segunda-feira, 28 de março de 2016

Das dietas...

Já não me pesava há algum tempo e estava com um certo receio, confesso.

Por causa da preparação para a meia, e respectiva recuperação, andei a comer mais, por causa dos desequilíbrios emocionais, andei a comer mais, e por causa da Páscoa, obviamente, andei a comer mais.

Ainda assim... 200gr a menos. Não é muito, eu sei... Mas mereceu uma comemoração com... Chocolate!!!



Não nasci para sofrer!... Nasci mesmo para comer!...

domingo, 27 de março de 2016

De Praga... - VII

Sim, ainda em Praga. Fez ontem um mês que fui e ainda não pus aqui as fotografias todas.

O último dia em Praga foi o dia do meu aniversário. O vôo era só à hora de almoço, e eu ainda queria visitar dois sítios para tirar algumas fotografias. E assim foi.


Mais uma passagem pela mais famosa ponte de Praga, em direcção a Malá Strana.


Achei este sinal amoroso. Não sei a tradução exacta, mas apelava ao convívio amigável entre pessoas e bicicletas, solicitando que se tivesse cuidado com os outros.



Este era um dos sítios que eu queria fotografar, junto ao Museu Kampa.


Estes pinguins eram irresistíveis...


No mesmo sítio, estes bebés curiosos, do já referido David Černý. 


E, por último, para terminar o mini tour pelas muitas estátuas e esculturas caricatas de Praga:


Do mesmo autor, e de nome "Piss", nesta obra vemos dois homens a fazer o seu xixi sobre... A República Checa! Controverso, no mínimo!


E, como tudo o que é bom acaba, lá fui eu para o aeroporto, onde me deliciei com estes bancos...


E não me deliciei tanto assim com a comida da classe económica...


Vou lembrar-me sempre desta viagem e pode ser que um dia volte a Praga. Gostei mesmo muito da cidade, não fica caro, e vale mesmo a pena!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Das outras decisões...

Quem anda por aqui há mais tempo, há anos mesmo, sabe da minha paixão por gatos.

Eu sou uma pessoa de gatos. Eu gosto de gatos. Eu gosto de estar rodeada de gatos E, acrescento, preciso disso. Há dezenas de artigos que falam sobre os benefícios de termos um animal de estimação em geral, e outros tantos sobre ter um gato, em particular.

Nunca mais falei aqui sobre a Cookie nem sobre o que se passou com ela, e não é hoje que o vou fazer, mas desde o Verão passado que eu estava sem gatos.

No final do Verão a minha vida deu as voltas todas que se sabe, em Outubro aluguei a minha casa, comecei a morar sozinha e nos meses seguintes a minha vida continuou a dar voltas e voltas. A ideia de ter um gato foi estando sempre presente, mas nunca me decidi a concretizá-la. Adoptar um gato, ou qualquer animal de estimação, é uma decisão que deve ser pensada e repensada, bem ponderada, para termos a certeza de que estamos preparados para o que ela implica.

E eu continuei a pensar e a repensar. Até ontem.

Ontem eu decidi-me finalmente e fui buscar um gato. Fui, literalmente, apanhar um gato que estava numa colónia de rua de que uma senhora costuma tomar conta. Estava com muitas dúvidas, muitos medos, porque era um gato já com cerca de um ano e era um gato de rua. Nunca adoptei nenhum gato que não fosse bebé e também nunca adoptei nenhum gato directamente da rua. Estava com medo de como as coisas iam correr.

E agora? O que é que eu tenho a dizer? Que foi a melhor decisão que podia ter tomado. Este gato tem estado a ajudar-me a relembrar uma das que é, para mim, uma das maiores lições da nossa vida: a da gratidão.

Desde que entrou cá em casa, há menos de 24 horas, o tempo dele divide-se entre dormir, ronronar e comer. É a coisa mais doce que se pode imaginar. Quando acorda, olha para mim e começa a ronronar. Não está assustado, não se isolou, não está alerta. De manhã esteve a dormir numa poltrona ao sol, completamente esponjado, relaxado, em paz. Ontem, pouco depois de chegarmos, fui pô-lo na casota para ele saber onde era. Bastou uma vez. E deve ter passado tanta fome nos últimos tempos que agora se anda a vingar!

E, perante o comportamento dele, ao vê-lo a dar-se assim a alguém que conhece há umas horas apenas, eu percebo, mais uma vez, o que é a gratidão. A gratidão é isto. E fico de lágrimas nos olhos e só penso no que este bicho não terá passado, para agora estar tão feliz em tão pouco tempo, só porque lhe deram um tecto, comida e atenção.

Quando ele, que mal me conhece, quer subir para o meu colo e me dá turras, quando se estica da sua cama (que pus em cima do sofá ao meu lado) para me tocar com a sua patinha, quando vem atrás de mim de cada vez que me levanto, quando mia porque não me vê, eu volto a lembrar-me que a alegria de viver está nas pequenas coisas. Que, na maior parte das vezes, não precisamos de grandes coisas para sermos felizes. Que, uma das coisas que nos pode realmente fazer mais felizes, é praticar o bem.

E ontem, eu acredito que pratiquei o bem.

Bem-vindo Snow (Jon Snow para os amigos)!






quarta-feira, 23 de março de 2016

Das decisões... - III

Depois disto e disto, decidi que não queria ficar na dúvida.

Decidi que queria saber, que queria perguntar, que queria esclarecer algumas questões, que queria poder arrumar algumas ideias na minha cabeça. Era a única forma de poder seguir em frente.

E foi isso que fiz. O melhor? O melhor foi a meio do processo dar comigo a rir-me para dentro e a perceber que não valia a pena. Que nada do que pudesses dizer ia mudar aquilo que eu já sabia e que sentia. 

Falar contigo só serviu para eu poder respirar fundo, ter a certeza que tinha tomado a decisão certa em querer falar contigo, e ter também a certeza que, desta vez, o problema foste mesmo tu, não eu.

E não, não vamos continuar amigos. Por mais que digas que gostas muito de mim e que não me queres perder. De cada vez que me voltares a dizer isso, voltarei a mandar-te à merda. De sorriso na cara e mantendo o nosso registo super civilizado. Mas vou mandar-te à merda. Não te quero como amigo. Não te quero, de todo.


Das coisas que a vida nos ensina...

Por muito tentador que possa ser, nem sempre é bom voltarmos aos sítios onde já fomos felizes.

Por vezes, é maravilhoso. Outras vezes, é catastrófico.

Como distinguir? Não há forma de saber.

Pelo sim, pelo não, nem sempre vale a pena arriscar. Digo eu. Os optimistas dirão que vale sempre a pena arriscar. Que o que podemos conseguir, vale todo o risco. Eu, não sendo pessimista, mas cansada de bater com a cabeça nas paredes, limito-me a dizer que nem sempre vale a pena.

Talvez amanhã pense diferente. Talvez amanhã diga que tudo o que vivemos nos faz crescer. Talvez amanhã pregue aos sete ventos que a vida é para ser vivida e que nos devemos lançar de cabeça e viver. Talvez.

Hoje? Hoje acredito que às vezes, só às vezes, é melhor não ceder aos impulsos e deixar-me quieta no meu canto. Amanhã, quem sabe?

terça-feira, 22 de março de 2016

Da Meia-Maratona de Lisboa... - II

As palavras que escrevi no Domingo foram escritas a quente, ainda sob o efeito de todas as hormonas baralhadas que percorriam o meu corpo.

Agora, que passaram dois dias, não quero deixar de registar um pouco mais sobre aquele dia e os que o antecederam.

Nos dias antes da meia, e como deu para perceber, o meu estado de espírito não era o melhor. Estava preocupada, com medo, insegura. Pesava-me a consciência porque sabia que não tinha treinado o suficiente. Devia ter feito dois treinos longos, de 17km, e não fiz nenhum. O máximo que corri foram 15,5km nas Lezírias. E, obviamente, isso deixava-me com sérias dúvidas: seria capaz de correr mais 5,5km do que alguma vez tinha feito na vida?

Dois ou três dias antes, tive mais cuidado com a alimentação e aumentei a ingestão de hidratos e de proteínas, bem como de ainda mais água. Na véspera, jantei o que era suposto e deitei-me cedo. Acordei às seis da manhã e não consegui dormir mais. Estive até às sete e meia a dar voltas na cama e acabei por desistir e levantar-me, para tomar o pequeno-almoço, vestir-me e seguir para o Areeiro. Fui com o meu pai, o único que convenci a alinhar nisto comigo. Na verdade, foi em parte graças a ele que comecei a correr, pelo que seria justo ser ele arrastado quando eu meti na cabeça que queria fazer a meia.

E lá fomos. Estava nervosa. Continuava insegura. Quanto mais nos aproximávamos (e foi um processo duro e longo, devo dizer), mais ansiosa eu estava. Muitas vezes me perguntei o que é que eu estava ali a fazer.

E, de repente, a prova começou. Despedi-me do meu pai, pus os phones, e lá fui eu. O princípio foi muito caótico. Ainda estava muita gente concentrada. Por razões que me ultrapassam, a meio do tabuleiro, já havia gente parada e a caminhar. Eu lá tentei manter-me no meu ritmo, e fui durante muito tempo nas faixas centrais, a ver o rio lá em baixo. Vertigens e medo? Zero! A adrenalina está ao rubro e não há tempo para pensar nisso. A nossa cidade é linda e eu só queria aproveitar a vista e o momento.

Os primeiros kms correram lindamente, a tentar encontrar o meu ritmo, e a resistir à tentação de ir mais depressa do que era suposto. Sabia que para aguentar os 21kms tinha de dosear bem o esforço, e foi difícil obrigar-me a abrandar ao princípio. Quando corremos no meio de tanta gente, facilmente nos deixamos contagiar pelo ritmo de quem vai à nossa volta, que nem sempre é o nosso. 

Lembrei-me agora que podia não estar aqui agora a escrever isto... Eu sou aquela pessoa a modos que distraída que depois do abastecimento de Alcântara, estava tão preocupada em deitar a garrafa de água fora nos contentores apropriados, que de repente, olha para cima e percebe que há uma divisão nos caminhos: meia-maratona para a esquerda, mini-maratona para a direita. E eu estava na faixa mais à direita, claro. Toca de atravessar as faixas todas para a esquerda, em dez metros, com a forte probabilidade de algumas pessoas me terem insultado mentalmente. Não quero sequer imaginar o que seria não me tivesse apercebido a tempo!...

Mas lá continuei e ao fim de 7kms lá atinei com o meu ritmo. Os postos de abastecimento eram muitos e acho que isso também ajuda a termos uma maior sensação de progressão. Ao chegar ao Cais do Sodré estavam umas raparigas com um cartaz genial: tinha um desenho de um daqueles cogumelos do Super Mario e dizia qualquer coisa como "Tap here to boost power". E eu fui lá tocar, claro! São estas coisas tontas que ajudam a manter o espírito animado e um sorriso parvo na cara!

Também nesta altura, percebi que tinha uma bolha no pé esquerdo. O meu pensamento foi qualquer coisa como: paciência, aguenta-te! Até aos 15,5km, de cada vez que me doía alguma coisa, a minha conversa com o meu corpo era: já correste 15,5km uma vez e aguentaste, por isso, nada de queixinhas até lá! Sim, eu tive muitos e variados diálogos geniais comigo mesma. É incrível o que a nossa mente divaga durante 21kms! Isso e dar comigo a cantarolar certas músicas!... Tanta gente que deve ter achado que eu era maluquinha!... Mas é o que dá ir sozinha. Tenho de me entreter e manter o espírito em alta!

Outro dos meus momentos brilhantes foi ir a passar junto ao Centro de Congressos e pensar "boa, já estou quase em Alcântara, depois é logo Belém". E, de repente, olho para trás e vejo a ponte lá no alto e sinto uma alegria gigante: "nãoooo! Tu já passaste Alcântara! Belém é já ali!!!". Deve haver alguma explicação científica para isto. Claramente que o sangue não pode chegar ao cérebro e às pernas ao mesmo tempo!...

Um dos momentos que eu mais temia era mesmo a passagem por Belém (onde estava a meta) aos 13kms. Porque nesta fase já haveria muita gente a vir em sentido contrário e a terminar a prova, e a mim ainda me faltava ir ao Dafundo e voltar (mais 8kms, leia-se). Não foi tão mau quanto pensei. Se, por um lado, me custou pensar no que ainda me faltava, por outro, deu-me alguma energia olhar para os que estavam a terminar a caminhada e a mini e pensar "fraquinhos!" (sim, também me deu para a pequenez de espírito - foi toda uma viagem pelo fundo do meu ser).

Passou Belém, dois terços do percurso estavam feitos, eu continuava super estável no meu ritmo, e estava fresca e fofa. A partir dos 15/16kms comecei a fraquejar. Começou a doer-me o joelho esquerdo e eu só pensava que nunca na vida tinha tido dores nos joelhos. Não podia ser. Mais uma vez, disse ao corpo que parasse de se queixar. Esta fase foi também difícil porque depois da passagem por Algés, parecia que o ponto de retorno nunca mais chegava e só me parecia que corria, corria, e nada. Por esta altura, havia um abastecimento com laranjas que me souberam pela vida, e ainda me cruzei com o meu pai (que ia super lançado em sentido contrário). Mais um boost, se não de power, de entusiasmo, e uma sensação óptima quando, finalmente, dei a volta em direcção a Belém.

Foi nesta fase, a cerca de 3kms do fim, que decidi acelerar para queimar os últimos cartuchos de energia, e tentar melhorar o tempo. Sentia-me bem, não demasiado cansada, a respirar bem, e deu-me um gozo enorme ir a ultrapassar imensa gente neste momento da prova.

E cheguei à meta. Cheguei à meta inteira, a sentir-me bem, estupidamente feliz e orgulhosa de mim mesma. Mais uma vez, fui capaz de ultrapassar os medos, as inseguranças. Fui capaz de me ultrapassar a mim mesma. Porque, mesmo a correr com 10300 pessoas, eu só estava a competir comigo mesma. Eu só queria superar-me a mim mesma. E, mesmo não tendo feito o tempo que queria, fiz um tempo bem melhor do que aquele para o qual andei a treinar. E esta sensação é inexplicável.

Correr pode ser uma moda. Pode ser o que lhe quiserem chamar. Sim. Mas, para mim, correr é a minha forma de ser mais e melhor. Se não o conseguir fazer em mais área nenhuma na minha vida, que o faça na corrida!

Fazer uma meia-maratona (ou qualquer prova longa) é fazer uma viagem por nós mesmos. É preparar o físico durante semanas (meses), é ter a disciplina de ir treinar 3/4 vezes por semana, é sair de casa de noite e com frio, é ter cuidado com a alimentação, é ultrapassar lesões e dores, é insistir, é não desistir. É preparar também a mente, parte igualmente importante no processo, que nos permite manter o foco no objectivo e continuar a persegui-lo. Todo este processo é uma lição de vida, que nos ensina muito, sobretudo sobre nós mesmos. E, por isso também, a sensação que se tem quando se atinge o objectivo é maravilhosa. E pode servir de inspiração para tudo na nossa vida: quando temos um objectivo definido, quando nos preparamos para ele, quando não baixamos os braços e lutamos, nós conseguimos!...

E se alguém teve paciência para ler tudo isto até ao fim, fique sabendo que terá sido bem mais difícil do que correr uma meia-maratona! 

E venha a da Vasco da Gama!

domingo, 20 de março de 2016

Da Meia-Maratona de Lisboa...



Foi tão bom! Foi mesmo, mesmo bom! Correu muito melhor do que estava à espera, custou-me muito menos do que pensava, e só não fiz um tempo tão maravilhoso como gostaria mas, ainda assim, fiz menos três minutos do que estava previsto no meu plano de treino.

Eram cerca de 10300 pessoas a correr e mais uns quantos milhares para a mini e para a caminhada, pelo que houve alturas muito caóticas, sobretudo no início (nos acessos à partida) e no fim, depois da meta. Mas durante o percurso correu tudo lindamente! 

Quando passei a meta, houve um senhor que resolveu abrir os braços e deu-me uma estalada enorme na cara... Fiquei a fazer beicinho e com uma vontade imensa de chorar, não sei se da estalada se da emoção de ter conseguido...

Houve vários momentos nos últimos dias em que eu me questionei seriamente sobre se seria capaz... E, por isso, foi espectacular ver que sim, que fui capaz!

E assim está cumprido um dos meus objectivos para 2016: correr a minha primeira meia-maratona!

sábado, 19 de março de 2016

Do meu estado actual...

Em pânico com a meia.

Já vi e revi o percurso. Aliás, nos últimos dias, quando ia e vinha no comboio, não fiz outra coisa senão olhar para o percurso e pensar como é que ia fazê-lo a correr... Mas, por outro lado, ontem vi a meta que já está montada e fiquei de sorriso parvo na cara.

Hoje também já vi e revi o plano dos postos de abastecimento e li vários artigos sobre alimentação e hidratação antes, durante e depois de uma meia-maratona. O que comer? O que beber? Quando? Como?... É toda uma ciência que me transcende!... Ando aqui numa análise profundíssima para tentar perceber as minhas reais necessidades para não beber demais nem de menos durante a prova... É fácil entusiasmarmo-nos com tanto abastecimento e tanta coisa à nossa disposição, mas a última coisa que quero é fazer os últimos kms aflita para ir à casa-de-banho... Bem, se calhar, até corria mais depressa. Mas prefiro não experimentar!...

Também não sei o que vestir. O drama. O horror. Calções? Corsários? Meias azuis ou rosa? Que camisola levar, sabendo que o objectivo é deixá-la abandonada na partida? E se chove? Ai, se chove!... Nunca corri com chuva. Na Lezíria caíram umas pingas, mas nada do outro mundo. Se chove a sério, não sei como vai ser... Levo alguma coisa para me proteger da chuva? Ou só me vai atrapalhar?

No meio deste caos mental há uma coisa que está certa e definida: a playlist. Ainda assim, se quiserem acrescentar sugestões, estão à vontade!

Amanhã a esta hora espero estar a rir-me de todo este drama e disparate!...

Das coisas que eu faço...

Achei por bem criar uma conta de Instagram para o blogue.

Não sei bem o que vai sair dali. Não sei se vai durar muito, se vou ter paciência, se me vou lembrar que existe. mas está criada.

Nem sempre actualizo o blogue com a frequência que desejaria mas até tiro bastantes fotografias e pode ser que consiga manter algum nível de actividade naquela rede social.

Vamos ver.

Se quiserem seguir, procurem por eusouagridoceetu.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Dos meus pesadelos...

E o meu pesadelo desta noite foi com... a meia-maratona!...

Sonhei que a dada altura, numa zona que não era Belém mas parecia Belém e na lógica do sonho devia ser para aqueles lados, tinha resolvido parar um bocado já não sei para quê. O problema foi que entretanto dei por mim e estava a passar o carro-vassoura e estavam a reabrir o trânsito. E eu só pensava que tinha que recomeçar a correr e que tinha de apanhar o carro. Mas entretanto tinha comigo uma mala e, obviamente, não queria nem podia ir correr com a mala. Então andava em desespero à procura de alguém que me guardasse a mala, mas ninguém aceitava. E eu cada vez mais preocupada a pensar em tudo o que tinha de correr para apanhar o carro-vassoura e como é que o ia fazer se já tinham reaberto o trânsito... Toda eu era desespero e pânico. E, de repente, acordei porque alguém achou por bem mandar-me mensagens às seis e pouco da manhã... Fiquei sem saber se voltei a correr ou não!...

E é isto. Nota-se muito que estou preocupada com a meia?... E com a passagem por Belém?... 

Faltam três dias!... Três!... E ontem fiz o penúltimo treino e custou-me horrores. Ontem, pela primeira vez, pensei seriamente em acabar o treino mais cedo do que era suposto. Acho que só não o fiz porque achei que, já que tinha de fazer os kms que me faltavam para poder regressar ao meu carro, era idiota fazê-los a caminhar e não a correr, além de que a correr sempre acabava mais depressa com o meu sofrimento!...



Me-do.

quarta-feira, 16 de março de 2016

De Praga... - VI

No meu terceiro dia em Praga, Domingo, tinha planeado visitar o Bairro Judeu e depois passar para o outro lado do rio, para visitar o Parque Petřín.

Como já referi anteriormente, Praga é também a cidade das esculturas peculiares. Esta ficava mesmo ao fundo da rua do meu hotel. Passa muito despercebida, se não soubermos que ela existe e se não olharmos bem para cima.


É da autoria de David Černý, um artista checo que tem várias obras espalhadas pela cidade, e representa Freud, na indecisão entre continuar agarrado ou deixar-se ir.




Já no Bairro Judeu (Josefov), comecei pela visita ao Museu Judaico. É interessante mas... Não é nada do outro Mundo!


Este bairro funcionou como gueto de Judeus desde o século XIII, e ao longo dos séculos, os Judeus foram sempre confinados a esta zona da cidade. Apesar de, actualmente, já existir também muita construção moderna no bairro, neste bairro existem muitos edifícios muito bem conservados que representam a presença judaica nesta cidade e um dos melhores exemplos a nível europeu. Mesmo durante a ocupação Nazi, apesar de terem sido levados cerca de 80.000 judeus para campos de concentração só desta zona, toda esta área foi preservada porque Hitler tinha como objectivo criar ali o Museu da Raça Extinta...


Um dos edifícios mais impressionantes é a sinagoga Pinkasova (a segunda mais antiga em Praga). O que é mais impressionante aqui são as paredes da sinagoga, que nos anos 50 foram cobertas com os nomes dos cerca de 80.000 judeus desta região que foram vítimas do holocausto.  


Além dos nomes, foram pintadas a data de nascimento e de falecimento (quando se sabia). É arrepiante ver nomes de crianças de 4, 5 anos nestas paredes...


Eu não sou uma pessoa muito impressionável, nem particularmente sensível a este tipo de coisas, mas foi para mim um verdadeiro murro no estômago. Senti-me completamente esmagada, sem palavras, a sentir-me obrigada a demorar-me em frente a cada um daqueles nomes como se os quisesse homenagear. É inexplicável.

Mas o pior estava para vir. E dessa parte não tenho fotografias. Dentro desta sinagoga há uma exposição de desenhos feitos por crianças no Campo de Terezín - que não era um campo de extermínio, era um campo de concentração que era usado com fins de propaganda, pelo que era menos mau (se tal é possível!...). Ainda assim, os desenhos daquelas crianças, dos seus sonhos, dos seus desejos, das memórias que tinham da vida antes do campo, mexe com qualquer pessoa...



Depois deste momento mais pesado, passei para o Cemitério Judeu. Neste cemitério, que foi usado entre os séculos XV e XVIII, estima-se que tenham sido enterrados cerca de 12.000 judeus. Como? Em camadas... Há locais em que foram feitas 12 camadas!... Daí que o amontoado de lápides tenha este efeito curioso.


Uma das coisas que achei curiosa, porque desconhecia completamente esta tradição judaica, foi o facto de muitas das sepulturas terem pequenas pedras colocadas em cima.


É o verdadeiro caos de lápides!... Regra geral, não são muito trabalhadas, mas as mais recentes já têm alguma decoração. 



Daqui, segui para a sinagoga Espanhola, junto à qual temos mais uma estátua. Desta vez, em homenagem a Kafka (que viveu nesta zona).



A sinagoga Espanhola impressiona pelo seu estilo e pela decoração completamente diferente das outras. É também a mas recente da cidade (meados do século XIX).






Depois de visto o Bairro Judeu, segui junto ao rio para o atravessar e ir para o parque.



Pelo caminho, passei por este curioso ginásio. Que tipo de aulas decorrem lá, deixo à vossa imaginação.


Num dos extremos do parque, o que eu usei para entrar, está este monumento ao comunismo. Mais uma escultura curiosa!... 


É uma escultura mais pesada, em que vamos vendo os corpos cada vez mais desfigurados, conforme vão estando mais longe. É mais uma representação da forma como os checos olham para este período da sua História.


Depois de muito caminhar e subir, cheguei à torre Petřín, construída em meados do século XIX, e com algumas semelhanças à Torre Eiffel. Para chegar lá acima sobem-se 299 degraus.


A vista é espectacular (pena que o dia não estivesse grande coisa) mas, confesso, tive medo. Eu não costumo ter vertigens mas lá em cima a torre abanava com o vento e a sensação não era muito agradável. A descida custou-me bastante e achei que ia ter um ataque de pânico...



Já cá em baixo, depois de me sentar a descansar uns minutos, fui a outra das atracções deste parque: o Labirinto dos Espelhos.


É engraçado. Mas é só isso!...


Como se ainda não bastasse... Dei corda às botas e fui em direcção ao Mosteiro Strahov, numa corrida contra o tempo. Quando lá cheguei, disseram-me que a igreja já estava fechada... Continuei a correr para aquele que era o meu objectivo: a biblioteca.


E consegui!... Ou melhor, consegui estar lá dez minutos, porque depois disso começaram a correr comigo... Mesmo tendo pago o bilhete e tendo pago ainda um extra para poder fotografar (têm olho para o negócio, os checos!).


As fotografias não estão grande coisa (não é fácil fotografar com uma senhora com um ar assustador e com o dobro do nosso tamanho a gritar "closing, closing"), mas esta foi considerada uma das bibliotecas mais bonitas do Mundo. Ainda não vi todas as bibliotecas do Mundo, mas esta é muito bonita, sim!


 Já sem pressão de horas, perdi-me por Malá Strana. Literal e figurativamente.


Tão a minha cara!...


Em Praga comi muito... Não tivesse eu feito também muitos e muitos quilómetros (neste dia foram mais de 15, certamente...), e tinha voltado a rebolar... Na imagem: chocolate quente e strudel de maçã.


O principal problema daquela terra é ter muitos cafés e restaurantes muito giros, com muita comida boa e tudo com preços muito acessíveis. É impossível resistir!...


Entretanto apanhei uma molha, ficou de noite, e resolvi dar uma volta para fazer algumas compras.


Sim, é o Kamasutra em versão chocolate. Esta loja era o paraíso do chocolate. Desde bombons de tudo e mais alguma coisa, a chocolate em barra para ser vendido ao peso, a chocolates com mensagens personalizáveis na hora... O paraíso na Terra!


Praça da Cidade Velha à noite.


E foi um dia muito agitado... Cheguei ao hotel completamente de rastos... Com dores nas pernas e nos pés como nunca tive depois de correr!... Mas de alma cheia e com aquela sensação boa de ser uma sortuda por poder ter o privilégio de conhecer Mundo. Depois de tudo o que vi e aprendi neste dia, não havia como não me sentir imensamente grata pelas coisas boas que tenho na minha vida. E foi nestes espírito que passei a meia-noite e entrei nos 32.





terça-feira, 15 de março de 2016

Das coisas que eu continuo sem perceber...

A partir de um texto que partilhaste no teu Facebook, chego ao teu blogue, de que já não me lembrava.

Leio a meia dúzia de textos que tens por lá. Antigos, muito antigos. Não consigo evitar sorrir por ver naquelas palavras um pouco do que ainda és hoje, e muito do que eras quando te conheci.

Ao ler os teus textos e poemas, também não consigo evitar lembrar-me do dia em que me ligaste só para me dizer que querias escrever um livro e que querias que fosse eu a escrevê-lo contigo. Achavas que eu era a pessoa certa para pôr por escrito o que te ia na mente e que não conseguias verbalizar. 

Porra! Sou só eu que acho que dizer a alguém que queremos que escreva um livro connosco é qualquer coisa de muito sério? Falaste-me em vivermos juntos, em casar, em ter filhos. Até aí, tudo dentro da normalidade dos padrões da nossa sociedade pseudo-moderna do século XXI. Talvez não tão dentro da normalidade dos padrões de tempo da mesma sociedade pseudo-moderna, mas cada um sabe de si e do seu tempo.

Agora, pedires-me para escrever um livro contigo? Para depois desapareceres, assim?

Não, não vou entender nunca.

Das minhas noites...

E ao fim de cinco meses de noites de insónias constantes, a não conseguir dormir mais do que 3/4 horas seguidas, voltei a conseguir dormir. Desde que não me deite demasiado tarde, consigo dormir 6/7 horas e tem-me sabido pela vida. Sou daquelas pessoas que precisa mesmo de dormir e isto já não ia nada bem!...

O problema? O problema é que agora sonho ainda mais. Nas duas últimas noites tive uns sonhos maravilhosos com quem não queria. Algum truque especial para controlar o nosso subconsciente?


(sim, tenho sempre de me queixar de qualquer coisa!...)


segunda-feira, 14 de março de 2016

Do meu fim-de-semana...

O meu fim-de-semana foi... Cheio!

Faço por me manter ocupada. Enquanto estou ocupada, não penso. E, quando penso, invariavelmente, dá asneira.

Sexta-feira saí do trabalho, mais tarde do que gostaria, fui ver uma exposição com uma amiga, e ainda fomos à inauguração de outra. Não há maneira de eu gostar de arte contemporânea mas ela arrasta-me para estas coisas, e eu vou começando a tolerar melhor. Quanto mais não seja, há vinho nas inaugurações, pelo que nunca é tempo perdido!...

Acabei por jantar em Lisboa, num restaurante que desconhecia: um nepalês que é tasca, tasca, tasca. Daqueles que a ASAE fecharia certamente, mas onde se come bem por um preço estupidamente baixo. Acabou por ser uma experiência nova para mim, porque sou menina mimada e comodista, e nunca tinha vindo tão tarde de comboio para casa... Mas sobrevivi. Obviamente, sobrevivi!

Sábado comecei o dia na... Sportzone! Oi?! Sábado de manhã na Sportzone?!... Parece que sim... Comprei uns calções e uns corsários lindos que só eles, possivelmente para levar à meia, e umas meias XPTO (estive, à vontade, dez minutos para escolher um par de meias... Um par de meias!!!). Seguiu-se supermercado, passagem em casa para descarregar e comer qualquer coisa, e IKEA.

Fui comprar mais algumas coisas que continuavam em falta no meu pequeno T1. Finalmente, desmontei a árvore de Natal e passei os livros para uma estante:


Também comprei uma capa de edredão para a minha cama (o quarto tem sido, claramente, a área mais negligenciada no que toca a aspectos decorativos...) e o enchimento que me faltava para completar as almofadas no meu sofá. 


Cor-de-rosa. Muito cor-de-rosa. Vantagens de viver sozinha e de poder escolher o que me apetece. E gosto tanto!...

O resto do dia foi passado em arrumações e limpezas, e ainda deu para ir fazer uma corridinha.

Domingo, dia de brunch familiar lá em casa, para apresentar a casa a quem ainda não a conhecia, e para mostrar as novidades a quem já lá tinha ido.


Fiz um bolo de maçã, iogurte e manteiga de amendoim (fiz manteiga de amendoim caseira no Sábado entre arrumações e limpezas...), que ficou maravilhoso.

O dia acabou e voltei àquela sensação de vazio que fica depois das coisas boas... Mas gostei de ter as minhas pessoas lá em casa, adorei andar aos pulos na minha cama com o meu sobrinho, e foi maravilhoso passar mais um dia de volta de pratos e copos, na conversa e na descontracção total.