que o tempo esticou.

E têm sido estes os meus balões de oxigénio, para aguentar cada semana que passa. Semanas longas, duras, que me têm esgotado. Que me têm feito questionar o que ando aqui a fazer e se valerá a pena.

Dia após dia, desespero pelo fim-de-semana. E sei que isto não é modo de vida. Não pode ser. Preciso de, com o pouco tempo livre que tenho, me organizar, me focar, conseguir arrumar a casa (literal e figurativamente), para sobreviver aos três meses e meio de loucura que ainda tenho pela frente.

Resta-me o consolo de esta semana só ter três dias e meio!...


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Das coisas que eu faço bem...

Sou perita em assobiar para o lado. Em fingir que não se passa nada. Em ignorar os sinais óbvios. 

Sou especialista em não assumir o inegável. Em não saber pedir ajuda. Em levar as coisas até ao limite.

Sou doutorada em crenças infundadas. Em esperanças ingénuas. Em esperar que tudo se resolva por si só.



Se me faltam competências noutras áreas da minha vida, em todas estas não há melhor do que eu.

terça-feira, 28 de março de 2017

Das corridas... - XV

Não. Este blogue não se vai transformar num blogue de corridas. Mas sobre o resto do que se passa na minha vida, não me apetece falar. Portanto, fiquemo-nos pelas corridas.

Depois da meia estive alguns dias com dores, e entre a preguiça, a chuva, e a falta de tempo, cheguei a Sábado sem ter voltado a correr. O plano era Domingo ir para Monsanto fazer um treino de trail.

Sábado às seis da tarde surgiu a oportunidade de ir fazer o II Trilhos de Bellas. Muita indecisão, muitas dúvidas, muito não saber se seria um perfeito disparate. Mas acabei por dizer que sim. Não tinha sequer o material todo necessário, mas consegui que me emprestassem o que me faltava (nomeadamente, um impermeável, dado que a previsão era de muita chuva).

O facto de ter sido tão em cima da hora e de não ter tido tempo para pensar muito no assunto, acabou por ajudar.

No Domingo, foi acordar cedo, tomar o pequeno-almoço e seguir em direcção a Belas, debaixo de uma chuva torrencial. Eu só me ria, confesso. Não estava bem a acreditar que me estava a meter naquilo e não sabia o que pensar.

Mas fui. E sobrevivi. E, imaginem, até gostei! Acho que foi uma boa escolha para primeiro trail. Foram só 10km, o percurso não era particularmente difícil, não havia muita gente e o ambiente era bom. Tirando a chuva e a muita lama que apanhei, foi uma prova muito gira. A lama até lhe deu alguma piada, mas houve várias alturas em que quase caí, e houve uma em específico numa certa subida em que estava a escorregar tanto, que achei que não ia conseguir sair do mesmo sítio! E só me ria... Muito me ri eu! Eu ria-me quando me aparecia mais uma subida a pique, eu ria-me quando via mais uma descida que quase me obrigava a sentar-me no chão, eu ria-me de cada vez que ficava ainda mais coberta de lama, eu ria-me quando pensava no que ainda faltava e nas dores que sentia... Foi toda uma animação!...

Se gostei? Gostei. É completamente diferente de correr em estrada. Não sei se gosto mais ou menos. Ainda é cedo. São mundos diferentes. Completamente. Quero continuar a explorar o trail, mas devagar, devagarinho.

E o próximo é já daqui a duas semanas!


quarta-feira, 22 de março de 2017

Das corridas... - XIV

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Recentemente, vi esta imagem partilhada no Facebook e não pude não me identificar com ela.

Como já aqui comentei algumas vezes, a corrida tem para mim muitas fases e altos e baixos. Toda a minha relação com a corrida é bipolar. Mas a verdade é que acabei a última prova e já só penso na próxima (que talvez seja já Domingo). E já só penso na Scalabis e no meu objectivo de tempo. E já só penso nos 2 trails que gostava de fazer (este e este). E já só penso nas Fogueiras e no giro que dizem que é.

Correr é, definitivamente, um vício. Pelo desporto, pelo bem-estar, pela sensação de superação mas, também, pelas pessoas que temos oportunidade de conhecer e pelos momentos que partilhamos.



(nada nos garante que daqui a 3 ou 4 dias eu não venha aqui escrever que odeio correr, mas aproveitemos o espírito positivo de hoje!)

terça-feira, 21 de março de 2017

Das corridas... - XIII

Numa das minhas fotografias oficiais da Meia estou, literalmente, de língua de fora.

Não é preciso dizer mais nada sobre esta prova.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Das corridas... - XII

Ontem foi dia de mais uma meia-maratona. A quarta. Novamente, a da Ponte 25 de Abril.

Faz hoje exactamente um ano que fiz a minha primeira meia. E foi também naquela ponte que me estreei (aqui e aqui).

Aquilo que senti ontem foi completamente diferente do que senti há um ano atrás. E foi tão melhor, em alguns aspectos!

Ontem não me sentia estupidamente nervosa perante todo um mundo desconhecido, ontem não me sentia insegura por não saber se seria capaz, ontem não tinha mil e uma dúvidas a tomarem conta do meu cérebro.

Ontem o meu propósito era muito simples: acompanhar uma das minhas melhores amigas na sua primeira meia-maratona. E, por isso, eu estava muito mais serena do que em outras provas. Estava muito entusiasmada e feliz por ela, mas estava tranquila porque sabia que, a menos que ela tivesse andado a treinar às minhas escondidas, íamos fazer uma prova a um ritmo para o qual eu me sentia totalmente preparada. E isso dá uma sensação muito confortável.

Ontem eu estava feliz.Ontem eu estava com as minhas pessoas à minha volta. Ontem eu sentia-me realmente bem e, nesse aspecto, foi dos melhores inícios de prova que já tive. E isso, faz toda a diferença!

Da meia em si, mais do mesmo: prova demasiado confusa, com demasiada gente, onde a falta de civismo se torna mais evidente, onde faz falta mais apoio nas ruas. Não é uma prova que eu queira repetir e só fui este ano por ter sido arrastada para ela. É giro passar a ponte a correr, que é. Mas é daquelas coisas que fazemos uma vez na vida e está feita.

Fica o registo, para a posteridade.

Já comecei um plano de treinos novo e o objectivo agora é aumentar a velocidade nos 10km e começar a aventurar-me no trail. Vamos ver como corre!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Do meu não-aniversário...

Parece que foi noutra vida e só passaram 15 dias.

Este ano, mais uma vez, não fiz anos. Mas este ano resolvi a coisa de forma muito mais inteligente: 2 dias de comemoração, 3 festas. Não foi um casamento cigano, mas quase.

Comecei o dia 28 no Porto. Acordar calmo e lento. Pequeno-almoço maravilhoso (o que eu engordei naquela terra!), passagem pela Casa da Música, seguida de massagem de relaxamento num qualquer SPA, para relaxar o corpo e a alma.

Ainda almocei num vegetariano muito bom (e muito barato, dada a qualidade do que se come), e regressei a Lisboa.

Festa número 1, com os sobrinhos à minha espera para me cantarem os Parabéns e comermos o primeiro bolo. Seguiu-se a festa número 2, só com alguma da família crescida e alguns amigos. E seguiu-se ainda um Gin do Mar, no sítio do costume. A meia-noite foi devidamente assinalada, com a comemoração dos micro-segundos durante os quais faço anos, e com mais presentes de que gostei muito. O estado de espírito estava meio tremido: senti-me meio assoberbada por tudo, ainda me deu para chorar, e sem perceber bem porquê.

Mas dia 1 continuou a celebração. Almoço na Baía de Cascais, num rodízio de marisco que me deixou a rebolar, com uma vista fantástica. Almoço lento, sem pressas, a apreciar o momento, a comida, a companhia. A sensação plena de estar bem, serena e feliz. Mais uma vez, a sensação de ser uma privilegiada e sentir-me muito grata por isso. Mais uma vez, a sensação de estar assoberbada e a vontade de chorar. É assustador termos demasiadas coisas boas a acontecer na nossa vida. Fica sempre aquele receio do que virá a seguir. Não deixo que isso me impeça de viver, mas não consigo evitar pensar nisso.

33. 33 anos de vida. 33 anos e continuo tão, ou mais, perdida como há 30 anos atrás. Não sei o que quero, não sei para onde vou, não sei para onde quero ir. E, na maior parte dos dias, não penso nisso.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Das coisas que me surpreendem...

Depois de anos a trabalhar na área, e a assistir a espectáculos diversos várias vezes por semana, tornei-me muito selectiva na hora de escolher um espectáculo para ir ver de livre vontade e, mais ainda, na hora de gastar dinheiro num bilhete.

Na passada sexta-feira, contrariamente ao que é habitual, fui assistir a um espectáculo apenas com base na sugestão de um antigo colega e amigo. Estive até à hora de comprar os bilhetes indecisa entre a peça que vi e outra, mas acabei por seguir o conselho que me deram. E que bem que fiz!


Foto: Filipe Ferreira

Fui assistir a Tiranossauro Rex, no Teatro Nacional D. Maria II. E, apesar de já ter uma ideia do que se ia passar, a peça conseguiu surpreender-me, e muito, e não ser nada do que estava à espera. E mexeu comigo. E fez-me rir. E quase me fez chorar (e eu não sou pessoa de me emocionar facilmente). E gostei. Gostei tanto. Gosto sempre de ver bom teatro, bem feito. Gosto sempre de ver coisas novas, diferentes, refrescantes, que quebram o convencional e aquilo que esperamos.

Se puderem, vão ver. Está em cena até 27 de Março e os bilhetes custam apenas e só 8€.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Das corridas... - XI

Como referi no último post, tenho corrido muito menos do que deveria (não digo do que gostaria por motivos que perceberão mais adiante).

Falta-me, acima de tudo, o tempo. O Mestrado tem sido bem mais exigente do que eu esperava e o tempo que me sobra é muito pouco. Sinto-me cansada e a desesperar com tanta coisa para fazer e tão pouco tempo. Salvam-me os objectivos definidos (leia-se: as corridas marcadas), que me obrigam a ir cumprindo os mínimos (e só os mínimos) a nível de treinos. Mas tenho perfeita noção que, nesta altura, já devia estar a correr bem mais e bem mais depressa. E isso entristece-me e deixa-me frustrada.

À falta de tempo, junta-se (alguma) falta de vontade. Pelo descrito anteriormente, falta-me também alguma motivação e algum entusiasmo. É sempre mais fácil continuarmos a correr quando vemos evoluções e melhorias. Mas é difícil ver evoluções e melhorias quando só corremos uma vez por semana.

Este Domingo fiz a Corrida das Lezírias. A propósito, fui agora reler o post que escrevi o ano passado sobre esta mesma corrida e não deixam de ser curiosas as diferenças. Este ano, a prova teve uma dificuldade acrescida: a parte muito gira de terra batida no meio das Lezírias, transformou-se (em quase 2km), numa parte não tão gira cheia de lama, onde era praticamente impossível correr (pelo menos, para lontras como eu - conheço alguns "cromos" que fizeram mesmo tudo a correr). 

Mas, para mim, o especial desta corrida foi o facto de ter sido a estreia da BFF numa corrida. Aliás, se não fosse por ela, dificilmente teria ido. Mas já que ela resolveu arrastar-me para a Meia (faltam 10 dias!), eu achei que era sensato arrastá-la para uma prova, para que ela não se estreasse só na Meia. Por isso, encarei esta corrida com uma tranquilidade completamente diferente: eu ia ali apenas e só para acompanhá-la, para fazermos um treino longo juntas, para ela ver como se sentia, e para me divertir. Sem pressões, sem objectivos de tempo, sem qualquer ansiedade. E a prova correu bem. Mesmo com a lama, correu bem e consegui fazer menos 3 minutos do que no ano passado. Se não fosse a lama, acho que teríamos feito um tempo muito bom (para nós...). Mas, mesmo assim, soube bem e acabei a prova feliz por ela, que se aguentou lindamente. Esta prova serviu, e muito bem, para ter a certeza que a Meia vai correr bem - para mim e para ela.

No entanto, e voltando ao tema anterior, esta prova começou mal. Nos primeiros 3/4km, eu só me perguntava o que estava ali a fazer, eu só rogava pragas ao Mundo em geral, eu só pensava que depois da Meia queria deixar de correr. Sim. Eu tenho diálogos internos incríveis enquanto corro. Faço viagens infinitas ao fundo do meu ser. Porque sim. Porque, às vezes, questiono por que corro. Muitas vezes, não sei mesmo o que ando ali a fazer. Mas depois acabo mais uma prova e a sensação é, em 99% dos casos, incrível. Além de ser incrível, a sensação é sempre: podias ter feito melhor. E, sendo eu tão competitiva (comigo mesma, leia-se), é isso que me move. Essa sensação de querer fazer mais. De me querer superar. De querer fazer melhor.

E, a 10 dias da Meia, vou vivendo nesta insanidade: quero correr/estou farta de correr, preciso correr/não tenho tempo para correr, gosto de correr/detesto correr. Espero que no dia 19 acorde a gostar de correr.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Do meu regresso a este canto (quase esquecido)...

Quanto mais tempo passa sem escrever, mais me custa regressar aqui. O tempo para parar e reflectir tem sido pouco. O tempo para me agarrar ao computador e escrever, menos ainda.

Sobrevivi a Fevereiro. E, como eu tanto queria, Fevereiro foi um mês feliz. Acabei o mês a sentir-me feliz, a sentir-me uma sortuda e uma privilegiada. A chorar feita tonta por não saber lidar com tudo o que tem acontecido na minha vida. Mas feliz.

Estive no Porto. Adorei o Porto. Talvez arranje tempo para vir partilhar algumas fotos e algumas das coisas que vi, comi e descobri por lá. Ou talvez não.

O trabalho está em fase de mudanças. Muitas mudanças. Esperemos que para melhor, mas, nesta fase, isso obriga a muito trabalho acrescido e muita pressão.

A faculdade está em fase de caos. Lidar com pessoas e fazer trabalhos de grupo é o que se sabe. Não tem sido fácil. Tem sido muito mais exigente do que esperaria e nem sempre consigo empenhar-me tanto quanto gostaria.

Não tenho conseguido treinar/correr. Nas últimas 3 semanas, corri 3 vezes - sendo que 2 delas foi em provas. Faltam 11 dias para a próxima Meia-Maratona e eu não sei se estarei preparada.

Não tenho dormido o suficiente. Tenho comido mal. O corpo ressente-se. E eu ando verdadeiramente descompensada. Ando cansada, rabugenta, mais em baixo, e sem vontade de fazer o que quer que seja, quando tenho alguns momentos livres.

Gostava que isto fosse uma fase. E é. Mas é uma fase com mais 5 meses e que terá tendência a piorar.



O modo queixinhas terminou. A emissão normal retomará dentro de momentos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Dos filmes que não queremos rever...

Fez ontem um ano que escrevi este post

Na altura, sabia que não era o fim do Mundo, mas parecia.

Hoje, sinto-me a viver um filme muito parecido. Há demasiadas circunstâncias demasiado parecidas e eu acordo cada dia a pensar qual será o dia em que o fim do Mundo se vai repetir.

Eu sei que também há muitas circunstâncias completamente diferentes, mas é inevitável fazer comparações, é inevitável ter medo, é inevitável que as minhas fragilidades venham ao de cima e me façam temer que volte a acontecer tudo outra vez.

Não está a ser um mês fácil. Está a ser um mês difícil de acabar. Está a ser um mês com muitas emoções contraditórias. Continuam os apertos no peito, que se misturam com uma ânsia infinita de viver, de sorver cada momento, de agarrar cada instante para que não perca nada do que me está a acontecer. Continua o medo das vidas que a volta dá, de que me tirem o tapete, de que me dêem um novo abanão, de que esteja somente a caminhar sobre um lago de gelo muito fino que se vai quebrar a qualquer momento. Continua a bipolaridade entre querer viver cada dia deste pequeno mês e o querer que ele passe muito depressa.

Faltam 12 dias para o meu (não) aniversário. Ainda não decidi nada. Ainda não combinei nada. Tal é a estranheza, que já houve quem me ligasse a perguntar o que é que estou a pensar fazer. Este ano não há convites antecipados, não há planos com semanas de antecedência, não há ementas, não há temas. Este ano há apenas o desejo de que esse dia não exista.


Dos sítios onde eu (não) vou...

Não vou a Sevilha. Não interessam bem os motivos, mas não vou. Estou meio triste com isso mas não é o fim do Mundo. Fico feliz por quem vai. Muito.

Vou aproveitar para ter um fim-de-semana mais calmo (coisa que já não acontece há algum tempo), tenho dois trabalhos da faculdade para fazer, e Domingo vou com uma das equipas em que corro participar em mais uma prova do Grande Troféu de Oeiras. Consta que o percurso é difícil... E consta também que eu não tenho treinado nada de jeito, pelo que a coisa promete. Mas vamos tantos e vai ser tão giro, que vai valer pela festa!

E já só penso no Porto. O trabalho está o caos. O mestrado o caos está. E eu preciso mesmo de sair daqui por uns dias.

Falta uma semana e um dia!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Do ar que me falta...

Gosto deste acordar lento, do saber que estás ali, do sentir o teu calor junto a mim.

Não gosto deste aperto no peito, desta falta de ar, do não saber por quanto tempo ali estarás.

Gosto do que me fazes sentir, do que me dizes, do que não me dizes mas que me deixas adivinhar.

Não gosto desta ansiedade, deste medo, deste nó na garganta.

Gosto de ti.

Não gosto de não saber lidar com isso.

Desculpa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Dos sítios onde eu vou...

E, de repente, Fevereiro, este mês tão pequeno e tão curto, vai ter duas viagens: Sevilha e Porto.

A ida a Sevilha já tinha estado em cima da mesa, já tinha deixado de estar, e este fim-de-semana ficou decidida e confirmada, de forma meio impulsiva. Não vou fazer a Maratona, mas vou dar apoio e fazer claque por quem vai. Talvez faça uns km também. Não quero sequer imaginar a sensação, o espírito, o ânimo. Mal posso esperar!

Já o Porto, é um destino que tem vindo a ser adiado há demasiado tempo. É desta. Havendo falta de orçamento para ir para fora nos meus anos este ano, pareceu-me uma excelente opção. Vão ser quatro dias que espero que sejam maravilhosos. Expectativas altas. Muito altas.

Mais uma vez, sou uma privilegiada. Mais uma vez, sinto-me muito grata por poder fazer estas coisas. Mais uma vez, sei que sou uma sortuda pelas pessoas que tenho à minha volta.

E que nunca me esqueça disso.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Do meu eu racional...

A palavra do ano é emoção, mas a minha palavra é razão.

Vai ser sempre. Sou como sou.

Tento trabalhar isto. Tento deixar-me ir. Faço um esforço, um grande esforço, para ser menos complicação e mais simplificação.

Tento não racionalizar cada coisa. Tento não dissecar cada passo. Tento não analisar tudo como se visse o Mundo pela lente de um microscópio.

Tento. Tento muito.

Às vezes, consigo. Às vezes, não consigo.

Se eu não conseguir, se eu te fugir (e eu vou fugir), que tenhas a força para não me deixar partir.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Do Fim da Europa...

Ah! O Fim da Europa!...

Tanta coisa para dizer e não sei bem como...

Eu já tinha por aqui dito que a minha confiança estava em níveis abaixo dos mínimos. E estava. Com o aproximar da prova não melhorou nada, porque não consegui treinar grande coisa, e o pouco que treinei, não correu muito bem. Ia para uma prova de 17km, sendo que a última vez que tinha feito mais do que 10km, tinha sido na última meia, no início de Dezembro. A juntar a isso, a dificuldade da prova e das suas subidas, coisa a que não estou minimamente habituada (viva o Passeio Marítimo, sempre plano!). A juntar ainda, a probabilidade de chuva.

O meu estado de espírito na véspera da prova não era o melhor, estava muito cansada depois de uma semana de loucos que culminou com aulas no Sábado, não me estava a sentir muito bem, mal consegui jantar e dormi pouco. Domingo acordei pior (vou poupar-vos os pormenores muito gráficos mas digamos que passei bastante tempo na casa-de-banho), e quase não consegui comer de tão enjoada que estava. Isto são nervos, pensei eu. Vontade de correr a zero. Ansiedade a mil. Viagem para o Cabo da Roca em modo acelerado, porque com isto tudo acabei por me atrasar a sair de casa e tinha combinado com o grupo (e com quem tinha os dorsais) às oito.

Mesmo sem conseguir comer, o meu ânimo lá foi aparecendo, e os nervos foram acalmando. Viagem até Sintra. Caminhada até ao centro da vila, com paragem estratégica na Sapa (e não foi para comer queijadas, mas podia...). Obriguei-me a comer uma panqueca que tinha levado e uns frutos secos, porque sabia que era um disparate ir fazer 17km de estômago vazio.

Deixei a tralha toda e a roupa em excesso na carrinha que ia levar os bens dos atletas para a meta e acho que foi aí que me caiu a ficha. Fomos em grupo para junto da partida, fui encontrando gente conhecida, e comecei a entrar no espírito. Ia mesmo acontecer. Eu ia mesmo fazer aquela prova. Eu ia mesmo fazer aqueles 17km.

Tinha passado os dias anteriores a mentalizar-me que ia lá passear, ia aproveitar a vista, ia sem pressas, sem pressões. Tinha o meu objectivo de tempo definido, bastante vergonhoso, diga-se, mas era bastante realista, face à minha condição. Últimas despedidas, muitos sorrisos, e ouve-se o tiro de partida. Despedi-me de quem estava comigo (eu era a mais lenta do grupo - é o que dá ir correr com 9 homens que, efectivamente, correm...) e deixei-me ir no meu ritmo.

Desta vez, nem música levei. Foi a primeira vez que fiz uma prova sem música. E sabem que mais? Sobrevivi! E nem sequer senti falta! Eu sei que esta era uma prova atípica, mas, a verdade é que acho que vou começar a correr assim. Mais leve, mais focada.

O início da prova é complicado, começamos sempre a subir, e eu estava muito consciente da importância de me poupar nos primeiros quilómetros, sobretudo porque não estava a 100% e sabia que a qualquer momento o meu corpo podia fazer das suas e obrigar-me a parar. E foi isso que fiz. Muita gente conhecida foi passando por mim, sempre com uma palavra simpática, sempre com uma palavra de força, e eu lá continuei no meu ritmo de lontra. Sempre tranquila. Sempre sem pressões.

A prova foi difícil. Foi. Caminhei muito em muitas partes do percurso. Não quis saber. Nunca caminhei sozinha, isso é certo. E limitei-me a ouvir o meu corpo e a ir fazendo o que me apetecia. Mais uma vez, sem pressões. O tempo não estava grande coisa. Não choveu, propriamente, mas estava imenso nevoeiro e tanta humidade no meio da serra e das árvores, que parecia que estava a chover. Houve alturas em que tive muito frio e sentia-me muito desconfortável - é o que dá correr devagar. Fiz os primeiros 10km muito lentamente. Mesmo muito lentamente. Comecei a olhar para o relógio e a fazer contas. Comecei a achar que tinha feito aquele troço demasiado devagar e não ia conseguir cumprir o tempo que tinha definido na minha cabeça. A boa notícia é que ia começar a parte da prova que era sempre a descer. A má notícia é que ainda faltavam 7km e não podia correr o risco de acelerar demasiado e depois quebrar antes de chegar ao fim. Fui gerindo o esforço, fui baixando a média, e quando faltavam 2km, o meu rosto iluminou-se quando vi quem voltava para trás para me fazer companhia até à meta.

Consegui chegar ao fim, viva e inteira, e fazer menos um minuto e pouco do que tinha definido. Estava de rastos. Mas sentia-me tão bem! Tinha sido capaz. Depois dos nervos todos, depois do meu corpo a não colaborar, depois dos medos e inseguranças. Tinha conseguido!

Uma das primeiras coisas que disse quando cheguei ao pé do grupo foi que dificilmente me voltavam a apanhar naquela prova. Sentia-me demasiado desgastada. Estava muito desconfortável e nem o chá quente que ofereciam no final, me aqueceu. Juntem a isto uma caminhada de quase 3km, sempre a subir, para regressar ao carro, e imaginem o meu estado de espírito.

Deixei passar uns dias, deixei a "poeira" assentar, e agora, ao escrever isto, a perspectiva é diferente. Vou querer voltar, sim. Foi a prova com melhor ambiente que já fiz. De longe. Perdi a conta às pessoas que se meteram comigo (é o que dá ter uma camisola personalizada com o meu nome e com o nome da empresa pela qual corro - que não é a minha -, que se presta a algumas piadas), foram muitas as palavras trocadas, os sorrisos, os incentivos, as gargalhadas conjuntas com perfeitos desconhecidos. Apesar do frio e do nevoeiro, e de não ter visto nenhuma vista espectacular porque a visibilidade devia rondar os 20 metros, o ambiente no meio da serra é maravilhoso e único.

Vou querer voltar, sim. Porque sei que podia ter feito tão melhor!... Não estava a 100%, por um lado, e "engonhei" muito, por outro. Consta que entre quem acabou a prova depressa e esperava por mim na meta, fui apelidada de "ronhas", precisamente por já saberem que eu sou capaz de muito mais do que aquilo que faço e que sou muito queixinhas. E sou! Sou princesa mimada!... E eles têm razão... Eu podia ter feito bem mais, e acabei a prova com uma sensação agridoce. Sim, consegui. Mas sim, devia ter feito mais e melhor. É também esta frustração que me leva a querer voltar para o ano. Mas não digam a ninguém, que eu fartei-me de refilar com quem me convenceu a ir!...

Próximo grande objectivo? Meia-maratona de Lisboa.



(anda uma pessoa a estudar para, entre outras coisas, aprender a escrever no mundo online, e depois sai-se com um testamento que quebra todas as regras...)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Dos meses...

Fevereiro, que hoje começa.

Que é o meu mês. O mês em que eu (não) faço anos.

Gosto de Fevereiro. Gosto que seja meu. Gosto que seja o mais pequeno de todos os meses, que passe sempre a voar, que anuncie, tantas vezes, o adeus ao frio e à chuva e o olá a dias melhores, a dias maiores.

Em 2016, Fevereiro foi o mês mais difícil para mim. Foi o que mais custou. Foi o que mais doeu.

E eu vejo tantas semelhanças entre este Fevereiro e o Fevereiro de há um ano atrás, que tenho medo. Tenho muito medo. 

Começo a questionar tudo. Começo a pôr em causa. Começo a boicotar-me.

Vejo o mesmo cenário que via há um ano atrás, e temo que se repita o mesmo filme de há um ano atrás. E sei, ainda que me digam o contrário, que não ia suportar passar pelo mesmo outra vez. Ninguém aguenta viver duas vezes a mesma dor.

Aguardo ansiosa cada novo dia deste mês. Conto cada dia que passa e somo mais um aos que já acabaram. Quero aproveitar cada dia deste mês. Mas quero que este mês acabe sabendo que lhe sobrevivi.

Quero, preciso, que Fevereiro seja um mês bom. Quero que cada um destes 28 dias que hoje se iniciam, seja um dia feliz. E quero, acima de tudo, chegar a dia 28 a sentir-me estupidamente feliz.





É pedir demais, eu sei. Mas sonhar (ainda) não paga imposto.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Das coisas que eu faço...

Um dia respondes a um anúncio de emprego no Porto. Hoje é o dia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Das coisas que me oferecem...

Depois de ter desistido da ida ao trail de Santa Maria, deixei o trail em suspenso, focando-me no essencial: a Corrida do Fim do Mundo da Europa, já no próximo Domingo.

Mas houve quem não me quisesse deixar desistir do trail e me oferecesse estes meninos...

Nike - Air Zoom Terra Kiger 3 Trail Running Shoe - Women's - Chalk Blue/ Racer Blue/Hyper Orange/Black
(foto retirada daqui)


O problema? O problema é que eu não estou habituada a receber presentes. Não estou habituada a que me mimem. Não estou habituada a que se lembrem de mim só porque sim. Depois de criar quase todo um incidente diplomático, depois de refilar, de resistir, de quase virar costas e não aceitar, eu lembrei-me do que decidi para este ano e da minha palavra: emoção. E aceitei. Aceitei este presente, deixei que me mimassem, recebi estes ténis e todo o carinho que com eles vinha. Porque, às vezes, temos de nos lembrar que aceitar o que os outros nos oferecem, é o melhor presente que lhes podemos dar a eles, e a nós também. Porque dar um presente pode ser uma tão grande forma de emoção, porque receber um presente pode ser uma tão grande forma de emoção. E emoção é o que ser quer por aqui para 2017.

E tudo isto por causa de uns ténis!...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Das coisas que me cansam...

Cansam-me as pessoas muito cheias de si. As pessoas cheias de razão. As pessoas que sabem sempre tudo. As pessoas que têm sempre uma opinião sobre tudo. As pessoas que sabem sempre o que é correcto. As pessoas que são perfeitas. As pessoas que jamais falham. As pessoas que correm a julgar a vida dos outros. As pessoas que vêem tudo pelos seus olhos. Cansam-me.

Gosto das pessoas com dúvidas. Das pessoas que pedem ajuda. Das pessoas que perguntam opiniões. Das pessoas que conhecem os seus defeitos. Das pessoas que são humildes. Das pessoas que ouvem os outros. Das pessoas que querem aprender. Das pessoas que pensam antes de atirar uma pedra. Das pessoas que sabem o que é a empatia. Apaixonam-me.



Que a vida me dê sempre a clareza e a lucidez para ser sempre mais apaixonante e menos cansativa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Das coisas que eu não te peço...

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Não por não desejar que fiques. Mas por ter aprendido, com a vida e com o tempo, que só devemos ter na nossa vida, aqueles a quem não precisamos de pedir que fiquem.

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Mas tem a grandeza de ver mais além e de ver em mim que apenas o faço para ter a certeza de que ficas porque é esse o teu desejo. 

Não te vou pedir que fiques. Nunca. Mas não duvides em momento algum de que é isso que quero.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Das coisas em que eu me meto...




O percurso, que liga a Vila de Sintra ao Cabo da Roca, atravessa a Serra de Sintra em toda a sua extensão, pelo que se adverte para o facto de se tratar de um percurso sinuoso, desgastante e tecnicamente difícil.



Daqui a exactamente dez dias a esta hora, supostamente, já terei acabado esta corrida

Olho para a altimetria, olho para o percurso, leio o que diz no regulamento, e só me apetece chorar. Por que raio é que eu me inscrevi nisto?... Não me sinto minimamente preparada, não treinei o suficiente, e sei que vão ser 17km de sofrimento. Já disse a quem me convenceu a inscrever-me (há mais de três meses atrás), que vou passar a prova a rogar-lhe pragas. A resposta é sempre a mesma: no final, depois da vista que vais ver, vais agradecer-me.

Sim, toda a gente me diz que é uma prova lindíssima, das mais bonitas que se pode fazer. Eu sei. Mas também muita gente me diz que é uma prova difícil e dura. E eu sei que não estou preparada. E eu sei que ando numa fase lontra. E eu sei que a minha vida anda o caos (entre trabalho, faculdade e vida pessoal) e não tem sobrado muito tempo para corridas e treinos.

Tirando a primeira meia-maratona, nunca me senti com tanto receio e tanta insegurança em relação a uma prova. Espero, mas espero mesmo, que não passem de disparates e inseguranças desta cabeça tonta.

Até já, Fim da Europa!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Do que eu te devo...

Este aperto que sinto no peito, este vazio, esta ânsia, este contar os minutos para voltar a estar nos teus braços sem saber ao certo quando (se) isso vai voltar a acontecer, este desnorteio que domina os meus dias, esta sensação de estar perdida sem saber onde me encontrar, este estar não estando, este viver sobrevivendo... A ti os devo. Só a ti.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Do primeiro objectivo de 2017 que eu deixo cair (e ainda só passaram 17 dias)...

Corria o final de 2016 quando me deparei com este post.

Li-o e reli-o. Voltei a ele várias vezes. E, de repente, fez-me todo o sentido.

Eu nasci nos Açores. Naquela ilha. No dia 29 de Fevereiro. Não vou lá há mais anos do que aqueles que gostaria de me lembrar. E, de repente, acreditei que tudo se alinhava para que eu lá regressasse, na altura dos meus anos, para (re)descobrir a minha ilha, de uma forma que me fazia todo o sentido.

E comecei a ver vôos, e a marcar hotéis (just in case...), e a pensar seriamente sobre o assunto.

O problema? Eu nunca tinha feito trail. Falei com quem percebe do assunto, fui fazer um treino a Monsanto, voltei a falar com quem percebe do assunto e ganhei juízo.

Por muito que me custe, e custa mesmo, tenho de admitir que seria um disparate e pouco mais do que um capricho de menina mimada. Não faz sentido. Se há coisa que não devemos fazer nunca, é fazer uma prova para a qual não estamos preparados. Sobretudo, se falamos de trail - e que implica questões de segurança bem mais complexas do que numa corrida de estrada.

Foi assim que aquele que era o primeiro objectivo de 2017, ficou de lado. Temporariamente, apenas. Talvez entretanto me dedique ao trail. Talvez em 2018 vá concretizar este sonho. Talvez não. Já que um dos objectivos de 2017 é regressar aos Açores, e esse objectivo não ficou de lado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Dos dias que correm...

Passo os meus dias na ânsia de receber um sinal teu. Uma mensagem, um telefonema, um qualquer gesto que me diga que te lembraste de mim. Alimento-me das migalhas que não te dignas sequer a dar-me, mas que vais deixando cair quando te cruzas comigo em constante alvoroço. Vivo da esperança de conseguir juntar migalhas suficientes para ter algo a que me agarrar. Acredito que esse dia chegará e é isso que me move, dia após dia. Tão-só isso.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Da minha palavra do ano...

e·mo·ção 
(francês émotion)
substantivo feminino
1. Acto de deslocar.
2. Agitação popular. = ALVOROÇOCOMOÇÃOTUMULTO
3. Perturbação moral. = COMOÇÃO
4. [Psicologia Conjunto de reacçõesvariáveis na duração e na intensidadeque ocorrem no corpo e no cérebrogeralmente desencadeadas por um conteúdo mental
"emoção", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/emo%C3%A7%C3%A3o [consultado em 12-01-2017].

É esta a minha palavra para 2017: emoção. Aquilo que eu quero deixar entrar em mim e na minha vida. Vai ser um ano de viver e sentir mais, e de pensar e analisar menos. Vou dar cabeçadas. Muitas. Hei-de sofrer. Certamente. Mas vou atirar-me de cabeça e quero chegar ao final do ano com a certeza de que não deixei nada por fazer, somente por medo do que podia acontecer.