quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Das memórias que me chegam pela comida...

Há dias comprei um pacote de línguas de gato. Coisa rara, por sinal.

Há pouco, enquanto as devorava sofregamente como quem devora a maior iguaria de sempre, não pude deixar de dar comigo a divagar e a regredir no tempo.

Comer línguas de gato é lembrar-me da minha avó.

Em casa da minha avó havia sempre línguas de gato. Línguas de gato que estavam num frasco de vidro na bancada da cozinha. Lembro-me como se fosse hoje. E talvez tenha sido há vinte anos.

Mas aquelas línguas de gato, tantas vezes roubadas às escondidas (É só uma, ninguém nota...), fazem parte das minhas memórias de infância e hão-de sempre fazer.

E eu hei-de sempre regressar à minha infância quando comer línguas de gato. E eu hei-de sempre lembrar-me da minha avó quando comer línguas de gato.

Porque é destas coisas ridiculamente simples que a vida é feita. Porque são estas memórias que ficam. Porque é destes bocadinhos de nada que todos nós somos feitos. Porque, no fim do dia, é das coisas ridiculamente simples que, por vezes, sentimos mais falta.